Playing with love
30 Estúpida.
Notas iniciais
Depois do momento desagradável com Bob, eu vou até o quarto do meu pai pra ver se ele estava precisando de algo. Minha mãe está ao seu lado na cadeira de balanço, de olhos fechados com um terço nas mãos falando baixinho. ~Eu nunca tinha visto esse lado dela, é tão estranho sentir afeto por uma pessoa que me desprezou praticamente minha vida inteira. Me encosto no batente da porta sem fazer nenhum barulho e fico observando a cena durante um bom tempo. Vou dar meu máximo pra ajudar na recuperação dele.
Decido fazer o almoço e deixá-la descansar um pouco. Desço as escadas e vou pra cozinha. Coloco sobre o balcão tudo que eu vou usar. Massa de macarrão, e ingredientes pra fazer um molho branco, batata e farinha de trigo pra fazer nhoque. Vou fazendo as coisas e minha mãe desce.
– Eu ia fazer o almoço.. -
– Pode deixar que eu faço. Vai descansar um pouco. — Ainda é difícil pra nós DUAS nos acostumarmos com a situação de harmonia.
– Bom, já que você vai fazer o almoço eu vou dar uma saída, vou á igreja. Talvez eu demore um pouco. Você pode ficar de olho no seu pai? -
– Claro. Demore o tempo que quiser. -
– Obrigado. — Ela sai e bate a porta.
Volto a fazer o almoço e sinto olhos me observando, olho pra trás e.. é claro, Castiel estava ali, com um olhar cinzento.
– Você me assustou. — Murmuro e volto a cortar a cebola.
Ele se manteve em silêncio, não disse nada, apenas ficou ali me olhando. Meu corpo começou a tremer e eu comecei a ficar nervosa com o olhar inescrupuloso dele. Até que ele subiu e não desceu mais.
( Dias Depois)
Os dias foram se passando, e a cada dia eu me sentia mais segura nessa nova vida. Castiel já não me importunava mais, Bob parou de fazer perguntas que eu não podia responder, comecei a trabalhar e com o dinheiro adiantei boa parte do tratamento do meu pai que resultou em grande melhora na sua recuperação, mamãe estava cada vez mais feliz e Dean me ligava toda noite. Ficamos horas conversando, ele dizia que sentia minha falta e que só não vinha me visitar porque estava viajando a negócios. Estávamos cada vez mais amigos e íntimos, é incrível o que a distância pode fazer com a pessoa.
Era sábado e Bob e eu tínhamos combinado de jantar fora umas 20:00, eu estava me arrumando quando Dean me ligou.
– O que está fazendo de bom? — Ele pergunta casual como em todas as outras noites.
– Estou me arrumando e você? -
– Estou comendo. Se arrumando pra quê? -
– Pra sair. -
– Sair? — Seu tom de voz mudou completamente. Não estava gritando, mas podia sentir insegurança na sua voz.
– Sim. -
– Com quem? -
– Bob, nós vamos jantar. -
– É UM ENCONTRO?
– Claro que não, um jantar de amigos. -
– Ele sabe disso? -
– Sabe de quê? -
– Que não é um encontro. -
– Dean, onde está querendo chegar?
– Em lugar nenhum. Minha preocupação é: Onde você vai chegar essa noite? -
Começo a rir escandalosamente no telefone.
– Não tem graça. — Ele fala irritado.
– Sim, tem muita graça. -
– Você vai voltar que horas? -
– Eu não sei. -
– Vai passar a noite com ele? -
– Pelo amor de Deus. Porque o interrogatório? Ele é um grande amigo. -
– Então vocês nunca tiveram nada? — Ele fala mais tranquilo
– Já tivemos algo, mas foi no passado. -
– O que? E mesmo assim vai sair com ele? Que tipo de algo vocês tiveram? -
– Foi mais ou menos um namoro. — Ouço ele suspirar pesadamente do outro lado. — Fica tranquilo Dean. Agora eu tenho que desligar. Beijinhos.
Nem esperei ele terminar de falar, se não ele seria capaz de me convencer a ficar. Depois eu me acerto com ele. termino de me arrumar. Uma calça Jean justa, uma blusa soltinha e vamos lá.
Desço as escadas e a família está reunida na sala. Minha mãe diz que eu to linda, meu pai que já pode andar de cadeira de rosa, com ajuda é claro, me aprova com o olhar, Castiel me olha de cima a baixo e volta a olhar pra tv.
A campainha toca, eu não convido ele pra entrar porque o clima ficaria chato com o babaca lá.
– Você está linda.. — Ele pega minha mãe e saímos andando pro carro que estava estacionado logo a frente.
– Obrigado, você também. -
Entramos no carro e seguimos caminho pra um lugar pertinho e aconchegante, nada chique.
– Como vai a melhora de se pai? — Sentamos na mesa e fazemos o pedido.
– Bem melhor, e minha mãe cada vez mais contente. -
– E o castiel? — Não gosto quando o assunto entre nós se foca nele.
– O que tem ele? — Falo ignorando seu olhar, olhando para todos os lados menos pra ele.
– Você nunca vai me contar né? — Ele admiti com tristeza no olhar. Meu coração se aperta. Não gosto de vê-lo assim. Eu adoraria contar, mas duvido que ele pudesse manter segredo. A primeira coisa que faria seria matar Castiel, não que eu não gostasse da ideia, mas é que eu estava quase conseguindo esquecer o passado obscuro e não queria manchar o presente com essa sujeira
– Bob, você não pode simplesmente esquecer esse assunto?- Falo num tom de voz melancólico.
– Esquecer o assunto significa que ele realmente te fez mal? — Cubro o rosto com as mãos apoiando meus cotovelos na mesa. A vontade de chorar é incontrolável, então acabo explodindo em lágrimas descontroladas. Levanta e saio em disparada pra fora do restaurante entrando me esconder em qualquer lugar escuro o suficiente pra ninguém notar minha presença.
Ele vem atrás me achando no meu esconderijo. Me abraça e sinto conforto em seus braços ainda chorando. Será que ele não entende que falar nisso é duro pra mim? Ou talvez seja a hora de eu finalmente me abrir com alguém.
– Podemos ir pro parque? — Falo enxugando as lágrimas com as costas da minha mão.
– Podemos. — Ele me leva até o carro e chegamos no parque em um piscar de olhos. Me sinto segura aqui, livre e solta. Sentamos no nosso lugar de sempre em nossas posições originais. Braço sobre ombro e cabeça sobre peito. Respiro um pouco até ter coragem de falar. Ele acaricia meus cabelos.
– Se eu for contar, você tem que prometer não fazer besteira e manter isso com você em segredo. -
– Eu não prometo nada. — Me sento ereta no banco o encarando. — Eu não vou prometer isso Jessica.
– Então eu não vou contar. -
Ele bufa e me encara.
– Tá bom, eu prometo. — Eu encaro o chão e não sei por onde começar, nem sei se isso tem um começo realmente.
– Eu não sei começar...-
– Que tal pelo começo? — Ele estava ficando nervoso.
– Foi no meu aniversário de 16 anos que aconteceu. Ninguém tinha se lembrado, então eu fui dormir cedo e quando acordei naquela noite... — Fecho os olhos com a lembrança. — Eu já estava amarrada e ele já estava pronto pra começar a... -
– Jessica. Não, não, não, não. — El levanta e passa as mãos nos cabelos. — EU VOU MATAR AQUELE FILHO DA PUTA. -
– Bob você prometeu que.. -Ele não espera eu terminar de falar.
– Pelo amor de Deus, você acabou de me contar que aquele cara... Argh. — Ele senta de novo com as mãos cobrindo o rosto. Eu tento acalmá-lo passando a mão em sua costas em um vai e vem.
– Como pode esconder isso de mim? — Ele me olha triste, com raiva, angustiado e com pena.
– Por isso não contei, você já está começando a sentir pena.. -
– PENA? EU ESTOU FURIOSO, A ÚLTIMA COISA QUE EU SINTO É PENA. -
– Para de gritar, as pessoas vão ouvir. -
– Foi por isso que você foi embora não foi? — Eu assinto com a cabeça.
– Ele começou a fazer aquilo toda noite, e depois que eu te conheci ficou cada dia pior. Toda vez que eu voltava das nossas saídas juntos ele me batia, me torturava. E eu tinha medo, eu ainda tenho. Ele pode tentar algo com você a qualquer momento. -
– Ele ainda faz isso com você? — Ele me olha exasperado.
– Não, ele disse que tá apaixonado por uma garota e me pediu perdão. -
– Simples assim? Você perdoou ele, e ainda continua vivendo debaixo do mesmo teto? -
– O que eu posso fazer? -
– O oque você pode fazer? Já pensou em contar para os seus pais? -
– Eu contei Robert, e sabe o que eles disseram? Que era mentira, que eu queria chamar atenção e que ele nunca seria capaz de fazer isso. -
– E MESMO ASSIM CONTINUA NAQUELA CASA? -
– Nós resolvemos as coisas, eu disse que na época eu estava com ciúmes e acabei mentindo. -
Ele me olha e balança a cabeça em sinal de negação.
– Diga alguma coisa. — Choramingo pra ele.
– Você é estúpida. — Foi como um tapa na cara. — Literalmente estúpida. Eu não posso acreditar. — Ele levanta e sai andando em direção ao carro.
– BOB — Eu rito, mas ele não para e vai embora.
Começo a chorar, devia ter ficado quieta, agora ele nunca irá olhar na minha cara novamente. Vou pra casa andando e chorando. Abro a porta devagar e não tem ninguém na sala Graças a Deus, não quero ter que explicar porque estou chorando.
Subo pro quarto e entro no banheiro. Coloco meu pijama e tento ligar para o Bob, mas ele não atende. Deito na cama e coro até pegar no sono.
Acordo com um peso a mais sobre a cama e me sobressalto ao ver quem é.
– Castiel.. — Eu engasgo com as palavras. O medo de anos trás volta a tona. Em suas mãos está um rolo de fita adesiva. Ele balança a mão e olha pra mim sorrindo.
– Se lembra dos velhos tempos? -
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