Playing With Fire

6 Bancando a babá


Notas iniciais
Yoo Minna o/
GOMENNASAIIII!! Eu demorei muuuuito mesmo, peço perdão por deixar esperando. EM compensação deixei um cap bem grande pra vcs :D No final das contas eu fui muito bem nos testes :') Que Goku seja louvado o/
Bem, devem ter percebido que eu mudei de nome. Agora eu sou Mokocchi meus amores ( ´3`)/♥
Quero agradecer a todos que estão lendo a fic, de verdade, amo muito vcs sus lindos. A cada review eu me emociono *--*
Bem, sem mais delongas. Boa leitura!!
VCS QUEREM BEIJOOO??

Sábado... Até que enfim, sábado. Depois de uma semana repleta de pensamentos estranhos, lembranças desagradáveis e inúmeras dúvidas circulando por minha cabeça, finalmente eu poderia simplesmente ficar na cama o dia inteiro dormindo para ficar a sós comigo mesma. Sei o que devem estar se perguntando. “Buttercup, e o que você decidiu sobre a proposta do Butch?” Querem a resposta? Então lá vai: Eu não decidi nada.

Pois é, mesmo depois de três dias eu ainda não consegui chegar numa conclusão. A questão é que não sei se posso confiar no Butch. Não sei as intenções dele e tenho medo do que ele pode fazer. Sim, pela primeira vez estou com medo de enfrentar algo, de me arriscar e até mesmo de qual será a opinião das minhas irmãs se descobrirem que estou me envolvendo com um Desordeiro. Ou pior, souberem que eu estou gostando de me envolver com esse cara. Eu já havia encarado os fatos, eu realmente gostei da presença de Butch naquele dia, e a forma que ele foi gentil comigo foi tão... Não tenho palavras.

E aqui estou eu, deitada na cama olhando para o celular há horas. Já eram duas horas da tarde e eu ainda não tive coragem de me levantar, só em pensar que eu terei de tomar banho, trocar de roupa, me pentear, e tudo isso só para me sentar no sofá e assistir televisão, já me dava preguiça. O motivo de eu estar com o celular na mão? Basicamente, depois que eu e o moreno trocamos telefone, eu nunca mais o soltei. É como se algo dentro de mim estivesse implorando por mais emoção, e que estivesse contando os segundos para receber a tão esperada ligação de Butch.

Droga, porque ele não liga?!...

O que diabos está acontecendo comigo? Tenho me perguntado isso desde que Butch reapareceu para infernizar minha vida. Às vezes tenho vontade de socar a mim mesma por causa disso tudo. Eu sempre fui do tipo de pessoa que se apega facilmente à tudo, mas eu nem quero imaginar que estou me apegando... A ELE!!

Meus pensamentos são interrompidos quando ouço alguém bater na porta, eu me sento na cama e peço para entrar. A porta se abre e vejo o Professor entrando, ele olha para mim e sorri como sempre faz.

– Vai passar o dia inteiro deitada? – Pergunta com seu sorriso gentil. – Sabe, a sua juventude está passando e você só quer saber levar a cama nas costas.

– Bem Professor, no meu ponto de vista, dormir é a melhor forma de aproveitar a vida. – Respondo. Ele se senta na cama ao meu lado.

– Suas irmãs acabaram de sair. Porque não vai atrás delas?

– Eu não. Provavelmente devem ter ido para o shopping, e eu prefiro ir ao show do Justin Bieber do que pisar lá de novo... – Penso por alguns segundos -... Não, nada é pior que o show do Justin Bieber.

– Eu sei, mas não acha que deveria dar uma chance de sair com suas irmãs?

– Desculpe Professor, mas nós três temos gostos muito diferentes. A única pessoa com quem consigo me divertir de verdade é a Amy, mas ela está viajando esse fim de semana.

– Entendi... – Ficamos em silêncio por alguns minutos, eu esfrego os olhos por causa da sujeira e suspiro. Sem querer ser chata, mas... Porque ele ainda está aqui? O Professor olha no fundo dos meus olhos e seu tom de voz fica um pouco mais sério. – Buttercup, eu posso trocar uma palavrinha com você?

– À vontade. – Ele coça a cabeça e eu fico curiosa para saber sobre do que o assunto se tratava.

– Olha... Suas irmãs me contaram que você anda meio estranha. Quero saber por quê.

Eu arregalo os olhos, surpresa com o que ele acabara de dizer. Merda! O que essas duas andaram falando? Eu reviro meu olhar dele, que não tira os olhos de mim.

– Estranha em que sentido? – Pergunto.

– Bem, disseram que você anda meio distraída, temperamental, e ás vezes até fica falando sozinha. Isso é verdade? – Olho para ele novamente, um pouco nervosa por não saber como respondê-lo. Ok, elas já perceberam meu comportamento estranho. Mas como vou arrumar uma boa desculpa? O Professor me olha um pouco preocupado. – Buttercup?

Suspiro.

– Não aconteceu nada, Professor. Eu só estou um pouco perturbada por causa da escola, mas não se preocupe, eu estou bem. – Minto. Pois é pessoal, se passar por algo parecido e não quiser contar a verdade, diga que a culpa é da escola. Ele suspira aliviado, pega na minha mão e a segura.

– Buttercup, lembre-se que você e suas irmãs são tudo pra mim. Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, é só falar comigo. – Sinto uma pequena felicidade no coração. Pois é... Tinha me esquecido do quanto eu amo meu pai. Eu sorrio para ele e seguro sua mão de volta.

– Obrigada Professor... Mas eu estou bem, é sério. – Digo. Ele suspira em resposta.

– Ufa. Ainda bem, fiquei preocupado. – Sorri para mim aliviado, agora faz uma expressão um tanto diferente. – Agora... Eu queria falar com você sobre outra coisinha.

– O que foi? – Ele começa a suar um pouco, folga a gola de sua gravata e suspira. Ih, não tenho um bom pressentimento.

– Bem, o aniversário de 18 anos de vocês está chegando e... Acho que já está na hora de termos uma conversinha sobre o órgão genital masculino.

Eu arregalo os olhos um pouco surpresa, suspiro em seguida. Ok, ele quer ter “aquela conversa”.

– Não precisa dizer mais nada, Professor. Eu já sei de tudo que você vai falar.

– Sabe? Como assim? Quem te falou? Ou então... QUEM FOI O DESGRAÇADO?!? EU VOU MATAR!!! – Diz ele alterando sua voz para um tom alto demais, não consigo me conter e acabo rindo com a situação.

– HÁ HÁ HÁ. Fica tranquilo Professor, eu sou virgem. – Ele se acalma e respira fundo. – É que na nossa escola temos um monte de aulas sobre educação sexual. Por isso tudo o que o senhor vai falar, não é nenhuma novidade para mim.

– Ai que alívio. – Suspira ele colocando a mão no peito. Põe a mão no bolso e tira algo pequeno de lá. – Abra as mãos. – Pede. Eu assinto e abro as duas mãos, ele coloca o objeto em cima delas e quase tenho um ataque do coração ao ver o que era. – Eu fui na farmácia e comprei para vocês. Use-a com cuidado, se houver um deslize... Parabéns! Você será uma mãe solteira!

Eu fico completamente vermelha, nunca imaginei receber um preservativo de um homem tão tímido como o Professor.

– Eu não acredito que você se deu o trabalho de comprar três dessas.

– Só três? É claro que não! Comprei uma caixa com mais de 50 unidades.

O que?! Mais de 50?! Ele acha o que? Que nós três vamos sair por aí transando com todo mundo como um bando de ninfomaníacas?! Solto um sorriso um pouco sarcástico.

– Eu vou saber quando ela será útil. – Ponho-a dentro do criado-mudo e fecho rapidamente, sem coragem de olhá-la por mais um segundo. – Mas já vou avisando que não vou usá-la nem tão cedo.

– É bom mesmo. Mas nunca se sabe. Os jovens da atualidade tem muita energia. — Se levanta da cama e põe a mão na minha cabeça, alisando meus cabelos. – Hoje eu vou passar o dia trabalhando no laboratório, se precisar de alguma coisa é só chamar.

– Está bem. – Respondo. Ele sai do quarto e fecha a porta.

Dou um suspiro e jogo minha cabeça no travesseiro novamente, acabo soltando um risinho depois do que aconteceu. Até que o Professor fica bem engraçado quando está falando de sexo. Olho para o teto do quarto e me perco em meus pensamentos. É Buttercup, daqui a um mês você terá 18 anos. Suspiro. Será que estou preparada para me tornar mulher? Meus pensamentos são interrompidos quando sinto o celular vibrar em meu colo, seguro-o e trago para perto do meu rosto. Meus olhos arregalam-se ao ver quem estava ligando e dou um pulo da cama.

Butch!

Aperto em ligar e ponho o aparelho no ouvido. A voz... Preciso ouvir a voz dele!

– Alô?! – Atendo. Não escuto voz, apenas o som de uma pessoa arfando, e parecia de dor. Começo a estranhar o fato do som estar rouco demais.

– Me ajuda... Eu tô morrendo... – Dizia a voz rouca que arfava violentamente.

– Butch?! O que aconteceu?!

– Depois eu explico... Vem logo!...

– Tá legal! – Me levanto da cama rapidamente e troco de roupa como um foguete, Butch ainda gemia de dor do outro lado da linha, o que me deixava com o coração na boca de tamanha preocupação. – Onde você está?

– Na quinta avenida depois do covil do Macaco Louco... Num beco sem saída repleto de lixo.. AI! Caralho, que dor!!

– Se acalma, seu idiota! Desse jeito sua situação só vai piorar! – Respondo. Vou em direção da janela e voou em direção do lugar marcado. – Espere aí, eu já tô chegando.

Voou rapidamente até o covil do Louco e procuro a quinta avenida, chegando lá, me deparo com o sujo beco que ninguém entraria por vontade própria. No meio do lixo, encontro Butch completamente ferido, seu rosto sangrava e seu olho esquerdo latejava de tão roxo, seus braços mostravam ferimentos graves que cobriam sua pele de sangue, e mesmo as partes cobertas estavam visíveis aos ferimentos. Me aproximo dele e pouso ao seu lado, ele me olha um tanto aliviado porém ainda arfa fortemente, eu sinto um aperto no coração me sentindo cada vez mais preocupada.

– Mas que diabos aconteceu com você?!? Andou lutando com o Goku, é isso?!?

– Não é hora... Pra perguntas... – Ele arfa, dessa vez sua dor se misturou com a agonia.

Olho bem para o seu rosto e vejo que ele está mais vermelho que o normal. Será que ele...? Ponho a mão com cuidado em sua testa e sinto-o queimar de tão quente, chegava até doer em mim. Meu Deus... Está ardendo em febre!

– Butch, você está muito doente! Isso não é normal! – Com cautela, pego-o com os braços e o seguro em minhas costas. Eu esperava que ele retrucasse, afinal deve ser vergonhoso para um homem ser carregado por uma garota, mas ele nada disse, apenas se aconchegou em mim. Eu podia sentir seu corpo fervente contra o meu, ele gemia tanto pelos machucados, quanto pela febre. Eu tenho quase certeza que essa febre foi por causa do frio há três dias atrás quando ele me emprestou a jaqueta, mas esses machucados... Nenhuma pessoa normal conseguiria fazer isso com ele. – Onde é sua casa?

– Eu não tenho casa. – Responde e eu me surpreendo.

– Então aonde podemos ficar?

– Eu sei lá... Só me tira daqui... – Pede ele quase em desespero. Me sinto na obrigação de arriscar a leva-lo para o lugar onde ele jamais poderia pisar, no lugar onde a presença dele é proibida, e se o descobrissem lá, tanto eu quanto ele estaríamos em sérios problemas. Suspiro.

– Parece que não tenho escolha. – Flutuo do chão e voou rapidamente pelo céu, querendo chegar o mais rápido possível ao nosso destino. -... Vou ter que cuidar de você na minha casa.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Entro em casa pela janela redonda, tento fazer o mínimo de barulho possível para não chamar a atenção do Professor. Butch estava cada vez mais quente, começou a arfar um pouco mais alto por causa da dor intensa. Francamente, como ele conseguiu chegar a esse estado? Ando em direção da minha cama forrada por um lençol verde e macio, ponho o moreno em cima dela cuidadosamente com medo de machuca-lo ainda mais, encosto sua cabeça no travesseiro e ele se aconchega. Suspira, não de dor, mas de alívio.

Começa a tossir fortemente, fazendo um som mais alto que o necessário. Tampo sua boca rapidamente e ele se surpreende.

– Faça menos barulho. – Peço. – Se o Professor te ver dentro do meu quarto, vai pegar uma espada e cortar o teu pinto fora. Você não quer isso, quer?

Ele arregala os olhos e fecha a boca, faz uma expressão um tanto assustada.

– Já que eu gosto do meu pinto, eu... Vou ficar quieto. – Fala. Eu rio em seguida.

Butch ainda arfava com um pouco de dificuldade para respirar. Fito seu rosto avermelhado, tanto pelo sangue escorrendo, quanto pela febre. Essa fora uma das poucas vezes que eu o vi corado, senti meu coração bater um pouco mais forte e suspiro. Mesmo nesse estado... Ele continua bonito. Sim, eu já tinha me conformado com o fato de Butch ser bonito, e também admito que se ele não fosse um de meus inimigos... Eu estaria caidinha por ele.

Eu tentei cancelar todas as expectativas de me senti atraída por ele, e sei que muitas garotas também pensam dessa forma ao vê-lo. Merda. Porque o corpo dele tem que ser tão...? Antes que eu pudesse pensar na descrição perfeita para seu corpo, sacudo a cabeça evitando esse tipo de pensamentos. Me concentro na situação que estava em minha frente.

– Não foi você quem disse que era forte contra resfriados? – Debocho dele, com um sorriso no canto do rosto. Butch revira o seu olhar e bufa.

– Cala a boca... Eu fui pego de surpresa. – Responde um pouco bravo, eu solto um risinho.

– Ah, ficou irritadinho foi? Adora debochar de mim, mas odeia quando eu debocho de você. – Me sento na cama ao seu lado, ponho a mão em sua testa e sinto sua temperatura, ainda quente. – Isso deve ter sido obra daquela noite em que você me emprestou a jaqueta. – Começo. – Eu disse que tu ia pegar um resfriado. Porque você tem que ser tão teimoso?

– Isso não importa agora. – Diz ele. – O que está feito, está feito.

– E o que aconteceu contigo? – Pergunto, mais uma vez fitando suas feridas. – Tá todo fodido. Parece até que levou uma surra de um monstro.

Ele olha para mim, agora mostrava uma expressão mais irritada. Range os dentes, quase rosnando para mim como um pitbull. Me surpreendo com sua reação, nunca tinha o visto tão bravo.

– Não te interessa. – Responde sem mais nem menos. Hein?

Revira seu rosto para outro lado, evitando olhar para mim. Eu me zango por sua resposta, se tem uma coisa nesse mundo que eu não gosto, é ser tratada com arrogância sem motivo. O que o da direito de falar assim comigo?! E na minha própria casa! Contenho meus instintos para não me jogar em cima dele ali mesmo e começar a estapeá-lo, respiro fundo tentando me acalmar, porém meus olhos ainda estavam em chamas.

O que aconteceu com o rapaz que foi gentil comigo há três dias atrás? Se bem que... Ele está mais irritado que o normal. Com certeza aconteceu alguma coisa. Mais uma vez dou uma olhada no sangue em seu corpo, eu reconheceria esse tipo de ferimento em qualquer lugar, afinal sou perita em coisas que envolvam “ferir”. Isso aí me cheira a briga. Mas a pergunta é: com quem ele brigou?

– Ok. Se não me interessa, porque foi pedir ajuda justamente a MIM? – Pergunto, mostrando estar ofendida. Ele olha para mim e suspira, fecha os olhos e sorri um pouco.

–... Porque é isso que os amigos fazem. – Responde como se esta fosse a coisa mais simples do mundo.

Sinto meu coração acelerar, não sei ao certo porque, mas a resposta de Butch foi o suficiente para me deixar envergonhada. Como ele consegue fazer isso comigo? Respiro fundo e volto ao normal, solto um risinho sarcástico.

– Não me lembro de ter aceitado a sua proposta. – Ele ri.

– Logo logo você vai. Afinal eu sou irresistível. – Acabo rindo com seu jeito exibido. Vira seu rosto para o outro lado, se aconchegando um pouco mais no travesseiro. -... O cheiro.

– O que disse?

– A coberta tem seu cheiro... É tão bom. – Sinto meu rosto queimar fortemente, uma onda de pensamentos estranhos invade minha cabeça e eu fico mais confusa do que nunca. Volta seu rosto para mim e aquele sorriso raro de ser ver reaparece. – Sabe... De certa forma não me arrependo de ter te emprestado a jaqueta. Quer dizer... Pelo menos você não ficou doente.

Pois é, parece que seu lado gentil está aparecendo mais uma vez.

– Vo-... Vo-Você precisa dormir! Senão vai pegar uma doença séria! – Falo, gaguejando pelo nervosismo. Levanto o cobertor e o cubro em seguida, tiro seus sapatos deixando-o só de meias. Vou em direção da porta e a abro em seguida. – Vou pegar alguns remédios, depois eu cuido desses machucados.

– Nossa. Até que pra uma estagiária, você está sendo uma ótima enfermeira. – Diz ele debochando de mim. – Só não demora muito porque eu tô dodói.

– Dorme logo! – Respondo sem muita paciência para as suas gracinhas.

Fecho a porta cuidadosamente para que o Professor não desconfiasse de nada, flutuo até a cozinha e pego a caixa de remédios, seleciono todos os que seriam necessários e os coloco no bolso. Encho uma bacia com água morna e pego algumas toalhas e uma esponja. Acho que isso vai refrescar ele. Volto para o meu quarto e me deparo com uma das cenas mais lindas que eu já vi na vida.

Butch dormia profundamente sobre a minha cama, não se mexia, não roncava, não fazia nenhum barulho sequer, o garoto de cabelos negros parecia um anjinho descansando sobre a luz do sol. Ele é tão... Merda! Estou pensando essas coisas de novo! Me aproximo da cama e deixo a bacia e os remédios no criado-mudo, me sento ao lado dele e fico ali, admirando cada detalhe do rosto do moreno, até mesmo os lugares machucados.

Antes mesmo que eu pudesse perceber, já estava completamente hipnotizada por sua beleza, tanto que nem tinha mais consciência de meus atos. Estendo minha mão esquerda e pouso em seu rosto, acariciando sua pele macia e rosada, meu polegar passa por seus lábios carnudos e exuberantemente tentadores. É como se ele fosse um imã. Ainda acariciando sua bochecha, vejo sua mão alcançar a minha e segura-la. Por um instante minha mente pifa, eu fico nervosa e sem a mínima ideia do que fazer, de como agir, de como responder.

Ainda com os olhos fechados, o moreno leva minha mão até seus lábios e a beija levemente, transmitindo arrepios irreconhecíveis ao meu corpo. Minhas bochechas esquentam violentamente, trazendo-me uma sensação completamente nova, em que o nervosismo e a felicidade se unem e me fazem sentir bem como nunca, e é claro, as dúvidas aumentam. O-O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO?! PENSEI QUE ELE ESTIVESSE DORMINDO!! OU ESTÁ?! AI, QUE CONFUSO!!

– Te deixar envergonhada... — Butch abre os olhos devagar, seu sorriso desbotado brota em seu rosto mais uma vez. -... É meu novo passatempo predileto.

– D-Do-DORME LOGO!! – Falo, um pouco irritada. Então ele não me beijou por afeto. Só queria um motivo para zombar de mim. Que raiva!... Espera aí, eu fiquei desapontada?

Solta gargalhadas com meu estado e volta a dormir. Pego a bacia ao meu lado e de lá tiro uma toalha, espremo o excesso de água e em seguida a coloco na testa quente de Butch. Ele relaxa ainda mais e da um suspiro de alívio.

– Isso é... tão bom. – Sussurra ele em meio de suspiros. Eu rio baixinho.

Mais uma vez acaricio seu rosto de leve, agora com a ponta dos dedos, sentindo sua macies. Um sorriso involuntário brota em meu rosto e fico me sentindo uma boba. Realmente... Eu não consigo mais ficar longe desse garoto.

– Seu bobo...

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Foram passadas duas horas desde que deixei Butch dormindo no quarto, por sorte não precisei me preocupar com o Professor, já que ele estava ocupado em seu laboratório, não saiu de lá por um segundo. Depois de encher o garoto de remédios, eu o deixei sozinho e fui assistir um pouco de televisão, mas pelo visto eu perdi a noção do tempo.

Desligo a TV e me levanto do sofá. Melhor ver se ele está bem. Voou até meu quarto e abro a porta cuidadosamente com medo de acordá-lo, eu esperava vê-lo dormir, mas ao invés disso, me deparo com Butch em pé ao lado da cabeceira da cama. Minha mente processa a imagem e percebo que ele estava tirando a camisa sem notar a minha presença, e assim meus olhos admiram a cena de seu belo corpo definido mais uma vez.

Seus músculos, suas dobras, seu suor, até mesmo suas cicatrizes, a mistura de tudo isso quase me levava à loucura. Meu rosto esquenta instantaneamente, causando arrepios em meu corpo e trazendo todos aqueles pensamentos estranhos para seu lugar em minha mente. Como ele consegue fazer tudo isso comigo sem ao menos notar minha presença? Não consigo dizer uma só palavra, estava completamente enfeitiçada pelo corpo à minha frente.

Butch olha para a porta e me vê, fica surpreso com a minha expressão um tanto... estranha. Levo um susto e me dou conta do que estava acontecendo, sem pensar duas vezes, fecho a porta com força e rapidez, causando um eco pela casa inteira. Ponho a mão no peito e sinto meu coração acelerado e a respiração desregulada, só em imaginar o que estava do outro lado da porta, fazia meu rosto esquentar ainda mais.

– O... O que pensa que está fazendo?!? – Pergunto sem coragem de voltar ao quarto.

– Err... Eu estava indo tomar banho. – Responde.

Arregalo os olhos e fico ainda mais nervosa. Começo a imaginar como seria ver Butch tomando banho na minha banheira. M-Mas que merda é essa que eu tô pensando?! Começo a abrir a porta lentamente.

– E... E o que te dá o direito de tomar banho na minha casa?!

– Bem, se você visse o meu estado, iria entender.

Seu estado? Entro no quarto ainda com um pouco de vergonha, me surpreendo ao ver algo que não tinha percebido há segundos atrás. Sobre a sua pele, estavam ferimentos gravemente intensos, a maioria estavam cobertos por sangue e com fundos tão roxos que pareciam até negros. Não haviam cortes somente em seu rosto, como também em seus braços e tórax, até mesmo suas costas estavam completamente danificadas.

Meu Deus, se ele fosse uma pessoa normal, teria morrido na certa. Fecho a porta e me aproximo dele, ponho a mão sobre o machucado que estava em seu peito, parecia ser o ferimento mais intenso, ele solta um gemido baixo de dor com um simples toque. Olho para ele um pouco preocupada.

– Butch, o que foi isso?!

Ele revira seu olhar, sem coragem de olhar em meus olhos.

– Um desentendimento, só isso. – Procuro uma resposta mais concreta em seus olhos, mas não acho nada. Suspiro.

– Já vi que não vai falar. – Me afasto do moreno e vou em direção do criado-mudo da Blossom, de lá tiro um kit de primeiros-socorros. Ele me olha um tanto curioso, me sento na minha cama e fico ao seu lado. – Não pode entrar numa banheira desse jeito. Só vai machucar mais. – Ele tomba a cabeça no ombro sem entender muito bem. Estendo meu braço até a cômoda e puxo a bacia com água, colocando-a em cima da cama. Seguro a esponja, olho para Butch e suspiro. – Não acredito que vou fazer isso, mas... Vou te limpar.

Ele arregala os olhos um tanto surpreso, fica em silêncio por alguns segundos, ainda assimilando o que eu disse. Ele é tão lerdo assim? Percebo que ele se tocou quando seu sorriso debochado brota em seu rosto.

– Foi mal aí, mas não trouxe camisinha. – Meu rosto esquenta. Como ele consegue ser tão descontraído? – Lembra do que eu disse? Você não resiste a mim. Mas não te culpo, o culpado sou eu por ser tão irresistível.

– Q-Quer que eu te limpe ou não?!? – Digo um pouco mais alto que o necessário, era incrível a maneira que Butch me deixava nervosa. – S-Só estou fazendo isso porque não tenho dinheiro para te pagar!!

– Em momento nenhum eu falei da sua dívida. – Começa. – Então isso quer dizer... Que você aceitou a proposta?!

– Não, eu não aceitei! Agora senta logo pra eu te limpar, idiota!! – Ele engole seco e se senta na cama ao meu lado.

Mergulho a esponja na água e tiro o excesso, Butch está de costas para mim, por isso comecei pela parte de trás. Tomo o máximo de cuidado para ele não sentir mais dor, esfrego bem as partes sujas, o deixando limpinho.

– Sabe, acho que eu vou te contratar para ser minha babá. – Diz o moreno, brincando um pouco. – Você me trata como um bebezinho.

Rio um pouco.

– Pra mim, sua mentalidade ainda é de um recém-nascido. – Debocho e ele ri. Chego num local perto de seu ombro que estava muito roxo, passo a esponja por lá e ele geme. – Aqui dói? – Pergunto. Ele assente e eu começo a massagear de leve, fazendo o máximo possível para que a dor cessasse, ele se aconchega de modo como se estivesse pedindo por mais carinho. Nossa... Deve estar doendo muito. – Quem foi que fez isso com você?

Arrisco mais uma tentativa de ser respondida da maneira correta, já estava cansada de todo esse suspense, eu precisava saber o que tinha acontecido. Eu esperava receber um fora direto, mas Butch nada responde, fica cabisbaixo e em silêncio. Respira fundo, sem virar seu rosto para trás com medo de me olhar nos olhos.

–... Brick.

Brick? O líder dos Desordeiros? Sinto uma certa aflição em meu peito. Se Butch já é forte, imagina o ruivo, que detonou com ele. Paro de massagear as costas e mergulho a esponja na bacia mais uma vez.

– Hora de limpar a frente. – Butch se vira de frente para mim e tenho a visão de seus machucados mais intensos. Brick realmente fez isso? E com o próprio irmão? – Nossa, pra conseguir fazer esse estrago, ele deve estar muito forte.

– Nem pensar! – Responde Butch, tentando manter o seu orgulho. – Eu só não acabei com ele por causa dessa febre maldita. — Esfrego seus braços machucados um pouco mais forte do que deveria. – Caralho, que dor!

– Desculpa. – O limpo um pouco mais devagar quando chego no machucado em seu peito, está tão roxo que parece até preto, o sangue rodeia o ferimento, fazendo-o ficar ainda mais feio. Pois é, foi uma treta daquelas. – Porque vocês dois brigaram?

O moreno nada responde, começa a exalar uma aura um tanto maligna, se eu não o conhecesse, estaria me cagando de medo. Essa é a mesma expressão que ele fez quando estava prestes a bater no Ace... Olha para mim como nunca olhou antes, parecia até que ele estava querendo me estrangular ali e agora.

– Não se meta onde não é chamada. – Me responde com uma arrogância incompreensível.

Me surpreendo com sua grosseria e acabo ficando mais irritada que ele, agora eu estava exalando uma aura maligna. Meu olhar penetra seus olhos e ele fica com o rabo entre as pernas.

– Butch, eu até entendo que você esteja furioso, mas eu não admito que desconte sua raiva em mim. Então não me provoque!

Ele se assusta e começa a suar frio, revira seu olhar com um pouco de vergonha de si mesmo.

–... Desculpe.

– Acha que é o único? – Começo. – Eu também tenho irmãs, e acredite, minha situação é pior que a sua.

– HÁ! Duvido. – Começa ele. – Ninguém passa pelas coisas que eu passo. Meus irmãos são um bando de filhos da puta, a única coisa que eles fazem é foder com a minha vida.

– Diz isso porque não têm que conviver com as duas garotas mais irritantes do mundo. – Mergulho a esponja na bacia e passo-a em seu braço direito. — A Bubbles é uma patricinha que só pensa em roupas, e a Blossom é uma NERD que age como se fosse minha mãe, vive me dando lição de moral e me manda fazer o que eu não quero. E se tem uma coisa que eu não suporto é receber ordens.

– Eu te entendo. Brick só pensa em dar ordens para mim e ao Boomer. – Eu olho em seus olhos, sem acreditar que realmente existia alguém que passava pelas mesmas coisas que eu. – O Boomer pode ser um imbecil, mas eu não. Eu cansei de ficar na sombra de Brick, por isso decidi seguir minhas próprias regras.

– Queria ter essa mesma coragem que você. Irmãos são uns chatos, mesmo.

– Nunca pensei que encontraria alguém como eu. Parece que nós dois estamos no mesmo barco. – Diz ele, suspirando. Termino de limpá-lo e o enxugo com a toalha.

– Pronto. Agora só falta os curativos. – Abro a caixa de primeiros-socorros e de lá tiro um spray que aliviaria as cicatrizes, porém ao aplica-lo, qualquer um sentiria uma pequena dor, até mesmo o Butch. – Butch, preciso que confie em mim agora. Isso vai doer.

– Isso o q-...? – Antes que ele pudesse terminar a frese, aplico rapidamente o spray em todas as suas feridas, o moreno morde seus lábios tentando conter um grito de dor. Sem sucesso. – PORRAAA!! QUE DOR DO CACETE!!!

Tampo sua boca no exato momento.

– Fica quieto! Senão o Professor vai te ouvir e pode dizer adeus ao seu pau! – Eu o assusto, ele se acalma e eu o solto.

– Mas a culpa não é minha se isso doeu!

– Senta mais alguma dor agora, escandaloso? – Pergunto, ele toca em suas feridas e percebe algo diferente. – Viu só?

– A dor sumiu... Que spray milagroso é esse?

– É uma invenção do Professor. Agora todas as dores que o seu irmão deixou, não passarão de marcas.

– Incrível! Seu pai é um gênio.

– Com certeza. Não é atoa que ele me criou.

– Pois é, todo gênio tem seus fracassos. – Debocha de mim, eu o encaro de forma irritada e ele recua. – Ei, calma. Eu só tava brincando.

– Eu sei. Mas adoro quando você fica com medo de mim. – Debocho dele como resposta enquanto rio. Pego alguns curativos no kit e ponho em cima de suas cicatrizes, ele não sente mais dor, porém as marcas roxas ainda estão bem visíveis. Quando termino, entrego sua camisa. – Pronto, está novinho em folha.

Butch se levanta e passa a mão por onde estava machucado, sorri pelo sentimento de satisfação.

– Uau! Nem parece que eu levei uma surra. – Olha para mim. – Ninguém nunca cuidou tão bem de mim antes.

Me levanto e fico ao seu lado.

– Não foi nada. – Sorrimos um para o outro. Ponho a mão em sua testa e percebo que sua temperatura baixou. – Pelo visto a febre também foi embora.

Segura minhas duas mãos e seu olhar me penetra profundamente, seu sorriso carinhoso me deixa sem fala, agora o moreno estava mostrando uma nova característica que nunca mostrara antes. Agora tudo o que eu via era um garoto gentil e cuidadoso, que admirava cada detalhe do meu rosto que corava aos poucos.

– Obrigado, Bc. – Agradece sem quebrar seu sorriso. Acabo sorrindo de volta.

– Não precisa me agradecer... – Olho para baixo, com um pouco de vergonha de olhar em seus olhos. Juntando toda a minha coragem, ergo minha cabeça e fito seu rosto. Sorrio para ele. – É isso que os amigos fa-....

Antes que eu pudesse terminar a frase, meu coração acelera ao perceber que ele estava perto demais (Sem contar com o fato de ele ainda estar sem camisa). Vai se aproximando aos poucos e eu me sinto cada vez mais confusa, porém completa. Essa distância mínima entre nossos lábios de certa forma me incomodava, não no sentido de eu querer mais distância, e sim queria tê-los mais perto. Senti-los mais perto. Queria reviver aquele beijo que Butch me dera há dias atrás, a qual eu não consegui corresponder corretamente. Queria ter certeza que ele era meu, e de mais ninguém.

Ajudo a cortarmos a distância e me aproximo mais do rosto do moreno, ele põe as mãos em minha cintura, me envolvendo mais em seu corpo, eu pouso minhas mãos em seus braços musculosos. Sinto a temperatura ficar cada vez mais quente, eu já não tinha mais noção do que estava fazendo, do que iria acontecer, e como iríamos parar. Apenas me conformei em arriscar para descobrir.

Butch estava cada vez mais perto, nossos narizes se encontraram e eu pude sentir sua respiração, meus batimentos estavam acelerados, e minha respiração desregulada. Deslizo minhas mãos até seu peitoral forte e também posso sentir seus batimentos acelerados. Nos olhamos profundamente em nossos olhos verdes e nos vimos em um só, por um instante, queríamos nos tornar um só.

Estávamos quase lá. E então... E então...

*TU-TU-TU*

Levamos um susto e nos afastamos, olho para o lado e encontro a Linha Especial tocando. Olho para Butch e fico com vergonha, me solto dos braços dele devagar e vou até o telefone. Ligou numa hora muito boa, sr. Prefeito. Que merda!

Ouço Butch xingar baixinho e atendo o telefone.

– Alô? – Pergunto.

Buttercup, que bom que atendeu. – Dizia o Prefeito do outro lado do telefone. – Você não vai acreditar. Mas os Meninos Desordeiros voltaram para a cidade. Dois deles estão causando confusão, e suas irmãs precisam de sua ajuda.

Arregalo os olhos, um pouco surpresa. Olho para Butch que parecia confuso. Dou um suspiro.

– Já estou indo! – Respondo e desligo.

– O que aconteceu? – Pergunta o moreno.

– Seus irmãos estão dando problema.

Continua...

Notas finais
POIS VÃO CONTINUAR QUERENDO. MUAHAHAHAHAHAHAHA #trollagem da tia Mokocchi (sou uma pessoa horrível -.-)
Mas não se preocupem, logo logo vai ter altos kisses XD
Sou só eu que A-M-O aquela foto do Butch? PQP Q PERFEIÇÃO É AQUELA????
Bem, tentarei postar o 7 o mais rápido possível XP
Até o próximo cap o/
Kissus ♥