Playing With Fire

7 Conceito de diversão


Notas iniciais
Yoo minna o/

Demorei? Estão com raiva? Querem me matar? Me desculpeeeem Ç_Ç Eu realmente demorei, mas aqui está o maior capítulo que já escrevi, espero que vocês não se cansem muito -.-
Não sei bem por onde começar, acho que vou por... PLAYING WITH FIRE RECEBEU UMA RECOMENDAÇÃO!!!! Vocês não fazem ideia do quanto eu chorei com a Gably-chan, a forma que ela elogiou a PWF me emocionou do fundo do coração, e eu agradeço muito amiga, essa capítulo foi feito especialmente pra você ;)

Agradeço: Gablychan, Tali Miniwa, Ravenna Morgan, UmaDoceteLouca, Marcela Abadeer, cookiecute, Fernando Zelros, Anne Hyuga, bakarayo, leitores do meu coração ♥♥♥ Amo muito vcs! Kissus Kissus ♥♥
E Alexia Vasconcellos, Ly, natsumi1406, sejam muito bem vindas ;)

Esse capítulo contém fortes emoções e cenas de tirar o fôlego hehe Espero que gostem :D
Boa leitura!!

– Seus irmãos estão dando problema.

Butch me olha e suspira. Ele não me parecia incomodado com a situação, pelo contrário, agora mostrava uma expressão um tanto neutra. Eu? Bem, é claro que eu estava preocupada. Afinal de contas, Brick deu uns belos cascudos no Butch, tenho certeza que ele não será piedoso com a Bubbles e muito menos com a Blossom. Já Boomer, ele nunca foi o mais forte dos Desordeiros, nem o mais inteligente, tanto que uma vez Bubbles fingiu ser ele e ele achou que estava se olhando no espelho.

O moreno nada respondia, se senta na cama e coça a cabeça. Eu esperava sua resposta, mas ele continuava calado, já estava ficando impaciente de tanto esperar. Olha para mim de uma forma estranha e boceja.

- E daí? – Pergunta da forma mais desleixada possível.

Eu me surpreendo com sua pergunta, ou melhor, estava mais para uma afirmação. Aquele “e daí “ foi o mesmo que dizer “foda-se”. Uma veia salta em minha testa e eu me aproximo do moreno que colocava sua camisa verde escura.

- E daí que eu tenho que chutar a bunda deles. – Respondo cruzando os braços. Francamente, eu esperava um pouco mais de alguém como ele. – Bem que você poderia me ajudar, não acha?

O moreno solta um risinho sarcástico e ajusta a camisa em seu corpo, se levanta e fica a alguns centímetros de mim.

- Eu adoraria socar a cara do Brick. Mas tenho coisa melhor pra fazer. – Fita meus olhos profundamente e da uns passos em minha direção, ficando cada vez mais perto. Eu achava que ele tentaria alguma coisa estranha, mas ele manteve uma distância razoavelmente média. – E você vem comigo.

Eu fico confusa, já não sabia mais merda nenhuma do que o moreno estava falando.

- Ir com você? Do que está falando?

- Você pergunta demais.

Num movimento rápido e repentino, Butch me levanta e carrega meu corpo em seu ombro, agarrando minha cintura com o braço direito, impedindo que eu me soltasse. Meu coração acelera ao perceber que ele me carregara daquele jeito, tudo o que posso ouvir é sua risada, e sim, eu podia ter certeza que ele estava olhando para a minha bunda quase colada em seu rosto.

Começo a me debater em seu ombro, dando socos leves em suas costas.

- O que está fazendo?! – Pergunto, ainda socando suas costas.

- Não vou deixar aqueles idiotas acabarem contigo. – Começa. — Diferente de mim, o Brick não pega leve com mulheres.

- Tá me chamando de fraca??

- Estou. Comparada a eles, você não é de nada. E eu já disse, o único que pode te matar sou eu.

- Eu posso muito bem cuidar deles! – Dou um soco um pouco mais forte que o necessário, Butch solta um gemido de dor e suspira. Porém não me solta. – Me solta! Eu preciso ajudar as minhas irmãs!

- Não.

- Porque não?!?! – Meu tom de voz fica um pouco mais alto.

- Porque você está muito estressada pra um dia de sábado, precisa relaxar um pouco. – Percebo que nós não estávamos no chão. Butch flutua até a janela e voa para perto das nuvens, chegando num lugar em que podíamos ver a cidade inteira. Já estava ficando escuro e eu podia ver as luzes das ruas se acendendo. – Vem se divertir comigo.

O moreno voa rapidamente por Townsville, ainda me carregando em seu ombro. Eu o socava cada vez mais forte, porém ele não parecia ligar, se concentrava no caminho que nos levava. Sinto uma ira dentro de mim, agora Butch estava me tirando do sério, tudo o que eu queria era que ele me soltasse para que eu pudesse dar um soco na sua fuça.

Olho para baixo e percebo que a cidade estava completamente engarrafada, isso sempre acontece quando algum monstro tenta destruir a cidade. As meninas devem estar lutando agora. E se elas não conseguirem sem mim? PORRA, PORQUE ESSE MENINO NÃO ME SOLTA?!?!

- Butch, me solta agora!!! – Ordeno, mas ele se faz de surdo. – Eu juro que eu vou arrancar sua cabeça!! Ou melhor... Arrancar seu pinto!!!

- Fica quieta.

- Eu tô falando sério! – Começo. – Minhas irmãs estão me esperando!

- E porque isso é tão importante?

- Por que... – Paro pra pensar sobre a pergunta que Butch acabara de fazer. Eu sempre gostei de combater o crime, não só porque eu posso bater na bunda dos bandidos, mas também porque é a única maneira de interagir com minhas irmãs. Mas de qualquer forma, esse não era o motivo por eu estar querendo tanto me livrar dos braços do moreno. Não que eu queira ficar com o Butch, mas... Porque estou com esse cu doce? – Bem... Por que é meu dever, e...

- E porque você não deixa seus deveres de lado por uma só vez e vem ficar comigo?

Sua pergunta me calou fundo, de certa forma, eu realmente queria ir com ele. Mas o que minhas irmãs vão pensar se eu faltar a luta? Butch percebe meu silêncio e suspira.

- Olha, já está de noite. – Diz ele, cortando o silêncio. – Abriu uma pizzaria lá no centro. O que acha da gente jantar lá?

Não tinha tempo para pensar duas vezes, afinal Butch já estava me carregando há um tempão, e até agora eu não havia me decidido do que fazer. Se eu deixá-lo e for lutar, posso muito bem levar uma surra do Brick e do Boomer, e ainda serei taxada por Butch como “faz-tudo da cidade”. Mas se eu for com ele, Bubbles e Blossom irão ficar bravas, e também irão desconfiar de alguma coisa. O que eu faço?

O moreno fica em silêncio esperando minha resposta, eu respiro fundo e decido escolher da forma mais madura possível.

- Butch, escolhe par ou ímpar.

- O que? – Ele para um pouco e flutuamos pelo ar, sem entrar em movimento. Butch me solta um pouco para me olhar de frente.

- Apenas escolha.

- Ahnn... Par.

- Ímpar.

Ok, se der par eu vou embora. Se der ímpar eu fico com ele. Nós sacudimos as mãos e sacamos nossos números, começo a contar.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito... Nove.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

E lá estávamos nós, sentados ao redor de uma mesa dentro da pizzaria, que por ter aberto essa semana, estava lotada de gente. É claro que me senti um tanto incomodada, nunca gostei de lugares cheios, ou melhor, nunca gostei de ficar rodeada de gente que eu nem conheço e tudo o que eu ouço são piadas de mau gosto, fofocas, xingamentos e papos fúteis. Tentei ignorar ao máximo isso tudo e me concentrar na janela ao lado da cadeira. Butch conseguiu um ótimo lugar para sentarmos, em cadeiras confortáveis bem ao lado da janela de vidro a qual eu não tirava os olhos.

Será que eu fiz a escolha certa? Por mais que eu tentasse, não conseguia tirar essa pergunta da cabeça. Ter ido com Butch não me parecia uma boa ideia, e mesmo tendo algo dentro de mim relutando para ignorar a proposta do moreno, eu não pude resistir e fui com ele mesmo assim. Respiro fundo e apoio meu rosto em minha mão esquerda, estava completamente perdida em meus pensamentos, ignorando o que estava a minha volta.

Eu encarava o céu estralado como se ele fosse a ultima coisa que valesse a pena admirar, era raro ver tantas estrelas em Townsville, afinal de contas é uma cidade litorânea. Notava cada estrela ali presente, ainda imaginando como minhas irmãs deveriam estar se saído sem mim. Será que elas estão bem? Suspiro e fico cabisbaixa. Eu deveria ter ido ajuda-las...

- Cê tá viajando, hein. – Diz a voz masculina em minha frente, interrompendo meus pensamentos. Eu olho para Butch que fazia sua expressão sorridente, porém sarcástica. – O que foi? Se arrependeu de ter vindo?

Sua dedução rápida me surpreendeu, apesar de termos nos encontrado poucas vezes, Butch aparentava me conhecer a anos. Tento desviar meu olhar para cortar o assunto, mas não consigo.

- Butch... Eu não posso. – Digo, me ajustando na cadeira.

- Não pode o que?

- Eu não posso mais com isso. – Começo. – Eu não deveria estar aqui. E se minhas irmãs estiverem perdendo a luta e precisam da minha ajuda.

Ele suspira.

- Em outras palavras você não confia nas suas irmãs.

- Do que está falando?

- Você não parece confiar no potencial delas. – Eu engulo a seco. – Sabe, apesar de não serem uma menina-macho como você, elas me parecem bem fortes. Devia dar uma chance a elas.

- Se me chamar de menina-macho mais uma vez eu te mato. – Ameaço e ele ri. – Mas de qualquer forma não é bem isso que está me incomodando. É que... Ah, sei lá. – Dou uma pausa e respiro fundo. Falo baixo, quase que um sussurro. -... A Blossom vai ficar furiosa.

Eu esperava que ele não ouvisse, afinal meu sussurro foi tão baixo que nem eu consegui ouvir direito. E de qualquer forma, eu não queria ouvir. Não queria aceitar esse impasse. Ainda cabisbaixa, ouço Butch gargalhar violentamente, sinto meu rosto esquentar e olho para ele, que chamou a atenção de todos na pizzaria.

- Do que está rindo seu idiota?!

- Não é nada... É que... Eu só não consigo acreditar. – Começa, em meio de risos. Do que ele está falando, afinal? – Então quer dizer que a menina mais orgulhosa do mundo tem medo da própria irmã? Que piada... – Dizendo isso, continua a rir histericamente.

Meu coração acelera e meu rosto queima, naquele momento, me senti um tanto humilhada.

- E-Eu não tenho medo da Blossom! Eu só...

A risada de Butch não me permitia prosseguir, eu tentava formular uma boa resposta, mas era em vão. Pois nem eu sabia a conclusão, não sabia se eu realmente tinha medo da Blossom e não queria admitir, nem para mim mesma, e tudo por causa do meu orgulho gigantesco que estava sendo completamente derrubado pelas gargalhadas do moreno.

Não aguentando mais, seguro a gola de sua camisa e o encaro de perto, transmitindo calafrios para seu corpo com meu olhar maléfico. Se engasga com a própria saliva e para de rir, percebe que minha paciência está no limite e segura minhas mãos, se solta e se senta. Eu também sento de volta e ele suspira.

- Não precisava ter ficado com raiva. Eu só estava brincando. – Diz ele, me acalmando. Sorri um pouco. – Eu só pensei que você não quisesse seguir as ordens dela. Ou vai me dizer que você nunca quebrou as regras?

- Do que está falando? – Pergunto, sem entender muito bem.

- Todo mundo segue regras, já você, segue duas: 1. Salvar o mundo quando for preciso/ 2. Obedecer os caprichos da irmã chata. – Diz ele, seu modo de pensar me surpreende um pouco. – E nesse momento, você está quebrando as duas regras.

Arregalo os olhos, ainda raciocinando tudo o que Butch acabara de dizer. Quer saber?... Ele tá certo. Eu pareço até uma escrava. Reviro meu olhar dele e suspiro, um sorrisinho brota em meu rosto.

- E você? Quais são as suas regras? – Pergunto sem muita seriedade.

- Eu crio as minhas próprias regras. Sou livre para fazer o que bem entender. – Responde, se aconchegando mais na cadeira.

Suspiro com um pouco de inveja. Quem me dera ter tanta atitude quanto ele, e justamente por Butch ter esse temperamento que conseguiu enfrentar o Brick. Estendo meus braços pela mesa e bocejo.

- Sabe... No fundo, acho que todos nós somos como pássaros presos numa gaiola. Temos a chave para sair, porém poucos saem com medo do que pode ter do lado de fora... Eu sou um exemplo. – Cruzo meus braços e suspiro. – Você é um dos poucos que teve coragem para sair da gaiola e se virar sozinho. Em outras palavras, você é um pássaro muito corajoso.

Caramba! Filosofei agora! Olho para Butch, ele me encara profundamente sem dizer uma só palavra. Revira seu olhar para o chão e coça a cabeça. Lerdo.

- Buttercup Lispector, você me deixou confuso. – Brinca, ainda coçando a nuca. – Sabe, eu sou péssimo para raciocinar durante a noite.

Eu rio e decido brincar com ele também.

- E você consegue durante o dia?

- Há há há. Que engraçado. – Diz ele com sarcasmo.

Começamos a ter um ataque de riso no meio da pizzaria, olho para ele e admiro seu sorriso maroto. Suspiro, tentando voltar ao normal. Ele realmente me diverte muito. Desde que meus amigos se afastaram, eu me esqueci completamente como era me divertir com um garoto... É mais legal do que eu lembrava.

Somos interrompidos quando um garçom se aproxima da nossa mesa, segurando uma bandeja. Ele a põe em cima da mesa e tenho a visão de uma das pizzas mais lindas que já vi na vida. Era inteiramente de calabresa, meu sabor preferido, sem ao menos provar, eu já sentia o gosto do queijo em minha boca. Antes mesmo de me servir, eu já estava babando em cima do prato. Nós agradecemos e o garçom vai embora, nos dando o sinal verde para “atacar”.

Pegamos o primeiro pedaço e quase desmaiamos de tamanha perfeição, essa era definitivamente uma das melhores pizzarias a qual eu já frequentei. Depois dessa, não me arrepende de ter vindo com o Butch. E ficamos ali, conversando papo furado e cada vez mais nos surpreendendo de quanta coisa tínhamos em comum, acreditem, não era só no sabor da pizza. Gostávamos dos mesmos estilos, das mesmas bandas, dos mesmos games, dos mesmos esportes, até dos mesmos mangás (One Piece ♥). Bem, não é atoa que o Macaco fez ele para ser a minha versão masculina.

Quando estávamos completamente distraídos com a conversa, somos interrompidos quando uma garota de longos cabelos castanhos se aproximou da nossa mesa sorrindo estupidamente. Ela fitava Butch de uma forma estranha, que estranhamente me dava nos nervos. Usava uma blusa com a bandeira do Reino Unido sem mangas, um short tão curto quanto seu cérebro aparentava ser, salto alto tão vermelho quanto seu batom extravagante e tinha a cara completamente coberta por maquiagem.

- Oii. Tudo bem? – Perguntava ela sem tirar os olhos do Butch, que a olhava dos pés a cabeça e fazia cara de quem estivesse gostando. Quando um sorriso malicioso brotou no rosto dele, senti meu corpo entrar em chamas. Que menina puta! E o que ele pensa que está fazendo, dando mole pra ela?!

- Oi gatinha, posso ajudar? – Pergunta, se virando para a biscate. Eu me senti tão excluída como se eu nem estivesse mais lá. Filho de uma...

- Hummm, tem uma coisinha sim. – Diz ela com a voz mais irritante que a própria presença. Ela aponta para uma mesa rodeada de garotas iguais a ela. – Tá vendo aquela loirinha ali?

Nós dois procuramos a famosa loira, tinha cabelos curtos e dourados e olhos castanhos. Estava um pouco cabisbaixa enquanto as outras a rodeavam, deixando-a envergonhada.

- Estou. – Responde.

- Então, é que ela é minha amiga, sabe? E ela é muuuuito tímida. Ela gostou de você e pediu pra eu entregar isso aqui. – A biscate entrega um papelzinho para ele enquanto piscava para o mesmo.

Por mais que eu tentasse disfarçar, estava soltando fumaça pelos ouvidos, não só por Butch estar dando atenção para essas garotas, mas também por eu ter ficado totalmente excluída daquele meio. Esse filho da puta! O que ele vê demais nessas siliconadas?! Eu juro que quando eu sair desse lugar eu vou...!!

Interrompo meus próprios pensamentos e fico surpresa com minha raiva. Era pra eu estar desse jeito? Parece até que eu estou com... Não! Eu não estou com ciúmes desse traste! Butch desenrola o papel e lê o que está escrito, seu sorriso permanece e minha raiva aumenta.

- Pensa com carinho, está bem? – Ela se aproxima do rosto dele e alcança seu ouvido. A escuto sussurrar algo. – Se não estiver interessado nela, pode me ligar se quiser. Deixei meu número atrás da folha sem ela perceber. Coitadinha, é tão tímida que ainda é virgem. Você merece coisa melhor.

As palavras da morena fazem minha ira chegar em seu limite, me levanto da cadeira, arrastando-a de modo que fizesse barulho. Os dois finalmente tomam sua atenção para mim, eu cruzo os braços e ponho pra fora tudo o que tenho vontade de falar.

- Tudo bem, já chega! – Encaro a morena que sente calafrios. – Você, cai fora daqui!

- Ei, quem você pensa que é pra falar assim comigo? – Ela se aproxima ainda mais de Butch, que não se mexe por um instante. – Não me diga que está saindo com essa despeitada?

Despeitada?! DESPEITADA?!?!

Tudo o que eu queria naquele momento era voar no pescoço daquela garota, mas sei que ela ainda não havia notado que eu era uma Super-Poderosa. Se tivesse, já teria corrido faz tempo. Respiro fundo, evitando cometer um homicídio ali mesmo. Encaro Butch profundamente, que acaba recuando um pouco. Suspiro.

- Butch, você realmente gosta desse tipo?

- “Desse tipo”?! – Pergunta a garota, indignada. – Escuta aqui sua vadiazinha, tá achando que eu sou o quê?!?

- Uma puta. – Respondo sem mais nem menos. Ela recua. – Seus pais devem ter vergonha de você. Agora pegue aquele bando de projeto de putas ali na outra mesa e cai fora daqui.

Ela começa a suar frio, Butch revira seu rosto e não consegue conter a risada, põe a mão na boca para não rir muito alto, deixando a biscate com o rabinho entre as pernas. As garotas que estavam longe se levantaram da mesa correndo para socorrer a suposta líder.

- Ali, vamos embora! – Dizia uma, me olhando com um pouco de medo.

- O que?! Mas você não viu do que ela nos chamou??

- Cala boca e olha direito pro rosto dela! – Respondia uma ruiva, a morena obedece e me analisa dos pés à cabeça. – É uma Super-Poderosa. Vamo cair fora!

Sem mais nem menos, as garotas saem em grupo com medo de mim. Descruzo os braços e sento na cadeira, me sentindo vitoriosa e aliviada. O moreno não parava de rir, estava adorando aquela treta toda por causa dele. Eu ainda o encara com raiva, afinal ele também contribuiu para que eu explodisse.

- “Uma puta”, você disse. HÁ HÁ HÁ HÁ. – Dizia o moreno em meio de risadas. – É minha coisa preferida em você. Você é autentica e extrovertida. – Olha para mim e percebe que minha expressão ainda está séria, pega mais um pedaço da pizza. – Ainda tá com raiva?

- Um pouquinho. – Afasto meu prato para o outro lado da mesa. – Perdi a fome.

- Caramba. Não sabia que ciúme supria fome. – Dizendo isso meu rosto esquenta pela vergonha. – De todas as garotas que gostaram de mim, você é a mais ciumenta.

- Primeiro: Porque alguém iria gostar de você? Segundo: Não estou com ciúmes.

- Está sim. – Responde na maior tranquilidade do mundo. – Mas tudo bem, eu te perdoo, a culpa é minha por ser tão lindo.

- Cala a boca. – Ordeno e ele se cala.

Ele pegou mais alguns pedaços da pizza e enfiou tudo na boca, me pergunto pra onde iria aquilo tudo. Olho para o canto na mesa e avisto o papelzinho que aquela puta deixara pra ele, estendo o braço e o pego. Ao ler o que está escrito, uma veia pula em minha testa e sinto uma necessidade de rasgar aquele papel em pedacinhos.

“Oiiii! Tudo bem??

Meu nome é Marta, tenho 19 anos, e já deve ter percebido que sou muito tímida :P

Quando te vi entrando nessa pizzaria, fiquei completamente louca, você é muito lindooo ;)

Quero te conhecer melhor :D Se você também gostou de mim é só me ligar!”

E embaixo tinha o número dela. Sem mais nem menos, rasgo o papel e jogo em qualquer canto. Bufo um pouco e Butch retoma sua atenção para mim.

- Eu não acredito...

- Não acredita o que? – Pergunta ele.

- Você! Eu não acredito que você ficou dando mole pra aquele projeto de puta! – Ele para de mastigar por um instante e toma a sua total atenção para mim. – O que vocês homens veem nesse tipo de garota? O que ela tinha de tão especial? Os peitos? A bunda? A roupa menor que o cérebro? Se é que ela tinha cérebro. O perfume enjoativo? A voz irritante? A experiência na cama?

E assim minhas palavras se tornam num grande desabafo, Butch parecia um pouco confuso, me olhava de um modo estranho. Se eu estava bem? Não. Eu não estava bem. Estava com raiva. Muita raiva. O moreno brota um sorriso no canto do rosto e começa a rir, eu fico com mais raiva por causa de seu deboche.

- Tá rindo do que?! – Pergunto.

- Nada, é que... Você fica engraçada quando está com ciúmes... E muito linda também. – Eu me acalmo e meu rosto esquenta instantaneamente com seu comentário. Fico cabisbaixa, com vergonha de olha-lo nos olhos, ainda posso ouvir algumas risadinhas dele. Mas eu não... Não estou com ciúmes... Estou? – Olha, sobre o que você estava dizendo, aquela garota era realmente gostosa, mas não curto muito o tipo dela. Eu a vejo como uma espécie de “diversão”, não é alguém com quem eu iria querer algo sério.

Juntando toda a minha coragem, ergo minha cabeça e volto a olhar para ele, Butch me perecia sincero em suas palavras, não estava mais mostrando aquele sorriso desbotado, era um sorriso mais gentil e atencioso.

- J-Já disse que não estou com ciúmes! – Respondo e ele ri. – Eu só não suporto garotas daquela espécie. — Ele me olha no fundo dos olhos, um tanto curioso. Respiro fundo e volto a falar. – Elas fazem de tudo para chamar a atenção dos homens, tanto que são capazes de até mudar o próprio corpo, ou fingir serem pessoas que não são para isso. Só em sentir aquele cheiro de maquiagem em excesso, já me da vontade de vomitar.

- Não tenho nada contra meninas que usam maquiagem. – Começa, eu tomo minha atenção para suas palavras. – Talvez elas não queiram ficar bonitas só para os homens, mas sim para elas mesmas. Toda mulher tem o direito de se sentir bonita. Inclusive você.

- O que está querendo dizer?

- Que talvez você devesse deixar esse seu orgulho gigantesco de lado e dar uma chance ao seu lado feminino. Sabe, acho que você ficaria muito legal usando maquiagem. Ficaria até mais bonita do que já é.

- P-Pare de me elogiar! – Falo com vergonha. – Não sou bonita, e nunca vou usar maquiagem!

- Tudo bem, a escolha é sua.

Ficamos em silêncio por alguns minutos enquanto Butch devorava todos os pedaços de pizza, olho para meu relógio de pulso e vejo que acabara de dar oito horas. Volto meu olhar para o céu e fico admirando as estrelas mais uma vez. O moreno termina de comer e chega perto de mim, sussurra algo em meu ouvido.

- Já terminei de comer. Vamos sair pela porta dos fundos. – Seu pedido me deixa confusa.

- O que?

- Apenas faça o que eu disse, antes que o garçom chegue com a conta.

É claro que primeiramente não entendi o que ele queria dizer, porém olho no fundo de seus olhos e logo percebo a situação. Eu não acredito...

- Você não tem como pagar, não é? – Pergunto. Um sorriso desengonçado brota em seu rosto e ele revira seu olhar.

- Olha, não é porque eu estou comendo algo que eu vou ter dinheiro para...-

- COMO É QUE VOCÊ ME ARRASTA PRA PORRA DE UMA PIZZARIA SEM NENHUM DINHEIRO?!?!? – Grito dentro do restaurante, chamando a atenção de todos, inclusive do garçom. Nós dois olhamos para o lado e percebemos que o garçom estava se aproximando da nossa mesa.

- PRONTO! ESTAMOS FODIDOS! E A CULPA É SUA!! – Diz o moreno, apontando para mim.

- MINHA CULPA?!

- SIM, SUA CULPA!! SE NÃO FOSSE TÃO ESCANDALOSA A GENTE TERIA FUGIDO SEM PEGAR MERDA NENHUMA!!

- A CULPA NÃO É MINHA QUE VOCÊ É POBRE E NÃO PENSA NAS CONSEQUÊNCIAS DE IR PARA UM RESTAURANTE SEM NENHUM DINHEIRO!!

- Com licença... – Interrompia uma terceira voz.

- QUE FOI?!? – Nós dois perguntamos em coro, olhamos para o lado e percebemos que era o garçom. Nos acalmamos e começamos a suar frio.

- Eu ouvi que não tem dinheiro para pagar. Isso é verdade? – Butch me olha com desespero. Merda, merda, merda, merda, merda, merda!! Faço uma cara de anjo para o garçom e ele logo percebe, sua expressão séria encara nós dois sem a mínima pena. – Bem, já que não tem como pagar, terão que dar uma ajuda na cozinha.

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- Eu te odeio! – Digo para o moreno com a raiva ultrapassando os limites.

- Já disse isso trezes vezes. – Ele responde.

E lá estávamos, em plenas dez horas da noite, lavando todos os pratos sujos da pizzaria. O garçom nos obrigou a esperar todos saírem, o que demorou duas horas, para no fim ficarmos trancados na cozinha lavando todos os pratos imundos que pareciam ter saído do esgoto. Sim, eu estava com muita raiva. Tudo o que eu queria naquele momento era encher o garoto ao meu lado de porrada.

Butch me parecia tranquilo, lavava os pratos com a maior delicadeza do mundo como se já tivesse experiência no aspecto. Eu o encaro com uma aura sinistra ao meu redor, o moreno olhava pra mim de meio em meio minuto para ver se eu já tinha parado de encará-lo.

- Até quando vai ficar com raiva? – Pergunta. – Eu já pedi desculpa.

- Suas desculpas não pagam a pizza que eu, ingenuamente, comi achando que você tinha como pagar. – Ele pega mais um prato e quase o deixa cair. – Ei, vê se toma cuidado. E faz isso direito!

- Caso você não saiba, eu já lavei muitos pratos de restaurante com meus irmãos, sou bastante acostumado com isso.

- Vê se não faz merda.

Enquanto Butch lavava os pratos tranquilamente, acabo me distraindo e deixo um prato cair para o lado da pia em que o moreno ocupava, fazendo minhas mãos se esbarrarem dentro da pia acidentalmente. Ergo minha cabeça e percebo que o rosto dele estava mais perto que o necessário, agora estávamos nos encarando em uma pequena distância. Uma timidez imensa invade meu corpo e meu rosto cora violentamente, fiquei paralisada e me senti incapaz mexer nenhum músculo.

Para a minha surpresa, Butch também virou uma estátua.

Fito seus olhos agora arregalados, e percebo que por baixo daquela pele morena, ele estava ficando corado. Tomando a consciência do quanto aquela situação estava ficando constrangedora, desvio meu olhar para o prato volto para a minha posição de antes.

- M-Me desculpe. – Peço, pegando outro prato.

- “Vê se não faz merda” – Debocha ele imitando uma voz de menina, me provocando. – Parece que a heroína não é tão boa quanto o Desordeiro aqui quando o assunto é lavar a louça. – Diz ele, rindo do próprio comentário.

- Eu já pedi desculpa, seu puto!! – Respondo cabisbaixa, fiquei com vergonha de admitir que errara dessa vez. Continuei lavando os pratos, continuo quieta rejeitando qualquer tipo de conversa com Butch, que não parava de me provocar durante a noite inteira. Olho mais uma vez para meu relógio de pulso e suspiro. Pois é meninas, vou chegar em casa um pouco mais tarde...

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Acabamos de lavar toda a louça e finalmente conseguimos sair da porra daquela pizzaria, me desculpo com o dono pela oitava vez e vamos embora. O moreno tentava puxar assunto comigo mas eu nada respondia, ainda estava com raiva dele, acho que esse garoto nunca me irritou tanto quanto hoje. Toda vez que eu bufava para ele, ele dizia “cabeça-dura”, porém eu não estava nem ligando. Tudo o que eu queria era chegar em casa logo para não irritar ainda mais as minhas irmãs.

Andamos por um quarteirão gigantesco, só tinha um muro que parecia ser feito de ouro, o moreno fica apreciando a parede e chama a minha atenção.

- Que lugar enorme.

- Deve ser uma mansão. – Respondo, tentando cortar o assunto.

Butch voa para o alto do muro e observa o que tinha atrás dele, e fica ali, admirando a paisagem enquanto seus olhos verdes brilhavam.

- Uoooouuu! Que casão! – Dizia ele enquanto eu permanecia no chão. – Vem ver, Bc.

- Butch, desce já daí! Vai se meter em encrenca.

Ele ignora, permanece admirando cada detalhe da casa.

- E que piscina! – O moreno atravessa o muro rapidamente e uma gota de suar desce por meu rosto.

- Seu idiota! Isso é invasão!

Voou atrás dele e fico fascinada com a beleza da mansão, parecia ser folheada a ouro e prata, o jardim era tão verde quanto meus olhos, e a piscina era maior que minha própria casa. Caramba! Quem tem dinheiro pra morar numa casa assim? Aterrisso na grama da casa e parto a procura de Butch, fazendo o mínimo de barulho possível para não ser flagrada.

Piso cautelosamente no chão e olho para os dois lados procurando o moreno, não acho nada. Vou em direção da piscina e no caminho vejo roupas espalhadas pelo chão, olho para frente e vejo algo que seria melhor não ter visto. Butch está nadando só de cueca na piscina como se a casa fosse dele, seu cabelo molhado quase encosta seu rosto, e os curativos que pus nele estavam quase desfeitos por causa do cloro.

Me aproximo dele que vem para a borda da piscina, me agacho ficando de frente para ele, cruzo os braços fazendo uma expressão séria, ele ri com minha atitude e mergulha o rosto na água mais uma vez.

- Você é louco, ou o que? – Pergunto.

- Porque acha isso?

- Não sei. Talvez seja pelo fato de você ter invadido uma casa e entrado na piscina sem permissão!! – Falo um pouco mais alto do que deveria, ele estende a mão para mim e pousa o dedo indicador em meus lábios.

- Fala baixo, vão pegar a gente.

- A gente não. Você! – Me levanto. – Eu vou embora.

Me preparo para sair do chão mais Butch segura a minha perna, molhando-a, me dando um susto.

- Ei, não vai agora. – Pede, olhando em meus olhos com cara de cão sem dono. – Fica aqui comigo.

- Nem pensar. Eu não quero ir pra cadeia, sabia?

- Mas eu quero te compensar por não ter pegado a pizza.

- E como você vai fazer isso?

- Assim. – Num movimento rápido, ele segura minha perna com mais força e me puxa para dentro da piscina de roupa e tudo. MASOQ?!?! Tiro minha cabeça da água em busca de ar, olho para Butch com raiva enquanto ele ri histericamente.

- EU VOU TE MATAR!!! – Grito para ele, agarrando seu pescoço com força. – VOCÊ MOLHOU TODA A MINHA ROUPA, SEU MALDITO!!!

Ele ainda assim não para de rir, estava adorando aquilo tudo.

- HÁ HÁ HÁ. Calma aí, estressadinha. – Tira minhas mãos dele e se solta. — Ainda nem te mostrei o que essa piscina faz.

Nada até a outra borda da piscina e aperta num botão estranho, de repente, algumas bulhas são liberadas, trazendo arrepios confortáveis para o meu corpo. Uma piscina tão grande com hidromassagem? A pessoa que mora aqui deve ser bilionária!

- Ai... Isso é tão bom... – Falo em meio de suspiros. Butch ri.

- Se sente mais relaxada agora?

- Bem mais... Porque eu estava com raiva de você mesmo?...

- Pois é, faz bastante efeito.

Ele ri do próprio comentário e se aproxima de mim, o olho dos pés à cabeça e lembro que ele só está de cueca, reviro meu olhar com um pouco de vergonha.

- V-Você acabou de sair de um resfriado e mesmo assim entrou numa piscina em plenas onze horas do noite?

- Pelo menos eu tirei a roupa. Já você pode pegar um resfriado com essa roupa molhada. – Agarra a minha blusa com as duas mãos. – Tira isso.

- Nem pensar! – Tiro as mãos dele de mim. Que cara safado! – Não vou deixar você me ver de calcinha e sutiã!

- Porque não? Caso você não se lembre, você já me viu pelado.

- N-Não me lembre disso... – Eu poderia ter dormido sem me lembrar dessa.

- E também, é a mesma coisa que se você estivesse usando um biquíni.

- Não interessa. Não vou tirar. – Dizendo isso, ele acidentalmente, passa a mão molhada por meu pescoço exposto, sinto um arrepio pelo corpo inteiro e tiro as mãos de lá. – Não coloque as mãos aí!

- Hum? Porque não?

- Porque... – Se eu disser a verdade ele vai ficar me provocando. – Porque eu não gosto!

O moreno me encara um pouco confuso, coça a cabeça e para pra pensar, um me afasto dele. Vejo um sorriso brotar no canto de seu rosto e eu recuo.

- Já entendi. – Ele se aproxima de volta e passa a ponta dos dedos pelo pescoço novamente, meu corpo se arqueia. – Você sente cosquinha aqui.

Merda, ele descobriu!

Eu recuo já sabendo o que ele tinha em mente, Butch nada até mim e passa as mãos ali novamente, e de novo, e de novo, e de novo. Tornando aquilo num ataque de cócegas. Por mais que eu tentasse fugir, ele vinha atrás de mim com aquela mão sapeca, a cada toque, meu corpo se arqueava. Eu imediatamente comecei a gargalhar histericamente até que as lágrimas vieram aos meus olhos. Em vão, tentei empurrá-lo, mas ele era mais forte que eu.

E ficamos ali, brincando um com o outro na água da piscina gigantesca, enquanto ele fazia cosquinha no meu pescoço, eu jogava água na direção do seu rosto que muitas vezes acabava engolindo o cloro. Aquele fora o único momento da noite em que estávamos realmente nos divertindo, mas era de se acontecer, afinal depois de tanto confusão a qual passamos num dia só, precisávamos de um descanso para nós dois.

Por um instante, desejei que aquele momento durasse para sempre.

Num ataque surpresa, o moreno agarra minha cintura e me puxa para o corpo dele, eu descanso minhas mãos em seus ombros e encosto a cabeça no seu pescoço. Mas o que...?! Meu coração acelera ao perceber a proximidade que o moreno estabeleceu entre nós, seus braços envolviam minha cintura ainda mais intensamente trazendo arrepios ao meu corpo.

- Butch o que você...?!?

- Shhhhh. – Interrompe, colocando uma mão atrás da minha cabeça, alisando meus cabelos. – Fica quietinha.

Minha mente pifa e perco a liderança de meus atos, não tinha a mínima ideia de como reagir naquela situação. Mas o que diabos ele está fazendo?!?! Desencosto meu rosto de seu pescoço e o encaro nos olhos, ele me parecia determinado do que iria fazer, olha no fundo dos meus olhos e suspira. A mão que estava em meus cabelos, agora vai parar em meu rosto, acariciando minha bochecha esquerda corada pela vergonha.

Para em meu queixo e o segura, erguendo meu rosto mais ainda, me dando a visão de seu rosto. O moreno exalava pura vontade, seus lábios ficaram mais rosados assim como seu rosto que corou levemente.

- Eu detesto quando começo algo e sou interrompido. – Diz ele com um sorriso no canto do rosto. – Quero terminar o que começamos hoje à tarde.

- E... E quem disse que eu quero fazer isso?!

Antes que eu percebesse, os lábios de Butch já estavam praticamente colados nos meus, me beijando lentamente, sorrindo contra meus lábios. Tento empurrá-lo, surpresa, porém minhas tentativas são em vão. Seu beijo era doce e estava ficando cada vez mais intenso, tomo consciência que ele estava na liderança e decido tomar a iniciativa, nunca gostei de demonstrar falta de experiência ou timidez nesse aspecto.

- Filho da puta. – Murmuro, sorrindo no meio do beijo.

Morde meu lábio inferior, puxando-o com os dentes, tornando aquilo algo mais intenso. Começamos a nos beijar, brigando pelo controle. Ele que provocou, ele que ature. A ponta de sua língua me cutuca, pedindo permissão para entrar, eu recuo um pouco, mas logo aceito que ela entre, explorando todos os cantos de minha boca. Nossas peles molhadas ficaram mais juntas, a cada vez que intensificávamos o beijo, nos esfregávamos ainda mais um no outro. E não é que o filho da puta beija bem.

Nossas línguas se acariciam sem dó, estávamos procurando sentir todo o sabor do outro. Consigo lidera-lo, passo minha mão direita por sua nuca e chego em seus cabelos, puxando-os levemente fazendo o moreno soltar um rosnado. Butch passa a mão direita por minhas costas enquanto a esquerda envolve minha cintura, me puxando para mais perto, prensando meus peitos contra os dele. Ele quer me esmagar, é isso?

Butch interrompe o beijo, procurando ar. Nós dois arfamos violentamente, mas já era de se esperar. Até que pra um “primeiro beijo”, estamos indo rápido demais. Sem permissão, enfia o rosto em meu pescoço, maltratando-o com beijos e mordidas, solto um gemido baixo e ele ri contra minha pele, sentindo-se vitorioso. Num movimento rápido, sua mão que envolvia minha cintura, passa por baixo do tecido fino da minha camisa, alisando minhas costas nuas com sua mão molhada.

Meu coração disparado toma um susto quando sinto sua mão chegar na fechadura de meu sutiã, arqueio meu corpo para trás e sinto a necessidade de tirar sua mão dali. Dá um chupão no meu pescoço, que com certeza deixaria uma marca, trazendo um arrepio para meu corpo. Isso... Isso já está indo longe demais...

- Butch... Ahn... Vai com calma.

- Eu não quero ter calma... – Dizia ele sem tirar as mãos dali.

- MAS O QUE SIGNIFICA ISSO?!?! – Perguntava uma terceira voz, interrompendo nós dois.

Tomamos um susto e nos empurramos, olhamos para o lado e vimos uma garota de cabelos ruivos na borda da piscina, provavelmente seria a dona da casa, estava furiosa. A olho dos pés a cabeça, usava um roupão lilás com pantufas de coelho, seu cabelo ruivo era encaracolado, seus olhos eram castanhos e sua voz era irritante. Depois de dar uma bela análise na garota, finalmente me dou conta de quem era. De todas as pessoas... EU TIVE QUE VIR PARAR JUSTAMENTE NA CASA DA PRINCESA?!!?

Princesa soltava fumaça pelos ouvidos, e pior que dessa vez ela estava com razão. Afinal, quem iria gostar de ver um casal se pegando dentro da sua casa? Butch e eu nos olhamos um tanto desesperados e nos preparamos pra voar daquele lugar o mais rápido possível.

- SEGURANÇAAAS!!! – Seu grito foi o mesmo que dizer “Vamos cair fora”.

E assim, nós dois voamos para fora da mansão deixando a Princesa boquiaberta. Merda! Agora que eu voei ela já sabe que era uma Super-Poderosa! Eu tô fodida! Butch e eu aterrissamos num lugar bem longe da casa, olho pra ele com raiva e começo a socar seus ombros.

- Ei! Qual é?! – Pergunta ele.

- Por sua culpa eu tô fodida! A Princesa já deve ter percebido que era eu!

- Do que está falando? Quem é Princesa?

- Aquela garota da mansão!! – Butch olha para si mesmo e percebe uma coisa.

- Merda! Esqueci minhas roupas lá!! — Dizendo isso, voa para lá novamente, me deixando sozinha naquela rua escura. – Me espera aí, eu já volto. – Pede.

Eu assinto e fico ali à sua espera, olho para o céu para tentar me distrair. Ouço um barulho se aproximando, me parecia passos, fico atenta caso algo acontecesse. Vejo a sombra de duas pessoas, me pareciam dois homens, olho mais atentamente para os dois. Um era loiro, usava uma blusa preta e uma jaqueta azul-escuro, calça jeans e tênis preto. O outro era ruivo, usava um boné vermelho, da mesma cor que sua blusa com mangas, uma calça cinza e um tênis preto.

Depois de um bom tempo analisando, me dou conta de que eles eram bastante familiares. O ruivo me encarava com cara de quem comeu e não gostou, tinha cara de valentão que só sabe se meter em encrenca. Já o loiro tinha um olhar mais solto, parecia ser um cara legal, mas um tanto bobo. Os dois iam se aproximando aos poucos enquanto conversavam, olho para seus rostos, estavam machucados.

- Você acha que elas já eram? – Pergunta o loiro, olhando para o outro que bufa em seguida. – Eu não gosto de bater em garotas. Não acho que elas mereciam.

- Eu quero mais que elas se fodam. – Respondia o ruivo. – E para de falar escrotice. Você é veado, ou o que?

- Eu não sou veado não, seu puto! Só não consigo acreditar que você não tem compaixão com garotas tão bonitas quanto elas.

- Elas são inimigas! Compaixão é para os fracos!

- Ah, vai me dizer que você não achou elas gostosas?! Eu juro que se a Bubbles não fosse nossa inimiga, shii... Eu pegaria ela de jeito. A Blossom também serve. – Dizia o loiro com corações no lugar dos olhos.

O que? Eu ouvi direito?? Olho mais atentamente para o boné do ruivo e logo percebo quem eles eram.

- Que se foda. Elas já devem estar mortas mesmo.

Uma raiva possui meu corpo e eu não consigo me conter, me aproximo dos rapazes e seguro a gola da blusa do ruivo e o levanto, os dois se assustam. Brick me olha surpreso e me encara, tentando me reconhecer. O loiro faz o mesmo.

- Seus malditos... O que vocês fizeram com as minhas irmãs?!?! – Pergunto. Eu deveria ter ido atrás delas! Porra! Que raiva!

O ruivo consegue me reconhecer e bufa.

- Boomer, parece que nós esquecemos de uma. – Diz ele, tentando se soltar. – Buttercup... Senti sua falta na luta.

- Vou perguntar mais uma vez: O QUE VOCÊS FIZERAM COM AS MINHAS IRMÃS?!?! – Num ataque rápido, Brick segura minhas duas mãos e se solta, me empurra até a parede e me prensa de um modo que eu não consegui escapar. Ele era forte demais, pôs todas as suas forças em seus braços para que eu não conseguisse sair. – Me solta!!

- Respondendo sua pergunta: A gente mandou suas irmãs pro hospital. Você é uma péssima irmã, sabia? Devia ter ido ajuda-las. – Seu comentário me deixa com ainda mais raiva. O ruivo arma um soco com o braço direito e eu me arrepio. – Bem, já que está aqui, vamos te mandar pro inferno junto com elas.

No momento em que ele ia acertar meu rosto, fecho os olhos esperando a dor chegar, mas não sinto nada. Abro os olhos lentamente e vejo uma mão segurando a de Brick com força, tanto que o próprio ruivo soltou um gemido de dor. Olho para o lado e vejo Butch me protegendo de seu soco, o moreno exalava uma aura tão sinistra quanto seu olhar.

- Butch?! – Perguntava Boomer surpreso.

- Butch... – Começa Brick. -... Há quanto tempo, não acha?

- Cala a boca. – Ordena o moreno, soltando a mão do ruivo.

Brick olha para nós dois e um sorriso malicioso brota em seu rosto.

- Já entendi o que tá acontecendo aqui. – Diz o ruivo olhando para o irmão. – Butch tá de namoradinha nova, é? Francamente, achava que seu gosto era mais refinado.

- Se falar mais alguma merda eu vou te mandar pro caixão, Brick! – Butch o ameaçou.

- Tá falando sério? Você realmente ta saindo com ela?

- Ei, vocês dois, já chega. – Diz o loiro apartando os irmãos.

E assim os três começam a discutir entre si, eu me sinto como uma princesinha indefesa no meio de uma luta sangrenta, olho para meu relógio de pulso e suspiro. Eu não posso ficar aqui, Blossom e Bubbles precisam de mim.

- Ei, Butch. – Eu o chamo, ele volta sua atenção para mim. – Eu tenho que ir pro hospital. As duas já devem estar putas comigo.

Ele olha no fundo dos meus olhos e percebe minha preocupação, suspira e sorri.

- Vai lá. Qualquer coisa eu te manda uma mensagem.

Eu assinto e saio voando daquele lugar, deixando os três irmãos resolverem seus desentendimentos. Voou mais rápido que um foguete, preocupada com minhas irmãs. Se bem que eu nem poderia falar muito, afinal deixá-las para trás foi uma opção minha. Agora preciso arrumar um jeito de acalmar a fera.

Continua...

Notas finais
E aí? Gostaram? Odiaram? Detestaram? Respondam tudo nos reviews *o*
Bem, particularmente, minha cena preferida é a do beijo hehe. Fiquei escutando Just a Kiss de Lady Antebellum pra escrever essa cena, por isso, será a trilha sonora da cena: http://www.youtube.com/watch?v=WWVRCMwtMoQ (adoroo essa música *-*)
Até o cap 8 o/
Kissus ♥