Please Dont Stop The Rain
8 Eight
Notas iniciais
Me perdoem pelos caps curtinhos, mas é que meu cérebro só consegue ser espremido até 1.500 palavras, às vezes nem isso.
Enfim, vamos ao cap o/
Fazer Frank sair do carro foi até fácil, uma vez que ele não tinha como se agarrar nas portas com as pernas feito uma criança com medo do dentista. Mesmo tentando, não foi páreo contra Gerard e Mikey juntos. Subiram as escadas do antigo prédio de tijolos desbotados com um Frank relutante, suas muletas seguramente distantes nas mãos de Mikey, já quase no fim do corredor, apertando a campainha do terceiro apartamento.
Uma mulher loira abriu a porta, parecia próxima aos seus cinquenta anos, com um sorriso enorme e abraçou o mais novo como se não o visse há anos. Tal sorriso se transformou numa careta desacreditada quando ela viu os outros dois se aproximando. Frank se comportou, achando que fosse com ele, mas depois lembrou do que o ruivo dissera: ela estaria ocupada demais gritando com ele por causa do cabelo.
– Gerard. Arthur. Way. – Ela pontuava cada palavra com uma passada em sua direção.
Frank tinha noção de que ouvir o nome completo de alguém vindo da boca da sua respectiva mãe não era um bom sinal e se apoiou na parede, abrindo uma certa distância entre os dois. Gerard, por outro lado, sorriu e abriu os braços.
– Oi, mãe. – Seu sorriso se alargou e a mulher o abraçou.
– O que foi que você fez com seu cabelo dessa vez? – Perguntou, puxando chumaços de cabelo ruivo entre os dedos, arrancando caretas doloridas do maior.
– Isso não é nada, mãe. – Mikey provocou do outro lado. – Você não viu quando ele resolveu usar mechas verdes...
– Mikey! – Gerard avançou em sua direção, mas foi parado por um tapa ardido no ombro.
– VERDES?! O que é que você tem na cabeça? Vento?! – A mulher explodiu, dando-lhe vários tapas distribuidos ao longo do corpo.
Frank avançou devagar se apoiando na parede, aproximando-se de Mikey e parando pra assistir a cena, divertindo-se muito com a situação, talvez até mais do que deveria. Não é fácil ver um homem em seus vinte anos apanhando da mãe num corredor qualquer sem rir. Então a atenção da mulher voltou-se para ele e toda graça desapareceu em um buraco negro. Começou a morder seus lábios compulsivamente, mania que herdara do pai.
– E quem é esse rapaz bonito? – Perguntou, aproximando-se de Frank.
– Esse é o Frank, mãe. – Murmurou um Gerard dolorido, esfregando as áreas afetadas pelos tapas.
– E o que aconteceu com você, pobre menino? – Ela encarou perna engessada do moreno.
Frank não sabia o que dizer, então só sorriu envergonhado. Se pudesse sairia correndo a qualquer momento, mas Mikey continuava com suas muletas em mãos.
– Longa história. – Interveio Mikey perante o silêncio do menor. – Tô com fome, vamos entrar.
Todos o acompanharam, Frank agora em posse de suas muletas outra vez, mas com duas pessoas atrás dele era complicado fugir, então só observou discretamente o local, mais procurando uma outra saída do que vendo as coisas pelo que eram. O apartamento era pequeno, mas o suficiente pra uma viúva que continuava sozinha após a morte do marido e a saída dos dois filhos. Uma foto de um homem fardado no meio da sala deu uma vaga ideia de como o pai dos garotos morrera e Frank se sentiu mal, perdendo até mesmo a vontade de fugir. Eles devem ter se sentido igualmente infelizes ou pior que ele, quando sua mãe falecera, ao receberem o telegrama do exército com o óbito do homem que sustentava a família com seu sangue e suor.
– Eu ainda não terminei com você, mocinho. – A mãe dos garotos murmurou atrás de Frank.
– O que foi que eu fiz agora? – Perguntou um Gerard incrédulo.
– Mikey disse que está morando sozinho com Bob tem alguns dias.
Os olhos do ruivo faiscaram na direção do loiro-moreno, já com um prato na mão e destampando todas as panelas sobre o fogão, um sorriso pentelho no rosto, totalmente ciente da fúria do irmão, mas ignorando-o por completo. Frank deu a volta na cozinha e sentou-se na cadeira mais próxima a janela. A vista era muito bonita para aquela área da cidade. Dali ele podia ver um parque onde as crianças passavam voltando da aula apressados e cheios de fome.
– Eu estou ficando no apartamento do Frank com ele, mãe. Ele não tem quem ajudar com essa perna e tudo mais... – Gerard argumentou. – Você também não seria capaz de deixá-lo sozinho em tais condições.
Frank se sentia um ratinho de laboratório sob o olhar da mulher. Ela o assustava, mesmo que sem querer. Tinha expressões de uma guerreira que já vira de tudo na vida e se sentia uma formiga perante sua marcante presença. Mas ao mesmo tempo, ele se sentia acolhido. Frank via nela um pouco de sua própria mãe, de quem sentia tanta falta. Queria abraçar a mulher como Mikey fizera ao chegar...
Sem perceber que estava divagando, Frank fora pego de surpresa pelo ruivo lhe estendendo um prato de macarrão com queijo e dando-lhe uma piscadela.
– Já que meu filho mal educado não me apresenta, – Beliscou Gerard, brincando. – eu mesma me apresento a você. Meu nome é Donna.
– Muito prazer em conhecê-la. Gerard me falou muito da senhora. – Frank esticou a mão desajeitado para cumprimentá-la e quase derrubou seu prato. Afundou-se de volta na cadeira, rubro feito o cabelo do mais velho, voltando a procurar um lugar para se esconder.
– Não me chame de senhora, por favor. Me chame de Donna. – Disse, ignorando completamente o deslize de Frank e sentando-se na outra ponta da mesa bem à sua frente.
Então todos ficaram em silêncio e ele observou atento os três darem as mãos. Gerard e Mikey, mais próximos dele, lhe estenderam as mãos livres e Frank colocou o prato na mesa, estendendo as mãos para os dois, sem ter ideia do que estavam fazendo. Os dois fecharam os olhos e Donna fez uma pequena oração, agradecendo a comida na mesa, sendo finalizada por dois “Améns” sincronizados de Gerard e Mikey e o silêncio de Frank.
Começaram a comer e Frank podia jurar nunca ter comido nada tão gostoso em sua vida, salvo a comida de sua mãe. Talvez fosse a fome e o fato de não comer direito há anos, mas ainda assim, era delicioso. Esqueceu-se até mesmo de seu nervosismo só para apreciar tal perfeição.
– Gee, que história é essa que me contaram sobre você salvando alguém na faculdade essa semana? – Donna trouxe o assunto do nada. Frank se encolheu na cadeira.
– Foi o Frank, mãe. – Mikey atropelou antes que o irmão dissesse que não tinha feito nada que qualquer um não pudesse fazer.
– Oh... Desculpe. Agora entendi porque você saiu do apartamento pra ficar com ele. – Donna deu um meio sorriso para o filho. – E também porque disse que ele era uma pessoa surpresa.
– Uh, não. Não é por isso que ele é uma pessoa surpresa. – O ruivo murmurou, parando para terminar de engolir a garfada que dera no prato. – Ele é uma pessoa surpresa porque algumas horas atrás ele se tornou seu genro.
Frank engasgou. Nem todo ar do mundo poderia ajudar com seu sufocamento. Precisou da ajuda dos três, uma manobra de Heimlich e um copo de água pra conseguir engolir a comida entalada em sua traqueia, mas não antes de mudar de cor trinta vezes, tamanha surpresa de ter sido logo apresentado como genro. Sentia que poderia queimar Gerard vivo só com o calor de suas bochechas. Ele só podia estar tentando matá-lo pra valer. [*]
– Mal o coitado sobreviveu ser salvo por você e você consegue quase matá-lo três dias depois... – Riu Mikey, e não conseguiu fugir do tapa do irmão, nem do da mãe, mas ainda assim continuou rindo.
Frank deitou a testa na beirada da mesa, desejando que alguma força superior o engolisse ali mesmo e acabasse com o seu desespero. Sentiu uma mão feminina subir por sua nuca e brincar com seus cabelos. Em seguira, Donna estava agaixada ao seu lado, ainda brincando com seus fios negros.
– Tudo bem aí? – Perguntou gentilmente.
Frank apenas balançou a cabeça afirmativamente.
– Bem vindo à família. – Ouviu-a dizer e virou a cabeça para encará-la, incrédulo, com um sorriso enorme no rosto.
Ela sorria de volta, genuinamente feliz em dizê-lo.
Notas finais
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