Playing With Fire

31 Olhos de demônio


Notas iniciais
Olá pessoal! Capítulo 31 não só vazando como também tá transbordando do forninho aqui. Eita Giovana! Segura esse forninho aí! Escrevi esse capítulo comendo panquecas, olha que delícia :3 Saiu rapidinho né? Pretendo postar o próximo rápido também, mas não garanto nada porque vou ter uma semana cheia. Mas espero que gostem desse capítulo que eu, particularmente, amei, principalmente o POV da Bc (hehe, logo saberão porque). A propósito, corram para o cinema e assistam Divertida Mente! Sério! Filme mais que perfeito, não vão se arrepender! Boa leitura!!

– Buttercup?!? – Todos gritamos em coro.

A morena de olhos verdes olhava nos olhos de cada um de nós, mas claro, dando uma atenção especial para Butch. Toda vez que olhava para ele, aquele sorriso confiante em seu rosto era desmanchado

Blossom, que estava nos braços da irmã, parecia extremamente aliviada. Parecia estar mais contente em ver a irmã do que ter sido salva da morte certa, junta suas forças, que não eram muitas, e abraça o pescoço da irmã que a segurava, a mesma inclina a cabeça na da outra, retribuindo o abraço. Bubbles, que ainda estava em meus braços, diz baixinho o nome da irmã com o maior sorriso no rosto. A irmandade dessas três realmente é algo de se invejar.

Brick estava espantado com tal cena diante dele, dá um passo para trás com uma expressão furiosa, olha para Butch, que se arrepia logo em seguida. Mas o mesmo não tirou por um segundo os olhos de Buttercup.

– Seu idiota, não deu o veneno pra ela?? – Brick pergunta num tom alto e furioso.

– Dei sim... – Butch responde, seus olhos estavam arregalados e ele estava imóvel, sem acreditar no que estava vendo. – Só não sei como ela tem seus poderes de novo...

– Eu tenho meus truques. Mas se querem saber... Digamos que a idiotice de vocês facilitou bastante as coisas. – Buttercup responde aos dois num tom debochado. Num movimento rápido, ela voa para um pouco mais perto de mim, colocando a irmã no chão. Vira-se para nós três novamente com os punhos acirrados e um olhar penetrante. – Agora... Qual dos três eu vou ter que matar primeiro? Que tal você, Butch?

Agora o clima havia ficado mais pesado do que já estava. Olho para Butch, e ele não parece ter reagido muito bem à ameaça da morena. Ele junta suas sobrancelhas e espreme os dedos, depois começa a olhar para baixo. No que será que ele está pensando agora, hein?

Butch era, definitivamente, o cara mais enigmático que eu já havia conhecido. Mesmo sendo meu irmão, era difícil reconhecer quando ele estava triste, ou feliz, até mesmo com raiva. Ele nunca levava nada a sério, tudo sempre foi motivo de deboche pra ele. De uns tempos pra cá, ele vem mudando essas feições, mostrando aspectos dele que nunca mostrou antes. Essas mudanças de comportamento começaram a acontecer desde que ele reencontrou Buttercup, eu acho.

Suspiro, mudo meu foco para Brick, que estava com mais um daqueles sorrisos assustadores. Ele parecia estar arrancando a cabeça dela só com o olhar, coisa que deixava ele bastante contente. Tenho até medo de saber o que se passa naquela cabeça doentia.

– Ora, mas não precisa se dar esse trabalho, Buttercup. – Brick diz num tom debochado e intimidador. Num piscar de olhos, Brick estava ao lado dela, preparando um soco. Caramba! Mas que velocidade absurda é essa?? Coisa do Elemento X?? Por incrível que pareça, ela conseguiu desviar, e se iniciam uma troca de socos falhos no ar. Quando ele finalmente consegue atingi-la no braço, ela voa longe, esbarrando no prédio ao lado. – Eu bem que estava querendo te matar com minhas próprias mãos!

Brick voa mais uma vez na direção da morena e os dois começam a lutar pelo céu escuro de Townsville, que já estava começando a trovejar. Butch não pensou duas vezes antes de reagir, já estava se preparando para voar na direção dos dois, mas é socado por um punho folheado a gelo.

Todos nós olhamos para a quinta pessoa que apareceu no prédio, e meus olhos pareciam não acreditar no que estavam vendo. Os cinco membros da Gangue Gangrena estavam cercando Butch, e todos eles aparentavam ter superpoderes agora. Ace estava azul, e seus punhos estavam cobertos por gelo, Arthuro estava mais rápido que a velocidade da luz, coisa que reparei quando o vi subindo o prédio apenas correndo, Snake estava elástico, se esticou do chão até o prédio trazendo seus amigos para cima, Big Billy estava com um corpo de pedra, e Grubber... Bem, Grubber não tinha mostrado nenhum poder até então.

(Nota da autora: Esses poderes da Gangue Gangrena apareceram no episódio “Lanche poderoso”, em que os Gangrena ganham superpoderes ao misturarem ácido de doces de validade vencida com o poder de raio lazer das meninas)

– Mas que diabos...? – Butch resmunga, sem entender o que estava acontecendo. E eu muito menos.

– O que vocês estão fazendo aqui?? E como conseguiram esses poderes?? – Pergunto, confuso.

– Longa história, mano. – Ace responde, sem tirar os olhos de Butch. – Mas estamos aqui e é isso o que importa.

– Pensei que não quisessem fazer parte do plano.

– E não queremos, Boomer. – Ele diz. Os cinco Gangrenas se aproximam do meu irmão aos poucos com um olhar ameaçador, como se fossem gatos se preparando para pegar o rato. – Só queremos acertar as contas com o cara que mexeu com a nossa amiga... Grubber!!

Com a chamada ao nome do amigo, Grubber mostra qual era seu poder: arroto supersônico. Nojento, mas muito potente. Ele arrotou aquele som monstruoso bem ao lado de Butch, que tampou os ouvidos logo em seguida e cerrou os olhos. Ou melhor, todos nós fizemos isso, o som era extremamente alto.

Aproveitando o momento de trégua, Ace dá um soco forte no abdômen de Butch e os cinco iniciam uma luta intensa e perigosa com ele. Olho para as duas moças perto de mim, analiso toda aquela situação e tomo minha decisão. Não posso deixa-las aqui.

Ainda com Bubbles nos braços, caminho até Blossom que estava se apoiando nos braços e a seguro também, as aconchego em meus braços e voo para longe dali.

– O que está fazendo?? – Blossom pergunta, tentando se afastar de mim com os braços.

– Ei! – Retruco. – Cuidado! Você pode cair!

– Eu não ligo! Solte-nos agora! Eu sei que você tem algo maligno em mente!

– Olha, eu sei que não fui um cara muito confiável até agora, mas precisam acreditar em mim dessa vez!

– Ah, tá bom! Me engana que eu gosto!

– Blossom, deixe-o se explicar. – Bubbles fala num tom calmo, fazendo com que a irmã se calasse. Me olha no fundo dos olhos, porém não parecia confiar muito em mim agora. Afinal, eu havia a envenenado. Merda, nem gosto de lembrar isso. – Pra onde você está nos levando, Boomer?

Suspiro.

– Vou levar vocês para o seu pai. – Respondo. – Ele com certeza deve ter algo que possa restaurar seus poderes. Precisamos deter Brick o quanto antes, caso contrário, sua irmã não terá a mínima chance com ele. Além disso, eu não poderia deixar vocês lá, com certeza sairiam machucadas.

As duas ficam em silêncio por alguns minutos. Olho para Bubbles e vejo que um sorriso lindo se formou no rosto dela, o que me fez corar instantaneamente.

– Eu sabia... – Ela fala, me deixando ainda mais envergonhado.

– O-O que?

– Você não é mau...

POV Butch:

Mais pedras de gelo foram lançadas sobre mim, não sei onde diabos esses caras haviam conseguido superpoderes, mas que eles ficaram fortes, ficaram. Todos, especialmente Ace, tentavam me atingir violentamente. Como se eu fosse uma espécie de presa ou sei lá.

Por mais que eu desviasse na maioria das vezes, sempre acabava me distraindo e levava um golpe de algum deles. Era impossível ficar concentrado sabendo que Buttercup estava lutando com Brick. Ele está mais forte que o próprio demônio agora, eu é quem deveria estar lutando com ele, não ela! Eu disse todos aquelas coisas justamente para evitar que Brick encostasse um dedo sequer nela, e agora ela pode morrer por causa daquele desgraçado do meu irmão!

Mas que merda, Bc! Sempre cabeça-dura! Como conseguiu recuperar seus poderes? Porque está aqui??

– Concentre-se, seu puto! – A voz de Ace corta meus pensamentos e meu braço é congelado por seu sopro congelante logo em seguida, quebro o gelo com o outro braço e tomo minha atenção para ele. – Você sequer tentou nos bater. Lute como um homem!

– E quem disse que eu pretendo lutar com vocês? – Digo, desviando de um soco do punho de pedra de Big Billy. – Se vocês são realmente inteligentes, acalmem-se e me deixem explicar a situação. Só estamos perdendo tempo aqui!

– Eu não quero explicação nenhuma de um canalha como você!

Num ataque surpresa, Snake segura minhas pernas e, com seu poder elástico, me atira no chão. Em seguida o pequeno Arthuro inicia um festival de socos no meu rosto, me atingindo na velocidade da luz. Felizmente, o Elemento X me deixou mais resistente a qualquer golpe possível.

Quando os socos acabam, Grubber arrota bem ao lado do meu ouvido, causando uma dor de cabeça terrível. Por um instante, jurei que ficaria surdo. E pra piorar, Big Billy se joga em cima de mim, prensando seu grande corpo de pedra em mim contra o chão. Merda! Eu não quero bater nesses caras, mas eles não facilitam as coisas!

O gordo sai de cima de mim, e vejo Ace se aproximar novamente. Ele estava com um olhar furioso, fechando os punhos com força, formando barreiras de gelo sobre eles.

– Explicar a situação... Não me faça rir. – Ele fala enquanto caminha lentamente em minha direção. – A essa altura do campeonato, você quer bancar o bonzinho?

– Ace, acredite em mim, eu só quero ajudar. – Suplico, já não aguentando mais toda aquela tensão. – Não podemos ficar aqui, a Bc está-

– NÃO OUSE CHAMÁ-LA PELO APELIDO!! – Ele tenta me socar, mas eu desvio, e assim começam mais tentativas falhas de me atingir, desvio de todas. – Você tem ideia do quanto ela chorou por você?? – Sua última fala me faz sentir uma dor no peito, o que acaba permitindo que ele atinja meu rosto com o punho esquerdo. – Você a usou por causa de uma aposta inútil! Você a fez acreditar que você realmente a amava, e ela te amava cara, mais do que qualquer pessoa vai te amar na vida! Tem noção da garota que perdeu, não tem? – Quanto mais Ace falava, mais ele conseguia me atingir. Tudo o que ele dizia, tudo aquilo me fazia sentir ainda pior comigo mesmo. Ele para os socos por um tempo e suspira, olhando para baixo. – Eu só não te mato aqui e agora... Porque sou igual a você. Tive a chance de fazê-la feliz e joguei tudo isso fora. E por quê? Porque eu sou um canalha. Sou tão canalha quanto você. Que vergonha estar no mesmo barco que o seu. – Ele volta a olhar pra mim com aquele olhar ameaçador e furioso, se arma para me socar outra vez. – Mas só porque você ainda tenta enganar a mim, o que me irrita profundamente, vou congelar seus ossos até você não poder mais andar!!

No momento em que ele iria me dar um soco superforte e congelante, seguro seu punho com força o suficiente para detê-lo, deixando-o completamente imóvel. Ele começa a retrucar, tentando se soltar de minha mão, então o encaro no fundo dos olhos com seriedade. Ele se arrepia logo em seguida e engole seco.

Respiro fundo, me acalmando antes de começar a falar.

– Eu sei disso tudo, Ace. – Começo, ele já estava estranhando minha seriedade, agora estava completamente surpreso com o que eu havia dito. – Sei que sou um canalha. Eu a enganei, a usei, fiz ela me amar e agora ela está sofrendo por minha causa. Eu fiz a garota mais incrível do mundo chorar... Mas não tem ideia do quanto tenho vontade de me atirar de um prédio quando penso nisso. – Suspiro. Por incrível que pareça, Ace não me interrompeu em momento algum. – Você não tem ideia de como eu a amo, Ace... E é por isso que disse aquelas coisas pra ela hoje. Eu menti, disse que não a amava, que ela não significava nada pra mim. Disse coisas horríveis pra que ela me odiasse e nem pensasse em ir atrás de mim. Fiz tudo o que fiz pra que ela não acabasse lutando contra o Brick, mas agora ela está lá, com risco de ser morta e vocês estão aí me atrapalhando, apenas aumentando as chances de Brick mata-la!!

Os cinco Gangrena ficam em silêncio, trocando olhares entre si sem reagirem. Ace dava algumas olhadas para mim, parecendo estar meio confuso.

Suspiro, junto minhas sobrancelhas e cerro meus dedos.

– Se querem mesmo ajudar a Buttercup, usem a inteligência pelo menos uma vez e me deixem ir salvá-la. Mas se ainda não acreditam em mim e insistem em lutar comigo... Vou ter que ser obrigado a tirá-los da minha frente.

POV Buttecup:

A luta estava intensa, do jeito que eu esperava que seria. Brick já havia me lançado contra as paredes incontáveis vezes, mas eu sempre recompunha minhas forças rapidamente e voltava à tentar atingir o ruivo. Sim, ele realmente estava muito mais forte que antes, mas eu já estava preparada para enfrentar tal coisa.

Ele olhava para mim com aquele típico olhar sanguinário. Parecia querer arrancar minhas tripas e depois comê-las, o que tornava cada vez mais desconfortável olhar nos olhos dele. Eu estava evitando ao máximo olhar naqueles intensos olhos vermelhos, a cada sorriso que dava, era um arrepio diferente que transmitia para o meu corpo.

Voo na direção dele, reúno minhas forças em meu punho, o mesmo começa a pegar fogo. Oh, como eu amava meus punhos de fogo. Me aproximo o mais rápido que posso e tento atingi-lo, mas ele desvia antes mesmo de encostar nele, sabendo que ele faria tal coisa, me precavi antes e consegui atingi-lo no peito. O golpe foi tão intenso que Brick atravessou duas paredes de um prédio. Sem perder tempo, voo até ele novamente e o golpeio mais, atingindo todos os pontos vitais que posso.

Ficando assim, vulnerável, ele se enfurece e segura meus punhos flamejantes, sem se importar se estava se queimando ou não. Me prensa no chão com uma força monstruosa e atravessamos todos os andares até chegar no subsolo. Começo a tossir por causa de toda a quantidade de poeira, quando abro os olhos, estava numa garagem escura, e nenhum sinal de Brick.

Ainda um pouco fraca, consigo me levantar e começo a procurar por ele, mesmo no escuro. Ouço alguns barulhos ao redor, os quais me davam arrepios. O cenário parecia até um filme de terror.

De repente, um ventinho soprou em minha nuca, junto veio um pequeno ruído atrás de mim.

– Docinho... É você?...

Sinto meu corpo estremecer completamente, aquilo definitivamente estava sinistro. Quem estaria me chamando? E pelo nome que me chamavam quando eu era criança? Era uma voz suave, porém... Estranha. E era um tanto familiar. Definitivamente não era Brick. Mais alguém estava naquela garagem escura e vazia. Viro lentamente meu rosto para trás, mas não encontro o dono ou dona da voz, só vejo o escuro completo.

– Menina idiota... – A mesma voz se manifesta outra vez, o tom era tão suave, mas tão sinistro. Eu estava completamente paralisada, assustada com o que estaria por vir. Mas o que está acontecendo? – Acha mesmo que pode me derrotar?

– Brick? É você? – Pergunto, olhando para todos os lados, mas ainda só vejo a escuridão naquela garagem que parecia não ter fim. – Se for, pare de brincadeiras e venha lutar!

– Vai me dizer que não se lembra de mim, queridinha?

A voz abandonou seu tom suave, e agora havia se tornado mais familiar que o normal. Espera aí... Essa voz...

Ouço passos se aproximando em minha direção, arregalo os olhos, assustada, e me ponho em modo de ataque e defesa. A medida que vai chegando perto, posso ouvir risadinhas sinistras, parecia até que um monte de capetinhas estavam me cercando. Naquele momento, eu estava com medo. Muito medo.

Algo finalmente sai do escuro, mas estranho ao ver Brick em minha frente. Seus olhos estavam fechados, e ele estava com mais um de seus sorrisos psicóticos. Aquilo já era normal de se ver... Mas que voz era aquela?

– Brick? Mas...

– Como é gostoso ver você de novo, Docinho. – Era a voz, mas ela estava saindo da boca de Brick, o que me deixou espantada. – Faz tantos anos que não te vejo pessoalmente... Como você cresceu, mocinha.

Brick abre os olhos e vejo-os completamente negros, como se ele estivesse... Possuído? Espere! Possuído?

Aquela voz. Aquele tom afeminado. Aquele sarcasmo. Aquela sensação sinistra. Não tinha dúvidas.

– Não... Não pode ser... – Digo, sem conseguir acreditar no que estava em minha frente, o ruivo sorriu mais maleficamente ainda, mas eu sabia que Brick já não estava mais sobre comando de si mesmo. -... ELE...

– Só agora se tocou, mona? – ELE diz num tom sarcástico, começa a se aproximar mais de mim aos poucos. – Pois é, bem que eu me lembro que a Florzinha era a mais inteligente.

– M-Mas como?? – Gaguejo sem querer, ainda um pouco amedrontada com a situação. – Você deveria estar preso! E o Brick! Você... Você...

– Vejo que está surpresa em me ver. – Ele some de repente, e quando olho pra direita, lá estava ele com o rosto colado com o meu, o que me fez dar um pulo. – Bem que eu gostaria de dar minha entrada triunfal com meu corpinho lindo... Mas graças a você e suas irmãs, tudo o que me resta é o corpo do idiota do meu filho.

– Seu... Como você pode possuir o corpo dele assim? Ainda mais sendo seu próprio filho?!

– Ora, fácil, fácil. – Ele desaparece mais uma vez, aparecendo de frente para mim, me fazendo dar um passo pra trás. – Brick vendeu seu corpo e alma pra mim quando tinha apenas doze aninhos. – Meus olhos se arregalam e fico boquiaberta. Ele o quê?? – Ele queria ser enormemente mais forte que seus irmãos. Queria ser capaz de derrotar qualquer inimigo num piscar de olhos. E mesmo assim, nada satisfaz sua sede de poder. E ele é tão útil pra mim, quanto mais eu colocava na cabecinha doentia dele que ele precisava derrotar as Meninas Suuuper-Poderosas para ser o mais forte, ele foi lá e fez toda essa baguncinha.

ELE começa a rir, quanto mais ele falava, mais parecia que sua voz ia se misturando com a de Brick.

– Seu monstro...

– Oh, são seus olhos. – Ele encara como um elogio. Em poucos segundos, ele estava roçando seu rosto no meu novamente, eu odiava quando ele ficava se esfregando desse jeito. – E pensar que se o meu outro filhinho Butch não tivesse enganado você, você não estaria nessa confusão, não é?

Meu coração acelera quando o nome de Butch é citado, e sinto uma leve pontada no peito. Minhas sobrancelhas se juntam e mostro minha raiva.

– Cale a boca! Não quero escutar o nome daquele infeliz!

– Oh queridinha, tudo bem ficar com raiva. O Butch foi muito injusto com você. – Estranho sua fala, ELE começou a rodopiar pelos ares, fazendo círculos em volta de mim. – Você não fica com raiva quando pensa que tudo, tudinho o que ele disse pra você não passou de uma mentira? Não fica morrendo de raiva quando se lembra de todos os bons momentos que vocês passaram juntinhos e agarradinhos, mas ele fez tudo aquilo pra ganhar uma aposta horrorosa? – ELE sabia muito bem as palavras que usar pra ferir meu coração, depois daquilo, estava completamente impossível me manter séria e no modo de ataque. Eu estava quase derrubando meu escudo, sentindo lágrimas pousarem em meus olhos. – E quando ele te chamava de marrentinha? E quando ele te fazia carinho? Te beijava? Você até mesmo fez amor com ele. Ele foi realmente muito injusto.

– Pare com isso, ELE! – Tento segurar o choro, mas não consigo. As lembranças ruins invadiram minha mente e me pus a chorar novamente, coisa que prometi não fazer mais. Mas convenhamos, era impossível não chorar. – Eu odeio o Butch... Odeio...

O corpo de Brick fica de frente para mim, ELE põe as duas mãos em meu rosto e enxuga minhas lágrimas.

– Oh, mas faz totalmente certo em odiar! Odeie-o, Buttercup. Sinta ódio dele, ele te feriu, ele merece. – Sem tirar as mãos de meu rosto, um sorriso brota nos lábios do ruivo, mas não chamava mais minha atenção do que aqueles profundos olhos completamente negros. – Docinho... O que acha de esquecer toda essa dor?

– O que?

– Sim, meu amor. Eu posso fazer você esquecer... – Tira uma mão de meu rosto e me mostra uma bola de luz. Nessa luz, pude ver todos os meus momentos com Butch passando, como em cena de flashback. Não tiro os olhos daquilo por um segundo. – Essas, minha querida, são suas lembranças com Butch. – ELE fecha a mão, e a luz some, levando com ela as imagens de meus momentos mais felizes com ele. – Não seria maravilhoso acordar sem lembrar-se de nada, como se tivesse sido apenas um sonho? Eu tenho poder o suficiente pra tirar essa dorzinha do seu coração, minha flor.

– Você... – Olho para baixo, um tanto inquieta. – Pode mesmo fazer isso?...

– Mas é claro, Docinho. Por acaso se esqueceu do quão poderoso e absoluto eu sou? – Desliza uma mão para meu queixo, começando a me segurar com mais força. Nunca pensei ficar tão perto do rosto de Brick daquela maneira. Seu olhar parecia penetrar minha alma, simplesmente não conseguia desviar os olhos daqueles olhos negros, e agora, de um sorriso que brotara em seu rosto. – No entanto... Eu não faço nada de graça.

Suspiro, ainda hipnotizada por aqueles olhos. Já esperava algo do tipo, para ser sincera.

– O que quer?

– Nada mais justo que uma troca, você não acha? – ELE vai se aproximando ainda mais de meu rosto, quase colando nossos narizes, e aqueles olhos... Realmente pareciam sugar minha alma de dentro pra fora. – Eu tiro suas lembranças... E você me entrega o poder das Meninas Super-Poderosas.

– O quê? – Junto as sobrancelhas, me afastando um pouco e cortando aquela proximidade desnecessária.

– Vamos, o que você tem a perder? – Ele diz num tom calmo, sem tirar o sorriso do rosto por um instante. – Por quantos anos você e suas irmãs foram aprisionadas por esses poderes? Obrigadas a salvarem o dia, nunca podendo agir como meninas normais. Você até sairá em vantagem nessa troca.

Não digo nada por alguns segundos, sem saber o que responder. Desvio o olhar dele, procurando uma resposta no ar.

– Eu...

– Vamos... – Segura meu queixo novamente, me forçando a olhar novamente para aqueles olhos intimidadores e altamente penetrantes. – Apenas diga sim.

Fico em silêncio. Ainda não tirava os olhos dos olhos dele, tudo o que eu via por baixo daquele grande véu negro era a escuridão. ELE era a escuridão. Aqueles olhos me fizeram lembrar de quem ELE era. E de quem eu era.

Enfim, tomo minha decisão.

– ELE... – Começo, seu sorriso se desmancha ao ver um sorriso sarcástico brotar em meu rosto. – Você acha que eu sou idiota?

Num movimento rápido, soco o queixo do ruivo e ele cai no chão. Põe a mão no local machucado e olha pra mim furioso. Sem desmanchar o sorriso, junto minhas sobrancelhas e cerro meus punhos, me aproximando dele lentamente.

– Você acha mesmo que eu me livraria do que eu e minhas irmãs temos de mais precioso por causa de uma decepção amorosa? – Digo, debochando da estupidez dele. – Não importa o quanto Butch me fez sofrer. Enquanto eu e minhas irmãs tivermos umas as outras, eu estarei bem. E o amor delas, homem nenhum vai tirar de mim! – Seguro a gola da camisa dele, o levantando e preparando um soco. – Em anos nos conhecendo, acho que você ainda não aprendeu, ELE. Nós somos as Meninas Super-Poderosas! Nós somos irmãs! E isso você nunca vai conseguir deter!!

Lhe dou mais um soco, tão forte que ele voa para fora da garagem, atravessando a parede do prédio. Cai com tudo no chão e mais uma vez olha furioso pra mim.

– Maldita menina superhorrorosa!

– A propósito, te falei que sua voz de viadão fica ridícula no corpo do Brick?

Voo até ele, me preparando para atingi-lo mais uma vez, porém ele desvia, e chuta para os ares. Começamos outra luta intensa nos ares, e agora que ELE estava sob comando do corpo de Brick, estava ainda mais complicado lutar com ele.

ELE põe toda sua força num soco que me lança até a usina nuclear da cidade, que por sinal, tinha altos índices de perigo e radiação. Um péssimo lugar para se lutar.

Eu estava cansada, mal conseguia me levantar por causa daquele maldito soco. Tento sair de dentro da usina o quanto antes, mas vejo-o se aproximar quase que na velocidade da luz com outro golpe armado. Sem esperança de desviar do golpe, fecho os olhos, rezando para que não doa tanto, mas não sinto nada, apenas ouço um barulho de dois punhos se colidindo.

Abro os olhos e vejo uma figura me protegendo do soco de ELE. Nem precisei focar a visão, o cheiro da pessoa já entregava o jogo. Sinto meu coração bater mais rápido, e todos os meus sentidos ficarem confusos novamente.

– Butch??

– Não encoste um dedo nela, seu desgraçado...

Continua...

Notas finais
ELE RAINHA, RESTO NADINHA! ELE É A DIVA QUE TODOS QUEREM COPIAR, ELE LACRA O C* DAS INIMIGAS! ELE É MINHA DIVA DE INFÂNCIA E DIVA DA VIDA!! (tá, parei) Aí vocês descobrem a minha obsessão pelo ELE kkkkk. Espero que tenham gostado desse capítulo, preparem os cores, o próximo será chocante! Até lá o/ Kissus ♥