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6 Capítulo 6 - Acho que você já sabe a resposta
Notas iniciais
– Eu queria te agradecer. Por tudo. E pedir desculpas pelas nossas brigas, eu fui uma idiota – encolhi minha cabeça na curva do seu pescoço por vergonha de encará-lo. Ele sempre me salvava e eu sempre era uma boba com ele
– Não precisa me agradecer, Nat – ele respondeu enquanto mexia em meu cabelo – Eu vim pra ficar
– O que você fez com o Jordan? – perguntei
– Eu já tinha chamado a polícia quando você sumiu e depois de bater muito nele, a polícia o levou preso – ele continuava mexendo no meu cabelo e eu continuava mexendo no seu peitoral
– Por que você se preocupa tanto comigo? – pedi, dessa vez o encarando
– Porque você me faz bem – ele respondeu – Dorme agora, você deve estar muito cansada
– Obrigada por se preocupar – dei um beijo em sua bochecha
– Você sabe que eu sempre vou – ele respondeu, beijando o topo da minha cabeça
Depois de escutar essas palavras eu apenas dormi, exatamente onde eu queria estar. Um protege o outro e juntos, enfrentamos o mundo. E o Fury.
Quando seus medos baixarem e as sombras ainda permanecerem, eu sei que você pode me amar. Quando não houver ninguém para te culpar, então deixa pra lá a escuridão. Nós ainda podemos achar um caminho, nada dura para sempre, nem mesmo a fria chuva de novembro. Você não acha que precisa de alguém? Todos precisam de alguém, você não é a única!
November Rain – Guns N’ Roses
Próximo a Fort Irwin, Califórnia, Estados Unidos – 04h 18min A.M.
P.O.V Natasha Romanoff
Acordei um pouco antes de amanhecer com o rosto deitado no peito de Steve, enquanto ele ainda dormia. Não queria sair dali e não queria acordá-lo, então resolvi pensar sobre a minha vida. Péssima ideia. Fixei meu olhar no nada e me lembrei de tudo. Todas as torturas que passei, tudo o que sofri, e são poucos momentos em que penso que vale lutar pela minha vida. Na noite anterior, quando Jordan começou a me tocar, eu não sei por que não me defendi. Eu poderia ter matado ele, mas não, fiquei parada. Se não fosse o Steve eu não sei aonde estaria agora.
''Eu estava escorada no pilar, observando o nada, pensando em como voltar a me entender com Steve. Eu realmente estava perdida nos meus pensamentos, quando uma voz conhecida me chama:
– Pensando em algo? – Jordan disse
– Não... Só estava acalmando os pensamentos – respondi
– Quer dar uma volta? – ele me convidou. Eu não tinha nada a perder e Steve estava demorando. Mandei uma mensagem pra ele avisando que iria dar uma caminhada e que logo estaria de volta
– Claro – afirmei dando um sorriso
Ficamos caminhando na área coberta por um tempo em silêncio, estávamos nos afastando um pouco do estabelecimento. Ao lado não muito distante, tinha uma borracharia que estava fechada. Depois era só a estrada e vegetação, dando um ar sombrio à aquele lugar:
– Você trabalha com o que? – ele me perguntou
– Sou psicóloga – menti – E você?
– Não trabalho no momento. Mas logo você vai descobrir o que eu gosto de fazer – ele deu um dos seus piores sorrisos e me arrastou a força pelo braço até a parte de trás da borracharia.
Ele começou a apalpar meu corpo e cada vez mais eu sentia nojo daquele sujeito. Ele apalpou minha bunda e quando apalpou meus seios eu comecei a implorar para ele parar mas ele não parou. Jordan começou a beijar selvagemente meu pescoço. Não adiantaria gritar, ninguém escutaria. Eu estava paralisada, em choque, até o momento em que ele me empurrou contra a parede. Eu me debatia, batia em seu peitoral, mas nada adiantava. Comecei a chorar e a gritar desesperadamente, o pânico tomava conta de mim. Eu só conseguia me lembrar dos tempos de KGB, onde faziam exatamente a mesma coisa comigo’’
Eu deveria ter desconfiado a partir do momento em que ele me chamou pra caminhar, mas eu estava tão distraída pensando no loiro que não percebi. Eu não me defendi porque lembranças de quando me forçavam a fazer sexo com os líderes da KGB, de quando eu tinha que ser uma vadia pra conseguir informações, de quando mataram minha família, de tudo, voltaram para minha mente.
Tudo passou pela minha cabeça, eu entrei em pânico, até ver ele se aproximar. Ele me acalma, me dá forças, me dá esperanças e ao mesmo tempo destrói todas as barreiras que criei em volta de mim mesma. Por causa dele que eu não percebi a aproximação súbita do Jordan, por causa dele eu me distraio, por causa dele eu estou violando as regras de um agente, por causa dele eu não estou conseguindo fazer meu serviço.
Lembrei de Fury e a missão que ele tinha me passado. A verdade é que eu não me preocupo apenas com Steve, eu me preocupo comigo. Me preocupo porque quando ele descobrir que era só uma missão, ele nunca mais vai querer se aproximar de mim. E eu? Como fico? Ele vai me odiar, e talvez eu não queira isso. Pensei alto demais:
– Bosta – percebi que quando eu falei ele se mexeu, tirando a mão que me envolvia em seu peito e passando nos seus cabelos
– Aconteceu algo? – ele pediu sussurrando para não acordar os outros no ônibus que ainda dormiam, me encarando com um tom de preocupação
– Não, só estou relembrando o que aconteceu na noite anterior – eu pensei em mentir, mas não seria justo. Apenas omiti algumas informações sobre o que eu pensava
– De novo Natasha?! – seu tom passou de preocupação para raiva, ele praticamente gritou sussurrando. Me levantei de seu colo e sentei em minha poltrona, voltando a encará-lo
– Sim Steve, você acha que o quê? Que a pessoa esquece depois de quase ter sido estuprada? – respondi sussurrando com a mesma raiva. Era incrível como uma fagulha começava rapidamente uma discussão entre nós dois
– Eu só não quero mais ouvir você falando disso! – não acredito que discutiríamos ali, no meio do ônibus
– E por que não? Por que na realidade você queria ser o Jordan? Por que você queria estar me beijando no lugar dele? – eu falei em um tom normal, mas se percebia a irritação da minha voz. Me arrependi dez segundos depois do que eu disse
– Eu não preciso ser um canalha pra ter você do meu lado! Até porque você dormiu no meu peito e não no dele – ele rebateu. E era verdade, me arrependi de ter dito o que falei. Essa discussão não precisava ser ali, com nós dois sussurrando pra não acordar os outros – Você é muito idiota mesmo
– O que eu falei de errado? – eu sabia o que tinha falado de errado, só não queria admitir
– " E por que não? Por que na realidade você queria ser o Jordan? Por que você queria estar me beijando no lugar dele?’’ Porra Natasha, ainda não percebeu que eu me importo com as pessoas que eu gosto? Tenho que ficar repetindo? – ele respondeu sério. Fiquei em dúvida sobre o verdadeiro significado de ‘’ eu me importo com as pessoas que eu gosto’’, se foi para amigos ou se significa algo mais
– Mas por que ficar tão irritado com o assunto? – eu só queria compreendê-lo
– Porque sempre que você me lembra eu fico com vontade de socar a cara dele! Só de pensar no que ele fez e no que ele poderia ter feito com você Nat, eu fico com muita raiva! Ele tocou na coisa mais importante da minha vida, como você quer que eu fique? E tudo por culpa minha, se eu tivesse ficado do seu lado ele não teria se aproveitado e você não estaria sofrendo agora – ele disse com um olhar sofrido
Eu provavelmente estava com a boca entreaberta, olhando impressionada pra ele. Não acredito que ele se culpava por isso, a culpa foi totalmente minha. Apenas recostei-me na poltrona e coloquei meus fones. Fiquei uns quarenta minutos assim, até sentir seu braço me puxar para perto de si. Não resisti e recostei minha cabeça em seu ombro, enquanto seu braço rodeava minha costas parando na minha cintura onde ele fazia carinho:
– Desculpa por antes, eu não deveria ter sido tão idiota – encolhi ainda mais meu rosto em seu ombro, evitando contato visual. Me agarrei a sua blusa branca e suspirei. Ele demorou para dizer algo
– Eu não te entendo – ele encostou sua cabeça na minha
– Como assim? – pedi sem entender
– Você é diferente a cada hora, parece que gosta de discutir comigo – eu não via seu rosto, mas tinha certeza que olhava pra mim
– Você sabe muito bem que eu odeio discutir com você — respondi
– As vezes não é isso que parece — ele resmungou
– Eu só não estou acostumada com isso, de receber afeto — meus olhos já pesavam de sono novamente
– Tudo bem Nat, eu respeito sua decisão — ele disse se afastando de mim, entendendo errado o que eu disse
– Steve... — o chamei, achando graça do seu mal-entendido
– Hm? — ele respondeu entristecido
– Eu não quero que você se afaste — coloquei minha mão sobre seu rosto, fazendo um leve carinho — Pelo contrário, quero você por perto
– Mas por quê? Você não precisa de mim, você é independente, forte, as vezes fico me perguntando se tem algum interesse por trás dessa aproximação — gelei quando ele disse que eu me aproximei apenas por interesse. Já consigo imaginar sua cara de decepção ao descobrir que tudo não passa de um plano do Fury
– É claro que eu preciso de você, eu me sinto feliz ao seu lado — ''coisa que eu só sentia com o Clint'' pensei, mas não falei nada
– E se eu não for o suficiente pra você? — ele me perguntou. O encarei incrédula
– Eu que deveria estar perguntando isso pra você — falei. Ele suspirou cansado
– Você sabe que é mais do que suficiente — após ele terminar de dizer isso, coloquei minha mão em seu rosto, fazendo ele se virar pra mim
– Só quero que você saiba que eu sempre estarei ao seu lado, não importa o que aconteça — minha mão permanecia em seu rosto, acariciando
– Porque se você cair, eu caio — ele completou — Se você chorar, eu choro
– E se eu sorrir, o motivo é você — finalizamos juntos, em uníssono. Essa frase era uma coisa nossa, que eu tinha inventado para ele usar com as mulheres com que saía. Por mais que ele tenha usado com outras, sinto como se fosse algo só nosso. Ele me puxou para mais perto de si, me fazendo deitar em seu peito
– Dorme bem, Nat — ele beijou o topo de minha cabeça. Não respondi, apenas dormi novamente
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Acordei com a claridade que vinha das janelas do ônibus. Olhei para fora e percebi ao longe uma cidade onde provavelmente tomaríamos café da manhã. Sentei em minha poltrona, saindo de cima de Steve. Catei minha mochila e tirei uma garrafa de água de lá, estava com muita sede. Guardei a garrafa e não demorei a sentir a cabeça de Steve em meu ombro:
– Steve... Estamos chegando — falei, tentando fazê-lo abrir os olhos
– Se nós estamos chegando significa que não chegamos ainda, deixa eu dormir mais um pouco — ele sussurrou sonolento, com os fios de cabelos loiros caindo em sua testa
– Tudo bem — concordei, sentindo ele deitar novamente em meu ombro. Eu mexia em seu cabelo, enquanto observava a paisagem do lado de fora. Não demoramos nem dez minutos para chegarmos em uma lanchonete, a cidade era pequena. Steve levantou e já vestia seu casaco, enquanto eu colocava meu moletom.
Descemos do veículo e adentramos o local, esperando na fila. Pedi um chocolate quente e Steve um café e torradas. Após comermos, me dirigi até o banheiro onde fiz minha higiene. Aproveitei e tomei um banho, limpando os ferimentos da noite passada. Voltei e o encontrei escorado na porta do estabelecimento, aparentemente também havia tomado banho. O motorista reuniu todos os passageiros para dar as coordenadas do dia:
– Pessoal, não temos muito o que ver nessa cidade, por isso seguiremos viagem a partir de agora e não pararemos para almoçar. Aí pelas 18h 00min chegaremos em uma cidade um pouco maior, Weldon, onde terá uma festa um pouco mais chique a noite. Dormiremos na cidade para que possamos viajar a partir das 5h 00min da manhã do dia seguinte. Estejam dentro do ônibus em cinco minutos enquanto eu e Matthew ajeitamos as coisas para a viagem — anunciou o motorista
– Eu não trouxe roupa pra festa — reclamei para Steve
– Você fica bem até de pijama, Nat — sorri com a afirmação dele — Vamos entrar no ônibus?
– Vamos — respondi ainda sorrindo
Fizemos a mesma coisa de sempre: Ele sentou e eu me aconcheguei em seu peito enquanto ele acariciava meu cabelo, mas dessa vez foi diferente. Nossas bocas estavam perigosamente perto, o que de início eu não me importei, porém depois me dei conta do que estava fazendo e me afastei um pouco, repousando minha cabeça realmente em seu ombro. Já eram 7h 18min e eu não tinha sono, então inverti a posição em que estávamos: ele se apoiou em meu peito enquanto eu mexia em seus cabelos loiros. Não vi o tempo passar.
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Já estávamos chegando na cidade e percebia que o movimento nas ruas era consideravelmente grande. Estacionamos um pouco longe do que eu chamei de centro, na frente de um hotel. Entramos no saguão, onde foram indicados nossos quartos. Ficamos juntos no mesmo quarto. Steve ficou lá no saguão conversando com o motorista que o chamou. Entrei no quarto e larguei a minha mochila em um canto. Percebi que tinha um envelope em cima da escrivaninha e 700 dólares do lado:
'' Para você e Steve, mais dinheiro e mais conforto. Não se esqueçam de me avisar qualquer coisa.
Att,
Fury''
Rapidamente escondi aquela carta. Percebi que algumas letras estavam em um tom mais escuro (N/A Autora: letras representadas pelas partes em negrito), para Steve não notar a palavra que formava: MISSÃO. Como uma boa agente, percebi o motivo das letras mais escuras e entendi a que missão Fury se referia, a minha missão. Ele com certeza descobriu que a gente veio com esse ônibus, avisou na recepção sobre o quarto que deveriam nos dar e fez o motorista segurar Steve lá enquanto eu lia a carta. Eu teria achado muito esperto da parte do Fury se não tivesse me colocado nesse perigo, e se Steve lê-se? Fui tirada dos meus pensamentos quando ouvi a porta sendo aberta:
– Quer ir pro banho primeiro? — ele pediu
– Pode ir, eu espero — respondi — Achei 700 dólares na minha mochila
– Isso é bom, precisamos pagar a conta do hotel — ele disse, pegando uma roupa e se dirigindo ao banheiro
Enquanto isso fui separando minha roupa. Steve não demorou a sair, então entrei no banho. Quando eu saí, percebi sua tensão ao me ver apenas de toalha:
– Na-t- e-eu vou dar uma v-o-lta — ele saiu apressadamente do quarto. Ri da sua timidez
Primeiro fiz minha maquiagem, algo leve e depois meu cabelo, onde apenas sequei-o. Coloquei um salto e desci. Encontrei Steve na porta de entrada do hotel, de costas para mim. Quando ele percebeu minha aproximação, se virou surpreso e deu um sorriso:
– Nunca imaginei sair com uma mulher tão bonita aos 95 anos — dei uma risada enquanto ele me girava, para logo depois me abraçar
– Você também não está nada mal, Rogers — ele ainda sorria pra mim — Espero que você ache meio que normal nós sairmos para um encontro
– Então isso é um encontro? — ele pediu com uma expressão divertida no rosto
– Talvez — tenho que parar de sorrir — Você quer que seja um?
– Acho que você já sabe a resposta — ele não tirava o sorriso do rosto
– Sim, eu sei
Continua...
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