Playing with love
35 Desabafo
Notas iniciais
O dia amanheceu lindo, sem interrupções de pesadelos cruéis, dormi como um anjo. Levantei contente da vida por finalmente e sentir livre, me sentir no comando da minha própria vida.
Tomai meu banho e vesti uma roupa não muito pesada, mas que escondesse as marcas que ainda insistiam em aparecer. Abri a porta, ainda feliz, mas fui interrompida pela raiva de vê-lo parado na minha porta.
– Bom dia. — Ele praticamente cantou o Bom dia. Revirei os olhos.
– O que você quer? — Falei sem cerimônia.
– Vim te dar a triste notícia de que um dos seus amigos sofreu um grave acidente esta manhã. — Todos os meus sentidos foram paralisados, a dor no feito e a queimação na garganta era insuportável, eu não sabia o que falar, ou o que fazer. A única coisa que eu conseguia pensar era ''quem''?
– Tá sem palavras Flor? — Ele era sarcástico e eu ainda estava em estado de choque. — Pode ter sido o Dean..ou foi o Bob? Não me lembro bem qual deles eu atropelei. Quer ligar pra algum deles? -
Eu juro que queria me mexer e socar a cara dele, poder arrancar seu coração com as minhas própria mãos, mas eu não conseguia, parecia que eu tinha sido amarrada e amordaçada, não conseguia me mexer nem falar. Quando finalmente eu consegui mexer um músculo, eu fui direto pro telefone. Não é possivel que isso tenha acontecido.
O número de Dean chamou, chamou, chamou e no 5° ou 6° toque ele atendeu com uma voz sonolenta e meu coração deu um pulo de alivio.
– Por favor, me diz que você está bem? — Falo apressada e sem fôlego.
– Estou ótimo, porque? Aconteceu alguma coisa? — Um suspiro de alivio
– Não, é que eu tive um sonho ruim, só isso. Depois eu te ligo. Tchau. — Não esperei a resposta dele. Desliguei e disquei o número do Bob, por favor que ele esteja bem, eu estava quase chorando quando ele atendeu, as lágrimas rolaram, mas foi de alívio. Eles estavam bem.
– Só queria saber se você estava bem. — Estou ofegante com tudo isso, é como se eu tivesse acabado de correr uma maratona.
– Eu estou bem, queer dizer.. estaria melhor se você aceitasse conversar comigo, só nós dois. — Eu nem analisei a proposta direito e disse sim logo. Desliguei o telefone e respirei fundo. Ele ainda estava parado na porta com um sorriso nos lábios.
– Mentira. Você mentiu. -
– Eu menti. E você ficou tão preocupada e fragilizada só com a ideia de um deles ter se machucado. Pense quando isso acontecer de verdade, como é que você vai suportar o fato de você ter sido a culpada? -
– O que você ganha com tudo isso? Que droga! Me deixa em paz. — Eu começo a chorar e soluçar, toda a mágoa que eu tinha eu coloco pra fora.
– Eu quero você. Porque você não esquece eles, e vem ficar comigo? — Ele tá com aquele olhar de psicopata de novo. -
– Você é louco. — Eu balanço a cabeça, negando o que ele acabou de dizer sobre ficar com ele. -
– Louco por você Jessica. Anota aí que um dia você vai ser minha. — Ele diz isso e saí do quarto.
As lágrimas parecem ter fonte de um rio, nunca acaba. Só de pensar em algum deles se machucando dessa forma eu... eu morro se algum dia isso acontecer, eu juro que mato ele antes de morrer.
(...)
Estou no hotel ode eles estão hospedados. A ideia é contar pra eles tudo que aconteceu, mas acho que tá faltando coragem. Sam me recebe com um abraço apertado e confortante. Pergunto onde Dean está.
– No quarto, Estava tentando ligar pra você. Ele disse que você estava estranho no telefone. -
– É, eu preciso falar com vocês sobre isso. Pode ser? -
– Claro que pode, aconteceu alguma coisa? -
– Eu vou chamar o Dean, aí a gente conversa tá?! -
– Tá bom. O quarto é a porta à direita. — Assinto com a cabeça e vou em direção a porta.
Ela está entre-aberta e posso vê-lo sentado na cama, com os cotovelos sobre os joelhos, usando nada mais do que uma calça de pijama de seda preto. Estava tão lindo e gostoso.
Entrei no quarto dando um oi meio envergonhado. Ele levanta rápido de mais da cama e vem em minha direção. Eu achei que era pra me dar um abraço, mas na verdade fui recebida com um beijo na boca. Um beijo luxurioso, molhado e gostoso.
Com uma das mãos ele agarra minha nuca e segura meus cabelos com força, com a outra ele passeia por todo o meu corpo me fazendo entrar em combustão. Eu retribuo o beijo na mesma medida e brutalidade que ele. Passo minha mão livre por todo o seu peitoral e abdômen definido nu. Arranho suas costas, sem nuca parar de beijar. Quando o fôlego se fez necessário nós separamos nossas bocas, mas não os corpos.
Ele me olha nos olhos com a respiração ofegante.
– Senti falta disso. — E começa a me beijar de novo, só que dessa vez ele me levanta do chão e me joga na cama sem o menor pudor, que me faz dar um gritinho de surpresa. Ele se joga em cima de mim dando risada e começamos tudo de novo. Todos os beijos e caricias de antes, só que agora alternando entre boca e pescoço. Ele beijava meus seios por sobre a blusa. Colocou uma de suas mão por debaixo e acariciou meus seios, o que me fez lembrar que primeiro eu tinha que contar a ele as coisas que aconteceu. A qualquer momento ele tiraria minha roupa e surtaria com o que veria, as marcas ainda estão arroxeadas.
– Espera Dean. — Falo empurrando seus ombros, o fazendo olhar pra mim.
– O que foi? — Ele está ofegante.
– Precisamos conversar antes. -
– Sério? Tem que ser agora? Vamos fazer assim: enquanto você fala eu faço isso. — E com ''isso '' ele quis dizer colocar a mão por debaixo do meu vestido e massagear meu clitóris.
Eu não consegui dizer mais nada, eu só conseguia gemer com cada parte do meu corpo que ele tocava. Tudo ficou mais erótico por estarmos vestidos.
– Espera, é sério Dean. O que eu tenho pra falar é muito sério. -
Depois de alguns protestos da parte ele se convenceu a ir comigo pra sala.
– Você precisa de nós dois? — Dean pergunta.
– Sim, os dois são importante pra mim, e eu quero que os dois saibam. -
– E o que seria tão importante e urgente pra falar que não podia esperar eu terminar de fazer você gozar. -
– Dean. — Falo incrédula do que ele disse. Cubro o rosto com as mãos pra tentar aplacar um pouco da vergonha. Sam começa a rir descontroladamente da minha cara e da cara de pouco caso do Dean.
Depois de algumas piadinhas eu me levanto e fico de pé na frente dos dois, pronta pra finalmente abrir o jogo.
– Vocês sabem que eu praticamente fugi de casa quando eu tinha 18 anos. — Eles acenam com a cabeça.
– Vou contar a história do começo. — Tomo coragem e respiro fundo.
– Eu e minha mãe NUNCA nos demos bem. No meu aniversário de 16 anos ela nem se lembrou, ou se lembrou e não ligou.. enfim, eu estava deprimida e triste e fui dormir cedo, como sempre a porta do quarto ficou aberta, porque até então eu não tinha nada a temer. — Engulo seco, os dois estavam vidrados em tudo que eu dizia.
– Aí... o ... Castiel entrou no meu quarto e... nós sempre nos demos muito bem, ele era praticamente um irmão pra mim. — Ao ouvir essa parte Dean revirou os olhos. — Até que... ele... começou a... dizer coisas estranhas...e me acariciar... — O rosto deles mudam completamente, horrorizados eles não conseguiam pronunciar nenhuma palavra.
– Foi quando ele me estuprou pela primeira vez... -
– Porra. — Os dois falam juntos, ainda com caras de gente que acabou de ver um zumbi. Eles não disseram mais nada, então eu continuei a história.
– Desde então ele vinha fazendo isso quase todos os dias até os meus 18 anos. Foi quando eu resolvi contar pros meus pais. Que obviamente não acreditaram em mim. -
– Porra. — Eles falaram juntos de novo, e a falta de reação deles estava começando a me irritar.
– É onde Bob entra, eu nunca contei nada pra ele, mas ele sabia que tinha alguma coisa errada. Ele sempre me ajudou com tudo, me dava apoio sempre, essas coisas sabe?! Eu estava prestes a abrir o jogo com ele, mas fui forçada a fugir sem nem me despedir. Quando cheguei a alguns meses, estava correndo tudo bem... até dois dias atrás quando retornou a..... Vocês sabem. Hoje de manhã ele me disse que tinha atropelado um de vocês, foi por isso que eu liguei. Agora eu to com medo de que algo aconteça e preciso de ajuda pra acabar de uma vez por tosas com isso. -
Parei de falar, estava tremendo e nervosa. Porque nenhum dos dois se mexeram ou falaram algo além de ''porra''.
– Será que dá pra falar alguma coisa além de ''PORRA'' Porra. -
– Eu vou matar aquele filho da puta. — O tom de voz de Dean era tão baixo e calma que me assustou. — Eu juro que vou matar ele, e depois vou matar você por ter contado isso só agora. Porra jessica, só agora? O que você tinha na cabeça quando voltou pra cá e ficou debaixo do mesmo teto que ele? — Ele estava de pé, gritando e andando de um lado pro outro passando a mão no cabelo. Sam era o mais calma, mas mesmo assim também gritava comigo.
– Eu to contando agora. — Falo baixo e envergonhada.
– Agora? Agora que ele já fez tudo que tinha que fazer? Eu sempre soube que tinha algo errado com aquele desgraçado e o modo como ele olhava pra você. E que opção você me dá a não ser matar o Filho da puta com minhas próprias mãos? -
– Eu quero ajuda pra afastar ele de mim.. sei lá.. mas não pra matar. -
– Não pra matar? Tá bom, a única coisa que eu vou fazer é matar ele. -
Ele vai pro quarto e bate a porta. Eu já meio que esperava essa reação Deles. agora eu só tenho que torcer pra ele não estar falando sério sobre matar.
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