Please Dont Stop The Rain
10 Ten
Notas iniciais
E pra minha Way linda ♥
Lets go!
Frank fora levado à delegacia após ter alta do hospital pela segunda vez aquela semana, sob avisos de que não deveria fazer esforço físico e quase rindo do médico que lhe disse isso, apontando a perna engessada e um guarda roupa ruivo que não lhe deixava o lado por mais de dez minutos. Gerard simplesmente ligara para faculdade e dissera que não apareceria por alguns dias mais, abandonando tudo por Frank e seu bem estar. Avisara também que a banda não ensaiaria tão cedo, fazendo um Mikey bicudo aparecer para buscá-los na delegacia mais tarde e levá-los de volta ao apartamento dele – que algum fantasma, talvez Mikey ou Donna, havia arrumado.
Gerard e Mikey praticamente o carregaram escada acima, coisa que o fez sentir vontade de se jogar do colo deles e rodar até a rua, deixando-o no sofá em seguida. Gerard ligou a TV e sentou-se o seu lado, o irmão no chão ao lado dele. Frank estranhou a cena, imaginando porque Mikey ficaria com eles ali. Franziu o cenho em sua direção.
– Agora tenho dois enfermeiros? – Perguntou, um pouco incomodado.
– Três. – Uma terceira voz masculina veio da cozinha.
Era Ray, vindo com dois baldes de chips e um DVD na mão, que não ele não conseguiu ver a capa.
– Quatro. – Bob veio atrás, com uma bandeja de refrigerantes.
– E uma enfermeira. – Donna apareceu, vindo do quarto do menor, com várias toalhas molhadas nas mãos e olhando feio para Gerard, que se encolheu em seu lugar.
Frank se afundou no sofá. Nunca mais ficaria sozinho na vida.
Ray colocou o DVD no aparelho, sentando-se no chão ao lado de Frank e Bob no banco que antes se encontrava o pé dormente do moreno. Donna invadiu sua cozinha e ele não quis nem perguntar o que ela poderia estar fazendo lá. Ele olhou a capa do DVD, entitulado “Road Stars”. [*]
– Sobre o quê é isso? – Perguntou o menor.
– A história de uma banda que começou numa van pelo país. – Respondeu Bob.
– Não “uma banda”. “A banda”. – Corrigiu Ray.
– É Bob, estamos falando de Green Day, cara. – Apoiou Mikey.
– Eu tenho vontade de fazer isso. – Comentou Gerard, absorto em pensamentos.
– Nós todos temos. – Acompanhou Bob.
– Calem a boca, vai começar.
Depois de algum tempo se descontraindo, bebendo refrigerante e comendo bobeiras que Donna trazia da cozinha, ele já não estava mais incomodado com a presença de tanta gente em sua casa. Estava se divertindo com a história e com os comentários que Ray ou Mikey faziam, além de um certo momento em que o guitarrista chuta o vocalista em seus genitais e os cinco agarraram suas próprias partes em solidariedade à sua dor.
– Isso deve ter doído. – Murmurou Gerard, ainda segurando a braguilha da calça.
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Quando o DVD acabou, o sentimento de que deveriam fazer alguma coisa ficou. Não fazer alguma coisa ali, como jogar video game ou ir pra casa. Fazer alguma coisa de suas vidas. O silêncio reinou enquanto os cinco processavam se poderiam ou não juntar suas coisas e simplesmente sair pela estrada, tentando a sorte onde quer que fosse, espalhando sua música. Frank não tinha nada que o segurasse ali, portanto sua resposta seria sim sem nem pensar, caso pedissem. Mas os outros tinham famílias, amigos e faculdades, além de empregos.
Era triste saber que nada o segurava ali, apesar de ser uma coisa boa em certo ponto de vista. Poderia estar em qualquer lugar sem nada que lhe fizesse sentir saudade, que não teria que voltar correndo à qualquer momento porque algum ente querido faleceu ou tem um aniversário para comparecer...
– Podemos pegar o trailer do meu avô... – Bob disse baixinho, interrompendo a divagação dele, mais para si mesmo do que para os presentes na sala.
– E a van do meu pai. – Ray olhou para Gerard e Mikey.
A decisão final era deles, afinal, Gerard era o vocalista e não iria a lugar nenhum sem o irmão.
– Eu não sei... – Gerard olhou para o irmão que não tinha expressões. – O que acha Mikey?
– Podemos vender nossos móveis e os instrumentos que estão sobrando, acho que dá pra viver uns seis meses na estrada com o dinheiro, mesmo sem ganhar mais nada... – Mikey alcançou um bloco de notas em cima da mesa e começou a fazer as contas.
– Acho que posso ajudar vocês. – Donna se revelou presente durante quase todo o tempo em que se decidiam.
Em pouco tempo, estavam os cinco sentados no chão, Frank ainda no sofá, todos com cadernos e anotações nas mãos, interrompendo o raciocínio dos outros hora ou outra para lembrar de alguma coisa ou dizer o que pensavam que poderia dar certo. Decidiram o que poderiam levar, o que vender, o que manter, fizeram ligações longas, conseguiram os carros e no fim de muitas horas conseguiram calcular que teriam dinheiro o suficiente para um ano de estrada, se fossem cuidadosos.
Venderiam tudo no apartamento de Mikey e Ray, incluindo um baixo extra que o irmão réplica tinha, passando o apartamento a frente, assim como todos os móveis da tabacaria de Bob, mas mantendo a mesma para o caso de voltarem algum dia e necessitarem de um lugar pra ficar. Frank venderia tudo que não estava em uso em seu apartamento, ficando basicamente com o que havia na cozinha e no quarto, só o necessário para ele. Donna ficaria no apartamento dele, diminuindo assim um aluguel, e cuidaria da tabacaria quando precisasse. Gerard, Frank e Ray trancariam seus cursos na faculdade. Mikey só tinha mais alguns meses de aulas na escola de música, então decidiram ficar até essa data, porque afinal, não lhes ajudaria em nada sair em tour com um baixista que não aprendeu tudo que precisava. E também tinha o gesso do menor, que precisava ser retirado, quase na mesma época em que o loiro-moreno terminaria suas aulas.
Eram quase duas da manhã quando todos foram embora eufóricos, deixando-o sozinho com Gerard pela primeira vez desde que deixara o hospital. Ele se sentia bem. Tinha planos para o futuro pela primeira vez na vida. Tinha alguém que se importava com ele e amigos que o tratavam como igual, além de uma sogra que o tratava como filho. Imaginou que sua vida nunca ficaria melhor do que isso.
Gerard deitou a cabeça em seu colo, sonolento, mas eufórico demais para dormir, cheio de ideias e planos, contando tudo que passava por sua cabeça a ele, enquanto o menor brincava com seus cabelos distraidamente, tentanto memorizar aquele momento de tranquilidade e paz. Em algum momento, calou o maior com um beijo, fazendo-o diminuir a velocidade de seus pensamentos e entregar-se ao moreno de corpo e alma.
Não precisou de muito e estavam de volta a cama de Frank, dando continuidade ao beijo que fora interrompido antes por seu pai alcóolatra, mas que o moreno esquecera-se completamente. Não precisava mais se preocupar com ele agora, preso em alguma cela suja da delegacia e falando pelos cotovelos sobre seu filho gay que só lhe trazia desgosto. Não se importava nem mesmo com o sumisso que seus valentões haviam tomado após a polícia ser envolvida em um de seus atos mais violentos. Tudo que importava era que Gerard estava ali com ele, colando seus lábios aos dele, trocando respirações descompassadas, reencontrando o paraíso juntos mais uma vez.
Gerard não era o primeiro homem na vida de Frank, assim como ele não era o primeiro na vida do ruivo, mas toda vez que se encontravam em tal situação, era como se fosse a primeira vez. Redescobriam-se a cada toque, cada gesto, cada expressão e cada som que o outro fazia. Encantavam-se em cada curva do corpo do outro, encontrando cada vez mais coisas que apreciavam, fossem texturas, cores, odores ou sabores. Ele nunca se cansava se olhar no fundo daqueles olhos verdes e encontrar esperança, amor e carinho.
Não tinha noção do que aconteceria no momento em que estivessem todos na estrada, correndo atrás de um sonho que parecia insano, tentando uma vida que poderia tanto dar certo quanto dar errado e deixá-los falidos. Fitava o teto, enquanto Gerard dormia profundamente em seu ombro, imaginando como seriam suas vidas pelos asfaltos quentes e rodovias empoeiradas, aguentando uns aos outros o dia inteiro, vivendo de água engarrafada, comida industrializada e música. Adormeceu sabendo que a única coisa que importava era que eles estavam indo atrás da felicidade e que independente do fim da história, teriam muito o que contar quando ficassem velhos, fossem coisas boas ou não.
Notas finais
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Quem não quiser ver o DVD inteiro (Playlist com ele inteiro no Youtube: http://bit.ly/MgToXR), aqui tem o vídeo com a cena onde Frank chuta as bolas do Gerard em pleno palco, no meio de uma música: http://youtu.be/u4CJ32dikWE
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