Notas iniciais
Olá pessoal. Demorei? Bem, se sim, me perdoem. As coisas que foram responsáveis pelo tempo da postagem foi o de sempre: Provas, química me fodendo (como sempre), e uma vida social que também precisa ser dosada. Eu também não sou de ferro, galera. E bom, é melhor do que esperar mais 10 meses, com certeza kkkkk. Uma coisa que percebi enquanto escrevia esse capítulo: Ser escritora de fanfic engorda. Não tô zoando, só pra escrever o flashback eu tomei 3 toddyinhos. Kkkkkkk, acontece que eu como muito enquanto escrevo, não sei se sou a única. Mas enfim. Como já diz no título, já devem ter percebido que lágrimas vão rolar. Foi extremamente difícil escrevê-lo, mas espero que gostem ;). Boa leitura!!

POV Buttercup:

Não soltamos as mãos por um minuto. Coisa que acabamos nos acostumando a fazer quando assumimos nosso namoro, assim como também nos acostumamos com os milhares de olhares de espanto em nossa direção. Aqueles olhares de surpresa ao me verem de mãos dadas com um Desordeiro sempre foram um incômodo para mim, mas para minha sorte, a rua estava vazia. Praticamente toda a vizinhança estava no casamento do Professor, afinal, os vizinhos sempre foram muito amigáveis conosco.

A rua estava em total silêncio, tudo o que eu conseguia ouvir era o som do vento batendo nas árvores balançando as folhas. Tudo o que eu conseguia sentir era o mesmo vento tocando meu rosto, agitando meus cabelos, transmitindo arrepios em meu corpo. Sempre gostei dessa sensação que o frio do outono trazia, mas esta fora completamente ignorada em meus pensamentos, pois a única coisa na qual conseguia prestar atenção no momento era na mão trêmula que segurava a minha, e eu sabia bem que ele não estava tremendo por causa do frio.

O rosto de pele morena se converteu a uma cor pálida, seus músculos estavam tensos e por mais que tentasse roubar sua atenção, ele evitava olhar em meus olhos. Avisto minha casa de longe e suspiro.

– Chegamos... – Comento, sozinha.

Butch disfarça um gaguejo.

– É... – Diz ele, mais vazio do que eu.

Pego a chave reserva debaixo do tapete da porta de entrada e a abro em seguida, dando passagem para o moreno entrar primeiro. Revira um pouco o rosto ao caminhar pela sala e põe a mão no bolso, tirando um cigarro dali em seguida. Quando o põe na boca, logo nota meu olhar de desaprovação e o guarda no bolso de novo. Ele sabe o quanto odeio quando ele fuma.

Suspiro. Caminho em sua direção e o abraço pelas costas, ele parece se surpreender com minha ação. Enfiei meu rosto em seu terno, e nele pude sentir aquele perfume que sempre invadia minha mente e me deixava nas nuvens. Até nessas horas eu me sentia incapaz de não desejar enchê-lo de abraços e carinhos, ele sempre os correspondeu de bom grado.

Se virou de costas para me abraçar de volta, nossos corpos se juntaram e todo o meu calor foi transmitido para o corpo do moreno que ainda tremia em meus braços. Apesar de estar tenso, o senti mais leve quando me abraçou, e isso me fez sorrir que nem boba. Mas também não deixei de notar que o abraço estava mais demorado que de costume. Butch estava me abraçando com mais intensidade, mais força, parecia até que ele estava com... Medo?

Merda Butch... Eu quero tanto acreditar que o que você vai me contar não é nada demais... Mas porque você tem que ficar desse jeito? Porque tem que me deixar desse jeito?

Meus pensamentos são interrompidos quando o moreno pousa as mãos em meu rosto, cortando o abraço e me dando um beijo. A sincronia do beijo não estava tão boa dessa vez, e sua boca trêmula também não ajudava muito. Mas não deixou de ser bom por um minuto. Todo beijo dele era bom.

Paramos de nos beijar e ele finalmente me olha nos olhos, me dando a visão daqueles profundos olhos verdes, e logo em seguida de um sorriso meio torto. Sorrio de volta para ele, acariciando seu rosto, ele toma minha mão e lhe dá um beijo de leve, deixando-me corada.

– Tem alguma coisa pra beber? – Ele pergunta, cortando o silêncio.

– Hein? – Indago, sem entender muito bem. – Hum... Tem umas taças de vinho lá na cozinha. Nós deixamos ali prontas pra depois do casamento, mas... Eu também estou com um pouco de sede.

– Me espere na sala.

Dizendo isso, ele me entrega a jaqueta de seu terno e vai para a cozinha, me deixando sozinha ali onde estávamos. Suspiro e vou para a sala de tv, me sento no sofá e relaxo ali. Me flagro em meus devaneios enquanto espero Butch chegar com a bebida, inclusive, percebi que ele estava demorando mais que o devido.

Passo os dedos por sua jaqueta em meu colo, quando alcanço os bolsos sinto seu celular. Tiro-o de lá e aperto o botão para ver as horas, mas acabo me perdendo em meus pensamentos mais uma vez quando vejo sua foto de papel de parede.

Era uma foto que ele tinha tirado na semana em que assumimos o namoro. Eu estava levantando pesos na garagem aqui de casa, ele apareceu e ficou me olhando malhar, mas aí do nada ele teve a brilhante ideia de tirar uma foto. Um sorriso bobo aparece em meu rosto. Foi uma tarde legal...

– FLASHBACK ON –

Eram duas horas da tarde, eu costumo ficar na escola nesse horário, mas graças aos deuses estou de férias. É a única época que tenho tempo para pôr a malhação em dia, afinal não se consegue ser a mais forte das Super-Poderosas sem nenhum esforço, então sempre que tenho tempo, e vontade também, vou para a garagem e começo a malhar.

Eu estava levantando pesos, tentando me concentrar ao máximo em meu treino, mas agora estava completamente impossível ficar concentrada com aqueles grandes olhos verdes me vigiando sem piscar. Nunca tive nenhuma companhia durante a malhação, e prefiro não ter, mas meu namorado fez questão em me observar malhando. É. Namorado. Ainda não me acostumei com essa ideia de ter Butch como namorado, mas não quer dizer que eu não goste dela. Eu a amo, na verdade.

Ele queria me levar pra sair, como eu disse que estava ocupada agora eu esperava que ele fosse embora, mas o idiota fez questão em ficar lá e me observar enquanto malho. E lá estava ele, sorrindo com cara de bobo enquanto me olhava levantar os halteres. Suspiro. Percebo que não haveria jeito de me concentrar e olho para o moreno com uma cara séria.

– Sabe, essa sua cara patética não está facilitando as coisas pra mim. – Bufo, enquanto ele permanecia com um sorriso no rosto. – Eu queria malhar um pouco, mas nem assim você larga do meu pé.

– Ah, então eu tiro sua concentração, é? – Ele faz uma cara debochada. – De longe, foi a declaração mais linda que você já fez pra mim.

– Isso porque eu não soquei sua cara. Essa sim seria uma declaração magnífica.

Ele ri.

– Eu não me importaria nem um pouco se você me machucasse agora. – Ele põe a mão no queixo, fazendo uma posição maliciosa enquanto me analisa de maneira estranha. – Você não tem ideia do quanto fica sexy malhando.

Sinto meu rosto corar, principalmente diante daquele sorriso provocante.

– Do que está falando, seu idiota?

– Esse seu corpo malhando... Levantando pesos... Só faz transparecer que você é capaz de me dar uma surra em minutos, e por mais estranho que isso pareça pra você, é incrivelmente sensual. – Ele diz, sem pudor nenhum. Levanto uma sobrancelha e rio um pouco. – Tô falando sério, esse seu jeito forte é muito excitante.

– Bem sadomasoquista da sua parte. – Brinco, rindo com ele. – Agora fala mais alto pro Professor escutar, ele está na cozinha, e garanto que ficaria muito feliz em ouvir o quanto você se sente excitado com a filha dele.

Butch junta as sobrancelhas e se arrepia um pouco, provavelmente lembrando das coisas que o Professor disse pra ele.

– Não brinca com um negócio desses. Seu pai pode ser um cara muito bacana, mas ainda tenho medo do que ele pode fazer a minha pessoa.

– Ou com seu pênis.

– Principalmente meu pênis. – Começamos a rir mais alto, já até tinha me perdido na conta de quantas vezes havia levantado os halteres. Butch para de rir, mas ainda mantinha um sorriso no rosto, joga para mim uma toalha para eu enxugar meu rosto suado. – Sua família já está levando numa boa?

Suspiro. Era o nosso quinto dia namorando, e bem, Butch não teve uma recepção muito agradável em minha família. Por ele ser um Desordeiro, era mais do que óbvio que minha família o estranhasse logo de cara, principalmente a Blossom. Se ela já não levava meu lance com ele numa boa, quem dirá um namoro sério.

Olho para o moreno sorridente, que parecia bem esperançoso. Coço um pouco a cabeça suada e suspiro novamente.

– Bom, Butch... – Começo, meio sem jeito. – É a nossa primeira semana, sabe. É normal que eles demorem um pouco pra se acostumarem com isso, digo... Nós.

– Saquei. – Diz ele, meio decepcionado. – Não tem problema, eu entendo.

Ele parecia meio cabisbaixo, mas ainda disfarçava-se num sorriso. Merda, eu detesto quando ele fica assim.

Caminho em sua direção e fico de frente para ele, que fica meio surpreso, inclusive meio corado também. Sorrio para o moreno e lhe dou um beijo carinhoso nos lábios, ele corresponde de muito bom grado, moldando a boca na minha, conduzindo-me a um beijo carinhoso e cheio de paixão.

Paramos de nos beijar e sorrimos um para o outro.

– Eles podem ser um pouco cabeça-dura Butch... Mas garanto que logo vão te receber de braços abertos. Afinal... Você é praticamente parte da família agora. Da minha família.

O moreno cora mais, cena que era rara de se ver, e eu adorava quando ele ficava vermelho desse jeito. O rapaz sorri, dessa vez de maneira mais descontraída.

– Vamos tirar uma foto.

– O que? – Estranho sua fala, em poucos segundos Butch já havia tirado o celular do bolso, colocando na câmera. – Ei, Butch! Quem disse que eu quero tirar fotos agora?!

– Eu preciso de uma foto pra pôr de papel de parede, e eu quero que seja com a minha namorada linda.

– Tá, mas eu não tô nem um pouco apresentável pra tirar foto. – Digo, já alterando a voz. – Eu tô toda suada porque acabei de malhar.

– Eis mais um motivo, acabei de confessar que tenho fetiche por você malhando.

– Tá, ma-

– Olha a selfie. – Antes que eu pudesse terminar, o telefone já estava batendo o flash.

– BUTCH!

A foto foi tirada, e o moreno parecia bem contente com isso. Lhe dou um cascudo na cabeça como castigo, mas ele não para de achar graça por um minuto. Averigua a nova foto em seu telefone e fica bem contente com o que vê.

– Ficou ótima! Vai ser essa.

Pego seu celular e vejo a foto. Eu estava com uma expressão enfurecida na foto enquanto segurava um haltere, enquanto o moreno fazia um sinal de paz e estava com um sorriso muito debochado.

Mas tudo na qual conseguia prestar atenção era na minha cara enfurecida.

– Butch, isso aqui tá horrível! – Digo, já me preparando para apagar, mas ele toma o telefone de mim. – Apaga essa merda!

– Nem fodendo.

– Qual é, eu tô com a cara emburrada! Tá ridículo isso!

– Por isso mesmo. – Ele diz, com um sorriso debochado no rosto. – Eu amo quando você fica com essa cara de marrenta, por isso é a minha marrentinha.

Meu rosto cora, junto as sobrancelhas e bufo com a bochecha estufada. Butch sorri ainda mais com a minha expressão.

– É dessa cara que estou falando. – Ele se levanta, põe uma mão em minha cintura e me puxa para perto, enquanto a outra alcança meu rosto e me acaricia. – Minha marrentinha linda.

– Meu idiota.

Nossos lábios se juntam e começamos a nos beijar com uma certa ferocidade. O moreno adentra a língua na minha boca em poucos segundos de beijo, o elevando rapidamente para algo mais intenso. Passo a mão por seu peitoral e alcanço seus cabelos negros, puxando-o para mais perto de mim.

Suas mãos passam por minha barriga exposta até alcançar meu top, ele toca de leve meus seios, até mesmo apertando, depois sobe para meu pescoço, aninhando os dedos na ponta de meus cabelos. Nossas línguas roçavam com precisão até que eu cortasse o contato dos lábios para beijar seu pescoço, ato que ele pareceu gostar.

Desce as mãos para minha cintura novamente, eu achava que ele desceria até minha bunda, mas não o fez. Mesmo namorando sério, ele ainda mantinha total respeito em relação a mim e meu corpo, aliás, é o mínimo que ele deve ter. Mas ousado ele sempre foi, e devido o local onde estávamos, ele não elevou aquilo para algo mais... Íntimo. Até que a família aceite numa boa, não dá pra transar aqui em casa de jeito nenhum. Não que eu esteja pensando em transar agora... Ou estou? He he.

Quando paro de beijar seu pescoço, Butch me dá um selinho demorado e carinhoso. Começamos a nos olhar com ternura, sem desmanchar os sorrisos por um minuto.

– É impressão minha, ou ficamos mais melosos? – Pergunto descontraidamente, ele ri.

– Não sei. – Ele responde, depois converte o sorriso para aquele outro sorriso malicioso e cheio de charme. – Só sei que essa sua roupa apertada de academia e esse seu corpo suado estão me deixando louco, e eu tô tendo que me segurar pra valer, Bc.

Não consigo conter uma risada.

– Isso é algum tipo de chamada para o sexo?

– Interprete assim. – Ele diz, rindo também. – Mas é sério, você tá muito sexy e eu tô muito carente. E somos meio que namorados, sabe.

– Você adora essas palavra, né? Namorados, namorada...

– Como não adorar? Eu sou o cara mais sortudo do mundo, tenho justo você pra chamar de namorada. – Ele diz, depois me dá um selinho rápido. Me encara por alguns segundos. – Tem razão, ficamos mais melosos.

– Eca.

– Eca. Vamos parar com essa palhaçada o quanto antes, por favor.

– Já ia pedir isso. – Voltamos a uma outra troca de risos, que são cortados assim que começo a encará-lo com uma expressão maliciosa. – E respondendo ao seu chamado... Seus irmãos vão pra uma festa hoje a noite, não é?

– Isso aí. – Diz ele, sorrindo maliciosamente.

– Ótimo.

E nos beijamos. Já devem ter imaginado o que houve há noite. Quebramos a cabeceira da cama dele.

– FLASHBACK OFF –

Suspiro mais uma vez, sem tirar os olhos da foto por um minuto.

Não conseguia parar de sorrir nem que eu tentasse, as lembranças que tínhamos juntos eram as melhores do mundo, e elas sempre me faziam sorrir que nem boba. Analiso um pouco mais a foto, reparando em cada detalhe do sorriso do moreno. Uma das melhores coisas do mundo é me deixar viajar em meus pensamentos enquanto vejo aquele sorriso.

Mas meus pensamentos são interrompidos quando uma taça de vinho pousa em minha frente, roubando toda a minha atenção. Butch estava me entregando uma taça enquanto bebia outra, segurei-a em minhas mãos e o moreno sentou-se ao meu lado sem dizer nada.

E lá estávamos nós, sentados no sofá e num maldito silêncio agoniante. Seus olhos estavam vidrados apenas em sua bebida, e percebi algumas olhadas sobre a minha também. O analiso da cabeça aos pés, ele ainda estava tenso e com as sobrancelhas juntas, seus lábios estavam cerrados e respirava com força. Pelo visto ainda está nervoso.

Bebo um gole da taça e quebro o silêncio.

– Como foi a viajem?

Ele parece se surpreender com a pergunta, demora alguns segundos para respondê-la.

– Normal. – Ele diz, bebendo mais um gole de sua taça. – Na verdade... Bem turbulenta. Muitas brigas entre mim e Brick.

– Entendo.

Eu já esperava que eles fossem brigar, afinal vivem brigando. Mas sem que percebesse, seu comentário levava ao assunto pelo qual viemos discutir. E sim, era por causa disso que ambos estávamos tão tensos e num silêncio tão estranho.

Olho para Butch, que não mudava a expressão séria por um minuto. A cada gole que eu dava em minha taça, ele virava um pouco o rosto para mim, mas olhares um tanto apressados, e também... Agoniados?

Suspiro. Sinto-me incapaz de prosseguir com essa tortura por mais um minuto.

– Butch. – Encaro o moreno nos olhos, que logo se vira para mim, ainda com uma expressão séria. Junto as sobrancelhas e respiro fundo. – O que quer que você tenha para me dizer... Diga-me agora.

O moreno não muda a expressão por um minuto, e eu já estava sentindo falta daquele pequeno esboço de um sorriso. Butch estava seco, quase sem expressão, e quando se tratava de mim ele nunca ficava desse jeito. A sua boca estava trêmula como antes, o que o impediu de começar a falar diversas vezes, mas eu o esperei atenciosamente.

Vendo Butch naquele estado me dava um grande aperto no coração, as coisas não poderiam prosseguir dessa maneira. Me aproximei dele e encosto minha mão na sua, apertando-a em seguida, aquilo o tranquilizou um pouco. Butch voltou seu olhar para mim novamente, tendo a visão de um sorriso sereno em meu rosto, afinal, alguém ali precisava deixar a situação menos tensa.

Respiro fundo e corto o silêncio mais uma vez.

– Eu amo você, Butch. – Digo calmamente, pondo a outra mão em seu rosto, acariciando a pele quente do meu parceiro. – Mesmo... Mesmo que o que você tenha a me dizer doa muito... Eu não vou deixar de sentir o que sinto.

Seus músculos relaxam e sua boca para de tremer. Seus olhos esbugalhados também relaxaram e tomaram uma pose mais calma, porém ainda vazia.

Revira um pouco o olhar de mim.

– Esse é o meu medo... – Antes que eu pudesse indagar, ele me puxa para mais perto de seu rosto e me beija, provavelmente o beijo com mais ternura que ele já havia me dado. Não muito demorado, nem muito rápido. Foi um beijo como qualquer outro, mas com uma imensidade de sentimentos. Olhamos nos olhos um do outro com carinho, mas não estávamos sorrindo. Era essa falta de troca de sorrisos que estava me incomodando. – Eu também amo você, Buttercup...

Eu amava quando ele dizia essas palavras, um sorriso logo brotou em meu rosto, mas eu ainda sentia falta do sorriso dele. Suspiro, pego a taça na mesinha para beber mais um gole, e...

Espera... Mas o que é isso?...

Começo a sentir minha cabeça rodando numa intensidade mais que insana, minha visão estava se desfocando e estava perdendo a força de meus braços. Junto com isso, veio uma imensa vontade de vomitar e algumas lágrimas começaram a escolher em meu rosto.

*CRACK*

O vidro se espatifou no chão. A taça havia escorregado de minha mão sem que eu me desse conta de que não estava conseguindo segurar mais nada, tudo o que consegui foi pôr a mão em minha testa, que nunca esteve doendo tanto em toda a minha vida, e parecia que ela estava pegando fogo. Parecia que uma manada de elefantes haviam me pisoteado naquele momento.

Me apoio no ombro do moreno, me segurando com força para não cair de cara no chão. Minha respiração estava desregulada e eu estava arfando com força. E eu estava sentindo uma dor imensa em meu peito. Minha cabeça. E quase todo o corpo.

– Butch... – Arfo, falando com extrema dificuldade. – O que... Está havendo... Comigo?...

O moreno fica em silêncio por alguns segundos, não move nenhum músculo, não expressa nenhuma reação diferente ao me ver naquele estado. Aquilo não estava me cheirando nada bem.

Que diabo está acontecendo com meu corpo?... Essa dor toda... E mal consigo me mexer... E o Butch... Porque ele não...?

Meus pensamentos são interrompidos quando o indicador do moreno pousa em meu queixo, puxando meu rosto para cima e me dando a visão de uma expressão nunca vista. Hãn?...

Butch estava com as sobrancelhas juntas e um olhar penetrante, não aquele que me seduz, mas um olhar intimidador. Seus lábios estavam cercados por um sorriso difícil de ser narrado, era um sorriso maligno, perverso, cruel. Parecia muito com o sorriso de... Brick.

Arregalo os olhos, ainda com uma certa dificuldade pois meu corpo inteiro estava sem forças, e minha vontade de vomitar ou de desmaiar se elevava a cada segundo. Um risinho escapa de sua boca.

– Mas assim como dizem, minha querida... O amor sempre nos trai.

... O que?...

Sem desmanchar a cara, Butch se levanta, me deixando sozinha no sofá, eu estava tendo que me segurar nas almofadas para não deslizar até o chão. Toda a dor que eu estava sentindo no corpo toda fora ignorada, afinal, eu estava totalmente perdida e vulnerável diante daquele outro Butch a minha frente. Definitivamente, aquele não era meu namorado.

Ele pegou a jaqueta que estava em cima de uma almofada e a pôs de volta, olhava para mim e meu estado sem pudor algum, na verdade, parecia estar nem ligando. Aquele sorriso cruel estava contagiando a minha mente, invadindo cada um de meus sentidos e fazendo meu coração se apertar ainda mais, não de dor, mas de sofrimento.

As lágrimas em meu rosto intensificaram na queda.

– Do que... – Começo a falar, ainda cheia de dificuldade e arfando sem parar. – Você está falando...?

Aquele sorriso não saia dali, e estava penetrando cada vez com mais profundidade o meu coração. Ele me encara nos olhos daquela maneira intimidadora de antes, o que me transmitiu mais arrepios ainda no corpo, que ficava mais fraco a cada minuto.

Depois de um tempo me encarando, se vira de costas, começando a caminhar até a janela da sala.

– Francamente, garota... – Ele diz, num tom de arrogância irreconhecível. Ele ainda estava de costas para mim enquanto fechava as cortinas. – Você pensou mesmo... Que um demônio como eu seria capaz de amar?

Meus olhos se arregalam mais ainda e meu coração trava um pouco, agora Butch estava me fazendo chorar por uma dor muito maior que a que eu estava sentindo no corpo todo. Algo em mim não estava querendo acreditar que ele estava realmente dizendo aquilo, e essa voz falava alto dentro de mim, como se eu estivesse implorando pra acordar de um pesadelo.

Não... Não pode ser verdade... O Butch não... Tudo menos isso, Butch...

– Mas... Mas você disse que me amava...

Ele olha para mim, com aquele olhar maligno e um sorriso debochado no rosto, o mesmo começou a soltar uns risinhos para mim. Se aproximou de mim num movimento rápido e segurou meu pescoço, de certa forma, me apertava um pouco. Parecia até que estava me enforcando. Esse olhar... Não...

– Menina idiota. – Dizia ele, num tom que recusava acreditar que ele estava usando. – Acha mesmo que eu amaria você, uma menina tão desesperada por amor a ponto de recorrer ao cara menos confiável possível?

– Butch... – Suplicava, enquanto as lágrimas ainda escorriam por meu rosto. – Me diz... Que não é verdade...

– Olhe só pra você, Buttercup. Tão fraca. Tão vulnerável. – Ele vai se afastando aos poucos, e tirando as vozes na minha cabeça, seus passos suaves eram tudo o que eu conseguia ouvir. –Não faz ideia de quanto tempo esperei... Pra ver a mais forte das Super-Poderosas cair dessa maneira.

– Não... – Junto todas as minhas forças para falar a única coisa que sou capaz de dizer. – Não, Butch... Não...

– Quem diria que uma paixonite seria o suficiente pra derrubar toda aquela sua muralha.

– Bu-

Não consigo terminar de falar, pois acabo vomitando. Era uma sensação estranha e horrível, definitivamente não era um vômito comum, abro os olhos e vejo que um líquido preto acabara de vazar pela minha boca, o que me fez arregalar os olhos mais ainda.

Minha garganta estava ardendo como se estivesse pegando fogo, parecia que ácido havia sido escorrido pela minha boca toda, e estava queimando toda a extensão de meus lábios. Era um líquido misterioso, no entanto, bem familiar. O cheiro não me era estranho, a textura menos ainda. Mas toda a minha atenção foi tomada pelo moreno a minha frente, que a cada palavra que saia da sua boca, fazia mais lágrimas escorrerem dos meus olhos.

– Como viemos aqui pra isso... Vou esclarecer as coisas. – Ele se aproxima ainda mais de mim, me olhando com aquela expressão cruel. Eu já estava começando a perder os nervos, e só não enlouqueci porque estava fraca demais pra ter alguma reação mais intensa. Deus... Por favor, me diga que isso não está acontecendo... – Começou com aquela famosa... “Aposta”. – Ele começa a caminhar ao redor da sala com as mãos para trás, mas em minuto algum desvia o olhar de mim, que já havia deitado minha cabeça na almofada por não ter mais forças para me segurar. – Bom... Como já sabe, eu e meus irmãos fomos ressuscitados por ELE. Ele nos treinou, nos deu uma nova razão para continuarmos vivos, e devemos tudo a aquele cara. O ELE nos disse que nascemos para destruir as Meninas Super-Poderosas... E foi o que nós planejamos fazer a vida inteira, mas quando você e suas irmãs estúpidas o aprisionaram no inferno há onze anos atrás, nos demos conta de que não estávamos páreos para vocês ainda e vazamos da cidade. Após um tempo, ELE conseguiu entrar em contato conosco novamente, e com ele nossa ambição ganhou propósito novamente. – Ele fez uma breve pausa, pega sua taça de vinho na mesinha ao lado do sofá e bebe um gole, volta a caminhar em círculos pela sala com a taça na mão. – Os anos se passaram, ELE continuava a nos treinar para o dia em que finalmente derrotássemos vocês, mas como fomos nos tornando adolescentes descompromissados, acabamos deixando isso um pouco de lado e caímos na farra. Mas... Eu e Brick começamos a fazer umas apostas entre nós dois, no começo era só uma brincadeira, mas com o tempo acabamos levando isso a sério demais e isso ocasionou milhares de brigas. Aquele desgraçado sempre dava um jeito de me ganhar, e eu já estava devendo uma grana preta pra ele, tanto que até tentei conseguir um pouco em Las Vegas, mas não deu muito certo.

Quanto mais ele falava, mais eu perdia a minha habilidade de falar graças ao misterioso líquido preto que escorria pela minha boca, junto com minhas lágrimas, e meus arrepios no corpo que se intensificavam a cada pausa que o moreno dava. E as vozes em minha cabeça ainda brigavam entre si, uma querendo que tudo aquilo fosse mentira, e outra encarando a verdade e me transmitindo a maior vontade do mundo de levantar dali e socar seu rosto até que eu conseguisse esmagar seu crânio e ele morresse.

Butch dá um último gole na taça, deixando-a em qualquer lugar da sala, o mesmo não perdeu muito tempo e prosseguiu sua história.

– Quando voltamos a Townsville, fomos a um bar e ficamos meio chapados, lá, Brick me propôs mais uma aposta, e essa me livraria de todas as minhas dívidas. – Butch começou a revirar mais o rosto, parecia que quanto mais ele falava, menos ele queria me olhar nos olhos, escondendo alguma coisa. Mas a mistura de coisas que estava sentindo naquele momento me impediu de pensar muito a respeito. – Ele disse... Que eu precisava ficar com uma Super-Poderosa, mas não só ficar, eu precisaria transar com ela e ficar um determinado tempo com ela até que ele dissesse que não era mais necessário. E para mim, realmente foi uma proposta muito pesada, já que sempre tive nojo de vocês. Mas eu aceitei, e fui fisgar a primeira que mordesse a isca.

A cada palavra que saia da boca dele, me feria mais, me fazia querer levantar dali o quanto antes pra matar ele de porrada, ou simplesmente fugir pro outro lado do mundo. Mordi meus lábios com força, tentando segurar mais as lágrimas, estava me convencendo aos poucos que não poderia chorar na frente desse homem.

Eu caí feito um patinho nas garras desse monstro... E poderia ter disso com qualquer uma de nós três... Por que isso tinha que acontecer comigo?? PORQUE BUTCH??

Ele não me olhava mais nos olhos, mas continuava com aquela expressão maléfica.

– E confesso... Que nunca imaginei que a mais fácil de fisgar seria justo você. – Diz ele, rindo um pouco. – Você sempre foi cabeça-dura, machona, era a que eu mais estava procurando evitar. Bubbles era a mais indicada, claro. Afinal, além de ser a mais gostosa, é a mais tonta e num estalar de dedos eu teria ela na mão. Mas você... – Ele agora olha em meus olhos, com a cara mais sínica do mundo, saboreando-se do meu sofrimento. Um risinho sai de seus lábios. – Você estava tão sozinha... Tão carente... Foi fácil demais. A pobre Buttercup, tão solitária e sem amigos, estava num período de brigas com as irmãs, e ainda por cima ainda não havia superado a frustração com o ex-namorado. – Ele se aproxima de mim, me encarando de perto. Nunca pensei que tê-lo perto assim pudesse me ferir tanto. – Foi como roubar doce de criança.

Junto minhas sobrancelhas e agora o encarava com ódio. Aquele sorriso estava apenas me dando mais vontade de soca-lo até seu rosto inteiro ficar roxo, eu nunca havia sentido uma sede tão profunda de vingança. E ao mesmo tempo, nunca havia sentido um sofrimento tão grande em meu coração.

– Seu... Monstro...

– Você ainda não viu nada, docinho. Pensa que acabou? – Ele põe os dedos em meu queixo novamente, mas eu estava mais do que incapaz de reagir, estava fraca demais até para falar, quem dirá me mover. – Bom... Como as coisas com você foram indo certo até demais, acabei conseguindo informações sobre as Super-Poderosas que nem eu mesmo imaginaria conseguir. Acabei descobrindo todos os seus pontos fracos, suas limitações e fraquezas, quando não era sobre você, você comentava comigo algo sobre suas irmãs. E quando Brick se deu conta do quanto nossa relação de mentirinha seria útil... O verdadeiro plano foi criado, e nossa ambição voltou a ser nosso foco de vida. E hoje... Ele finalmente foi colocado em prática. – Butch passa o dedo no líquido preto que escorria na minha boca, mostrando ele para mim logo em seguida. – Buttercup, tem ideia do que seja isso?

Eu não consegui responder sua pergunta, estava totalmente sem forças para isso, tudo o que eu consegui era apenas escutá-lo. Butch se afastou um pouco mais, mas ainda apontava o dedo sujo com o líquido perto de mim.

– Isso, minha querida... É o que você chama de Elemento X. – Meus olhos se arregalam com sua resposta graças ao espanto. – Em meio de nossa viagem... ELE nos deu uma poção capaz de reverter todo o processo que o Elemento X provoca na pessoa em que o ingere. Em outras palavras, toda Super-Poderosa que provar dessa poção vai colocar pra fora todo o Elemento X que há em seu corpo, e assim-

– Perder seus poderes... – O interrompo com as forças que me restam, e também sem poder crer a que ponto aqueles Desordeiros chegaram. – Eu não... Consigo acreditar... Depois de tudo o que vivemos... VOCÊ FOI CAPAZ DE TIRAR ATÉ ISSO DE MIM?!?

Minha voz estava alterada, tanto pela raiva quanto por estar rouca graças a todo o elemento químico que escorreu pela minha garganta. Butch fica em silêncio, sem se mover por alguns segundos, depois o moreno caminha até a janela que ainda estava com a cortina aberta. Fica parado de frente para a janela, parecia estar observando a paisagem, mas estava mesmo era vendo seu próprio reflexo no vidro.

Ele tirou meus poderes... Me fez de boba, me enganou esse tempo todo... Mentiu pra mim todo esse tempo enquanto eu suspirava por causa dele, e eu... Eu não consigo me levantar da PORRA DESSE SOFÁ! NÃO CONSIGO FAZER NADA! NADA!

Um sorrisinho brota no canto de seu rosto.

– Não pense que é a única. – Ele diz, fechando a cortina logo em seguida. – Meus irmãos se encarregaram de dar a mesma poção para as suas irmãs enquanto estamos aqui, não duvido nada que as duas já a tenham bebido.

O que?

Meu sangue começa a ferver ao perceber que minhas irmãs tinham sido envolvidas nessa história, e minha fraqueza era a única coisa que me impedia de pular no pescoço daquele desgraçado. Mais lágrimas escorrem por meu rosto, e eu começo a sentir ódio delas. Ódio de mim mesma por ter sido enganada dessa maneira, ódio por amá-lo, ódio por estar sofrendo. E acima de tudo, estava com ódio de Butch.

Aperto a almofada com força, prensando minhas unhas contra ela e furando o tecido. Meus dentes estavam cerrados e meus olhos estavam mais esbugalhados que nunca.

Junto todas as forças que me restam e me levanto num impulso, a grande dor de cabeça tornava quase impossível ficar de pé, minhas pernas estavam bambas e minha respiração estava fraca. E não, não houve um momento em que as lágrimas pararam de cair.

Ele ainda estava de costas e não me viu levantar, de longe podia sentir seu perfume, o mesmo me trazia de volta todas as lembranças, que agora pareciam algo totalmente distante. Essas lembranças, que tanto amava, estavam me ferindo. Eu o amava. Mas o homem por quem me apaixonei não mais existe. Nunca havia existido.

Nada havia sido verdade. Nada.

Butch vira o rosto para trás e me olha com surpresa, me analisa da cabeça aos pés com a sobrancelha levantada. Fica sem reação por alguns minutos, depois quebra o silêncio.

– É impressionante que consiga se levantar. – Ele diz, num tom meio debochado. – Sabe Bc, não adian-

– Escuta aqui, Butch... – O interrompo, ainda com dificuldade para falar. Estava cada vez mais difícil me manter em pé, e não conseguia fechar a boca por estar arfando. – Você... Você pode ser o maior canalha que já existiu... Pode ter me usado, me ferido, ter brincado com meu coração da maneira mais desumana possível... Até foi capaz de tirar meus poderes... – As lágrimas continuavam a cair, e tive que me controlar para não soluçar. Butch estava sério, prestando atenção, e quanto mais ele me analisava, mais ódio e dor eu sentia. – Eu me entreguei a você... De diversas maneiras. Até do meu corpo você abusou. É incrível como sou idiota, não é? – Digo, pondo um sorriso no canto do rosto, debochando de mim mesma. É mesmo impressionante como eu fui tão estúpida. Mas o sorriso logo se converteu para uma expressão séria, cheia de rancor. – Mas acima de tudo, Butch... Eu te amava... Te amava como nunca amei ninguém... Queria cuidar de você, construir um futuro com você... Mas tudo o que você fez, e cada palavra que saiu da sua boca... Pouco me importa mais. Não passa de um monte de lixo.

Ficamos e silêncio por um tempo, Butch não apresenta reação alguma, fica ali parado, me olhando com a mesma expressão de antes. Ele realmente foi capaz de fazer isso comigo... Não dá pra acreditar no quão canalha essa pessoa é.

Cerro os dentes e fecho meus punhos com força.

– E nada... Nada disso, Butch... Me deixa com mais ódio do que saber que você e seus irmãos malditos encostaram em um fio de cabelo das minhas irmãs! – Com toda a força que me resta, ando em sua direção com o punho fechado, preparado para um soco. Mesmo fraca, não conseguia conter essa vontade louca de extravasar minha raiva. – Pode partir meu coração! Pode até tirar meus poderes! MAS NUNCA, JAMAIS, MEXA COM A MINHA FAMÍLIA!!!

Nem sou capaz de encostar nele, o moreno desvia e segura meus braços logo em seguida. Além de estar sem nenhum de meus poderes, eu estava extremamente fraca e frágil, e Butch se aproveitou muito bem disso.

De costas para mim, segurava meus braços com uma só mão, de uma maneira que me deixava incapaz de me mover. Fincou o rosto em meu pescoço e pude sentir seu perfume de perto. Meu coração bateu mais forte diante do homem que me traiu, o que me dava uma vontade mais intensa ainda de chorar.

Merda cara... Merda... MAS QUE MERDA!!

– Me solta! — Tento me soltar, mas ele era forte demais. Mais lágrimas escorriam por meu rosto enquanto eu ia cedendo, sem conseguir me segurar, começo a soluçar em meio de meu choro. – Eu odeio você...

– Shhhh... Fica quietinha. – Butch me segurava sem muita força, não era necessário. O moreno ainda estava com o rosto em meu pescoço, roçando seu nariz em minha nuca, depois em meus cabelos. Após alguns minutos em silêncio, apenas com o som do meu choro sendo escutado, ele volta a falar. – Acho... Que já está na hora de acabar com isso.

Ele, ainda segurando meus braços, me leva até a porta do laboratório do Professor. O que ele quer aqui? Entramos lá dentro e ele desce as escadas comigo, chegamos rapidamente ao subsolo e paramos na ala dos elementos químicos.

O moreno não só me solta, como também me joga no chão. E eu, sem forças para levantar, tento me apoiar em meus braços. Vejo-o pegar algo no meio dos frascos, e logo o Elemento X estava em suas mãos.

Arregalo os olhos e ele vira seu olhar sério para mim. Minha boca trêmula pelo menos ainda consegue falar.

– O que... O que vai fazer com isso?

Um sorriso brota em seu rosto, que logo depois é revirado.

– Digamos que isso seja a chave para a nova era. – Butch começa a caminhar até a saída do laboratório com o Elemento X em suas mãos, caminhava sem pressa e muito confiante. Enquanto eu estava lá no chão, jogada, incapaz de levantar e reagir, e mesmo que eu tentasse impedi-lo, seria inútil. – Com a ajuda do Elemento X, vai ficar muito mais fácil para mim e meus irmãos tomarmos conta, não só de Townsville, mas do mundo todo.

Fico paralisada pensando no que ele havia dito. Perco o equilíbrio de meus braços e acabo caindo de cara no chão, um pouco mais de líquido acaba escorrendo de minha boca após a queda.

Esses malditos... Eles vão usar o Elemento X para ficarem mais fortes. E sem nossos poderes, não poderemos fazer nada! Tudo será destruído! O mundo entrará em desordem!

Com todas as forças que me restam, rastejo até onde ele estava e seguro seu pé.

Eu não posso deixar isso acontecer... Não posso...

O olho com ódio, enquanto ele me lança um olhar totalmente sem pudor nem piedade. Cerro um pouco os dentes, logo após os olhos. Respiro fundo e junto forças para falar.

– Você... Não vai... Sair ganhando nessa...

Ele fica em silêncio por um tempo, depois se agacha até o chão e toma meu queixo com os dedos, me olhando com aquele olhar intimidador e sem pena. Sorri com as sobrancelhas juntas.

– Menina idiota, eu já ganhei. – Se levanta e sobe as escadas, abre a porta e pega a chave dela, me dá uma última olhada intimidadora com um sorriso no rosto e me zomba. – Obrigado, Bc. Eu não teria conseguido sem você.

E fecha a porta, trancando-a em seguida e me deixando presa, jogada no chão do laboratório. O meu corpo estava tremendo, não só pela dor, mas por todo aquele impacto em menos de uma hora. Eu estava sem chão, sem razão, sem mais nada pelo qual confiar. Simplesmente não conseguia acreditar no que havia acabado de acontecer.

Tudo o que cuidei com tanto carinho para que desse certo acabara de me apunhalar pelas costas, definitivamente uma facada nas costas doeria bem menos que a dor que eu estava sentindo naquele momento. Meus olhos estavam arregalados e as lágrimas não paravam de cair, minha boca estava trêmula e meu corpo estava totalmente sem forças pra subir aquelas escadas e tentar arrombar aquela porta para tomar alguma atitude.

Soluçava em meu choro, chorava alto e colocando toda a dor para fora o máximo que podia. Mas tudo era em vão naquele momento. Nada mudaria o fato de que eu havia perdido o meu amor, um amor que nunca me amou de volta e me usou para conseguir o que queria, e como bônus tirou tudo aquilo que eu tinha de mais precioso.

Meus poderes... Minha família... Minha cidade... Tudo está arruinado... Tudo... E o que eu posso fazer?...

Olho para cima e vejo uma foto de minha família na escrivaninha onde o Professor fazia suas anotações. Nós três e ele estávamos sorrindo, o que me fez lembrar dos tempos em que tudo estava bem, tempos antes dele aparecer na minha vida. Tomo um pouco mais de minha atenção para Blossom na foto, e minhas lágrimas se intensificam mais. E pensar... E pensar que ela só estava tentando me proteger disso tudo...

Ponho as mãos no rosto, chorando mais, soluçando mais, e botando mais aquela tristeza que parecia infinita naquele momento. E quanto mais o tempo passava, mais fraca eu me sentia, e mais perdida eu ficava. Sem saber o que fazer, como agir, e como reagir diante de toda aquela confusão. Principalmente diante de toda aquela dor.

Você tinha razão, Blossom... Tinha razão sobre tudo o que disse...

POV Butch:

Tranco a porta para que não houvesse maneira alguma dela escapar, assim como planejado, tudo estava indo como deveria ser. No entanto, não bastaram nem dez segundos para milhares de lágrimas escorrerem de meus olhos quando aquela porta foi fechada, selando de vez qualquer chance de um dia eu poder viver feliz com o meu amor.

Encaro a porta por mais um tempo, lembro de todas as coisas horríveis que eu havia dito, mentiras que havia contado, dos sentimentos horríveis que fingi sentir, do sofrimento que a fiz passar. E tudo isso deve a minha maldita vontade de protegê-la. As coisas que faço por ela.

Respiro fundo e passo a manga de minha jaqueta nos olhos, tentando enxugar as lágrimas, mas é totalmente em vão pois elas continuam a escorrer com intensidade, principalmente por ser capaz de ouvi-la chorar lá dentro.

– Me perdoe, Buttercup... Me perdoe... – Resmungo baixinho, enquanto dou uma última olhada na porta. Caminho até a porta da casa e saio de lá, quando fecho a porta de entrada, respiro fundo e sigo meu caminho. – Nada disso será em vão... Eu prometo...

Voou pelos céus, indo em direção do salão de festas onde tudo estava sendo realizado. Começo a imaginar se os dois realmente envenenaram as outras duas, e também começo a me perguntar como irei conseguir inverter toda essa confusão. Eu tinha um plano, mas ele tinha falhas, e eu não poderia falhar. Não dessa vez. Chega de fazer merda o tempo inteiro.

Mais uma vez as lembranças de alguns minutos atrás invadiram meus pensamentos e me deram uma grande dor no peito. Respiro fundo, tentando relaxar.

Eu disse coisas... Tão cruéis... Tudo no qual eu estava conseguindo pensar no momento era Buttercup, no que ela estaria sentindo, e o que ela pensava a meu respeito naquela hora. Se bem que eu não poderia manter as esperanças de um dia ser perdoado. Suspiro.

Prefiro que ela me odeie do que morrer ao meu lado.

Eu já estava perto do salão de festas, portanto vou começando a pousar no chão. Ponho uma mão no bolso, enquanto passo a outra no meu rosto, enxugando minhas lágrimas.

Com certeza se eu dissesse que iria enfrentar Brick... Ela iria querer lutar ao meu lado. Brick é forte demais, e com esse Elemento X... Nem sei se eu mesmo serei capaz de vencê-lo, mas depois de tudo o que eu fiz, não posso deixa-la se sacrificar dessa maneira.

Fico de frente para o salão, do lado de fora escuto alguns gritos, sinal de que os dois já deveriam ter causado um alvoroço lá dentro. Respiro fundo e caminho até lá dentro.

Buttercup... Eu vou fazer o meu melhor para salvar essa cidade por você. Vou salvar sua família, seus amigos, e todos aqueles que você ama. Vou me redimir por todas os meus erros, e mostrar pros meus irmãos que o Butch que eles conheciam mudou... E por você, marrentinha.

Seguro a maçaneta da grande porta, me preparando para empurrar. Mais uma vez me encontro em suspiros pensando no que estava por vir.

Eu vou te proteger, meu amor... Custe o que custar.

Mesmo se você me odiar...

Ou mesmo que eu morra...

... Viva.

POV Buttercup:

As lágrimas desciam por meu rosto e meu corpo se estremecia mais e mais. Até mesmo arfar estava se tornando complicado para mim, e eu estava dependendo disso para respirar. A dor não cessava de jeito nenhum, muito menos todo aquele sofrimento e dor no peito.

De repente, todos os meus pensamentos são interrompidos quando escuto algo batendo com força na porta do laboratório, provavelmente tentando arromba-la. Um pingo de esperança pousa em meu coração. Olho na direção da porta e sussurro baixinho, era o tom máximo de voz que eu conseguia usar:

– Socorro...

Depois de mais algumas batidas, a porta é arrombada, e vejo sombras se aproximando. Olho para cima e vejo que estou rodeada de pessoas. Cinco para ser mais precisa. Uma delas me toma nos braços com cuidado, o cheiro dela ela familiar, e sua voz havia lhe entregado.

– Buttercup! Você está bem??

– Ace...

Continua...

Notas finais
Então... Devastador como acho que foi? Mano, maior drama que já escrevi na vida, sem brincadeira. Fiquei incrementando ele um monte de vezes porque pra mim nunca estava bom, mas acho que dei meu melhor pra ficar convincente. Só tenho medo de não ter expressado muito bem o lado do Butch, mas qualquer dúvida venham tirar comigo ;). Bem, espero reviews chorosos dos meus leitores que tanto amo e faço sofrer kkkkk. E principalmente, espero que tenham gostado. Logo logo começarei a escrever o capítulo 30 (Pra quem tá gostando do Ace, vai gostar bastante do próximo capítulo). Até a próxima o/ Kissus ♥