Playing With Fire
30 Há esperança
Notas iniciais
– Buttercup! Você está bem??
– Ace... – Falar ainda estava sendo a maior das dificuldades. Ao dizer seu nome, tossi um pouco mais, e ele gentilmente passou as mãos por minhas costas. Olho para ele no fundo dos olhos e vejo que ele parecia bastante preocupado. Não só ele, os quatro homens ao redor também pareciam bem preocupados. Junto minhas forças para falar novamente. – O que... Vocês... Fazem aqui?...
– Bem, é... É difícil explicar. – Ace põe a mão na própria nuca, depois tira os óculos de escuro e o ajusta na gola da camisa. – Pensamos que chegaríamos a tempo de deter aquele desgraçado... Mas pelo visto chegamos tarde demais.
Minhas sobrancelhas se juntam e me sento, olho para cada um deles sem entender muito bem a situação.
– Vocês... Sabiam que ele faria isso?...
Minha pergunta os cala, os Gangrenas se olham um tanto aflitos, sem saber muito bem o que me responder. Ace suspira.
– Sim... Boomer contou. – Boomer? Já suspeitava que eles tinham alguma relação. Ace põe uma mecha de meu cabelo para trás da minha orelha e limpa minha boca suja de Elemento X. – Sabíamos que Butch a deixaria dessa maneira. Viemos o mais rápido possível, mas... Me desculpe.
– Ace... – Junto um pouco as sobrancelhas e ele logo se acanha. – Se você... Sabia que eles fariam tudo isso... Porque não me contou?...
– Ora, você acreditaria? – Ele diz num tom sério, me convencendo.
Suspiro. Ace tinha razão, eu me recusei acreditar nele todo esse tempo, e pensar que ele estava mesmo querendo me ajudar, mais um que não dei ouvidos. Abaixo a cabeça e lágrimas pousam em meus olhos.
Sinto os olhares preocupados dos Gangrena em minha direção, e se puseram a suspirar ao me verem chorando.
– Eu fui tão... Tão idiota...
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, os cinco me abraçam, todos juntos. Só o Big Billy já era capaz de levantar todos nós para o alto. O calor daqueles cinco transmitia uma grande paz, um grande carinho e respeito. Vindo de quem amaldiçoei por tanto tempo, era totalmente peculiar receber aqueles abraços.
Se afastam um pouco de mim e me encaram nos olhos, todos estavam sorrindo gentilmente.
– Não fique assim, Buttercup. – Diz o Pequeno Arthuro sorridente.
– Não tinha como você saber. – Big Billy falou num tom de voz acolhedor. – Não liga pra aquele cara, não.
– Se eu não tivesse acreditado em tudo o que ele disse desde o começo, eu não estaria... A cidade inteira não estaria nessa confusão. – Mais lágrimas descem mesmo com todo aquele apoio. Enxugo um pouco o rosto e soluço em meu choro. – Esse tempo todo... Ele mentiu pra mim... E eu amava tanto ele, tanto... Tanto...
– Buttercup. – Ace põe a mão esquerda em meu rosto, fazendo-me olhar para ele. Havia sinceridade em seus olhos, assim como preocupação e carinho. Eu gostava quando ele ficava assim, sincero. Me fazia lembrar dos bons momentos que vivemos juntos. Não só com ele mas com todos os Gangrena. – Escuta... Sei que não sou o cara mais indicado pra dizer isso. Mas você não tem que sofrer por um idiota que não te merece. Você merece coisa muito melhor do que tudo isso, e não deve ficar se culpando. Você não é idiota, é uma garota incrível, e sabe disso. E não estou dizendo isso porque sou apaixonado por você.
– Ace...
– Eu fiz muita besteira, Buttercup. Você me fez enxergar que eu precisava ser um cara melhor. Você me ajudou, e agora eu vou ajudar você.
O silêncio reina um pouco, as palavras de Ace tocaram o fundo de meu coração. Agora eu estava realmente convencida de que ele havia se arrependido de ter me feito sofrer há um tempo atrás. Quem diria, não?
– É issso aí! – Diz Snake, que sempre tem a mania de puxar os “s”. – Nósss vamosss dar uma lição naquelesss Desssordeirosss que pisssaram na bola com a nosssa amiga!
Dizendo, Grubber faz um daqueles barulhos estranhos com a boca, provavelmente um sinal de que ele estava de acordo com tudo aquilo. E todos os Gangrena sorriram daquela maneira acolhedora pra mim.
– Pessoal... – Digo, enxugando as lágrimas de meu rosto. – Eu... Eu agradeço do fundo do meu coração por todo esse carinho. Mas não podemos vencer aqueles caras.
– Ué, por quê? – Snake pergunta, e todos eles parecem querer uma resposta.
– Porque, além deles serem extremamente fortes, eu sequer tenho mais poderes. Não sei se o Boomer disse isso a vocês, mas eles preparam uma espécie de droga que tira o nosso poder dado pelo Elemento X. As Meninas Super-Poderosas não vão entrar em cena dessa vez.
– E é por isso que temos um plano. – Diz Ace, no tom mais confiante que já vi sair da boca dele.
Antes que eu pudesse dizer algo, Ace me levanta e me põe em suas costas, me carregando com cuidado e firmeza. O mesmo pisca pra mim, como se estivesse garantindo que tudo ficaria bem. Me aninho no pescoço dele, me ajustando para ficar mais confortável e segura.
Os Gangrena correm para fora do laboratório e em seguida para fora da casa. Do lado de fora, ouço gritos vindos da cidade. O céu estava ficando negro, anunciando o início de uma tempestade. Imagino a verdadeira tempestade que os Desordeiros estão aprontando.
– Mas... Mas que tipo de plano seria esse? – Pergunto.
– A gente te explica quando chegarmos perto. – Ace responde.
Continuam a correr, e Ace, ainda me carregava nas costas com bastante firmeza e exalava uma energia confiante. Suspiro.
– Ace... – Começo, e ele toma a sua atenção para mim.
– O que?
– Obrigada...
POV Butch:
A porta se abre a minha frente, e em poucos segundos consegui encontrar meus irmãos. Eles estavam no palco perto da pista de dança, por ser um palco alto, dava para vê-los claramente. Boomer estava na ponta, meio cabisbaixo, e Brick estava no meio, com o sorriso mais psicótico possível. Todos os olhares do local estavam voltados para eles, especialmente Brick.
Abrindo mais o sorriso, ergueu o braço pra cima, dando a visão da garota ruiva que ele segurava pelos cabelos. A coitada deveria estar tão fraca que nem tinha forças para se soltar, e ter seu cabelo sendo puxado de forma tão brusca nem deveria ser a pior das dores. Sem mesmo saberem o que estava acontecendo, quando viram Blossom assim, tão fraca e vulnerável, algumas pessoas logo se espantaram e começaram a cochichar, outras a gritar, mas nenhum grito conseguia abafar o grito de seu pai.
Pude ver ao longe o Professor com Bubbles, também fraca, em seus braços. Ele a entrega para a sua noiva e tenta correr até o palco na tentativa de socorrer a sua outra filha, mas é segurado por uma quantidade razoável de pessoas quando estava prestes a pular no palco.
– SEU DESGRAÇADO! SOLTE A MINHA FILHA! – Ele gritava enquanto tentava afastar as pessoas que estavam precisando segurá-lo com força. – ME LARGUEM! BLOSSOM, QUERIDA, PODE ME OUVIR?! BLOSSOM! BLOSSOM!!
– Professor, é inútil! – Diz um dos caras que o segurava. – Não tá vendo esse cara? Tá na cara que ele não é normal! Vai matar você e a Blossom logo em seguida!
– DANE-SE! EU QUERO A MINHA FILHA! – Seu grito tinha acabado de ficar mais choroso. – O QUE VOCÊ FEZ COM ELA?! O QUE VOCÊ FEZ COM AS MINHAS FILHAS?!?
– Abaixa a bola aí, coroa. – Brick o responde num tom debochado, calando o homem. Todos na festa ainda cochichavam entre si, e ao ver que suas atenções não estavam mais sendo tomadas por ele, Brick se enfureceu. – Silêncio!!
Sua voz ecoou pelo salão de festas, calando todos ali presentes. Os olhares de medo voltaram a se direcionar para ele, o que o fez sorrir maleficamente de novo. Boomer ainda estava lá, calado, com as mãos nos bolsos e a cabeça baixa. Quando não olhava pro chão, o via olhando para Bubbles, que estava no meio da plateia. Ele parecia triste.
Brick, por outro lado, estava estonteantemente feliz. Ergueu o braço pra cima novamente, levantando a garota ruiva pelos seus cabelos. Ela, com o pouco de força que a restava, tentou alcançar a mão do ruivo, sem sucesso, estava fraca demais para se mover.
O ruivo respira fundo e volta ao seu discurso.
– Isso que vocês estão vendo, cidadãos de Townsville... É o início de uma nova era!
Num movimento mais rápido que a velocidade da luz, Brick voa até a plateia e puxa a Super-Poderosa loira pelos cabelos, trazendo-a até o palco. Todos se assustam com a rapidez de seu ato, e o Professor entra num desespero maior ainda, começa a gritar o nome das filhas.
– BUBBLES! BLOSSOM! MINHAS MENINAS! SOLTE-AS AGORA! – Grita o Professor, ainda tendo que ser segurado por um grupo de pessoas.
– Agora Townsville não tem mais suas super-heroínas para protegê-los! – Diz Brick, calando a todos novamente. Ainda as segurando pelos cabelos, joga Bubbles para Boomer, que a segura com cuidado. – Essa cidade... E todo o mundo... Agora é propriedade dos Desordeiros!!
Dizendo isso, uma energia maligna parece ser exalada por ele, trazendo arrepios a todos da festa. Alguns começam a gritar, correndo pelo local, procurando onde se esconder. O Professor ainda estava sendo segurado, e a Srta. Bellum começara a chorar enquanto o Prefeito de Townsville se escondia em baixo do seu longo vestido de noiva.
Todo aquele desespero, toda aquela desordem me fez sentir uma pontada no coração. Isso tudo... Se eu não tivesse aceitado aquela aposta... É tudo culpa minha...
– Butch! – Ouço a voz de Brick me chamar de longe, cortando meus pensamentos. Todos os olhares da festa de voltaram para mim. – Meu querido irmão, que bom que chegou! Só faltava você para animar a festa! – Olho para os convidados, uns me olhavam espantados, outros sem entender nada, mas os olhares que mais me incomodavam eram os olhares de decepção. – Venha, Butch! Junte-se a nós!
Suspiro e vou caminhando lentamente até o palco, cruzo com o Professor e a Srta. Bellum. A maneira que eles me olhavam era tão... Horrível. A decepção deles estava estampada em seus rostos, e vindo de pessoas tão incríveis como eles, fez-me ficar ainda mais envergonhado de mim mesmo.
Suba no palco e fico de frente para Brick, olho para as duas irmãs. Bubbles mal conseguia manter os olhos abertos, sua expressão chorosa e decepcionada era a mesma de Srta. Bellum, já Blossom, misturava a decepção com a raiva, tal como o Professor. Meu irmão ruivo põe a mão livre em meu ombro e me puxa para mais perto dele, fazendo-me ficar de frente para a plateia.
– Cidadãos de Townsville, lhes apresento o grande responsável por nossa vitória: Meu irmão Butch! – Sua voz ecoa pelo salão, e posso ouvir muitos suspiros de espanto. Merda, Brick! Mas que merda! – É claro que se a Super-Poderosa Buttercup não fosse tão estúpida nada disso seria possível, mas Butch já deu um jeito nela. Certo, Butch?
Agora todos ficaram espantados, principalmente a família dela. Posso ouvir muitos xingamentos direcionados a mim, são tantas as coisas na minha cabeça, e aquelas palavras apenas me deixaram mais estressado ainda. Calma, Butch. Isso vai acabar logo.
Tiro o frasco de vidro do bolso e entrego a Brick, que imediatamente toma de minhas mãos e bebe uma quantidade razoável e me entrega de volta. Sei muito bem que Brick ficará mil vezes mais forte, então, se eu quiser lutar contra ele, preciso ficar ainda mais forte que isso. Bebo e dou para Boomer. Mas ele não bebe. Deixa o frasco no chão e volta a sua atenção para a garota que estava em seus braços. Ele a carregava como se fosse uma princesa, com tanto cuidado que eu chegava a estranhar. Mas não parei pra pensar muito nisso e senti meu corpo reagir ao Elemento X.
Minha pele se estremeceu um pouco, senti meus músculos se endurecerem e minhas pernas balançarem. Mas aos poucos, fui sentindo a força tomando meu corpo, uma força que nunca pensei sentir antes. Uau! Isso tudo é a força do Elemento X?!
Olho para Brick, que parecia estar sentindo a mesma reação que eu. Nunca o vi tão contente quanto agora.
– Isso! – Ele gritava, vangloriando-se da sua nova força. – AGORA O MUNDO É MEU!
Praticamente todos os convidados saíram correndo ao verem a energia altamente maligna que Brick estava exalando, os gritos de desespero começaram a ecoar pela cidade e a desordem estava tomando conta de Townsville.
Brick voa para fora do local, ainda com os cabelos da menina ruiva em suas mãos. Boomer e eu nos olhamos e voamos atrás dele. Antes de deixar o local, ainda pude ouvir o grito do Professor chamando por suas filhas, amaldiçoando a mim e aos meus irmãos. Principalmente a mim. O grande traidor.
Nós três voamos até o prédio mais alto de Towsville, as pessoas olhavam para o céu e gritavam apavoradas ao nos verem. O vento estava forte, parecia que uma tempestade estava por vir. É ótima hora pra chover. Olho para Brick, que observava cada rosto assustado da cidade. As pessoas estavam desesperadas, aflitas, gritando pelas ruas. Quem diria que uma cidade poderia se desestabilizar tanto ao saber que não tinham mais um herói?
Ainda vou me acostumando com minha nova força, olho para minhas mãos e as fecho em um punho. Fecho os olhos.
Agora está tudo por minha conta.
POV Buttercup:
Ainda nas costas de Ace, chegamos ao salão de festas onde o casamento supostamente deveria estar, mas quando entramos, estava tudo vazio. Não havia sinal de vida, todos haviam evaporado. Merda, que alvoroço esses caras devem ter causado?
Havia bebida no chão, cadeiras derrubadas, cacos de vidro, tudo estava arruinado. O que me deixou ainda mais enfurecida foi ver o quanto eles haviam arruinado o casamento de meus pais. Se ao menos eu ainda tivesse meus poderes, voaria pra cima de cada um e arrancaria suas cabeças. Os Gangrena se espalharam pelo salão, procurando qualquer coisa que seja importante. Ace também começa a caminhar pelo local, um tanto cansado por estar me carregando nas costas faz um tempão.
– Mas que merda, eles não deixaram uma pista sequer. – Ace diz, cansado.
– Onde você acha que eles podem estar? – Pergunto.
– Não tenho ideia. – Diz ele, me levantando um pouco mais e me ajustando em suas costas magras. – Aqueles gritos vem do centro da cidade... Então já temos um palpite.
– ACE!! – Grita Arthuro, que estava em cima do palco e chama a atenção de todos os Gangrena que caminham até ele. – Você não vai acreditar, mas olha só!
Arthuro ergue um frasco que estava ali no chão sem motivo algum, era o frasco de Elemento X deixado pelos Desordeiros, que por sinal, foram bastante imprudentes deixando aquilo ali. Todos estávamos boquiabertos, sem acreditar na tremenda sorte.
– Isso! – Ace comemora. – Entregaram os pontos pra gente sem saber!
– Eu nem consssigo acreditar nesssa baita sssorte! – Diz Snake.
Nos aproximamos mais do pequeno Arthuro, que entrega o frasco para seu chefe logo em seguida. Ace me abaixa e me faz sentar na beirada do palco, depois me entrega o frasco com um sorriso no rosto.
– Faço questão que você seja a primeira.
– Com todo prazer. – Respondo, mas antes que eu bebesse, encaro nos olhos de cada um. Estavam tão confiantes que nem pareciam do perigo que estava por vir. O plano deles era bom, mas estava cheio de falhas, principalmente se tratando dos Desordeiros, ainda mais agora que se apoderaram da força do Elemento X. – Pessoal... Tem certeza que vocês querem fazer isso?
– Mas é claro! – Respondem em coro.
– Tem certeza? – Insisto em confirmar, preocupada. – Os Desordeiros são casca grossa, e agora estão mil vezes mais fortes, voc-
– Buttercup. – Ace me interrompe, ainda com aquele sorriso confiante de orelha a orelha. – Nem tente. Nós já tomamos nossa decisão.
Sorrio.
– Tudo bem, então... Confio em vocês. – Olho para o frasco, analisando o Elemento X. Me flagro pensando em tudo aquilo que Butch havia me dito novamente, mas logo corto em meus pensamentos e me concentro no meu dever ali em questão: salvar o dia. – O dia sempre será salvo pelas Meninas Super-Poderosas.
POV Boomer:
O vento estava forte demais, mas nada conseguia abafar o grito de desespero das pessoas lá embaixo. Tudo estava do jeito que deveria ser. Ou do jeito que Brick queria que fosse. Townsville virou o verdadeiro inferno.
Olho para Brick, feliz da vida ao ter concretizado seu plano, erguendo a ruiva pelos cabelos como um troféu. Butch, por outro lado, parecia aflito. Ele parecia estar tramando algo. Juro que se ele for enfrentar Brick não vou interferir, não quero meter mais nenhum dedo meu nessa palhaçada. Tanto que me recusei a beber esse tal de Elemento X.
Sem dúvida foi a maior barbaridade a qual já participei. Que belos irmãos eu tenho, mexendo com a vida dessas meninas dessa maneira. Sempre soube que essas apostas só trariam merda. Se eu pudesse voltar no tempo... Nunca teria topado ajudar o Brick nessa parada.
– Boomer...
A doce, porém fraca voz da menina em meus braços tomou minha atenção. Eu estava recusando olhá-la nos olhos, com vergonha de tudo aquilo, e medo do que ela estaria achando de mim agora. Mas agora fora impossível não olhar para aqueles grandes e chorosos olhos azuis.
Ver aquelas lágrimas caindo do rosto da doce Bubbles me deu um grande aperto no coração, ela não merecia passar por aquilo, não merecia.
– Sim, Bubbles?
– Porque... Vocês... Fizeram isso?... – A voz fraca dela ecoou em minha mente, e aquela frase se repetiu um milhão de vezes em meus pensamentos.
– Eu... – Não sabia o que falar, não sabia como reagir, queria pegá-la e fugir dali para um lugar seguro, onde pudesse cuidar e protegê-la. A abracei, mas ela não reagiu. – Sinto muito, Bubbles... Sinto muito...
De repente, algo chama a minha atenção. A ruiva que estava nos braços de Brick junta suas forças e lhe dá um soco no joelho, mas o mesmo estava forte demais para sentir dor.
– Me solte... Seu... Maldito!... – Dizia ele, com uma dificuldade tremenda para falar. – Vocês... Não venceram...
– Oh, madame. – Brick ergue o rosto dela para mais perto do seu, a segurando pelo queixo e a encarando sem pena alguma. – Sinto dizer que nós vencemos sim. E tudo isso graças a sua irmã idiota, que acreditou nas ladainhas do meu irmão.
– Nós ainda vamos virar esse jogo. – Diz a ruiva, confiante.
– Ah, vão mesmo? – Brick pergunta num tom debochado. Um debochado estranho e bem intimidador. Isso não está me cheirando nada bem... Num movimento rápido, Brick ergue a ruiva na ponta do prédio, a deixando no ar. Os olhos de todos nós se arregalam, inclusive da ruiva. Não, ele não vai fazer isso. – Então vire esse jogo!
E ele fez. A suspendeu no ar, jogando-a do topo do prédio mais alto de Townsville. Mas... Mas ela vai morrer!
Eu e Butch nos olhamos, e logo após isso nos preparamos para reagir e salvar a ruiva, mas antes que pudéssemos mover um músculo sequer, uma faísca verde voa pelo céu e para de frente para o Brick. A figura se concretizou, e todos ali presentes ficaram boquiabertos. Especialmente Butch.
Ela estava com Blossom nos braços, voando no céu como quem parecia ter renascido das cinzas.
– Pensaram mesmo que estavam livres de mim? – Pergunta, exalando uma aura confiante e poderosa.
– Buttercup?!?
Continua...
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