Playing With Fire

14 Operação: Salvar o loiro


Notas iniciais
Yoo minna o/ Aqui estou eu, na maior cara-de-pau, implorando de joelhos por seu perdão. ME DESCULPEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEM!!!!! Dessa vez eu demorei quase uma década (duas semanas, na verdade)!!! Por favor, eu sinto muitíssimo T^T!! Bom, tentarei explicar esse atraso o melhor possível: Provas finais. Pois é, tive que passar duas semanas inteirinhas com a cara nos livros. Elas ainda não terminaram, mas fiquei com pena de fazê-los esperar por mais um cap por tanto tempo, por isso arranjei um tempinho pra escrever só por vcs. Viram como eu sou legal? Já tenho um lugarzinho no céu :3 hehehehehe, brinks. Pra compensar o atraso, e também pelo o cap anterior ter sido um tanto "curto", fiz um cap grandão em com muuuuuuuita luta pra vcs. Nós iremos ter uma pequena nostalgia por uma certa vilã que marcou PPG, nunca deixaria de por ela na fic. Linda, te amo ♥ E... Bom... Acho que eu não poderia deixar de agradecer à Anne Hyuuga que RECOMENDOU A FIC!! MUITO OBRIGADAAAAAAAA, SUA LINDAAAAAA!!!! UM BILHÃO DE KISSUS PRA VC!!! ♥♥♥♥♥♥♥♥♥... Agradecimentos: Gablychan, PunkRock, Tali Miniwa, Ravenna Morgan, UmaDoceteLouca, Marcela Abadeer, cookiecute, Fernando Zelros, Anne Hyuga, bakarayo, Alexia Vasconcellos, Ly, natsumi1406, Shirayukki, Kagome chan, Clove Mason, Raquel, e a todos eles que leem a fic mas continuam sem aparecer. Amo muito vcs seus lindoossss!!! FernandadDias, sua linda, seja muito bem vinda :3 Pois bem, já tomei muito seu tempo. Agora vão ler!! Xô!! Boa leitura!!

–... Levaram o Boomer.

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Butch, desesperado com a situação, nem esperou ouvir minha resposta e me arrastou até sua casa. De certa forma, também estava preocupada com isso tudo. Não sei ao certo o que eles aprontaram, mas são os Desordeiros, e seu nome já diz tudo: Seu maior dom é causar desordem.

O moreno abre a porta rapidamente, ainda me segurando com força, chamando a atenção de Brick, que parecia ser o único presente na casa. O ruivo muda completamente sua expressão ao me ver, o que já era de se esperar vindo de um inimigo. Estranhamente não me sentia desconfortável na presença dele, passo tanto tempo com meus inimigos que ajuda-los deve ter se tornado algo normal para mim. Butch já me ajudou uma vez. Esta seria a minha retribuição.

O garoto ruivo se levanta da poltrona com chamas em seus olhos.

– O que essa vadia tá fazendo aqui?!? – Pergunta o ruivo indignado, xingando-me consumido pela raiva e desprezo. – Eu disse pra você procurar ajuda! E não mais problemas!

– Olha, não há ninguém tão forte o suficiente pra nos ajudar nessa situação! Eu não tinha escolha! – Argumenta Butch, entrando na sala, me trazendo junto com ele. – E o que temos a perder?? Se tivermos a ajuda dela, seremos invencíveis! Ela é tão forte quanto o Boomer, se brincar, até mais!

Brick fica ainda mais irritado, segura a blusa de Butch pela camisa ainda com chamas nos olhos. Dou um pulo para trás, o ruivo parecia até que iria nos matar ali mesmo.

– Escuta aqui... – Começa o ruivo. — Eu tô pouco me fodendo se ela é forte, fraca, um brutamontes, ou seja lá o que for. Eu me recuso a me unir a essa piranha, está me ouvindo?!?! Já está na hora de você compreender que o lugar dela é no inferno!! Agora a tire daqui antes que eu faça alguma coisa ruim!!!

Depois de todos os xingamentos e ofensas que o ruivo dirigiu a mim, meu ego começou a reagir, me dando coragem para apartar aquelas duas feras e encarar Brick no fundo dos olhos. Seu simples olhar já transmitia claramente sua vontade de me esganar, por isso decidi combater fogo com fogo, encarando-o com a mesma expressão que ele voltava para mim.

– Qual é o seu problema, hein?!? – Começo a reclamar, quase cuspindo. – Olha, eu sei que tivemos altos e baixos por muito tempo, mas não acha que está sendo ignorante demais?! – O ruivo não tirava os olhos de mim, soltava fumaça pelos ouvidos a cada palavra que eu dizia. – E tem mais, eu não vim por você, vim porque o Butch me pediu. E não vou deixar de ajuda-lo só porque um certo idiota ainda tem a maturidade de um garotinho de dez anos.

– Ah é? E o que faz a senhorita pensar que ele se importa com essa sua preocupação toda? – Brick retruca, meus olhos se arregalam e por um instante, meu coração desacelera. – Se toca! Ele está se aproveitando de você!

Butch começa a exalar uma aura maligna, agarra Brick por seus longos cabelos ruivos amarrados num rabo-de-cavalo, fazendo o boné vermelho cair no chão. O moreno o encara com seriedade e ódio, enquanto o ruivo saboreava a expressão do irmão com um sorriso maldoso estampado no rosto.

– Brick... Eu já disse pra parar de falar merda!!

– Ah, ficou estressadinho, Butch? – Brick debocha, olhando maleficamente para o irmão. Eu ainda não consigo entender o motivo dessa treta mas... Quando Brick começa a falar essas coisas sem sentido, Butch acaba perdendo o juízo. – Ou será que só está com medo que eu conte a ela a verdade?

O moreno fica ainda mais irritado, prepara um golpe para o irmão, mas eu o empeço. Aparto os dois, olho para Butch suavemente, como sinal para ele se acalmar. Quando se acalma, tomo minha atenção para Brick novamente, que permanecia com a cara de quem comeu e não gostou de sempre.

– Brick, não importa quantas mentiras você invente. – Começo. – Eu nunca vou acreditar em você. Eu sei que Butch não faria essas coisas que você diz que faz.

– Como pode ter tanta certeza?! Você nem o conhece!!

Faço uma pausa por alguns instantes, fito o chão e respiro fundo. Suspiro e me preparo para falar.

–... Ele é meu amigo. – Respondo, fazendo o ruivo prestar atenção em minhas palavras. – Essa é a única certeza que tenho. Amigos confiam uns nos outros, do mesmo jeito que eu confio nele.

O silêncio reina o local, Butch olha para mim com um olhar surpreso. Não parecia triste nem feliz. Na verdade ele estava neutro. E também um tanto aliviado. Pude perceber isso quando ele ajeitou um sorriso.

Brick, que antes ficou com os olhos arregalados, agora se derramou numa crise de risos indiscreta. O garoto ria alto, fazendo questão que até os vizinhos ouvissem. E admito, aquilo era irritante. Sua risada era estranha e escandalosa. Tudo o que eu queria naquele momento era uma faca para cortar suas cordas vocais.

Com mais um pouco, ele para de rir, assim se contenta em olhar para mim com deboche e falta de caráter. De certa forma... Esse olhar me lembra um pouco o Butch.

– Amigos?... – O ruivo começa. – Não seja ridícula. Inimigos não podem estabelecer uma amizade ou coisa do gênero. Seria idiotice. Você nem o conhece.

– Como pode saber? – Pergunto. – Você nunca teve amigos!

– Como pode saber se eu tenho amigos ou não?!?

– Porque ninguém iria ser amigo de um idiota! – Afirmo. O ruivo se cala e da um pequeno passo para trás, por um instante, achei que finalmente havia domado a fera. – De qualquer forma, eu vou ajuda-los sim. Não é você que vai decidir isso. Já está na hora de você deixar de ser um crianção e dar uma trégua pra esse seu orgulho gigantesco!

E assim o silêncio reina mais uma vez, Brick queria responder, mas sempre que ia formular uma palavra, acabava fechando a boca em seguida. E foi isso. Eu consegui fechar a matraca daquele moleque irritante, o deixei sem dar uma resposta. Aquilo me dava uma sensação muito boa, como se fosse um dever cumprido ou algo assim.

Butch se aproxima mais de nós dois com seu gênero sorriso desbotado, põe a mão em nossos ombros e nos guia até o sofá.

– Parece que finalmente chegamos a um acordo. – O moreno comenta.

– Eu não concordei em nada! – Responde Brick irritado. – Eu nunca vou cooperar com ess-

– Se me xingar de mais alguma coisa eu te mando pra um hospital!! – Respondo, também irritada.

Brick permanece com chamas nos olhos, me encara com toda fúria que tinha dentro de si. Comenta com a voz um pouco mais baixa:

– Eu odeio você.

– Igualmente. – Respondo.

Nos sentamos no sofá, Brick ficou na ponta de braços cruzados, com um bico maior que a cara. Butch fica entre nós e eu na outra ponta, eu tomo minha atenção para o moreno com um olhar curioso.

– Butch, não sei se foi por causa dessa confusão toda, mas... Você não me disse quem levou o Boomer. O que aconteceu? – Pergunto, tombando um pouco a cabeça no ombro. Butch coça a cabeça com um olhar sínico, tentando formular maneiras de explicar. Eu o conhecia muito bem, e sabia que aquilo era cara de quem tinha feito alguma merda. Suspiro. – Vocês andaram aprontando, não é?

Ele solta um risinho.

– Acertou na mosca.

– Eu já devia esperar...

O moreno se aconchega no sofá, olha para mim profundamente, exigindo o máximo de minha atenção. Não desgrudo os olhos dele, Butch começa a falar.

– Olha... Aconteceram muitas coisas nesse mês que se passou. – Ele começa, já me dando a ideia de que aquela estória seria beeeem longa. – Uma delas foi: Nós fizemos alguns... “Amiguinhos”. – Eu o encaro um pouco mais sério, ele suspira. – Tá legal, nós fizemos merda e acabamos fazendo um monte de inimigos. Um desses inimigos nós conhecemos num jogo de Poker.

– Poker? – Pergunto, nem um pouco surpresa. — Já sei onde isso vai dar...

– Calma, deixa eu continuar. – Ele pede. – Bom... Nós estávamos apostando Poker com um monte de gente em um bar. Nós roubamos todas as partidas, é claro. Mas ninguém percebeu. Quer dizer... Exceto o último oponente. – Passo a prestar mais atenção na estória. – Era uma mulher, muito bonita de fato, tinha longos cabelos negros, olhos da cor das esmeraldas, um corpo muito sensual, e-

– Tá, tá. Me poupe dos detalhes. – O interrompo, aquela baboseira já estava começando a me irritar.

O moreno ri um pouco e assente, voltando a contar a história.

– Quando a partida começou, logo percebemos que ela era boa no jogo, diferente daqueles imbecis do bar. Quando nós fomos trocar as cartas, ela logo percebeu que estávamos roubando. Ela ficou furiosa, é claro, mas não é esse o maior problema.

– Como assim?

– Bem, digamos que ela não era muito... “Comum”. – Eu fico confusa, tombo a cabeça no ombro sem entender. – O que eu quero dizer é que ela tinha habilidades sobrenaturais. Eu sei que parece estranho, mas ela parecia até estar enfeitiçada. Principalmente o cabelo. – Cabelo? – De uma certa forma, quando ela começou a soltar fumaça quando nos viu trapaceando, o cabelo dela começou a reagir como se fosse uma serpente. As mechas agarraram nossos pescoços e começaram a nos sufocar, ela nos ameaçou pegar todo o nosso dinheiro e nos matar em seguida. Todos no bar fugiram quando ela ficou daquele estado. Realmente era medonho.

– Cabelos sobrenaturais... Onde eu já vi isso? – Pergunto para mim mesma, coçando a cabeça com força. – Merda! Não consigo lembrar...

– Tentando acalmá-la, nós sugerimos mais uma partida, sem roubar, é claro. Primeiramente ela não aceitou, mas nós oferecemos que ela pudesse escolher mais alguma coisa nossa se ela ganhasse. As mechas de cabelo largaram nossos pescoços e ela começou a pensar, quando ela liberou um sorriso maligno no rosto, pronto, eu já sabia que ia dar merda. – Ela faz uma breve pausa. – Ela disse que se ela vencesse, ela levaria todo o dinheiro... E um de nós três para ser seu escravo. Nem me pergunte de que...

– Nossa! – Fico surpresa, boquiaberta e sem acreditar. – Então deixa eu adivinhar... Vocês perderam e ela escolheu o Boomer.

– Exatamente. – Ele responde. São uns idiotas mesmo. – Isso foi há uma semana atrás.

– E porque você veio pedir minha ajuda só hoje?

– Bem... Porque achamos que nossas vidas não fariam diferença sem o Boomer. – Não sei porque, mas isso não me surpreendeu... – Mas foi aí que nós nos enganamos...

– Entendi. – Agora fico um pouco surpresa, deixando escapar um breve sorriso de satisfação pela atitude dos dois irmãos. — Quer dizer que seu amor fraternal finalmente despertou?

– Não. É que o videogame quebrou e Boomer é o único que sabe concertar. Já estamos há dois dias sem jogar Mortal Kombat. – Ele diz sem a menor vergonha na cara, até lágrimas falsas escorrerem por seu rosto. Minha expressão de antes volta. – Isso é tão triste...

– O amor de vocês me comove. – Comento sarcasticamente. Volto para meus pensamentos, as características daquela mulher não saiam da minha cabeça, ela me lembrava algo, ou alguém. Cabelos sobrenaturais... Mulher bonita... Corpo sensual... – Me diga uma coisa... Qual era o nome da mulher que vocês jogaram?

– Hein? Err... – Butch coça a cabeça, tentando se lembrar. – Não me lembro. Você lembra, Brick?

O ruivo bufa e depois responde.

– Não muito bem. Acho que era Medusa... Ou Perusa... Algo assim...

Fico alguns segundos pensando, logo finalmente me dou conta de quem era: Sedusa. Sim, Sedusa. A mesma mulher que já seduziu inúmeros homens de Townsville para conseguir o que quer, inclusive o Professor. Já fingiu ser a srta. Bellum e até já enganou a Gangue Gangrena. Com tudo isso poderíamos ter uma base do quanto ela é perigosa. Só poderia ser ela.

– Não há dúvidas... – Me levanto do sofá, ficando de frente para os dois. – Eu conheço essa mulher.

– Conhece?? – Butch pergunta, surpreso.

– Sim. Digamos que ela também é minha... “Amiguinha”. E sei muito bem onde ela mora.

– Beleza! – Butch comemora para si mesmo. Põe a mão no ombro de Brick e chama a atenção do irmão.– Viu Brick? Eu disse que trazê-la foi uma boa ideia.

– Cala a boca. – Ordena o ruivo. Butch ri.

– Muito bem... Quando iremos “atacar”? – Pergunto.

Brick se levanta do sofá e fita nós dois.

– Esta noite...

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Assim que o sol se pôs, voamos ao nosso destino, lá estávamos nós três, escondidos atrás das moitas do quintal da grande mansão onde Sedusa morava. A casa ficava afastada da cidade, tanto que estava abandonada, mas Sedusa a ocupou e a redecorou de seu jeito nada discreto. Eu conhecia Sedusa muito bem, e sei, que por precaução, ela contrataria pelo menos dois seguranças para vigiar as portas. E assim foi feito.

Nos dirigimos até as portas dos fundos, porém ali também havia um segurança, bem bonito de fato, outra qualidade de Sedusa que eu conhecia muito bem: Ela apenas usufrui de homens belos. Não é atoa que ela escolheu justamente Boomer entre os três. Não que Brick e Butch não sejam bonitos, pelo contrário, mas vamos admitir, Boomer é um colírio para os olhos de qualquer um.

– Merda! — Brick bufa ao ver mais um segurança se aproximando.

– Como vamos entrar lá? – Pergunto.

Butch solta um risinho maléfico e se levanta, dando alguns passos em direção da porta. Sem olhar para mim, começa a falar.

– Do único jeito... – Os seguranças ouvem os sons das plantas e percebem a presença de Butch, ambos entram em modo de ataque, tirando suas armas do bolso. -... Na base da porrada.

O moreno voa rapidamente até um deles, onde da um soco no rosto, fazendo-o cair no chão. O outro segurança começa a atirar, mas Butch desvia de todas as balas. Usa o resto de sua força para dar um chute no pescoço do outro homem.

O chute fora tão forte e intenso que fizera o segurança desacorda-se em instantes, enquanto o outro ainda gemia de dor pelo soco. Eram duas pedras a menos no caminho. Sei que ainda haveria milhares de outros seguranças, por isso comecei a me preparar emocionalmente. Butch abre a porta dos fundos e acena para nós, como sinal para entrarmos na mansão. Desviei meu olhar para Brick, que se levanta calmamente e sem pressa.

Nós três entramos juntos na casa, estava tudo escuro pois as luzes estavam apagadas. Procuro algum botão na parede que ligasse a luz, algum dos dois acha antes de mim, pois as luzes se acendem, me dando a visão da cozinha. Não tenho palavras para descrever aquele local. Acho que eu o definira como... Brega. Sedusa nunca teve bom gosto, sempre procurava ser a mais extravagante possível. Mas nunca imaginei que ela fosse assim até para decorar uma cozinha de vermelho e diamantes.

Que tipo de pessoa folheia uma cozinha com diamantes? E como já não bastasse ela só vestir vermelho, mas até os cômodos da casa são vermelhos?? Tenha dó. Poupando os detalhes, nós três partimos para a busca de Boomer, procuramos em todos os lugares da cozinha, ele não estava lá.

– Ei, inútil. – Brick me chama, com mais um apelido carinhoso. – Espero que tenha certeza que conhece a mulher de quem estávamos falando.

– Bom Brick, certeza absoluta eu não tenho. – O respondo debochadamente, na tentativa de deixa-lo irritado. – Mas não custa tentar, não é?

– Se não acharmos ele eu te faço comer toda a minha bosta. – Ele ameaça num tom de voz calmo, porém irritado.

– Seu senso de humor é algo impressionante. – Comento.

– Quando vocês dois vão parar de brigar, hein? – O moreno pergunta, já farto das ofensas. – Parece até que eu estou lidando com o maternal.

– E você fala como se fosse maduro, Butch. – Brick responde. – Se a sua namorada fizer o favor de se foder, eu agradeço.

– E se você fizer o favor de ser menos idiota, eu agradeço! – Provoco o ruivo mais uma vez.

– SE VOCÊS DOIS FIZEREM O FAVOR DE CALAR A BOCA, EU AGRADEÇO!! – Butch berra, fazendo um eco pela casa.

Eu e Brick tampamos sua boca com força, para que ele não soltasse mais nenhum pio. O ruivo parecia irritado com o irmão, principalmente depois que começou a ouvir passos em direção da cozinha.

– Seu idiota! Se nos pegarem estamos fodidos! – Brick comenta, mas suas palavras foram em vão, pois quatro seguranças apareceram na cozinha e nos Cercaram. E algo me dizia que ainda viriam reforços.

– É, Butch… Parece que dessa vez você fez merda. – Falo, ele solta um risinho.

– Não importa, vamos fazer esses imbecis sangrarem em cinco segundos.

O moreno, em mais uma de suas tentativas de se exibir, da o primeiro golpe em um deles, atingindo o abdômen com sua mão esquerda. Brick faz o mesmo com um, enquanto eu me suspendo no ar preparando uma voadora. Tendo a visão de todos ali presentes, me dei conta que aqueles homens não eram muito “normais”. Sim, eles haviam uma força maior do que deveriam ter.

Percebi quando um deles atingiu Butch no rosto, algo que poucos conseguem fazer, liberando sangue da testa dele. Arregalo os olhos para a cena, me dando conta que aquela luta duraria mais tempo que o necessário. Merda! Sedusa deve ter passado uma parte de sua força sobrenatural para os seus servos! Finalmente volto a me concentrar nos golpes, chutando a cabeça de um que estava mais distraído.

Ele revida o golpe, segura minha perna e me suspende no chão, minha cabeça se choca com a cerâmica. Se eu fosse alguma pessoa normal, provavelmente eu acabaria tendo traumatismo craniano. Me contento em esquecer a dor e volto a lutar, chutando o rosto do homem a minha frente. Inicio um festival de socos em sua barriga, lançando-o para fora da cozinha.

Vou em sua direção, sedenta para golpeá-lo mais, deixando os garotos na cozinha com os outros seguranças. O homem se levanta, parecia ainda ileso, tenta socar meu rosto, mas eu desvio rapidamente. O empurro para a parede e lanço minha visão de calor, atingindo seu braço direito, ele fica ainda mais furioso e me atinge na barriga, fazendo-me rolar na cerâmica daquele chão gelado.

Abro mais meus olhos e percebo que estávamos na sala de jantar. Era vermelha, obviamente. Os móveis eram de luxo, muitos deles decorados com joias como rubis, esmeraldas, diamantes, safiras, etc. O que essa mulher tem com joias?? Sem permitir que eu examine mais o local, o homem volta a me atingir, dando um soco em minha barriga. O impacto foi tão grande que vomitei quase todo o almoço. Nojento, eu sei. Mas a dor era maior.

– Seu filho... Da puta...

O homem não responde ao meu xingamento, aliás, nenhum daqueles seguranças parecia falar. Eram mais como robôs ou algo assim. Espere aí... Robôs? Olho mais atentamente para o corpo do homem, ele não tinha nenhum machucado apesar de eu tê-lo atingido inúmeras vezes, sua postura era sempre reta, ele não demonstrou nenhuma expressão diferente desde que começou a atacar, seu corpo era duro, parecia até de ferro, e ambos seguranças tinham as mesmas estruturas, seja no rosto ou no corpo. Será?

O homem tenta me socar mais uma vez, porém eu desvio com toda a rapidez possível, ele tenta me atingir inúmeras vezes, mal me dava tempo de pensar. Me suspendo no teto para conseguir mais tempo. Talvez... Se eu usar toda a minha força...

Volto para o chão, começo a ataca-lo sem dó, ele desvia da maioria dos golpes, já outros consigo atingi-lo. Iniciamos uma troca de socos e chutes, ele era forte, admito, provavelmente por feito de Sedusa, mas me contento em continuar a luta sem me render, também imaginando se os meninos estão bem. Ele desaparece por um momento, quando me dou conta, me da um soco nas costas sorrateiramente. Sou atirada no chão mais uma vez.

Minha resistência estava indo embora, e isso porque era só um cara. Me levanto com chamas nos olhos, o encaro com ódio, contendo minha vontade de estrangular seu pescoço até decepar sua cabeça. É agora ou nunca...

Ponho toda a minha força no braço direito, fazendo-o entrar em chamas. Quando o homem começa a se aproximar, não mexo nenhum músculo, esperando a hora certa para por toda a minha raiva para fora. Fica numa distância de um metro de mim, nesse momento me preparo para golpeá-lo de uma vez só, rápido e sem pena. Com meu braço ainda em chamas e cercado por toda a minha força, libero tudo num soco que acerta seu peitoral, e o que acontece me surpreende.

Meu braço ultrapassou seu corpo, fazendo um buraco enorme em seu peito. Não havia sangue, mas eu podia ver claramente alguns pingos de energia saindo dele, como se ele estivesse... “Quebrando”. Tiro meu braço dali, tendo a visão de seu interior. O que eu vi? Fios. Fios elétricos, como se vem em uma verdadeira máquina. O homem-máquina cai no chão, não mais reagiu, estava realmente quebrado.

– Então ele era mesmo um robô...

Brick e Butch aparecem na sala de jantar, ambos estavam com ferimentos tão sérios quanto os meus, e também exaustos. Olham para mim, e em seguida para o homem caído no chão. Butch volta seu olhar para mim enquanto Brick começa a examinar o corpo caído no chão.

– A gente ia te contar que eles eram robôs, mas... – Butch começa. – Acho que você já descobriu sozinha.

Solto um risinho.

– Eu já havia percebido antes de abrir esse buraco nele. – Comento. Me espreguiço um pouco, também soltando um bocejo. – Acho que agora só precisamos achar o Bo- Antes mesmo que eu terminasse a frase, mais seguranças surgem na sala, dessa vez eram mais de vinte, cercam nós três impedindo passagem. -... Falei cedo demais.

– Mas que merda! Eu não aguento mais isso! – Comenta Brick, mais puto que já estava.

Butch olha para nós dois, e em seguida para os homens. O moreno solta um breve suspiro.

– Vocês dois podem ir procurar o Boomer. – Ele começa, chamando nossa atenção. – Eu cuido desses caras.

– O que?? – Pergunto, um pouco surpresa com sua atitude. – Mas Butch, são vinte caras! Você n-

– Eu vou ficar bem. – Ele comenta, olhando para mim gentilmente. – Agora vão! Não temos muito tempo!

Antes que eu pudesse responder negativamente, o ruivo segura meu braço com força, me carregando para fora da sala flutuando para não atrai mais seguranças até nós. Me puxa para o corredor escuro e repleto de quadros, eu me solto dele e o encaro com raiva.

Ele não parecia se importar com a minha opinião, eu queria ajudar o Butch, mas Brick parecia muito seguro de sua atitude. Continua caminhando sorrateiramente pelo corredor, na tentativa de não fazer barulho. Abre devagar a porta dos quartos, esperando encontrar o irmão em alguma delas. Eu ajudo como posso.

– Ele não está em nenhuma dessas, Brick. – Comento, sussurrando baixinho. – Talvez se formos no segundo andar, el-

– Cala a boca. Eu sei onde procurar. – Ele me interrompe, com mais uma de suas maneiras de me ofender sem motivo.

– Porque você tem que ser tão grosseiro, hein, seu filho da puta?

– Quer mesmo saber? – Ele se vira para mim, com um olhar sombrio. Seus olhos vermelhos brilhavam como rubis naquela escuridão, seu olhar amargo era típico de um monstro sedento por sangue. Por um instante, eu achei que ele iria me atacar. – Eu não pedi a sua ajuda nisso, foi ideia daquele merda do meu irmão. Quero deixar claro que a relação de vocês dois me enoja! Eu nunca vou aceitar essa merda que vocês sentem um pelo outro. Portanto não tente ser boazinha, pois isso não funciona comigo. E... Vai se foder.

Ele volta a se virar, procurando nas portas que sobraram. Eu fico parada como uma pedra, a grosseria daquele garoto realmente ultrapassava os limites, não é atoa que ele lidera os irmãos. Diferente de Butch ou Boomer, eu não consigo ver uma aura boa em Brick. Nem que seja só um pouco. Pois de certa forma, Butch e Boomer conseguem demonstrar um pingo de bondade. Em Brick só vejo maldade. Ele é um verdadeiro monstro em algumas palavras. Só em pensar no que ele é capaz de fazer... Me da arrepios. Me aproximo do ruivo mais uma vez, o puxo pela orelha com força, ele protesta.

– Que merda você está fazendo agora, sua puta?!? – Ele pergunta, num tom de voz um pouco mais alto e irritado. – Isso doeu, sabia??

– Sabia. – O provoco. – E espero que se acostume, pois vai ser sempre assim. Se tem uma coisa que eu não admito é criancice, e você é o cara mais imaturo que já conheci. Francamente, você não tem vergonha das suas atitudes?!? As pessoas tem pena de você!!

– Eu quero que as pessoas se fodam, entendeu?!? Elas não fazem diferença nenhuma na minha vida!! Principalmente você e aquelas putas que você chama de irmãs!!

Junto minhas sobrancelhas, um ataque de raiva me possui, agarro a gola da blusa do ruivo e o encaro de perto. Contendo minha vontade de soca-lo até desmaiar, mordo meu lábio inferior com força. Ele me colha com desprezo.

– Escute aqui, Brick... Você pode insultar quem você quiser. Insulte a mim. Me chame de puta, de vadia, de cachorra, ou do que preferir... – Continuo segurando-o com força. Esse olhar debochado... Merda! Eu quero soca-lo! – Mas nunca... Entendeu? NUNCA fale das minhas irmãs...

O solto, me virando de costas para ele. Caminho em direção da escada, subindo para o outro andar. O ruivo me segue, sua teimosia é tão grande que ele insiste em dar a última palavra.

– Eu falo de quem eu quiser! – Ele afirma. – Não é você que vai me impedir! E você e suas irmãs são um bando de putas, sim!

A raiva me possui novamente, caminho até ele com um soco armado no braço direito, ele se acanha ficando num modo de defesa.

– Mas o meu punho vai se continuar falando merda!!

Minhas palavras geram um eco no corredor, provavelmente todos na casa teriam me escutado naquele momento. Ouvimos passos se aproximarem, não eram passos pesados como o dos seguranças, e sim alguns mais leves.

A sombra vai sumindo e aparece uma pessoa em nossa frente.

– Que gritaria é essa aqui? – A terceira voz pergunta. Era a voz de um homem. Uma voz suave e ao mesmo tempo sedutora. O rapaz sai das sombras, nos dando visão de quem era, nos surpreendemos. – Brick? Buttercup?? O que estão fazendo aqui??

– Boomer?!? – Nós dois perguntamos em couro.

Sim, era Boomer. Parecia mais calmo do que deveria estar, usava um paletó igual ao dos seguranças, e também uma corrente no pescoço. Parecia mais uma coleira. Brick anda até Boomer e o encara da cabeça aos pés, segura seu braço e o puxa para mais perto.

– Eu não vou nem perguntar porque está vestindo assim. – Começa Brick. – Seja o que for, vamos embora logo!

– Foi mal, Brick. Eu não posso. – Diz o loiro, nós arregalamos os olhos.

– Como assim não pode??

– Eu... Virei o mordomo dela...

O silêncio reina por alguns instantes, Boomer parecia sério em suas palavras. Brick parou de se conter, caiu na risada, chegando a até rolar no chão.

– M-MORDOMO?!? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!! SÓ PODE SER PIADA!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA!!

– Brick, eu tô falando sério!! – Boomer afirma, na tentativa de fazer o irmão parar de rir, sem sucesso.– Nem se eu quisesse eu poderia partir.

– Porque não? – Pergunto. Sabia que Brick não pararia de rir nem tão cedo.

– Bom... Tá vendo essa coleira? – Ele aponta para a coleira amarrada em seu pescoço, eu assinto e ele volta a falar. – Ela colocou essa coleira em mim assim que me trouxe para cá. Disse que se eu fizesse alguma coisa que ela não gostasse... Adeus cabeça. Ela vai apertar um botão que fará a coleira me estrangular até a morte.

– Nossa! – Fico surpresa. – Bem, isso já é esperado vindo da Sedusa...

– Como sabe o nome dela? – Ele pergunta. – Ou melhor... Porque está aqui?? Não me diga que está ajudando o Brick? Ele nunca aceitaria se unir a você ou alguma de suas irmãs...

– Quem me pediu ajuda foi o Butch. – Comento. Ele assente. – E sobre a primeira pergunta... Sedusa é minha inimiga desde... Acho que desde sempre. E é a única que eu conheço que tem cabelos com poderes sobrenaturais.

– Ah tá...

– De qualquer forma, onde ela está? – Pergunto. – Quando acabarmos com ela, vamos te tirar daqui.

– Ei, e quem disse que eu quero sair daqui??

Junto minhas sobrancelhas, essa frase foi o suficiente para fazer Brick parar de rir. O ruivo se levanta rapidamente e encara o irmão com fúrias nos olhos.

– E porque não?? – Ele pergunta.

– Bom... — Boomer deixa escapar um sorriso malicioso no cano do rosto, parecia estar pensando safadeza. – Sabe como é, eu nunca tive uma patroa tão gostosa na minha vida. Não posso simplesmente deixar aquela belezura.

Faço uma expressão mais séria, nem acreditando no que acabara de ouvir.

– Você é um pervertido mesmo... – Comento.

– E não é só isso! – O loiro continua. – Digamos que ela seja bem... “Gentil” comigo.

Ficamos em silêncio novamente. Primeiramente não entendi o que ele quis dizer, mas o olhar malicioso do loiro foi o suficiente para compreender a situação.

– Você está dizendo q- Brick começa a falar, mas é interrompido por Boomer.

– Sim. E aliás, é muito boa.

Eu estou cercada por tarados. Ponho as mãos nos ombros do loiro, o olhando profundamente.

– Boomer... – Começo a falar. Ele toma sua atenção total para mim. – Você sabe que ela tem quarenta anos, não sabe?

O silêncio reina mais uma vez, Boomer me encara com um olhar surpreso, e ao mesmo tempo desesperado. Mais uma vez o ruivo teve que conter risadas. Sem sucesso, pois em cinco segundos ele liberou uma gargalhada forte e alta.

– Você está me dizendo... QUE EU FUI ESTUPRADO POR UMA VELHA?!?!? – Boomer entra em pânico, se joga no chão e começa a se debater. – Mas ela era tão... Tão gostosa... É o fim! É o fim!

– Chega de drama. – Eu ordeno. – Agora diga onde está a Sedusa.

– Procurando por mim,... Buttercup?...

Ao ouvir a quarta voz, meu corpo se arrepia por completo, assim como Brick para de rir, e Boomer se levanta do chão. Passos leves se aproximam de nós, saindo das sombras aos poucos. A primeira coisa que vejo é um salto alto folheado por rubis, caminhando pelo tapete cor-de-carmim, sustentando pernas sensuais e sedutoras.

A mulher estava usando um típico vestido vermelho, luvas pretas, joias cobrindo suas mãos, seus braços e seu pescoço, uma maquiagem nada simples e lábios avermelhados tentadores. E é claro que eu não poderia esquecer seus lindos cabelos. Ondulados como as ondas, negros como a escuridão, belos como as joias mais raras. Estas eram as melhores características para descrever Sedusa, a mulher mais sedutora que Townsville já conheceu.

– Faz um bom tempo que não vejo você, não é? – Ela se dirige a mim, com um sorriso maléfico estampado no rosto.

– Diga por si mesma. – Respondo grosseiramente, ela ri.

– A que devo a honra de sua visita em minha... Humilde residência?

– Humilde? Acho que esta seria a ultima coisa a usar para definir essa casa. – Debocho da mulher, que se ofende logo em seguida. – Bom, seja o que for, eu não vim aqui para bater papo. – Ponho a mão no ombro do loiro, o puxando para atrás de mim. – Eu vim buscar esse garoto.

Sedusa junta suas sobrancelhas, se aproxima mais de nós dois em passos lentos. A cada passo que dava, seus seios fartos saltavam, suas pernas rebolavam naquele chão, seus cabelos sacudiam para trás com a simples brisa que batia em seu rosto.

– Acho que não posso deixar leva-lo. – Fica totalmente de frente para mim, me encarando com seu olhar maléfico e ao mesmo tempo malicioso. – Ele é meu escravo por direito. Eu venci aqueles patetas num jogo justo. Não é, gracinha? – Ela pergunta se dirigindo ao Brick, que a encarava com ódio e desprezo.

– Sua puta... – Ele a xinga, fazendo-a rir.

– Francamente, que piada. – A mulher volta a falar. – Não acredito que acharam que poderiam leva-lo sem mais nem menos. E ainda pediram reforços pra ela? Bom, pra dois homens pedirem ajuda a uma garota, devem mesmo estar no fundo do posso...

Pronto. Ela o atingira diretamente em seu calcanhar de Aquiles: o orgulho. Brick libera chamas de seus olhos, bufa colocando toda sua raiva para fora. Arma um soco com o braço esquerdo e tenta acertar a mulher, Sedusa desvia, suspendendo-o no ar. Dispara um rápido e forte chute na barriga do rapaz, atingindo-o fundo com seu salto alto fino e largo, quase furando-o.

O ruivo cai no chão, segurando o ponto onde a mulher o atingiu. Boomer nada fez, parecia até um covarde, mas já imaginava por que motivo seria. “Disse que se eu fizesse alguma coisa que ela não gostasse... Adeus cabeça. Ela vai apertar um botão que fará a coleira me estrangular até a morte.”. Lembro de tais palavras que o loiro disse, me fazendo perceber que não obteria sua ajuda na luta pois a mulher trataria de se vingar. Nesse caso, só seremos eu e Brick contra essa piranha.

Armo um golpe na perna esquerda, na tentativa de acertar a mulher, voou rapidamente em sua direção para um chute forte e intenso. Por pouco não a acertei no abdômen. Sedusa desvia, se suspende no ar ficando em cima de mim. Tenta acertar-me com uma de suas mechas de cabelo, que vem em minha direção com rapidez e precisão.

Me livro das mechas num golpe, desfazendo todo aquele monte de cabelo que me cercava. Voou em sua direção, lhe dando um soco no braço direito. Ela é jogada no chão, ao se levantar, faz uma expressão furiosa. Agora eu despertei seu lado sombrio, sedento por sangue.

A mulher lambe seu lábio inferior, passa a mão por onde eu acertei e sorri maleficamente. De repente... Ela some. Mas onde... ?? A procuro por todos os lados, não encontro nada. Sinto um leve pressentimento ruim, sentindo um certo arrepio na espinha. Isso não está certo...

Num ataque surpresa, sou acertada nas costas por um chute de Sedusa, que me lança no chão, fazendo-me rolar na cerâmica gelada. Me agarra com uma de suas mechas, prendendo meus braços e minhas pernas, seus cabelos me seguram no ar, dando à Sedusa a visão perfeita de meu corpo agora indefeso.

– Está confortável, mocinha? – Ela pergunta debochadamente, eu bufo em resposta. – Posso deixar ainda mais confortável.

Dizendo isso, suas mechas começam a me sufocar com força, espremendo todo o meu corpo, impedindo que eu me movesse. Muito... Apertado... Sou incapaz até de raciocinar direito. Os cabelos me apertavam com tanta força que atingiam meus próprios nervos.

Quando sinto que minha respiração está se abafando, Sedusa me libera sem motivo. Fico confusa, até me dar conta que Brick a atingiu num soco, fazendo-a ser lançada contra a parede. O ruivo começa a golpeá-la sem dó, colocando toda sua força em seus chutes e socos. Ele... Me salvou? Boomer vem me socorrer, se agachando até mim, coloca a mão em meu combro e me olha preocupado.

– Você está bem? – O loiro pergunta gentilmente. Eu assinto.

Começo a admirar a forma que Brick golpeava Sedusa. Ele era um homem muito forte. Sempre foi. O olhar que ele lança para sua vítima era algo de se arrepiar. Eu mesma, por exemplo, admito que teria medo de ser atacada por ele. E acho que qualquer um teria. Até mesmo a Blossom.

Blossom... Pensando bem, até que Brick e Blossom são muito parecidos. Tanto na teimosia quanto no orgulho gigantesco. Imaginá-los lutando... Também é arrepiante. Me concentro na luta mais uma vez, Brick estava na vantagem, impedindo a mulher de reagir a todos os seus golpes. De repente, a mulher some mais uma vez, deixando o ruivo confuso.

Esse pressentimento de novo... Merda! Ele vai ser atingido! Sedusa reaparece nas costas do garoto, colocando todas as forças em seu pé esquerdo para chutá-lo. Num movimento extremamente rápido, voou até Brick, o puxando com força para impedir de ser atingido. Sedusa acaba perdendo a oportunidade de revidar os golpes, chuta o chão.

O ruivo me encara confuso, e ao mesmo tempo com sua cara irritada.

– Porque você fez isso?? – Ele pergunta, querendo parecer bravo. Mas no fundo eu podia ver que ele estava aliviado por eu ter feito aquilo.

– Eu te salvei de um belo chute, seu babaca. – Brico com ele, fazendo-o bufar. – Estou esperando a palavrinha mágica. Ela começa com “O” e termina com “Brigado”.

– Hunf! – Ele se vira de costas para mim, que nem criança que ainda nem entrou no maternal. – Como se eu fosse agradecer a uma inútil como você.

– A inútil aqui impediu que você ficasse tetraplégico, sabia?

– Foda-se!

Sedusa, que não perde tempo, aproveitou nossa distração para nos acertar com inúmeras mechas de cabelo, como se fossem chicotes. Num movimento rápido, ela nos agarra mais uma vez, nos suspendendo no ar, também nos lançando contra o chão. Em um de seus golpes, acabo batendo minha cabeça num lustre de cristal, que corta minha testa em seguida. Merda! Que dor!

Encaro um pouco o lustre, todos aqueles cristais perigosos ao toque estavam gerando uma ideia na minha mente. Fico ainda mais pensativa e chego numa conclusão genial. É isso! Não tem como dar errado! Por minha sorte, Boomer começou a reagir contra Sedusa para nos defender, a soca na barriga com força, fazendo as mechas de cabelo liberar eu e Brick.

– Corram! – Ordena Boomer, que se contentou em continuar atingindo Sedusa.

– É muita coragem você me desafiar, moleque. – Comenta Sedusa para o loiro. – Vou cuidar de você mais tarde. Basta um simples botão e diga adeus à sua cabeça.

Boomer começa a suar, mas na tentativa de distraí-la, continua a atingi-la com socos e visões de calor. Aproveito a oportunidade e puxo Brick para um pouco mais longe da luta, primeiro ele se acanha ao ver-me me aproximando, mas logo relaxa mais.

– Brick, eu planejei uma maneira de acabarmos com a Sedusa. – Começo a falar, exigindo toda a sua atenção. – Mas para isso, preciso da sua ajuda.

– Eu? Te ajudar? Nunca!

Ponho a mão na testa, limpando as gotas de suor, tentando conter a vontade de manda-lo ir à merda.

– Vem cá, você é idiota ou o que? Não percebe a seriedade da situação?!? Até num momento desses você começa a fazer birra?!?

– Foda-se. Não vou ajudar.

“Foda-se. Foda-se. Foda-se.” – Começo a imitá-lo com uma voz de menininha. – Essa é a sua resposta pra tudo, não é, seu merda??! Será que dá pra esquecer esse orgulho nem que seja por uma vezinha só e me ajuda a salvar o seu irmão??!

O ruivo fica em silêncio, me encarando de um modo diferente. Desvia seu olhar para a luta, pela primeira vez, eu o vi demonstrar um olhar preocupado. Bufa e solta um palavrão, eu nem sequer conhecia esse palavrão, mas coisa boa não representava.

– E qual é o plano, imbecil?? Fala logo!! – Ordena como se fosse meu dono. Solto um suspiro e conto a minha ideia, sussurrando em seu ouvido. Ele começa a me olhar um tento pensativo, com os dedos deslizando em seu queixo. – Pensando bem... Até que isso não soa ruim...

– Aham, bom saber. Agora vamos logo.

Voltamos para a luta mais uma vez, Sedusa estava detonando com Boomer, que parecia estar todo dolorido. Ela o agarrava com força em seus cabelos, inúmeras mechas o esmagavam, deixando-o roxo. Desse jeito, ela vai mata-lo antes mesmo de apertar o botão!! Nós dois voamos até a mulher e a atingimos, livrando Boomer daquele sufoco.

Eu e Brick nos olhamos e assentimos um para o outro, como um sinal para por o plano em ação. Me concentro e voou até Sedusa, atingindo-a com um soco efervescente no rosto, atingindo-a com força contra o chão. Brick fica no mesmo lugar que estava antes, seguindo o plano.

A mulher reage, golpeando-me com seus cabelos, eu desvio da maioria deles, coloco todas as forças em meu joelho e a atinjo no rosto mais uma vez. Num ataque surpresa, a mulher agarra minha perna e me suspende no chão. O impacto quase me desacordou, quando voltei ao foco, me dei conta que ela iria tentar me golpear mais uma vez, mas antes disso, lhe chuto o pescoço e ela cai para trás.

Assim, quando me levanto, inicio um festival de socos em sua barriga, a levando para perto de Brick, que a esperava ansiosamente. Quando percebo que ela está no lugar certo, olho para Brick e assinto como mais um sinal.

– Agora!! – Aviso.

Brick direciona sua visão de calor para a corrente que sustentava o lustre, fazendo o ferro derreter. O lustre de cristal é suspenso no ar, caindo em direção ao chão. Tivemos muita sorte dele acertar onde planejávamos: Em cima de Sedusa. Tudo o que vimos após o incidente foi o sangue se escorrendo pelo chão. Eu não sabia se a mulher estava morta, ela era forte, mas acho que o impacto do lustre foi o suficiente apenas para deixa-la desacordada por algumas horas.

O loiro solta um suspiro, assim como eu e Brick. Vai em direção do corpo ferido de Sedusa e põe a mão no bolso do vestido vermelho, de lá tira uma chave que o liberta daquela perigosa coleira. Olho para o ruivo com um olhar de satisfação de dever cumprido, já ele, que nunca deixa seu orgulho, apenas bufou para mim, desviando seu rosto. Teimoso...

– Finalmente acabou... – Comenta Boomer, passando a mão por seu pescoço agora livre.

– É... – Complemento.

De repente, Butch surge no lugar onde estávamos, olho para ele da cabeça aos pés e me preocupo com seu estado. Estava completamente machucado, os robôs devem ter o ferido muito, sua respiração estava desregulada e com vários pingos de sangue espalhados no rosto. Mas nunca deixou aquele sorriso desbotado de lado.

Vou na direção dele, passo a mão por seus ferimento e apalpo seu rosto levemente, massageando um pouco, querendo que a dor cessasse.

– Butch, você está bem?? – Pergunto, preocupada. Ele sorri, coloca as mãos em meus braços onde acaricia levemente.

– Estou... – Sorrimos um para o outro.

– Bom... Missão cumprida! – Afirmo.

Sinto algo vibrar em meu bolso, era meu celular. O retiro e vejo que Blossom estava me ligando. Merda! Ela deve estar puta por eu ter saído tarde! Desligo na mesma hora, sem a menor vontade de levar uma bronca. Dou uma olhada no relógio. Caramba! Já é quase meia-noite!!

Butch me olha um tanto preocupado, se aproxima um pouco de mim e pergunta:

– O que foi, Bc?

Fico em silêncio por alguns instantes, suspiro e olho o moreno no fundo dos olhos.

– Vocês podem me deixar em casa?...

Continua...

Notas finais
Delicado esse Brick, não? Hehehehehehe, bem, eu estava querendo por alguns momentos dele um pouco mais próximo na Bc mesmo. Não pensem que ele gosta dela ou coisa assim, mas eu queria fazer algumas tretinhas ;D Eu, pessoalmente, amei esse cap. Adoro quando luta se une ao romance. Principalmente com esses personagens tão épicos que marcaram nossas infâncias. Bom, o próximo cap voltará a focar no romance dos greens, porém, como sempre, vai ter altas tretas hehehehehe. Postarei assim que puder. Até o cap 15 o/ Kissus ♥