Playing with love
3 3 A ligação
Notas iniciais
Pov. Jessica.
Como alguém pode ser tão cretino? Nunca conheci alguém tão cretino assim. Ele não é só um cretino, é um super cretino. E agora por causa desse super cretino não consigo dormir.
Estou deitada na cama olhando para o teto, e pensando no beijo, que não era pra ter acontecido. Ah que beijo. Como um cretino pode beijar tão bem assim? Argh pare de pensar nisso Jessica Parker, e tente dormir, pois amanhã você tem que trabalhar.
E com esse pensamento em mente acabo caindo no sono.
–Abre a porta. — Ele grita sem parar, mas a única coisa que eu consigo pensar é em não sair da cama e não deixá-lo me pegar, pelo menos não hoje.
Ele para de gritar por alguns minutos. Vou até a porta e encosto meu ouvido nela. Não ouço nem um sinal de que ele continua lá, mas não me arrisco a abrir a porta. Vou recuando devagar até a cama e sento. Começo a pensar em tudo que meus pais disseram e tudo que estaria por vir.
Ouço a porta sendo forçada e começo a me desesperar de novo. O medo nunca esteve ausente em mim, mas agora ele está mais forte. Eu não sei como ele faz, mas ele consegue abrir a porta. Eu tento correr para o banheiro, mas ele é rápido e muito forte. Ele me pega pelos cabelos e me arrasta até a cama. Joga-me lá e vai trancar a porta.
Por instinto eu me encolho na cama e as lágrimas ameaçam a cair. Não vou chorar, pois não quero que ele veja o que faz comigo sempre que entra por aquela porta. Ele se aproxima de novo e eu tento fugir mais uma vez, mas é impossível porque ele é tão forte. Ele deita em cima de mim e prende meus braços com uma mão, eu começo a debater. Com a outra mão ele acaricia meu rosto e diz:
–Porque contou a eles? Você me traiu anjo. Você não entende que eu te amo? E que não contei pro nosso bem? Eu quero ser feliz com você, e vamos ser. Vamos ficar a eternidade juntos. –
As palavras dele ecoam em meus pensamentos ‘’vamos ficar a eternidade juntos. ’’
‘’eternidade’’
Acordo num sobressalto. Faz tempo que não tenho pesadelos. Meus pesadelos geralmente são flash backs do que aconteceu comigo, e é a parte mais difícil de tudo isso, ter que reviver tudo.
São 07h06min da manhã. Levanto-me e vou até o banheiro. Tiro a roupa e entro no chuveiro pra tentar lavar toda essa sujeira que está impregnada em mim e nunca sai. Termino de fazer minha higiene e escolho uma roupa pra ir trabalhar. Coloco um vestido que vai até os joelhos, ele é justo, preto nas laterais o que faz destacar minhas curvas, e um salto preto aveludado.
Pego minhas coisas e desço pra portaria.
–Bom dia Srt°. Parker, já chamei seu taxi.
–Bom dia Jack, obrigado. -
Entro no taxi e falo pra onde devemos seguir. Está muito transito, então chego atrasada. Eu entro às 08h00min e já são 08h30min.
Tento correr o mais rápido possível com esses saltos. Entro no elevador ofegante e aperto o número do meu andar. Tem 4 mulheres no elevador, mas não trocamos olhares e nem um bom dia. Quando a porta do elevador está se fechando alguém coloca uma maleta entre a brecha impedindo-a de fechar totalmente. A porta se abre novamente e um deus grego entra. O cara é realmente lindo, cabelos lisos preto com uma mecha caída sobre a testa, olhos azuis, alto com um porte físico de ‘’sim, eu malho todo dia’’. UAU.
Imediatamente todas as mulheres que antes nem notavam a presença uma da outra agora se olhavam como concorrentes. Eu dei um passo pra trás encostando-me no espelho do elevador, pois não queria entrar na briga.
–Bom dia Senhoritas. – Que voz sensual.
E todas elas responderam um tanto melosas demais:
–Bom dia.
Mantive-me quieta e ele olhou diretamente pra mim me medindo de cima a baixo e esboçando um enorme sorriso fazendo-me sentir um tanto desconfortável.
–Sabem me dizer qual andar se encontra os presidentes da W ENTERPRISE?- Ele pergunta com aquela voz grave e sensual.
Todas responderam juntas:
–No ultimo andar. – Em seguida outra perguntou
–Eu posso ajudar?- A outra disse
–Estou indo pra lá, posso te ajudar a chegar até lá.
Eu sussurro pra mim mesma:
–Como se fosse difícil chegar até La. –
–O que disse?- ele pergunta olhando pra mim. Droga, falei alto demais.
–Só estava pensando alto, desculpe.
–Não precisa se desculpar por pensar. – Ele responde e dei um risinho.
Foram se passando os andares e as garotas foram descendo. Só ficou eu, ele e a mulher que ia ‘’pro mesmo andar e que podia ajudá-lo’’.
A porta se abriu e eu fui a primeira a sair, indo direto pra minha mesa. Pendurei minha bolsa e disquei o numero do Sam me desculpando pelo atraso e que já tinha chegado. Dean ainda não tinha chegado então não precisava me desculpar, porque ele não ia ficar sabendo desse pequeno atraso.
Assim que ligo o computador Dean chega. Ele me olha divertido e eu sei por quê.
–Bom dia Srt° Parker, espero que não tenhamos problemas de assédio hoje. — E vai pra sua sala.
QUE. CRETINO.
Vejo a agenda e eles têm uma reunião com tal de Matt Clyde. Eles vão fazer negócios mportante hoje. Eu liguei pra eles e os lembrei da reunião que estava marcada para as 09h00min da manhã.
Sam vem até minha mesa.
–Bom dia Jessi. -
–Bom dia Sam, como foi o encontro?-
–Tenho que agradecer por vocês terem saído. -
–Então a noite foi boa?- pergunto esboçando um sorrisinho de malicia.
–Você não sabe como. — E suspira.
–Tá, agora vai trabalhar. A reunião de vocês já vai começar. -
–Falando nisso, queremos que você participe da reunião hoje.
–O que? Por quê?- Grito desesperada.
–Porque sim. Vêm. — me puxa pelos braços e me arrasta até a sala de reuniões.
Sam me empurra com tanta força pra dentro da sala que eu acabo esbarrando no cara que estava de costas pra mim caindo sobre ele.
Fomos parar os dois no chão, e quando ele vira vejo que é o mesmo cara do elevador. Ele levanta e me ajuda a levantar colocando as mãos em minha cintura.
–Você está bem?-
– Si- sim, me desculpe- Falo gaguejando.
Quando Dean entra na sala o cara do elevador ainda está com as mãos em minha cintura.
–Algum problema?- Ele nos pergunta com uma cara de quem comeu azedo.
–Nenhum. — Responde o cara do elevador ainda olhando pra mim.
Ele me solta e eu o agradeço por ter me ajudado a levantar. Todos se sentam à mesa. Dean senta na ponta, ainda com cara feia, Sam senta ao seu lado, Eu sento ao lado do Sam, e o cara do elevador, que deve ser Matt Clyde, senta na minha frente.
Ficamos por pelo menos 2 horas discutindo sobre os negócios.
Finalmente terminamos.
Meu celular toca, já que terminamos a reunião não vejo problema nenhum em atender. O número é desconhecido.
–Alô?
O outro lado da linha fica mudo.
–Alô?
De novo o silêncio. Desligo o celular e saio da sala passando despercebida entre eles.
Volto a trabalhar e meu celular toca de novo.
–Alô?
–Srt° Parker?
–Sim, quem fala?
–Aqui é Susan do Hospital Central de Rowland, Carolina do Norte.
Meu coração começa a acelerar só de ouvir o nome da cidade.
–Sim, pode falar. — Digo num sussurro
–Sua mãe Janette, pediu que avisássemos a Senhora de que seu pai está em coma. A situação é estável.
Eu permaneço em silêncio.
–Senhora?
–Sim, eu estou ouvindo.
–Gostaria de falar com sua mãe?-.
–Não. Obrigado por avisar, vou pegar o primeiro Vôo e chego o mais rápido possível.
Finalizo a ligação. Merda, a última coisa que eu queria era voltar pra lá. Sempre amei meus pais, mas depois do que fizeram comigo eu resolvi bloquear qualquer tipo de sentimentos amorosos.
Vou ter que voltar, e pior de tudo, eu não sei se Castiel continua lá. Será que vou ter que encará-lo? Não sou mais uma garotinha com medo, sou uma mulher, que aprendeu a enfrentar seus demônios internos. E que agora vai ter que enfrentar o pior de todos.
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