Playing With Fire

32 Meu imortal amor


Notas iniciais
Adivinhem o que tem pra hoje? Capítulo 32! Gente, esse capítulo tá do caramba, sério. Vai lacrar muita gente, e quem sabe, emocioná-los também. Bem, espero que ele realmente esteja assim. Preparem os lenços! Boa leitura!

– Não encoste um dedo nela, seu desgraçado...

A voz de Butch parece ecoar por todo o local, principalmente em minha mente. Ele olhava para Brick/ELE com um olhar odioso, que nunca pensei ver antes no rosto do moreno, ele estava em posição de ataque, e dela não saiu. Parecia estar querendo intimidar ao máximo o homem a sua frente. Não consigo sequer piscar, sem acreditar no que estava acontecendo, tudo pra mim estava muito confuso.

Porque ele está aqui? Será que ele derrotou os Gangrena? Porra! Eu sabia que eles não conseguiriam segurá-lo por muito tempo. Mas... Porque ele parece estar me defendendo? Argh! O que está havendo??

O seu rosto se vira de costas, olhando para mim, e não vejo mais todo aquele ódio estampado em seu rosto. Pra falar a verdade, aquela expressão parecia muito alguma que o Butch por quem me apaixonei provavelmente lançaria para mim numa situação como aquela. Parecia preocupado, muito preocupado. Me analisa da cabeça aos pés, como se procurasse até o mais simples arranhão, e sua preocupação se misturou com aflição ao ver meu vestido branco todo manchado de sangue.

Encara meu rosto por alguns segundos, e houve a troca de olhares mais silenciosa que já tivemos. Afinal, o que dizer?

Butch suspira e vira o rosto para ficar de frente a frente com o irmão/pai mais uma vez, o silêncio dos dois dizia mais do que tudo. Quer dizer, todo o silêncio que foi mantido entre nós três já respondia mais que qualquer soco, palavra, lágrima ou abraço.

Mas tudo ali naquele momento parecia girar em torno de Butch, e do motivo dele estar ali.

ELE rosna um pouco, depois dá um sorrisinho psicótico de canto.

– Olha só quem está aqui, meu querido filhinho Butch. – ELE diz, debochando de Butch. – O que veio fazer aqui, meu amor? Bancar o herói? Tá meio tarde pra mudar de time, não acha.

– Pelo visto, Brick já não está mais entre nós. – Butch fala, sem despregar os olhos do rosto do irmão. – Eu bem que suspeitei que você recorreria a isso... Meio covarde da sua parte usar o corpo do próprio filho como mais uma de suas marionetes.

– Brick sempre foi uma excelente marionete, antes mesmo de vender-se totalmente pra mim. E além disso, acha mesmo que eu perderia a chance de acabar com as Meninas Suuuper-Poderosas pessoalmente? – Responde o filho ainda num tom debochado, depois solta uns suspiros estranhos. – E pensar que eu poderia esmagar a cabecinha delas com minhas garras... Saudade do meu corpinho original nessas horas.

– Vai ficar mesmo batendo papo? – Butch o interrompe. – Não faz muito seu estilo ficar tagarelando quando poderia estar lutando com um inimigo.

– O que? Você pretende lutar com seu próprio papaizinho?

– Você não é meu pai. – O moreno rapidamente arma um soco em seu braço, e voa mais rápido que a velocidade da luz até o corpo do irmão. – E vai pagar por tê-la feito sangrar desse jeito!

ELE desvia do soco de Butch, que acaba socando o ar. Vejo o ruivo se aproximar de mim com uma cara assustadora, ele estava tentando me atacar, imediatamente saio de meus devaneios e me concentro na luta, desviando de seu golpe. Ele continua tentando me atingir, e eu desvio de todos os ataques, exceto um, que atinge meu rosto com força.

Passo a mão no local machucado, tentando amenizar a dor. Quando olho pra direita, vejo Butch furioso, tentando acertar um soco em ELE de qualquer maneira. O moreno se concentra tanto nos movimentos do ruivo que consegue, fazendo-o voar para longe, esbarrando em alguns tubos de metal. Não consigo tirar os olhos dele por um segundo, confusa, sem parar de me perguntar por um minuto o que ele estava fazendo ali, lutando por mim.

Quando percebe que ELE ficara vulnerável, olha para mim com aquele mesmo olhar de antes e voa rapidamente em minha direção. Quando me dou conta, Butch estava me puxando com ele para algum lugar da usina longe dali, e ficamos um pouco escondidos atrás de algumas máquinas.

Olha pra mim com um olhar penetrante, e começa a analisar cada traço do ferimento que ELE havia provocado em meu rosto. Estava doendo, e estava sangrando, mas quando vi aquela expressão de sofrimento em seu rosto, era como se minha dor tivesse sido passada pra ele. Sem mais delongas, quebro toda a tensão.

– O que... O que está fazendo?

– Bc... – Ele começa, totalmente sem jeito. – Eu...

– Pra início de conversa, não me chame assim. – O interrompo da maneira mais dura possível, vejo que ele engole seco minha resposta e se cala por um tempo. O que significa tudo isso? O que ele faz aqui? Porque ele age como se quisesse me proteger? Como se ele se importasse? Respiro fundo. – Seja lá quais forem as suas intensões, Butch... Por favor, pare de mentir pra mim. Você já me fez mal o suficiente, não estrague ainda mais as coisas...

Lágrimas brotam em meus olhos, mas eu as seguro. Concentro-me ao máximo em ficar séria, e transmitir para ele o ar mais sincero possível, quem sabe assim ele me levaria a sério.

Ele suspira. Põe as duas mãos em meus ombros, primeiro o encarei furiosamente, como se o ordenasse soltar as mãos dali, mas seu olhar sério me contagia, me fazendo prestar atenção apenas no que ele tinha a dizer.

– Buttercup, eu não vou arriscar dizer algo que você certamente não vai acreditar agora, então irei direto ao assunto: você precisa sair daqui. É perigoso demais

– Como é que é? – Minha expressão furiosa volta para meu rosto. – Tá querendo dizer que não sou forte o bastante para lutar com aquele cara? Primeiro lugar, você é o intrometido aqui, eu não pedi ajuda! E mesmo que eu tivesse pedido, com certeza não teria sido pra você!

– Não é isso. – Ele continua tentando se explicar, mas quanto mais furiosa e chorosa fico, menos dou ouvidos. – É que... Eu não quero que você se machuque.

– Fala de uma vez o que você ainda quer comigo, Butch! O que mais você quer tirar de mim?

– Bc-

– PARA DE ME CHAMAR DESSE JEITO, PORRA! – Meu grito ecoa por toda a usina, fazendo o moreno se calar completamente. Não consigo mais segurar as lágrimas. – Para de agir como se sentisse algum tipo de carinho por mim! Para de me deixar confusa o tempo inteiro! Para de me fazer sofrer assim!!

Não consigo dizer mais nada por um tempo, e me ponho a chorar mais e mais. Merda, tô tendo aquelas lembranças de novo... E eu tinha que chorar na frente dele, não é?

Ele nada responde, fico olhando pra baixo e vejo sua sombra ainda imóvel. Até ver a sombra dele dava um aperto gigante no meu coração.

– Porque você faz isso comigo?... – Sussurro, baixinho.

– Achei vocês. – Uma voz brota nos ares, e ELE aparece ao nosso lado. Nos atinge com um golpe elétrico logo em seguida numa intensidade imensa.

O impacto de seu ataque é tão forte, tão poderoso, que as máquinas ao nosso redor começaram a pegar fogo, em questões de minutos a usina estava totalmente incendiada. As chamas deixavam tudo muito mais fácil para ELE, sempre que tinha chance nos empurrava para o fogo.

Tentei atingi-lo muitas vezes, mas ou ele se esquivava, ou eu acabava me queimando, ou eu estava fraca demais para continuar lutando. Eu estava com muitos roxos pelo corpo, arranhões e sangue. Meu vestido, que antes era branco, estava decorado com vermelho e preto, e as pontas, por terem encostado no fogo, estavam queimadas. E se eu já estava fraca, meu emocional também não ajudava muito.

Mas que merda! E se eu... Não! Não posso nem pensar na possibilidade de perder!

De repente, me percebo cercada pelas chamas, e não vi o sinal de ninguém. Aquele fogo intenso estava me fazendo tossir com força, tirando meu ar. Podia escutar a risada maléfica de ELE se aproximando de mim, mas por mais que eu procurasse, não conseguia enxergar nada além do fogo. Me pus em modo de defesa, mas não adiantava muito já que eu sempre tinha que me mover por causa do fogo me queimando.

Por um segundo, achei que seria atacada de surpresa e ser lançada até o fogo, ou quem sabe o fogo me cercaria mais e mais, até que eu não conseguisse sair e morresse queimada. E minha tosse, cada vez mais intensa, já estava me impedindo de respirar. Uma coisa era certa: eu precisava sair dali.

Antes que eu pudesse pensar em alguma maneira, uma mão segura e me puxa para fora daquele círculo de fogo, quase me fazendo ter um ataque do coração. Por incrível que pareça, fiquei feliz de ter sido puxada por Butch e não pelo ELE. Eu ainda estava tossindo, sem conseguir respirar direito, e quando me dou conta, o moreno estava me carregando em seus braços, voando rapidamente pela usina provavelmente procurando algum lugar.

– Bu- COF* COF* -Butch! O que está fazendo?! – Pergunto, ainda fazendo pausas por causa da tosse.

O moreno olhou no fundo de meus olhos e algo me surpreende: ele estava chorando. Meus olhos se arregalam de frente a tal cena. Ainda em meio de tosses, não consigo tirar os olhos daquela expressão chorosa, triste. Mas o que... Está havendo?

– Me desculpe... – Ele diz, um pouco rouco.

– O que? – Sussurro em meio de mais tosses fortes.

– Por ser um péssimo namorado... Me desculpe por tudo...

Antes que ele dissesse mais alguma coisa, abre a porta de entrada da usina e voa um pouco para fora, me levando junto com ele. Num movimento rápido, ele me joga para longe dele e da porta de entrada. Não me machuquei, mas me surpreendi com sua atitude.

Olho para trás, e o vejo enxugar as lágrimas enquanto fecha a porta. Dá uma última olhada em mim antes de fechar o portão com força.

– Eu te amo, Bc...

POV Butch:

Fecho os portões com força e os tranco para que ela nem pensasse em entrar novamente, o fogo estava cada vez mais intenso, já havia feito várias máquinas explodirem, e por causa da radioatividade, havia um cheiro muito estranho e forte no ar. Estava com um péssimo pressentimento sobre aquilo tudo, mas ignorei e segui meu caminho atrás de meu inimigo, que logo apareceu sorrindo a minha frente.

– Vejo que sua namoradinha não está aqui. Onde você a escondeu, amorzinho? – Ele pergunta debochadamente com aquele sorriso maléfico no rosto. – Não importa, depois que eu te fizer em pedacinhos, vou fazer o mesmo com ela e as outras.

– Fale mais uma merda que eu vou cortar sua língua, ELE. – Respondo seriamente em posição de ataque. – Há quanto tempo está no corpo do meu irmão? Não me diga que o controlou por todos esses anos.

– É claro que não! Apenas esperei o momento certo, que é agora, para usufruir o corpo do meu filhote. – Responde. – Por quê? Por acaso pensou que Brick só estava agindo como estava por minha causa?

– Infelizmente, sim. Mas agora vejo que Brick é mesmo um psicopata, com ou sem um demônio do corpo. Triste dizer isso de meu próprio irmão. – Vejo que ele anda devagar em minha direção com aquele sorriso no rosto, e me ponho em modo de defesa imediatamente. – Mas agora chega de papo furado.

– Como quiser.

– Hora de pôr um fim nisso.

– É o que estou esperando desde que essas pirralhas nojentas nasceram.

– Só acho que você esqueceu um detalhe.

– O que?

– Não irei perder...

Se eu soubesse o que iria acontecer depois, teria prolongado meus últimos segundos ao lado dela.

POV Buttercup:

Mas o que... Ele quis dizer com aquilo?

Sinto um aperto grande em meu coração só de ver aquele lugar totalmente em chamas, lembrando de que ele estava lá. E então, toda a confusão em minha mente me fez levantar por um impulso, eu estava com um pressentimento ruim. Só não sabia o que esse pressentimento queria me dizer.

Começo a correr em direção ao portão, a única coisa que mantenho na cabeça é Butch. Por alguma razão, não conseguia parar de pensar no que ele havia dito antes de fechar aqueles portões, mesmo sem acreditar em nenhuma palavra que saia da boca dele.

Já estava desesperada quando quase alcancei o portão, estendendo a mão para frente, sentindo lágrimas brotarem em meus olhos.

Butch... Butch... BUTCH!!

E de repente… Acontece.

Um grande clarão toma conta do local, e o enorme som da explosão ecoa por toda a cidade. A usina havia explodido, o fogo se espalhou por todo o lado, assim como o cheiro da radioatividade. Ainda bem que a usina era quase que totalmente isolada da cidade, caso o contrário, todos estariam condenados.

O impacto da explosão fora tão poderoso que tudo ficou em total silêncio, perdi a força de minhas pernas e caí no chão, e tudo começou a ficar escuro. E mesmo com toda aquela situação, eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse ele.

Butch...

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Abro os olhos com um pouco de dificuldade, primeiro tudo o que eu vejo é uma luz, tão forte que por um segundo achei que estava morta, mas consigo focalizar minha visão aos poucos e me dou conta de que era apenas uma lâmpada. Olho um pouco mais ao redor, mas sem mexer a cabeça, por alguma razão, nunca estive tão fraca. Não conseguia sequer virar o rosto para o lado, só consegui isso depois de alguns minutos olhando para o teto completamente branco.

Eu estava deitada no meio de uma sala com todos os móveis brancos, devido a alguns equipamentos ao meu lado, deduzi que era um hospital. Eu estava em uma cama, que aliás, era bem confortável, nunca havia me dado o gostinho de deitar numa cama de hospital. Na verdade, eu quase nunca precisei ir a um hospital se não fosse para visitar alguém, mas uma coisa eu nunca esquecia: o cheiro de hospital é uma coisa maravilhosa.

Após um tempo olhando para os cantos, pensando no cheiro daquele lugar, começo a me perguntar como eu havia parado ali. Parecia que havia tido um branco na minha mente ou sei lá, era realmente muito estranho não lembrar como eu havia chegado em determinado lugar, sempre tive uma memória excelente.

Mas então as memórias voltam, e parece que um filme estava passando na minha cabeça, e aquele aperto volta a incomodar meu coração. O filme parava na explosão, eu fechei os olhos... E puf! Acordei ali.

O que está havendo? O que aconteceu na usina? Como vim parar nesse hospital? Quanto tempo fiquei dormindo? Será que as coisas deram certo? Nós vencemos? Perdemos? E...

... Onde está Butch?

De repente, a porta é aberta por uma enfermeira, mas ela não entra, quem entra é uma pessoa atrás dela. Ouço a enfermeira dizer algo como “Você tem 20 minutos de visita”, bem baixinho. A porta se fecha e passos vão se aproximando do lado direito da cama.

Olho diretamente nos olhos da pessoa, que se assusta ao me ver com os olhos abertos. Era Ace, e quando me viu olhando pra ele, tirou os óculos escuros e os pôs na gola da camisa, também reparei seus olhos ficarem um pouco molhados.

– Eu não acredito... Você acordou! – Ele comemora, pega minha mão e dá um beijo carinhoso ali.

Ace me olhava com ternura e alívio, eu estava muito feliz em vê-lo. Reparei que sua pele estava verde novamente, provavelmente não tinha mais poderes de gelo, e ele estava com algumas faixas no rosto e no corpo. Tirando isso, ele parecia muito contente.

– Ace, você está bem... Graças a Deus... – Falo com um pouco de dificuldade.

– Não se force a falar, querida. – Ele diz, acariciando minha mão. – Está tudo bem agora, a cidade está a salvo e todos estão bem, pode descansar.

– Estão?

Ele responde que sim com a cabeça, me fazendo suspirar de alívio gigantesco. Não conseguia nem expressar com palavras a minha felicidade naquele momento. Tudo acabou... Deu tudo certo, afinal.

Ace solta minha mão e começa a andar até a porta do quarto.

– Eu vou chamar a enfermeira. – Ele diz com um sorriso bondoso. – Todos ficarão tão contentes em ve-

– Ace, espere! – O interrompo e ele para no mesmo segundo, sem ter a chance de encostar na porta. – Antes... Eu preciso conversar com alguém.

Ele caminha em minha direção, me encarando no fundo dos olhos com um ar de preocupação.

– Conversar o que?

Suspiro.

– Preciso saber... O que aconteceu. – Quando digo aquilo, já o vejo recuar um pouco, dali já pude ter uma noção de que não ia ouvir coisa lá muito boa. – A explosão... Teve uma explosão, e... E então eu acordei aqui. Quanto tempo eu dormi? O que aconteceu enquanto eu estava dormindo? Onde... Onde Butch está?

Ace olha pra baixo com as mãos juntas, coloca uma na sua nuca, coçando-a. Parecia estar procurando palavras para começar. Suspira.

– Bom... Pra início de conversa, você dormiu por cinco dias.

– Cinco dias??

– Sim. – Ele responde, pega uma cadeira ali perto e se senta com os braços cruzados. – O impacto da explosão e de toda a radiação parecem ter alcançado seu sistema nervoso, atingindo seus nervos e lhe fazendo cair em coma.

– Caralho... Essas coisas não são de acontecer comigo. Porque isso tinha que acontecer?

– Tem uma primeira vez pra tudo. Mas enfim... Sobre Butch...

Quando o assunto é tocado, o clima ficara mais tenso. Senti aquele aperto no coração e engulo seco, me preparando para receber a notícia, por pior que ela fosse. Começo a pensar nas piores coisas possíveis, o que me deixava extremamente preocupada e confusa.

Não tinha mais a menor ideia do que sentia por Butch, mas estava rezando pra que aquele idiota estivesse bem. Por favor, Butch... Não me faz ficar desse jeito.

Ace respira fundo, se preparando para falar mais uma vez.

– Quando... Quando você foi lutar com Brick, eu e os rapazes o cercamos e tentamos derrota-lo. – Começa, com um pouco de dificuldade de encontrar as palavras certas. – Por mais que a gente batesse nele, ele nunca revidava. E aí ele começou a dizer algumas coisas...

– Que coisas?

Ace suspira mais uma vez.

– Disse que queria nos ajudar, ajudar você, salvar a cidade da fúria de Brick. – Meus olhos se arregalam naquele mesmo instante pela surpresa, meu coração começou a bater mais rápido ainda, mas dessa vez, não era num sentido ruim. – Ele confessou todos os erros, disse que foi um canalha... Mas que ele disse tudo o que disse pra você na sua casa para que você não tentasse ir atrás dele, para que não quisesse lutar com Brick, assim você não teria corrido o risco que correu.

Fico em silêncio, saboreando do alívio e alegria que haviam pousado em meu coração, não consegui evitar o sorriso que nasceu no canto do meu rosto, nem as lágrimas que haviam brotado em meus olhos.

– Quer dizer... Que tudo aquilo que ele disse... Era pra me proteger?

– Sim. – Ele respondeu, e meu sorriso ficou mais largo, assim como ele começou a sorrir ao me ver feliz daquela maneira. – Ele te ama, Buttercup... E agora vejo que ele não estava mentindo.

Ele parecia meio cabisbaixo dizendo a última fala, enquanto eu já não conseguia mais segurar as lágrimas de alegria.

O que vivemos não foi uma mentira... Ele só queria me proteger, proteger a cidade... Aquele idiota...

– Aquele idiota... – Sussurro com o maior dos sorrisos e as lágrimas batendo no travesseiro da cama, olho entusiasmada para Ace que se encontrava em mais um de seus suspiros. – E onde ele está?

A expressão de Ace se converteu para um olhar sério, o que quebrou o meu sorriso. O clima ficara tão pesado que aquela pontada em meu coração havia voltado, deixando de lado meu alívio. Mais uma vez, estava com um péssimo pressentimento.

– Essa é a parte ruim, Buttercup... Preciso que você seja forte. – Naquele mesmo instante, uma lágrima solitária já escorreu por meu rosto. Ai meu Deus... Não me diga que... Ele respira fundo e volta a falar. – Bom... Como já sabe, o deixamos ir e ele foi te socorrer na usina. Houve a explosão, e... Como ele e Brick estavam lá dentro...

– Ace... – O interrompo, já quase soluçando o choro. – Não me diga que...

– Calma, ele não morreu... Mas ainda assim... – Me alivio um pouco, mas ainda me mantenho extremamente preocupada com o homem que amava. – Os corpos deles ficaram quase que completamente queimados, se for visita-los, verá que eles estão enfaixados até no rosto. Saíram muito feridos...

– Mas... Mas ele está bem??

Ace fica em silêncio por alguns minutos, quando não olhava para o chão, olhava para meu rosto cheio de lágrimas.

– Os médicos disseram que sim... Mas não sabe quando ele irá acordar.

... Acordar?

– Como assim, Ace?

– Butch foi internado em coma. O estado dele é grave. – Dizendo isso, pude ver uma lágrima escorrer em seu rosto, mas ele enxuga rapidamente. Enquanto eu, estava com o coração saindo pela boca com tal notícia. – Ele está vivo, vai sobreviver, mas... Talvez nunca mais acorde.

– Não... – Um turbilhão de coisas invadem minha mente, e toda a minha tristeza é algo totalmente abstrato. Impossível de descrever a dor que eu estava sentindo em meu peito, tudo o que eu conseguia era converter aquilo em lágrimas. – Não é possível...

– E não é só isso. – Ele interrompe, complementando. – O impacto da explosão, misturada com a radiação do lugar, parece ter afetado quimicamente o DNA dos dois, e... Parece que eles perderam os poderes que tinham.

– O que?? – O choro cai mais intensamente.

– Sim... Eles não poderão mais sequer voar. – Ace continua acariciando minha mão, e vejo lágrimas brotarem nos olhos dele novamente. – Mas acredite, Butch não está pior que Brick.

– Como assim?

– Ele foi o mais afetado pela explosão, e... Ele não pode mais sequer andar, se é que você me entende.

– Quer dizer...

– Brick perdeu as duas pernas.

Mais uma vez fico sem palavras. Apesar de tudo, eu não queria que Brick recebesse uma punição tão pesada, é nessas horas se começo a me perguntar se Deus realmente castiga aqueles que fazem coisas ruins. No momento, Brick era a prova disso.

Mas eu não gastei muito tempo pensando em Brick, já que meu amor em coma não tinha previsão para acordar. As lágrimas não pararam de escorrer por um minuto, não conseguia parar de pensar em como seria levantar daquela cama e não ter o meu melhor amigo do mundo para abraçar, comemorar o fim de toda aquela guerra. Quando enfim tínhamos a chance de viver uma vida normal, ele se vai.

Ficou pior ainda quando algumas lembranças invadiram minha mente.

(Trilha sonora do capítulo: My Immortal – Evanescence)

– FLASHBACK ON -

(Capítulo 5)

– Bc... Eu já decidi a condição que você tem que fazer para não ter que pagar o que me deve... – Fico mais confusa do que nunca. Ainda olhando em meus olhos, respira fundo e volta a falar. -... Seja minha namorada.

Arregalo os olhos sem acreditar no que ele acabara de dizer, o empurro com força, me livrando do seu abraço. Ele parece surpreso, mas não tanto quanto eu. Agora eu estava suando frio, uma série de perguntas invade minha mente como se tudo o que eu visse fossem palavras. Minha respiração acelera assim como meus batimentos, ponho a mão no peito que saltitava a cada segundo que eu olhasse para Butch.

– N-NAMORADA?!? TÁ FICANDO MALUCO OU O QUE?!? – Pergunto histericamente.

– E o que você tem a perder? Não pode me pagar de qualquer forma.

– E-Eu sei, mas... Namorada?! NAMORADA?!? Nós somos inimigos e...

– E daí? Você namorou o sobrinho do Hulk, e ele era seu inimigo. Sendo assim não vejo nenhum problema em você ser minha namorada.

– Eu sei disso cara... Mas não acha que estamos indo rápido demais?

Ele fica em silêncio por alguns segundos e suspira, anda até o poste e se encosta nele. Coça a cabeça como se estivesse pensando em algo, eu me aproximo e ele volta a olhar para mim. Estranho, ele parece tão sério agora.

– Está bem. Ao menos aceite minha amizade. – Eu tombo minha cabeça no ombro sem entender. – Olha, você mesma disse que não tem muitos amigos por causa desses caras.

– Butch... Porque você quer fazer isso?

Ele suspira, olha para baixo e fica um tempo em silêncio. Pega mais um cigarro no bolso e acende, aspira liberando a fumaça no ar frio. Eu não tiro meus olhos dele.

– Porque quando eu me interesso numa coisa... Eu vou atrás. Eu me interessei em você. Para ser sincero eu nem sei a razão, mas digamos que você me atrai de um jeito... Peculiar. – Aspira seu cigarro mais uma vez, olha para mim com seriedade e respira fundo. – Minha proposta é a seguinte: Saia comigo, se divirta comigo, aprenda a gostar de mim. É desse jeito que se inicia uma amizade. Eu quero te conhecer melhor e também quero que você me conheça melhor. E com o tempo... Eu vou te conquistar. Quando isso acontecer, nós dois vamos namorar. E eu vou fazer você esquecer aquele idiota de uma vez por todas.

Sinto meu coração bater mais forte, não sei bem se é pela surpresa ou por uma suposta... alegria. Butch aspira seu cigarro uma última vez e o joga no chão. Meus olhos começam a brilhar. Ele está fazendo isso tudo... Pra me ajudar a esquecer o Ace.

– Butch... – Começo, um pouco emocionada.

– Eu farei você esquecer essa dor. É só me dar uma chance.”

(Capítulo 7)

ele acidentalmente, passa a mão molhada por meu pescoço exposto, sinto um arrepio pelo corpo inteiro e tiro as mãos de lá. – Não coloque as mãos aí!

– Hum? Porque não?

– Porque... – Se eu disser a verdade ele vai ficar me provocando. – Porque eu não gosto!

O moreno me encara um pouco confuso, coça a cabeça e para pra pensar, um me afasto dele. Vejo um sorriso brotar no canto de seu rosto e eu recuo.

– Já entendi. – Ele se aproxima de volta e passa a ponta dos dedos pelo pescoço novamente, meu corpo se arqueia. – Você sente cosquinha aqui.

Merda, ele descobriu!

Eu recuo já sabendo o que ele tinha em mente, Butch nada até mim e passa as mãos ali novamente, e de novo, e de novo, e de novo. Tornando aquilo num ataque de cócegas. Por mais que eu tentasse fugir, ele vinha atrás de mim com aquela mão sapeca, a cada toque, meu corpo se arqueava. Eu imediatamente comecei a gargalhar histericamente até que as lágrimas vieram aos meus olhos. Em vão, tentei empurrá-lo, mas ele era mais forte que eu.

E ficamos ali, brincando um com o outro na água da piscina gigantesca, enquanto ele fazia cosquinha no meu pescoço, eu jogava água na direção do seu rosto que muitas vezes acabava engolindo o cloro. Aquele fora o único momento da noite em que estávamos realmente nos divertindo, mas era de se acontecer, afinal depois de tanto confusão a qual passamos num dia só, precisávamos de um descanso para nós dois.

Por um instante, desejei que aquele momento durasse para sempre.

Num ataque surpresa, o moreno agarra minha cintura e me puxa para o corpo dele, eu descanso minhas mãos em seus ombros e encosto a cabeça no seu pescoço. Mas o que...?! Meu coração acelera ao perceber a proximidade que o moreno estabeleceu entre nós, seus braços envolviam minha cintura ainda mais intensamente trazendo arrepios ao meu corpo.

– Butch o que você...?!?

– Shhhhh. – Interrompe, colocando uma mão atrás da minha cabeça, alisando meus cabelos. – Fica quietinha.

Minha mente pifa e perco a liderança de meus atos, não tinha a mínima ideia de como reagir naquela situação. Desencosto meu rosto de seu pescoço e o encaro nos olhos, ele me parecia determinado do que iria fazer, olha no fundo dos meus olhos e suspira. A mão que estava em meus cabelos, agora vai parar em meu rosto, acariciando minha bochecha esquerda corada pela vergonha.

Para em meu queixo e o segura, erguendo meu rosto mais ainda, me dando a visão de seu rosto. O moreno exalava pura vontade, seus lábios ficaram mais rosados assim como seu rosto que corou levemente.

– Eu detesto quando começo algo e sou interrompido. – Diz ele com um sorriso no canto do rosto. – Quero terminar o que começamos hoje à tarde.

– E... E quem disse que eu quero fazer isso?!

Antes que eu percebesse, os lábios de Butch já estavam praticamente colados nos meus, me beijando lentamente, sorrindo contra meus lábios. Tento empurrá-lo, surpresa, porém minhas tentativas são em vão. Seu beijo era doce e estava ficando cada vez mais intenso, tomo consciência que ele estava na liderança e decido tomar a iniciativa, nunca gostei de demonstrar falta de experiência ou timidez nesse aspecto.

– Filho da puta. – Murmuro, sorrindo no meio do beijo.”

(Capítulo 9)

Ainda olhando para nossos pés, espero uma palavra dele, mas ele nada responde, fica em silêncio parado como uma estátua, me analisando da cabeça aos pés. Merda! Merda! Merda! Ele vai me zoar pelo resto da vida! Fico impaciente de esperar, junto toda a minha coragem e finalmente corto o silêncio que me atormentava.

– Diz alguma coisa...

Ele continua em silêncio por alguns instantes, ergo minha cabeça de vagar e o que eu vejo me surpreende. Butch estava levemente corado, algo raro de se ver vindo de uma pessoa como ele, não desgrudava os olhos de mim por um segundo.

– Err... Acho que a única coisa é dizer é... UAU!

Meu rosto fica vermelho. Uau? Como assim uau? No sentido bom? Ou no sentido ruim? Reviro meu rosto, com vergonha de olhá-lo nos olhos.

– E-Eu não tinha nada bom para vestir, e... Acabei escolhendo isso. – Continuo com o rosto revirado. – Eu sei que ficou estranho, mas...

– Você está linda. – Ele me interrompe. Seu elogio me pareceu sincero, meu coração acelera e eu fico com mais vergonha ainda. Merda. Como ele consegue fazer isso comigo? Ouço-o soltar um risinho. – Mas... Confesso que prefiro você com suas roupas normais. Define mais a sua personalidade.

– E como você define minha personalidade?

– Menina-macho. Mas não deixa de ser a minha menina-macho.

– Idiota.”

(Capítulo 15)

– Até quando vai deixar seu orgulho se apoderar de você? – Pergunta, chegando ainda mais perto. – Quando vai admitir que está apaixonada por mim?

– Eu não... Estou apaixonada por você. – Respondo, um tanto cabisbaixa, sabendo que aquilo não era verdade.

Butch acaricia meu rosto com a mão direita, enquanto me olhava no fundo dos olhos com aquele mesmo olhar sedutor.

– Eu aposto que está.”

(Capítulo 19)

– Então agora o senhor virou “Cult”?

– Não. – Respondeu em meio de risos, quebrando o clima “Cult” e voltando para sua natureza normal. – Ainda sou aquele brutamonte burro que você julgou em um cassino, um hotel, um shopping e em vários outros momentos. Eu apenas parei para tentar buscar algumas respostas.

– Eu falo de você, mas... Eu também nunca fui muito chegada a livros. Nunca fui culta e inteligente, me esforço nas matérias da escola por querer chamar atenção do Professor, então é só um costume... Alguns livros realmente, tem coisas muito interessantes a dizer, queria ter o costume de ler mais frequentemente.

– Até eu mesmo acabei gostando. – Butch revelou.

– Imagino você roubando um banco enquanto lê Shakespeare. – Ironizo novamente, rindo demasiadamente logo após. Butch fora contagiado pelo riso e admitiu a graça nessa cena bizarra imaginada na minha cabeça.

– “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.” – O moreno pronunciou, de modo repentino, o olhei, espantada, com os olhos esbugalhados. Ele logo percebe minha surpresa e suspira. -... Sim... Eu andei lendo Shakespeare... Não roubando um banco, mas li.

Logo ambos caímos em um riso profundo e gostoso, sem sabermos ao certo o motivo.

– Você lendo... – Balbuciei entre risadas. – Não consigo nem imaginar.

– Nem eu... Mas isso me parou para refletir por horas, sabe? Arriscar é o segredo de tudo.

– Odeio afirmar isso, mas... Você tem razão.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

– Como se pode apreciar a diferença entre batatas fritas industrializadas e refrigerante? – Indaga em tom de crítica.

– Ouvi dizer que eles mesmos fabricam tudo o que servem aqui, desde os legumes até, eventualmente, as batatinhas. – Responde, sem preocupação.

– Você não tem jeito mesmo. – Desaprovo-o.

– Já estou acostumado com suas críticas, menina-macho.

– Brutamontes.

– Marrentinha.

– Aspirante a Cult.

Uma pequena pausa tomou a troca de elogios de ambos para um sorrir para o outro de modo simpático e um tanto... Romântico?”

(Capítulo 21)

– Buttercup... – Ouço. Aquilo foi o suficiente para eu não resistir e olhar para trás.

Butch ainda estava com os olhos fechados, tateando a cama querendo achar o meu corpo. Algo em mim parecia gritar para que eu voltasse para a cama e continuasse ali, abraçada com ele. Mas se eu o fizesse, não sairia de novo e a confusão com o Professor seria maior ainda. Argh! Porque o Professor tinha que ser tão super-protetor?! Se eu não voltar pra casa, é capaz dele chamar o FBI pra ir me procurar.

Seguido de um suspiro, caminho até a cama novamente, me agachando até ele lentamente, seguro em seu rosto, alisando-o, colocando seu cabelo para atrás da orelha.

– Eu estou aqui, meu amor. – Respondo a seu chamado. Lhe dou um beijo carinhoso na bochecha, posso vê-lo liberar um sorriso. Suspiro mais uma vez. – Mas... Mas eu preciso ir agora.

– Não vai não. – Pede, ainda de olhos fechados. Ele deve estar exausto. – Fica aqui comigo... Dorme comigo essa noite.

Por mais que seu pedido fosse tentador, tive que recusar.

– Eu não posso, Butch. Meu pai deve estar aos prantos me esperando, e...

– Se é assim... – Ele me interrompe. Posso vê-lo abrir os olhos e se sentar um pouco na cama, olha profundamente em meus olhos, fazendo meus batimentos cardíacos acelerarem. – Posso pedir um último beijo?

Eu assinto me viro, inclinando-me em direção à ele. Nos beijamos calmamente e amorosamente. Com o tempo, estou percebendo que nossos beijos estão bem mais profundos do que antes. Depois de um tempo trocando carícias, conseguimos separar nossos lábios, dando enfim a despedida adequada. Indo em direção a porta, sou interrompida por sua voz mais uma vez.

– Espera. Antes que eu me esqueça... – Ele começa, me fazendo olhar para trás. Posso vê-lo com os olhos fechados novamente e um sorriso no rosto. – Você não me deve mais nada.

– Como? – Pergunto, confusa.

– Aquele dinheiro que você está me devendo. Aquele que prometeu me dar se eu te ajudasse a escapar daqueles caras em Las Vegas. – Diz, me fazendo lembrar. Nossa, já tinha até me esquecido dessa dívida. – Não precisa pagar nada. Afinal... Eu não preciso mais dele. E além do mais, você é a minha namorada.

Sua última frase quase me fez dar um pulo de surpresa.

– Eu sou a sua o que? – Pergunto, curiosa, e um tanto corada. – Nós... Somos namorados?

– Acho que sim... Não somos?

Solto um risinho irônico, voltando a olhar para o meu caminho.

– Vou pensar no seu caso.”

(Capítulo 23)

– Sentiu minha falta? – Ele pergunta de uma maneira esquisita. Nossa, o que aconteceu de ontem pra hoje? Parece que ele não me vê há anos.

– Por que você está tão carente? – Brinco um pouco, ele ri.

– He he. Sabe o que é... – Em um movimento surpresa, ele me empurra para o sofá e se joga em cima de mim, colocando todo o seu peso contra o meu corpo. – É que eu não consigo ficar longe de você.

Normalmente eu coraria e começaria a gaguejar com uma declaração dessas, mas ele estava tão pesado que eu era incapaz até de suspirar.

– Butch... Tá... Me... Sufocando... – Suplico para que ele saísse de cima de mim, ele levanta a cabeça e olha em meus olhos.

– Ah é, é? – Ele faz uma cara ameaçadora e, ao mesmo tempo, travessa. Merda, eu conheço essa expressão... – Então aguente, porque eu não vou levantar.

– Não! Seu puto! Sai daqui! – Começo a empurrá-lo, mas todos os meus esforços eram em vão. Mesmo tendo uma força brutal, ainda era incapaz de tirá-lo de cima de mim. Butch parecia se divertir em me torturar, mais uma coisa que detestava e, ao mesmo tempo, amava nele. – Seu gordo! Sai de cima de mim!

– Eu? Gordo? – Ele começa a rir, zoando da minha cara. – Você que é uma fraca!

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– Deve ser legal...

– Hãn?

– Deve ser legal ter uma família... – Diz em um tom triste, me deixando preocupada. – Quer dizer... Eu tenho meus irmãos, os meus pais, mas... Sei lá... – Faz uma pausa, coçando um pouco a cabeça e fitando o chão. Força um sorriso. – Que coisa idiota... Esquece o que eu disse.

Olho no fundo de seus olhos, parecia solitário, e um tanto triste. Faço um cafuné em sua nuca e lhe dou um beijo na bochecha.

– Não é idiota. – Seguro seu rosto com as mãos e o olho profundamente, fazendo-o mirar em meus olhos. Sorrio de uma maneira gentil, garantindo minhas palavras. – Por mais que você se sinta sozinho... Você sempre terá uma família comigo.

Seus olhos começam a brilhar um pouco, de longe posso ouvir os batimentos de seu coração, e seu rosto cora levemente.

– Buttercup...

Me aproximo de seu rosto, provocando uma distância mínima entre nossos lábios. Toco-o com um beijo suave, porém caloroso, transmitindo todo o carinho que podia oferecer. Separo um pouco para olhar em seus olhos de uma maneira sincera.

Naquele momento, minhas memórias de tudo o que ocorreu com Ace ontem haviam evaporado. Aqueles avisos pareciam ter sumido. Eu estava focada apenas em meus verdadeiros sentimentos por Butch, que me puxou para um abraço quente e demorado. Seus lábios alcançam meu ouvido e, sem permissão, sussurra:

– Você é a minha família.”

– FLASHBACK OFF –

As lágrimas ficaram muito pesadas, e eu não pude mais evitar o soluçar de meu choro, assim como Ace, que chorava ao me ver naquele estado.

– Eu perdi o meu melhor amigo... – Chorei, segurando a mão dele com força. – Perdi meu amor... Perdi tudo, Ace...

– Buttercu-

Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa além de meu nome, a porta do quarto é aberta por uma enfermeira, que quando me viu acordada pediu para Ace se retirar e chamou um grupo de médicos para me atenderem.

Mesmo com os médicos dizendo um monte de coisas sobre meu estado, não prestei atenção em quase nada, tudo na qual eu conseguia pensar era na perda de Butch.

O que... O que eu vou fazer agora?

4 dias depois:

Foram dias difíceis na UTI. Recebi muitas visitas, todas muito agradáveis. Meus amigos da escola, o Prefeito, a família da Srta. Bellum, até mesmo a família do Harold vieram ver como eu estava, e fiquei muito contente em ver todos aqueles sorrisos de apoio. Minha família me acompanhou todos esses dias, e foram eles que enxugaram minhas lágrimas que pareciam não ter fim. Assim como disse, foram dias difíceis. Mas consegui chegar a minha conclusão sobre todo o ocorrido.

Eu estava liberada para ir pra casa, deveria ficar sobre observação, mas é muito melhor do que ficar deitada naquela cama só podendo assistir TV e ouvir música. Também foram dias entediantes.

Quando eu levantei daquela cama e pude enfim sair daquele quarto, senti como se até o ar tivesse um cheiro novo. Nada como me espreguiçar e andar por aí, coisa que eu nunca pensei já que sempre tive preguiça de andar, voar sempre foi muito mais prático, mas agora eu queria andar. O Professor estava levando minhas coisas para o carro, e minhas irmãs estavam me acompanhando para fora do hospital. Para quem quer saber, graças a Deus nenhum deles saiu machucado. O Professor adicionou o Elemento X no DNA delas novamente e seus poderes estavam de volta, ninguém se feriu, todos estavam bem.

Disse a elas que eu não poderia ir embora antes de fazer algo, elas imediatamente entenderam e me levaram até o quarto 602. Respirei fundo e abri a porta, chamando a atenção do loiro que estava lá dentro. O quarto era maior pois haviam duas camas, cada um dos irmãos estavam em uma.

Primeiro eu olhei para o irmão da esquerda, o ruivo que agora estava com os cabelos curtos, provavelmente cortaram para fazer alguma cirurgia, o seu rosto estava quase todo enfaixado, quer dizer, quase todo o seu corpo estava assim. As partes que não estavam, me permitiram ver queimaduras muito fortes, como se ele tivesse se banhado em ácido. Como se tratava de uma explosão nuclear, era ainda pior. Não tive coragem de levantar o cobertor para conferir se suas pernas haviam mesmo sido amputadas, e tomei minha atenção para a cama da direita.

O moreno estava tão enfaixado quanto o outro, no rosto estava menos, mas uma queimadura atravessava seu olho. Vê-lo assim, naquele estado, fora mais difícil do que pensei. Não consegui conter as lágrimas mais uma vez.

Olho para Boomer, que estava ao meu lado, parecia que ele estava lá fazia horas. Seus olhos estavam inchados, e quando me viu chorar, lágrimas pousaram em seus olhos.

– O que eu faço agora, Buttercup? – Ele suplica, segurando minha mão. – Agora eu estou sozinho...

O abraço com força, e nos pusemos a chorar um no ombro do outro.

– Eu sei o que é isso, Boomer... Eu também o perdi...

– Não, você não sabe! – Ele corta o abraço para me encarar seriamente nos olhos, mas ainda chorava. – Você perdeu um namorado... Eu perdi dois irmãos. Eles eram tudo o que eu tinha, e agora... Agora...

Senti um aperto ainda maior no peito, Boomer tinha razão, a dor dele definitivamente era muito maior que a minha, o que me fez abraça-lo com força novamente. Ficamos ali, abraçados sem dizer nada. Quando nos soltamos, me viro para Butch e passo a mão em seu rosto, olhando direto para aqueles olhos fechados e adormecidos.

Inclino-me até seu rosto e lhe dou um beijo nos lábios enfaixados, doía não senti-los quentes.

Dou um último abraço em Boomer e o deixo sozinho com os irmãos novamente, dando uma última olhada no meu amor enquanto fechava a porta, e vou embora, dessa vez do hospital. Quando saímos de lá, o Professor estava no carro nos esperando, sorrindo alegremente ao me ver de pé e segura.

Olho para o céu, que nunca esteve tão azul. Respiro fundo e pensamentos sobre mim mesma invadem minha mente.

Agora o que me resta é dar um jeito na minha vida...

Continua...

Notas finais
... Preciso dizer alguma coisa? Espero que tenham gostado, meus amoress!! Reta final já tá aí, só teremos mais 3 capítulos dessa linda fanfic (adicionei mais um), nem terminei e já estou com saudades T^T. Enfim, meus bebês, farei o possível para não demorar. Essa semana fico de férias, então pretendo escrever logo ;). Kissus