Please Dont Stop The Rain
9 Nine
Notas iniciais
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Sem mais enrolação, vamos ao cap o/
No fim das contas, conhecer a sogra não foi tão ruim. Apesar do episódio que criara na cozinha sufocando, Donna fora um amor de pessoa com ele pelo resto da tarde até voltar ao apartamento dez quilos mais gordo e completamente sorridente. Sentia-se bem e só queria aproveitar o resto do tempo que tinha antes de Gerard voltar a movimentada rotina da faculdade ficando com ele o mais confortável que podiam na cama bagunçada de seu quarto.
Gerard se mudara em definitivo pro seu apartamento, passando no apartamento do irmão para pegar o resto de suas coisas que ficaram pra trás e deixando uma ou outra para o loiro-moreno. Nesse momento, havia desenterrado sua pilha de nanquins e estava desenhando por toda extensão do gesso dele, parando vez ou outra para trocar carícias.
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[Gerard’s POV]
Era até complicado expressar o quão feliz estava com o menor, com a reação de sua mãe, mesmo que as circunstâncias nas quais levaram aquele momento não fossem as melhores. Tinha noção de que o que o moreno sentia por ele poderia ser apenas uma reação por tê-lo ajudado em um momento complicado e que poderia sair realmente machucado no fim da história, mas não se importava. Queria aproveitar o quanto pudesse daqueles momentos simples, do sorriso mais sincero que já vira na vida, da risada mais lírica, dos olhos mais profundos. Queria tudo e mais um pouco daquele ser sensacional que encarava em silêncio, memorizando cada traço de sua face perfeita.
– O que tanto olha? – Perguntou, os olhos brilhando em curiosidade.
– Não sei... Só quero guardar esse dia na memória pra sempre. – Sorriu.
O garoto o puxou pra mais perto, selando seus lábios em um beijo sem segundas intenções. Nada na vida poderia ser mais perfeito que aquilo. Sua língua pediu passagem e abriu a boca, deixando-se ser curiosamente deliciado e redescoberto, e apreciando cada segundo daquilo. Sentiu seus dedos compridos brincarem com os cabelos de sua nuca e arrepiarem cada pêlo de seu corpo. Arranhou de leve a nuca do menor, provocando a mesma reação e um gemido baixo.
O ar fez falta e interromperam o ósculo, mas somente para descer em beijos leves pelo pescoço do moreno, acariciando seu abdomem com uma das mãos por baixo da camiseta fina, fazendo-o puxar seus fios vermelhos levemente, trazendo-o de volta à sua boca vermelha. Arranhou suas costas, deixando rastros vermelhos na pele translúcida e pressionou seu sexo túrgido contra o do garoto, arrancando gemidos baixos de ambas as partes.
Então o som da campainha sendo pressinada por um louco os interrompeu, fazendo-o desejar ter uma bazuca em mãos. Respirou fundo e saiu da cama, sem notar o terror estampado nos olhos do pequeno congelado em seu lugar, com o som ensurdecedor ainda ecoando pelo prédio. Gritou o mais alto que podia que já estava chegando, mas nem assim o som parou. Abriu a porta em um rompante, quase desmaiando quando o bafo quente de bebida alcóolica invadiu todo o lugar.
– Você não é meu filho. – O velho resmungou olhando-o da cabeça aos pés. – Sai da minha frente, seu inútil, vou arrancar a cabeça daquela bichinha hoje!
Entrou no apartamento, empurrando Gerard com uma força que não lhe pertencia e dirigiu-se ao quarto do menor, gritando à plenos pulmões que não poderia, de modo algum, ser pai de uma criatura tão imprestável e repugnante. Levantou-se do chão desesperado, com medo do que poderia acontecer ao menor, e encontrou-o ainda na cama, a visão do maior de seus terrores estampada nos olhos escuros e congelou. O velho lhe enforcando, fazendo-o mudar de cor, os nós dos dedos brancos tamanha força empregada. Frank começou a fechar o olhos.
Não sabia ao certo se fora por amor, raiva ou medo, mas criara coragem para se mover e força para nocautear o velho com uma das muletas do moreno que estava próxima a ele. Viu o sangue brotar do corte na cabeça pelada do homem mas pouco se preocupou, correu em direção ao garoto, meio inconsciente, ameaçando cair da cama a qualquer momento. Abraçou-o e usou todo o auto-controle que lhe sobrara para chamar a polícia, pela segunda vez aquela semana, tendo um Frank agarrado a ele e tremendo até os ossos, o pavor escorrendo em cada lágrima.
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No hospital, ele não saiu de perto do pequeno nem por um segundo, nem mesmo quando a polícia veio lhe perguntar o que havia acontecido. Ficou ali, sentado na poltrona mais dura do universo, segurando a mão do menino que dormia sob a alta quantia de sedativos, porque nem mesmo ele fora capaz de acalmá-lo. Contou o que sabia ter acontecido: um velho bêbado maluco se auto intitulando pai de Frank apertara a campainha do apartamento, entrara jogando-o no chão, falara coisas horríveis para o filho e depois tentara enforcá-lo, deixando-o sem reação e agindo como pode no momento, com o que tinha em mãos. Acreditou, no momento, ser a única forma de fazê-lo soltar o garoto, quase inconsciente.
Sabendo que o outro garoto não acordaria tão cedo, os deixaram descansar, com aviso de que voltariam depois para tomar o depoimento de Frank, pois o velho se dizia inocente, alegando que fora atacado por Gerard sem motivos. Ele não se preocupou realmente consigo, o pescoço do moreno estava bastante roxo e com o formato das mãos do velho, não seria difícil provar sua culpa. Ele estava mesmo preocupado com o garoto, com o que aconteceria quando acordasse, qual seria sua reação. Tinha medo do que pudesse fazer consigo mesmo se o deixasse sozinho, por mais que quisesse confiar que ele não se machucaria ainda mais.
Segurou sua mão firme em suas palmas, não conseguindo conter uma lágrima. Ele não era do tipo que chorava, menos ainda se fosse por medo, mas não conseguiu conter a onda de sentimentos misturados que o invadiu. Naquele momento teve certeza que não estava apenas apaixonado por ele. Gerard amava Frank. Nada mais importava. Não era o sexo, não eram as carícias, não era a companhia. Era Frank. O homem azarado com o coração mais puro que já conhecera. Ele podia até não ter a mente tão boa, um passado feliz ou uma alma sem cicatrizes, mas tinha um coração enorme, apenas aguardando a pessoa certa para contar-lhe seus segredos, seus medos e desejos. Corações assim são raros.
Beijou sua mão, deitando a cabeça de lado na beira da cama fria em seguida, deixando que as lágrimas silenciosas levassem embora aqueles sentimentos que comprimiam seu peito. Ficou ali por um tempo que pareceu infinito observando seus dedos compridos, ouvindo o bip da máquina que contava suas batidas cardíacas e acabou por adormecer, ainda segurando as mãos, ainda derrubando uma ou outra lágrima.
[/Gerard’s POV]
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Não fazia ideia de quanto tempo dormira, de onde estava e do que acontecera. Levou alguns minutos para lembrar-se do que aconteceu. Lembrou do arrepio que subiu sua espinha quando a campainha tocou incessantemente. Sabia exatamente quem era. Sabia exatamente o que estava por vir. Lembrou-se dos dedos frios lhe cortando o ar, do bafo de álcool lhe dando náuseas, dos pontos pretos em sua visão e do ruivo vindo ao seu resgate outra vez. Lembrou-se do choque e da tremedeira e dos vários sedativos que lhe aplicaram antes de apagar.
Sentiu uma mão segurando a sua e abriu os olhos devagar, acostumando-se a luz branca daquele quarto e viu o ruivo com a cabeça deitada ao lado de sua mão, segurando a mesma e com o rosto lavado em lágrimas. Respirou fundo, bem lentamente, tentando encontrar algum tipo de equilibrio dentro de si, tentando encontrar um controle que ele não tinha. Não demorou muito e ele conseguiu se acalmar, tendo em mente que não seria fácil fazer tudo que havia passado em sua mente.
Os policiais apareceram um pouco mais tarde, depois de muito pensar, e ele conversou baixo, contando o que acontecera e que não fora a primeira vez. Fez de tudo para não chorar e parecer calmo aos homens fardados que lhe interrogavam, não queria que a culpa de tudo caísse sobre o ruivo que ainda não soltara sua mão. Não queria usá-lo como pilar, como uma ponte para a realidade, mas nesse momento era o que ele era: um objeto que sustentava o resto da sanidade dele no lugar. Sentiu outra vez o peito apertar e as lágrimas ameaçarem extravasar e imediatamente afundou as unhas no abdomem, rasgando a pele fina em poucos segundos, criando filetes de sangue na camiseta branca que ninguém percebeu.
Puxou o lençol um pouco para cima, tampando a mancha. Puxou sua mão lentamente das do maior, não querendo acordá-lo, mas o menor movimento de seus dedos o fizeram arregalar os olhos.
– Hey. – Murmurou sonolento, coçando os olhos. – Como se sente?
A famosa pergunta. Respirou fundo, sabendo que ficar bravo com ele não era a saída.
– Bem. – Famosa resposta para a famosa pergunta, apesar de ser uma mentira deslavada em quase todas as vezes. – E você?
– Pra ser sincero, eu não sei...
Sentiu-se mal outra vez. O ruivo com toda certeza não estava acostumado à quantidade de violência que recebera nos últimos dias. Nem mesmo em assistir tanta violência. Isso foi rotina pra ele por tanto tempo que não se chocava mais, apesar de temer em alguns casos. Algumas das vezes ele quase desejou que seu pai lhe matasse de uma vez, para não ter que repetir tudo outra vez na semana seguinte ou até mesmo antes, na próxima bebedeira.
– Obrigado. – Agradeceu outra vez. Devia sua vida à Gerard na última semana.
– Já disse que não precisa me agradecer. – Ele voltou a segurar minha mão.
– Mesmo assim, obrigado, de novo. – Apertou-lhe a mão levemente.
O silêncio que se seguiu foi constrangedor. Ele tinha muita coisa pra falar, muita coisa para esclarecer, mas as palavras não lhe alcançavam os lábios. Depois de um tempo, ficou insuportável e ele não conseguiu segurar.
– Você não precisa ficar, sabe... – Começou.
Não queria falar de qualquer jeito, não queria ferir o maior, mas precisava falar.
– Frank...
– Não, me escute. – Calou-o com o indicador sobre seus lábios. – Você não precisa cuidar de mim, não precisa estar comigo, nem se sentir obrigado. Eu não quero que seja infeliz, que fique preso a mim, com medo do que vai acontecer a seguir.
– Frank...
– Ouça! – Calou-o outra vez. – Eu não quero que você passe por tudo que eu passei e pelo que vou passar, porque eu sei que não acabou. Não está nem perto de acabar.
– Frank!
– Me ouça, Gerard.
– Não! – Bradou o ruivo. – Me ouça você! Eu quero ficar! Eu quero cuidar de você e estar com você pro que vier a seguir. Não me sinto obrigado, não estou infeliz. Estou triste por você ter tanta bagagem pra carregar. Eu quero estar lá pra dividir o peso com você. Eu quero mudar essa realidade triste em que você está preso. Eu amo você.
– Não faça isso. – Todo esforço para manter-se calmo e não chorar fora embora.
– Fazer o quê?
– Dizer que me ama! Você tem pena de mim! – As lágrimas brotavam com tanta força que era quase impossível enchergar.
– Eu tenho pena sim, Frank! Mas não pelos motivos que acredita! Eu tenho pena porque você foi tão maltratado a vida toda que não sabe diferenciar quando uma pessoa está te dizendo a verdade sobre o que sente por você. – Apertou sua mão outra vez e secou-lhe as lágrimas insistentes que desciam pelas bochechas rosadas. – Eu. Amo. Você. E nada vai mudar isso.
Puxou o maior para um abraço apertado. A respiração vinha com dificuldade, mas conseguiu dizer-lhe as palavras que estavam engasgadas desde o momento em que se declarara pela primeira vez.
– Eu também te amo.
Procurou os lábios dele, meio cego, selando-os em um beijo tenro que continham todas as palavras não ditas, todos os sentimentos não expressados, todos os medos silenciosos. Deixou-se levar, sem se importar que metade do hospital parara para observá-los do do lado de fora do quarto.
Notas finais
Erros, por favor, me avisem nos comentários.
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