Please Dont Stop The Rain
5 Five
Notas iniciais
Vamos lá o/
Frank estava nos braços do maior, de olhos fechados enquanto o mesmo brincava com seus fios negros ainda molhados. A televisão estava ligada, mas ninguém estava prestando atenção. Ele só queria aquele carinho morno e aqueles lábios quentes, aqueles olhos profundos que contavam longas histórias e aqueles braços fortes que o acolhiam.
A campainha soou, lhes tirando do conforto. Gerard levantou, sendo puxado pela barra da camisa por Frank que não queria que ele saísse de lá e foi atender a porta, recebendo um Mikey de bochechas rosadas com um case enorme nas costas e outro nas mãos, além de um cabelo escuro e totalmente molhado.
– Pansy veio dar um oi. – E entregou o segundo case a Gerard.
– Pra quê isso tudo de roupa, Mike?
– Tá nevando lá fora, não perceberam? – O mais novo fraziu o cenho.
– Uh... Não. – Corou Frank, tentando, sem sucesso, levantar do sofá. – Alguém poderia me ajudar, por favor?
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No fim, Gerard mandou Mikey ir na frente com os instrumentos, que ele daria conta de carregar Frank até a tabacaria sozinho. Fechou a porta emendando em um beijo tenro no menor, carregando-o de costas até o quarto, onde praticamente o empacotou em roupas de frio.
– Eu disse antes e repito, se depender desse enfermeiro, não vou sobreviver muito tempo. – Riu o pequeno, parecendo um boneco de neve todo embalado.
– E eu com um paciente desses, vou conseguir sobreviver? – Sorriu maliciosamente.
– Acho que não. – Mordeu o lábio.
O maior parou a meio caminho de vestir um pullover e beijou-o novamente. Frank sabia que tinha muita coisa a ser dita, mas não queria estragar esse dia perfeito. Deixaria para amanhã. Ou talvez depois. Sairam do quarto, ambos empacotados, conferindo a janela só para ter certeza que Mikey não estava brincando.
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A neve estava alta do lado de fora e eles sentiam seus pés afundarem em alguns lugares. Se o porão fosse duas ruas mais longe, teriam dado a volta e entrado no apartamento quente outra vez, porque o pé engessado de Frank estava começando a ficar sem vida, mesmo com várias meias. Fecharam a porta da tabacaria agradecendo até a terceira geração de Bob que instalara um aquecedor ali. O loiro estava atrás do balcão e levou alguns minutos para entender que os dois não eram um par de bêbados procurando mais álcool para acabar a noite.
– Hey Gee, Frank, deixa eu ajudar vocês. – Bob deu a volta no balcão e apoiou Frank no ombro, ajudando-os a descer a escada para o porão.
Mikey e Ray já estavam meio altos, rodeados de latas de cerveja, recitanto a letra da última música que Gerard escrevera, a fim de encaixar na melodia que criaram. Bob voltou para fechar a loja e Gerard colocou Frank sentado em um dos amplificadores, entregando Pansy em sua mão e conectando os cabos para o menor.
Frank sentiu seu coração martelar mais rápido quando segurou a Epiphone SG 400 edição limitada e seus dedos correram pelas cordas com a mesma agilidade de anos atrás. [*¹]
Arranhou algumas notas, testando as cordas, e conseguiu afiná-la com a ajuda de Mikey. Sem perceber que todos lhe observavam, incluindo Bob que voltara da loja, começou a tocar uma de suas antigas criações. A primeira, pra ser mais exato. Nunca esqueceria dessa melodia, terminara de criar no dia em que destruiram sua Les Paul. [*²]
Esquecera onde estava, com quem estava. Esquecera até mesmo o que fizera mais cedo no chuveiro com Gerard. Deixou toda sua dor se esvair naquelas cordas aço. Naquele momento só existiam Frank, a guitarra branca e a melodia. O mundo sumiu e tudo que sobrara era bonito, dolorido e brutal, mas era bonito. Seus dedos ardiam e o pulso estalava, mas ele não parou, ele não queria parar. Era quase uma redenção.
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[Gerard’s POV]
A princípio achou que o menor estivesse querendo mostrar o que sabia, que queria toda atenção pra ele, mas depois percebeu que era muito mais profundo, mais filosófico, do que apenas tocar guitarra. O pequeno não tocava com as mãos, tocava com a alma, com o coração. E antes mesmo que pudesse se conter, estava congelado na frente do moreno observando cada movimento, cada um de seus dedos compridos.
Ele não reconheceu a música, mas achou-a incrível. Pensaria em uma letra para ela mais tarde, mas agora só queria ouvir. Fechou os olhos e deixou a melodia invadir sua mente, cada acorde fazendo seu corpo todo sentir a dor e o sofrimento ali contidos. Abriu os olhos, esquadrinhou o pequeno, cada centímetro, como se o estivesse vendo pela primeira vez.
Sem querer avistou as cicatrizes em seu pulso. Não sabia dizer se eram da surra que levara na faculdade ou auto infligidas, mas seu peito apertou, seus olhos transbordaram e quis beijar cada uma delas, como se fossem curar-se magicamente ao toque de seus lábios. Não fazia ideia de onde surgiam tais sentimentos, mas ele queria cuidar do moreno, guardá-lo em seu bolso e lutar com meio mundo por ele, por sua proteção. Queria ser seu anjo da guarda.
Não percebeu que a melodia havia terminado e agora todos o observavam, com lágrimas nos olhos e encarando as mãos do pequeno que tentou, sem sucesso, esconder os pulsos sobre as várias camadas de roupa que usava.
[/Gerard’s POV]
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Droga. Ele sabia o que o ruivo havia visto. Não só deixara todos assistirem sua alma musical como esquecera-se que estariam observando suas mãos. Sentiu-se leve por ter tido a chance de tocar tal canção outra vez, mas essa leveza se fora com o olhar penoso de Gerard. Não gostava quando sentiam pena dele. Não gostava quando viam suas cicatrizes. Odiava quando sabiam de seu passado.
Como se nada tivesse acontecido, o maior se moveu, secando as lágrimas e dando continuidade ao ensaio que costumavam ter. Mas Frank tinha certeza que teria de dar explicações mais tarde.
Mesmo com a cabeça à mil por hora, conseguiu participar do ensaio. Sempre que precisava, dava dicas do que modificar ou adicionar, dizendo em quais partes poderia entrar com a guitarra e ajudar Mikey, sem brigar por espaço com a bateria de Bob ou a guitarra de Ray. Mas não trocou sequer uma palavra com o ruivo que cantava os pulmões pra fora em cada música, nem mesmo onde achava que poderia ajudar.
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De volta ao apartamento, o silêncio era insuportável. Sentado no sofá, ele não conseguia olhar nos olhos do maior e esse hora ou outra era pego no flagra observando-o. Decidiu que não falaria nada até o maior trazer o assunto a ele. Até porque ele realmente não tinha o que falar. Aquelas cicatrizes eram sua história e fim de papo.
Viu o ruivo lhe olhar mais uma vez e andar até a cozinha, devia estar com fome. O estômago de Frank estava ruim, mas ele tinha quase certeza que se comesse alguma coisa, passaria mal. Levantou, tentanto não fazer barulho, alcançou suas muletas e foi para o quarto, onde retirou parte das roupas que usava e se enfiou sob as cobertas como podia, quase chamando pelo outro quando não conseguiu cobrir o pé engessado.
Ficou ali, frustrado com o mundo, contanto as manchas de bolor no teto do quarto iluminado pelo poste em frente a janela aberta. O pior de tudo era a raiva que sentia de si mesmo, como se Gerard fosse seu pai e o tivesse pego fazendo alguma coisa errada, como se o tivesse desapontado infinitamente. Queria poder dormir e acordar atrasado pra aula de novo e apanhar em silêncio dos brutamontes no prédio de história, sem chances de vê-lo correr em seu socorro.
– Hey... – Ouviu o ruivo sussurrar da porta. – Você está bem?
– Sim.
Sentiu-o andar em sua direção e sentar na ponta da cama. Olhou pra baixo, ele estava de costas, com os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto afundado nas mãos. Frank esquecera completamente que não fora o único surrado na faculdade. O pobre deveria estar se sentindo tão mal quanto ele. Sentou-se na cama com certa dificuldade, fazendo o maior virar-se para ele.
– Vem aqui. – Deu dois tapinhas na cama ao seu lado.
O ruivo entrou de baixo das cobertas ao seu lado e segurou sua mão tristemente.
– Eu sei o que você viu. – O menor murmurou.
Virou a palma do moreno pra cima e puxou a manga da única blusa que continuava usando. Chocou-se quando a quantidade de cortes se fez presente em sua visão, uns completamente cicatrizados, outros a caminho da cicatrização e alguns recém abertos, ainda escuros com o sangue coagulado sob a pele. Encarou os olhos castanhos sem vida.
– Mas não quero falar sobre isso. Não agora.
– Estarei aqui quando quiser falar, tudo bem? – Deu um sorriso torto e beijou a testa do menor. – Sempre que quiser.
Dormiram abraçados aquela noite, compartilhando o calor um do outro.
Notas finais
[*²] Les Paul: Outra marca de guitarra.
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Por favor, me avisem se tiver algum erro, ok? Word tá de viadagem comigo.
Reviews, please? (:
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