Notas iniciais
Último capítulo e... ♥
Por favor, leiam ao som dessa música: http://youtu.be/F2Cm_4573fs
.
Um abraço, de coração, a todos que acompanharam e comentaram.
Um abraço especial pra minha Way, que me ajudou nos momentos em que a criatividade fugia pra Nárnia ♥
.
Let's go!

\"\".

O tempo é uma coisa muito relativa. Quando jovens, queremos que passe devagar para aproveitarmos, do mesmo modo que queremos que passe logo para ficarmos mais velhos e, levianamente, intependente de nossos pais. Quando velhos, o saudosismo de uma época nos consome, nos estagnando no tempo, querendo de alguma forma voltar atrás. E há aqueles, no meio de tantos querendo envelhecer e rejuvenescer, que estão exatamente onde deveriam estar.

Estava esticado na cama do hotel em Londres, sorrindo sozinho para o teto, orgulhoso de onde chegara. Estava suado, colando e cansado, mas estava feliz. Poderia até mesmo ser o homem mais feliz na face da terra. Relembrou o passado, dias enfurnados em uma van com mais quatro marmanjos fedendo a cigarro, cerveja e suor. Foram, de fato, os melhores anos da sua vida. Não imaginavam, de modo algum há oito anos, que chegariam onde estavam.

Oito anos.

Oito anos de estrada, calor, poeira, frio, gripes repentinas, shows lotados, CD’s vendidos por todo o mundo, prêmios, calor humano e amor dos fãs. Oito anos de amizade verdadeira, mesmo nos tempos de fome e sede, mesmo esquecendo uns aos outros nas paradas de caminhão por vezes, mesmo pelas crises existenciais, estavam juntos, unidos por um laço invisível e impossível de quebrar. Unidos pela música e por amor ao que faziam.

– Qual é a do sorriso bobo? – Gerard saiu do banheiro, o peito nu molhado, os cabelos pingando, uma toalha branca enrolada na cintura.

– Estou exatamente onde deveria estar. – Murmurou. – Estou exatamente com quem deveria estar. – E sentou-se na cama, sorrindo para o ruivo.

Gerard sorriu para ele. Parecia uma criança na noite de natal, esperando em silêncio pelo Papai Noel, sem conseguir dormir com a ansiedade. Aproximou-se do menor, selando seus lábios.

– Você tem gosto de palco. – Riu.

– Vou dar um jeito nisso. – E começou a se despir.

Antes mesmo de alcançar a porta do banheiro para se lavar, Gerard abraçou sua cintura, beijando-lhe as costas, arrepiando cada centímetro de seu corpo. Era incrível o poder que o maior tinha sobre seu corpo, mesmo conhecendo cada centímetro dele. Talvez até por saber disso, mas não importava.

– Quem disse que eu ligo? Eu gosto de palco. – Mordiscou-lhe o pescoço, seguido pelo lóbulo da orelha e sussurrou. – Eu gosto de você.

Não precisou de muito tempo e estavam dentro do chuveiro, nus e nem um pouco envergonhados, repetindo o ato de tantos anos atrás, Frank agora sem uma perna engessada para atrapalhar. Comemoraram juntos entre gemidos abafados e prazeres explícitos os oito anos que estavam juntos, os oito anos que tiveram o prazer de compartilhar com o outro, prevendo mais outros muitos anos que vinham pela frente. Alcançaram seu ápice quase sincronizados, pois muito bem conheciam o parceiro depois de tanto tempo, abrançando-se fortemente enquanto a água morna lhes acalmava os corações e as repirações fora de rítmo.

– Eu amo você. – O moreno sussurrou.

– Eu amo você. – O maior repetiu.

.

.

.

– Eu não vou vestido assim. – Ouviram Ray gemer no corredor do hotel, enquanto brigavam por um espaço no espelho do banheiro, a bancada lotada de maquiagem. – Não vou, não vou, não vou! Não vou tocar assim, nem que me paguem um milhão de libras!

– Qual é, Ray, todos vão! É por um bom motivo! – Mikey argumentava, logo antes do outro bater na porta do quarto de Gerard e Frank.

– Eu me recuso a tocar vestido de dançarino de Disco só por causa do meu cabelo! – E começou a socar a porta do quarto. – Me ouviu, Gerard? EU VOU VESTIDO DE SLASH, ME RECUSO A USAR ESSAS COISAS BRILHANTES!

Mikey, que não estava nem um pouco irritado com sua roupa de vampiro, achou que sua mão iria atravessar a porta se não o impedisse logo.

– RAYMOND! – Segurou o braço do guitarrista. – Você pode ir vestido de Slash, sem problemas. A roupa de Disco era só uma ideia, afinal...

A porta do quarto abriu e os dois gritaram juntos com o susto.

– Que porra de bagunça é essa aqui fora? – Perguntou Frank, metade do rosto coberta de maquiagem sangrenta. Estava tentando fazer uma “máscara” de zombie antes dos murros na porta começarem.

– Oi. – Gerard enfiou-se por baixo do braço de Frank, igualmente maquiado pela metade, só que em uma tentativa de caveira no lugar de zombie. – Você pode ir de Slash, Ray, eu não me importo, desde que vá fantasiado.

– Okay... – Disse, dando meia volta e retornando ao seu quarto no fim do corredor.

– Precisam de ajuda? – Perguntou Mikey, que ficou encarando a meia maquiagem dos dois.

– Não, obrigado. – Disse Frank, voltando para o banheiro e ocupando o espelho antes que Gerard voltasse.

Gerard ficou, só para rir de Bob vestido de Viking passando com uma garrafa de cerveja na mão e arrotando alto, só para incomodá-los. [*]

.

.

.

– Happy Halloween! – Gritou Gerard, ao fim do show, logo antes das luzes se apagarem e as cortinas se fecharem, que foi fantástico. Grande parte dos fãs estavam fantasiados e haviam várias placas parabenizando Frank por seu aniversário.

Voltaram ao hotel em silêncio, cansados, mas eufóricos demais para dormir. Gerard andava de um lado para o outro no quarto, ansioso por alguma coisa. Frank estava na sacada, tragando um cigarro e brincando distraidamente com a fumaça quando ouviu baterem fracamente na porta. Acompanhou Gerard com os olhos, vendo o carrinho do serviço de quarto entrar com apenas uma bandeja e o garçom ir embora feliz com um autógrafo e uma foto com o ruivo, ainda maquiado, mesmo que meio borrado.

Gerard puxou a tampa da bandeja, retirando um champagne de dentro do gelo, as duas taças no barzinho do quarto e sorrindo para o menor.

– Feliz aniversário, meu amor. – E estourou a garrafa, lavando Frank com a espuma.

.

If it's gonna be a rainy day
There's nothing we can do to make it change
We can pray for sunny weather
But that won't stop the rain

.

A chuva começou a cair forte no fim daquela noite, molhando os dois ali na sacada, mas não importava. Ele estava com o amor da sua vida, beijando-lhe os lábios carinhosamente, celebrando a vida, celebrando seu aniversário. Agradeceu mentalmente à todos que o levaram aquele lugar, todos que de alguma forma modificaram sua vida, mesmo as mudanças ruins, e acabou desejando que a chuva não parasse, que aquele momento se eternizasse.

.

You're feeling like you've got no place to run
I can be your shelter 'til it's done
We can make this last forever
So please don't stop the rain

.

Ele tinha certeza que ninguém no mundo era mais feliz que ele naquele momento, com as grossas gotas de chuva lhe batendo nas costas, abraçado ao homem de seus sonhos. Deixou as lágrimas de felicidade lhe escorrerem pelas bochechas, se misturando a chuva que um dia deu início à esse relacionamento e agora zelava por eles, como uma mãe cuidando de seus pequenos.

.

(Let it fall, let it fall, let it fall)
Can't stop it, can't stop it, just can't stop the rain
(Let it fall, let it fall, let it fall)
Let it fall, please don't stop the rain

.

.

.

FIM

Notas finais
[*] Bob vestido de Viking foi ideia dele mesmo, rs. http://twitpic.com/9um4rq
.
Ficou curtinho, eu sei, mas era pra ser assim.
Espero que tenham gostado, de coração. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!