Playing with love
36 Sanidade
Notas iniciais
Eu já tinha programado toda a reação de Dean ao saber do estupro, mas em nenhuma das hipóteses que supos chegaria perto a realidade. Ele tinha surtado, estava completamente louco. Ele tinha se trancado no quarto, só se podia ouvir os gritos, palavrões, e coisas se quebrando. Eu estava começando a temer pela sua sanidade.
A reação de Sam foi exatamente como eu previ. Ele ficou alterado, mas como o bom homem que é não perdeu o controle da situação. Ele estava tentando entrar no quarto pra TENTAR acalmar a fera que estava lá dentro.
Eu estava encostada na parede de frente pra porta em estado de nervos, roendo as unhas e quase chorando. O desespero de Dean me fez pensar o quão grave se tornaria aquilo tudo quando ele resolvesse sair do quarto e cumprir a promessa que ele fez a poucos minutos de matar Castiel.
A porta foi aberta, e pude ver Dean sair de lá, com o cabelo bagunçado, suado, e com os olhos vermelhos. Meu coração se apertou ao ver a cena, ele chorou, ele estava chorando. Nunca vi ele chorar, essa é a primeira vez que ele demonstra alguma vulnerabilidade.
Ele me olha nos olhos e me abraça com toda a força, chego até a ficar sem respirar. Ele chora baixinho na curvatura do meu pescoço, vê-lo assim corta meu coração. Me dou conta de que eu o amo, realmente amo. E ver ele dessa forma parti meu coração. Ele nunca mais vai me ver como eu sou, vai sempre existir o olhar de pena pela garota que foi estuprada e abandonada pelos pais. Será que com ele vai ser assim? Ele não vai me desejar mais, porque outro cara me corrompeu?
Ele continua chorando baixinho, eu aproveito esse momento pra abraça-lo melhor, sentir o calor de seu corpo junto ao meu, sentir seu cheiro maravilhoso. Não me importo como ele vai me ver daqui pra frente, desde que ele esteja comigo.
– Você devia ter me contado antes. — Ele fala ainda chorando no meu pescoço. Acho que nunca na história dos homens, um homem chorou por tanto tempo. Eu tentei segurar a onda, mas acabo chorando também.
– Se tivesse me contado eu nunca deixaria você voltar. Nunca. -
Eu não consegui dizer nada, apenas fiquei em silêncio.
(...)
Depois de um tempo ele tinha parado de chorar e eu também. Estávamos todos sentados no balcão da cozinha bebendo Whisky. Ninguém falava nada.
– O que vamos fazer? — Sam dá o ponta pé inicial da conversa.
– MATAR.- Dean responde tranquilamente.
– Calma gente. Vamos denunciar pra policia e problema resolvido. -
– Não to pedindo sua permissão pra nada. — Okay, ele voltou a ser o casca grossa de antes.
– Tudo bem, matar pode não ser a melhor das ideias Dean. — Sam diz com seu tom cordial de sempre.
– Até você? Pelo amor de Deus, quem vai sentir falta desse filho da puta? — Ele estava começando a ficar irritado.
– Tudo bem Dean. Porque você não dorme um pouco, descansa e amanhã conversamos melhor sobre o que fazer. — Minha sugestão era a melhor a se seguir.
– Não, nós vamos fazer alguma coisa agora. — Eu respiro fundo.
– To começando a me arrepender de ter contado. — Ele me lha como se eu tivesse falado a pior besteira do mundo.
– Você não pretendia contar não é?! — Eu não nego, mas também não afirmo. Dou um gole na minha bebida. — Não sei o que eu faço com você. — Ele abaixa a cabeça e toma de uma vez só a bebida do seu copo.
Ouço um toque de celular e reconheço que é o meu. Atendo sem ver quem é.
– Alô. -
– Jessica, que horas eu passo pra te buscar? -
– Bob?-
– É, estava esperando outra pessoa? — Quando Dean escuta o nome Bob, ele fica todo em alerta e eu desconfortável por ele estar ouvindo minha conversa.
– Não, é que eu não esperava sua ligação. -
– Tudo bem? -
– Tudo e você? -
– Estou bem. Você se lembra que marcou de sair comigo né. — Eu não lembro de nada disso, sair com ele hoje está pra lá de ser uma ideia ruim, é uma ideia péssima, horrível. Ainda mais agora que um certo alguém não vai largar do meu pé.
– Ficaria muito chateado se eu dissesse que não lembro? -
– Com toda a certeza que sim. -
– Tá bom, me pega às 20:00.
– Okay, tenho uma surpresa pra você. -
– Não gosto de surpresas. -
– Eu sei. Te pego às 20:00.
Desligo o celular e sinto olhares em mim. E não olhares bons, olhares de censura. Eu não fiz nada de errado, vou apenas sair com um amigo que por acaso já foi um namorado.
– Você vai sair? -
– É, tenho umas coisas pra resolver. -
Ele fica me encarando, e nunca vi essa expressão em seu rosto. uma mistura de cada sentimento ou algo do tipo. Ele não fala nada, enche mais o copo e continua bebendo.
– Quando você voltar vai ter um quarto pronto pra você. -
– Quando eu voltar? — Como assim?
– Não vai me dizer que vai voltar pra aquele lugar? -
– É minha casa Dean. -
– Sam, dá um jeito nela, por favor. — Ele apelou pro lado sensato da casa.
– O Dean tem razão Jessica, é melhor você ficar aqui por uns tempos. — O que? Vão me obrigar agora?
– E quando vocês vão voltar pra Nova York? -
– Podemos cuidar dos negócios daqui. -
Discutir não é a melhor opção agora. E vai ser até melhor ficar aqui com eles, e me afastar daquele lugar, onde um dia eu chamei de casa.
– Tudo bem. — Eu aceito e eles ficam surpresos por eu concordar tão depressa.
(...)
– Antes de siar do Hotel, Dean dá uma série de instruções que eu devo seguir. É claro que a maioria se resume em não ir pra cama com Bob. Ele estava todo preocupado e acho que me apaixonei um pouco mais agora.
(...)
Bob estava muito estranho, sorridente demais. Tinha alguma coisa errada nisso tudo. Já tinhamos jantado, conversado sobre diversas coisas. Ele estava até relembrando a época em que ficavamos juntos. O parque a noite era ainda mais lindo, o céu estava cheio de estrelas, e a noite super agradável.
– Era bom né?! — Ele se referia ao tempo do nosso curto namoro. Eu não vou mentir, foi uma das coisas que eu mais sinto falta.
– Era muito bom. -
– Acho que chegou a hora da surpresa. Quero que você namore comigo.
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