Playing With Fire
17 Situação inversa
Notas iniciais
Não sou o cara mais indicado para cuidar de uma bêbada, mas parece que Buttercup não tinha condições de se virar nesse estado, e muito menos eu de deixa-la ali e fingir que nada estava acontecendo. Meu bom senso fora mais forte que eu dessa vez.
Eu a carregava com seu braço envolvendo meu pescoço, praticamente arrastando seus pés no chão, enquanto a mesma permanecia com a garrafa de uísque na mão preenchendo a boca com o líquido a cada vinte segundos. Ela parecia mesmo implorar por uma ressaca, ou quem sabe, simplesmente esquecer o que houve essa noite. O segundo palpite era mais razoável levando em conta o fato de que ela foi derrotada por mim de forma justa. Buttercup é do tipo que não admite estar errada em hipótese alguma. E eu adoro isso nela.
Fomos até o carro de vagar, sem correr risco de ela ficar ainda mais tonta e vomitar em cima de mim. A coloco no banco da frente ao lado do volante, estava tão tonta que tive que ajuda-la a por o cinto de segurança, em seguida entro no carro e dou partida, enfim saindo daquela mansão lotada.
A morena não parava de beber por um instante, por mais que eu a aconselhasse parar ela não me escutava, se recusando a tirar a garrafa das mãos, ainda com outras inúmeras garrafas de diferenciadas bebidas alcoólicas na bolsa. Francamente, parece até que eu estou cuidando de uma criança.
O clima parecia tranquilo, por incrível que pareça, não estávamos discutindo mais. Na verdade tudo parecia normal. Normal até demais. Buttercup nunca esteve tão calma antes. E isso sim chegava a ser anormal.
– Quem diria, não é, Butch? – Ela comenta, cortando o silêncio.
– Como?
– Estamos na situação totalmente oposta da ultima vez em que você ficou embriagado. – Responde, com um tom de voz doce e amável. Já estava começando a ficar esquisito. – Massssssssss dessa vez eu reverterei os acontecimentos finais também.
– Eu não tô entendendo merda nenhuma que você tá falando.
Num movimento surpresa, ela acaricia meu rosto, sorrindo maliciosamente, porém fora de seu estado normal. Tentei com todas as minhas forças focar-me na direção, enquanto ela, por sua vez, acabara de entrar no “segundo nível de bêbado”. O nível da sedução.
– Eu tô dizendo que hooooojeee... – Aproxima a boca do meu ouvido, roçando os lábios em meu lóbulo direito, trazendo arrepios leves ao meu corpo que me estimulavam mais do que deviam. – Eu deixo você fazer o que bem entender comigo...
Sua voz rouca e sensual já estava me tirando do sério. Aquele simples ato fez-me sentir um aperto sobre as calças. Mas que merda! Isso não é hora pra ficar duro! Respiro fundo, tento conter minha excitação para não causar um acidente na estrada. Caso eu não me controlasse, daria por agarrar a morena ali mesmo para render-me à tentação e ao desejo.
E se eu o fizesse, ela me mataria amanhã.
Solto um sorriso de canto, ainda me concentrando na escura e vazia estrada de Townsville.
– Cale a boca, Bc. – Digo. – Você está bêbada. Não sabe o que está dizendo.
– Você também estava bêbado daquela vez. E nem por isso eu te impedi de me seduzir. – Responde, jogando sua indignação na minha cara. Eu não me lembro de nada do que aconteceu naquela noite, portanto eu mal entendia as merdas que saiam da boca dela. – Você quase me estuprou, praticamente.
– Como é?!? – Indago. A sua resposta havia me calado fundo, a ponto de fazer-me frear loucamente contra o sinal que estava fechando.
– Isso mesmo, seu merda! – Ela altera a voz. — E depois jogou a culpa no álcool, dizendo que nem se lembrava do que tinha feito. Caso não saiba, aquilo partiu meu pobre coraçãozinho.
Ela fez uma cara de cão-sem-dono. Agora não sabia se ela estava apenas brincando com a situação, ou talvez tivesse pulado alguns níveis de bêbado e chegado ao nível da depressão. Como ela logo trocou seus olhos lacrimejados por um sorriso alegre, eu logo percebi que ela estava apenas zoando com a minha cara.
– Você está vomitando merda outra vez. – Respondo, rindo um pouco.
Eu devo dizer, ela fica bastante engraçada quando está bêbada. O mais interessante é que Buttercup, mesmo com a garganta banhada por uísque, vodka, grim, entre outras diversas substâncias capazes de deixar o bêbado completamente inconsciente, conseguia se manter mais apta para achar o caminho de casa do que eu mesmo.
Isso era o que o meu maldito orgulho masculino detestava admitir.
– Fala sério, Butchinho. Em que diabos de lugar dessa cidade você nos meteu? – Pergunta, num tom de voz suave. – SE É QUE AINDA ESTAMOS NA MESMA CIDADE!! – Ela altera a voz, começando a gritar, me dando um susto.
– Você quer ficar calma?!!
– Tudo bem, eu fico. – Ela volta ao estado suave. Nossa, quer dizer que ela fica bipolar assim quando bebe demais?
– Não se estresse. – Começo. – Só peguei um caminho mais longo pra ver se você esfria a cabeça.
– Pelo menos não estamos no meio do nada que nem no dia daquele show. – Ela comenta. – Caso estivéssemos, eu já teria arrancado sua cabeça. – Completa a frase, não em tom de ameaça, mas sim como se estivesse falando algo fofo, o que intrigou meus sentidos por bons minutos. Ela já estava começando a me assustar.
– Eu conheço essa cidade como a palma da minha mão. Sei bem onde estamos.
Eu estava confiante como nunca, querendo provar para ele que podia muito bem me virar sozinho. Queria provar que não precisava de uma mulher para me dizer o que fazer. Apesar de ela não estar em bons estados para eu começar a me exibir.
Continuei dirigindo até chegar às áreas mais remotas da cidade, não fazendo a mínima ideia de onde estava, porém não querendo admitir à morena que cantarolava as mais diversas músicas, às vezes até soltando algumas palavras desconexas ao meu lado. Ela estava realmente estranha. A essas horas estaria esbravejando xingamentos para todos os lados, porém parecia até feliz.
O que me deu a chance de aproveitar-me dessa felicidade fora do comum.
– Bc...
– O que foi, meu fofuuuuchooo??
– Estamos perdidos. – Digo, sem hesitação. – Não tenho a mínima ideia de onde estamos.
– Tudo bem, amorzinho. Eu te perdoo. – Ela põe a garrafa de bebida na boca mais uma vez, alegre como um cão. – Você é um inútil mesmo, não há nada que se possa fazer.
O que era para ser um xingamento soou mais como um elogio naquele doce tom de voz.
Num movimento surpresa, a garota passa uma de suas mãos no meu ombro, esfregando-a por meu corpo. Traça um caminho de meu ombro até meu peitoral, onde começou a alisá-lo de forma suave e carinhosa. Aquilo não era apenas um apalpamento de consolo, era um terrível e tentador toque sexual.
Merda, merda, merda, merda, merda... Tentava conter-me com todas as minhas forças. Buttercup nunca pareceu tão tentadora assim. Talvez seja por ela finalmente ter tomado a iniciativa. Porém eu não seria capaz de fazer algo, afinal ela estava inconsciente de seus atos, caso eu o fizesse, tanto ela quanto eu mesmo jamais me perdoaria.
Respiro fundo mais uma vez, tentando manter minha calça folgada novamente.
– O que você está fazendo agora? – Pergunto, já ficando sem paciência.
– O que eu tenho vontade de fazer toda vez que te olho. – Respondeu descaradamente e sem vergonha alguma. Senti minhas bochechas esquentarem aos poucos, o que me fez agradecer aos deuses por minha pele morena que ajudava a esconder o tom rosado que surgia junto com o meu nervosismo. Enquanto Buttercup, por sua vez, ria como se aquilo fosse piada. – Eu tenho que admitir, você é mesmo muito sexy.
Sei que nessas horas eu começaria a me gabar, mas agora fora completamente diferente. Acho que, pela primeira vez, eu me encabulei ao ser, praticamente, seduzido. Aquela simples frase de bêbada fez-me ficar com o rosto em chamas.
– A Butercup normal nunca diria isso. – Comento para mim mesmo, um tanto cabisbaixo.
– E o que a Buttercup normal diria? – Ela pergunta, como se já tivesse esquecido sua própria personalidade.
– Ela diria para pedir informação sobre como voltarmos para a estrada central. – Respondo. – Diria não. Mandaria.
– Então já que você é tão submisso à Buttercup normal, faça isso. – Diz ela tranquilamente. A palavra “submisso” atacou meu orgulho em todos os lugares, agora eu me sentia um garotinho indefeso diante dela. Essa bêbada... Está conseguindo me deixar mais domado que a Buttercup normal. – Finja que ela acabou de te mandar fazê-lo.
– Nunca pensei que diria isso, mas estou com saudades dela.
No meio do caminho, encontro um bar aberto, o lugar mais apto ali perto para pedir alguma informação. Estaciono o carro ao lado da porta de entrada, saio do carro em seguida e suspiro. Pelo menos não é um motel com uma velha tarada de atendente.
Dou uma última olhada em Buttercup, que entupia-se cada vez mais com o álcool em suas mãos.
– Fica aí. – Digo. – Eu volto já.
Fecho a porta do carro e a deixo ali dentro. Caminho em direção à porta de entrada lentamente, ainda tentando manter a calma em uma situação como aquelas. Ao passar pela porta, senti-me devorado pelos olhos de algumas mulheres oferecidas na mesa do canto, normalmente nessas horas eu jogaria ainda mais o meu charme, mas naquela situação, estava sem cabeça para essas coisas. Cuidar de Buttercup era a minha prioridade agora.
Caminho até o balcão e sou atendido por um barman um tanto grotesco.
– O que vai querer, rapaz?
– Só uma informação mesmo. – Respondo.
– E pra sua namorada aí?
Junto as sobrancelhas sem entender, mas logo ouço um gemido rouco familiar que me convidou a olhar para trás. Mas que merda, eu disse para ela ficar no carro! Aquilo já estava se tornado um inferno, só agora percebera que Buttercup estava logo atrás de mim com os braços completamente pendurados em meus ombros desajeitadamente.
A mesma soluçava sem parar, seu hálito batia em minhas orelhas, o que tanto me trazia arrepios quanto uma vontade de vomitar com aquele forte cheiro de álcool que saia da boca dela. Ainda com um pouco de vergonha da situação, mal tenho coragem de olhar para o barman novamente.
– Uma garrafa de Vicodin, senhor. – Ela pediu.
– É pra já, mocinha.
– MAS O QUÊ?!? – Indaguei, começando a mostrar-me irritado. Meu tom de voz elevado chamou a atenção de todos no bar.
Buttercup permanecia com um sorriso malicioso no rosto, passando a mão por baixo da minha camisa, usando todas as táticas possíveis para me seduzir. Com sucesso.
– Álcool e você são os únicos espíritos do mal os quais eu estou interessada. – Sussurra em meu ouvido da maneira mais sensual e irresistível que consegui imaginar. Meu corpo já estava implorando por seus toques, assim como eu me segurava para não ceder à tentação.
Ela está bêbada. Ela está bêbada. Ela está bêbada. Ela está bêbada. Ela está bêbada. Ela está bêbada. Esses eram os pensamentos que tentei manter em minha mente para controlar-me. É minha culpa ela estar desse jeito. Esse é um preço que eu tenho que pagar.
Libero um breve suspiro cansado, enquanto a morena continuava a explorar meu peitoral com suas macias e delicadas mãos.
– Eu me enganei quando disse que seria legal te ver bêbada. – Comento para mim mesmo, quase que num sussurro. – Eu prefiro muito mais a Buttercup durona e marrenta... Sem contar que ela me excita muito mais...
– Ei, vocês dois, arrumem um quarto! – Dizia o barman ao notar os toques que Buttercup transmitia para mim por baixo de minha camisa, trazendo consigo a garrafa de Vicodin que a mesma havia pedido.
– Oh, onde podemos achar um?! – Pergunta Buttercup toda alegre, me deixando com mais vergonha ainda. Porra, em toda a minha vida eu nunca pensei que uma mulher bêbada fosse me deixar com tanta vergonha.
A encarei de modo um tanto irritado, enquanto a observava sorrir de modo sincero. Nem mesmo nestes momentos eu não deixava de admirar seu lindo sorriso.
Ouço alguns assobios voltados para ela, vinha de uma mesa cheia de caras embriagados assim como ela. A paqueravam descaradamente como se eu nem estivesse ali, e Buttercup, por sua vez, recebia os elogios de bom grado, piscando um pouco para eles, coisa que a Buttercup sóbria jamais faria. Lanço um olhar assassino para eles, fazendo-os ficar com o rabo entres as pernas e parar de admirá-la. Cruzo os braços com raiva e bufo em seguida. Esse bando de folgados... Se tentarem qualquer merda vou manda-los numa passagem só de ida pro inferno!
Tendo pego a informação necessária e pago a garrafa com bebida de alto teor alcoólico, saímos em direção ao carro novamente, desta vez para definitivamente nos dirigirmos à casa de Buttercup, onde eu finalmente a deixaria sã e salva, sem perigo de ser abusada por sua inconsciência alcoólica.
A morena continuava fazendo gracejos para alguns caras que apareciam na nossa direção, o que me deixou profundamente irritado.
– Você quer parar logo com isso?! – Bufo, abrindo a porta do carro como um convite para a morena entrar.
Por alguma razão desconhecida, a garota tropeça no meio fio e prestes a cair, eu a salvo, segurando-a. Mais uma vez, caindo em meus braços como uma cena de conto de fadas. Clichê, eu sei. Mas eu estranhamente me senti como naquelas cenas em que rosas se desabrocham instantaneamente ao redor do casal.
Nossos rostos ficam perigosamente próximos, como nos velhos tempos. Pude sentir sua respiração quente e acelerada roçar em minha pele, assim como ela pode sentir meu coração palpitar com as mãos em meu peito. Estávamos quase nos entregando um ao outro em meio daquela fria brisa da noite.
– Não seu preocupe, meu fofucho. – Ela fala, cortando o clima. – Esses caras não tem chance comigo. Afinal, nós somos namorados.
Aquilo ultrapassou o limite, ela realmente estava muito bêbada, tanto a ponto de começar a me irritar. Afinal, ale não estava apenas insuportável, mas estava também conseguindo acabar com todos os momentos bons entre nós dois.
Porém dessa vez fiquei estático, sem reação, não sabia mais como replicar essas respostas sem noção vindas dela. Tive vontade de falar o que a “Buttercup normal” pensaria se a visse nesta situação, principalmente nesta em que cada vez mais ela se aproximava de meu rosto, colocando as mãos em minha nuca, semicerrando seus olhos, enquanto de modo sensual lambe toda a extensão de seus lábios atraentes, como se estivesse se preparando para um beijo ardente.
A cada ação sedutora que a morena dirigia para mim, minha calça ficava ainda mais apertada, o que me fazia gritar os mais diversos palavrões em minha mente. Eu estava quase pifando. Com medo de não conseguir me segurar e acabar fazendo o que não devo.
– Só porque já está tarde vocês acham que podem sair fazendo isso em local publico? – Perguntou uma voz vinda do outro lado da calçada.
Era uma velhinha, carregava consigo uma bolsa que parecia carregar quilos de titânio para bater em tarados na rua. A mesma se esbravejava enquanto observava a cena romântica a qual fui induzido, e simplesmente não consegui impedi-la de acontecer.
– Ela está completamente bêbada, senhora. – Explico, tentando amenizar a situação, afastando um pouco a garota em meus braços. – Não é culpa minha.
– Isso é amor, senhora!! Nunca viu?! – Disse Buttercup alegremente, erguendo a garrafa no ar.
Já perdendo a paciência, a empurro para dentro do carro, ponho seu cinto com rapidez e precisão, para enfim entrar no veículo e dar partida. O carro sai rapidamente daquele estacionamento com certa urgência.
– Sabe o caminho agora? – Pergunta, debochando um pouco de mim.
– Sei, e mesmo que não soubesse, seria capaz até de roubar um GPS pra achar. – Comento. Quem diria que eu fosse sentir tanta falta daquele GPS. – Vou te deixar casa de uma vez, marrentinha.
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Pode até parecer um paradoxo, mas desta vez, por mais estranho que seja, achei o caminho da casa de Buttercup sem problema algum. Estava concentrado até demais em levar a morena para sua residência em segurança, pois querendo ou não eu era o culpado por ela estar assim, no momento eu tenho sido o culpado por muitas coisas, e também estava em dívida com a mesma, precisava retribuir as diversas caronas que ela me dera.
Estacionando em frente a casa dos Utoniums, entrego a mocinha embriagada logo em sua casa, pelo menos eu tentei entregar.
– Sã e salva em casa. – Concluo aliviado. Finalmente não há mais com o que se preocupar...
– Ainda não. – A morena falou com um tom sério até demais para uma bêbada alegre. – Me ajuda a caminhar até lá dentro.
– Você tá de sacanagem comigo, né?
– Eu já tive que curar seus ferimentos, ir com você para a porra de uma festa, te deixar em casa quando estava bêbado, impedir que você fosse preso na viatura, salvar seu irmão e impedir que minhas irmãs te matassem. E você está se recusando a me ajudar a caminhar uns três metros até o sofá da porra da minha casa?
Ao que parecia, a verdadeira Buttercup estava voltando aos poucos, ou talvez ela esteja apenas passando para seu terceiro estágio de embebedada, o qual parecia ser um tanto perigoso, ainda mais se tratando da Super-Poderosa mais marrenta de Townsville.
Percebendo que era inútil discutir, levanto-me do lugar, saí do carro e dando a volta, abro a porta para Buttercup, como uma donzela, a ajudando a caminhar o máximo que podia. Ficamos de frente para a porta de entrada, ela retira as chaves do bolso e abre a porta, nós entramos logo em seguida.
Minha intenção era leva-la até o sofá, porém ela insistiu que eu a carrega-se até seu quarto, o que me deu calafrios logo de primeira, me deixando curioso para descobrir quais eram suas verdadeiras intenções. Se acalme, Butch. Essa noite, na situação em que estamos, você proibido de se deixar levar pela tentação.
Entramos em seu quarto sem ligar a luz, procurando sua cama no escuro. Em um movimento rápido, parecendo recuperar sua coordenação motora, Buttercup me empurra, fazendo-me cair em algo macio e confortável, aparentemente era sua cama, ou a cama de alguma de suas irmãs. Cai em meu colo logo em seguida, provocando aquela proximidade tão tentadora entre nossos rostos, com cada uma de suas pernas em volta na minha cintura.
Aos poucos fui me acostumando com o escuro, começando a ver claramente o rosto da morena, que sorria maliciosamente enquanto lambia seus próprios lábios. Eu, por minha vez, estava a ponto de ter um treco. Só em senti-la tão perto, prensando seu corpo contra o meu, me dando o prazer de sentir aquele delicioso perfume e tocar aquela pele macia, me dava calafrios irreconhecíveis. Assim foi parecido naquela noite em que fomos induzidos por um afrodisíaco, mas agora, o efeito do afrodisíaco estava sendo substituído pelo efeito do álcool que parecia preencher Buttercup. O fato de ela estar bêbada me desanimava bastante. Se ela não estivesse assim, eu seria capaz de... Argh! Que ódio! Porque quando as coisas as coisas começam a dar certo, sempre tem algo para atrapalhar?!?
– Nós estamos na sua casa. – Aviso, antes que ela tomasse alguma iniciativa.
– E daí? – Pergunta cinicamente. – Desde quando você se importa com o lugar?
– Desde que você mora com o seu pai. – Respondo. – Se ele nos ver assim, vai cortar meu pau fora, e você sabe disso.
– Meu pai está viajando. – Ela conclui, o que me deixou bem mais aliviado, porém ainda não poderia fazer nada. – E minhas irmãs ainda estão na festa, o que significa que temos a casa inteirinha só para nós.
Aquilo me congelou completamente. Eu ainda não consegui não entender muito bem porque estava tão vulnerável à Buttercup essa noite, ela parecia muito mais dominadora do que o usual. Na verdade, eu sempre me considerei dominador nessas horas.
Lentamente, ela deixava o ar quente de sua boca percorrer a extensão da curvatura do meu pescoço, eu me entregava à sensação aos poucos, deliciando-me com cada molécula daquele cheiro vicioso que a morena possuía. Merda, eu não vou aguentar por muito tempo...
Meus olhos se fecham involuntariamente para absorver todas aquelas sensações e sentimentos que aquele aroma me proporcionava, apenas em um primeiro estágio, passando para o segundo, aonde minha pele, juntamente a fragrância ali exalada, gritava pelo toque de seus lábios molhados e com gosto de álcool. E ali ela percorreu seu caminho, deixando os rastros de saliva por aquela região, enquanto minhas mãos pareciam começar a criar vida própria e segurá-la pela cintura, como se eu mesmo já estivesse completamente envolvido naquilo, embora não devia.
Aos poucos eu já ia perdendo a noção do perigo ali naquele estado, a sensação de seus lábios em minha pele era simplesmente uma das melhores coisas que já provara. Tão viciosa como heroína: Uma vez experimentado, jamais esquecerá, e sempre mais procurará.
Meu orgulho de dominador já estava no fundo do poço. Buttercup parecia tão segura, determinada de suas ações a ponto de tomar todas as iniciativas, tocando-me em todos os lugares ainda cobertos por minhas roupas. Em toda minha vida, nunca imaginei que uma mulher pudesse me domar assim. Pela primeira vez, eu estava sendo controlado como um brinquedo. Mas não podia fingir que não estava gostando.
Em algum lugar em minha mente, eu poderia jurar que queria o parar, e mandá-la dormir para acordar me odiando logo de manhã, eu sei muito bem que ela vai pensar que eu me aproveitara da situação, e jamais aceitaria o fato de que ela que estava me provocando. Mas estava tudo apagado, tudo parecia conspirar para que eu ficasse ali, apreciando aqueles toques envolventes, não conseguia reagir a nada, nem queria, e já pouco me importava se as irmãs dela chegariam a qualquer momento.
A morena vai levantando minha camisa aos poucos, passando a mão por meu peitoral, explorando cada vez mais meu corpo enquanto beijava-o de bom grado. Sobe a camisa até o pescoço, onde para, enfim tomando sua atenção para a minha calça. Eu juntava forças para parar com aquilo, sei que me aproveitaria da situação com qualquer outra garota, mas... Estranhamente, com Buttercup eu não consigo. Não consigo me aproveitar dela. Não consigo simplesmente vê-la como um boneco a qual posso usar e abusar dele. Mas ao mesmo tempo, não conseguia resistir aos toques dela. O que me fazia gritar em minha mente pela angústia.
Ela desce o zíper de minha calça, desabotoando o botão logo em seguida, tudo aquilo me excitava aos extremos. Num impulso forte, seguro suas mãos que estavam prestes a tirar minha cueca. Parece que finalmente a minha sanidade havia retornado. Respiro fundo.
– Você está fora de si, Buttercup... – Falo, num tom um pouco decepcionado.
– E daí? – Respondeu indiferente.
– E daí que você vai acordar me odiando, me apedrejando, colocando a culpa em mim. – Respondo com a maior sinceridade do mundo. Ela se acanha um pouco. – Você vai me odiar pro resto da vida se eu fizer alguma coisa.
O silêncio reina o quarto, ela não desviava os olhos de mim, enquanto eu não desmanchava minha expressão séria. Minha respiração estava desregulada assim como a dela. Eu estava tão excitado a ponto de explodir, mas segurava meu corpo com todas as minhas forças, afinal, não é porque meu pau tá querendo que eu vou estupra-la.
A morena solta um suspiro, o que me deixou um tanto curioso para saber o que se passava na mente daquela bêbada pervertida. Será que ela se convenceu? Vangloriei-me por alguns instantes, mas tudo acabou quando ela pôs um sorriso malicioso no rosto novamente.
– Pare de pensar nisso, Butch. – Sua mão começa a me acariciar por cima da cueca, fazendo um agrado de leve, eu realmente estava a ponto de explodir. – Você sabe que me quer.
– Ghah... – Gemo roucamente, o que a despertou ainda mais, intensificando a carícia. Puta que pariu! Isso é muito bom!
Buttercup fez questão de por a mão por baixo da cueca, agora segurando meu membro, masturbando-me, quase me fazendo ter um troço. Ela inicia movimentos intensos, que logo me faziam gemer, aquilo tudo estava bom demais para ser de verdade. Aos poucos minha sanidade tinha ido embora novamente, meu corpo implorava para que eu ficasse ali aproveitando a sensação que nenhuma mulher jamais conseguiu transmitir para mim.
Estava tudo girando. Eu não conseguia focalizar o olhar em mais nada. Meus sentidos se concentravam única e exclusivamente em Buttercup; seu corpo, sua boca, seus seios, suas mãos, dedos, língua, a pele incandescente e macia. Meu corpo, meus trabalhados músculos dos quais me orgulhava tanto pareciam extremamente frágeis aos toques fogosos daquela mulher. Meus nervos respondiam ás carícias com espasmos de prazer, que eu, inutilmente, tentava conter. E a alucinada morena pedia por mais e mais reações vindas de mim.
Ela não parava os movimentos nem por um instante, intensificando a cada gemido meu, que ficava mais rouco a cada arrepio que eu sentia. Merda, merda, merda, merda, merda... Está vindo... Com mais alguns balançares de mão, despejo meu prazer sobre meu peitoral exposto, suspirando já exausto com toda aquela loucura.
Buttercup aparentava estar satisfeita em ver-me daquela maneira tão entregue, coisa que nunca deixei demonstrar a uma pessoa nessas horas antes. A morena solta um sorriso malicioso de canto, inclina-se até mim e prensa os lábios contra os meus, ela estava com gosto de álcool, porém seu beijo não perdia o sabor doce.
Seus delicados dedos agora começaram a percorrer minha pele mais uma vez, me causando alguns gemidos abafados, mas a morena ainda tinha sua boca presa á minha, mexendo seus lábios nos meus com cada vez mais urgência, mais luxuria. Aquilo estava se tornando mais intenso, e eu cada vez mais consciente que havíamos passado dos limites. Já chega...
Induzindo-a a deitar-se sobre a cama, me posiciono em cima da mesma, separando o contato de nossos lábios, parando pro alguns segundos para observar seus lábios avermelhados, que pareciam implorar por mais toques dos meus.
Quase soltando um protesto pela perda do calor do corpo, a seguro pelas duas mãos, de modo que não conseguisse escapar. Ela não reluta, parecia gostar de minha atitude, embora ainda não tivesse percebido que eu não tinha a intenção de continuar aquele ato prazeroso que foi necessário usar toda a minha força para escapar.
– Hora de dormir, sua bêbada tarada. – Digo, me levantando da cama e cobrindo-a com o cobertor.
– Ei! – Ela retruca, segurando minha mão. – Nós não terminamos ainda.
– Terminamos sim. – Respondo, ajustando minha roupa. – Nem deveríamos ter começado, pra início de conversa.
Sento-me ao seu lado na cama e coloco sua cabeça no travesseiro, ajustando-a para que ficasse confortável. Ela bufava, mas não retrucava mais, parecia cansada, assim como qualquer bêbado fica depois de revirar mais de sete garrafas de diversas substâncias alcoólicas.
Acaricio seu rosto de leve, aquele lindo e macio rosto. Desvio meu olhar para seus olhos cor de esmeralda que pareciam me hipnotizar para que os olhassem mais de perto. Mas seus olhos não eram tão hipnotizantes quanto seus lábios rosados que me convidavam a prova-los, e ficar ali, sentindo o gosto deles a madrugada inteira. Solto um breve suspiro.
Buttercup estava com os olhos quase fechados, olhando para mim com ternura, tornando aquele momento ainda mais perfeito. Tudo ali estava perfeito. Eu poderia ficar ali, admirando aquela bela mulher a minha vida inteira. Essa idiota... Nunca imaginei que alguém um dia fosse me fazer sentir tão à vontade só em me deixar admirá-la.
A morena segura a mão que estava em seu rosto, beijando-a logo em seguida, fazendo meu coração acelerar um pouco.
– Fica aqui essa noite. Dorme comigo. – Ela pede carinhosamente.
Seu convite era realmente algo muito tentador, quem dera eu pudesse ficar ali, passar a noite com ela em meus braços, alisando seus cabelos negros e sentindo seu cheiro até que eu dormisse... Mas não dava.
– Eu não posso, Bc. – Respondo com um ar triste. – Você vai me matar quando acordar e me ver na sua cama. Vai me odiar pra sempre. Sem contar que as suas irmãs chegarão daqui a pouco
Ela solta um risinho de repente, parecia rir de si mesma.
– Eu não consigo te odiar, por mais que eu tente, seu merda.
Solto um risinho também, me inclino até seu rosto e lhe dou um beijo na testa, descendo para a sua bochecha, e por fim dar um selinho longo em sua boca. Essa fora uma noite realmente complicada. Nunca pensei que cuidar de alguém bêbado fosse tão difícil, principalmente quando se trata de uma mulher pervertida cujo me deu tesão a noite inteira e fui forçado a recusar suas carícias que tanto me agradavam.
Meus ouvidos se voltaram para um barulho vindo de lá de baixo, parecia a porta se abrindo, e logo após ouvi leves passos de alguém entrando. Merda, elas chegaram!
Me levanto da cama com rapidez, indo em direção à janela. Paro por um instante, volto meu olhar para Buttercup com um sorriso debochado, afinal, eu não consigo resistir à tentação de me gabar até nessas horas de desespero.
– Ah, e antes que eu me esqueça... – Começo, deixando-a curiosa. – Você perdeu.
– Perdi o que?
– A aposta. Você perdeu.
A morena começara a rir de forma irônica, parecia não conseguir acreditar que eu havia escolhido justo aquele momento para jogar minha vitória na sua escória. Se vira na cama, de modo que ficasse posicionada para meu lado. Fecha os olhos, porém seu sorriso permanece em seu rosto.
– Você é quem estava perdendo pra mim há alguns minutos atrás. – Deduz, me deixando um tanto envergonhado.
Solto um suspiro cansado, o tempo estava correndo e as irmãs dela poderiam chegar no quarto a qualquer momento. Abro uma das janelas redondas, apoiando meu pé, preparando-me para voar.
– Butch... – Ela me chama, impedindo que eu fosse.
Viro meu rosto para ela rapidamente, como se algo estivesse me puxando para continuar ali, enquanto outro me puxasse para fora. Ela ainda estava com os olhos fechados e sorrindo, aquela fora uma das cenas mais bonitas que já vi na vida.
Paro de admirá-la e me concentro novamente, lembrando-me que eu corria risco de ser pego.
– O que foi? – Pergunto com uma certa pressa.
O sorriso da morena se alarga um pouco, fazendo meu coração bater com mais força e precisão. Ela realmente ficava linda sorrindo.
–... Eu menti.
– Mentiu sobre o que? – Pergunto, confuso. Não sabia a mínima ideia do que ela estava falando.
– Quando eu disse que não estava apaixonada por você... Eu menti... – Abre um pouco os olhos, me dando a visão daqueles belos olhos verdes que brilhavam como estrelas. – Eu estou completamente... Perdidamente... E loucamente apaixonada por você.
E assim reinou o silêncio.
Meu corpo ficou estático com o que acabara de ouvir. Buttercup acabara de se declarar pra mim do nada, deixando claro que me queria mais do que como um amigo. Algumas garotas já haviam se confessado pra mim uma vez, mas... Nenhuma delas me causou um impacto tão forte assim. Foi como se a palavra “apaixonada” tivesse apunhalado meu coração em seu ponto mais sensível, o que permitiu que todas as suas artérias se revirassem.
O que está acontecendo comigo? Porque estou tão nervoso? Mas que merda é essa que ela fez comigo??
Ainda sem reação, não tive muito tempo para pensar, pois logo ouvi passos subindo as escadas, se aproximando aos poucos. E assim, desesperado, saio voando pela janela sem dar à Buttercup uma resposta. E provavelmente nunca saberei como dar.
Voou pelo céu escuro, indo em direção à minha casa com urgência. Ponho a mão no peito, meu coração ainda estava muito acelerado, e meu cérebro estava quase pifando, como se ainda não tivesse conseguido raciocinar o que eu acabara de ouvir. Só algo pode solucionar isso: Álcool. Sim, álcool me faria esquecer tudo, e eu não me sentiria mais tão preocupado com um assunto a qual nunca dei muita importância. Mas agora, estranhamente, comecei a dar.
Aterrisso na frente da porta, entrando com urgência, acendendo as luzes e indo direto para a cozinha onde ficavam as bebidas. Pego todo o estoque de bebidas e levo para o sofá, onde me espojo completamente, espreguiçando todo o meu corpo. Abro a primeira lata, viro-a e desço todo o líquido pela garganta, arrotando logo em seguida. A casa estava vazia, provavelmente meus irmãos deviam estar desmaiados na festa, ou talvez comendo uma vadia qualquer. Coisa que eu costumava fazer antes... Dela. E assim, começo a refletir sobre essa situação.
Antes de me deparar com Buttercup de novo, eu ficava com a garota que eu quisesse na hora que eu quisesse, enchia a cara com meus irmãos quase todas as noites e acordávamos numa ressaca daquelas, causava desordem em todo lugar, tinha o prazer de destruir tudo o que via pela frente, e não me contentava até ouvir os gritos de medo das pessoas. Mas quando nos reencontramos... Uma revolução aconteceu. Como se eu tivesse me cansado dessas coisas.
Eu me sinto bem quando estou perto dela. Estranhamente bem. Como se algo dentro de mim se aquecesse quando eu olho para aqueles lindos olhos que ela possui, ou quem sabe para seu sorriso que eu poderia ficar o dia inteiro admirando. E o mais estranho é que sua beleza não é o que mais me atrai, na verdade eu sempre destaquei muito mais a beleza, mas o que ela tem de melhor é a personalidade. É como se ela tivesse sido feita do jeito que uma garota devia ser.
Quando estou com ela... É como se todas aquelas canções de amor que tocam em todos os lugares por onde passo, começassem a fazer sentido.
E assim, misturando todas essas coisas com as minhas incertezas, chegamos no como eu me sinto agora. O que ela disse sobre estar apaixonada por mim foi o ponto crucial que despertou esse meu lado que eu nunca conhecera. Não sei se ela disse aquilo por efeito do álcool, muito menos se ela estava falando a verdade. Mas a possibilidade dela estar sendo sincera me assustava um pouco.
Pois é, amigos. Butch, o Menino Desordeiro, está com medo. Como se algo em mim estivesse implorando para que ela não sentisse esse carinho tão grande por mim. Como se eu tivesse certeza que eu não a merecesse. Solto um longo suspiro abafado, afundando minha cabeça na almofada.
Eu não sou o cara certo pra ela. Ela é boa demais pra mim. Buttercup é uma heroína, e eu... Eu sou um monstro. Uma máquina de matar criada na intenção de destruir tudo o que é bom e tornar tudo em desordem, não é atoa que fui nomeado como Desordeiro. Não é isso que eu quero para ela... Ela merece algo muito melhor.
“Mas fala sério, não acha que está levando essa aposta a sério demais?”. E para completar, me lembro dessas frias palavras que Brick se dirigiu a mim, me trazendo más lembranças. As lembranças que mostravam a pessoa horrível que sou. As lembranças de meu passado. Eu já fiz muita coisa ruim... Mas essa aposta... Se ela descobrir, com certeza nunca mais vai querer sequer pensar em mim.
Bebo o último gole da lata, jogando-a em qualquer lugar no chão, pego mais uma e começo a beber tudo nela. Olho para o teto escuro, desfocando um pouco a imagem. Minha mente é invadida pela insegurança e todas as más lembranças que contribuíam para eu chegar numa conclusão quase que imediata. Afinal, eu só quero o bem para Buttercup. E se o bem dela for longe de mim... Não me importo em fazer esse sacrifício. Mesmo que eu tenha que perder pra mais uma porra de uma aposta feita por Brick.
Será... Será que eu devo prosseguir com isso?...
Continua...
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