Playing with love
15 Flores.
Notas iniciais
A mulher tem muita simpatia por mim pra quem me viu uma vez só na vida. Não gostei dela, e gostei muito menos de vê-la saindo da sala do Dean, afinal ela não tem envolvimento com nenhum dos negócios da empresa. A posto que é mais uma das admiradores incansáveis dele. Desde que trabalho aqui venho presenciando de perto tudo o que as malucas com quem Dean dorme fazem pra chamar a atenção dele ou da imprensa. Uma vez teve uma mulher que ficou tão apaixonada por ele que até tentou se matar e fazer uma cena em frente a todos do escritório, como sempre sobrou pra mim arrumar a bagunça que o babaca fez. Eu conversei com a tal me Medley, na verdade eu quase briguei com ela. Foi o melhor sermão que eu já dei em alguém e me senti orgulhosa disso. Mas, voltando ao assunto da perua, eu definitivamente não fui com a cara dela.
Dean não disse uma palavra e voltou pra sala. Fico me perguntando o que será que aconteceu lá dentro pra eles saírem sorrindo daquele jeito. Provavelmente eles.... Não, não quero nem imaginar. Bom, se ele não vai dizer uma palavra sobre a noite passada, então eu também não.
Volto ao meu trabalho e começo a refazer as planilhas dos alojamentos que a empresa possui em Hong Kong, Austrália, França , Holanda e Noruega. Segundo Sam esses são os melhores países pra se fazer negócios. O formato das planilhas é complexo tem muitos números a ser digitados, então não me dou conta do tempo passando. Já é hora do almoço, mas eu enrolo um pouquinho mais pra ver se Dean dá as caras por aqui. Desde que aquela mulher saiu ele não colocou o pé pra fora da sala. Eu já tinha combinado de almoçar com Sam, Então desço pra recepção e o espero por lá.
Depois de longos minutos Sam aparece.
– Desculpa a demora. Dean queria conversar e estava com um papo estranho. — Papo estranho?
– Mas, ele está bem? — Pergunto preocupada.
– Está. Vamos indo? — Ele estende o braço pra mim e entrelaço nossos braços como bons amigos fazem. Vamos a um restaurante aqui pertinho, Então não é necessário ir de carro. Conversamos durante o caminho sobre como foi na Carolina do Norte, mas eu escondi os detalhes principais. Apenas disse que não tinha um relacionamento bom com meus pais e que fui embora depois de uma briga com a minha mãe. Chegamos, avistamos uma mesa boa e sentamos.
– O que vai querer? — Sam pergunta olhando pro cardápio.
– Sei lá, O que você vai querer? — Também olho pro cardápio, mas nada me agrada.
– Sei lá...-
– Acho que esse prato não está no cardápio hoje. — Rimos um pouco dessa piada super sem graça e resolvemos pedir Macarrão ao molho branco acompanhado de bife, duas cocas e uma porção de batata fritas.
– Então como vai a Cloe? — Inicio um assunto e ele fecha os olhos e sorri como se estivesse vendo-a na sua frente.
– Ela está ótima. — Ele finalmente abre os olhos. Ver pessoas apaixonadas é tão estranho quanto ver um macaco comendo ervilhas.
– Hum, mas como está vocês dois? Já rolou alguma coisa? Um ''eu te amo''? — Lanço um olhar de cúmplice pra ele. Nunca tive receios de falar sobre qualquer coisa com Sam, conversamos abertamente, mas se ele perguntasse algo sobre minha vida amorosa eu iria esconder o fato de que dormi com seu irmão.
– Eu nunca pensei que eu realmente fosse capaz de gostar tanto de uma pessoa, quer dizer eu já gostei de muitas garotas, mas com a Cloe é diferente. Já sentiu algo assim. — Eu não sei, já senti?
– Não, ainda não. E não acho que eu seja capaz. -
– Porque? Você é muito bonita e uma das mulheres mais legais que já conheci. Não pode ser tão pessimista a seu próprio respeito. -
– É complicado Sam. Sinto como se alguma estivesse quebrado dentro de mim e eu não possa nunca mais consertar. Seria impossível sustentar um relacionamento com tanta coisa fodida na minha vida. — Seu olhar é de uma pessoa solidária.
– Posso te perguntar uma coisa? -
– Pode. — Dou uma garfada no meu bife que está maravilhosamente suculento.
– Como você e o Dean se deram na viagem? É claro pra todo mundo que vocês não se suportam, mas ultimamente eu estou sentindo algo diferente em vocês. — Merda, engulo seco o pedaço de bife que de repente ficou duro de mais e difícil de engolir.
– Como assim? Você sabe que é impossível conviver com seu irmão, não aconteceu nada.
– Eu não disse que tinha acontecido. -
– E não aconteceu. — Evito a todo custo olhar pra ele.
– Ai meu Deus. Vocês transaram. — Ele quase grita. Eu me inclino na mesa e tapo sua boca.
– Shiu. tá maluco Sam. — Volto pro meu lugar. Minhas mãos estão tremendo e a comida não está mais tão boa assim. Bebo apenas minha coca-cola.
– Me conta. — Ele dá um sorrisinho e por um momento penso que ele é uma mulher por tanta empolgação.
– Tá parecendo uma mulherzinha. Não... aconteceu nada. — Minto muito mal.
– Tudo bem então. Se não quer me contar, vou direto na fonte. — Ele dá de ombros.
– Não. — Falo quase que imediatamente.- Porque não acredita em mim?
– Porque você mente muito mal. — Ele cruza os braços esperando que eu fale.
– Tá. Nó transamos... Algumas vezes. Só isso.
– Só isso? — Ele pergunta feliz. — Vocês se odeiam, mas transam algumas vezes. Isso é incrível. Vou arrancar detalhes dele.
– Que nojo Sam. E por favor ele não pode saber que eu te contei.
– Porque? -
– Só promete isso.
– Okay. eu prometo.
Terminamos de almoçar, pagamos a conta e voltamos para o escritório. Sam tenta arrancar mais algumas coisas de mim. Mas eu me manti firme e não disse nem uma palavra. Subimos no elevador e em alguns instantes chegamos no nosso andar. Ele me leva até mesa.
– Caramba, rosas vermelhas? — Ele pega o buque que estava em cima da minha mesa. — Quem será que mandou? — Ele olha pra sala do Dean insinuando algo.
– Me dá aqui. — Tomo o buque das mãos dele e pego o cartão que está entre as flores.
Ansioso por amanhã.
Ps: Matt.
– Quem é Matt? — Sam pergunta olhando pro cartão. — Merda eu tinha esquecido completamente dele. E amanhã é sexta, eu disse que sairia com ele na sexta. Olho pro lado e vejo Dean se aproximando.
– Recebeu flores Sam? — Dean pergunta achando graça.
– Na verdade, nossa assistente recebeu. — A expressão de Dean muda completamente.
– De quem? — Ele tomar o cartão da minha mão e eu tomo da mão dele de volta.
– Não é da sua conta. — Escondo o bilhete no sutiã e sento na minha mesa.
– Eu vou voltar ao meu trabalho. — Sam fala me devolvendo o buque. Depois que ele está a uma distancia razoável, Dean se aproxima da minha mesa, mas eu não o encaro Vamos ver se ele acha bom ser ignorada como eu fui o dia inteiro.
– São flores bonitas.. — Ele fala com um certo tom de ironia. — Quem mandou tem bom gosto. Qual o nome dele mesmo?
Eu começo a rir.
– Tentativa patética de saber o nome dele.
Ele vai pra sala e bate a porta.
ÓTIMO. Bem feito. Olho por olho, agora eu só preciso criar coragem pra agradecer ao Matt as flores. Ele está levando a sério esse negócio de encontro.
Fale com o autor