Playing with love
21 Filho da puta
Notas iniciais
Faz dois dias que Dean me ignora totalmente. Ele não vem trabalhar, não fala comigo e toda vez que eu pergunto dele para o Sam ele responde Ele precisa de um tempo Jessica. Que porra de tempo é esse? Já to começando a ficar completamente irritada. Meu celular toca e eu nem vejo quem é.
– Alô — Meu tom de voz é severo.
– Querida. — Sinceramente eu o achava um cara legal, mas depois do que Dean me falou que ele fez eu tenho ânsia só de ouvir sua voz.
– O que você quer? — Não faço questão de ser simpática.
– Ow, só queria saber se você... sei lá, queria sair de novo... — Nem espero o desgraçado terminar de falar.
– Me esquece, apaga meu número, e aproveita e vai pro inferno junto com esse maldito caráter. — Desligo na sua cara e bloqueio as ligações dele.
Tudo bem, por experiência própria era terrível a sensação de ser ignorada. Afinal o que eu fiz de tão ruim assim? Só porque não contei um problema que era meu? Ah, por favor né. Hoje tudo estava me irritando inclusive a maldita criancice de Dean. Assim quando o relógio marca a hora de ir embora corro direto pra rua, peço um táxi e dou o endereço de Dean. Chega de babaquice. Se ele quer agir feito uma criança então eu o tratarei feito uma.
Chegamos, eu pago o táxi e vou até a entrada da casa. Bato de leve e a porta se abre. Entro devagar, estranhando a porta aberta.
– Dean? — Grito, mas nenhum sinal dele.
Eu não acredito no que meus olhos estão vendo. Uma vadia com apenas uma camisa social está saindo de seu quarto sorrindo aos quatro cantos da terra. Ela para na porta quando me vê e tem a audácia de dizer:
– Você é a governanta? — Sua voz é extremamente fina e enjoada. Que vontade de matar.
– E você é a prostituta da semana? — Minha paciência está zero, e minha raiva está a mil.
– Desculpa o que disse? — Ela faz cara de ofendida. Juro que eu não to com paciência. Dean sai do quarto com apenas uma calça de moletom. Eu olho inacreditada da situação e ele apenas diz:
–Jessica? -
– Dean? — Falo num tom de ironia. Ele assume uma postura rigída, e endireita os ombros.
– O que faz aqui? -
– Bem, eu vim me desculpar com você, porque realmente achei que estivesse magoado. Mas, to vendo que teve bastante distração durante esse tempo. — Falo apontando pra puta que ainda continua ali, só que agora com uma das mãos no braço de Dean. Eu nunca fiquei com tanta raiva em toda minha vida.
– E porque achou que eu estivesse magoado? — Ele cruza os braços e encosta no batente da porta. -
– Sinceramente eu não sei. — Meu tom de voz é frio e totalmente indiferente a ele.
– Então porque veio? — Como ele pode se manter tão calmo?
Argh! Desço as escadas furiosa pra ir embora, mas ele começa a falar no pé da escada e eu paro pra ouvir.
– Sabe o que acho? Que você gosta de ser a vítima da situação. -
– O quê? — Grito incrédula. Ele desce as escadas até ficar uma a cima de mim.
– Você gosta ser a vítima, gosta quando sentem pena de você e mesmo assim se faz de ofendida quando isso acontece. Eu entendo perfeitamente que deve ter tido uma infância difícil, e eu sinto muito por isso. Mas mesmo assim ainda se faz de vítima. Você cresceu amadureceu, saiu daquela cidade e dos problemas que a cercavam, mas nunca deixa de ser a maldita vítima. — A essa altura ele está gritando e eu não posso acreditar no que eu estou ouvindo.
– Vítima?- É O QUE EU CONSIGO PRONUNCIAR COM FÚRIA.
– Sim, vítima. Uma maldita garotinha assustada que gosta de atenção, e não sabe se defender sozinha. Na primeira oportunidade você aproveita a chance que tem e se faz de coitadinha novamente. E eu cansei disso. -
– Cansou? Quando é que eu me fiz de vítima pra você? Quando é que eu pedi a sua ajuda por ser coitadinha e não sabe lidar com as coisas? — Estamos gritando, e os gritos podiam ser ouvidos por toda a casa. — Quer saber. — Falo rindo, porque a situação é absurda.- Vai a merda seu filho da puta desgraçado. Não preciso de você, não preciso do maldito emprego que você me deu e pode esperar o dinheiro que você, apesar de eu não ter pedido a sua ajuda, pagou aquela maldita divida até o final do mês.
Termino de descer as escadas mas antes de sair praguejo bem alto para que os dois pudessem ouvir.
– E tomara que vocês peguem uma doença, tipo sífilis e morram, seus desgraçados. — Bato a porta com tanta força que acho que quebrei uma das fechaduras.
Filhos da putas. Que malditos, desgraçados. Vítima? O que ele sabe sobre ser vítima? Ele não sabe nada sobre mim, nem minha ''infância difícil'' como ele disse.
Minha vontade é de esganar alguém, alguém com olhos verdes e arrogância do tamanho do mundo. Pego um táxi e vou pra minha casa.
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O banho é revigorante, mas a raiva ainda arde em minhas veias. E depois da raiva vem uma imensa sensação de vazio e uma vontade de chorar 400 litros de água. Coloco o pijama da depressão e vou pra cozinha preparar algo pra comer. Faço um omelete bem caprichado e como. Vitima. A palavra não sai da minha cabeça, na verdade a tarde que passei não sai da minha cabeça. Por um momento eu desejava intensamente aquele homem, mas agora a única coisa que quero dele é distância. Vítima. Por acaso eu pedi pra ele fazer alguma coisa por mim? Homenzinho arrogante, estúpido, mal caráter. E agora eu vou ter que arrumar outro emprego, poque eu não vou passar horas do meu dia com um cara que me acha vítima e que eu odeio.
Vou pro quarto e tento tirar as malditas lembranças do meu pensamento. Num momento ele age como um perfeito cavalheiro, me traz flores, me leva a um encontro, transa feito um animal selvagem e me salva de cafajestes como o Matt. No outro ele age feito um, arrogante, estúpido, sem caráter, mal-feitor, mentiroso. Como um verdadeiro filho da puta.
Meus olhos ardem e a única coisa que eu quero é dormir, e acordar desse pesadelo. Mas eu consigo dormir? Não. E porque? Nem preciso dizer o motivo né?!
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Uma noite inteira pedida em pensamentos, só consigui dormir por mais ou menos uma hora. Me levanto, me arrumo
E vou trabalhar, ou melhor não trabalhar.
Chego na empresa de cabeça erguida, passo direto pra sala do Sam.
– Bom dia Jessica. — Ele diz animado.
– Dean chegou? — Pergunta autoritária, com voz firme e ainda de cabeça erguida.
– Não, porque? — Ele estranha minha atitude e eu jogo um envelope na sua mesa. Ele pega com o maior cuidado e diz:
– O que é isso? -
– Minha carta de demissão. -
– O QUE?- Ele se desespera. — Porque vai se demitir? — Ele fala abrindo a carta .
– Não quero trabalhar pra um cara que eu odeio do fundo do meu coração. -
– Você e Dean brigaram? -
– Isso não vem ao caso. -
– É estupidez sair do emprego só porque brigou com ele. -
– Ótimo mais um que acha que sou vítima. -
– Eu não disse isso. -
– Tá, será que pode assinar a carta pra poder ser entregue ao RH.
– Jessica, eu não vou assinar isso. — Ele larga a carta na mesa e encosta na cadeira.
– Mas você precisa. — Pego a carta de volta e uma caneta em cima da mesa. — Toma, assina.
– Não vou assinar. -
– Ah você sim. -
– Não vou não -
– Vai sim.
–Não.
– Sam, assina essa maldita carta. -
– Que carta? — Pergunta Dean entrando na conversa sem ser convidado. Eu reviro os olhos, e estico a mão pra que Sam ASSINE.
– Já disse que não vou assinar. -
– Assinar o que? — Ele pergunta de novo. Eu me mantenho quieta e não respondo.
– A carta de demissão dela. -
– Vai se demitir? — Dean pergunta achando engraçado. — Não acho que pode se dar ao luxo Srt° Parker, já que prometeu o dinheiro que me deve até o fim do mês. -
– Posso consiguir o dinheiro trabalhando pra uma pessoa que eu não despreze tanto. — Acho que eu acertei o alvo, porque ele não está mais achando graça. Ele toma a carta e a caneta da minha mão.
– Eu mesmo assino, porque você é a pessoa mais ineficiente como secretária. — Ele fala assinando o papel.
– Não quis dizer vitima? — fALO COM IRONIA.
–Dean, você não pode Assinar isso. E que conversa é essa de vocês?
– Tarde demais irmão. — Ele me entrega o papel com um olhar desafiador, e eu arranco de suas mãos sem um minimo de delicadeza.
Vou saindo da sala, mas paro na porta, me viro e digo. -
– Antes que eu me esqueça, vai se fuder. — Bato a porta e saio andando com o máximo de dignidade que eu tenho.
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