Playing With Fire

25 Coisas que não me orgulho lembrar


Notas iniciais
Yoo minna o/ Até que não demorei muito, não é? Hehe, me esforcei bastante dessa vez ^^. Nesse capítulo há 3 POV's (Parece que a Bc já está ficando cansada de narrar o tempo todo u.u). E... Bem... Há coisas muito importantes nesse capítulo, e... Ah, vocês vão descobrir sozinhos. Não vou estragar a surpresa XD. Agradecimentos: Gablychan, PunkRock, Tali Miniwa, Ravenna Morgan, UmaDoceteLouca, Marcela Abadeer, cookiecute, Fernando Zelros, Anne Hyuga, bakarayo, Alexia Vasconcellos, Ly, Natsumi, Shirayukki, Kagome chan, Clove Mason, Raquel, FernandadDias, Drikalokinha19, Rebecka di Ângelo, Lele Di Angelo Sabaku Potter, Konata Izumi, We Love Animes, Anne Grigori, Lily, HikariBibii, Gabi Poller, Danyela haruno, Manikta, NaomiTheWolf, Priscila Vicentim, Nicole Saraiva, Devilluke Phantomhive, SasuSakus2, Tiffany Stevens, Hatsune, Sandgirl, Pudim Valdez, Catbug, LinkEvil, May149, Starphine, Anonimous, Aiifle, Just Alice, Nelisse Jovem, Finholdt, iza bunny, Uchiha Harumi, Imagine Dragons, meus bebês, espero que gostem do capítulo ;). Boa leitura!!

POV Buttercup

Já haviam se passado dois meses, e Butch não havia voltado. Segundo ele, estava apenas resolvendo alguns problemas com a família, e eu já até imagino com quem seja. Por mais que o ELE seja o próprio demônio, ainda continua sendo pai deles, e eu não me surpreenderia se ele tivesse ido visita-lo. Mas a sua localização não é o que me importa no momento, estou mais preocupada com a sua volta.

Quero pôr um fim nisso. Quero que ele me diga a verdade de uma vez. Me dá um aperto no coração só em imaginar que ele esteja fugindo de mim. O que me alivia é que estamos conversando todos os dias, assim como o combinado, ele me liga todas as noites, e quando não dá, eu mesma ligo pra ele. Sim, de vez em quando, rola alguns papos meio melosos em que ficamos dizendo “Tô com saudades” ou “Volta logo”. Nojento, eu sei, mas acho que namorados fazem isso mesmo sem perceber. Ele disse que já está resolvendo tudo, e que logo estará em Townsville.

E o que eu fiquei fazendo durante esse mês? Bom, primeiro, as aulas começaram. Tive que estudar muito para as primeiras provas, além de ter que combater o crime diversas vezes, e, quando dava, saia com a Amy. Não houve um dia em que eu não pensasse em Butch, mas isso já era de se esperar.

E agora, numa radiante manhã de sábado, estou sendo forçada a provar vestidos elegantes numa loja de roupas. Sim, além de ter que acordar cedo num sábado, estou cercada de mulheres escandalosas que estão jogando vestidos horríveis pra cima de mim, implorando para que eu os provasse. Tá foda a vida, não?

Eu jamais aceitaria fazer algo assim, principalmente no meu precioso fim de semana, mas desta vez é por uma boa causa. Eu e minhas irmãs estamos procurando nosso traje adequado para o casamento do Professor e da Srta. Bellum. Como as coisas se organizaram rápido. Os dois já haviam organizado tudo antes de nos contar que iam se casar, pois queriam fazer uma “surpresinha”. Quando nos contaram, só faltava algumas coisas, não aguentavam mais esperar, e marcaram seu casamento para daqui a algumas semanas. Está tudo as mil maravilhas dentro de casa, ter a Srta. Bellum como mãe é melhor do que eu imaginava. É claro que eles tem algumas discussões de vez em quando, afinal, nenhum casal é perfeito, mas sempre acabam fazendo as pazes. O irritante é que sempre escuto barulhos perturbadores vindo do quarto deles nos momentos mais inoportunos, mas já estou me acostumando, e também, a casa é deles, e tem o direito de fazer o que bem entenderem.

Nós três saímos de casa de fininho para não acordá-los e fomos na loja preferida da Bubbles, segundo ela, lá teria os vestidos perfeitos para nós. Elas já me fizeram provar uns quinze vestidos, acreditem se quiser, eu estou a ponto de surtar no meio da loja. Já deixei bem claro que não quero nada chamativo, nem muito longo, nem muito curto, mas parece que elas não me escutam, e sim, tentaram me convencer de que eu deveria usar algo cor-de-rosa.

No fim acabamos por levar vestidos brancos, porém com modelos diferentes. A Blossom escolheu um longo que arrastasse no chão, ele tinha algumas flores vermelhas de enfeite, e também um salto dourado com pernas vermelhas que a deixava mais alta do que já é. As economias dela estavam mais altas do que pensei. Bubbles escolheu um vestido nem muito logo, nem muito curto, nele tinha alguns babados e uma fita azul-escuro na cintura, fazia ela ficar ainda mais magra e com os peitos ainda mais volumosos. A loira também escolheu um salto alto prata com umas flores azuis. Eu acabei escolhendo um bem simples, mas não era feio, era liso com mangas, as costas eram nuas e suas bordas tinham um tom esverdeado. Eu nunca gostei de salto alto, incomoda pra caramba e fode o meu pé todo, então escolhi uma sapatilha com algumas lantejoulas verdes.

No fim, foi pior do que eu pensava, mas pelo menos elas não escolheram uma roupa por mim, com certeza escolheriam algo que eu não gosto.

Era hora de voltar para casa. Agradecemos o atendimento e voltamos voando para casa, entrando de fininho, ainda para não acordarmos o casal.

Bubbles se espreguiça, seguindo de um suspiro suave.

– Ngh... Nada como comprar vestidos logo de manhã! – Diz ela entusiasmada, pude ver seu sorriso estampado no rosto. – Me sinto renovada...

– Você tem um conceito de felicidade muito estranho. – Comento.

Ela parece não dar muita atenção para a minha observação, pega as sacolas com as roupas e vai até o quarto.

– E qual é o seu conceito de felicidade, mocinha? – Blossom se intromete na conversa, sentando no sofá da sala ao meu lado.

– Hum... Não sei. – Começo a ficar pensativa, me jogo em direção ao sofá, deitando logo em seguida. Blossom se afasta um pouco, fazendo uma cara de desgosto por ter mais espaço do que ela no sofá. Limito minha resposta no primeiro sinal de felicidade que pensei. – Acho que comer.

Ela solta um risinho, pegando logo em seguida o controle remoto em cima do móvel ao lado do sofá para ver o que estava passando na TV.

– Você não tem jeito mesmo. – Ela vai mudando os canais, logo percebendo que não havia nada de bom passando. Deixa no noticiário mesmo. Num ataque repentino, a ruiva me abraça e me dá um beijo carinhoso na testa. Comecei a me questionar o motivo daquilo tudo. – Mas se quer saber... Eu não ligo. Você é a minha irmãzinha, e gosto de você assim mesmo.

– Mas que tocante, já posso sentir lágrimas em meus olhos.

– Boba.

Nós duas rimos.

– Porque isso de repente? – Pergunto, curiosa.

– Sei lá. – Responde, indiferente. – Só senti vontade de te abraçar. Deve ser coisa de irmã mesmo.

– Pois é... Tava sentido saudade de seus abraços, de qualquer jeito.

– Awn, até que você é gentil quando quer.

– Cala a boca.

E começamos a rir. Não sei ao certo como aquilo se tornou um momento meloso, mas de qualquer maneira, eu gostei. Blossom faz uma cara estranha, parecia estar tomando coragem para dizer algo. Respira fundo e tenta agir naturalmente.

– Então... – Começa, na tentativa de manter a conversa. – Como... Como vai o seu namorado?

Estranho sua pergunta. Quê? Ela está perguntando sobre o Butch? Pensei que fosse um tabu pra ela. Também tento agir normalmente, desviando meu olhar para a televisão.

– Vai bem sim. – Respondo. – Ele está viajando, por isso ele não apareceu mais.

– Oh, então é isso! – Exclama para si mesma. – Eu já estava achando que vocês tinham terminado.

Solto um breve suspiro, um tanto decepcionada.

– Eu sei que esse é o seu sonho, mas sinto muito, ainda estamos juntos.

– Ei! Eu não falei nada disso! – Defende-se, jogando uma almofada em mim. – Só... Só percebi que você esteve meio triste, então... – Ela dá uma breve pausa, olho diretamente em seus olhos rosados e percebo que ela estava mesmo preocupada. Suspira mais uma vez. – Desculpa... Eu só queria ajudar.

– Tudo bem. E sou eu quem devo lhe pedir desculpas. – Volto a olhar para a TV, evitando olhar em seus olhos preocupados novamente. – Eu... Não tenho sido muito justa com você. Eu sei que você só quer meu bem.

– Que bom que você sabe... Mas sou eu quem estou sendo injusta. Eu-

– Blossom. – A interrompo, impedindo que terminasse de falar. Volto a olhar em sua direção com um sorriso sereno no rosto. – Está tudo bem, não precisa ficar se desculpando. E além disso... Eu não estou nem um pouco afim de ter essa conversa numa manhã de sábado.

Ela ri, concordando.

– Pois é. Confesso que eu também não.

– Então está tudo resolvido. – Decreto, pondo um fim naquele assunto. Ainda querendo conversar, pergunto a primeira coisa que vem na minha cabeça. – Então... Como vai o Harold?

– Bem. – Responde. – Tudo normal, como sempre.

– Vocês são um casal muito sem graça. – Brinco com a intenção de provoca-la, com sucesso. – Sério que vocês fazem as mesmas coisas o tempo todo?

– E qual o problema? O namorado é meu, e estou muito feliz com ele, tá?!

Rio ao vê-la se exaltando.

– Calma aí, fera. Eu só tava brincando.

E então conversamos mais um pouco, não me lembrava da ultima vez que fizemos isso, mas no fundo, percebi que estava morrendo de saudades de conversar com ela. Blossom é a pessoa perfeita pra se conversar, ela te entende como ninguém, e mesmo que seja chato ela te criticar, você logo entende que ela só quer o seu bem. Tenho sorte em ter uma irmã como ela.

Tudo estava calmo naquele momento, pelo menos até uma notícia chegar aos nossos ouvidos e nos fazer perder completamente a concentração.

“- Hoje, na prisão municipal da cidade de Townsville, foram liberados o grupo de bandidos comandado por Ace D. Copular. Este grupo, mais conhecido por Gangue Gangrena tiveram sua fiança paga nesta manhã de sábado, e agora estão a solta como qualquer cidadão comum...”

Ouvimos esta notícia passar no jornal da TV, nós duas arregalamos os olhos, surpresas e sem acreditar com a notícia.

– Como é?! Soltos?? – Blossom exclama, com um tom de voz mais alto que o necessário. – Como puderam soltá-los?!? Quando finalmente são presos, soltam eles?? Mas que absurdo!!

Enquanto a ruiva se limitava em xingar a própria TV, eu nada disse, enevoei em meus pensamentos e conflitos. Os Gangrena? Soltos? Mas eles mesmos se entregaram! Com a quantidade de crimes que eles fizeram, deveriam ficar lá no mínimo uns cinco anos! Quem pagou a fiança? Eles não tem dinheiro! Mas que diabos está acontecendo??

Todas as más lembranças voltam a me atordoar. Quando eu finalmente achava que estava livre dele, ele decide voltar... Ainda não posso acreditar nisso. Tenho que ver com meus próprios olhos.

“- Quem pagou sua fiança não quis deixar documento. Contudo, as autoridades ficarão de olhos abertos caso o grupo cause problemas para a cidade...”

POV Ace

Livre... Eu realmente estou livre? Em milhões de anos, eu nunca imaginaria que fosse solto em menos de um ano. Os guardas disseram que dois caras pagaram a fiança, e pra ser sincero, não tenho a menor ideia de quem sejam.

Sempre pensei que todo mundo me odiasse, só um maluco tiraria a mim e meus companheiros da cadeia.

Fiquei bastante curioso a respeito de nosso “libertador”, digo, todos nós ficamos. Os rapazes não calaram as bocas desde que saímos daquela cela. Não somos muito inteligentes para descobrirmos o que estava acontecendo, então decidimos fazer o que sempre fazemos quando não chegamos a nenhuma conclusão: Deixamos de lado.

Simplesmente pegamos nossas coisas, mandamos todos tomarem no cu, e partimos para a liberdade. Como era bom o ar puro. Longe daquele lugar podre e fedido, onde você é observado até quando vai ao banheiro, a comida é terrível, e alguns caras tentam se enroscar em você.

Por vários momentos durante esses dois meses me perguntei onde eu estava com a cabeça quando me entreguei à polícia. Era difícil responder algo que não me lembrasse a Buttercup. Ela era o motivo. Na verdade, ela tem sido o motivo de muitas coisas que veem acontecendo comigo. E por mais que essas coisas só fodam ainda mais comigo, não consigo conter, muito menos compreender, o meu desejo de mantê-la longe daquele playboy.

Para ser bem sincero, quero mantê-la longe de todos aqueles marmanjos. Eu sei o que eles estão aprontando, coisa boa não é. De fato, é uma ideia genial, mas ela com certeza sairá ferida no fim disso tudo.

Mas o que mais me dói é perceber que ela se sente ainda pior quando me olha.

Eu fiz muita merda com ela. Muita mesmo. Nunca esperei um sentimento assim vindo de mim. Não é fácil de explicar, nunca senti isso por ninguém. É estranho querer protege-la, querer tê-la perto de mim e não deixar que a façam mal. O pior de tudo é aquele aperto que sinto quando lembro de quando a fiz chorar.

Eu poderia ter evitado tudo... Mas sou um idiota filho da puta. Eu não quero que ela se afaste do Desordeiro pra ficar comigo, eu só não quero que ela chore por outro cara novamente.

Quero que seu sentimento seja retribuído por alguém que vale a pena.

– Ahm... Chefe? – Ouço a voz do pequeno Arthuro, chamando a minha atenção. – Tá tudo bem? Você tá com uma cara péssima pra quem acabou de sair da prisão.

Eu não tinha percebido. Minhas sobrancelhas estavam juntas, minha boca estava meio torta e meus olhos cabisbaixos. Geralmente é essa expressão que eu faço quando estou pensando em algo que não me agrada.

No caso, eu estava lembrando das lágrimas que escorreram pelo rosto da morena há dois anos atrás.

– Você essstá pensssando nela de novo, não é chefe? – Pergunta Snake, colocando a mão em meu ombro. Olho para todos os quatro, estavam preocupados comigo. Eu sabia que sempre podia contar com aqueles idiotas, e por mais que eu tentasse evitar, aquilo me deixava feliz. De certa forma, eles me entendem como ninguém. – Sssabe, garotasss não sessão tudo. Você essstá pensssando demaisss nisso, digo, nela. Quero dizer... Bom, você a traiu, e... Não, pera... B-Bom, olhando pelo outro lado... Erm... Ela nem é tão-

Antes que Snake pudesse terminar, Big Billy lhe dá um cascudo na cabeça, formando um galo gigantesco.

– Cala a boca, Snake! Não vê que o chefe tá deprimido por causa disso?! – Ele reclama. Wow, ele ficou mais esperto depois de dois meses na prisão?

– Snake, você é péssimo para consolo. – Arthuro reclama, desviando seu olhar para mim com uma expressão confortadora. Aos poucos, vendo aqueles caras tentando, mesmo que das maneiras mais estupidas, me consolar, fazia um sorriso involuntário crescer em meu rosto. – Olha chefe, o que a gente quer dizer é que-

– Já chega, rapazes. – Implico, ordenando que parem. – Não estão ajudando em nada.

– D-Desculpe! – Todos pedem desculpa em coro, me fazendo soltar um risinho.

Estávamos quase chegando em casa, mais alguns quarteirões e finalmente estaríamos no lar doce lar. Caminhamos até a grade que limitava a cidade do lixão, aos poucos podíamos sentir o doce aroma de todo aquele lixo. Como é bom o cheiro de lixo pela manhã.

Pulamos a cerca gigante, chutamos alguns lixos em nossa frente, e antes que a gente imaginasse já estávamos em casa. Um sorriso se abriu em nossos rostos e um certo brilho pousou em nossos olhos ao nos reencontrarmos com a nossa humilde casinha reconstruída após o incêndio que alguns malandros causaram. Ao longe, podíamos ouvir o canto dos anjos ao ficarmos de frente ao nosso precioso lar.

– Casa... Enfim em casa! – Exclama Big Billy, assim que começamos a correr para a porta.

– Nada como essstar em casa! – Diz Snake enquanto Grubber cuspia, sinal de que ele estava dizendo alguma coisa. Nunca entendemos o que Grubber fala, mas isso não vem ao caso. – Mau possso esssperar para deitar na minha cama! Minha cama! Sssomente minha!

Entramos na casa todos de uma vez, sentindo um alívio inexplicável. Mas apesar de toda aquela alegria, ainda sentíamos um pressentimento estranho. Como se alguém estivesse ali conosco.

– Eu sabia que correriam pra cá assim que saíssem daquele lugar. – Diz uma voz vinda diretamente do sofá. Sim, nos deu um susto do cacete. Viramos em direção ao sofá, onde estava o rapaz de cabelos dourados e olhos azuis intensos, sorrindo normalmente. O susto de vê-lo ali fora tão grande que tivemos de conter um grito. – Qual é a dessa reação?

Ele pergunta de maneira tão indiferente que era de se estranhar, afinal, era muito claro o motivo de nossa reação. Volto para meu foco, olhando-o com uma expressão furiosa.

– Cacete, você me assustou!! – Reclamo, quase gritando. Ele ri. Já era de se esperar uma coisa assim vinda de Boomer. Tudo nele era completamente imprevisível, tanto é que nos tornamos amigos. Até hoje tento entender como a nossa amizade nasceu, acho que eu tava muito bêbado na hora, mas isso não importava no momento. – Porque você está aqui?? Digo... Como sabia que estaríamos aqui?? – Pergunto, muito curioso. Ele faz um sorriso que me faz entender tudo. Ele... Não pode ser... – Boomer... Você... Por acaso...?

– Paguei a fiança de vocês? – Ele completa, eu assinto. O mesmo sorriso permanece em seu rosto, ele se espreguiça, esticando-se ainda mais no sofá rasgado e empoeirado. Olhando bem naqueles olhos, pude ter certeza de que minha teoria estava certa. – Bom... Não fui eu, exatamente. – Ele faz uma pausa para bocejar, quando termina, volta para a mesma expressão de antes. – Foi o Brick.

– Brick? – Estranho, mas ele assente, me deixando confuso. – Aquele ruivo maluco?

– Esse mesmo.

– Mas mau o conhecemos! – Comenta Arthuro, se intrometendo. Logo percebe que falou alto demais e fica cabisbaixo. – D-Desculpem...

– Não tem problema, Arthuro. Você tem razão. – Digo, cruzando os braços para o loiro. – O que ele quer com a gente? Fique sabendo que não vamos ficar devendo nada.

– Esse é o outro motivo de eu estar aqui. – O loiro se levanta do sofá, aproximando-se aos poucos de nós.

Chegava a ser assustador a maneira que ele estava calmo, sorrindo daquele jeito, não dizendo nada. Mantendo uma distância razoável, finalmente abre a boca.

– Algo grande está vindo.

... Hãn?...

Pude sentir meu corpo inteiro arrepiar, uma gota de suor descer pelo meu rosto, e meus pés ficarem bambos. A maneira que ele disse aquilo fora realmente tensa, dava para sentir o ar de medo e curiosidade de todos ali presentes, exceto Boomer.

Engulo seco, focando melhor as ideias.

– O quê... – Começo, ainda suando um pouco. O seu olhar era amedrontador, o que me desconcentrava mais ainda. – O quê... O quê quer dizer com...?

Nem sou capaz de termina a frase, me concentrando nos músculos da perna, que pareciam perder o controle cada vez mais. Era como se eu já me enxergasse caindo na porra do chão. Boomer se aproximou um pouco mais, colocando a mão em meu ombro, olhando-me com um olhar profundo. Sorriu mais uma vez.

– Eu já lhe disse, Ace. – Diz de maneira misteriosa. Quer dizer, não houve um momento em que ele não foi misterioso. – Já lhe contei tudo. Vai me dizer que não se lembra?

– Do que... Está falando?

– Não banque o burro. Parece que foi ontem que eu lhe contei o que realmente está acontecendo entre Butch e a verdinha. – Ao ouvi-lo dizer isso, meu corpo fica estático, meus olhos se arregalam, a breve memória daquela noite em Boomer estava completamente bêbado volta a me perturbar.

Foi nessa noite em que o desejo que proteger a Buttercup mostrou-se vivo, e nessa mesma noite que senti vontade de socar o rosto de um cara que estava prestes a fazer a mesma coisa que eu fiz. Magoá-la. Provavelmente um dos maiores erros da minha vida.

Dessa vez, Buttercup será atingida com tanta força, e de maneira tão profunda, que nem sei ao certo o como ela reagiria.

Naquele instante, as recordações embaçadas ficaram bem focadas em minha mente, dando a visão perfeita de quando Boomer me disse todas aquelas coisas.

– FLASH BACK ON –

A noite fria estava calma, alegre e de muita comemoração. Os EUA venceram o torneio mundial de Hockey mais uma vez, e só uma coisa seria perfeita para aumentar ainda mais essa alegria: Pinga.

Eu já havia bebido um copo inteiro, mas ainda conseguia manter minha sanidade. Sabe como é, sou muito forte com bebidas. Já os caras do mau lado, bastava um gole que já começavam a chamar Jesus de Jenésio. Os idiotas da minha gangue estavam pulando e dançando pela sala da casa, gritando o nome do nosso país pela janela, fazendo o que sempre fazem: Agindo como idiotas.

Francamente, será que nem na frente das visitas eles sabem se comportar? E o pior de tudo era ver que a visita já estava no mesmo estado que eles, falando coisas sem sentido, agindo como um idiota. O loiro estava do meu lado, colocando a mão em meu ombro enquanto se segurava para não vomitar em nossos pés.

Lhe dei um tapa nas costas, fazendo-o manter a postura.

– Eu esperava mais de você, Desordeiro. – Digo, zombando de sua cara. – Ao que posso ver, você é bem fraco pra beber.

– Ah Ace, Cal- *Hink* (soluço) – Cala a boca! Eu so- *Hink*– sou a melhor pessoa do mundo pra beber.

– Tô vendo.

Ele começa a analisar meu braço de uma maneira estranha, estava rindo um pouco, o que me deixou perturbado.

– Qual é a graça? – Pergunto.

– Sua pele é verde. – Ele responde um sorriso bobo no rosto.

Eu tive de me segurar para não soca-lo no rosto.

– Vai se foder, Boomer.

– Isso me faz lembrar... *Hink*... O meu irmão...

– O que tem o seu irmão?

– Ele adora verde. – Começa a rir como se tivesse dito a coisa mais engraçada do universo. Nem sequer fora uma piada. Porra, ele vai ter uma ressaca bem foda amanhã. – A propósito, eu- *Hink*– eu nem te contei. O meu irmão tá pegando a Super-Poderosa verdinha. Que bosta, né?

Naquele exato momento pude interpretar que ele estava falando da Buttercup. Ele já havia me dito isso umas mil vezes, o que estranhamente me irritava bastante. Nunca entendi muito bem o porque. O olhei indiferente, tomando mais um gole do copo e cruzando os braços em seguida.

– Eu sei. Você já me disse. – Respondo um tanto irritado, bebendo mais um gole. – Agora me responde: O que eu tenho a ver com isso?

*Hink*–Nada. – Responde com mais um soluço. Engole o resto de bebida que tinha em seu copo, enchendo-o com a garrafa de pinga logo ao lado. Um sorriso estranho brota em seu rosto, e olha para mim. – Só achei que você gostaria de saber um segredo...

Agora ele conseguira atingir meu ponto fraco: Curiosidade. Eu sabia muito bem que ele estava bêbado, mas simplesmente não consigo resistir à tentação. Segredos? Eu sabia quase todos que existem no mundo. Mesmo que seja só um papo de bêbado, não descansaria até descobrir do que o loiro estava falando.

– Que segredo? – Pergunto, fazendo a expressão mais impaciente do mundo.

Ele me observa atentamente e logo percebe que eu estava louco para saber de que segredo ele estava falando. Afasta um pouco o copo de si, se virando completamente para mim, ainda com aquele sorriso estranho no rosto.

– Você quer mesmo saber? – Pergunta, eu assinto sem hesitar. Ele ri. – Tudo bem. Mas tem que prometer que não irá contar a ninguém.

– Ok. – Na verdade eu iria contar pra primeira pessoa que eu visse amanhã, quero dizer, se esse segredo realmente valer a pena.

O loiro se espreguiça, soltando um suspiro. Se aproxima um pouco mais de mim, ainda daquele jeito tonto de bêbado e o bafo cheirando a pinga, me dava vontade de vomitar. Abaixa um pouco seu tom de voz, garantindo que eu fosse o único a escutar.

Espero que isso seja bom.

– Primeiro... O meu irmão não está com ela por opção. – Ele começa, aquela primeira afirmação já me deixou um tanto mais curioso. – Na verdade, tudo começou uns dias antes de voltarmos para Townsville... Não, pera, foram semanas... Ou meses?...

– Isso não importa, Boomer! – O apresso.

– Tá bom, tá bom. – Ele volta ao que interessa. – Bom... Ele estava em dívida com Brick por alguns motivos, mas ele não tinha como pagar. Nessas ocasiões, o Brick sempre usa a tática na qual ele é o melhor: Chantagem. – Ele faz uma pausa logo quando aquilo estava ficando interessante. Eu já iria reclamar, mas ele deu fim a sua pausa antes disso. – Ele fez o Butch fazer uma aposta com ele, no início ele aceitou de boa, mas assim que o Brick disse o que ele tinha que fazer, logo recuou.

Uma... Uma aposta?? Pera... Não me diga que ele...

– O... O que ele tinha que fazer? – Pergunto, muito curioso.

– Bom... Ele tinha que se aproximar de uma das Super-Poderosas e fazê-la sofrer por causa dele. Nisso inclui: Fingir que está apaixonado por ela, beijá-la, abraça-la, e, é claro, transar com ela. – Quando o loiro termina de falar, meus olhos se arregalam, meu corpo se arrepia a sinto meu coração para de funcionar por um instante. Seguro o copo de bebida com tanta força que quase o quebrei. Eu realmente não esperava algo tão cruel. Que tipo de pessoa faz isso com alguém?? Isso é doentio! – Bom, eu disse a ele que se ele tentasse com a azulzinha seria mais fácil, pois ela nunca foi muito... Bom... “Astuta”. Mas ele abocanhou a verdinha na primeira oportunidade. Eu não sei bem porque ele escolheu justo a mais difícil... Não me lembro muito bem, principalmente porque eu tô bêbado, mas algo envolve a uma viagem que ele fez pra Las Vegas alguns dias antes dessa aposta, inclusive, ele foi pra lá justamente pra conseguir pagar o Brick, mas não conseguiu porra nenhuma. Não sei o que aconteceu lá, mas parece que os dois já tinham se encontrado antes, e... Ah, sei lá. Só sei que esse é o motivo dele ter se aproximado dela.

Fico em silêncio, sem coragem para responder nada. Eu estava em choque, sem acreditar no como aqueles caras poderiam ser sangue frio. A Buttercup poderia ser o que fosse, mas ela não deixava de ser humana... Ninguém merecia passar por algo desse tipo.

Meu choque foi se transformando em ódio de repente, comecei a sentir uma raiva que nunca experimentei sentir. Até eu mesmo estava estranhando aquele sentimento. Naquele instante, eu realmente desejei que aquele segredo fosse realmente um papo de bêbado.

Mas o que é isso? Eu deveria estar assim?

– E não acaba por aí. – Boomer continua a falar, chamando a minha atenção novamente.

– O que? Ainda tem mais?

– Aham. E esse- *Hink*– esse segredo é que você não pode contar pra ninguém mesmo, ouviu?! – Assinto rapidamente, e ele continua. – Bom... O meu outro irmão, o Brick, percebeu que a verdinha estava mesmo caindo na palma da mão dele, então ele está começando a planejar em algo para se aproveitar da situação. – Mais uma vez começo a suar e a engolir seco, tudo estava se tornando cada vez mais tenso. – Ele não quer mais que apenas uma delas sofra... Ele disse que esta é a oportunidade perfeita para, não apenas nós, mas todos aqueles que foram humilhados pelas Super-Poderosas se vingarem por tudo que elas já nos causaram. Pelo que eu percebi, Brick tem apenas uma intenção em mente...

Ele fez a maior pausa que poderia fazer. Meu corpo se estremece e meus ouvidos estavam implorando para que ele continuasse. Ao mesmo tempo que eu queria ouvir, tinha medo. Pois é, eu estava com medo do que estava prestes a ouvir.

Afinal, esses caras são uns monstros.

– Que intensão?...

Ele sorri com minha pergunta. Apoia o braço na mesa, pegando o copo novamente e bebendo outro gole. Ele parecia mesmo querer provocar um suspense.

Solta um suspiro meio arfado, junto com a última gota de suor que desceu por meu rosto.

– O maior desejo de Brick no momento é... Matar as Super-Poderosas.

– FLASH BACK OFF –

Aquelas palavras nunca sairiam da minha cabeça. Após aquela noite, perguntei ao Boomer se ele estava realmente falando a verdade. Quando ele concordou, um tanto envergonhado pela atitude nojenta dos irmãos, passei a enviar mensagens insanamente de maneira anônima para que ela não as ignorasse ao ler meu nome. Apenas eu poderia alertá-la, mas de que adiantaria se ela não confia em mim?

Não sei o que deu em mim logo depois de saber a verdade, mas não poderia deixa-la passar por tudo aquilo. E mesmo que ela achasse tudo muito estranho, ou que nem me desse ouvidos, eu jamais me perdoaria se nunca tivesse avisado.

Foi nesse período que eu percebi o quanto ela importava pra mim.

Boomer dá um último sorriso, caminha até a porta dando as costas para mim e o resto da gangue. Mas antes, deu seus últimos avisos.

– Nós nos reuniremos com vocês o quanto antes, Brick adoraria que vocês fizessem parte do plano. Precisamos acabar com isso de uma vez antes que o Butch estrague tudo.

Estranho sua ultima fala, juntando as sobrancelhas.

– Porque o Butch estragaria tudo?

O loiro faz uma pausa, de longe, posso ouvir seu suspiro.

– Bom... Aparentemente, ele se apaixonou mesmo pela Buttercup. – Meus olhos se arregalam naquele mesmo instante. Não... Não pode ser verdade... – Fez o Brick prometer que não a machucaria, e tem agido muito estranho desde que eles começaram a namorar pra valer. Brick está desconfiando que ele irá nos trair. Eu não duvido nada.

– Se ele realmente gosta dela, então porque não põe um fim nisso tudo?! – As palavras saem da minha boca antes que eu pensasse. Quando me dei conta, já estava quase gritando para o loiro. – Ele quer protege-la, certo? Então porque não põe um fim nesse plano maquiavélico e a deixa livre?!

Boomer faz uma pequena pausa, volta o olhar para nós novamente com uma expressão um tanto séria, fazendo-me arrepiar.

– Se ele fizer isso... – Olha profundamente em meus olhos, deixando claro de que realmente estava sendo sério. – Brick jurou matar os dois.

Nós cinco ficamos boquiabertos, sem acreditar. Eu muito menos.

– Mas... Mas ele é seu irmão...

– E daí? – Pergunta, indiferente. – Isso não importa pro Brick. E não o subestime. O Butch e a Buttercup podem ser fortes, mas Brick tem a força de um demônio. Principalmente agora, que voltamos a treinar com o nosso pai.

Ele abre a porta, saindo da casa logo em seguida. Acena para nós, ainda com uma expressão meio séria.

– Nos veremos logo. – Ele faz uma pausa antes de fechar a porta, como se tivesse se esquecido de alguma coisa. – Ah, sim... Vou te perguntar uma última coisa, Ace.

Volto a ficar curioso, cruzo os braços e suspiro.

– O quê?

– Já ouviu falar do Elemento X?

... O que?

Estranho sua pergunta. Ela não era das mais normais, e com certeza havia algo por traz daquilo.

– É claro que já. – Respondo. – Todo mundo sabe que é por causa dele que as Super-Poderosas são... “Super”. Mas... Porque a pergunta

O loiro dá um sorriso de canto meio assustador, volta a caminhar para fora da casa, fechando a porta.

– Logo você saberá.

E vai embora, deixando para trás cinco caras completamente surpresos e sem acreditar no que acabaram de ouvir. Era impressionante a crueldade que poderia haver dentro dos Desordeiros, isso eu venho aprendendo aos poucos.

Quando o assunto é Brick, me dá até arrepios. Os relatos de Boomer sobre ele era de fazer qualquer crianças ter pesadelos à noite, e o que mais me assusta é vê-lo falar do irmão perverso de uma maneira tão calma. Ele cresceu ao lado daquele monstro, portanto, já deve ter se acostumado.

Mas o que mais me surpreendeu, de longe, foi ouvi-lo dizer que Butch estava realmente apaixonado pela Buttercup. Não sei se meu ódio por ele foi o que me proibiu de acreditar, mas não consigo imaginá-lo tendo um sentimento assim.

Talvez fosse meu ciúme, mais uma vez.

Mas no fundo eu tinha certeza de uma coisa: Eu e ele estávamos no mesmo barco. Sim... Somos mais parecidos do que pensava.

Snake tenta chamar a minha atenção, mas antes que eu desse ouvidos, escuto o som de alguém batendo na porta. Deveria ser o Boomer novamente. Caminho até ela e a abro rapidamente, sem prestar atenção direito para quem estava lá fora.

– O que foi agora, Boomer? – Pergunto.

– Boomer? – Uma voz feminina perguntou logo em seguida.

Sou forçado a olhar para baixo, me dando conta de que quem estava em minha frente era mais baixo do que eu. Meus olhos se arregalam, meu coração bate mais forte, e meus sentidos se agitam ao ver a morena de olhos verdes logo em minha frente.

Confesso que me assustei ao vê-la tão de repente. Nunca imaginei que receberia uma visita... Dela!

M-Mas o que ela faz aqui?!?

– Bu-Bu-Buttercup?? – Começo a gaguejar sem querer.

Os rapazes se aproximam um pouco e ficam surpresos ao vê-la.

– Nossa, estamos recebendo muitas visitas hoje. – Comenta Big Billy com a voz mais idiota que ele poderia transmitir.

Olho para eles com uma expressão brava, aquela que ordenava que eles saíssem dali e me deixassem a sós com ela. Eles logo perceberam e saíram da sala, e eu ainda estava nervoso e sem a mínima ideia do que falar.

Pois é, essa visita foi inesperada.

– Não... N-Não quer entrar? – Pergunto, mais educado do que eu imaginava.

A morena bufa, mostrando-se nem um pouco interessada no meu convite.

– Não, obrigada. – Responde. Desanimo um pouco com sua resposta. Ela estava com aquela mesma expressão irritada e impaciente, a que sempre faz pra mostrar que me detestava. Suspiro. – Só queria checar se você estava solto mesmo. Adeus.

Da as costas para mim, indo embora. Sem entender muito bem o motivo dela ir tão cedo, seguro seu braço num movimento involuntário de meu corpo.

– E-Espere! – Quando me dou conta que a interrompi, ela já estava completamente irritada, querendo me dar um soco no rosto, mas a solto antes disso. Puta vida! Tenho que tomar mais cuidado com as minhas ações! – E-Eu... Err...

– Ace, eu não tenho tempo, nem paciência pra te ouvir gaguejar. – Da as costas mais uma vez, porém fica parada, me deixando confuso. – A propósito...

Ela volta a falar de repente, sinto uma gota de suor escorrer por meu rosto e minha voz falhar. Dei a ela a oportunidade de falar sem ser interrompida. Merda... Basta ela estar perto que eu fico fresco desse jeito.

Ela se vira para mim, me olhando nos olhos, coisa que não fazia há muito tempo. E sim, eu realmente gostava da sensação de ter aqueles grandes olhos verdes vidrados nos meus. Porém ela estava séria, como sempre. Deixava transparecer toda a sua raiva.

– Butch me contará tudo o que está acontecendo. – Suas palavras me surpreendem. Nossa, então ele realmente vai trair os irmãos? Ou será que ele está mentindo? Ela suspira, cabisbaixa. – Dependendo do que ele disser... Volto para conversarmos.

E se vira de costas mais uma vez, só que voa pelos céus, indo embora sem dar um outro adeus. Fico estático, observando a faísca de rastro verde que ela sempre deixa para trás ao voar. Pensativo e sem saída, me limito apenas em pensar nela. Pensar nela era o que eu fazia de melhor.

E mesmo assim, sou interrompido. Arthuro se aproxima de mim e me cutuca, chamando a atenção. Olho para baixo para encará-lo nos olhos. Ele parecia um tanto preocupado.

– Chefe...

– O que foi? – Pergunto, um tanto impaciente.

– Nós... Nós vamos mesmo entrar no plano dos Desordeiros?

Um sorriso de canto involuntário brota em meu rosto, volto a olhar para o céu azul, pensando nas coisas que estavam por vir. Não me preocupava muito. Eu já havia decidido o que eu iria fazer.

– É claro que não, Arthurzinho. – Respondo, ainda com o sorriso maldoso no rosto e as sobrancelhas juntas. – Não vou deixar que encostem um dedo na Buttercup.

POV Butch

Ainda no inferno, treinando até não poder mais, finalmente consegui uma pausa para descansar. ELE era muito rigoroso quanto a seus treinamentos, como Brick sempre babou os pés dele, acabava por ter mais treino, e sempre esteve a um passo a frente de nós.

O ruivo, obviamente, estava treinando, não parava de lutar por um só minuto. Queria garantir que aquele plano maldito ocorresse como planejado. O loiro saiu para resolver uma coisa, não me disse o que era, e também não me importo. E eu... Bem, eu estava usufruindo de meu tempo livre pra uma só coisa: Buttercup.

Ela era a única coisa que me prendia no mundo lá de cima. Mesmo que meu lugar seja aqui, neste inferno.

Tiro meu telefone do bolso para ligar para ela, mas antes que eu o fizesse, percebo que há uma mensagem não lida. Era dela.

Buttercup: Termina logo a porra dessa viagem e vem logo pra cá! Tô com saudade!

Eu rio ao ler. Ela era tão cabeça-dura antes, e agora nem se importa mais em dizer que sente saudade... Pois é, aos poucos estou aprendendo que as coisas podem mudar pra valer.

Respondo-a na mesma hora.

Butch: Falta pouco, marrentinha. Daqui a alguns dias já estaremos de volta.

Não tive que esperar nem um minuto, e ela já havia respondido. Começamos a conversar por mensagem mesmo.

Buttercup: É bom mesmo! Se estiver mentindo, eu vou até aí acertar a sua cara!

Começo a rir mais ainda. Antes que eu pudesse responder, ela me envia mais uma mensagem.

Buttercup: O casamento dos meus pais será daqui a três semanas... Por favor, esteja aqui antes disso. Eu quero que meu namorado esteja aqui pra me ver acompanhar a Srta. Bellum na porra do altar.

Butch: Você está muito engraçadinha pro meu gosto. Pode deixar que vou estar aí pro casamento.

Ela estava respondendo na velocidade de um foguete. Se eu não a conhecesse, diria que passou o dia inteiro grudada no telefone, esperando que eu a respondesse.

Buttercup: É bom mesmo, seu putinho!

Começamos a conversar diversas coisas, diversos assuntos, e o tempo foi passando mais rápido que o previsto. Quando eu estava com ela, era como se tudo ficasse mais simples, mais fácil, e muito, muito melhor do que a realidade de merda que eu vivo.

Ela era demais para eu merecê-la.

E mesmo que ela acabe me odiando, não vou desistir de protege-la.

– Butch! – Ouço a voz do ruivo me chamar. Ele estava sem camisa, com apenas uma toalha em volta do pescoço. Usava uma bermuda surrada, botas e, por incrível que pareça, sem seu boné, hoje ele decidiu prender seu cabelo de mulher com um elástico. – O ELE tá te chamando! Vai lá!

– Tô indo!

Envio mais uma mensagem para ela. Era uma merda ter que se despedir, mas era melhor ir caso eu não quisesse que ELE arrancasse minha cabeça fora.

Butch: Bc, eu tenho que ir agora. Mais tarde nós conversamos, ok?

Ela não demora para responder, em poucos segundos, meu celular vibrou.

Buttercup: Ok.

Aquele “Ok” representava sua insatisfação.

Suspiro e me levanto, espreguiço meu corpo e ponho o telefone no bolso. Antes que eu pudesse dar o terceiro passo, meu celular vibra outra vez, anunciando a chegada de uma outra mensagem. Leio algo a qual já estava precisando ouvir a muito tempo.

As palavras que me davam força e me faziam ter certeza do que eu realmente queria.

Buttercup: Te amo.

Eu a respondo sem pensar duas vezes, jamais a deixaria sem uma resposta novamente.

Depois de ficar o dia inteiro pensando em coisas que não me orgulho lembrar, ainda procuro lembrar do meu propósito. Não sou como Brick, ou o que todos pensam que sou. Vou mostrar pra todos que eu posso fazer alguma coisa que vale a pena. Ela é meu motivo pra querer mudar, e lutar pelo que eu acredito.

Ela me fez ter sonhos, ver o mundo com outros olhos e descobrir o quão magnífico é a vida. Ela me fez descobrir quem sou, e ter coragem para lutar por quem devo ser. Ela me fez perceber que o mundo não gira em torno da glória, poder ou trapaças. Ela me fez perceber que o mundo é movido por vitórias e sonhos.

Ela foi a única pessoa que pode domar o demônio que há em mim, e me fez querer ser uma pessoa boa.

Alguém como ela deve ser protegida. E mesmo que eu deixe uma grande rachadura em seu coração, não irei desistir deste propósito. Pois é ela quem gira o meu mundo.

E eu não menti em minha resposta.

Jamais mentiria para ela outra vez.

Butch: Também te amo.

Continua...

Notas finais
Ok, agora a porra ficou séria. Não sei se consegui expressar muito bem os sentimentos do Butch, mas estou orgulhosa de mim mesma pelo POV do Ace, acho que ali deixei tudo exatamente como eu queria :). Deixem suas opiniões a respeito de tudo o/. Antes de irem, vou deixar claro que ainda não revelei TUDO, algumas coisitas ainda irão acontecer (Muitas). Bom, talvez o próximo capítulo seja meio curto (TALVEZ), pois estou pensando em fazer dois capítulos extras. Logo saberão do que se trata, e acho que muitos vão gostar hehehe. É isso minna, até o capítulo 26 o/ Kissus ♥