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2 Capítulo 2 - All Of Me
Notas iniciais
Eu estava em meu quarto novamente separando algumas roupas que eu havia levado para a missão, quando escuto uma batida na porta. Eu estava de uniforme, então largo rapidamente o que estava fazendo e caminho em direção ao local dos ruídos. Quando abro tenho uma surpresa:
– Steve? – pergunto olhando com espanto para o homem em minha frente. Ele parecia abatido, cansado
– Érr... Natasha, o Fury quer conversar com você – ele passava as mãos em seus cabelos
– Ok, já estou indo – eu ia fechar a porta, quando ele a segurou
– Não. Tem que ser agora, é urgente – ele me encarava
–Ok. Vamos? – pedi, imaginando que ele também iria
– Você vai sozinha. Ele já tratou o que precisava comigo – nunca o tinha visto tão frio, duro com as palavras
A ausência faz o coração crescer forte. É complicado mas a gente deu sorte de se esbarrar e então encontrar alguém pra esperar
Jota Quest – Waiting For You
Torre dos Vingadores — Manhattan, Nova York, Estados Unidos – 21h47min P.M.
P.O.V Natasha Romanoff
– O que você queria falar, Fury? – pergunto já impaciente enquanto sento em uma cadeira com os braços cruzados
– Tenho que te pedir algo, senhorita Romanoff – ele me encara de um jeito sério. Do jeito do Fury
– E o que seria? – a curiosidade me corroia por dentro
– O que aconteceu com vocês naquela missão? – ele me encarava com a cara fechada
– Apenas não conseguimos sair com a arma porque fomos cercados por agentes – eu tentava não parecer nervosa
– Sei... Notou algo de diferente no Capitão Rogers? – eu estava ficando irritada
– Ele parece distante, frio, mas me protegeu demais na missão – eu fiz a minha melhor cara para parecer verdade
– Senhorita Romanoff, por enquanto isso é tudo – acho que minha mentira não colou
– Ok... – suspirei derrotada – Mais alguma coisa?
–Não. Quero que vá descansar e não saia da torre pelo menos até amanhã. Você não vai gostar do jeito que eu vou ficar se você sair daqui hoje – Fury ordenou
– 0 – 0 – 0 -
Estava passando no corredor, quando vi a porta do quarto de Steve aberta com ele sentado na cama, de regata branca, analisando o braço machucado onde um tiro havia passado de raspão:
– Está doendo muito? – perguntei adentrando no quarto
– Como se isso a preocupasse – respondeu frio. Admito que não esperava essa resposta
– Claro que me preocupa – sentei ao seu lado apoiando as mãos na cama. Nossos braços se roçavam
– Não me faça rir. Desde quando se preocupa? – seu tom sarcástico me machucava
– Desde o momento em que você ficou nesse estado por minha culpa – fui em direção a um pano em cima de uma bandeja e junto com alguns anticépticos comecei a limpar o local do ferimento
– Natasha... Eu não quero sua amizade – ok, não vou negar que isso me deixou abalada
– Tem coisas na vida que não são feitas de escolhas, Rogers – dei um sorriso sarcástico enquanto botava um pouco mais do líquido no pano em que limpava a sua pele. Ele ficou calado e o silêncio se instaurou no ambiente, até eu resolver quebrá-lo — Não posso fazer mais nada pelo seu braço
– Já ajudou bastante, muito mais do que deveria – ele sussurrou essa última parte como se fosse um pensamento que sem querer se transformou em palavras – Vou indo, procurarei Banner para cuidar do meu braço
– Espere – ele se levantou rapidamente, o que fez a blusa que estava vestindo subir um pouco nas costas. Pude ver vários machucados ali – As suas costas...
– Ahh... Esquece, eu vou ficar bem – respondeu novamente com frieza
– Não vou esquecer. Você vai parar de ser grosso e vai sentar na porra da cama porque você só está nesse estado por minha culpa – ele me encarava sério – E para de me olhar assim
– E quer que eu te olhe como? – ele foi se aproximando
– Como alguém que quer te ajudar – me desvencilhei de suas mãos que estavam segurando firmemente as laterais de meu rosto – Tira a camisa
– O que? – ele ficou vermelho
– Não consigo fazer os curativos com a camisa por cima – ele continuava me encarando – Vou ter que tirar pra você?
– Não seria má idéia... – ele coçava a nuca
– Rogers! – exclamei um pouco irritada, nunca pensei que viria Steve Rogers assim
– Ok, ok – finalmente! – Vai devagar, ta doendo
– Pode deixar – comecei a limpar suas costas que continham um pouco se sangue seco ao redor dos ferimentos. Terminei rapidamente – Se vira
– Ta... – falou em um tom reclamando. Ficamos frente a frente, próximos
– Foi errado o que você fez, indo sozinho lá dentro e me protegendo do jeito que protegeu – eu praticamente sussurrei, já que nossa distância era curta. Coloquei minha mão em volta de seu pescoço– Não deveria ter feito isso
– E você acharia certo eu ter deixado você sozinha? – ele sussurrou de volta, se aproximando um pouco mais. Olhei para aqueles olhos azuis e balancei negativamente a cabeça
– Eu não acho certo você se arriscar desse jeito por alguém como eu – estávamos mantendo esse diálogo através de sussurros. Abaixei minha cabeça
– Natasha, olha pra mim – ele ergueu minha cabeça, segurando firmemente meu rosto– Eu faria tudo de novo
– Steve... – olhei novamente para baixo. Ele me interrompeu
– Natasha – ele disse suavemente, levantando meu rosto de novo. Segurei suas mãos ali, elas me davam proteção – Eu nunca vou te abandonar
– Você não entende Steve – falei ficando com o semblante sério – Eu não posso, não quero perder mais uma pessoa na minha vida
– Hey... – ele aproximou seu rosto do meu– Eu prometo que sempre te protegerei
– Eu tenho medo – admito que meu coração estava se rasgando enquanto me separava um pouco dele
– Eu estou aqui, nada nunca te machucará. Eu não permitirei – eu queria tanto encostar meus lábios nos seus, mas eu não podia. Algo me dizia que era errado
– Calma, calma Picolé... – falei colocando uma de minhas mãos em seu peito, nos afastando
– Você me chamou do que? – ele deu um sorriso, o que me fez sorrir também– Convivendo muito com o Stark, ruivinha
– Talvez... – respondi ainda com um sorriso bobo na minha cara
– Vamos sair daqui? – nos encaramos sérios novamente
– O que? – pedi, um pouco sem entender
– É... Vamos sair daqui? – ele segurou meu queixo com a sua mão
– Não posso, seu eu sair e o Fury me ver ele me mata – afirmei me levantando da cama e observando a grande janela que tinha em seu quarto
– Ele não vai ver a gente sair e além do mais, já são 23h43min P.M., quando a gente sair já vai ser amanhã – afirmou enquanto vestia sua jaqueta de couro – Vá pegar uma blusa em seu quarto, está um pouco frio lá fora
Fui em direção ao meu quarto, pensando no corredor no quanto as palavras de Steve tiveram efeito sobre mim. Cheguei rapidamente no meu quarto e vesti uma roupa confortável. Saí apressadamente em direção ao quarto do Rogers:
– Você está... Uou – ele me encarava com uma expressão surpresa – Vamos?
– Como nós vamos sair? – ele olhou para a janela. Olhei pra ela também e então ele puxou o escudo para sua mão
– Vamos sair do meu jeito – ele se aproximou de mim e agarrou minha cintura, colando nossos corpos. Ele saltou pela grande janela de seu quarto, amortecendo a minha queda com o escudo e com o seu corpo e caindo em um ‘’beco’’ que tinha ao lado do prédio. Tenho que agradecer o Stark depois por fazer os quartos nos andares mais baixos.
– Você ficou louco? – na verdade eu brigava por instinto. Havia adorado aquela sensação de adrenalina e ao mesmo tempo de proteção
– Ainda não – ele segurou minha mão após largar seu escudo dentro de um dos carros do Tony que estavam estacionados na frente da Torre – Vamos?
– Vamos – caminhamos abraçados. O vento era um pouco forte, tornando a noite gélida. As avenidas, por mais que seja tarde, estavam movimentadas. Famílias, namorados, amigos, todos reunidos na Times Square:
– Que noite linda – comento de repente, com os nossos corpos ainda abraçados
– Não mais linda do que uma ruiva baixinha na minha frente – ele me provocou com um sorriso no canto dos lábios. Sorri também, continuando nossa caminhada. Logo avistamos um aglomerado de pessoas e escutamos uma música. Olhamos para o local e percebemos o que estava acontecendo: haviam anunciado que teria um grande show aberto ao público.
Fomos para o meio, onde todos pulavam animados. Eu e Steve ficamos abraçados por umas três músicas, quando começou a chover. A maioria das pessoas não se importou com isso e continuaram dançando:
– Vamos dançar? – ele perguntou, enquanto começava a tocar All Of Me (John Legend)
– Aqui na chuva? – eu estava rindo
– Vem logo – ele me puxou para perto, fazendo nossos corpos colidirem. Envolvi meus braços em seu pescoço e dançamos por quase um minuto, quando comecei a ficar com frio
– Steve... Estou com frio – encarei seus olhos
– Me abraça – ele pediu. Fiquei sem entender e creio que ele deve ter percebido – Eu te ofereceria meu casaco, mas ele está todo ensopado e não adiantaria nada. Me abraça que eu tento te aquecer
– Não sabia que um cara da década de 40 dançava bem – falei em tom de brincadeira enquanto estava abraçada a ele. Ele apenas deu uma risada e permaneceu ali, me abraçando – Eu não sei por quê, mas me sinto protegida hoje
– Eu sempre vou te proteger, Natasha – ele olhou para mim; apenas me apertei mais em seus braços, dando um leve sorriso– Você faria uma coisa que quisesse muito, mas saberia que é errado? – perguntou
– Claro que faria! Ninguém sabe o que é certo e o que é errado – eu respondi
– Seria errado eu te beijar agora? – eu não respondi, apenas o beijei
Nos separamos e ele começou um novo beijo, aprofundando mais dessa vez. Ardíamos em paixão, era uma batalha intensa entre nossas línguas. Ele abaixou as mãos para a minha cintura onde tinha um pouco da pele exposta, o que me fez soltar um leve gemido com o contato de sua mão. Nunca me senti tão completa, tão feliz e tão errada na minha vida. Aí que eu lembrei que isso era errado. Quebrei o beijo, dando um leve empurrão nele e saindo correndo. Eu tentava me desvencilhar o mais rápido possível das pessoas, eu estraguei tudo. De novo. Como eu fui boba:
– Nat! Espera! – só consegui ouvir os gritos dele por alguns segundos. Depois, perdi o rumo. Não apenas da direção em que estava indo, perdi o rumo da minha vida.
Continua...
Leiam as notas finais :)
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