Notas iniciais
Yoo minna o/
Mais um capítulo prontinho saindo do forno :D
Estou tão feliz TwT Recebi tantos reviews e sete favoritos, aí eu me emociono :')
Quero agradecer a todos que estão lendo a fic, sério mesmo, vocês são a minha motivação :3 mil kissus ♥♥♥
Bem, esse capítulo vai pegar fogo.... Literalmente XD
Espero que gostem :3
Boa leitura!!

– O que acha, Bc? Tá afim de se divertir um pouco?

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Eu realmente aceitei fazer isso?Butch segura meu braço e me leva até o estacionamento do shopping, estava lotado de carros, mas poucos deles circulavam. O moreno estava procurando seu veículo, por isso não tirava os olhos dos corredores, enquanto eu não conseguia tirar os olhos dele. Quando Butch me propôs essa tal “vingança”, eu nem ao menos pensei duas vezes, dizer sim foi a primeira coisa que veio em minha mente. Senti uma pequena pontada no peito e pus a mão em cima. Seja lá o que ele estiver planejando... Será que eu devo mesmo fazer isso? Uma parte de mim está animada para fazê-lo, mas a outra está ressaltando.

– Chegamos. – Butch para de frente para uma das motos mais lindas que eu já vi na minha vida. Ela era grande, se brincar cabia umas três pessoas ali em cima, sua cor era preta e tinha uns detalhes vermelhos. Ele tira uma chave do bolso e sobe no veículo. – Sobe aí.

– Cara, que moto legal! – Digo, ainda admirando o veículo em minha frente. Butch sorri.

– Maneira, né? Roubei ela ontem. – Meu sorriso se desmancha e eu faço uma expressão mais séria.

– Porque será que isso não me surpreende? – Ando para mais perto dele e o encaro. – Você vai devolver essa coisa!

– Ué, mas por quê?

– Como assim por que, seu sínico? Se você não devolver, vai ter que pagar.

– Foi mal aí, mas tô sem grana. – Espreguiça seus braços e um sorriso provocante brota em seu rosto. – Se quer tanto assim que eu devolva, pague o que me deve.

– E quem disse que eu te devo alguma coisa?

– Ah, você não se lembra? Deixa que eu refresco sua memória. Quando eu te ajudei na porra daquele hotel, você prometeu me pagar 30% da grana que aqueles caras roubaram. Mas até agora não vi nem a cor do dinheiro. – Merda, eu já tinha me esquecido disso. – Em outras palavras: você me roubou. Eu sei que você não tem dinheiro para me pagar, por isso vou pensar em alguma coisa para você compensar o que me deve. – Pega um capacete e me entrega. — Agora sobe aí que o tempo tá passando.

Desgraçado... – Coloco o capacete e me apoio para subir no veículo.

Me ajusto tentando achar uma posição segura, Butch passa a chave ligando a moto que faz um barulho alto. Por instinto, eu abraço o corpo dele por trás procurando mais segurança, ficando com o rosto grudado em suas costas largas. Sinto o corpo dele se estremecer um pouco com meu toque, eu passo a mão de leve em seu peitoral, sentindo sua frente definida. Como ele consegue ter um corpo assim? Seu rosto se volta para mim e eu posso ver seu sorriso provocante.

– Tá querendo me estuprar, é isso? – Sinto meu rosto esquentar. – Tô começando a achar que você tem uma queda por mim.

– P-Porque alguém se sentiria atraído por você?!? Não tô te segurando porque quero! Se tá se sentindo incomodado, te solto com o maior prazer.

– Calma, eu só tava brincando. – Vira seu rosto para frente e liga a moto. Dirige até a saída do estacionamento e mete o pé na tábua, com um impulso, me seguro nele com mais precisão. – Pode se apertar em mim à vontade.

– Cala a boca.

E assim nós vamos em direção da parte vazia da cidade de Townsville, onde ninguém ousa pisar por vontade própria. Lugar da localização da Gangue Gangrena.

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Paramos em frente à cerca que separava a parte segura da parte sombria da cidade, atrás dela estava a pequena casa onde moravam os membros da gangue que me vingaria. Ainda não me acostumei com essa historia de vingança. A noite estava fria, senti alguns calafrios circulando por minha pele e comecei a me questionar se era pelo frio, ou pelo nervosismo. Será que essa é mesmo a coisa certa a fazer?

Butch estaciona sua moto em baixo do poste, pega uma bolsa preta que estava guardada na parte de trás da moto e nós descemos, o moreno voa até o outro lado da cerca e me chama.

– Tá esperando o que? Vem logo. – Eu flutuo e fico na mesma altura em que ele está, porém não o sigo. Fico cabisbaixa ainda indecisa do que vou fazer. Ele olha para trás e percebe que não mexi nenhum músculo, vem em minha direção. – O que foi?

– Butch... Já são onze horas, melhor voltarmos.

– Não me diga que quer amarelar agora? A Bc que eu conheço não é assim.

– N-Não é isso, é que... – Sim, por dentro eu só estava pensando em como Ace reagiria com algo assim. Ele com certeza me odiaria. E esse medo de ser odiada por ele me dava nos nervos. Porque eu sou tão idiota?

O moreno segura meu braço e me guia com ele, sem desmanchar o sorriso em seu rosto.

– Deixa de ser fresca. – Me leva para mais perto dele e flutuamos cada vez mais próximos do local. — Estamos aqui para nos divertir. – Rio um pouco. Uma confiança desconhecida invade meu corpo e eu o sigo. Quer saber? Foda-se o Ace.

Voamos em direção da casa e aterrissamos atrás de alguns arbustos. Eu olho para o rosto do moreno, me parecia muito determinado, seu sorriso debochado se misturou com sua confiança, o que o fez exalar uma aura maligna. Esquisito, ele agora está me parecendo um tanto... assustador. Butch fica um tempo admirando a humilde residência dos Gangrena, depois vira seu olhar para mim.

– É nessa casa aí? – Pergunta. Eu assinto a cabeça e ele solta um risinho. – Pois é, a vida não tá fácil pra ninguém. – Eu acabo rindo junto.

– Eu te garanto que nunca achará pessoas mais pobres do que eles. – Olho ao redor e percebo que o carro deles não estava lá, sinal de que não tinha ninguém em casa. – Eles ainda não chegaram.

– Beleza, é a nossa chance. – Abre a bolsa preta e de lá tira uma garrafa com um líquido estranho, me entrega em seguida. Eu tombo a cabeça no ombro, ainda sem saber que líquido era aquele. – Espalha isso ao redor da casa deles.

– Que troço é esse?

– Gasolina, o que mais. – Hein? Gasolina? Ele realmente quer tacar fogo na casa?

– Que tipo de pessoa leva uma garrafa de gasolina na bolsa?

– Nunca se sabe quando uma oportunidade de zuar vai aparecer. – Abre mais a bolsa e a mostra para mim. Lá dentro tinha alguns grafites, bombinhas, canivetes e outros tipos de armas ilegais. – Conheça meu “kit da zuera”.

Eu acabo rindo com a situação. Esse cara é doente, só pode.

– Você é definitivamente um servo da zuera.

– Claro. The zuera never ends. – Ele ri junto comigo. Me da um empurrãozinho em direção da casa. – Agora vai lá, Bc. Antes que eles cheguem.

– Só mais uma pergunta: Porque você sempre me chama de Bc?

– Buttercup é um nome muito grande. E é escroto. Bc combina mais com você.

– Vou fingir que não perguntei... – Uma veia salta em minha testa com seu deboche, ele ri como resposta. Como se Butch fosse um nome bonito.

Ando para mais perto da casa e espalho o líquido por toda borda, apesar de eu não ser a pessoa mais limpa do mundo, acabo me incomodando com toda a porqueira do lugar. Como eles conseguem viver nesse lixo? E como é que eu conseguia vir pra cá todo dia sem notar essa sujeira? Assim que o líquido acaba, eu voou para atrás dos arbustos novamente, ficando ao lado de Butch.

O moreno tira algumas bombinhas da bolsa e olha para mim, como se estivesse pedindo permissão. Sinto meu coração apelar e mais uma vez me sinto indecisa do que fazer. Caramba, eu nunca fui assim. Eu sempre fui tão determinada. Porque isso agora? Eu assinto e ele sorri. Com o braço direito, impulsiona para trás e lança as bombinhas em direção da casa, que soltam faíscas por causa do impacto. Em poucos segundos eu já estava sentindo cheiro de queimado, a madeira da casa entrou em chamas exalando um cheiro estranho.

Enquanto Butch caía na risada com a cena, eu permanecia séria, um sentimento de culpa invadiu meu coração. Ouvimos um som de carro se aproximar, era a Gangue Gangrena, saíram do carro como foguetes e fizeram cara de espanto ao ver o incêndio em sua casa. Merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda.

– MAS QUE PORRA É ESSA?!?!?! – Grita Ace fazendo o maior esparro. Todos da gangue ficam boquiabertos e sem menor ação. De alguma forma, eu acho graça.

– Nossa casa... O QUE FIZERAM COM ELA?!?! – Grita Arthuro se rastejando no chão desesperadamente. – Tudo o que temos está lá dentro! Nossas roupas, nossa TV, nossa geladeira...

– E o pior de tudo... – Começa Snake. -... Nosssasss Play-Boysss.

– NÃÃÃO!! AS PLAY-BOYS NÃO!! – Grita Ace quase chorando, o que me faz cair na gargalhada. Caramba! Isso é hilário!! Não pensei que me divertiria tanto. – SEJA LÁ QUEM FEZ ISSO, É UM HOMEM MORTO!! E VOCÊS QUATRO, O QUE ESTÃO ESPERANDO?!? APAGUEM O FOGO!!

Dizendo isso, toda a gangue corre em desespero à procura de água, enquanto Butch e eu quase temos um ataque de risadas. Para evitar que nos descobrissem, nós voamos para fora do local, ultrapassamos a cerca e ficamos ao lado de sua moto. Rolando no chão de tanto rir, sinto uma necessidade imensa de respirar e tento dar uma pausa, sem sucesso. Sinto algumas lágrimas brotarem em meus olhos. Nossa, eu tô chorando de rir. Butch ria tão alto quanto eu, nós dois estávamos completamente domados pela gargalhada.

– Isso... Foi... Muito... Hilário...!! – Diz ele em meio de risadas escandalosas, eu tento me acalmar um pouco e respiro.

– Obrigada por me meter nessa. Fazia anos que eu não me divertia tanto! HÁ HÁ HÁ... – Digo também em meio de risadas. – Caramba! HÁ HÁ HÁ... EU VOU MORRER DE TANTO RIR!

– Vo-... HÁ HÁ HÁ.. Você viu quando eles começaram a chorar por causa das Play-Boys?! HÁ HÁ HÁ...

– “Nãããããooo!! Tudo menos as Play-Boys!! Comprei quando tinha treze anos!!” HÁ HÁ HÁ... – Falei tentando imitar a voz de Ace.

Depois de vários minutos rolando e batendo no chão, conseguimos dar um descanso das gargalhadas em busca de ar, nos levantamos e ficamos encostados na moto. No final das contas, até que foi bem divertido. Butch pega um cigarro no bolso e o acende, olha para mim sorrindo debochadamente como sempre faz, suspiro junto com ele.

– Parece que eu consegui te induzir ao mau-caminho. – Diz ele. Eu solto um risinho sarcástico. – O que você fez agora foi muito mau, mocinha.

– Pois é, você é uma má-influência pra mim. Eu não deveria andar contigo. – Ele ri. Se aproxima de mim e põe a mão do meu lado, impedindo passagem.

– Eu sou um monstro, Bella. Fique longe de mim. – Diz ele fazendo uma voz serena, um tanto gay. Mais uma vez eu caio na gargalhada. – Eu sou perigoso! Eu brilho no sol!

– Eu confio em você, Edward. – Nós dois começamos a rir da cara um do outro. – Francamente, que tipo de pessoa consegue gosta de Crepúsculo?

– Meninas virgens que ficam na espera do príncipe encantado.

– Tipo a Blossom.

– Hehehe. – Volta para a mesma posição de antes e aspira seu cigarro. Se volta para mim e fala. – Agora vai, admita que a vingança é doce.

– O que?

– Como assim o que? Acabamos de queimar a casa do cara que te traiu. Admita que gostou.

– Superou minhas expectativas, basicamente. – Suspiro. – Mas bem que eles mereceram.

–Também acho. Ainda não consigo acreditar que você namorava um cara daqueles.

– Nem eu... – Ficamos em silêncio por alguns minutos apenas aproveitando a presença um do outro. Sinto arrepios pelo corpo todo, agora o vento da noite estava mais frio do que nunca, fazendo-me tremer os dentes. – Nossa, que frio!

Butch olha para mim e suspira. Vejo-o abrir o zíper de sua jaqueta preta e a tira, envolve ela entre meus braços, esquentando meu corpo.

– Vista isso. Senão vai pegar um resfriado – Ele fala com uma voz sincera, olhando no fundo dos meus olhos. Eu volto meu olhar para ele, agora a única coisa que o cobria era uma camisa cinza sem mangas a calça jeans. Olha quem fala!

– Igualmente. – Tiro a jaqueta de meus braços e a entrego de volta. – Se não usar, você vai pegar um resfriado.

– Eu vou ficar bem. – Insiste ele, rejeitando o agasalho. – Já você não é tão forte contra resfriados. Por isso use-a.

– Quem disse que eu não sou forte? Raramente eu fico doente. – Sinto arrepios no meu corpo mais uma vez. Me dou por vencida e coloco a jaqueta. -... Mas já que insiste tanto...

Me aconchego com a roupa, sinto meu corpo se esquentar aos poucos e o frio vai em bora. Tão quentinho... E tão cheiroso. Será que esse é o perfume que ele usa? Obviamente fica um pouco grande em mim, ultrapassando minha bunda, o que me deixava ainda mais confortável. Eu sempre tive uma tara por roupas largas. Butch olha pra mim ainda com um olhar sincero, o que me faz estranhar um pouco. Ele nunca olhou pra mim desse jeito...

– Porque você está sendo tão gentil? – Pergunto. Vejo-o corar um pouco. Butch corado? Essa é nova.

– Eu posso ser gentil quando quero... – Revira o rosto um pouco, me impedindo de ver sua expressão. Algumas lembranças invadem minha mente, de quando uma pessoa já tinha dito isso para mim. Ace. Sim, Ace. Uma vez ele já me disse essa frase sem pular uma vírgula, que no momento fez meu coração palpitar. No final das contas, Butch e Ace eram bem parecidos.

– Você... Me lembra um pouco ele... – Butch me olha com um olhar confuso, tomba sua cabeça no ombro. Eu faço uma cara de cão-sem-dono sem desviar de seu rosto. -... Estou falando do Ace.

Butch tosse, olha para mim com uma expressão um tanto ofendida.

– Está me comparando com aquele cara?

– Estou. Mas não de um jeito ruim... – Sinto uma leve dor no peito, como se sentisse a necessidade de por toda essa dor pra fora. Merda! Por quê eu não consigo esquecê-lo? Por quê?? Uma saudade invade meu coração, aumentando a dor. Butch olha para mim um pouco preocupado, porém curioso. Fito meus olhos nele e respiro fundo. Agora eu iria desabafar tudo com ele. – Sabe Butch, acho que sei porque me apaixonei por Ace... Apesar de ele ser um idiota, duas caras, traidor, imbecil, pervertido, e inútil... Por dentro ele é um cara que se preocupa com as pessoas, principalmente se for da gangue dele, e ele sempre te faz companhia e elogios... – Butch não desvia os olhos de mim, percebendo meu olhar triste, completamente entregue. –... Ele foi o único homem que disse que eu era realmente linda. Ele não me viu como uma brutamontes arrogante... Ele me viu como mulher. Ou ao menos via. – Porque estou dizendo essas coisas? Isso é muito constrangedor! – Depois que começamos a namorar, passei a andar com a gangue todos os dias. Fiz amizade com todos e era como se eu também fosse um membro da gangue, eles me tratavam como ninguém nunca tratou, eles não me tratavam como uma Super-Poderosa, e sim como uma garota normal. É claro que as pessoas começaram a reparar minhas escapadas repentinas, mas nunca descobriram que eu estava com os Gangrena. – Respiro fundo e sinto lágrimas brotarem em meus olhos. -... No dia em que eu vi Ace na cama com outra mulher, foi como se meu mundo tivesse desabado. Ele era tudo pra mim, eu estava prestes a abandonar tudo o que eu tinha por causa dele... Eu realmente amava ele. E o pior é que ele não veio se desculpar, pelo contrário, não fez a menor diferença na vida dele não estar mais comigo. Eu sempre fui de me apegar facilmente às coisas, e no caso, eu me apeguei demais a eles. – As lágrimas descem, tanto a raiva quanto a tristeza apertam meu coração. Merda, eu tô chorando na frente dele! Minha voz fica mais fina por causa do choro. – Mas o pior de tudo... É que eu não tinha ninguém para desabafar. Como eu tinha me afastado de todos os meus amigos, eu estava sozinha. Minha relação com minhas irmãs nunca mais foi a mesma e só restava me trancar no quarto e chorar debaixo do travesseiro. Por sorte consegui fazer uma amiga que passou pela mesma coisa que eu... Seu nome é Amy. Ela também foi traída pelo namorado, por isso ambas sentíamos a mesma dor... – Enxugo as lágrimas com a manga da jaqueta, Butch ainda me olha com seu olhar penetrante, me parecia preocupado. Tira seu cigarro da boca e joga em algum lugar no chão. -... Mas você nunca entenderia porquê nunca sofreu por amor.

Ele fica em silêncio e olha para o céu, eu enxugo minhas lágrimas com força, tendo raiva de mim mesma por estar chorando. As lágrimas não paravam de descer, e por mais estranho que parecesse, eu não me sentia desconfortável chorando na frente dele. Pelo contrário, eu me sentia mais leve por finalmente ter contado isso pra alguém, eu nunca tive coragem de contar nem pra Amy. Nunca me imaginei desabafando tudo com... O Butch.

Num ataque surpresa, o moreno me puxa para perto do corpo dele, envolvendo seus braços nas minhas costas, me apertando com uma força moderada. O que?! Seu abraço esquentou tanto meu corpo quanto minha alma, senti como se eu não estivesse mais sozinha. Senti como se finalmente tivesse achado alguém capaz de cicatrizar minhas feridas e me mostrar o quanto um simples abraço pode ser a resolução de tudo. Sua mão acaricia a minha cabeça, alisando meus cabelos. Sinto sua respiração em minha testa e ponho as mãos em seu peito forte, sentindo os batimentos do seu coração, fazendo o meu acelerar.

O... O que está acontecendo, afinal?! Ouço-o suspirar levemente e afasta seu rosto, olhando no fundo dos meus olhos seriamente. Eu estava confusa, é claro, não tinha a mínima ideia do que se passava em sua mente agora, e tudo o que eu queria saber era no que ele estava pensando.

– Bc... Eu já decidi a condição que você tem que fazer para não ter que pagar o que me deve... – Fico mais confusa do que nunca. Hein?! Como assim?!? Ele me abraça e vem falar de dinheiro?!? O que ele tem na cabeça?!? Bosta?!?! Ainda olhando em meus olhos, respira fundo e volta a falar. -... Seja minha namorada.

...He-...?!

HEIN?!?!?!?!?!

Arregalo os olhos sem acreditar no que ele acabara de dizer, o empurro com força, me livrando do seu abraço. Ele parece surpreso, mas não tanto quanto eu. Agora eu estava suando frio, uma série de perguntas invade minha mente como se tudo o que eu visse fossem palavras. Minha respiração acelera assim como meus batimentos, ponho a mão no peito que saltitava a cada segundo que eu olhasse para Butch.

– N-NAMORADA?!? TÁ FICANDO MALUCO OU O QUE?!? – Pergunto histericamente.

– E o que você tem a perder? Não pode me pagar de qualquer forma.

– E-Eu sei, mas... Namorada?! NAMORADA?!? Nós somos inimigos e...

– E daí? Você namorou o sobrinho do Hulk, e ele era seu inimigo. Sendo assim não vejo nenhum problema em você ser minha namorada.

– Eu sei disso cara... Mas não acha que estamos indo rápido demais?

Ele fica em silêncio por alguns segundos e suspira, anda até o poste e se encosta nele. Coça a cabeça como se estivesse pensando em algo, eu me aproximo e ele volta a olhar para mim. Estranho, ele parece tão sério agora.

– Está bem. Ao menos aceite minha amizade. – Eu tombo minha cabeça no ombro sem entender. Peraí! Primeiro ele pede namoro, mas só amizade pra ele já tá bom?! Afinal de contas, se ele continua me perseguindo mesmo depois de voltarmos de Las Vegas, é porque ele quer alguma coisa. O que ele quer de mim?? – Olha, você mesma disse que não tem muitos amigos por causa desses caras.

– Butch... Porque você quer fazer isso?

Ele suspira, olha para baixo e fica um tempo em silêncio. Pega mais um cigarro no bolso e acende, aspira liberando a fumaça no ar frio. Eu não tiro meus olhos dele.

– Porque quando eu me interesso numa coisa... Eu vou atrás. – O que? – Eu me interessei em você. Para ser sincero eu nem sei a razão, mas digamos que você me atrai de um jeito... Peculiar. – Aspira seu cigarro mais uma vez, olha para mim com seriedade e respira fundo. – Minha proposta é a seguinte: Saia comigo, se divirta comigo, aprenda a gostar de mim. É desse jeito que se inicia uma amizade. Eu quero te conhecer melhor e também quero que você me conheça melhor. E com o tempo... Eu vou te conquistar. Quando isso acontecer, nós dois vamos namorar. E eu vou fazer você esquecer aquele idiota de uma vez por todas.

Sinto meu coração bater mais forte, não sei bem se é pela surpresa ou por uma suposta... alegria. Butch aspira seu cigarro uma última vez e o joga no chão. Meus olhos começam a brilhar. Ele está fazendo isso tudo... Pra me ajudar a esquecer o Ace.

– Butch... – Começo, um pouco emocionada.

– Eu farei você esquecer essa dor. É só me dar uma chance.

Ponho a mão no meu peito, sinto algo que nunca senti antes. Uma maré de dúvidas passa pela minha cabeça, porém estava mais preocupada em responde-lo. Eu não sabia o que dizer, não sabia o que fazer. Eu não posso decidir isso agora.

– Eu... Eu preciso de um tempo... Pra assimilar isso tudo. – Respondo em meio de pausas. – Eu... Preciso pensar.

Ele olha para mim e se aproxima, põe a mão em meu ombro me confortando. Olho para ele com um pouco de vergonha.

– Sem problema. Só não demora muito. Do mesmo jeito que sou rápido para decidir, sou rápido para desistir. – Olha para seu relógio de pulso. – Vish, meia-noite. Melhor eu te deixar em casa.

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Desço da moto e fico de frente para a minha casa, tiro o capacete e o entrego em seguida. Eu ainda estava com um pouco de vergonha pelo que aconteceu, e o fato dele ter me dado carona até em casa também me deixou com o coração na mão. Eu nunca que iria imaginar que ele fosse tão legal assim. Butch olha para mim e sorri provocantemente.

– Só isso? Eu te deixo em casa e você nem vai pedir meu telefone? – Pergunta. Eu solto um risinho involuntário e pego meu celular na bolsa.

Nós pegamos o telefone um do outro e guardamos os celulares. Olho para Butch com um olhar sincero.

– Valeu pela carona.

– Não foi nada. Se eu te deixasse sozinha você ia acabar se perdendo.

– Há-há-há. – Rio sarcasticamente. – Mas é sério, obrigada por tudo.

Ele tira o capacete para me olhar melhor, sorri em seguida.

– Pensa bem na minha proposta, ok?

Eu assinto e vou até a porta da casa, dou uma última olhada para trás e aceno, ele acena de volta e vai embora. Suspiro. Ultimamente minha vida anda muito agitada. Pego as chaves e abro a porta devagar, fechando-a em seguida. Sou recebida por um abraço inesperado, tudo que vi foi uma faísca azul vindo em minha direção e me agarrando com força. Que porra é essa?!

– Oh, Buttercup! Graças à Deus! – Diz Bubbles que apertava meu pescoço com força. – Onde você estava?!

– Não... Consigo... Respirar!!! – Afirmo tentando pegar fôlego. Bubbles me solta e fica me encarando curiosamente. Vejo Blossom descer as escadas furiosamente em minha direção.

– Por onde você se meteu, mocinha?!? – Pergunta ela com sua pose autoritária. – Nós nos distraímos por um segundo e você some?!

– Olha só, em primeiro lugar, para de falar como se fosse minha mãe!

– Não paro não! Caso você não se lembre, nós não temos uma mãe. Por ser a líder desse grupo eu me encarrego de... – Para de falar de repente. O que foi, sabichona? O gato comeu sua língua? Me olha dos pés à cabeça reparando algo diferente. – Que jaqueta é essa?

Olho para baixo e percebo a jaqueta preta em meu corpo. Droga, tava tão confortável que esqueci de devolver pra ele!

– Isso é jaqueta de menino. – Diz Bubbles observando o agasalho, olha para mim um pouco surpresa. – Buttercup, não me diga que...

– Não é da sua conta! Agora me deixem ir! – Respondo grosseiramente, vou em direção da escada. Sou interrompida pela mão de Blossom que pousa em meu ombro, me puxando para trás.

– Isso lá é jeito de falar com suas irmãs?! Sorte sua que o Professor está na casa da Srta. Bellum, senão estaria em sérios problemas! – Diz ela furiosamente. Argh! Essa menina me dá nos nervos!

Desde que entramos no ensino fundamental, o Professor começou a namorar a srta. Bellum, o que é muito bom porque sempre a consideramos como nossa figura materna. Ela sempre nos ajuda a resolver nossos problemas, e como é a secretária do prefeito sempre tem um tempinho para ficar conosco. Digamos que o relacionamento dos dois pombinhos anda meio... Picante. Por isso já tinha uma ideia do que o nosso querido papai estaria fazendo na casa da namorada em plena meia noite.

Blossom vai em direção do telefone e começa a discar.

– Eu vou ligar pra ele agora mesmo! – Diz ela com o ouvido na linha. Eu tiro das mãos dela e desligo na hora. – Ei! Porque você fez isso?!

– Blossom, deixa de ser fresca e vai arranjar o que fazer. Só não perturbe o Professor quando ele está trepando.

Seu rosto fica completamente vermelho e ela começa a gaguejar.

– I- Isso... ahn... err... Isso é algo muito impróprio de se dizer!!! – Tampa os ouvidos com as mãos. – Não coloque mais imagens impuras na minha mente!!

– Ah, cala a boca! – Subo as escadas e vou em direção do meu quarto. – Me deixem em paz!

Bato na porta com força, sou capaz de ouvi-las sussurrar “O que nós fazemos com essa menina?” ou então “Ela já é um caso perdido!”, me deito na cama e enterro minha cabeça no travesseiro. As lembranças do dia passam pela minha mente e não saem mais. Não consigo esquecer de como Butch me salvou de Ace, quando nós incendiamos a casa dos Gangrena, e principalmente da proposta que ele fizera.

“Seja minha namorada.”

Sinto meu rosto corar só em lembrar das coisas que ele disse.

“Ao menos aceite minha amizade. (...) Eu me interessei em você. (...) Saia comigo, se divirta comigo, aprenda a gostar de mim. (...). Eu quero te conhecer melhor e também quero que você me conheça melhor. E com o tempo... Eu vou te conquistar. Quando isso acontecer, nós dois vamos namorar. E eu vou fazer você esquecer aquele idiota de uma vez por todas. (...)Eu farei você esquecer essa dor. É só me dar uma chance...”

Será... que ele estava sendo sincero?

Mudo minha posição e fico de barriga para cima, fito meu olhar para o teto e uma sensação estranha surge. E assim meus pensamentos começam a fluir mais alto que o infinito.

Porque algo está me dizendo que as coisas nunca mais serão as mesmas? Porque algo está me dizendo que haverá uma revolução na minha vida daqui pra frente? E o pior de tudo... Porque quando essas sensações estranhas surgem tudo o que eu consigo pensar é no Butch? Bem, eu não sei. Mas sei que nosso reencontro não deve ter sido uma simples coincidência...

Continua...

Notas finais
Eu sei que a imagem não está no contexto, mas achei ela por aí e me apaixonei *o*
Bc sua sortuda malditaaaaa, eu quero um Butch pra mim T-T
Hehe, me respondam, se vcs estivessem no lugar dela, o que vcs fariam? (meio obvio ¬¬)
Só pra avisa que PROVAVELMENTE demorarei um pouco para postar o cap 6. As provas começaram e eu preciso dar meu melhor -.- Então pfvr não me matem e.e
Até o próximo capítulo o/
Kissus ♥