Playing with love
33 Fagulhas
Notas iniciais
O que eu faço?
Na verdade, minha vontade é de ficar aqui trancada e morrer, morrer pra não ter que encarar Castiel e nunca mais sentir seu toque asqueroso e nojento, morrer pra não ter que encarar Bob e ter que mentir novamente, morrer pra nunca mais decepcionar Dean novamente. O telefone parou de tocar, mas as batidas na porta da sala não.
Dessa vez as batidas são na porta do meu quarto, mas eu não vou abrir. O frio volta e os arrepios também. É dificil ter que reviver todo o passado, difícil ter que admitir a derrota sobre minha própria vida. E o pior de tudo é que vou perder tudo que eu consegui nesse último mês, e a perda vai doer bem mais, porque finalmente eu TENHO o que perder.
Ouço a voz da minha mãe do lado de fora me chamando.
– Jessica? — Mais batidas na porta.
Penso antes de responder. Respiro fundo.
– Sim? — respondo com a porta fechada.
– Temos visitas, você deveria descer. — Visitas? Não estou muito afim de ver ninguém.
– Daqui a pouco eu desço. -
– As vistas são pra você. -
– Se for o Bob diga que depois eu falo com ele. — Não posso de jeito nenhum ir ver ele com essa cara de choro. E além do mais, eu ainda estou zangada com ele pela noite anterior. Por favor né, a estuprada e espancada fui eu e ele que fica ofendido. Reviro os olhos mentalmente.
– Não é só o Bob que está aqui pra te ver. -
– Quem mais está aí? — Pareço uma criança com medo de monstros no armário, me comunicando sem abrir a porta.
– Para de graça Jessica, se quiser ver quem é desça e veja você mesma. Não vou ficar mandando recadinhos. — Opa Janette louca está de volta, estava demorando. Bufo e abro a porta devagar pra ter certeza de que não vou me deparar com nenhum psicopata. Ela já tinha descido e o corredor estava vazio.
Caminho lentamente até os primeiros degraus da escada e paro antes de descer. Respiro fundo e crio coragem, coloco meu melhor sorriso de está tudo bem no rosto incerta se vai funcionar ou não. Vou descendo degrau por degrau lentamente. Quando chego na metade da escada posso ter uma visão geral da sala. Meu coração dá um pulo, quase sai pela boca. Não penso duas vezes antes de descer e abraçá-lo. Corro para os seus braços, o melhor abraço que alguém poderia receber. Dean. Foi a melhor coisa que aconteceu hoje.
Seus braços me apertam e ele me levanta do chão girando comigo no ar, eu solto um gemido de dor, ele apertou em todos os lugares que estavam machucados. Ele me pões no chão e me olha preocupado e ao mesmo tempo feliz. Beija meu rosto, cabelo e até um selinho rápido na boca que me faz paralisar.
– Senti saudades. — Ele diz me dando mais um abraço.
– Eu também. — Falo chorando e me odeio por ser tão fraca.
– Porque está chorando? — Ele segura meu rosto com as duas mãos e deixa sua face bem próxima da minha me avaliando.
– Saudades, só isso.- Enxugo as lágrimas com as costas da mão e ouço uma voz conhecida atrás de mim.
– Espero que tenha sentido saudades de mim também. — Eu me viro o abraço
–É claro que senti Sam. — O abraço é igualmente forte e machuca também, mas dessa vez eu consigo segurar o gemido de dor.
Quando eu me separei do abraço pude ter uma visão geral de todas as pessoas da sala e alegria que eu estava sentindo por tê-los ali rapidamente se evaporou me fazendo ficar desconfortável e nervosa.
Minha mãe observava tudo da porta da cozinha, Sam estava ao lado da porta de saída, Ao lado de Sam estava Bob que me encara de um jeito que eu não pude decifrar. Eu estava no Centro da sala, Dean estava atrás de mim, e na ponta da sala isolado de todo mundo, estava Castiel, em um ponto estratégico de onde podia observar todos nós.
O silêncio se instalou causando desconforto em todos nós. Eu me viro para olhar de novo o rosto com o qual eu sonhei esse mês todo, que eu senti falta do carinho, um carinho de um jeito estranho, mas mesmo assim um carinho, e a proteção da qual eu senti tanta falta na noite anterior.
Ele me lança um sorriso amplo e sincero que faz meu corpo aquecer como a tempos não acontecia.
– Jessica, será que podemos conversar? a sós. — Bob agora não.. Eu me viro pra ele e não olho em seus olhos. Antes que eu possa responder Dean responde por mim.
– Desculpa colega, mas nós já temos planos. Não é?! — Eu tenho vontade de rir com a cara que ele faz pra confirmar sua história. E é claro que eu confirmei, Bob não está nos meus planos pra hoje. Me senti um pouco culpada quando ele foi embora sem me dirigir uma palavra e bateu a porta, mas não me permiti ficar sentindo culpa por mais de 5 segundos. Então eu me lembro de Castiel, que está bem ali nos olhando com aquele olhar psicopata que me apavora. Não, não, não, não, por favor Deus me ajuda, por favor.
– Você já conhece minha mãe né. Sam esta é minha mãe Janette, mãe esse é o Sam. — Apresento eles e enquanto eles se cumprimentam posso ver Castiel e Dean soltando fagulhas com os olhares entre eles. Os dois na posição de macho alfa.
Depois das apresentações eu os convido pra ir ao parque, meu lugar preferido naquela cidade. Deixo todas as preocupações e medos na porta de casa, e na rua me torno a pessoa que eu sou quando estou com eles, feliz e amada.
Conversamos durante o caminho curto até o parque sobre a viajem deles e de como vão as coisas em Nova York. Eu estou no meio dos dois, e por onde nós passamos as pessoas olham, não pra mim, mas pra eles, porque eu confesso, eles são as pessoas mais lindas que eu já conheci. Cada um com uma beleza própria e estonteante de hipnotizar qualquer mulher.
Sentamos no banco e coube nós três certinho.
– Como anda a vida por aqui? tá gostando? — Sam pergunta sorrindo. Nunca menti pra ele, essa vai ser a primeira mentira que eu conto, eu olho pra frente e digo sem olhar ele nos olhos.
– Estou... gostando. Uns probleminhas aqui, outros ali, mas nada que não possa ser resolvido. -
– Você não parece estar gostando muito, não senti convicção nas suas palavras. — Ele me olha desafiador, é tão estranho ele poder me decifrar em segundos. Dou uma risadinha forçada
– Não fala besteira. — Continuo sem encarar os dois, apenas fixo um ponto a minha frente. Mas posso sentir eles se entreolharem e também posso pressentir que vem por aí um bombardeio de perguntas que eu não vou ser capaz de responder ou mentir tantas vezes seguidas. Então corto o mal pela raiz.
– Como vai a Cloe Sam? Ainda estão juntos? — Um assunto fora de perigo, ele começa a contar que recentemente eles tiveram uma briga feia por causa do ex-namorado dela, mas que estava tudo resolvido e que estava pensando em pedi-la em casamento.
– Casamento? — Eu digo assustada — Não acha que um pouco cedo pra isso? -
– Nós já estamos morando juntos, é questão de tempo até que isso aconteça. Eu não posso mais imaginar minha vida sem ela.
– Suas palavras são lindas, mas acho que o casamento vai fazer o relacionamento perder a graça. Imagina só você chegar todo dia em casa e encontrar a mesma mulher te esperando, que chato isso. — Eu reviro os olhos diante da declaração do Dean.
– Quando se ama essa mulher nada fica chato com ela. Você supera seus próprios medos e até as expectativas. Quer se tornar um homem melhor só pra ela ter orgulho de você, penas em todos os minutos nos beijos que aconteceu e que vão acontecer, nas carícias e até nas brigas. — Ele suspira fundo, um suspiro de homem realmente apaixonado.
– Devia aprender com ele Dean, ter um coração que não seja de pedra pode te ajudar.. — Falo sorrindo.
Conversamos mais um pouco a tudo naquela tarde estava perfeito. Eu não queria voltar pra casa, sei bem o que me espera lá.
– Quem quer sorvete? — Sam pergunta, eu e Dean respondemos que nem duas crianças bobas. Ele foi comprar enquanto eu e Dean ficamos conversando e se divertindo mais um pouco. Ele passa o braço por sobre o meu ombro e eu estremeço.
– Te machuquei? — Ele pergunta preocupado.
– Não, é que eu cai ontem e bati o ombro.. só tá um pouco dolorido. — Consigo mentir, e estava tudo em perfeita ordem até ele querer ver se estava roxo.
Antes que ele conseguisse completar a missão uma voz conhecida chama por mim. Eu olho em direção a ele e vejo Bob parado na nossa frente com uma expressão nada feliz.
– Será que podemos conversar agora? — Ele diz sério.
– Acho que ele ainda não entendeu que estamos tendo um momento aqui. — Dean diz debochado em tom alto o suficiente pra ele ouvir. Eu dou uma risadinha.
– Mas antes que vocês possam ter o momento de vocês, eu e Jessica precisamos ter o nosso. — Pronto, a barraca está armada.
Dean se levanta e eles ficam cara a cara, olho no olhos. Eles são da mesma altura, então não há desvantagens pra nenhum dos dois.
– Não vai rolar. — Dean em brigas é tão arrogante. Está tão divertido que eu nem me preocupo em me levantar e apartar a discussão.
– Não é você que decide.. -
– Hoje é. -
– Que tal deixar ela decidir. — Bob sugere.
– Ela não precisa decidir. — Tá bom, eles deram um passo a frente cada, pela minha experiência isso significa socos e pontapés. Agora sim, eu me levanto e me coloco entre os dois.
– Bob, nós conversamos depois tá? — Ele arqueia as sobrancelhas pra mim.
– Acho que você vai querer conversar comigo agora. A não ser que você queira que eu vá resolver esse problema com o Castiel. — Eu arregalo os olhos, ele tá falando mais do que deveria. E Dean está escutando tudo, isso definitivamente não é bom.
– Eu não sabia que nessa cidade tinha tantos babacas. — Primeiro seu primo e agora ele? Porque não se relaciona com pessoas melhores? -
– E você é um ótimo exemplo disso não é? — Droga, Bob assumiu a pose de briga fisica e Dean também, e eu estou bem entre eles. Cadê o Sam com o maldito sorvete?
– Opa, opa. O que está acontecendo aqui? — Ah finalmente ele deu o ar da graça. Sam meu herói.
– Alguém tentando marcar território. — Dean fala.
– O território já está marcado. — Retruca Bob
– Concordo plenamente. — Dean responde. Mas peraí..
– Por acaso o ''território'' ( faço apas com os dedos) de que vocês estão falando sou eu? — Fiquei ofendida agora.
– Fica fora disso Jessica. — Dean fala me encarando.
– Dean, por favor. — Sam fala afastando ele dali, ele tenta se soltar de Sam e dizer que está tudo sobre controlo.
– Daqui a pouco eu falo com você. — Eu digo para o Dean e empurro Bob prara o canto oposto do parque. Mas antes de nos afastarmos ele grita pro Dean.
– Acho que isso responde as suas perguntas babaca. -
– Bob cala a boca. — Falo empurrando ele pra mais longe ainda. — O que você quer? — Falo cruzando os braços.
– O que eu quero? Quero conversar sobre ontem. -
– Nós estamos conversando ONTEM até você resolver ir embora daquele jeito. Agora eu não quero conversar. -
– Por causa dele? — Ele aponto pro Dean que está do outro lado do parque.
– Não, porque eu NÃO QUERO FALAR COM VOCÊ. Pelo menos não agora. — Falo olhando pro chão.
– Olha, eu sei que eu errei tá. Mas eu fiquei furioso com o que você me contou... -
– Você pediu pra que eu contasse. -
– Eu sei,mas por alguns momentos eu preferia não ter sabido. Seria mais fácil encarar essa coisa toda. Agora que eu sei o que ele fez com você EU me sinto culpado por tudo. -
– Ah para Bob. Você sabe muito bem que você não tem culpa. Tudo isso começou muito antes de eu te conhecer. Agora eu vou voltar pra lá e depois conversamos. — Me viro pra ir embora e ele me puxa de volta.
– Espera.. O idiota ali é o tal Dean não é? Vocês já... ficaram juntos? — Eu nunca falei pra ele sobre o relacionamento muito breve que eu tive com Dean, apenas disse que éramos amigos.
– Não é da sua conta. — Ai fui muito grossa. — Quero dizer isso não te interessa.. — Opa de novo. — Ah..
– Tudo bem eu já entendi. Pode voltar pra lá. Quando quiser conversar estarei a disposição. — Ele dá as costas e sai andando.
Eu volto pra onde eles estão e coisa boa não me aguarda ali.
– O que ele queria? — Dean quer saber.
– Assunto pessoal. — Não vou dar nenhuma informação a ele.
E ele faz a coisa que ele diz mais odiar em mim revira os olhos, mas eu não consigo ficar brava, porque é um revirada de olho tão perfeita e linda que acabo sorrindo.

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