Playing With Fire
4 Shopping, lugar onde tudo pode acontecer
Notas iniciais
Eu sei que eu demorei dessa vez, gomen, tava muio ocupada com matemática -.- Só pra avisar que criei uma conta no AnimeSpirit, lá também estou postando a PWF, se forem me procurar, minha conta é Tomo_chan
Quero agradecer aos meus novos e antigos leitores também, kissus ♥
Ok, vou parar de enrolar vcs XD
Boa leitura!!
Estava sendo um dia nublado na cidade de Townsville, e lá estava eu, forçada a assistir uma aula entediante numa quarta-feira entediante. Obviamente eu nem estava ouvindo o que o professor de química explicava, estava mais interessada em olhar para a janela e observar a paisagem do mundo afora enquanto mergulho nos meus pensamentos. Já faz uma semana que eu voltei de Las Vegas, e ainda assim não consigo tirar aquelas lembranças da minha mente. Tudo o que eu conseguia pensar era no beijo que Butch me dera. Aquele toque tão simples fez meu mundo girar completamente, agora não há um momento em que eu não me pergunte sobre Butch.
Será que ele só fez aquilo para me provocar? Ou tem outra coisa envolvida? Eis a questão. Butch não parece ser do tipo romântico, pelo contrário, ele deve ser daquele tipo de garoto que pega umas oito meninas em uma só noite, transa com a metade, e depois joga fora. Ele tem cara de ser pegador, e com certeza não é virgem, pra ter me mostrado aquela... coisa sem ter vergonha, já deve ter mostrado pra outra garota. Butch pode ser tudo, menos confiável. E ainda assim, com tantos defeitos, eu não consigo esquecer aquele beijo.
Esses pensamentos estão perturbando minha mente por uma semana inteira, eu nem sequer presto mais atenção no que está em minha volta. Apesar de eu estar em Townsville, minha cabeça está em outro mundo. Hoje mesmo na educação física, eu levei uma bolada na cara por pura distração. Pois é, a melhor jogadora do time levara uma bolada na cara, nem queiram imaginar tamanha humilhação.
Eu permanecia olhando para a janela perdendo totalmente a noção do tempo, sinto algo me cutucar de leve mas nem dou atenção, meus pensamentos são mais fortes que meus instintos. Porque eu estou me importando tanto? Ele nem deve se lembrar que me beijou. Aquele vagabundo deve estar vadiando por aí com algumas putas e...
– BUTTERCUP, ACORDAA!!! – Grita uma voz fininha ao meu lado, cortando totalmente minha conexão com meus pensamentos. – A AULA JÁ ACABOU FAZ 20 MINUTOS SUA BOBA!!!
– O que? Como? Onde? Quando? – Pergunto, ainda sem entender o que estava acontecendo. Olho para esquerda, vejo Bubbles me olhando com uma cara feia, ao lado dela estão Blossom e Amy sentadas em suas cadeiras. – Ah, são só vocês.
– E depois de séculos, ela finalmente acorda. – Diz Blossom se sentando na cadeira ao lado da minha. – Ultimamente você só tem estado no mundo da lua.
– É verdade, você não é mais a Buttercup de sempre. – Fala Amy. Ela se levanta e se aproxima de mim. – Me diz, aconteceu alguma coisa naquela viagem?
Sua pergunta me calou fundo, eu suspiro. Amy me conhece como ninguém, ela sempre vai direto ao ponto e chega nas conclusões antes mesmo que eu. Não é atoa que ela é minha melhor amiga.
– Desde que você voltou de Las Vegas têm andado muito estranha. – Começa Bubbles. – Não presta mais atenção em nada, até levou uma bolada hoje na educação física.
– Olha, eu só estou um pouco pensativa com algumas coisas. – Falo. – Só isso. Não precisam se preocupar.
– Bem eu estou com medo que essa sua desatenção prejudique suas notas. – Diz Blossom. Será que ela não sabe pensar em outra coisa que não seja notas? A ruiva se aproxima de mim e segura minha mão. – Acho que você está tensa demais. O que acha de sairmos juntas e relaxarmos?
Relaxar?
Bubbles sorri. Segura o braço de Blossom e de Amy, e seu olhar radiante se volta para mim.
– Blossom tem toda razão! Porque nós quatro não vamos passear juntas hoje?
Mesmo Bubbles tendo mudado bastante, seu jeito meigo e alegre continuam bem ativos, ela sempre fica agitada quando o assunto é se divertir, e faz de tudo para ver as pessoas felizes. Essas são as qualidades que eu mais amo nela. Apesar de ter um imã para namorados idiotas, ela continua sendo a Bubbles.
Amy se solta da loira e fica um pouco cabisbaixa, tenta sorrir o máximo que pode.
– Me desculpem meninas. – Começa. – Mas infelizmente eu não posso sair hoje. Podem ir sem mim. – Ela me parecia um pouco triste, eu já sabia qual era o motivo.
Ela está dispensando por causa da Bubbles. Depois que a Bubbles começou a namorar o Kevin, Amy nunca mais conseguiu olha-la do mesmo jeito. Ela ainda não conseguiu esquecê-lo, e justamente por Bubbles ser tão legal, ela se sente culpada por ter raiva dela. Francamente, tudo isso por causa daquele imbecil. Quem vai entender essas adolescentes apaixonadas?
– Tem certeza, Amy? – Pergunto. Ela me olha no fundo dos olhos.
– Sim. Eu realmente tenho uma coisa pra fazer. – Olha para seu relógio de pulso e acena para nós. – Eu preciso ir agora. Até amanhã.
Nós acenamos de volta e ela sai da sala de aula, Bubbles fica um pouco inquieta.
– A Amy nunca mais saiu com a gente. Só anda com a Buttercup. – Diz a loira ainda olhando para a porta, suspira e volta sua atenção para mim mais uma vez. – E então, você aceita irmãzinha?
– O que?
– Você sabe, sair com nós duas. Um passeio de irmãs para esquecermos dos nossos problemas. Garanto que não irá se arrepender! – Dizia ela sorrindo como sempre faz. Por um lado sinto que ela está certa.
Elas tem razão. Já está na hora de esquecer essas bobagens e voltar a pensar em mim. E quer saber? Que se foda o Butch! Ele não merece que eu fique gastando meu tempo pensando nele. Quero mais que ele morra!
– Obrigada por se importarem comigo, meninas. – Começo a falar, sorrindo um pouco. – Sabe, já faz um bom tempo que nós não saímos juntas, provavelmente por causa das nossas brigas cotidianas. Então eu confesso que... eu já estava ficando com saudades de vocês duas. – Me levanto e coloco as mãos nos ombros das duas. – Eu sei que é estranho eu dizer isso do nada, mas... Eu amo vocês. E já que eu quero matar a saudade, eu aceito sair com vocês duas.
Bubbles faz uma cara chorosa e me abraça. Vish, lá vem...
– Oh, Buttercup. Eu também te amo muito! Não importa o quanto a gente brigue, seja por causa do Kevin ou por qualquer outra coisa, eu sempre vou te amar! – Diz ela chorando em meus braços. Puta merda, tá todo mundo olhando.
– Nós te amamos muito. Eu também já estava ficando com saudades de sair com vocês. – Diz Blossom entrando no abraço. Bubbles enxuga as lágrimas e se afasta um pouco. Porque elas sempre fazem tanto drama? Eu só concordei em sair com elas.
– Bem meninas, já que todas estão de acordo, hoje à noite nós vamos para o lugar preferido de toda mulher!
... Não sei por que, mas não tenho um bom pressentimento a respeito disso...
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Eu definitivamente não devia ter aceitado! No final das contas meus pressentimentos estavam certos, de todos os lugares que elas poderiam escolher, escolheram justamente o lugar mais ridículo, estúpido, fútil, irritante e patético de todos: o Shopping. Em plena sete horas da noite, estou sendo forçada a ficar com os pés dentro da porcaria de um shopping, lugar onde todas as patricinhas se reúnem para fofocar da vida dos outros, gabar-se de todas as coisas que elas ganham dos pais, e gastar ainda mais dinheiro com vestidos e maquiagem. Pois é, shoppings reúnem as duas coisas que eu mais odeio: garotas fúteis e produtos de marketing estúpidos.
Eu parei de vir nesse lugar há um bom tempo, acho que a última vez que coloquei os pés num shopping foi quando eu tinha 14 anos, até hoje. Pelo tempo que eu passei sem entrar aqui, achei que eu já tinha superado meu desprezo por esse lugar, mas infelizmente, aqui estou eu, com 17 anos, e ainda não sei o que se passa na mente das pessoas que acham o shopping um lugar sensacional. Que francamente não é.
Como podem ver, eu realmente odeio esse lugar. Então o que diabos eu ainda estou fazendo aqui? Boa pergunta.
Blossom e Bubbles já estão a quilômetros de distância de mim, admirando as vitrines das lojas de roupa. Já devem ter esquecido completamente da minha presença, o que me deixa com mais raiva ainda. E quem não ficaria? Estou sendo forçada a ficar por pura educação, elas me trouxeram aqui com a intenção de me fazer relaxar, só que agora estou mais inquieta do que nunca. Estou aproveitando a distração das duas para fugir o mais rápido possível, afinal de contas elas não sentiriam minha falta nem tão cedo.
Isso meninas, fiquem admirando as vitrines enquanto eu caio fora. Eu andava de ré, olhando cada movimento delas para garantir que não perceberiam minha fuga. Por um descuido, acabo entrando num lugar que nunca imaginaria entrar por vontade própria, a loja de roupas. O que?? Mas como eu entrei aqui?? Enquanto eu olhava a minha volta, confesso que parei para admirar um pouco as peças de roupa, me aproximo das prateleiras e tento achar algo interessante. Hum... Acho que uma olhadinha não vai fazer mal. E assim começo a dar uma olhadinha básica nos produtos da loja (quem nunca?).
Ando por toda a loja, pegando desinteressadamente em roupas aleatórias, e como sempre, não acho nada satisfatório. Todas as roupas são praticamente a mesma coisa, até as cores são as mesmas, a única coisa que modificava eram as estampas de bichinhos. Me pergunto porque alguém usaria isso. Saio da loja rapidamente, só fiquei lá cerca de três minutos e já estava ficando tonta.
Ando mais um pouco e chego na praça de alimentação, haviam algumas pessoas jantando e outras apenas lanchando, paro na frente da Mc Donalds. Enfim alguma coisa que se vale a pena fazer no shopping: comer! Peço o maior hambúrguer e uma porção gigante de batata frita, quando me sento algumas pessoas reparam a quantidade enorme de comida, mas nem dou atenção, nunca fui de me importar com a opinião dos outros. Quando termino meu “lanchinho”, me levanto e saio da praça de alimentação.
Procurando a saída, acabo chegando numa parte mais isolada do shopping, não havia quase ninguém circulando e as lojas estavam vazias. É estranho ninguém vir aqui, eu me lembro bem que antes essas lojas ficavam lotadas. Distraída com meus pensamentos acabo esbarrando numa pessoa, um cara estava de costas, devia ter uns dois metros de altura e era gordo como um lutador de sumô.
– Me desculpa cara, eu nem olhei por onde... – O homem se vira ficando de frente para mim, meu coração toma um susto ao ver quem era. E quando eu achava que não poderia ficar pior...
... Surge a Gangue Gangrena.
– Eeiii! Olha só, é a Buttercup, galera! – Big Billy sorri estupidamente chamando os outros caras do grupo. Merda!! Eu quero um buraco pra me enfiar! Atrás dele chega Snake, Arthuro e Grubber. Todos sorriem para mim maleficamente.
–Oh, olha sssó o que nósss temosss aqui. – Diz Snake. – O que uma menina sssuper-poderosssa veio fazer na nosssa área?
– Não é da sua conta, seu veado! – Respondo. Tento empurrá-los mas não consigo. – Agora me deixem em paz!
– Acho que nós não podemos fazer isso, garotinha. – Fala Arthuro. Ele está em cima do ombro de Big Billy, estende sua mão para mim e desarruma meus cabelos. – O chefe ficará muito feliz em te ver, ele já está chegando.
– Eu não quero ver aquele mala!! – Tiro suas mãos de mim com força. — Agora saiam da minha frente ou eu terei que entrar na base da porrada!!
– Eii Ace, saca só quem tá aqui. – Big Billy chama seu líder.
Eu vê-lo se aproximar eu entro em desespero, sinto como se mil agulhas estivessem sido enfiadas no meu coração, e por mais que eu tentasse, não conseguia fugir. Ace sorria para mim debochadamente, o que me deixava ainda mais brava, porém triste. Depois de tudo que esse cara fez comigo... MERDA! EU NÃO QUERO NEM OLHAR NA CARA DELE!
– Olá, docinho. Há quanto tempo, não acha? – Diz ele.
– Se me chamar de docinho mais uma vez vou te matar aqui e agora, seu filho da puta!!
Ele ri, fazendo os outros rirem também.
– Me matar? Acho que você não conseguiria.
– Quer tirar a prova?! – Ele põe a mão no meu queixo, eu seguro seu braço com força e o empurro. – Não toque em mim!!
– Sabe, eu já estava ficando com saudades de você. Faz um bom tempo que a gente não sai...
– Problema seu! Agora me deixa ir! – Os outros quatro tentam me cercar, dou um soco em cada um deles, menos em Ace. Preparo um soco especial para ele, mas quando estou prestes a atingi-lo... minha mão para sem meu comando.
Tento soca-lo com o outro braço, mais uma vez sem sucesso. Ace olha para mim um pouco surpreso, mas logo depois seu sorriso desbotado brota em seu rosto mais uma vez. Sinto pequenas lágrimas brotarem em meus olhos, uso o máximo de meus esforços para não chorar na frente dele. Eu não consigo machuca-lo... MERDA!!!
– Viu só? Você não tem coragem de me bater... – Ace envolve os braços na minha cintura me puxando para mais perto dele, involuntariamente pouso minhas mãos em seu peito. De novo não.–... Porque a gente não se diverte um pouco, hein? Como nos velhos tempos.
–... Ace... Pare, por favor... por favor... – Peço quase que desesperadamente numa voz chorosa. Não consigo mais conter minhas lágrimas, Ace passa a mão por minha cintura em meio de risadas. Meu corpo não me obedece por mais que eu tente, o que me deixava ainda mais frustrada. Alguém... Alguém me tira daqui!!
– Sabe cara, quando uma dama pede pra parar... – Diz uma terceira voz vinda atrás de mim, Ace para de me tocar e toma sua atenção para o dono da nova voz. Olho para trás e mais uma vez me surpreendo com a pessoa que estava em minha frente. Não acredito... –... Você têm que parar!
... Butch?!?
Isso mesmo, o garoto que me fez perder o juízo há uma semana atrás, que me beijou sem mais nem menos, e me deixou confusa como ninguém nunca fez. Butch, um Menino Desordeiro, estava em Townsville, e bem na minha frente. É claro que primeiramente fiquei surpresa e curiosa para saber como e porque ele estava aqui, mas na situação em que estava, acabei cortando as preliminares, no momento tudo o que eu me preocupava era em sair dos braços de Ace o mais rápido possível.
O moreno estava usando uma jaqueta preta, uma calça jeans, um par de tênis pretos e fumava um cigarro no canto da boca. Colocou as mãos no bolso e fez uma expressão furiosa, o que o deixava ainda mais sombrio. Os quatro membros da Gangue Gangrena deram alguns passos curtos para trás, já o líder soltou minha cintura e voltou sua atenção para o moreno. Estão se cagando de medo, eu já deveria esperar.
– Q-Quem é você?! – Pergunta Ace, gaguejando um pouco.
– Eu?... – Butch vem em nossa direção. Ele anda calmamente. Não sei porque, mas sinto uma segurança enorme. Ele chega perto e tira o cigarro da boca, deixa-o cair no chão e pisa nele em seguida. Segura na gola da jaqueta de Ace com a mão esquerda, enquanto seu braço direito prepara um soco. -... Sou o cara que vai te encher de porrada.
Soca o rosto do líder, deixando tanto os outros quanto a mim boquiabertos. Ace cai no chão por causa do impacto, sua bochecha fica roxa e ele acaba cuspindo um pouco. Os outros membros da gangue não movem um músculo, eles são muito covardes para desafiar alguém mais forte que seu próprio líder. Por um lado fico satisfeita em Ace ter levado um soco, mas por outro ainda sinto um aperto no coração.
Butch se aproxima de Ace mais uma vez e se agacha, prepara mais um golpe com a mão esquerda e soca sua outra bochecha com força, fazendo ele cuspir sangue. Se levanta tendo a visão do corpo de Ace despejado no chão, o homem-verde tremia com medo do seu adversário, o que deixava Butch ainda mais satisfeito. Chuta o quadril dele, e assim inicia um festival de chutes em várias partes do corpo. O Butch não vai parar de atingi-lo. Desse jeito o Ace vai...
Seguro Butch pelas costas e o puxo para longe do homem-verde, ele olha para mim meio confuso. Eu olho no fundo dos seus olhos com sinceridade.
– Já chega, Butch! Desse jeito vai matá-lo. – Ele me olha ainda um pouco confuso, mas logo assente.
Se afasta da gangue, eu seguro seu braço e o sigo. Ace o olha com chama nos olhos, por um momento achei que ele revidaria, mas ele não é tão forte nem corajoso a esse ponto. Revira seu olhar para os membros da sua gangue, que se arrepiam ao ver seu líder naquele estado.
– O QUE ESTÃO ESPERANDO, SEUS PUTOS?!?! ME AJUDEM A LEVANTAR!! – Ace grita. Big Billy o carrega e todos correm para a saída do shopping. – Não pense que acabou, eu vou me vingar!! Você ainda vai conhecer a verdadeira Gangue Gangrena!!
Dizendo isso eles fogem do lugar num piscar de olhos. Ainda segurando o braço de Butch, suspiro aliviada por eles terem ido em bora, o moreno olha para mim e sorri.
– Agora você está me devendo mais essa. – Ele fazia a mesma expressão de sempre, esperava uma resposta minha mas eu permanecia em silêncio. – É nessas horas que você pergunta: “O que você tá fazendo aqui?!”, ou então “Você tá mesmo me perseguindo?!?”. – Solto uma risadinha involuntária. – Que foi? Não está surpresa em me ver?
– Estou. Mas já tô me acostumando com suas aparições repentinas.
Solto seu braço e vou em direção da saída.
– Ei. Aonde você vai? – Pergunta.
– Pra casa. Não aguento ficar mais um minuto aqui. – Caminho lentamente em direção da saída, a porta automática se abre e eu tenho a visão do lado de fora. Estava chovendo muito forte, o vento frio fazia minhas roupas balançarem, e me sinto incapaz de sair da parte coberta. – Caralho, que chuva!
– É melhor esperar a chuva passar. – Butch sai do shopping e fica do lado de fora junto comigo (Na parte coberta, é claro). Quando ele vai me deixar em paz, hein? Tira um cigarro do bolso junto com um isqueiro, acende-o e aspira em seguida. Estende a caixa de cigarros para mim. – Quer um?
– Eu não fumo. E você também não deveria.
– Uou, Buttercup está me dando uma lição de moral. – Fala sarcasticamente enquanto aspira o cigarro. – Não faz muito seu estilo bancar a certinha.
– Ah, que se foda.
– Agora está agindo normalmente. – Ele ri. Pega mais um cigarro e fuma-o em seguida. – Você também não parece ser do tipo que gasta seu tempo livre num shopping. – Pelo visto ele sabe me deduzir muito bem.
– Definitivamente não. Odeio esse tipo de menina.
– Então porque está aqui?
– Eu sei lá. Detesto esse lugar mais do que tudo.
– Você realmente não gosta de coisas de mulher, não é? – Volto meu olhar para ele. Aspira seu cigarro e volta a falar. – Eu sempre te achei um pouco... diferente em relação às outras garotas.
Suspiro. Ele não desvia seu olhar de mim por um segundo, eu olho para a chuva forte caindo no chão. O vento frio batia em meu rosto, fazendo meu corpo se arrepiar, provavelmente eu pegaria um resfriado quando chegasse em casa. Mesmo sem olhar nos olhos de Butch, começo a falar.
– Diferente? Sim, eu sou diferente, mas de um modo estranho. Às vezes eu acho que eu deveria ter nascido um menino. O que é basicamente o que eu sou, tirando o aspecto físico. – Eu realmente deveria estar desabafando com ele?– Então aqui estou eu, um garoto preso no corpo de uma garota.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, tudo o que eu conseguia ouvir era o barulho da água despencando violentamente no chão. O cheiro de nicotina havia aumentado um pouco, o que me deixou desconfortável. Posso ouvir um suspiro curto vindo de Butch cortando o silêncio, olho para ele para ver sua nova expressão.
– Então isso quer dizer que você se sente mais atraída por mulheres do que homens? – Eu arregalo os olhos com sua pergunta. Ele está achando que eu...
– Não! Claro que não! Não disse que eu era lésbica em momento algum! – Eventualmente, acho que todo mundo também acharia isso de mim. Afinal os garotos da escola me tratam como se eu fosse um deles, e sempre que eu passo pelas garotas, elas me encaram e pensam: “Estranha”. –... Eu me sinto mais à vontade na presença de homens, só isso. Pois a maioria das garotas que eu conheço são do tipo que eu mais desprezo. – Butch toma sua atenção para mim e tira o cigarro da boca. Eu suspiro e volto a falar. – Eu odeio as mulheres que se submetem voluntariamente à vontade do sexo masculino. Elas acham que os únicos objetivos da vida são: 1. Ir ao shopping. /2. Comprar roupas no shopping. /3. Usar roupas do shopping. /4. Atrair membros do sexo oposto com as ditas roupas de shopping. /5. Casar com um membro do sexo oposto para usar um vestido branco, que foi comprado num lugar como o shopping só que menor e mais caro. /6. Viver a vida em casa fazendo pouca coisa, como cozinhar, limpar e fazer sexo com o marido para gerar bebês. – Suspiro mais uma vez em busca de ar, Butch não desvia os olhos de mim. – Uau. Com isso podemos concluir... que a vida de uma mulher não faz sentido.
Butch fica em silêncio por alguns segundos. Aspira seu cigarro uma ultima vez e o joga no chão, direciona seu olhar para a chuva e suspira.
– Então você acha que as erradas são as mulheres, não os homens?
– Não. Homens são um bando de pau-no-cu também. Só que as mulheres não facilitam as coisas.
– Peraí, deixa eu ver se eu entendi. Você odeia homens e mulheres?
– Eu odeio gente.
– Do que você gosta, afinal?
– Pizza, minha cama, vídeo-games, futebol, animes e mangás.
Butch arregala os olhos e nos encaramos por alguns segundos, antes que percebêssemos, estávamos caindo na risada. Riamos alto, sem nos importar se alguém ouvisse ou não. O moreno põe a mão na minha cabeça e sacode meus cabelos.
– HÁ, HÁ, HÁ. Você é realmente muito estranha. Mas eu gosto disso. – Seu comentário me deixa com vergonha e me faz corar. Nós paramos de rir e ele pega outro cigarro no bolso. – Bem, com isso pude concluir que você não veio aqui para comprar roupas. – Acendo o isqueiro e aspira ainda mais nicotina. Caramba, perdi as contas de quantos ele já fumou hoje! – Por acaso veio para se encontrar com aqueles seus amigos verdes?
Sua pergunta me calou fundo.
O som da chuva era mais alto que meus próprios pensamentos, senti meu corpo se estremecer. Fico cabisbaixa sem falar uma palavra, totalmente calada. Seu olhar me penetrava de curiosidade, agarro o tecido de minhas roupas com força, sinto uma pontada no coração e fico mais pálida do que o normal.
–... Eles não são meus amigos.
Butch fez uma expressão confusa, e decidiu insistir no assunto.
– Me diz, qual é a sua relação com aqueles caras?
E lá vem mais uma pergunta difícil. Sinto meu coração bater mais forte e começo a suar frio. Ele me olha profundamente, percebendo que eu não gostava de falar no assunto, mas mesmo assim insistia. Uma parte de mim quer desabafar, já outra me manda descartar todas as possibilidades de abrir a boca. Será que eu devo...
Suspiro.
– O líder deles... é o idiota por quem me apaixonei. – Butch fica em silêncio, ainda posso sentir seu olhar penetrante e não tenho escolha a não ser desabafar com ele. -... Ace D. Copular, meu ex-namorado.
Butch fica surpreso, me olha com uma cara quase que de espanto, eu desvio meu olhar para a chuva e suspiro. Acho que eu não devia ter contado mesmo.
– Você... Tem um mau gosto lamentável. – Debocha de mim.
– Concordo. Só uma pessoa de muito mau gosto conversaria com você.
– Há-há-há. – Ria sarcasticamente. A chuva foi diminuindo aos poucos, mas agora estava ainda mais frio. Butch olha pra mim mais uma vez e prossegue com o assunto. – Eu percebi que você e ele não tem uma afinidade muito boa. Algo me diz que o relacionamento de vocês terminou em treta.
– Talvez. Mas de qualquer forma, era evidente que terminaríamos, afinal de contas a Gangue Gangrena são nossos inimigos desde sempre.
– E mesmo assim você se apaixonou pelo líder deles?
– Pessoas estúpidas como você não entenderiam.
– O que suas irmãs disseram quando descobriram?
– Elas nunca ficaram sabendo. Se eu contasse elas iriam ter um surto, principalmente a Blossom. – Suspiro. – Sabe... nem eu sei porque gosto dele. Acho que essa paixão começou quando eu era pequena, eu nunca consegui bater nele do jeito que eu batia nos outros inimigos. Quando eu completei 14 anos, Ace e eu começamos a sair de repente, nem a gente acreditava no que estávamos fazendo. Assim que ele roubou meu primeiro beijo, começamos a namorar. Desde então ele se tornou minha vida, eu deixei de sair com meus amigos para ficar com a gangue. Confesso que eu já me diverti muito com aqueles caras. – E assim várias lembranças invadem minha mente, sinto uma vontade imensa de chorar. Butch me olha curioso para saber o que tinha acontecido depois, eu respiro fundo e volto a falar sem entrar em detalhes. – Mas quando completamos dois anos de namoro... Eu vi Ace com outra garota no quarto dele. – Butch arregala os olhos. – Eles não estavam só se beijando, como também estavam se comendo. Eu gritei com ele e nunca mais voltei lá. Apesar de ele ter me traído eu não consigo esquecê-lo, eu não o via só como namorado, eu o via como a pessoa que eu mais confiava no mundo... Eu me odeio por amá-lo.
A chuva parou e o silêncio domina o lugar, tudo que consigo ouvir é o suave som do vento frio. Posso sentir o olhar penetrante do moreno sobre mim, eu o espero falar mas ele nada responde. Joga o cigarro fora e suspira.
– Você realmente se apaixonou por um idiota de primeira. Sabe, se eu fosse você eu não ficaria sofrendo por causa dele. Eu me vingaria. – Me vingar? Ouço uma risada baixa e maléfica vinda de Butch. O que ele está tramando?–... Seria uma pena se a casa deles pegasse fogo.
Hein? Butch fica de frente para mim e sorri.
– O que acha, Bc? Tá afim de se divertir um pouco?
Continua...
Notas finais
Mas ele vai ser muito fdp nessa fic de qualquer jeito.
Vou começar a escrever o cap 5 amanhã, postarei assim que puder :D
Kissus ♥
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