Playing with love
31 Dor...
Notas iniciais
Eu devia saber que todo esse papo de homem apaixonado era mentira. Merda, eu devia ter ido embora sem olhar pra trás. Agora ele está aqui sentado na minha cama com um sorriso nos lábios e olhar ameaçador, uma fita adesiva nas mãos, como costumava fazer e uma câmera de vídeo. Eu estou em choque não consigo me mexer, estou com as pernas encolhidas próximo ao meu corpo, pronta pra correr assim que ele ameaçar se mexer. Fiquei tão tensa com o lance do Bob que acabei esquecendo de fechar a maldita porta. De certa forma falar sobre os demônios do passado trouxe eles a tona para o presente. Ele continua olhando pra mim, eu quero chorar, mas não vou. Chega de ser vítima nessa droga de vida.
– Sai do meu quarto. — Minha voz saiu menos autoritária do que eu pretendia.
– Eu sei que você se lembra querida, e também sei que sente falta. — fecho meus olhos apertando-os bem forte, talvez seja um pesadelo. Mas, quando eu abro ele ainda continua lá . Resolvo apelar.
– Você prometeu. -
– Eu sei, mas o amor que eu sinto é mais forte que tudo isso. -
– Eu vou gritar. -
– Seus pais não estão em casa. — Ótimo estou sozinha com o psicopata.
– Isso não me impede de gritar. -
Espero um momento de distração e Corro pra porta, ele é mais rápido e me derruba no chão, ficando em cima de mim. Dou uma joelhada no meio das sua pernas, ele grita e cai para o lado, eu tento levantar e correr novamente mas sou puxada pelos pés. Voltamos a posição anterior, mas dessa vez sem chutes porque ele está prendendo minha perna com as suas. Eu começo a me debater e ele me imobiliza totalmente. Eu grito, mas não sou atendida.
–Será que você nunca vai entender que eu te amo? -
– Vai se foder, eu te odeio, sempre odiei e sempre vou odiar, você é sujo, pervertido, mal caráter, idiota. Tudo de ruim que existe nesse mundo se resume em você. — Grito, falando tudo o que eu não conseguia dizer por medo.
Ele ri descontroladamente. Então eu começo a me debater de novo mas sem sucesso.
– Eu vou ligar pra polícia, vou falar pra todo mundo o que você fez comigo durante anos seu maldito filho da puta. — Ele para de rir e me olha quase encostando nossas bocas.
– Eu vou dizer o que você tem que fazer. Nós vamos viver juntos, vamos nos casar e se mudar daqui. Você nunca mais verá seus ''amigos''. Se tentar falar com um deles se ao menos pensar neles, eles morrem. Acredite, eu já matei muitas pessoas por muito menos. Ninguém vai tirar o que é meu de mim. Entendeu? -
Eu não posso acreditar no que acabei de ouvir. Ele já matou pessoas? Muitas pessoas? Ele vai matar todos que eu conheço? Não, não, não, eu não vou cair nessa. Ele está blefando.
– Por favor, me solta. Vamos conversar direito. Sem ameaças e sem fita adesiva. — Clamo pra que ele me ouça e me solte, posso ganhar um tempo até que eu consiga pensar em alguma coisa pra me livrar dele. — Eu vou ficar quietinha, sem me mexer. Eu prometo. — Por favor Deus, ele tem que me soltar, por favor. Ele me olha com esperança nos olhos e vai me soltando devagarzinho.
– Eu sabia que você ia concordar. — Ele levanta e estende a mão pra mim. Eu ignoro e me levanto sozinha ficando a uma boa distância dele. Ele dá um passo pra perto e eu dou um passo pra longe.
– Fica aí... vamos conversar a distância. Olha eu não sei porque você acha que eu me casaria com você, mas por favor esquece tudo isso, vai viver sua vida, ache uma garota que goste de você e se case com ELA. me deixa viver MINHA vida. eu passei anos tentando esquecer tudo isso, e você também deveria... -
– Não fale assim querida, você me ama, sempre amou, só precisa de um tempo pra descobrir essas coisas. Eu não quero ninguém além de você, e você não vai ser de ninguém a não se minha. Estamos entendidos? — Ele vai se aproximando e eu vou me afastando.
Pesa rápido, rápido. A porta está aberta, ele está na outra direção, as vantagens estão a seu favor. Você só tem que distrai-lo.
– Se eu aceitar me casar com você onde vamos morar? — Isso vai mantê-lo parado. Ele sorri alegremente pra mim.
– Onde você quiser minha pequena, é só escolher o lugar. — Ele fecha os olhos e sorri. É AGORA. Corro em direção a porta e consigo sair, desço as escadas correndo, tropeçando em alguns degraus. Tento abrir a porta da saída mas está fechada. MERDA. Corro pra cozinha e tento a porta dos fundos. está aberta, coloco o pé pra fora e sou atingida na cabeça por algo grande. Minha vista vai escurecendo e eu caio.
............
Acordo na minha cama com dor na cabeça, tento me movimentar mas já estou amarrada... e nua. Olho pra todos os lados, nem sinal dele. Forço os pulsos pra baixo, na intenção de tirar a fita, mas ela é resistente e está machucando meu pulso. A porta abre e ele entra nada feliz.
– Você tinha que estragar tudo né? MAS QUE PORRA, não pode simplesmente ficar feliz por nós dois? -
– Você tá falando sério? — Digo debochada. — Qual parte do EU TE ODEIO você tem dificuldade pra entender. Você precisa urgentemente de um psiquiatra, precisa se tratar seu doente filho da puta.. — Sou atingida por tapa na cara, um tapa que pareceu mais um soco, sinto gosto metálico de sangue na boca. Eu começo a rir.
– Continua batendo. Tudo isso você já fez anos atrás. Eu não tenho mais medo Castiel. Só sobrou raiva, ódio, nada mais. — Outro tapa. mais sangue. Cuspo na cara dele, ele recua pra trás e limpa o rosto com a manga da blusa.
– Não teste meus limites Jessica. -
– Vai pro inferno. — Outro tapa, tenho certeza que essa parte do meu rosto está inchada, eu posso sentir.
– Cala a boca. — Ele grita.
– EUU TE ODEIO FILHO DA PUTA DESGRAÇA... — mais um tapa, depois outro, outro , outro e mais outro. Eu estou ficando zonza.
Ele começa a tirar o sinto da sua calça, e esticá-lo fazendo o cinto estralar.
– Você pediu por isso.. — Um golpe com a fivela na barriga. A dor é sem tamanho, eu grito de dor. Mais um golpe, outro nas pernas e um na região dos seios. A cada cintada uma dor ainda maior, a cada lágrima um sentimento de morrer mais forte. Ele para os golpes e senta na cama ao meu lado e suspira fundo.
– Achei que dessa vez você ia aceitar as coisas como elas são. Quanto tempo vai demorar? — Ele passa a mão pelo meu rosto e eu viro pro outro lado, lágrimas caiem silenciosamente fazendo arder as feridas do meu rosto. Ele se inclina e me beija na bochecha, eu me esquivo mais ainda não dizendo nada. Se inclina mais um pouco e tenta beijar minha boca, mas eu rapidamente viro pro outro lado antes que ele possa completar o ato.
– Eu quero você. Agora. — Ele levanta e tira a roupa. Isso não pode estar acontecendo. Meu Deus, eu não pedi por nada disso, eu só queria ter uma vida normal, com problemas normais, primo normal, pais normais... é pedir muito?
Ele se deita sobre mim não poupando em amenizar seu peso nos machucados que acabara de fazer. Eu gemo de dor, e ele interpreta errado.
– Eu te amo. — Depois de dizer isso ele faz o que costumava fazer. A dor de telo dentro de mim é insuportável, mas eu não tenho força pra gritar e muito menos lutar contra isso. A cada investida uma lágrima cai, a cada som grotesco que ele faz raiva me invade. Minha vida é essa? vai ser sempre assim? Eu fecho os olhos pra tentar esquecer a dor e o homem em cima de mim.
Tento pensar em coisas boas, como em Dean por exemplo. O homem que invadiu meus sonhos durante muito tempo, o homem com quem eu desejei ficar em Nova York, e olha onde eu acebei. Sinto tanta raiva de mim, como vou poder encarar o Dean e o Bob depois disso, ele tem razão, eu sou uma estúpida por achar que tudo daria certo. Quando isso acabar, talvez eu acabe junto....
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