Playing With Fire

18 Acho que te amo


Notas iniciais
Yoooooo minnaaaa o/ Pois bem... EU VOLTEEEEEEEEEEIIII!!! MUAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!! Vocês nunca vão se livrar de mim, seus lindos. Voltei de viajem na semana passada, posso dizer que a viajem foi ótima, pude rever minha família, comprar mangás e ostentar muito hehehe. E nessa semana gastei meu tempo exclusivo para escrever este capítulo e não deixá-los esperando mais. Viram só como eu amo vocês? Agradecimentos: Gablychan, PunkRock, Tali Miniwa, Ravenna Morgan, UmaDoceteLouca, Marcela Abadeer, cookiecute, Fernando Zelros, Anne Hyuga, bakarayo, Alexia Vasconcellos, Ly, natsumi1406, Shirayukki, Kagome chan, Clove Mason, Raquel, FernandadDias, Drikalokinha19, Rebecka di Ângelo, Lele Di Angelo Sabaku Potter, Konata Izumi, We Love Animes, Anne Grigori, Lily, meus lindoooos!! Senti saudades de vcs ÇwÇ! Espero que gostem do cap. E HikariBibii, sua linda, seja bem vinda à fic :D Bom, esse capítulo não ficou lá dos maiores, mas tem um conteúdo e tanto (Acho que já da pra ficar curioso com o título dele hehehe). Não quero estragar a surpresa, então... Boa leitura!!

Acordei-me por cerca de três horas da tarde, as cortinas das janelas estavam todas abertas, o que permitiu que a luz do sol me acordasse pelo incomodo nos olhos. Fitei o teto branco do quarto tentando enganar a minha dor de cabeça terrível, não tinha um pingo de força para levantar da cama, então me contentei a ficar ali deitada, vendo o tempo passar, esperando que essa maldita ressaca cessasse.

Eu não me lembrava nem da metade do que havia acontecido ontem à noite, minhas lembranças só chegam até onde Butch me ajudou a entrar dentro do carro dele, depois disso o álcool me deixou totalmente apagada. E se querem saber, um breve pressentimento me diz que talvez seja melhor nem saber o que Buttercup bêbada aprontou. Tomara que eu não tenha feito/dito nada que vá me prejudicar, ou pior, tomara que Butch também não tenha aprontado nada comigo inconsciente de meus atos.

De repente comecei a sentir o cheiro dele, o que me fez pensar que ele estava ali no quarto, porém não estava. Não sentia a presença dele, apenas seu perfume. Demorei um pouco para perceber que o cheiro vinha do meu travesseiro. Aquilo me fazia pensar das possibilidades de coisas que poderiam ter acontecido nessa madrugada. Uma coisa era certa: Ele deitou em minha cama. Essa conclusão me fez corar instantaneamente.

Surpreendi-me ao cogitar meus sentimentos e não encontrar aquela raiva insana, ou até mesmo aquela vergonha ao pensar que talvez possamos ter feito “aquilo” diante minha plena inconsciência. Normalmente eu teria vontade de arrancar a cabeça dele antes mesmo de interroga-lo. Nada mais era certo na minha cabeça.

Pus a mão em minha testa para ver se esse era uma problema febril. Nada. Eu estava completamente bem. Tomei a seguinte nota mental: “Procurar um psiquiatra, com urgência, não estou me conhecendo mais”

E naquele momento pude ouvir o som da porta ao se abrir, Blossom entra no quarto segurando um pote de sorvete de chocolate, o que por sinal não entendi muito bem pois ela não é muito fã de sorvete, mas já estava com vontade de comê-lo também. Ela logo percebe que meus olhos estavam abertos e se surpreende.

– Olha só quem acordou. – Diz ela, mergulhando a colher no pote e pegando um pouco do sorvete. Se senta ao meu lado na cama e me oferece uma colher, eu aceito com o maior prazer e me sento lentamente, ainda lutando contra a dor de cabeça. – Você bebeu ontem à noite, não foi?

– Como descobriu, Sherlock? – Digo, me preparando para mais um discurso moralista.

– Sinto seu bafo daqui.

– Bom saber... – Mergulho a colher mais uma vez, enchendo-a de sorvete e colocando tudo na boca. – De que horas vocês duas chegaram da festa?

– Umas duas da manhã. – Responde. – Quando chegamos você já estava aqui.

Me surpreendo ao saber. Nunca esperei que Butch, com seu maravilhoso senso de direção, conseguiria me deixar aqui antes que minhas irmãs chegassem. Talvez, levando em conta das possibilidades de coisas que podem ter acontecido nessa casa, eu não devesse me preocupar tanto com esse assunto.

Começo a sentir uma breve falta de Bubbles, que não costuma sair aos domingos. Antes de por mais um pouco de sorvete na boca, pergunto:

– Cadê a Bubbles?

Blossom faz uma pausa desnecessária. Solta um breve suspiro, a qual me deixou um tanto curiosa.

– Na sala...

Que clima estranho... Encaro Blossom nos olhos, e logo percebi que alguma coisa estava acontecendo. Ponho a mão no ombro dela.

– Blossom, o que houve? – Pergunto. Ela volta a me olhar nos olhos. – Aconteceu alguma coisa com a Bubbles.

Ela faz que sim com a cabeça, seguindo com mais um suspiro, tentando desviar o olhar mais uma vez. Eu já estava começando a ficar preocupada, fixei ainda mais os olhos da ruiva exigindo que ela me explicasse o que estava acontecendo.

– Olha... – Ela começa. – Em primeiro lugar, eu queria pedir para conter sua raiva.

– Depende. Eu vou ficar com raiva?

– Possivelmente.

– Então não posso fazer nada. – Respondo. Esse suspense me deixava ainda mais curiosa. – Fala logo o que aconteceu.

Depois de dar mais um de seus suspiros que parecem dizer “Oh, que situação complicada.” em um tom britânico, a ruiva finalmente responde.

– O namorado da Bubbles, o Kevin, saiu de perto dela ontem à noite, e... Quando ela o encontrou, ele estava aos beijos com outra garota.

Ignorei completamente o que ela disse sobre conter minha raiva e comecei a roer o dentes, tendo uma vontade imensa de caçar aquele filho da puta e mata-lo da forma mais torturante possível. Já começando a ter um surto psicológico, começo a socar meu próprio travesseiro imaginando que ele fosse o rosto do Kevin.

Blossom já estava acostumada com meus surtos, portanto permaneceu calma, esperando que eu me acalmasse. Enquanto socava insanamente o travesseiro, comecei a por pra fora tudo o que vinha na minha cabeça.

– EU FALEI QUE AQUELE FILHO DA PUTA NÃO PRESTAVA!! MAS QUEM ME OUVIU?!? NINGUÉM!! NINGUÉM!!! – Desabafava, ainda socando o pobre travesseiro, jogando-o nas paredes e no chão, enchendo o quarto com algodão e penas. – E LÁ ESTÁ ELA, CHORANDO POR UM VAGABUNDO QUE NÃO A DÁ VALOR!! EU NÃO ACREDITO QUE ELE FOI MESMO CAPAZ DE MACHUCAR A MINHA IRMÃ!! A MINHA IRMÃ!! POIS ELE É UM HOMEM MORTO!! MORTO!!! PODEM ANOTAR QUE ELE MEXEU COM A IRMÃ DA GAROTA ERRADA!! ELE AINDA VAI SE VER COMIGO!! VOU ARRANCAR AS BOLAS DELE COM A VISÃO DE RAIO LASER E DEPOIS ENCHÊ-LO DE PORRADA ATÉ QUE NÃO POSSA MAIS ANDAR!! EU VOU FAZER DELE UM ALEIJADO ESTÉREO!!!

E assim continuei falando, digo, gritando. Eu realmente estava com muita raiva. Depois de mais alguns minutos, o travesseiro já estava detonado e não tinha mais nada para descontar a raiva. Então contentei-me em sentar na cama novamente e me acalmar.

Depois de alguns minutos, a ruiva põe a mão em meu ombro sutilmente.

– Já se acalmou? – Pergunta.

– Acho que sim. – Respondo. Começo a imaginar como Bubbles estaria agora, ela sempre foi muito sensível, e qualquer coisa a faz sofrer facilmente. Quem dirá agora que acaba de ser chifrada diante de seus próprios olhos. A coitada deve estar aos prantos... – Como a Bubbles está?

– Bem... Está sentada no sofá, chorando, se entupindo de sorvete, escutando Adele enquanto assiste “Um amor para recordar.”.

– Meu Deus... A coisa tá feia. – Concluo.

– Sim... Isso é o cúmulo da depressão.

Suspiro. Me levanto da cama e vou em direção à porta, saindo do quarto. Desço as escadas indo direto para a sala de televisão, logo me deparando com a deprimente cena: Bubbles estava no sofá rodeada por uma caixa de lenços bem grande, uns vinte potes de sorvete de chocolate, os mais diversos CD’s de Adele que, de fato, é sua cantora predileta, e também um box com todos os filmes de Nicholas Sparks.

E lá estava ela, choramingando coisas que nenhum ser humano seria capaz de compreender, provavelmente lamentando-se por ter sido chifrada. Blossom estava logo atrás de mim, liberando seus casuais suspiros que pareciam dizer “Oh céus, que situação complicada” em um tom britânico.

Contenho mais a minha raiva, evitando não começar a xingar o Kevin e deixa-la ainda mais deprimida. Me sento ao seu lado no sofá, ela ainda não percebe que estou ali.

– Oi... – Chamo sua atenção, ela enfim nota minha presença. As lágrimas continuavam escorrendo, assim como o sorvete transbordava de sua boca, sua maquiagem estava completamente borrada, e seu nariz também estava escorrendo. Caramba... Ela fica assim em todo término de namoro? – Você... Quer conversar?

Não houve uma resposta. A loira limita-se em se atirar pra cima de mim, me abraçando com tal força capaz de roubar todo o meu ar.

Ela choramingava em meus braços, obviamente eu não entendia nada do que ela estava dizendo. Em poucos minutos minha blusa, a qual estou usando desde ontem à noite, já estava completamente encharcada com suas lágrimas e suja pela sua maquiagem borrada. Certamente teria de coloca-la na máquina de lavar hoje.

– BUÁÁÁHÁÁÁ... E-EUGHN MARGH... BUÁÁÁ... NHÃHOU SNIF... B-BUÁÁÁHÁÁÁHÁÁÁ... – Choramingava sem parar, parecia até estar falando uma língua marciana.

– Bubbles... Não... Consigo... Respirar... – Suplicava para que ela me soltasse. Ela logo largou meus braços e pegou mais um lenço da caixa, assoando o nariz.

Ela não parava de fazer escândalo, fazendo questão que todos na vizinhança ouvissem seu sofrimento. Blossom se aproxima de nós duas e senta-se no sofá, começa a massagear os ombros de Bubbles para confortá-la. Já eu estava perdendo a paciência ao vê-la assim, sofrendo por quem não a merece, me dava ainda mais vontade de ir na casa daquele desgraçado e arrancar seus membros.

Com mais um grito histérico, minha paciência enfim estoura.

– RECOMPONHA-SE, MULHER!! – Falo, num tom de voz mais alto que o necessário, fazendo-as tomarem um susto e prestarem atenção a mim. – Em primeiro lugar, eu já não tenho o privilégio de entender o que você fala, em segundo lugar, pare de agir como se fosse o fim do mundo!!

Ela sossega as lágrimas, assua o nariz mais uma vez e engole o sorvete que estava em sua boca.

– Snif... Você não entende... – Começa, no tom de voz mais depressivo possível. – Você... Não faz ideia... Do que é... Se apaixonar perdidamente... Por alguém... E ser traída...! – Resmunga, fazendo uma pausa na frase cada vez que soluçava. As lágrimas voltam, ela enfia o rosto na toalha e começa a choramingar mais uma vez. – Porque ele fez isso comigo?? POR QUÊ???

E assim prossegue, falando do como ele era especial pra ela, e que a garota a qual ele beijou na sua frente era uma vagabunda. Acreditem, ela a xingou das mais diversas maneiras. Mas o mais irritante nisso tudo é que em nenhum momento ela demonstrou ter raiva dele. Só tristeza. Aquilo me deixou muito puta.

Com o ódio sob a pele, me levanto do sofá da forma mais bruta possível, fico de frente para Bubbles, que volta a prestar atenção em mim.

– Quer parar com essa porra?!! – Digo, tentando fazê-la ver a verdade. – Por acaso não se lembra de quem é?!? Você é a Bubbles!! A heroína que protege o mundo dos filhos da puta!! Você é foda!! Vai se dar por vencida por causa de um marginalzinho que não te merece?!!

– Buttercup... – Suas lágrimas pararam de escorrer.

– Desse jeito você está parecendo uma idiota, isso sim!! – Começo a sacudi-la de leve. – Escuta, haverá outros caras na sua vida, o Kevin não passa de uma fase ruim. Você ainda vai se apaixonar muitas vezes até encontrar o cara com quem você irá se casar, ter filhos, e etc. Não pode ficar aí, chorando por alguém que não vai alterar em nada na sua vida, você precisa dar uma chance a si mesma para se apaixonar de novo... – Naquele momento eu senti como se estivesse dizendo aquilo mais para mim do que para ela. -... Acredite no que eu digo, Bubbles... Não há maneira melhor de esquecer uma paixão a não ser se apaixonar novamente.

E com isso, esqueci completamente da situação e voltei meus pensamentos para a compreensão dos meus sentimentos. Tudo o que estou passando, os calafrios, os suspiros, bufadas e felicidade inexplicável aconteceu por eu me dar a liberdade de me apaixonar novamente.

Se apaixonar é horrível, mas... Ao mesmo tempo é maravilhoso.

Assim houve um breve silêncio, Bubbles ficou cabisbaixa, pensando nas minhas palavras, já Blossom estava boquiaberta. Acho que a sabe-tudo não esperava ouvir algo assim de alguém como eu... Bem, eu nunca fui das mais românticas, então essa reação já era de se esperar.

Bubbles volta a olhar para mim, tendo os olhos arregalados e confusos.

– Mas... Mas o que eu faço agora? – Pergunta. – Fico aqui, chorando, vendo filmes depressivos até aparecer um cara que me faça esquecer o ursinho (Apelido que ela deu para o Kevin)?

– Não. Você vai lavar o rosto, fazer essa dor passar, e depois seguir sua vida como sempre fez. – Respondo.

– Mas como eu faço essa dor passar? – Pergunta mais uma vez. – Não tem como curar o coração, sua anta!

– Claro que tem. – Digo. Pego a maior e mais grossa almofada que tínhamos e deixo no chão, ao seu lado. – Vai nessa, coloca tudo pra fora.

– Tudo o que?

– A raiva. – Respondo. – Bota pra fora esse ódio por ele ter ficado com outra menina, por ele não te dar valor, por ele ser um canalha, pela garota a qual ele ficou ser uma vagabunda, tudo isso junto! Chute, soque, golpeie essa almofada até cansar!!

– Mas-

– CHUTA ESSA PORRA!!! – Ordeno, sendo mais como uma motivação. Ela segue seus instintos e deixa a raiva fluir, começa a chutar a almofada enlouquecidamente, que deu umas três cambalhotas pra trás pela intensidade de seu chute. – Isso! – Falei. – Chute essa almofada até não poder mais!!

– Buttercup, tem certeza que essa é a única maneira dela se acalmar? – Blossom pergunta.

Me sento ao lado da ruiva novamente para assistir ao show, a pobre poltrona estava levando uma surra da Bubbles. Era divertido imaginar que aquela poltrona era o Kevin.

– Mas é claro, Blossom. – Respondo. – A alegria vem na base da ignorância.

– Não sei se isso é certo...

– Você pensa demais. Olha lá como ela tá feliz. – Aponto para Bubbles, que não só chutava a poltrona, como também socava e a xingava dos piores nomes. – É bom ver a nossa garotinha crescendo.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, assistindo o espetáculo como se aquilo fosse a final do campeonato de Box. Bubbles estava a ponto de virar uma Super Sayajin e carbonizar aquela almofada até que se desintegrasse em pó.

Blossom não desviava os olhos de mim, o que me incomodava um pouco.

– Buttercup... – Ela chama a minha atenção.

– Uh? O que foi?

Ela me olhava de um jeito diferente, parecia curiosa, ao mesmo tempo preocupada. Era difícil ver isso nela, sei disso porque quase nunca ela me olha assim. Suspira levemente.

– Aquilo que você disse sobre se apaixonar... Como você sabe dessas coisas? – Ela pergunta, me fazendo corar um pouco. Meu coração se acelera, e acho que ela havia percebido minha mudança de comportamento ao ouvir sua pergunta. – Você... Já se apaixonou antes?

Pronto. Lascou. Como eu vou responder isso? Não consigo pensar numa resposta, todos os meus sentidos estavam confusos, assim como deixei o nervosismo tomar conta de mim sem querer.

Ela não parecia querer mencionar nada, apesar de saber sobre meu caso com Butch, ou que talvez saiba que eu já namorei o Ace. Na verdade ela parecia apenas estar curiosa. Minha relação com Blossom é tão estranha. Nós nos conhecemos tanto... Mais ao mesmo tempo tão pouco.

– E-Eu... – Sai num gaguejo, mas não consigo terminar a frase.

– AAAAAAAAAAAAAARRRRRGHHHH!!! – Ouvimos o grito furioso de Bubbles que chamou nossa atenção.

Ela usou sua visão de raio lazer contra a almofada, reduzindo-a a pó. Eu nem acreditava no que estava vendo. Aquela cena me deixou tão... Tão orgulhosa.

– Isso, garota!! – A encorajo. – Mostrou quem é que manda!!

– Acho que teremos que comprar outra almofada... – Comenta Blossom.

Me levanto do sofá e me aproximo de Bubbles (Também aproveitando a situação para fugir do assunto com Blossom), a seguro no ombro com um sorriso vitorioso no rosto.

– Se sente melhor agora? – Pergunto.

– Não.

– Tudo bem. Quando as almofadas acabarem, você faz o Kevin de saco de pancada. – Brinco.

Consegui fazê-la rir.

Bubbles acabou com todas as almofadas da casa em questão de meia hora, quando já não tinha mais nada para descontar sua raiva, decidiu sentar-se no sofá conosco, relaxar, tomar um pouco mais de sorvete, e assistir um filme mais alegre. Pensamos em ver algum desenho, só pra variar, algum que adorávamos quando éramos crianças só pra bater aquele sentimento de nostalgia. Então decidimos assistir Mulan.

Sempre gostamos muito desse filme justamente pela protagonista ser uma heroína subestimada, cujo único propósito de arriscar a própria vida é para proteger quem ama. Sempre nos colocamos no lugar dela, tendo a absoluta certeza que nos arriscaríamos pelo alguém que amamos. Mulan é uma dos nossos maiores ídolos de infância, também por ser uma das poucas heroínas mulheres dos desenhos. Quando fomos à Disney World com o Professor, Bubbles até começou a chorar quando viu a mulher fantasiada suposta a se passar pela Mulan. Aquela foi uma viagem engraçada.

Já tinha anoitecido quando o filme acabou, nos levantamos do sofá e cada uma foi para um canto da casa. Blossom foi preparar o jantar, Bubbles foi tomar um banho, e eu fui para o quarto, precisava fazer uma ligação.

Amy me fez prometer que qualquer coisinha fora do limite que o Kevin fizesse, eu teria de contar para ela, afinal, ela não consegue esquecer aquele desgraçado, sua paixão por ele atravessa seu peito como uma flecha. Ela é ex-namorada dele, assim como Bubbles, e acho que ela tem o direito de saber o que ele aprontou com minha irmã.

Liguei para ela, demorou um pouco para atender, mas quando atendeu tive a oportunidade de contar tudo. Seu tom de voz ficou um pouco mais triste após eu contar para ela, como se estivesse decepcionada com o comportamento dele, o que me fez questionar para mim mesma que talvez fosse melhor não ter contado nada. Não... É melhor ela saber por mim do que por outra pessoa.

Após contar os fatos, decidimos cortar aquele assunto desnecessário e começamos a conversar normalmente, colocando o assunto em dia, e também aproveitando para contar as coisas que vem acontecido com Butch ultimamente. Amy era a única pessoa a qual eu conseguia me abrir a respeito de Butch, se eu o mencionasse com minhas irmãs, era capaz delas me engolirem viva. Amy escutou minhas histórias com atenção, sem me julgar em nenhum momento por me envolver com um rapaz que pertence ao lado negro.

Falei de meus sentimentos e minhas incertezas, ela mais uma vez veio com aquele papo de eu estar apaixonada e coisa e tal, o que me deixou com bastante vergonha a ponto de querer mudar logo o assunto. Já estava ficando tarde, e ambas precisávamos acordar cedo amanhã, então nos despedimos e desligamos os telefones. Minhas irmãs foram logo dormir, mas eu não estava com sono, então decidi ficar na sala, assistindo televisão.

E lá estava eu, sentada no sofá, comendo doces e assistindo American Horror Story esperando o sono chegar. De repente, ouço o som de uma mensagem chegando em meu celular, meu coração acelera ao ver que era de Butch.

Butch: Tá acordada?

Um sorriso involuntário brota em meu rosto, respondo rapidamente a mensagem para que ele não achasse que eu estava dormindo. Respondi:

Buttercup: Talvez.

Ele não demorou nem vinte segundos para responder.

Butch: “Talvez” significa que é uma possibilidade de 50% de vc estar acordada, e outra de 50% de não estar. Por favor, diga qual é a possibilidade verdadeira para eu ter certeza de que não estou incomodando.

Esse linguajar formal era totalmente estranho para alguém como ele, o que me fez rir. Decido brincar com ele.

Buttercup: Sua existência me incomoda.

Butch: Posso dar um jeito nisso, se vc quiser.

Buttercup: Vai se matar? Que maravilha.

Butch: Tudo por vc, querida.

Começo a rir mais uma vez com sua resposta debochada. Respondo com o típico:

Buttercup: Idiota. Kkkkkkkk.

Ele não me respondeu depois daí. Comecei a perguntar-me o que ele estava fazendo para demorar tanto. Então entro naquele momento tenso em que começo a planejar em algum assunto bom para interagir e parecer ser alguém interessante.

Digito a primeira coisa que veio na minha cabeça, que por sinal, já estava me cutucando há um tempinho.

Buttercup: Butch, eu fiquei bêbada ontem, não fiquei?

Ele ainda não respondia.

Buttercup: Butch?

Chamei sua atenção. Nada. Comecei a ficar impaciente.

Buttercup: Me responde, caralho!!

Depois de um minuto ele voltou a responder.

Butch: Calma kkkkk. Desculpa, eu estava pensando numas coisas. Respondendo sua pergunta: Sim, vc ficou bêbada. E como.

Buttercup: Eu fiz/falei alguma merda enquanto estava bêbada?

Ele demora para responder mais uma vez, me deixando ainda mais curiosa, senti um clima tenso ali. Esse suspense... Não estou gostando nada disso. Não hesitei duas vezes em pegar o telefone ao senti-lo vibrar em minhas mãos pela chegada da nova mensagem.

Butch: Depende de vc achar as coisas que vc disse uma merda.

Buttercup: Cite a pior.

E mais uma vez ele demorou, já estava a ponto de roer as unhas. O celular vibrou mais uma vez.

Butch: Vc disse que estava apaixonada por mim.

Ao ler essa mensagem, meu coração vai parar na boca, meu rosto esquenta violentamente enquanto meus batimentos cardíacos elevam numa velocidade insana. Não podia, e nem queria acreditar no que acabara de ler.

Eu... E-Eu não acredito que fui capaz de dizer uma coisa tão vergonhosa como essa. Comecei a arrancar os cabelos, me imaginando em tal situação, envolvendo algo tão intimo assim que nunca esperei compartilhar com Butch. E assim, um mar de dúvidas surge em minha mente, comecei a questionar-me as mais diversas coisas possíveis, mas só Butch poderia responde-las. Eram dúvidas que me atingiam direto no peito... Como uma flecha.

Respirei fundo, tentando me acalmar, afinal, ele aguardava uma resposta. Não tinha coragem de pensar em nada, nem mesmo uma desculpa para desviar desse assunto. Mas como eu desviaria desse assunto? O único jeito de termina-lo é dando a ele uma resposta final.

E pela primeira vez, segui meus impulsos, deixando meu coração responder por mim.

Peguei o telefone de volta e comecei a digitar novamente.

Buttercup: Se eu estivesse apaixonada por vc, o que vc faria?

Ele demora para responder.

Butch: Não sei.

Respiro fundo.

Buttercup: Se eu te amasse, o que vc faria?

Butch: Não sei.

Suas respostas eram todas as mesmas, e nenhuma me satisfez. Eu não senti firmeza em suas palavras, ele não parecia o Butch de sempre, seguro, determinado, destemido... Ele agora parecia um garotinho indefeso.

Respiro fundo mais uma vez, me preparando para o maior impulso de minha vida, que com certeza me atormentaria por um bom tempo. Mas era o que meu coração pedia para fazer.

Buttercup: Butch.

O chamo. Ele não demorou para responder dessa vez.

Butch: O que?

Respiro fundo uma última vez, seguido de um suspiro longo, e logo após um sorriso totalmente inesperado.

Buttercup: Acho que eu te amo.

Não houve resposta depois dali. E não quis insistir.

Solto o maior suspiro que já dera, eu não estava me sentindo inconfortável ou nervosa por ter dito aquilo, na verdade, eu nunca havia me sentido tão bem em toda a minha vida. Era como se algo tivesse saído de dentro de mim, como se eu estivesse livre, solta. Como se eu finalmente tivesse me dado o direito de me entregar aos sentimentos.

Sei que me declarar por mensagem não foi a coisa mais romântica do mundo, mas não sabia o quanto meu coração conseguiria esperar. Eu não conseguiria dizer aquilo pessoalmente pois não sou corajosa pra essas coisas. E também, foi o impulso do momento.

E esse impulso com toda certeza mudaria a minha vida.

Sinto meu celular vibrar em minhas mãos mais uma vez. Aquilo fez meu coração acelerar novamente. Será?... Ele realmente respondeu??

Para a minha decepção, não era Butch que havia me mandado a mensagem. Era um número bloqueado. Algo em mim já sabia o que era. Suspiro e abro a mensagem.

“Você vai sofrer se continuar com ele. Fuja enquanto pode.

– Anônimo”

E mais uma vez o maldito anônimo veio me atormentar com seu suspense. Tomo coragem de enviar uma resposta para ele, intimidando-o para que parasse com tais acusações.

“Quer parar de enviar mensagens pra mim?! Quem é vc afinal??

– Buttercup”

Não houve resposta. E com seu silêncio, ele trouxe aquele calafrio e o pressentimento ruim que sinto cada vez que leio uma mensagem dele.

Eu realmente queria uma resposta, mas já estava me acostumando a ser deixada no vácuo.

Continua...

Notas finais
Preciso dizer alguma coisa? Hehehehe, vou deixar que vocês mesmos digam. Postarei o cap 19 assim que puder :3 Até a próxima o/ Kissus ♥