Playing With Fire
9 Marcando o território
Notas iniciais
Desculpe por fazê-los esperar, acho que já deu pra perceber que eu sempre posto ou na sexta, ou no sábado XD. De qualquer forma, são os melhores dias da semana. Bem, esse capítulo eu quero começar por... PLAYING WITH FIRE RECEBEU MAIS UMA RECOMENDAÇÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!!!! Vocês não fazem ideia do quanto eu pulei de alegria!! PunkRock, muito obrigada mesmo, você e sua linda recomendação me fizeram chorar de tanta emoção. Nem em mil anos eu vou saber como retribuir *w*. Kissus bem grandes pra vc ♥♥♥♥♥
Agradecimentos: Gablychan, PunkRock, Tali Miniwa, Ravenna Morgan, UmaDoceteLouca, Marcela Abadeer, cookiecute, Fernando Zelros, Anne Hyuga, bakarayo, Alexia Vasconcellos, Ly, natsumi1406, seus linjooooosss!!! Amo muito vcs!! Kissus ♥
E Shirayukki, Kagome chan, sejam muito bem vindas :3
Bem, esse cap irá mostrar lados ocultos dos personagens, lados que nós já imaginávamos ver, e outros não. Pois bem, espero que gostem!
Boa leitura!!
No dia da festa...
Já são sete e meia. Pensava comigo mesma enquanto olhava o relógio de pulso, minha ansiedade estava transbordando tanto quanto meu nervosismo, não só por causa da festa, mas também por ter que usar um vestido na dita festa. E lá estava eu, com minhas roupas normais, sentada diante a tela do computador, esperando todos saírem de casa para que eu finalmente pudesse por o maldito vestido e a maldita maquiagem. Definitivamente não quero que ninguém desta casa me veja daquele jeito.
Por minha sorte, todos estarão fora esta noite. Professor saiu com a srta. Bellum para uma tal de “reunião de cientistas”, Bubbles saiu com o mala-sem-alça do namorado dela a vinte minutos atrás, parece que foram numa festa qualquer, e logo Blossom iria para o cinema com seu namorado. Eu ficaria “sozinha” para cuidar da casa, porém agora já tinha outros planos.
Blossom estava penteando seus longos cabelos diante ao espelho, enquanto eu estava deitada na minha cama com o notebook no colo contando os segundos para ela ir embora, que de fato já estava demorando. Quando é que esse cara vai chegar, hein?
Poucos segundos depois ouço a campainha tocar, fazendo a ruiva dar um pulo da cadeira.
– Buttercup, abre a porta para o Harold pra mim enquanto eu vou ao banheiro? – Pede e eu assinto.
Finalmente! Me levanto e desço as escadas, caminho até a entrada e abro a porta, e lá estava ele, o garoto que já namora Blossom desde os 13 anos de idade. Harold Mackenzie, 18 anos, o garoto mais inteligente da sala, todas as suas notas são as melhores da sala. Sim, ele é um verdadeiro NERD, mas não um que é feio, magrelo e espinhento, muito pelo contrário, Harold é um garoto muito bonito e desejado por muitas meninas da escola. Tem cabelos castanhos e lisos, olhos verdes, algumas sardas no rosto, pele clara e usa óculos que o deixa ainda mais charmoso. Sua personalidade é calma, é uma pessoa muito gentil e compreensiva, um namorado exemplar e muito romântico, vive enviando flores e cartões para Blossom que fica caidinha por ele.
Em outras palavras, Blossom foi muito esperta em fisga-lo logo cedo, pois hoje ele é muito disputado pelas mulheres. Mas de qualquer forma, ele é completamente apaixonado por minha irmã, as garotas não tem a mínima chance com ele. Agora ele estava usando uma blusa azul-escuro, uma calça jeans, um sapato de couro e estava usando um perfume contagioso. Pois é, a Blossom realmente deu sorte em conseguir ele. Harold sorri para mim de forma gentil.
– Boa noite, Buttercup.
– E aí, Harold. – Abro mais a porta, permitindo passagem. – Entra aí.
– Oh, não. Não quero incomodar. – Responde educadamente. Teve uma época em que eu suspeitava por ele ser educado até demais, vivia zoando a Blossom dizendo que ele era gay, o que a tirava dos nervos. Mas com o tempo percebi que na verdade ele só era exemplar demais.
– Deixa de frescura, você é namorado da minha irmã há quatro anos, pode entrar à vontade.
– Eu agradeço a oferta, mas... Ah, tudo bem, eu entro. – Dizendo isso ele entra timidamente, e fica ali parado em frente a porta esperando sua namorada. – Onde está a Blossom?
– No banheiro. Pra demorar desse jeito, deve estar cagan-...
– Nem ouse terminar a frase, Buttercup!!! – Ordena a ruiva enquanto desce as escadas, ao vê-la, o rapaz retira uma rosa vermelha do bolso. – Cheguei, amorzinho.
Harold entrega a flor em suas mãos e lhe dá um beijo na testa.
– Uma rosa para uma flor. – Diz ele olhando nos olhos dela, me fazendo segurar vela.
– Awwwn! Você é tão fofo! – E assim os dois iniciam uma troca de carícias e elogios, me dando uma vontade imensa de vomitar o que comi no almoço.
– Ahem! – Chamo a atenção dos dois que ficam com vergonha. – Os dois pombinhos não tinham que ir ao cinema?
– Ih, é mesmo! – Harold segura a mão de Blossom e os dois saem da casa. – Vamos, minha flor. – Quanto amor. Bem que os garotos podiam ser gentis assim. Ele abre a porta do carro para ela e em seguida acena para mim. – Tchau, Buttercup. Boa noite.
– Divirtam-se crianças. Juízo, hein! – Aceno de volta e os dois vão embora, finalmente me deixando sozinha para que eu pudesse me arrumar para a festa.
Subo as escadas rapidamente e entro no quarto, pego meu celular na cabeceira da cama e envio uma mensagem para Butch.
“O pessoal vazou. Pode vir me buscar.
– Bc”
Em poucos segundos recebo sua resposta dizendo que ele já estava a caminho, respiro fundo e começo a me arrumar o mais rápido que posso. Ponho o vestido cor-de-salmão e o ajusto para não parecer muito curto, me sento na mesa de maquiagem e faço o mesmo que fiz a uma semana atrás, deixando o batom e o perfume por último.
Quando vou pentear o cabelo, encontro uma fita da mesma cor do vestido, a encaro um pouco e tenho uma ideia. Após desembaraçar todo o cabelo, amarro a fita em minha cabeça formando um lindo e delicado laço, enfeitando meus cabelos negros. Me encaro no espelho, eu nunca tinha ficado tão bonita em toda a minha vida, minha pele clara e essa arrumação delicada me fazia parecer uma boneca de porcelana. E por mais estranho que pareça, eu não me sentia desconfortável ou com nojo disso. Só um pouco nervosa em relação ao que Butch pensaria ao me ver assim.
Solto um suspiro longo e me sento novamente. Ele com certeza vai me zoar muito. Me olho no espelho mais uma vez e encaro a maquiagem improvisada, não era nada extravagante, pelo contrário, quis disfarçar o máximo possível para não perceberem que eu estava de maquiagem. O que está feito está feito. Só espero que eu não encontre ninguém conhecido lá...
Meus pensamentos são interrompidos quando ouço o som da campainha e meu coração acelera pelo nervosismo, me levanto de vagar e vou em direção da porta de entrada. Encaro a pequena janela onde posso ver a sombra de Butch, ponho a mão na maçaneta e respiro fundo, abro a porta cabisbaixa, sem coragem de ver a reação dele.
Ainda olhando para nossos pés, espero uma palavra dele, mas ele nada responde, fica em silêncio parado como uma estátua, me analisando da cabeça aos pés. Merda! Merda! Merda! Ele vai me zoar pelo resto da vida! Fico impaciente de esperar, junto toda a minha coragem e finalmente corto o silêncio que me atormentava.
– Diz alguma coisa...
Ele continua em silêncio por alguns instantes, ergo minha cabeça de vagar e o que eu vejo me surpreende. Butch estava levemente corado, algo raro de se ver vindo de uma pessoa como ele, não desgrudava os olhos de mim por um segundo.
– Err... Acho que a única coisa é dizer é... UAU!
Meu rosto fica vermelho. Uau? Como assim uau? No sentido bom? Ou no sentido ruim? Reviro meu rosto, com vergonha de olhá-lo nos olhos.
– E-Eu não tinha nada bom para vestir, e... Acabei escolhendo isso. – Continuo com o rosto revirado. – Eu sei que ficou estranho, mas...
– Você está linda. – Ele me interrompe. Seu elogio me pareceu sincero, meu coração acelera e eu fico com mais vergonha ainda. Merda. Como ele consegue fazer isso comigo? Ouço-o soltar um risinho. – Mas... Confesso que prefiro você com suas roupas normais. Define mais a sua personalidade.
– E como você define minha personalidade?
– Menina-macho. – Filho da puta. – Mas não deixa de ser a minha menina-macho.
– Idiota.
Ele ri em resposta, segura meu braço, me puxando para mais perto dele, me deixando com vergonha.
– Vamos lá, “namorada”? – Pergunta, sorrindo para mim. Meu rosto cora e eu fico com mais vergonha ainda.
– N-Não me chame assim...!
– Como quiser.
Fecho a porta da casa e nós partimos dali. Butch veio de carro, e por incrível que pareça, era um belo carrão, deve caber umas oito pessoas lá dentro. Provavelmente roubado. O moreno me leva até a porta do veículo e a abre para mim como um cavalheiro, me fazendo estranhar um pouco sua atitude. Eu entro e me aconchego no banco confortável.
Ele entra em seguida e liga o motor, antes que saíssemos do lugar eu o alerto.
– Ah, antes que eu me esqueça, preciso voltar antes da meia-noite. – Ele volta seu olhar para mim e assente. – Se alguém chegar em casa e perceber que eu saí, vão pensar coisas estranhas.
– Tudo bem Cinderella, voltaremos o mais rápido possível. – Brinca e eu solto um risinho.
– Idiota.
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Chegamos na boate a cerca de dez minutos, a fila para entrar esteva cheia, a maior parte por casais de mãos dadas. Mesmo do lado de fora, podíamos ouvir o som da música eletrônica e o grito da galera animada, o que já estava me dando dor de cabeça. De repente, sinto algo segurar minha mão, olho para baixo e coro ao perceber que era a mão de Butch. A solto rapidamente e fico com vergonha.
– O-O que pensa que está fazendo?!? – Seu dedo indicador pousa em meus lábios, em sinal para eu não fazer barulho.
– Fala mais baixo! Quer que todos escutem? – Eu me acalmo e ele suspira. – Olha, se é pra fingirmos ser namorados, temos que fazer direito. Então finge que me ama e segura a porra da minha mão.
Eu bufo e coro em seguida, seguro sua mão com timidez e ele sorri, sinal de que está gostando da coisa. Desgraçado! Depois de vinte minutos, chegou a nossa vez no caixa, pegamos nossos tickets e finalmente entramos na merda da boate. Lugar lotado, música alta, cheiro de bebida, clima agitado. Tudo contribuía para que eu ficasse mais tonta, nunca gostei de ficar em meio de multidão, principalmente multidão bêbada e que se esfregam umas nas outras sem ao menos saber seus nomes.
– Já me arrependi de ter vindo. – Bufo para Butch, que também bufa em resposta.
– Deixa de ser fresca.
Segura minha mão e me puxa para perto do pessoal dançando, esbarro em muitas pessoas, mas elas parecem nem ligar, principalmente os homens, que me encaravam de um modo estranho. Entramos na pista de dança, onde o som estava bem alto, mal conseguia ouvir meus próprios pensamentos. O moreno para de andar e fica de frente para mim, sorrindo como sempre faz.
– Quer dançar? – Pergunta num tom de voz um pouco mais alto para que eu pudesse escutá-lo.
– Não sou muito de dançar...
– Eu já imaginava. Mas tudo bem, eu te ensino. – E assim o moreno começa a me conduzir numa dança agitada.
É claro que no começo eu estava errando tudo, e fiquei morrendo de vergonha por pisar nos pés das pessoas, mas chegou um momento em que comecei a pegar o espírito da coisa. Butch se aproximou do meu ouvido e sussurrou “Se solta.”, e foi o que eu fiz, me soltei totalmente, deixando o ritmo daquela música me levar de modo que consegui dançar perfeitamente, como se já soubesse fazer isso há anos.
Ei, até que isso é legal. Com o tempo já estava me acostumando com as requebradas e o bate-estaca agitado, Butch me parecia feliz, assim como eu. Talvez ter aceitado vir nessa festa não fora uma má ideia. Já havia esquecido completamente a noção do tempo, do espaço, das pessoas, de tudo. Era como se ali só estivesse eu e ele, dançando com todas as nossas energias e emoção do momento. E lá estava eu, fazendo coisas que nunca imaginei fazer antes. Como sair num sábado à noite pra ir numa festa lotada de gente, e simplesmente dançar como nunca fiz na vida.
Com o tempo, já estava ficando cansada, meu corpo começou a apelar pedindo por uma pausa. Eu estava suando enquanto descansava minhas mãos no joelho, Butch também me parecia cansado.
– Não sabia... Que dançar... Exigia tanto esforço... – Comento em meio de arfadas. O moreno fazia o mesmo enquanto sorria.
– Pois é... Vai... Se acostumando...
Nos erguemos ficando em postura novamente, saímos da pista de dança e fomos para um lugar mais afastado da festa, sentei num banco qualquer e Butch ficou em pé à minha frente.
– Nossa, isso me deu sede.
– Quer que eu pegue uma bebida pra gente? – Pergunta gentilmente, reparando meu cansaço.
– Eu aceito. Valeu. – Sorrio para ele que vai para longe.
E fico ali, sentada no banco esperando-o chegar, as pessoas ao meu não paravam de se movimentar, ou estavam dançando, ou estavam bebendo, ou estavam se pegando. Eles não se cansam não? Me aconchego mais no banco e suspiro, passo a mão por minha testa suada, limpando-a um pouco mais. Sinto que meu rosto está mais oleoso que o normal. Só pode ser coisa da maquiagem.
Pego um pequeno espelho que joguei em minha bolsa e retoco as partes que borraram por causa do suor, aproveitei também para passar mais batom. Quando me dou conta do que estou fazendo, quase tenho um ataque cardíaco. Eu... Estou me preocupando com a maquiagem como uma patricinha?!?! I-Isso não pode estar acontecendo!! Eu não sou assim!! O que diabos está acontecendo comigo?!?! Uma dúvida invade minha mente e coço a cabeça, tentando assimilar aquilo tudo.
Afinal de contas, eu estou querendo ficar bonita para mim?... Ou para ele?
– Buttercup, é você? – Pergunta uma voz estranha porém familiar ao meu lado.
Volto meu olhar em direção do dono da voz, era um rapaz alto, cabelos castanhos, olhos castanhos escuros, sardas nas bochechas, pele clara, usava roupas estilo roqueiro. Ele me era muito familiar, mas por estarmos no escuro, era difícil de reconhecer. Analiso mais seu rosto e finalmente me lembro. Era Mitch, meu colega de classe.
– Mitch??
Nós estudamos juntos desde o jardim de infância, ele sempre foi conhecido como “pestinha”, era definitivamente o pesadelo da classe. Perdi a conta de quantas vezes a professora Keane o deixou suspenso por judiar dos bichinhos da classe, o garoto realmente dava muito trabalho, mas com o tempo foi melhorando sua atitude. Ele era um de meus melhores amigos há alguns anos atrás, mas acabamos nos afastando por causa de minha ausência e de sua mudança de comportamento. Ele virou “pegador” e desde então nunca mais foi o mesmo, por isso decidi me afastar dele.
Ele olhava para mim meio torto, parecia não acreditar no que estava vendo, me olho dos pés aos ombros e percebo o motivo: Eu estava de vestido e maquiagem. Bosta! O que eu mais temia era ser vista por alguém conhecido!
– Caramba, é você mesmo! – Diz ele surpreso, ainda me analisando. — Há quanto tempo.
– Pois é, a gente se afastou bastante... – Respondo com timidez.
Tudo o que eu queria agora era sumir, me enfiar num buraco, me enterrar no solo, seja lá o que for. A expressão de Mitch me dava ainda mais vontade de rasgar aquele vestido e fingir que ele nunca me viu daquele jeito.
– Nossa... Você mudou muito! – Ele se senta ao meu lado, sorrindo para mim de uma forma estranha. – Sabe, em mil anos, eu nunca imaginaria te ver de vestido. Tá muito gata!
Meu rosto cora e minha vontade de desaparecer aumenta. Merda, merda, merda!! Isso não tá acontecendo!! Numa tentativa de disfarçar, decido provoca-lo um pouco, sem alterar minha voz calma.
– Tem algo contra o vestido? – Pergunto, soltando alguns risinhos depois.
O garoto se arrepia e recua.
– Nem pensar! – Diz ele, me convencendo que estava sendo sincero. – Ficou muito legal, é sério! Está muito linda...
Eu fico com um pouco de vergonha e agradeço. Nossa... Nenhum garoto nunca me elogiou assim do nada. Mas já era de se esperar, afinal eu nunca dei muita atenção pra beleza mesmo... Ficamos em silêncio por alguns minutos, começo a suar, tentando formular qualquer assunto na minha cabeça. Para minha surpresa, Mitch se levanta e fica de frente para mim.
Me olha sorrindo e estende a mão gentilmente, mas eu ainda senti algo estranho naquele olhar.
– Então... Tá afim de dar uma volta comigo?
– Na verdade eu... – Estava prestes a responder negativamente, diria que já estava acompanhada. Mas antes que eu pudesse terminar a frase, ouço uma voz assustadoramente familiar atrás de mim que me dá calafrios.
Era uma voz fina e delicada, voz de garota com certeza, e uma que eu ouço falar o tempo inteiro. Viro lentamente minha cabeça para trás para tirar a prova, era justamente quem eu pensava que era.
... Merda...
Bubbles. Sim, a Bubbles. Minha querida irmãzinha estava tagarelando alto com o babaca do seu namorado, ela estava perigosamente perto de mim, mesmo sem notar minha presença, meu coração acelera tanto pelo susto quanto pela angústia. PUTA QUE PARIU!! FODEU!! SE A BUBBLES ME VER AQUI, E DE VESTIDO, FODEU!!! FODEU A PORRA TODA!!!
Quando ela disse que iria numa festa, não especificou o lugar, de todas as boates, nunca imaginei que ela iria na mesma que eu. Numa tentativa maior de me esconder, seguro a mão de Mitch e fico atrás dele. O empurro em direção da parte mais vazia e silenciosa da festa.
– Até que não é uma má ideia! Vamos sair daqui! – Digo para ele desesperadamente, que me segue até a parte aberta da boate. Onde podíamos sentir a brisa fria em nossas peles.
O garoto fazia uma expressão maliciosa para mim, não parava de encarar minhas pernas por um segundo, o que me deixou bastante desconfortável. De uma coisa eu posso ter certeza: Seu jeito pervertido continua o mesmo. O garoto pousa a mão em meu ombro, me deixando com vergonha, olha para mim e sorri.
– Então... O que você tem feito ultimamente, além de salvar o mundo? – Pergunta, meio sem jeito.
– Nada de interessante. E você?
– Bem, eu consegui alcançar a faixa preta no judô. – Diz e meus olhos começam a brilhar. Caramba! Esse sempre foi o sonho dele!
– Sério?? Puxa Mitch, parabéns! – Parabenizo entusiasmada e ele sorri.
– Pois é, finalmente consegui. – É, acho que o tempo que a gente se afastou valeu por décadas. – E eu venci meu primo no Mortal Kombat.
– Há há, essa eu duvido! Seu primo é o rei do Mortal Kombat.
– Sabe, eu evolui bastante nesses últimos anos, então já pode criar expectativas sobre mim. – Diz ele sorrindo e eu solto um risinho. – Mas acho que você foi a que mais mudou.
– Porque acha isso?
Ele faz cara de sínico e mais uma vez me olha dos pés à cabeça.
– Acho que isso é a prova. – Diz ele pegando no tecido da manga do vestido. – Mas em questão de personalidade... Você continua a mesma.
– Bom saber...
E mais uma vez o silêncio reina o local, me deixando um pouco sem jeito. Detesto esse silêncio. Sou péssima para puxar assunto. O rapaz me olha no fundo dos olhos e eu fico curiosa. Respira fundo e corta a tensão.
– Ei... Você tem namorado?
Sua pergunta me pegou num susto, eu olho para ele com uma expressão confusa e ao mesmo tempo curiosa.
– P-Porque quer saber?
– Ah, só pra saber. – Ele revira seu olhar com um pouco de vergonha.
Eu respiro fundo e suspiro em seguida, nunca gostei de expor minha vida amorosa pra ninguém, mas Mitch era meu amigo então achei que não tinha problema.
– Não. Estou na seca há um bom tempo. – Respondo, brincando um pouco. – E você, desencalhou?
– Tive algumas namoradas, mas... Nenhuma deu certo.
– Entendo.
– É chato quando não se tem a garota ideal. – Responde num suspiro. – Por isso eu prefiro ficar do que namorar.
– Eu não concordo em simplesmente ficar com uma pessoa que você acabou de conhecer, se brincar nem sabe o nome dela. Eu acho que um relacionamento deve ser baseado no quanto você conhece a pessoa e do que você sente por ela.
Mitch olha para mim um pouco torto e solta uma risada.
– Qual é a graça? – Pergunto, meio sem jeito.
– Nada, é que... Pensei que garotas que pensam assim não existissem mais. – Responde, cruza os braços e olha para o céu. – Eu realmente tentei namorar, mas acho que aquilo não era pra mim. Hoje eu fico com quem eu quero e sou feliz com isso.
Eu o encaro um tanto surpresa. Já entendi, ele foi puxado para o lado negro. Pelo visto nem todas as suas qualidades mudadas são boas. Ele tira um cigarro do bolso e começa a fumar, liberando toda a nicotina pelo céu. A fumaça vem parar perto de mim e começo a tossir um pouco.
– Você realmente acha que a pessoa ideal existe? – Pergunta curioso. Eu retomo o ar roubado pela fumaça e me preparo para falar.
– Bem, talvez você esteja sendo muito seletivo. – Começo e ele retoma sua atenção para mim. – Deveria dar uma chance para alguém e assim torna-la ideal.
Ele olha em meus olhos e mais uma vez revira seu olhar, solta um suspiro longo e coça a cabeça.
– Você fala como se fosse tão fácil.
– Mas não é fácil. Acredite, a pessoa certa está por aí em algum lugar, pode até ser a pessoa que você menos espera, é só procurar direito.
Mitch fica em silêncio por alguns instantes, quando olho para o lado, percebo que ele estava se aproximando de mim, sou alguns passos para trás na tentativa de me afastar, sem sucesso pois o mesmo agarra minha cintura. Mas que diabos...?!?!
– Você acha...? – Sussurra em meu ouvido, se aproximando cada vez mais.
Eu sabia muito bem o que ele tinha em mente, e é claro que eu não queria fazê-lo, arrisquei todas as tentativas possíveis de empurra-lo, sem muita força pois sei que se eu usasse minha força normal acabaria quebrando ele inteirinho. O garoto não parava de se esfregar em mim, o que me deixava com ainda mais raiva e vontade de enchê-lo de porrada.
– Mitch, o que pensa que está fazendo?!? – Pergunto em desespero, fazendo de tudo para que ele me soltasse.
– Nem tente recuar. – Diz com um sorriso debochado, seu rosto se aproxima do meu começa a roçar seus lábios nos meus, me dando vontade de vomitar. – Não vou te deixar escapar dessa vez...
Ele me provoca ainda mais, passando a mão por minha cintura enquanto a outra passava por meus braços que o empurrava, transmitindo arrepios gelados para meu corpo. Esse filho da puta, porque ele não me larga?!!!
– Mitch, que porra é essa?!! – Minha voz se altera, quase gritando. – Me solta agora!!
– Ah, qual é Buttercup? Sei que gosta de mim. – Começa na maior cara de pau do mundo. – E agora que você ficou gatinha, vou te da uma chance. Não desperdice-a
Meu sangue começa a fluir mais forte e uma raiva me possui. Solto fumaça pelos ouvidos e meus olhos entram em chamas.
– Escuta aqui garoto, se não me soltar agora, vou meter o cacete em você!!!
Antes que eu pudesse pensar em mais algo, de repente, sinto alguma coisa puxar meu braço me trazendo para trás, me afastando de Mitch rapidamente, deixando o garoto surpreso. Um braço surge atrás de mim e empurra Mitch com força, fico boquiaberta com a brutalidade da pessoa que aparentava estar transbordando toda a raiva naquele momento.
Olho para trás e vejo Butch ainda me segurando, estava com uma expressão furiosa e sedenta por socar qualquer um que fosse. Encarava Mitch que parecia estar se mijando nas calças, mas já era de se esperar, até eu estava um tanto assustada com essa expressão do moreno que nunca vi demonstrar antes. Uau, ele tá puto da vida.
– Perdeu alguma coisa na boca da minha mulher? – Ele rosna para Mitch que se arrepia por inteiro. Assimilo o que ele disse e percebo uma certa palavra um tanto constrangedora: “minha”. Butch segura o garoto pela camisa e exala uma aura ainda mais assustadora. – Desgraçado... Eu vou te matar.
– S-S-Sua mulher?!? – Mitch pergunta assustado, tenta se livrar das mãos de Butch, sem sucesso. Ele olha para mim confuso e diz. – V-Você disse que não tinha namorado!
– E não tenho mesmo! – Respondo e seguro no braço de Butch em seguida, na tentativa de amansa-lo. – Butch, que palhaçada é essa?!
– FICA QUIETA!! – Ele grita, rosna para mim como se fosse um lobo. – NÃO VOU DEIXAR ESSE OTÁRIO FICAR TE AGARRANDO!!
– Buttercup, tira esse maluco de cima de mim! – Pede Mitch em desespero.
Butch olha para o rapaz com mais ódio ainda e arma um soco, fazendo Mitch cerrar os olhos com força esperando a dor que o moreno iria lhe proporcionar. Eu o empeso, segurando seu braço com força para que ele não atingisse Mitch. Com certeza se ele começasse a bater nele, iria acabar matando.
– Butch, solta ele. Eu posso resolver isso sozinha. – Peço calmamente, mas sua reação não foi nem um pouco serena.
– Tá do lado dele, sua idiota?!? – O moreno pergunta indignado, me fazendo juntar as sobrancelhas.
– Ei, olha lá como fala comigo, seu puto!!
– Q-Qual é a relação de vocês dois? – Mitch pergunta interrompendo.
Butch o solta, ainda mantendo uma aura sinistra e um olhar furioso.
– Não te interessa! – Butch responde. – Mas já que quer tanto saber... – O moreno se aproxima de mim de surpresa, antes mesmo que eu pudesse raciocinar, ele já estava beijando meus lábios num selinho rápido, porém quente. Aquele simples toque foi o suficiente para o nervosismo chegar e meu rosto se esquentar. O-O-O QUE FOI ISSO??? – Essa é a nossa relação! Agora cai fora daqui, seu filho da puta!
A ordem de Butch foi concedida, Mitch abaixou a cabeça e saiu de fininho, porém seu orgulho foi quebrado, e ele ficou nos encarando até nos perder de vista.
– Casalzinho estranho. – Resmunga e desaparece.
Nós ficamos sozinhos ali, Butch ainda estava com raiva, mas agora eu estava mais que ele. Esse maldito me beijou sem permissão pela terceira vez! Eu juro que ainda vou encher ele de porrada! O encaro com raiva e ele fica sem entender, armo um golpe com meu braço direito e lhe dou um soco na cabeça, fazendo-o se contorcer de dor. Aquilo provavelmente deixaria um galo.
Alisa o novo ferimento na cabeça na tentativa de fazer a dor cessar, olha para mim com mais raiva e começa a resmungar.
– Porque você fez isso?!?!?
– Por ter me beijado sem permissão. – Respondo cruzando os braços.
Ele bufa e cruza os braços.
– Eu te salvo e você me bate. – Começa a debochar de mim. – Simplesmente não te entendo.
Me aproximo dele para encará-lo mais de perto, o moreno fica com o rabo entre as pernas ao perceber que eu estava realmente com raiva. O olho no fundo dos olhos e ele solta um suspiro.
– Qual é o seu problema, hein? Não me lembro de ter te pedido ajuda. – Ele não retruca, fica quieto escutando o que eu tinha para dizer. – Você é um intrometido e muito folgado! Acha que manda em mim e que pode fazer o que bem entender comigo, mas já vou avisando que não é assim que a banda toca! Eu já sou bem grandinha e posso muito bem cuidar de mim mesma, não preciso de uma babá que tem bafo de pinga como você!
Ele se irrita de vez e segura meus braços com força, me encara no fundo dos olhos com sinceridade, mas ao mesmo tempo com raiva. Diminui a força para não me machucar, mas não tira os olhos de mim por um segundo. E lá vem discurso...
– Sou muito folgado, eu admito. – Responde com o tom de voz mais baixo do que eu esperava. – Mas não gosto quando você fica dando seus discursos moralistas pra cima de mim, principalmente quando não está com a razão. Qual é a dificuldade em entender que eu não gosto de ver outro homem te olhando daquele jeito? Por acaso você já se olhou no espelho alguma vez?
– É claro que sim, seu idiota.
– Então você é mesmo uma anta, porque já deveria ter percebido o quanto você é linda! – Seu comentário me faz calar fundo, arregalo os olhos e tomo minha atenção total para suas palavras. – Só em te imaginar com aquele cara ou com qualquer outro de novo... Argh! Eu sou capaz de pegar uma arma e sair por aí matando todo mundo como se eu tivesse na porra do the Walking Dead! Eu estou morrendo de ciúmes!!
Eu me calo, olhando para o chão. Linda? Ciúmes? Cacete! O quanto ele consegue me deixar envergonhada?? Quando olho para cima meu rosto fica vermelho.
– Apesar de não confiar plenamente nas suas palavras, saber que você sente ciúmes me deixa um pouco feliz. – Admito. – Mas eu juro... Que se você me fizer passar por uma vergonha daquelas de novo, vou preparar seu túmulo.
– Sem problemas. É só você não andar mais com aquele tipo de idiota.
Eu bufo, reviro meu olhar e cruzo os braços.
– Hunf! Você ainda acha que manda em mim? Eu decido minhas próprias companhias.
Ele fica em silêncio por alguns instantes, agarra meu braço mais uma vez e me puxa para mais perto. Meu coração acelera e eu achava que ele iria me beijar mais uma vez, mas ao invés disso, desvia a cabeça até meu pescoço e lá encosta os lábios, quando me dou conta, o moreno me deixara mais uma marca de chupão em um local visível.
Butch se afasta e seu sorriso debochado brota em seu rosto, me deixando envergonhada, e ao mesmo tempo com raiva.
– Essa marca vai garantir o meu território. Agora quero ver algum babaca se aproximar de você.
Meu rosto entra em chamas, e num impulso, dou um tapa na sua bochecha. Eu esperava que ele retrucasse, mas ele ri achando graça naquilo tudo.
– O único babaca aqui é você!!
Dizendo isso ele segura minha mão e tenta me puxar para a parte lotada da boate, querendo me tirar daquele lugar frio e aberto. Eu sorrio gentilmente e seguro em sua mão com carinho, pela primeira vez, estávamos parecendo um casal normal. Ficar de mãos dadas com ele é tão...
– Francamente, vocês dois são ridículos. – Uma terceira voz surge do nada interrompendo meus pensamentos. Olhamos para frente e nos surpreendemos com quem nos encontramos, eu não me choquei tanto, mas Butch ficou um tanto nervoso ao vê-lo. Era Brick, dessa vez não estava acompanhado de Boomer, um sorriso debochado enfeitava seu rosto enquanto ele soltava algumas risadinhas sarcásticas. – Butch, parece que essa história com sua nova namoradinha é verdade.
– Sempre abusando da covardia, não é Brick? – Pergunta Butch, provocando o irmão que ri em resposta.
– De mãos dadas, isolados da festa, um clima romântico. É Butch, você está se saindo como um belo Romeu.
– Escuta aqui. – Começo. – Eu não sei de nada sobre o desentendimento de vocês dois, mas não quero me envolver. Então Brick, porque não esquece o Butch de uma vez e vai cuidar da sua vida?
– Tá zombando da minha cara, Super-Bostinha? – Diz o ruivo se armando para mim. — Eu não acho graça nenhuma, então é bom ficar quieta.
– Você não manda em mim.
– Brick, deixa ela. – Pede Butch colocando as mãos em meus ombros. – Seu problema é comigo. Quer resolver agora?
– Eu? Desperdiçar minha noite de sábado discutindo com você? Não obrigado, tenho coisa melhor pra fazer. – O ruivo se aproxima de Butch e põe a mão em seu ombro. – Mas fala sério, não acha que está levando essa aposta a sério demais?
... Aposta?
Butch começa a suar frio e olha para mim com desespero, senti que tinha algo que ele ainda não havia me contado. Do que ele está falando? Brick sorri maleficamente e se afasta, da uma última olhada em mim e acena.
– Ei Buttercup, se eu fosse você, tomaria muito cuidado com seu namorado. Ele é pior do que você imagina.
– Brick, eu juro que se você não for embora agora eu te mato!! – Butch ameaça e Brick cai na risada.
– Não precisa ficar estressadinho “mano”. Uma hora ou outra todo mundo vai saber.
Dizendo isso Brick vai embora, dessa vez o clima estava mais pesado entre mim e Butch, ele ainda suava frio e não tinha coragem de me olhar. Eu me aproximo dele um tanto curiosa, mas ele revira o rosto, sai do lugar e entra na festa mais uma vez.
– Eu cansei de ficar aqui. Mas se você ainda quiser ficar tudo bem.
E entra, me deixando sozinha no meio daquela brisa fria confusa como nunca, eu não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo, mas algo me dizia que não faltaria muito para eu descobrir.
Pois é, acho que eu ainda tenho muito a descobrir sobre Butch...
Continua...
Notas finais
Prevejo mil reviews perguntando sobre essa aposta, bem, já vou avisando que não irei revelar nada pois aí vai dar um spoiler grande, e spoiler não é de Deus! Oitavo pecado capital!
Já vou avisando que o próximo cap vai ser hilário XD (alcool está envolvido, obviamente)
Até o cap 10 o/
Kissus ♥
Fale com o autor