Notas iniciais
Capítulo corrido só pra não deixar vocês sem atualização. Essa semana vai ser muito abarrotada de provas e trabalhos, então não me aguardem com muito afinco por aqui.
Vamos ao cap o/

– Apaixonado? – Indagou.

Frank já se apaixonara antes, mas nunca fora correspondido. Sempre fora o esquisito da turma, não queria dar mais corda para os valentões da escola assumindo ser gay. Não contou pra ninguém, nem mesmo sua mãe. A pobre morrera sem saber das coisas que o menino sofria. Sabia que se seu pai alcóolatra descobrisse, lhe arrancaria o couro nas unhas. Ele já lhe espancava sem motivos, imagina se tivesse um. Guardou tanta coisa que não sabia como colocá-las em palavras quando necessário. Era quando recorria as lâminas frias, deixava seu sangue quente escorrer e levar consigo toda a dor presa em seu peito, sentindo-se mais e mais aliviado cada vez que seu coração martelava mais fraco e ele perdia a consciência por algumas horas. Era comum, era frequente, ele já não se satisfazia mais só com os pulsos.

– Apaixonado. – Ouviu-o responder.

Abraçou o ruivo, sentiu seu peito apertar como nunca e as lágrimas fugiram sem sua permissão. Apertou-o, com medo de que fosse uma ilusão, que a qualquer momento o sonho a sua frente evaporaria. Encaixou o rosto em seu pescoço e deixou que ele levasse embora todo o choro preso dos últimos dias, toda a humilhação que sofrera em público pela milhonésima vez, todo o desespero e solidão desde que sua mãe se fora e não lhe foi possível assimilar tanta dor. Sentia-se uma formiga na chuva, longe demais do seu formigueiro, desesperada em busca de um caminho seco de volta ao calor de seu abrigo.

– Hey, estou aqui... – O ruivo tentava acalmá-lo.

– Não vá embora, me prometa.

– Eu prometo.

Deixou que o maior secasse suas lágrimas, desejando poder virar um mosquitinho e se esconder nos vãos do sofá. Sentia-se idiota de tantas maneiras que não conseguia contar. Estava chorando porque alguém lhe dissera ter sentimentos por ele. Estava chorando porque alguém queria estar com ele. Não estava mais sozinho, agora tinha alguém com quem contar, com quem dividir seu segredos, seus pecados e suas dúvidas. Tinha alguém.

– Também estou apaixonado por você. – Sussurrou, a cabeça encostada no peito do ruivo, ouvindo seu coração batucar ao ouvir tais palavras.

– Não precisa dizer isso só porque eu disse. – Beijou-lhe o topo da cabeça.

– Não estou dizendo por isso. Estou dizendo porque tem de ser dito.

Gerard abriu um sorriso do tamanho do mundo e isso acendeu Frank de formas que ele não sabia que poderia acontecer. Mas antes mesmo que pudesse aproveitar tal momento, a mente de Frank voltou-se as cicatrizes, ao seu passado, ao que estava implícito, porém silenciado. Respirou fundo várias vezes, tirando camada por camada de roupa que usava.

O ruivo encarou-lhe o torso nu sem entender e Frank começou a apontar as cicatrizes escondidas pelas várias tatuagens. O escorpião no pescoço, as chamas no peito, os pássaros na cintura, toda extensão do braço esquerdo, o antebraço direito e as canelas. De início, Gerard não conseguiu vê-las, mas sentiu cada uma delas nas pontas dos dedos guiados habilidosamente pelo moreno que sabia quantas e onde se encontravam em sua tez fina. Tatuava alguma coisa sempre que a pele começava a ficar grossa demais com tantos cortes feitos por cima um do outro, deixando-os aparente à distância.

Contou suas histórias, fossem elas auto inflingidas ou abertas em alguma das brigas que se metera. Contou como assistira sua mãe sofrer com o câncer durante muito tempo, morrer no dia em que completara seus quatorze anos e ele não conseguira chorar em seu funeral por ordens do pai. Como seu pai lhe acertava com o que estivesse no caminho toda vez que bebia, com ou sem motivo. Como teve que mudar de escola praticamente duas vezes ao ano, todo ano, porque alguém resolvera encher seu saco e transformando-o no alvo do colégio inteiro quando ele não se defendia. Como tinha praticamente todos os ossos do corpo quebrados, alguns mais de uma vez e em mais de um lugar, pelas constantes surras que levava dos maiores que o usavam como saco de pancada. Como teve que largar o colégio, arrumar um emprego e estudar em casa pra conseguir terminar seu ensino e finalmente entrar na faculdade, acreditando que as coisas melhorariam, que as pessoas lá seriam diferentes.

– E sempre tem um psicólogo pra me dizer que “Vai ficar tudo bem”. – Riu sem humor algum. – Tenta levar “cuecão” o suficiente a ponto de ficar estéril e depois deixa eu te dizer que vai ficar tudo bem.

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[Gerard’s POV]

Gerard ouvia cada palavra em silêncio, observando cada movimento do menor. Vez ou outra esticava as mãos e deixava seus dedos seguirem as altas marcas nos braços do moreno, desejando que pudesse fazer alguma coisa, que pudesse fazê-las desaparecer, junto com toda dor pela qual ele havia passado. Segurou sua mão com a palma para cima e antes que pudesse se conter, estava beijando seu pulso, onde a tez ainda estava arroxeada, recentemente violentada.

Não queria sentir pena dele. Sabia que não era nada agradável quando as pessoas sentiam pena de você, uma vez que todos lhe tratavam de tal forma toda vez que descobriam que ele praticamente criara Mikey sozinho após a morte de seu pai. Sua mãe trabalhava dobrado pra colocar comida dentro de casa e ele fazia o possível pra ajudar, mas era muito novo pra trabalhar, então cuidava do irmão quando a mãe saía. Hoje em dia, com ele e Mikey fora de casa, ela tinha uma situação melhor e já não trabalhava tanto, o que aliviava o peso no peito dele.

Sabia que sua história não era nada perto da de Frank, mas achou que uma troca de passado por passado pudesse lhe fazer bem. De fato fizera. O moreno parecia ficar mais tranquilo ouvindo-o falar de sua mãe, de como ela dava um nózinho em sua coberta todas as manhãs antes de sair, pra que ele soubesse que ela passara ali para se despedir antes do trabalho. Mas ainda melhor eram os dias que ele acordava e não encontrava o nó, significando que ela estaria em casa com ele, que ela faria macarrão com queijo pro almoço, ouviriam música alta durante a tarde e ela leria um livro pra ele e o irmão antes de dormir.

Ele contou das influências musicais que ela trouxera pra sua vida e que correria atrás de sua música até onde pudesse, acabou carregando Mikey pro mesmo caminho. Terminaram o colegial com um ano de diferença, começaram a trabalhar e alugaram um apartamento parecido com o de Frank do outro lado da cidade, com a ajuda de Ray. Bob doara a guitarra para Mikey e ele ficara com a guitarra do pai, um hobby que ele tinha quando Gerard era muito pequeno.

Antes mesmo que pudesse perceber, havia lhe contado toda sua vida. O menino parecia nunca piscar, querendo mais detalhes. De repente aquela torta em cima da mesa pareceu sem graça. Queria o macarrão com queijo da mãe. Queria levar Frank pra conhecê-la.

– Cadê seu celular? – Perguntou, uma ideia surgindo.

– Na minha mochila, porquê? Hey!

Levantara do sofá num pulo, procurando a mochila de Frank. Torceu para a água da chuva e o sangue não terem estragado o aparelho e discou o número tão conhecido, sorrindo largamente quando a voz inconfundível do outro lado lhe atendeu.

[/Gerard’s POV]

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Saiu irritado atrás de Gerard que parou a história no meio querendo saber de seu telefone. Sofreu para alcançar as muletas e começar a dar a volta em direção a lavanderia atrás da cozinha, onde deixara sua mochila secando, mas mal precisou dar dois passos e Gerard estava de volta, o aparelho pendurado na orelha e sorrindo como se o mundo fosse feito de rosas. Ficou encarando-o.

– Não aconteceu nada com Mikey, juro. – Frank tombou a cabeça de lado, exigindo uma dica de quem era. O maior apenas piscou pra ele e pediu que esperasse. – Escuta, que tal a gente passar aí pra almoçar? – Silêncio. – Eu, Mikey e uma pessoa surpresa pra você.

Quem era surpresa pra quem? Frank começou a se irritar.

– Okay então, até mais tarde, mãe. Amo você.

– Você acabou de marcar um almoço com a sua mãe? – Franziu o cenho.

– Sim. – Sorriu. – E você é meu convidado de honra.

Uma das muletas de Frank voou pelo cômodo, desviando Gerard por um triz e acertando a porta do quarto.

– Você tem problemas? – Esbravejou o menor. – Como é que eu vou conhecer sua mãe assim sem aviso prévio? E se... E se ela não gostar de mim? – Levantou a outra muleta, desejando poder atirá-la sem perder o equilíbrio, baixando-a logo em seguida.

– Minha mãe vai estar ocupada demais gritando comigo por causa do meu cabelo, não se preocupe. – Ele sorriu, tirando sarro do desespero do moreno.

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Em menos de uma hora Mikey estava dentro do carro na porta do prédio aguardando um Frank desesperado e um Gerard se segurando para não rir e levar uma muletada na cabeça.

Notas finais
Erros, favor avisar nos comentários. Virei a noite digitando o cap e não saiu do jeito que eu queria, mas chegou perto. Mais tarde venho arrumar.
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Reviews? ._.