Playing With Fire
26 Como é bom te ver
Notas iniciais
POV Buttercup
3 semanas depois:
Casamento... O que dizer dessa cerimônia? Bom, eu sempre defini casamento como uma festa onde um bando de mulheres de diferentes categorias pudessem chorar por algum motivo. As solteiras por não terem ninguém, as desencalhadas por seus namorados não terem as pedido em casamento ainda, as comprometidas por não terem dinheiro pra comprar um vestido tão bonito, e as casadas por perceberem o quanto seus maridos são insuportáveis. Também é uma festa em que os homens aproveitam a melhor oportunidade para roubar toda a comida e impedir que suas namoradas peguem o buquê. Se pegarem, fodeu.
Eu até que gosto de casamentos, eles trazem uma sensação de paz. Do meu ponto de vista, ele celebra a coincidência. Coincidência de duas pessoas destinadas a se amar acabarem se encontrando no tempo certo. Muitas vezes as pessoas não encontram sua cara metade e se envolvem com a primeira pessoa que der na telha e são infelizes pelo resto da vida, mas de longe dá pra sentir quando duas pessoas se amam de verdade. São as pessoas que tiveram essa coincidência que me trazem uma sensação de paz. E são nos casamentos de pessoas assim que gosto de presenciar. Este era o caso das duas pessoas mais importantes pra mim, casando logo em minha frente.
A sensação? Inexplicável. Hoje estava sendo o melhor dia de minha vida. Mal consegui dormir na noite passada de tanta ansiedade, era quase impossível acreditar que o Professor e a Srta. Bellum estavam realmente casando. Éramos oficialmente uma família. Minhas irmãs? Garanto que as duas se sentem da mesma maneira que eu.
A cerimônia estava sendo realizada em uma igreja perto de casa, haviam mais amigos do que parentes, digo, nós não temos muitos parentes por parte do Professor, só alguns primos, já a Srta. Bellum tem uma família gigantesca, mas nada comparado a nossa quantidade de amigos presentes.
Acordamos antes do sol raiar, o Professor passou a noite fora com alguns amigos cientistas para celebrar sua despedida de solteiro e ainda não havia voltado, deixando tempo de sobra para que nós quatro saíssemos correndo até a casa da amiga da Srta. Bellum, que a deixaria ainda mais diva do que já é para o grande evento. Seu vestido era perfeito para ela, arrancando muitos gritos das mulheres que estavam presentes, principalmente da Bubbles, que quase teve um sangramento nasal ao ver um vestido tão perfeito. Não só o vestido perfeitamente ajustado em seu corpo, mas seu lindo cabelo rebelde e natural que ocultava seu rosto, as flores, a elegância, o glamour, tudo estava perfeito nela. Ela quase liberou algumas lágrimas, mas todas a impediram de chorar pois estragaria a maquiagem, mas no fim, quem quase acabou chorando fui eu. Acho que estou ficando mais mole a cada dia.
Eu e minhas irmãs? Nós levamos um tempo para nos arrumar, mas no fim ficamos prontas bem antes da Srta. Bellum. A Bubbles fez questão de me arrumar, ajustando meu cabelo para o lado, colocando um enfeite bem bonito, maquiando meu rosto bem de leve assim como pedi (Ela estranhou bastante por eu permitir que ela passasse maquiagem em mim), e pintando minhas unhas com cor de esmeraldas. Bubbles era definitivamente a mulher mais bonita da festa, tirando a noiva, é claro. Ela encaracolou um pouco os cabelos, amarrando-os de um lado para que caíssem em seu ombro, seu rosto parecia o de uma boneca de porcelana, o que arrancou olhares de todos na festa. Blossom também estava nesse nível, mas deixou o cabelo o mais natural possível, insistindo em prendê-lo naquele laço vermelho, mas deixando o rosto tão belo quanto de um anjo, e suas unhas pintadas com a cor de um rubi.
O momento de deixar a noiva no altar foi, sem dúvidas, um dos mais tensos de minha vida. Eu estava com tanto medo de tropeçar ou de fazer alguma merda que quase não esbocei um sorriso. Sim, foi vergonhoso, mas logo passou assim que sentamos em nossos lugares na primeira fileira. Os noivos não conseguiam conter suas lágrimas, assim como nós, as três choronas. Acho que posso adicionar na lista “Tipo de mulheres que choram em casamentos” a categoria “Filhas do noivo que são emotivas demais pra não chorarem ao vê-lo casando com a mulher de sua vida”. Eu sou uma retardada, só pode.
Com o fim dos votos, e o trocar das alianças, o Professor pôde enfim afastar os cabelos da ruiva e beijá-la com todo o seu amor. Ninguém ali pode evitar de levantar-se e aplaudir a cena. Provavelmente a cena que mais me tocara em dezoito anos.
A família estará completa agora. Tudo estava perfeito.
A festa de comemoração foi realizada em um espaço de festa na rua de nossa casa, já que era perto, fomos todos até o grande espaço com salão de dança, jardim e tudo para comemoramos a união dos noivos ao pôr do sol.
Foi divertido. Fiquei bastante tempo conversando com a Amy até ela ter de ir embora mais cedo, pois seus pais programaram uma viajem justo para hoje a noite e eles tiveram que ir embora. Blossom estava com Harold. Bubbles estava com suas amigas e piscando para alguns garotos bonitos que passavam. Os convidados estavam muito a vontade, e tudo estavam em sua perfeita paz. O Professor e a Srta. Bellum estavam dando o máximo de si para dar atenção a todos os convidados, mas era quase impossível, quase todos estavam os rodeando, desejando felicidades, muito amor, essas coisas.
Mas eu sei qual é pergunta que você quer fazer desde que comecei a falar. Afinal, onde diabos o Butch se enfiou no dia do casamento dos pais da namorada? Teria ele voltado de viajem? Ele teria me abandonado de vez? Não, ele não fez.
Ele chegará hoje à noite, e eu estava a sua espera. O tempo longe dele fora difícil, muito difícil, eu senti muito a sua falta e ao lembrar que hoje eu iria reencontrá-lo, torna meu dia mais especial ainda. Tem como ficar melhor?
Eu não conseguia sair de perto da entrada, Butch passaria por aquela porta a qualquer minuto, minha ansiedade estava mais forte do que eu mesma. Não conseguia parar de coçar a cabeça, coisa que faço quando fico ansiosa ou muito nervosa. Blossom, que não estava tão longe, percebeu minha agonia e veio perguntar se estava tudo bem.
– Buttercup, aconteceu alguma coisa? – Pergunta a ruiva, curiosa. – Você está meio estranha.
Suspiro, ajeitando meus cabelos.
– Tá tudo bem. – Respondo. – É que... Eu estou esperando o Butch.
– O Butch? Não sabia que ele havia voltado de viajem.
– Ele chega hoje. – Digo. – Ele prometeu vir à festa, logo ele aparece aqui.
– Aparece mesmo? Porque já são oito horas da noite, meio tarde para chegar numa festa que começou de seis horas, e olha que a cerimônia foi de três e meia.
Bufo um pouco, mostrando um olhar meio irritado.
– Ele prometeu que estaria aqui, e eu acredito no meu namorado, Blossom. – Respondo, ainda bufando um pouco. – Falando nisso, onde foi parar o mauricinho do seu namorado?
– O nome dele é Harold. E ele precisou sair mais cedo.
Estranho sua resposta, o Harold nunca foi de deixar ela sozinha numa festa por mais que ela estivesse acompanhada da família.
– O que aconteceu pra ele ter que ir embora?
A ruiva faz um olhar um tanto triste, cabisbaixa, me deixando preocupada.
– Bom... A mãe dele ligou para ele dizendo que o seu pai havia acabado de ser internado mais uma vez. Você sabe, o pai dele é alcoólatra, e sempre tem esses problemas de saúde. Tanto é que a mãe dele nem veio para o casamento pra cuidar do marido. – Ainda cabisbaixa, solta um suspiro. Nossa, eu havia esquecido desse detalhe sobre o Harold, ele passa por umas poucas e boas graças ao alcoolismo do pai dele. A ruiva ajusta seus cabelos, tenta pôr um sorriso falso no rosto. – Eu queria ir com ele, mas ele insistiu que eu ficasse aqui com o Professor e a Srta. Bellum, afinal, é por eles que estamos aqui.
– Seu namorado é bastante atencioso, Blossom.
Ela sorri, dessa vez de verdade.
– Pois é... – Ficamos em silêncio por alguns instantes, foi um tanto desconfortável não ter nada a dizer, e sobre o que estávamos sentindo a respeito do casamento e tudo mais, era melhor deixar pra quando chegássemos em casa senão começaríamos a chorar ali e agora. A ruiva aponta para um local, olhando para mim com um sorriso no rosto. – Falando em namorado... Olha só quem chegou.
Volto meu olhar pra onde ela apontava, e me deparo com uma das melhores vistas que tive hoje. Butch estava bem na porta, esbarrando em algumas pessoas e olhando para os lados, provavelmente me procurando. Quando me avista um sorriso um tanto peculiar brota em seu rosto. Ele parecia estar tendo uma sensação de... Alívio? Se for assim, ele estava se sentindo como eu.
Sinto meus olhos se arregalarem e meu coração palpitar mais forte, assim como meus olhos ficaram mais úmidos involuntariamente. Sem pensar duas vezes, voou em sua direção, abraçando-o com força na velocidade da luz. Ele retribui com a mesma intensidade, envolvendo seus braços em mim rapidamente, enfiando o rosto em meu pescoço, me dando a oportunidade de inalar seu doce perfume. Esse perfume... Ah, como eu senti falta desse perfume.
Abraço-o com mais força ao sentir seu cheiro, aproveitando ao máximo a oportunidade de tê-lo em meus braços, senti-lo junto a meu corpo, com o peito unido ao meu, de forma que nossos batimentos se tornassem sincronizados. Ele tenta afastar um pouco, acho que eu o estava apertando forte até demais.
– Nossa... Sentiu tanto assim minha falta, menina-macho? – Ele pergunta sarcasticamente, quebrando o clima.
Solto-o um pouco, olhando em seu rosto. Ele parecia estar feliz, embora eu sentisse alguma coisa estranha. Procurei ignorar isso. Sorrio de volta para ele.
– O que você acha, seu idiota? – Respondo, lhe dando um beijo. Ponho as mãos em seu peito, e percebo uma coisa: Ele estava de terno. Um terno preto muito elegante, por baixo ele usava uma camisa verde e uma gravata preta, assim como sapatos de couro em seus pés (Provavelmente, era tudo roubado). – Uau, mas quanta elegância, mocinho. Só faltava arrumar o cabelo.
Ponho a mão em seu cabelo espetado, preso em um elástico. Ele logo tira a minha mão dali, rindo.
– Você também não pode falar muita coisa. – Ele complementa, me olhando da cabeça aos pés. – Já é a segunda vez que te vejo de vestido e maquiagem. Andou passando tempo com o ELE e eu não sabia?
– Isso era o que eu ia perguntar. Você foi visita-lo, não foi?
Ele faz uma expressão espantada, espantada até demais. Seus olhos se arregalaram e seu sorriso foi desmanchado, por um instante, senti como se ele tivesse congelado. Eu não sabia que a pergunta causaria esse impacto nele. Nossa, mas o que eu disse?
– O que foi?
Ele demora um pouco para responder, engolindo seco e suando um pouco. A resposta estava em seu olhar, e dessa vez eu pude enxerga-la com maior facilidade.
– Como... Como você...
– Aí, essa festa só tem mulher gata!! – Surge uma voz atrás de Butch, que o interrompeu. Um belo rapaz de cabelos loiros e olhos azuis envolve seu braço no ombro do moreno, ainda fitando a mulherada da maneira mais sedutora possível. Boomer estava usando um terno muito parecido com o de Butch, porém num tom cinza escuro, ele estava usando uma camisa azul escuro e uma gravata preta. O loiro volta seu olhar para mim e arregala os olhos, ficando boquiaberto em seguida. – Meu... Deus... Buttercup está se vestindo como uma garota!! Os mayas deviam ter previsto o apocalipse pra hoje!!
Dizendo isso, eu e Butch lhe damos um cascudo na cabeça, transparecendo dois galos grandes e pulsantes. Ele não fazia nada além de rir.
– É um idiota mesmo. – Comenta Butch. – Me desculpa por isso, ele não tem nem metade do cérebro.
– Deve ser de família. – Brinco, ele ri.
– Delicada como um tijolo.
Sinto um arrepio estranho ao ver a outra sombra atrás de Butch, desta vez seu dono era o ruivo, que olhou para todos ao redor com um olhar de desprezo, principalmente a mim. Brick também estava usando um terno preto, dentro estava uma camisa vermelha, da cor de seu boné (Francamente, quem usa um boné numa festa como essa?), e uma gravata da cor de seu terno. Seus olhos vermelhos pareciam penetrar minha alma, atingindo os pontos mais fracos e fazendo de mim inferior. Seu olhar, sem dúvida, era capaz de destruir qualquer pessoa.
Butch olha para ele e o clima se torna mais pesado do que já estava, a troca de olhares parecia mais uma troca de golpes. Por um instante, achei que eles iriam se estapear ali mesmo. Algo deve ter acontecido entre os dois na viajem. Ou talvez eles sejam sempre assim um com o outro.
– Butch! Fico feliz que tenha vindo! – Uma voz alegre vem em nossa direção. Era o Professor, acompanhado de sua mulher, se aproximando aos poucos com um sorriso no rosto. – Como foi a viajem?
– Olá, Sr. Utonium. – Butch começa, todo educadinho quando o assunto é meu pai. – A viajem foi... Digamos... Bem louca. Mas fico feliz de ter chegado a tempo de lhes desejar felicidades.
– Também fico feliz que tenha chegado, agora posso ficar tranquilo em relação a Buttercup. Enquanto eu e Sarah estivermos em lua-de-mel, você pode garantir que ela não faça nenhuma bobagem.
Num movimento rápido, o Professor puxa o terno de Butch com força, trazendo-o para perto de si. Sussurra algo em seu ouvido a qual não posso escutar com uma expressão medonha no rosto, fazendo todos ali suarem um pouco.
– P-Pode deixar... – Butch o responde. Mas o que o Professor disse a ele? Espero que não tenha sido nenhuma merda.
O Professor o solta, trazendo de volta aquele sorriso gentil e alegre. Srta. Bellum não conseguia conter os risinhos, ela adorava rir de situações como aquelas. Só por curiosidade, sim, ela arrancou muitos olhares do Boomer. Eu já esperava, mas ela é areia demais pro caminhão dele, além de já estar casada com o melhor homem do mundo.
– Vejo que trouxe seus irmãos, Butch. – Ela diz, com uma voz calma e serena. O moreno estava prestes a responder, mas ela fala antes dele. – É incrível ver como vocês cresceram. Se tornaram rapazes muito bonitos.
Fui capaz de presenciar a cena mais cômica já vista: Os três Desordeiros coraram tanto que quase viraram tomates. Sim, parece que o charme da Srta. Bellum é capaz de fazer milagres. Sou incapaz de conter os risos.
– Ei, trio do Alvin e os esquilos (Entendedores entenderão), também não é pra tanto, né? – Brinco com eles, fazendo-os corarem mais, só que agora, misturando com a raiva.
– Cala a boca, Bc. – Diz Butch, caindo na risada.
Os outros dois não disseram nada até então.
– Bom... Venham comigo, rapazes. – Chama a Srta. Bellum, trazendo Boomer e Brick consigo. – Arranjarei uma mesa para vocês.
E assim, os quatro vão embora, nos deixando sozinhos. Curiosa, ouso perguntar:
– O que o Professor te disse naquela hora?
Ele suspira.
– Bom, ele disse "Encoste um dedo na minha filha enquanto eu estiver fora que eu arranco seu órgão genital".
Nós dois caímos na risadas, ambos sem entender direito a relação que o Professor tinha com o descepamento de pênis.
Sou capaz de sentir mais um arrepio ao ver que Brick lançara um olhar para Butch, daqueles bem amedrontadores. Percebo que Butch também começara a exalar uma aura um tanto sombria. Ah, não... De novo não...
Ponho a mão em seu ombro e o olho no fundo dos olhos, procurando uma explicação para aquilo tudo. Sua aura muda de maligna para desesperadora, olha no fundo de meus olhos e respira fundo. Ainda não sou capaz de compreender o que estava acontecendo.
Será... Será que agora é o momento certo para falarmos sobre aquilo?
Minha pergunta foi respondida antes que eu a fizesse, no momento em que Butch segura a minha mão, me olhando numa expressão séria.
– Buttercup... Eu sei que eu acabei de chegar, que estamos numa festa e tudo mais... Mas não posso mais com isso. – Ele diz, aos poucos formulando uma expressão mais séria ainda, daquelas que prende totalmente sua concentração. – Nós precisamos conversar. Agora.
Solto um suspiro cansado.
– E eu? Como você acha que eu fiquei esse tempo todo? – Indago. – Você tem razão, não é o momento apropriado... Mas eu preciso de respostas. Respostas pra muitas coisas que você ainda não me disse.
– Eu sei. – Responde. – Sua casa é aqui perto, não é? Vamos pra lá.
– Sim.
Saímos da festa e, como era perto, fomos andando até minha casa. Era bom sentir a brisa fria da noite. É justamente nesses momentos que comento o como é bom estar perto dele, mas na situação em que estávamos, era hora de deixar o conto de fadas de lado, encarando a realidade. A nossa realidade talvez fosse a mais complicada de todas.
Ela poderia ser boa ou ruim. Era o que eu estava prestes a descobrir.
Sinto Butch segurar minha mão de repente, mas não sinto firmeza. Pra ser mais clara, sou capaz de senti-lo tremer. Não sei se era pelo frio, ou por outra coisa, mas essa insegurança foi passada para mim.
Era como se eu já soubesse que não ia gostar do que iria ouvir.
Droga... Porque não estou gostando nada disso?
Porque não podemos ser um casal normal?
Porque não podemos ser livres de uma vez?
Se há ou não há um vilão nessa história, essas perguntas jamais seriam respondidas por ninguém. As respostas que eu obteria agora apenas dariam mais força a essas perguntas, e mais necessidade de serem respondidas.
Talvez nossos medos tenham se tornado os próprios vilões.
POV Ace:
Pego minha mochila, faço todos se levantarem do sofá e saímos de casa. Nosso carro foi roubado e nós tínhamos que sair a pé, o que era um problema, tínhamos que ter saído muito mais cedo para evitar que muita coisa acontecesse. Relaxamos por um momento, mas agora estávamos dispostos a dar nossas vidas para garantir que as coisas fiquem bem.
Bom, pelo menos eu estava. Dava para sentir o medo dos cinco patetas que me seguiam, mas eu já deveria esperar. Pulamos a grade de ferro e partimos em direção do outro lado da cidade, onde tudo estava prestes a acontecer.
Não somos fortes, mas... Não vamos desistir!
– C-Chefe... – Big Billy me chama, gaguejando um pouco.
– O que foi, grandão?
– T-Tem certeza que nós temos que ir?
Sua pergunta me enfurece. Se eu fosse um pouco mais alto, lhe dava um cascudo na cabeça, mas como não sou, apenas o soquei na barriga.
– Deixa de ser covarde, Billy! E ainda se considera um homem?! – Pergunto, ainda furiosos com sua atitude. Olho para todos eles nos olhos, dava para sentir o medo escorrendo de suas veias. Suspiro. – Escutem, vocês querem ajudar a Buttercup, não querem?
Eles hesitam um pouco, mas logo reconhecem a verdade e assentem. Afinal, eles a adoram. Se tornaram grandes amigos dela quando eu a namorava.
– Pois os Desordeiros colocarão o plano deles em prática hoje! Se não fizermos nada, tudo estará perdido! – Os encorajo da melhor maneira possível. Embora eles concordassem comigo, tinham medo de arriscar. Eu também tinha, mas esse era um medo que eu tinha de enfrentar. – Uma amiga precisa da gente... E nós vamos salvá-la a qualquer custo! E venceremos! Sabem como? – Eles balançam a cabeça, dizendo que não. Um sorriso maléfico brota em meu rosto. – Eu tenho um plano.
– Você tem? – Pergunta Arthuro, criando um pingo de esperança.
– Claro que tenho.
– E ele é bom? – Pergunta Snake, curioso, também esperançoso.
– Conto a vocês no caminho, agora vamos logo! – Começamos a correr em direção ao local, quase fomos atropelados um montão de vezes, mas já estávamos na metade do caminho. – A propósito, há algo que vocês não podem esquecer...
– O que? – Pergunta Snake.
– Fiquem de olho do Elemento X.
Continua...
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