Playing With Fire

28 Vermelho-sangue - extra


Notas iniciais
Ahem. ~Rufem os tambores~ É isso moçada, depois de dez meses implorando, pedindo, chorando.... EU VOLTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIIII!!! Sim, é verdade! Não, não é um sonho! Playing With Fire está de volta com tudoooooooo!! Aii meus amores, tava com tanta saudade de vocês que passei a noite em claro escrevendo esse capítulo (e amanhã é segunda, vou estar fodida por causa de vcs, olha que amor). Porque eu sumi? Sendo meus fãs, não me importo de dar essas satisfações pra vocês, principalmente porque depois de 10 meses o mínimo que eu devo é uma explicação, quem não quiser ler, apenas sinta-se a vontade para começar a leitura do capítulo. É o seguinte: começou em agosto logo quando eu comecei a escrever o capítulo 28 (foi jogado no lixo um tempo depois), primeiro eu me mudei da casa que tanto amava, fui para um apartamento menor e menos acolhedor que até agora não me acostumei. Minha casa era o meu lugar favorito, sem contar que o ambiente me deixava super criativa para desenhar e escrever, e como perdi o melhor lugar do mundo já desanimei um pouco para escrever. Logo depois meu cachorro adoeceu e teve muitas chances de morrer, ele se recuperou em agosto e graças a Deus está tudo bem. Aí que começam as tretas de verdade: Me apaixonei. Namorei a pessoa até um pouco depois do meu aniversário mas ela terminou comigo porque aquilo estava prejudicando a nossa amizade, e depois senti q estava perdendo ela pois além de ser minha melhor amiga do mundo, foi meu primeiro relacionamento na vida e eu estava muito apaixonada. Sofri, chorei, me humilhei, fiz tudo aquilo que os personagens das minhas fanfics fazem. Depois de alguns meses lutando contra os sentimentos ruins a amizade voltou e tudo ficou bem. Logo depois pensei que seria ótimo voltar a escrever, principalmente porque agora entendo o que é sentir-se apaixonada por alguém e posso relatar nos personagens o que eu senti, mas aí vieram as confusões com minha família. Começamos a brigar muito, principalmente minha mãe e eu, até agora estamos mais ou menos nessa. Agora que as coisas estão melhorando, e enquanto outro desastre não acontece, voltarei a escrever! Olha que lindo! E é isso gente, crescer não é fácil, e não estou falando de ficar mais velho. Mas eu errei com vocês, meus leitores são muito importantes, e me estimulam demais a criar minhas próprias histórias, quero voltar a ter esse tipo de relacionamento com vocês. Vou deixar um último pedido de desculpas e também desejo que vocês gostem do capítulo que talvez tenha uma diferença na forma que é narrado já que me aprimorei no tempo em que estive fora. E... É isso! Amo vocês, meus amoreeeess!! Hora de continuar essa porra!! Boa leitura!!

POV Blossom:

As pessoas estavam bastante animadas no meio da pista de dança, estava tocando músicas dos anos 80, e quando puseram Queen pra tocar o Professor foi o primeiro a largar tudo o que estava fazendo para ir dançar. A festa estava maravilhosa como deveria ser, tudo organizado e do jeitinho que eu planejei, jamais deixaria a festa mais importante de nossas vidas nas mãos de outra pessoa que não seja eu mesma.

Pode ser um tanto exagerado de minha parte, mas em minha opinião, mais ninguém conseguiria deixar a cerimônia nos trinques além de mim, pelo menos não que eu conheça. Tanto que a própria Srta. Bellum pediu para que eu me encarregasse de cuidar dos preparativos, e como prometido, foi um sucesso.

A cerimônia foi perfeita. O Professor estava perfeito, a Srta. Bellum estava perfeita, a decoração estava perfeita, a interação com os convidados estava perfeita, os mesmos convidados se apresentavam de maneira perfeita, a refeição estava perfeita, a música estava perfeita, a sintonia que as pessoas dançavam estava perfeita. Exatamente tudo estava excepcionalmente perfeito do jeitinho que deveria ser.

Suspiro, cansada. Olho ao meu redor, cercada de tanta perfeição em minha volta, percebo que o único defeito ali se resumia em uma coisa: Eu estava sozinha. Minha única companhia foi embora mais cedo para tratar de assuntos familiares, Professor e Srta. Bellum estavam ocupados demais se divertindo em conjunto com seus convidados, Bubbles estava em algum lugar da festa com seus amigos, Buttercup estava com seu namorado cujo até agora não me acostumei, e eu... Bem, lá estava eu, sozinha como sempre, apenas se contentando com a perfeição que eu tanto luto para conquistar.

Um pingo de imperfeição é o suficiente para me tirar do sério, e para pessoas como eu, acostumadas demais com a perfeição, é preciso aprender a lidar com a solidão.

Talvez essa minha exigência toda seja minha maior imperfeição.

Desconcentrando-me de meus devaneios, olho para frente e vejo uma figura se aproximar de mim, e ali estava o ser que se destacava dos outros convidados por estar completamente inadequado. Francamente, quem vem de boné pra uma festa de casamento?

Junto minhas sobrancelhas ao ver que ele me encarava ao longe enquanto se aproximava de mim, analiso-o da cabeça aos pés e cada detalhe seu me transmitia uma agonia maior. O cadarço de seus sapatos estava desamarrado, sua gravata estava com um nó incrivelmente mal feito, suas calças estavam sujas assim como seu terno, que por sinal estava abotoado de maneira totalmente errado. O seu cabelo estava totalmente desarrumado e suado, aparentava nem ter tomado banho antes de sair, e aquele boné... Argh! Aquele boné era o mais impróprio possível para a situação. Será que ele não tem um pingo de classe?

O ruivo encosta o corpo na parede ao meu lado, ainda olhando para mim, eu reviro o rosto ao senti-lo perto e me olhando. Ainda posso sentir seu olhar diante de mim e começo a me perguntar o que ele está pensando, e quais eram as intenções deles. Há pouco tempo atrás ele ficava dizendo que iria matar a mim e minhas irmãs, mas agora ele parece bem manso.

Posso ouvi-lo suspirar.

– Vai ficar me evitando? – Ele pergunta num tom sarcástico, eu reviro ainda mais meu rosto e ouço-o soltar um risinho. – Se diz tão educada, mas se recusa a olhar um convidado nos olhos.

Seu último comentário me faz virar o rosto em sua direção. Posso ver o esboço de um sorrisinho debochado, estava muito claro que Brick estava querendo me provocar. Bufo para ele e respondo:

– Para início de conversa, você não é um convidado, é um peso que o verdadeiro convidado teve que trazer. – Não hesito em ser grossa, afinal, gente da laia dele deve ser tratada dessa maneira. Olho para o teto e suspiro. – E depois que por mim ele nem deveria ter um motivo para ser convidado, mas a minha irmã realmente gosta dele, então eu vou ter que aturar a presença de vocês até a festa acabar.

– Nossa, como você é delicada. – O ruivo não parava de sorrir sarcasticamente, provavelmente estava se divertindo com a minha irritação. Se aproxima um pouco mais de mim, quase encostando meu ombro com as costas, volto a olhar para ele com uma cara brava, o que o deixa ainda mais contente. – Talvez por essa delicadeza você esteja sozinha nessa festa.

Diz ele, cutucando em minha ferida. Parecia até que ele tinha lido meus pensamentos. Arregalo os olhos e arqueio uma sobrancelha. Esse filho da... Não, não vou me rebaixar ao nível dele.

– Quem é você pra falar de solidão? – Pergunto num tom um pouco irônico. Se ele quer jogar, então vamos jogar. – Onde quer que você pise as pessoas se afastam de medo, até mesmo seus irmãos devem ter mais medo do que amor a você.

Seu sorriso é desmanchado e me sinto vitoriosa, ele agora demonstrava estar com raiva. Ele bufa, vira as costas para mim e sai andando.

– Tudo bem, não te faço mais nenhum agrado.

Estranho sua resposta.

– Hein? Do que está falando?

– Eu te vi de longe e percebi que você estava sozinha. – Diz ele, voltando a olhar pra mim ainda com raiva, junto a sobrancelha sem entender o que ele estava dizendo. – Você... Parecia triste então vim te fazer companhia, mas já que a madame prefere comer uma montanha de bosta a ficar com um Desordeiro, eu vou me retirar.

À medida que Brick ia se afastando eu continuava a processar o que ele havia dito. Aos poucos vou começando a me sentir um pouco culpada ao vê-lo partir daquela maneira, e a imaginar que talvez eu devesse ter dado uma chance ao ruivo que dizia ter boas intenções.

Será... Que fui dura demais com ele?

Balanço a cabeça para os lados evitando esses pensamentos. No que está pensando, Blossom? Brick é um Desordeiro, o pior de todos ainda por cima, não é possível que ele estava falando sério. Suspiro, rindo comigo mesma. Não, não é possível. Ele com certeza estava mentindo, eu fiz bem em ser rude com ele, assim ele aprende onde é seu lugar.

Ao pensar coisas tão egoístas, começo a perceber que algo em mim parecia querer ignorar tudo o que o ruivo havia dito, como se meu subconsciente desejasse que o pingo de esperança dele estar falando a verdade não existisse.

Eu e essa minha mania de querer estar sempre certa.

Suspiro. Vejo Brick sozinho em uma mesa qualquer, olhando as pessoas dançarem e conversarem ao seu redor com aquela mesma cara emburrada de sempre. Começo a andar em sua direção, fazendo o possível para que ele não me visse aproximar dele. Eu nem acredito no que vou fazer.

Paro ao lado da cadeira em que Brick estava sentado, ele logo nota minha presença e fita meu rosto com uma expressão de surpresa. O ruivo levanta uma sobrancelha.

– O que foi?

Solto um sorrisinho sarcástico.

– Olha só quem está sozinho agora. – Brinco com ele, e ele parece se irritar facilmente.

– Veio aqui só pra esfregar isso na minha cara com o argumento de que todo mundo tem medo de mim? – Ele bufa num tom mais irritado do que era pra ser. – Ah, vai à merda!

– Ei! Olha essa boca! – Xingo seu linguajar inadequado, depois me sento na cadeira ao lado ficando de frente para ele. – Calma, eu só estava brincando. – Ao dizer isso ele se acalma, mas ainda fica com aquela cara amarrada de sempre. Será que ele só tem essa expressão? – E... Eu não vim pra brigar nem nada do tipo.

– Pra que veio então? – Ele é direto em sua pergunta, indo direto ao assunto logo após eu terminar a frase.

Respiro fundo, me preparando para fazer o que mais me custa fazer no mundo todo: Admitir um erro. Vai Blossom, você consegue.

– Primeiro para admitir que eu estava errada. – Respondo logo em seguida. Não é sempre que eu quebro meu orgulho assim, principalmente quando se trata de alguém como... Ele. Quem diria que algum dia Brick conseguiria ser uma das pessoas que passaria por cima do meu orgulho. – Segundo... Como nós dois estamos sozinhos e sem nada pra fazer, que mal custa uma nova companhia para variar?

– Nossa. – O ruivo se surpreende, com os olhos arregalados em minha direção. – O que aconteceu com a garota que me deu uma patada há alguns minutos atrás?

Junto um pouco minhas sobrancelhas e encho minhas bochechas de ar, para um pouco depois deixar a razão passar por cima do meu orgulho mais uma vez e deliberar um sorriso em meu rosto.

– Digamos que... Ela realmente se sente muito sozinha. – Tenho vergonha de olhar para ele, voltando meu olhar para as pessoas da festa. Todas elas pareciam se divertir entre si, jogando papo fora, contando piadas, trocando experiências e quando não queriam mais conversar, dançavam juntas. Dobro minhas pernas, pondo minhas mãos sobre meu joelho. – Eu acabo por exigir demais das pessoas. Quero que elas ajam do jeito que eu acho que devem agir, e pensar do jeito que eu acho que elas devem pensar. – Começo a me abrir para ele, coisa que nem em mil anos pensei fazer. O... O que está havendo comigo hoje? – Tento impor o que penso na cabeça delas e torna-las... Perfeitas. Eu procuro tanto viver num mundo onde tudo é como eu quero que... Afasto as pessoas de mim. – Suspiro, ainda sorrindo mas com os olhos cabisbaixos. – Eu falo de você, mas eu não sou melhor do que você. Eu afasto as pessoas da mesma maneira.

O silêncio reina por alguns instantes, nós dois começamos a olhar as pessoas ao redor, e aos poucos percebo que nossa mesa é a mais afastada da festa, até isso contribui para eu me sentir sozinha. O ruivo nada dizia, apenas fazíamos algumas breves e tímidas trocas de olhares. Estava tão envergonhada que aquilo deveria tê-lo contagiado.

Mas... Porque eu disse aquelas coisas pra ele mesmo? Brick se ajeita na cadeira, debruçando o corpo até seu joelho e voltando seu olhar direto para mim novamente, naquele momento senti a necessidade de olhá-lo de volta.

– Então... Quer dizer que a madame não é perfeita. – Diz ele, fazendo meu rosto corar de vergonha. – Estou surpreso, confesso.

– Porque diz isso? – Pergunto com um sorrisinho de canto, ainda um pouco vermelha.

– Porque você parece se esforçar mais do que deveria pra causar uma impressão exemplar. – Brick descontrai um pouco o tem de sua voz, parecendo mais a vontade ao falar comigo, enquanto eu fico cada vez mais surpresa com as coisas que o ruivo tem a me dizer. – Você se força tanto que quando se cansa disso acaba sendo grossa mesmo se arrependendo depois. Mas não percebe que quanto mais você faz isso mais você se torna uma idiota. – Agora sim ele está falando como o esperado. Me preparo para responder ao seu insulto, mas o ruivo volta a falar com um sorriso no canto da bochecha. – Não que eu não seja diferente de você. – Sua frase rouba a minha fala, deixando-me sem resposta. E com um tanto de vergonha também. O ruivo se volta para mim com uma nova expressão no rosto, por incrível que pareça, uma em que o sorriso ocupa toda a sua boca. – Temos mais em comum do que imaginávamos, você não acha?

Minha fala cortada se converte a um risinho involuntário, misturado com meu rosto ruborizado e alguns gaguejos também.

– Sim, Brick... Temos muito em comum.

Assim a conversa prosseguiu por um longo tempo. Começamos a conversar como pessoas normais que acabaram de se conhecer, e assim percebem que tem traços de personalidade quase que idênticos. Por mais que meu subconsciente negasse admitir isso, Brick era um rapaz muito interessante e muito bom para se conversar, totalmente diferente do que eu imaginava. Claro, ele continuava meio bobo, mas em alguns momentos ele dizia coisas tão... Profundas? Coisas que nem mesmo eu me imaginaria dizendo de tão inteligentes que elas eram, com isso me dei conta de que o ruivo era mais perspicaz do que mostrou ser em tantos anos que o conheço. É, os onze anos em que ele esteve fora devem ter feito bem para ele.

Houve partes da conversa em que Brick conseguiu alcançar alguns sorrisos meus, até mesmo fez meu rosto corar um pouco, e por incrível que pareça, consegui fazer o mesmo com ele. Ele, que parecia estar sempre em guarda com aquela cara amarrada vinte e quatro horas por dia, parecia tão vulnerável agora, tão solto, tão calmo, tão... Feliz?

Eu gostava de vê-lo assim, seus sorrisos foram como uma esperança em meu coração. A esperança de que talvez... Eu o tenha julgado muito mal. Não só ele, seus irmãos também. O sorriso de Brick era a única coisa que me fazia acreditar de que os Desordeiros haviam mudado, de que se eu os desse uma chance talvez as coisas ficariam excepcionalmente melhor entre nós.

E dessa vez... Eu não me importaria nem um pouco em admitir que eu estava errada sobre alguma coisa. O orgulho não seria um obstáculo tão grande.

De repente, Brick olha para seu relógio de pulso e arregala um pouco os olhos, estranho um pouco sua reação, mas acabo por não ligar. O ruivo pega duas taças de vinho que estavam sobre a mesa antes mesmo de eu chegar, e só agora eu havia reparado nelas, ele estende uma para mim.

– Aqui, tome. – Ele me faz segurar uma das taças.

– Hein?

– Vamos fazer um brinde. – Sugere.

– Pra quê?

– Não sei. Quem sabe para comemorar o fato de que antes estávamos querendo nos matar e agora estamos conversando como pessoas civilizadas. – Ele brinca, fazendo-me rir. Estende sua taça em prol do brinde com um olhar meio desconfiado. – Brinde? – Sorrio sarcasticamente para ele, colocando minha taça na mesa logo em seguida sem corresponder a seu brinde. Brick fecha a cara rapidamente estranhando minha reação. – Ei! Vai me deixar no vácuo?

– Vou. – Respondo, provocando-o um pouco.

– Ah, qual é. – Ele põe sua taça na mesa também, um tanto decepcionado. – Estávamos indo tão bem.

– Estamos, mas eu não bebo.

– Um golinho não faria mal. E além disso, agora somos amigos, pessoas brindam o início de uma amizade.

– Pera... Quê? – Estranho sua afirmação, olhando para o ruivo com uma sobrancelha levantada e um sorriso de canto. – Como chegou nessa conclusão tão rápido, rapazinho?

– Ué, não somos?

– Ainda não. – Provoco-o ainda mais mantendo meu sorriso, encaro-o com um olhar desafiador e ele arqueia a sobrancelha. – Se quiser conquistar minha amizade vai ter que me provar de alguma maneira.

Brick logo percebe meu desafio, e posso senti-lo se animar ao perceber que eu iria propor alguma coisa. Então ele gosta de desafios, né?

– E o que você sugere, madame?

Nos encaramos, ambos com as sobrancelhas juntas e um sorriso maligno no rosto. Comecei a imaginar diversas maneiras de desafiá-lo, mas é claro que eu queria uma que o fizesse passar vergonha, afinal, eu não sou de ferro, queria rir um pouco da cara dele.

Percebo que agora a pista de dança estava meio vazia, ocupava poucas pessoas, mas estas não estavam no centro dela. Agora os convidados se cansaram de dançar e foram conversar um pouco ao redor da pista. Estavam tocando algumas músicas espanholas, e como eu havia feito a playlist, sabia bem que a próxima música a tocar seria um tango.

Uma lâmpada acende em minha cabeça e sorrio maleficamente ao pensar na condição para o ruivo ao meu lado, o mesmo esperava ansiosamente o seu desafio. Tango, né?... Interessante.

– Sabe o que é tango, não é? – Pergunto a ele, que estranha um pouco a pergunta.

– Claro que sei, por quê?

Sorrio para ele com ironia, me levanto e fico de frente para ele, estendendo minha mão.

– Porque você vai dançar comigo.

Brick me encara sem entender que essa era a proposta, e quando vê que eu estava falando sério, fica um tanto envergonhado. Vai ser difícil me acostumar com essa expressão de vergonha no rosto dele, é tão estranho ver ele com qualquer outra cara que não seja aquela emburrada.

– Só isso? – Ele pergunta num tom surpreso.

– Não subestime o tango. – Respondo com um ar sério. – É uma dança extremamente complexa em que os parceiros devem estar em plena sintonia para ser realizada com perfeição, se um deles não tiver absoluto conhecimento da dança, será incapaz de prosseguir com ela.

– E você tem?

Rio um pouco de sua pergunta.

– Está falando com uma dançarina quase profissional. – Digo, sem vergonha alguma de expor meu orgulho sobre mim mesma. – Já fiz aula de quase todos os tipos de dança, não é uma música que eu não saiba dançar.

– Ui, mas quanta modéstia. – Zomba de mim, desmanchando meu sorriso. – Acho que você está me subestimando demais.

– Sim, estou. – Respondo sem pudor algum. – Não imagino que vamos ter uma dança apreciável, mas aí está o desafio: Se nossa dança me agradar, posso reconsiderar essa amizade.

Brick sorri de canto, lançando seu olhar diretamente em meus olhos.

– E aí você aceita beber uma taça de vinho comigo?

Encaro-o de volta. Porque esse cara tá insistindo tanto que eu beba com ele?... Ah, isso não importa. Ele é estranho mesmo.

– Sim, eu beberei. Mas só um golinho.

– Já é o bastante.

Brick toma rapidamente minhas mãos, e nesse exato momento a música começa a tocar. Caminhamos até o centro da pista, fazendo com que todos na festa tomassem sua atenção para nós dois, como já dancei em vários palcos, não via aquilo como um motivo de vergonha.

(Música que eles dançam. Escutem enquanto leem)

Ponho minha mão esquerda em seu ombro enquanto ainda seguro sua mão com a direita, sua mão direita agarra minha cintura com mais firmeza que o esperado, o que me faz corar um pouco. O ruivo não desvia seu olhar de meu rosto por um instante, o que faz eu me sentir obrigada a olhar para o dele em resposta.

Enquanto a música não começava verdadeiramente, tenho tempo para analisar seu rosto e percebo que ele tem sardas, coisa que sempre achei atraente e um pouco... Fofo. Suas bochechas são rosadas, o que se destaca bastante em sua pele branca, até mais que a minha. Seu cabelo, apesar de ter um aspecto sujo, parecia macio, e tive que me conter bastante para não alisá-los com os dedos. Sua boca era rosada, quase avermelhada. Suas sobrancelhas ruivas eram grossas, assim como seus longos cílios também ruivos. E seus olhos... Com certeza aqueles olhos foram o que mais me chamaram atenção no rapaz. Eram vermelhos-sangue, do tipo sangue mesmo. Eram tão profundos quanto o céu vermelho em um pôr-do-sol. Intensos quanto a chama vermelha do fogo. E pareciam sangue. Puro sangue.

Quando dei por mim, Brick já estava me conduzindo de uma maneira mais intensa durante a dança. Me distraí tanto com seus olhos que esqueci completamente que estávamos diante de uma dança. Tango é uma dança a qual você não pode tirar os olhos de seu parceiro quando está de frente para ele, tendo que manter uma proximidade tão grande que os narizes quase roçam, e ficar assim tão perto dele fazia meu rosto corar ainda mais.

O ruivo me conduzia de maneira inexplicável, com certeza aquela não foi a primeira vez que ele dançou tango, pois dançava no ritmo de um dançarino profissional. Ele levava jeito com toda certeza.

Nossos corpos dançavam em perfeita sintonia, a medida que o som se intensificava, nossos corpos ficavam cada vez em maior sintonia, e eu o sentia cada vez mais perto de mim. Quando me girava e me colocava de costas para ele, enfiando o rosto em meu pescoço, passando a mão por minha barriga, senti algo que jamais senti em toda a minha vida. Seu toque era quente, sensual, envolvente. Cada vez mais que eu rebolava os quadris em sua dança, mais toques eram correspondidos por ele. Que sensação é essa? É tão... Deliciosa... Quente...

A cada vez que eu passava as mãos por seu pescoço, e recebia agarradas selvagens na cintura, ia me envolvendo mais naquilo, e ia esquecendo que aquilo era apenas uma dança, e ia me deliciando com seu toque, o balançar de nossos corpos e o roçar de nossos narizes, que ficavam cada vez mais próximos.

Quando estava prestes a dar mais uma girada, Brick agarra minha cintura com força e me puxa para perto de si, segura minha coxa, que agora estava exposta por passar pela abertura do vestido, e deixa minha perna envolver sua cintura, numa posição incrivelmente sensual. Seu rosto estava incrivelmente perto do meu, o que me fez sentir um fogo ainda maior. Mais uma vez cruzo com seus olhos vermelhos-sangue, percebendo ali um desejo. Eu já não sabia quais eram as intenções de Brick, tão pouco as minhas, mas naquele momento nada daquilo importava mais.

Seu rosto me aproxima mais do meu, e desvio meus olhos para seus lábios, à medida que se aproximava, apertava mais minha cintura, minhas coxas, me levando a loucura. O correspondi de bom grado, me aproximando de seu rosto enquanto acariciava seu rosto com a mão e segurava seu ombro com a outra para me apoiar. Vou tendo devaneios enquanto fecho os olhos.

Nenhum homem nunca fez eu me sentir assim. Nem mesmo... Nem mesmo... Harold?

HAROLD!!

Abro os olhos numa velocidade quase que insana, me solto de seu corpo e me afasto dele, que se assusta logo em seguida. Reviro o rosto, sem coragem de olhá-lo nos olhos, na verdade, eu estava com vergonha de olhar era pra mim mesma. O... O-O que eu ia fazer?? Eu tenho namorado!! Isso é loucura!! Isso é traição!! Como eu pude me envolver tanto assim??

Brick me encara confuso, sem entender o motivo de minha reação. Olho para ele ainda com vergonha, depois olho para os lados e percebo que todos da festa estavam nos olhando surpresos com a dança magnífica que fizemos. Suspiro e olho para o ruivo novamente, forçando um sorriso.

– Err... – Começo, procurando coragem para dizer qualquer coisa que fosse. – R-Realmente você superou minhas expectativas. Parabéns, ganhou o desafio.

Naquele exato momento Brick formula um sorriso orgulhoso no rosto, provavelmente pronto para se gabar.

– Viu só? Pelo menos a madame sabe perder.

– Tá, tá bom.

Seguro seu braço e o puxo para fora da pista. A música ainda não havia acabado, apenas estava mais calma, mas todos ali ao redor nos aplaudiram pela bela interpretação de tango. Brick, é claro, ficou muito contente com os aplausos.

Ficamos de frente para a mesa em que estávamos, e Brick não perdeu tempo, pegou as taças de vinho e logo me entregou a minha. Ainda não entendi muito bem porque ele queria tanto fazer um brinde, mas deixei isso pra lá e apenas segurei minha taça. O ruivo estende a sua em minha direção com um sorriso estranho do rosto e disse:

– Ao início de uma nova era! – Dizia ele, estendendo sua taça para o alto. Rio um pouco de sua ação sem muito sentido.

– Parece até que você está brindando a noite de ano novo.

– É... – O ruivo agora fazia uma expressão estranha que não havia demonstrado em minha frente antes, percebi uma aura meio... Sombria ao seu redor. – Mais ou menos isso.

Nossas taças se tocam e fazem barulho, quando estou prestes a beber, vejo sua expressão meio aflita, o que me incomoda um pouco.

– O que foi?

Ele nada responde, parecia não saber o que dizer.

– Blossom... – Começa meio sem jeito, mas depois balança a cabeça, parecia querer ignorar os próprios pensamentos. Põe o sorriso de volta no rosto e volta a exalar aquela aura estranha. – Nada não... Apenas beba.

Olho para ele de relance e bebe um pequeno gole de taça, depois disso ficamos em silêncio, olhando apenas nos olhos um do outro. Brick continuava um tanto aflito e ansioso, aquilo com certeza me incomodava demais. Porque estou tendo um mau pressentimento? Olho para a minha taça, e vejo meu próprio reflexo naquele líquido escuro, sem saber muito o que pensar. Será?...

Ouço alguns barulhos vindos do canto do salão, todas as pessoas correm para o mesmo lugar, aflitas, e me preocupo logo em seguida. Um garçom que estava na multidão correu para perto de nós, mas eu o puxo antes para perguntar a ele o que estava acontecendo. Ele também parecia aflito.

– A Bubbles está passando muito mau! Parece que ela caiu no chão e está vomitando alguma coisa escura, um líquido preto! E parece também estar vomitando sangue! – Ele diz, e meus olhos se arregalam logo em seguida. Meu coração começa a bater mais forte de preocupação, pois para nós, aquilo não era nada normal. Fico totalmente sem reação, com as pernas bambas. – Vá ajuda-la, Blossom. Eu vou chamar uma ambulância, rápido!

E ele vai embora, ainda aflita e quase chorando de preocupação, pego o braço de Brick e tento puxá-lo comigo.

– Minha irmã está passando muito mal, Brick! Só consigo pensar no pior! Venha comigo, por favor!

Quando estou prestes a voar, percebo que ele não mexe um só músculo. Estava olhando para baixo e seu boné tampava seu rosto. Volto para sua direção e o encaro, muito nervosa.

– O que está esperando, Brick?! Minha irmã precisa de ajuda!!

Naquele momento, sua aura sombria aumentou de tamanho e posso ouvi-lo rir de uma maneira incrivelmente assustadora. Ele levanta o rosto, e vejo uma expressão insanamente medonha, não sou capaz de definir do que eu estava temendo mais naquela hora, sua risada, seus olhos esbugalhados, seu sorriso maléfico, ou a mistura de tudo isso.

O ruivo parecia estar fora de si, tanto que começou a gargalhar alto pelo salão, me apavorando mais ainda. Mas... Mas o que está havendo??

– Sua menina idiota... – Ele começa, com uma voz rouca e assustadora, dou um passo para trás ao ouvi-lo falar. – Regra número um para pessoas que acabaram de entrar na adolescência... – Ele faz uma pausa para rir mais, mas não desvia seu olhar amedrontador de mim. O que é isso?... Estou com medo... – Nunca aceite bebidas de um estranho que acabou de conhecer.

... Hein?

Naquele momento, senti meu corpo reagir de uma maneira estranha. Minhas pernas perderam a força e eu caio no chão, meus olhos começam a chorar sangue, e com um pingo de forças que tenho em meus braços, ergo meu corpo junto com meu rosto para encará-lo nos olhos.

– Brick... – Vomito o tal líquido preto que ardia em minha boca, parecia estar saindo ácido de mim. Tudo o que eu conseguia sentir naquele momento era ódio. Ódio do ruivo em minha frente que havia me enganado. Uma vontade imensa de voar em seu pescoço e arrancar sua cabeça. Ódio. Muito ódio. – O que... Você... Fez?...

Caio novamente, a última coisa que consigo ver é seu sorriso maléfico, e enquanto tudo ficava escuro, os sons iam se misturando. A gargalhada de Brick, a música de tango que ainda tocava em seu ápice, os gritos de desespero dos convidados, o choro do Professor. Não sentia mais nada.

E a única coisa que conseguia pensar era:

Buttercup...

Continua...

Notas finais
(Imagino a o capítulo acabando no momento em que a música acaba). Isso aí galera, agora a porradaria vai comer! Deixem seus comentários porque amo eles, e podem xingar o Brick de tudo quanto é nome pq ele é uma puta mesmo e putas merecem ser esculachadas nos comentários! Não tenho prévia para o capítulo 29, mas calma! Eu vou escrever sim, não se preocupem, hehe. Já vou avisando que ele pode arrancar lágrimas pq a pobre Bc vai chorar demais T^T (Q dó, pq eu faço isso com meus personagens?). Bem, até a próxima o/ Kissus, e é bom estar de volta