Playing With Fire
27 O leve tom de azul - extra
Notas iniciais
POV Boomer:
Como posso definir aquela festa?...
Entediante.
Sério mesmo, não sei como as pessoas suportam casamento. Além de ser extremamente chato, comemora o pior dia da vida de um homem. O dia em que ele jamais poderá olhar para outra mulher daqui para frente. Jamais. Oh, que tormenta. Como conseguem ignorar criaturas tão perfeitas? Como conseguem ter olhos só pra uma? Casamento deveria ser proibido!
Me pergunto como alguns malucos são capazes de aceitar uma condição dessas? Bom, já era de esperar, vindo da família das Super-Poderosas.
Felizmente, Brick teve a brilhante ideia de chegarmos só depois da cerimônia. Não teríamos que escutar um padre babão falar por duas horas, sem poder dormir, comer, nem sequer falar. E também, o plano seria executado com melhor perfeição assim que todos se dispersassem.
Independente disso, não acredito que estou sendo forçado a ficar aqui. Foram eles quem armaram essa confusão, pra início de conversa.
A noiva (Que de fato, era bem gostosa) levou a mim e Brick até uma mesa redonda e bem enfeitada, disse que se precisássemos de alguma coisa era só chamar (Já mencionei que ela era gostosa?). Brick, que não é nada bobo, levantou-se na primeira oportunidade que pode. Disse “Fique aqui até o Butch ligar. Vou fazer a minha parte, não se esqueça de fazer a sua.”, e me entregou o frasco com... “Aquele líquido”.
O ruivo foi embora, pronto para fisgar sua vítima.
Na mesa, haviam duas taças com champanhe, me apressei e pus todo o conteúdo que tinha no frasco em uma delas, deixando tudo pronto para quando eu fosse pôr o plano em prática.
Estou sentado há uns quinze minutos, e nenhuma Super-Poderosa a vista. Quer dizer... Eu sou o que está menos concentrado. É muito mais divertido piscar para as garotas que estão a meu redor, se derretendo por mim. O que posso fazer? Não é minha culpa ser tão lindo (E modesto).
Tirando as garotas, tudo estava um saco.
Eu estava tão irritado com meus irmãos que tudo o que eu conseguia pensar era “Foda-se as Poderosas! Foda-se esse plano! Foda-se tudo!”. Como eu queria estar em casa, jogando vídeo-game, comendo pizza, vendo pornô... Ou melhor, eu poderia muito bem ligar pra alguma vadia e chama-la lá pra casa. Eu poderia estar fazendo qualquer coisa que não fosse isso.
Ah... Como eu queria sumir daqui...
– Você não parece estar se divertindo.
Uma voz delicada chamou minha atenção, fazendo-me virar o rosto em sua direção. A primeira coisa que vejo é um belo par de seios logo a minha frente, responsáveis pelo grande arregalar de meus olhos. Querendo ser discreto, desviei o olhar para cima, tendo a visão de grandes olhos azuis claros, lábios sorridentes, e lindos cabelos dourados que refletiam a luz do lustre.
Dou uma olhada de leve nas duas taças, trazendo-as para mais perto de mim. Eu sabia distinguir qual era a que ela deveria beber, se eu errasse, tudo iria por agua abaixo.
A Super-Poderosa não hesitou em puxar uma cadeira e sentar-se ao meu lado, dando aquela companhia que estava faltando. Bubbles pôs um prato de doces sob a mesa, deixando-os livres para que eu os experimentasse. Analisei-a, confirmando para mim mesmo: É... A puberdade fez bem pra ela.
Ela era realmente muito bonita, de fato, uma das mais bonitas que já vi. Quando a reencontrei depois de onze anos, durou um tempão para acreditar que ela era a mesma garotinha chorona que já me pôs na prisão para menores uma dúzia de vezes. Ela não parecia mais ser aquele bebê chorão que segurava um polvo roxo, que sempre se escondia na sombra das irmãs por medo de lutar. Minha impressão sobre ela está completamente diferente agora.
– Oh, me desculpe! – Ela corta o silêncio de repente, eu não consegui entender. – Eu me sentei aqui mesmo sem perguntar se podia...
– Não, não precisa se desculpar. – Respondo involuntariamente. – Pode ficar aqui à vontade.
... Ahn?
– Nossa... Muito obrigada, Boomer.
– De nada...
Passei a ficar confuso. Porque eu disse aquilo? Eu sequer pensei antes de falar... Bem, não importa.
A loira sorriu para mim, dando uma linda visão de seus lábios avermelhados. Tão avermelhados quanto meu rosto, que logo se esquentou diante daquele sorriso. Eu não costumava sentir atraído por sorrisos, o que me deixou ainda mais confuso. Pera... Isso tá começando a ficar esquisito.
– Nunca tivemos a oportunidade de conversar assim desde... Quer dizer... Nós nunca conversamos assim. – Afirmou para si mesma, rindo ironicamente. Olha profundamente em meus olhos. – Agora que seu irmão está namorando a Buttercup, acho que as coisas podem ficar mais... Tranquilas entre nós.
Sorrio para ela, concordando. Devo agir naturalmente, não importa o quão estranho a situação fique.
– Acho que sim.
– Isso me deixa feliz...
Estranho sua resposta, um tanto curioso. Do que essa garota está falando?
– Como assim? – Pergunto.
– Bom... Acho que podemos deixar nossas diferenças de lado. Afinal, nossos irmãos provaram que não há motivos pra vivermos em guerra. – Disse ela, ainda com aquele sorriso que me causava reações estranhas. – E também... Acho que é uma bela oportunidade de nos conhecermos melhor, você não acha?
Olhando para aquele sorriso, aquele maldito sorriso, sinto meu rosto quente, meu coração acelera de maneira que nunca fez antes. Mas que merda é essa?? Ela é uma bruxa ou coisa assim?? Está me enfeitiçando??
– S-Sim... Talvez...
– Sabia que entenderia. Por isso vim até você.
– Ahn? – Indago. Essa garota... Realmente não fala coisa com coisa. – O que quer dizer com isso?
– Bom, considerando que seu outro irmão é mais... Digamos... “Cabeça dura”, achei que me aproximar de você seria mais fácil.
Ela permanecia com aquele sorriso no rosto. Ah... Esse sorriso... Mas que merda é essa?? Ela definitivamente é uma bruxa.
Assim que tomo consciência de que estava me deixado levar, analiso com mais cautela suas últimas palavras. Vendo que ela ainda estava sorrindo, percebo que ela realmente tem confiança em mim, e confesso que fiquei mais confuso ainda. Porque ela me olha assim? Parece tão à vontade falando com quem já tentou mata-la um milhão de vezes. Era pra isso me incomodar?
Não. Talvez eu gostasse de tê-la me olhando assim.
Mas ainda sou orgulhoso, e não gosto de pagar de bonzinho.
– Acho que você tem a impressão errada sobre mim. – Digo, fazendo-a arregalar um pouco os olhos. – Eu não sou um cara muito... Bom. Não deveria confiar tanto em mim, princesa. Vai acabar se decepcionando.
Ficamos em silêncio, ela parecia não saber o que responder. Volto meu olhar para seu rosto, e vejo que ela está pensativa, mas não tirando os olhos de mim. Coro um pouco mais. Será que deixei ela com medo? Não sei... Ela sempre foi muito medrosa. Talvez essa nova impressão que eu tenha sobre ela esteja errada.
Sou surpreendido por seu sorriso, que volta a seu rosto, iluminando-a novamente. Nossa... Ela é tão... Bonita...
– Não acho que você seja mau. Nunca achei. – Diz ela, colocando um doce nos lábios. – Desde que éramos crianças, eu... Sei lá... Sempre te achei diferente dos seus irmãos... Você tinha uma aura mais quente, e eu podia ver bondade em seu coração. Ainda posso. – Arregalo um pouco os olhos. Nunca esperei que alguém fosse dizer essas coisas pra mim, principalmente se esse alguém fosse Bubbles. Mas o que eu menos esperava, era me sentir um certo... Alívio (?) ao ouvir aquilo tudo. A loira olha profundamente em meus olhos numa expressão gentil, que com certeza era capaz de acalmar a qualquer pessoa. – Eu sempre tive curiosidade de saber quem você era de verdade. Você pode... Me mostrar esse alguém?
Em uma contagem de 3... 2... 1... PUF!, eu já estava completamente hipnotizado por aquele olhar. Era difícil dizer o que mais me atraía nela naquele momento. Seu corpo volumoso, seus cabelos sedosos, seus seios fartos, seu rosto angelical, seus olhos brilhantes, e até mesmo seu sorriso. Talvez o único sorriso que já tenha me atraído até hoje.
Sacudo um pouco a cabeça, percebendo que eu estava me deixando levar. Não posso baixar a guarda agora. Pensei, dando uma nova olhada nas taças de champanhe, repetindo várias vezes qual era a certa em minha mente.
Sem hesitar, corto o assunto que me hipnotizava tanto e volto ao meu dever.
– Quer um pouco? – Pergunto, lhe oferecendo a bebida.
Ela estranho um pouco minha atitude, mas logo volta a sorrir.
– Talvez depois. – Responde, com uma expressão meio sarcástica. – Não vou deixar você me embebedar tão depressa, rapazinho.
– Engraçadinha. – Digo, também tentando ser sarcástico. – Como descobriu meu plano maligno?
– Foi fácil. Posso ver no seu olhar que está interessado em mim. – Diz na maior cara de pau, sem vergonha alguma. Franzo as sobrancelhas, sem acreditar muito bem no que acabei de ouvir. – Não tirou os olhos de mim por um instante... Persistência não faz muito meu estilo.
Dava para ver que ela estava sendo sarcástica, mas também com um toque de sinceridade. Era uma garota peculiar, de fato. E bem misteriosa. Me divirto com seu joguinho e entro na brincadeira.
– Essa não, eu jurava que estava sendo discreto. – Digo, de maneira mais sarcástica possível, fazendo-a rir. – Se percebeu desde o início, porque continuou comigo? Não sou persistente o bastante? Ou é porque sou muito lindo?
A loira agora faz uma expressão diferente, tinha um toque de... Malícia? Analisa meu corpo da cabeça aos pés com um sorriso no rosto e os dedos nos lábios.
– Digamos que eu... Goste de seu físico.
Agora ela me pegara desprevenido. Coisa assim era totalmente inesperado vindo dela, e o pior de tudo, era ver que ela estava rindo do que acabara de dizer, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Mas o que... O que aconteceu com aquela garotinha inocente de marias-chiquinhas?? Eu estou falando com a verdadeira Bubbles??
A loira para de rir, apoia os braços sob a mesa e sorri, sem tirar os olhos de mim. Morde o lábio inferior com os dentes, agora sendo para mim, a criatura mais sedutora já existente.
Se ela parecia estar interessada em mim?
Não.
Parecia estar se divertindo a minhas custas.
E porque aquilo me atraia?
Não sei.
– Garanto que arrasa o coração de todas.
– O que?
– Você sabe... – Ela faz uma pausa, olhando para as pessoas da festa. – Você é tão bonito... E é gentil. Todas devem se atirar em você. E você deve adorar isso.
Ela estava sorrindo, mas senti uma sensação estranha vindo dela. Não era a atmosfera de antes. Ela parecia... Não sei... Decepcionada?
Mas... Com o que?
– Bub-...
– Eu já conheci muitos caras iguais a você. – Ela me interrompe, ainda sem olhar nos meus olhos. – Galanteadores... Bonitões... Caras que não pertencem a ninguém. São livres para fazer o que bem entenderem. Vi o jeito que você olhava para aquelas garotas daqui da festa.
Olho no fundo de seus olhos e encontro decepção. Talvez ela não esteja falando de mim, no geral...
A garota parecia triste, lembrando de pessoas que a fizeram mau. Mas o que me incomodava era estar sendo comparado a essas pessoas.
Porque estou me importando? E porque estou com vontade de socar esses caras que fizeram ela se sentir mau? É melhor eu não me descuidar, os feitiços dela estão ficando mais poderosos.
Ela olha novamente para mim, com um novo sorriso, talvez o que me fez corar com mais intensidade. Ao mesmo tempo que era um sorriso frágil, também tinha firmeza e determinação. Uma mistura de coisas que talvez demore anos para entender.
Sim... Talvez demore para que eu entenda alguém como Bubbles.
– Eu... Estou sendo idiota. Esqueça o que eu disse.
Involuntariamente, ponho a mão em seu rosto, acariciando um pouco. Posso senti-la mais quente ao toque, além de ser extremamente macia.
– Você não é idiota... Eu que sou o idiota aqui. – A olho no fundo de seus olhos, analisando cada detalhe de seu rosto. Eu não estava jogando charme, na verdade, pela primeira vez estava sendo completamente sincero com uma garota. – Nossa, eu... Me sinto um babaca perto de você. Sim, eu sou tudo isso o que você disse e mais um pouco. Eu não posso fazer ninguém feliz, e só penso em mim mesmo. Não sei o que você viu em mim para me julgar uma pessoa boa... – Faço uma pausa, ainda sorrindo. Nunca pensei fazer tal julgamento de mim mesmo tão de repente, e para uma garota. Como pensei, uma garota diferente das outras. Que jamais serei digno de ter. – Você é tão boa que... Acaba por julgar todos a seu redor como bons.
Impedindo que aquilo terminasse em um silêncio, a loira sorri para mim, se aproximando um pouco mais. Aquele sorriso... Oh, aquele sorriso hipnotizante.
– Se você fosse mau... Não diria coisas tão boas. – Diz ela, com toda a sinceridade. – Você é muito gentil, Boomer... Eu tenho certeza de que você é uma pessoa incrível. Mau posso esperar para conhece-lo por completo, e tirar essa dúvida que tenho desde que éramos crianças.
Um trocar de sorrisos resultou numa troca de olhares penetrantes. Palavras não eram necessárias.
Minha nova impressão sobre ela estava mais do que certa, naqueles grandes olhos azuis, não existia mais uma garotinha medrosa. Existia algo muito maior do que qualquer mulher que já conheci. Sim... Naquele olhar, havia uma mulher. Não uma mulher qualquer, que eu certamente usaria para depois jogar fora, era uma mulher forte e digna de ser cuidada.
Bubbles não era mais uma bolha frágil, que se estouraria facilmente.
Bubbles já se tornara uma mulher forte, capaz de lutar não só por si mesma, mas pelos outros também.
Se eu já imaginei coisas assim? Não. E nem pensei que poderia pensar dessa maneira, não importa quem fosse a pessoa. Me orgulho pensar que esta pessoa seja ela.
Vendo-a agora, não enxergava mais um rosto bonito. Enxergava quem ela era por dentro. Por mais que ela tenha mudado, ainda mantinha em sua personalidade traços daquela garotinha gentil e alegre, que era comparada a todos com um anjo.
No momento em que aproximei nossos rostos, realmente achei que ela fosse um.
Merda... Eu nem acredito no que vou fazer...
Seguro seu rosto com uma mão, trazendo-a mais para perto. Já podia sentir o calor de sua pele chegando perto, assim como podia ouvir claramente os batimentos de meu coração. Acho que até ela conseguia ouvir.
Nunca me senti nervoso ao estar prestes a beijar uma garota, me pergunto como essa garota em especial conseguiu me domar em tão pouco tempo. Boomer, o Desordeiro galã, estava completamente entregue.
Assim que encosto os lábios em sua pele, sinto que aqueles não são os lábios que eu tanto desejava. Aliás, nem eram lábios.
Abri meus olhos e vejo que estava pressionando meus lábios contra a sua bochecha rosada. Não era o mesmo que beijar seus lábios, mas não era tão ruim. Eu podia jurar que não havia ficado tão nervoso a ponto de errar a mira. Ela desviou o rosto de propósito.
Após alguns segundos pressionando os lábios contra a sua bochecha, volto a olhar nos olhos, a mesma não havia mudado a expressão sorridente e com o leve tom de sarcasmo. Sorri para mim enquanto mostra a ponta da língua, vangloriando-se de sua travessura.
– Acho que o senhor está indo rápido demais, mocinho. – Diz ela, me deixando com vergonha. Merda... Essa mulher... Como ela conseguiu me deixar assim?? Como?? Se levanta, pega uma taça do champanhe que estava na mesa e se agacha até mim, pressionando os lábios contra a minha bochecha. Meu rosto esquenta de maneira inexplicável, os batimentos do meu coração aumentam de 90 para 120 em questão. Era como se o mundo estivesse girando. E tudo que eu conseguia ver era Bubbles. – Tudo tem seu tempo... Espera que tenha sentido o mesmo que eu senti com esse beijo.
Ergue o corpo e caminha até uma certa parte do lugar, onde dá uma pausa para me olhar novamente. E sim, ela estava sorrindo.
– Boomer...
– O-O que? – Gaguejo sem querer. Mas que merda, estou parecendo um idiota!!
– Obrigada.
Todos os meus pensamentos se vão junto com ela, a única cor que vinha em minha mente agora era o vivo e forte azul de seus olhos, aqueles que me olhavam com tanta ternura.
Meus sentidos foram levados com aquele beijo, e todo o olhar que tinha para as outras mulheres ao redor evaporou de maneira simples e fácil.
Naquele momento, três coisas eram certas:
1- Bubbles era uma garota mais interessante do que eu pensei que fosse.
2- Eu não consegui olhar para ninguém mais além dela desde então.
3- Ela pegara a taça que eu havia envenenado.

Continua...
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