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5 Capítulo 5 - Better Together
Notas iniciais
– Hmm... Boa escolha – o corretor afirma sorrindo – Pretendem se mudar logo?
– Amanhã mesmo – minha vez de se pronunciar
– Ok, vejo que vocês estão de acordo com o tipo de morador indicado para aquele edifício. Preciso que preencham um formulário e assinem os papéis – o corretor que nem se apresentou nos entregou uma folha para cada um com perguntas do tipo ‘’ possui animais de estimação?’’, ‘’ possui filhos?’’ e essas coisas chatas. Preenchemos rapidamente, assinamos e nos despedimos – Uma boa tarde e uma boa estadia
– Muito obrigada – nos despedimos juntos
Ao sairmos na calçada a felicidade era clara em nossos rostos:
– Las Vegas? – Steve perguntou sorrindo
– Las Vegas – sorri mais ainda, correndo para abraçá-lo
Ele me girou ainda no abraço, fazendo com que eu tenha a certeza que, apesar de tudo, estamos juntos nessa. E que não existe outro cara me ajude a esquecer os meus problemas como Steve, ainda mais quando o meu problema era ele.
Eu não consigo encontrar o melhor nisso tudo, mas eu estou sempre procurando por você. Porque você é o que eu sinto falta e está me deixando louco. Eu meio que penso que não vai melhorar. É o mais longo começo mas o fim não está muito longe, você sabe que eu estou aqui para ficar.
After Midnight — Blink-182
Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos – 18h03min
P.O.V Natasha Romanoff
Depois de irmos a um restaurante almoçar, resolvemos voltar para o hotel onde nos hospedamos. Chegamos perto das 18h 00min, o que nos dava tempo suficiente para tomarmos um banho e arrumarmos nossas poucas coisas. O avião saía as 23h 00min e não podíamos nos atrasar. Ficamos assistindo TV, até que Steve me sai com essa:
– Por que você é tão fechada comigo? – ele me encarou. Estávamos sentados lado a lado na cama
– Por que eu deveria me abrir pra você? – respondi na lata e me arrependi logo depois. Sabia que Steve iria se magoar, eu não deveria ter sido grossa
– Eu já salvei sua vida inúmeras vezes e pelo o que fizemos no Central Park achei que tinha algum tipo de liberdade com você – travei na mesma hora. Agora ele tinha ido pro meu ponto fraco e fiquei irritada, eu não perderia essa discussão. Percebi que ele começou a se alterar
– Você deveria saber que não significou nada – fui grossa novamente. Se ele achava que tinha algum tipo de direito sobre mim, estava muito enganado. Tive sorte que alguém bateu na porta, interrompendo nossa discussão. Steve não escondia ter ficado magoado – Eu atendo
– Vai logo – ele disse irritado
– Pois não? – abri a porta, dando de cara com um funcionário
– Boa noite – cumprimentou um funcionário do hotel – Espero não ter interrompido nada
– Imagina – sorri simpática, tentando disfarçar – O que deseja?
– Os senhores gostariam de alguma bebida? – ele sorriu
– Ah... Que ótimo! Serviço de quarto! – Steve exclamou irritado, revirando os olhos
– Não seja grosseiro, Rogers! – devolvi sua provocação – Eu quero um suco natural de maracujá, por favor
– Sim, senhora. Voltarei imediatamente com sua bebida – ele disse, se retirando. Pelo menos o hotel que Fury nos mandou era de ótima qualidade. Fechei a porta
– Que bicho te mordeu? – encarei e Steve e perguntei
– Nenhum – respondeu indiferente – Só achei que você não fosse assim
– Assim como? – perguntei irritada – Você acha o quê? Que tem algum direito sobre mim? Sinto muito Rogers, mas não é assim que as coisas funcionam
– Ok – respondeu irritado, tentando acabar com a discussão. Ouvimos batidas na porta novamente; deveria ser o funcionário, então corri para atendê-lo
– Obrigada – agradeci, enquanto eu adentrava o quarto com a bebida na mão. O funcionário apenas assentiu, deixando o quarto logo em seguida. Fechei a porta e fui na sacada tomar meu suco
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Faltava 1h 30min para a nossa viagem. O clima entre nós era tenso, mas disfarçávamos. Nossas conversas eram rápidas, com respostas curtas:
– Temos que ir – falou Steve
– Tá – respondi mais seca ainda
Pegamos nossas coisas, pagamos a conta e saímos do hotel. Demoramos bastante para chegar até o aeroporto. Faltava uma hora para o nosso vôo:
– Pega as passagens – falei pra ele, me dirigindo para o check-in
– Não estão com você? – ele me olhou preocupado. Só o que me faltava o Fury ter esquecido de nos entregar as passagens
– Não! Você que devia estar com as passagens! – eu exclamei irritada enquanto gesticulava
– Me desculpe senhora irritadinha! Talvez se não tivesse brigado comigo no hotel e tivesse se lembrado há duas horas atrás você poderia ter as passagens na sua mão agora! – ele gesticulava
– Sério que vamos discutir isso aqui? Vai a merda, Rogers! – era a gota d’água.
– Eu já tô na merda, eu tô com você – eu não ia conseguir revidar uma cortada dessas e no final ele tinha razão
– Tudo bem, vamos manter a calma – falei, massageando minhas têmporas
– Tem razão – ele concordou
– Como as passagens não estão com você? – pedi, um pouco mais calma
– Eu achei que estivessem com você, Natasha. Nem me dei ao trabalho de pedir ao Fury porque achei que ele já havia te entregado – ele respondeu
– Vamos comprar, então – suspirei cansada, indo na frente e sendo seguida por ele. Cheguei no caixa e pedi – Quanto custa duas passagens pra Las Vegas pro avião que sai ainda hoje?
– Desculpe, para o vôo de hoje estamos esgotados – a recepcionista me respondeu
– Quando sai o próximo vôo? – pedi, fechando os olhos e torcendo para ser logo
– Seria daqui 2 dias, mas tivemos problemas no aeroporto de Las Vegas, então provavelmente sairá daqui 8 dias o próximo vôo – ela respondeu sorridente. Que vontade que eu tinha de socar a cara dela pra tirar esse sorrisinho do rosto
– Como 8 dias? Não tem nenhum antes? – Steve se pronunciou
– Infelizmente não – a mulher disse – O que vocês poderiam fazer seria pegar um roteiro de quatro aviões, que fazem um roteiro entre as cidades pequenas e depois passam por Las Vegas. Mas além de mais caro e cansativo, demora 7 dias, por isso sugiro que vocês esperem o próximo vôo. Desejam mais alguma coisa?
– Socar sua cara – murmurei baixinho, mas creio que ela ouviu
– O quê? – ela perguntou com uma expressão assustada. A mesma expressão que estava estampada na cara de Steve que me olhava com os olhos arregalados
– Nada não... Obrigada – sorri falsamente e agarrei o braço de Steve, o puxando para longe dali – O que faremos agora?
– Tive uma ideia – Steve me puxou até um táxi. Fomos até a rodoviária de Los Angeles, onde provavelmente iríamos comprar passagem para ir de ônibus. Rogers me arrastou direto para o local onde vendem as passagens – Preciso de duas passagens para Las Vegas ainda hoje. Têm?
– Tenho – a senhora carrancuda que estava atrás do balcão respondeu
– Ótimo, queremos duas – falei rapidamente. A senhora já separava as passagens – Quanto vai custar?
– 250 dólares cada um – Steve arregalou com a afirmação
– Por que tão caro? – Steve perguntou
– Não importa o valor, dá logo o dinheiro pra ela Steve, temos que chegar lá no máximo em 4 dias – respondi antes da mulher para não perder tempo
– Nos dê um minuto – Steve falou para mulher e me puxou pelo braço até um canto – Eu não tenho todo esse dinheiro. Tenho só 200 dólares
– Como não? Fury te deu dinheiro, você tem que ter! – eu estava me alterando de novo
– A gente gastou! Pedir mais dinheiro pra ele agora não adianta, vai demorar já que ele disse pra pedir com antecedência – ele respondeu
– Ta, tanto faz – bufei irritada. Apenas disse isso e voltei para falar com a senhora carrancuda que nos atendeu antes – Tem alguma opção mais barata?
– Tem, mas são três dias viagem – ela respondeu. Nos entreolhamos e sem nos dar chance de nós pedirmos o porquê de demorar tanto, ela já foi respondendo – É um ônibus de qualidade mais baixa e passa por várias cidades antes de Las Vegas, fazendo um tour nas cidades. Custa 45 dólares cada um. Vão querer?
– Sim – resolvi falar para agilizar. Peguei a carteira do bolso de Steve, entreguei o dinheiro e esperei o troco
– Aqui está – ela disse me entregando o troco – O ônibus sai as 23h 15min
Nem sequer agradecemos e já fomos direto para um banco da rodoviária. O clima entre nós era tenso e nenhum dos dois abriu a boca. Os vinte minutos que faltavam para a saída do ônibus passaram rápido:
– Faltam dez minutos, vamos indo no ônibus – falei me levantando
– Pode ser – ele respondeu se levantando também
– Entreguem a passagem e a identidade para identificação dos dois – o motorista que esperava na porta do ônibus falou
– Ok – nós dois entregamos e pegamos o papel que indicava o número do nosso assento de acordo com a passagem
– Sou Jacob e podem me chamar se precisarem de algo. Boa viagem – o motorista falou
– Obrigado – Steve agradeceu, entregou nossas malas para o copiloto que as colocava no bagageiro. Subimos as escadas do ônibus, parando no meio do corredor, procurando nossas poltronas
– A minha é a 16 – falei, já entregando minha mochila a Steve para ele colocar no lugar acima das cadeira destinado a isso e me sentando. Ele ficou paralisado, até eu falar – Senta
– A minha não é a 17. A minha é a 18 – ele respondeu com uma cara não muito boa e foi para a poltrona atrás de mim. Um homem logo se sentou ao meu lado e me encarou por um tempo longo demais, depois deu um sorrisinho e virou o rosto pra frente. Steve percebeu e pela sua expressão não gostou nada disso
– Atenção senhores passageiros, aqui quem fala é o Jacob, motorista do ônibus. Lhes desejo uma ótima viagem, se precisarem de algo, chamem meu auxiliar, Matthew. Daremos partida em poucos instantes rumo a Fort Irwin Peço que utilizem o cinto se segurança e tentem se manter em silêncio, pois as luzes serão desligadas após cinco minutos de partida para aproveitarem uma noite de sono, amanhã teremos um longo dia. Boa noite — o motorista anunciou.
No ônibus o único barulho audível era o de sussurros. Steve estava encarando o lado de fora da janela, pensativo. Meu fones estavam na minha mochila que estava no compartimento acima da minha cabeça. Pedi licença ao homem do meu lado para passar, já que eu estava sentada na janela. Percebi que enquanto eu me esticava para tentar pegar minha mochila, o homem fitava minha bunda. Eu tinha vontade de socá-lo, mas permaneci quieta. Acho que o homem percebeu minha dificuldade para alcançar minha mochila e se levantou:
– Eu te ajudo – o homem que senta ao meu lado abriu um largo sorriso, já se posicionando para alcançar minha mochila. Steve levantou rapidamente ao ver o homem de pé ao meu lado
– Pode deixar que eu ajudo ela – Steve se colocou entre eu e o homem. Steve estava com uma das mãos envolta da minha cintura , como se dissesse ‘’ela é minha’’.
– Eu posso muito bem me virar sozinha – subi no banco, apoiei uma de minhas mãos no ombro de Steve. Peguei meus fones e coloquei a mochila de volta no lugar, indo me sentar na poltrona
– Você não parece ser daqui – o homem ao meu lado disse logo após se sentar também
– E não sou – eu sabia que ele ia perguntar de onde eu era, então já me adiantei em falar pra não prolongar muito a conversa – Sou de San Francisco
– Legal. Sou Jordan, muito prazer — ele sorriu novamente. Não vou negar que ele é muito bonito – Qual o seu nome?
– Natasha – respondi, dando um meio sorriso, o que o fez sorrir também. Eu queria na verdade relaxar escutando minha música, mas ele não calava a boca. Percebi que Steve apenas escutava a conversa com uma cara não muito agradável. O assento do seu lado estava livre o que era bom pra ele, poderia esticar as pernas. Não posso dizer o mesmo pra mim
Desligaram as luzes poucos segundos depois da minha resposta, o que fez Jordan ficar de boca fechada. Não se passaram quinze minutos até eu sentir um calor bem perto do meu ouvido e um arrepio percorrer minha espinha. Era Steve:
– Nat... Eu queria você do meu lado – ele sussurrou. Jordan que antes parecia estar dormindo, logo acordou. Resolvi pedir pro homem ao meu lado trocar de lugar
– Jordan, você poderia trocar de lugar com ele? – pedi fazendo uma carinha meiga
– Desculpa, mas não é possível trocar de assentos – Jordan falou com um sorrisinho provocativo enquanto mexia no seu celular. Apenas suspirei, vendo a irritação no rosto de Steve
– Desculpa Steve – falei, dando um beijo na bochecha dele – Na próxima parada eu dou um jeito de sentar do seu lado
Ele sorriu e voltou a se encostar em sua poltrona. Percebi que Jordan me fitava durante a noite e quando eu olhava de volta ele desviava o olhar, como se me avaliasse fisicamente. Steve também percebeu essas olhadas no início mas não comentou nada. Quando olhei para trás percebi que Steve dormia tranquilamente, assim como todo o ônibus. Já eram 02h 00min da madrugada. Jordan ainda me fitava de vez em quando, o que me deixava desconfortável. As luzes se acenderam e o motorista não demorou a anunciar a primeira parada em um posto com conveniência para abastecer e esticarmos as pernas:
– Senhores passageiros, aqui é o motorista quem fala e gostaria de anunciar que estamos fazendo uma parada para abastecer e comer algo se quiserem. Peço que tomem cuidado com o local pois é madrugada e está chovendo forte – só percebi que chovia fortemente depois dele falar, pois tirei meus fones e pude escutar os barulhos
Me levantei, peguei minha mochila e saí do ônibus, onde fiquei parada esperando Steve encostada em um dos pilares da estrutura do estabelecimento. Ele logo desceu, também acompanhado de sua mochila:
– Eu vou comprar algo pra comer, você quer? – ele pediu
– Um Kit Kat – falei indiferente
– O que é um Kit Kat? – ele perguntou. Ri da sua falta de conhecimento
– É um chocolate de embalagem vermelha, quando você ver irá reconhecer – falei sorrindo – Eu te espero aqui fora, gosto de respirar o ar da chuva
– Como quiser – ele disse e entrou na conveniência
Eu estava escorada no pilar, observando o nada, pensando em como voltar a me entender com Steve. Eu realmente estava perdida nos meus pensamentos, quando uma voz conhecida me chama:
– Pensando em algo? – Jordan disse
– Não... Só estava acalmando os pensamentos – respondi
– Quer dar uma volta? – ele me convidou. Eu não tinha nada a perder e Steve estava demorando. Mandei uma mensagem pra ele avisando que iria dar uma caminhada e que logo estaria de volta
– Claro – afirmei dando um sorriso
Ficamos caminhando na área coberta por um tempo em silêncio, estávamos nos afastando um pouco do estabelecimento. Ao lado não muito distante, tinha uma borracharia que estava fechada. Depois era só a estrada e vegetação, dando um ar sombrio à aquele lugar:
– Você trabalha com o que? – ele me perguntou
– Sou psicóloga – menti – E você?
– Não trabalho no momento. Mas logo você vai descobrir o que eu gosto de fazer – ele deu um dos seus piores sorrisos e me arrastou a força pelo braço até a parte de trás da borracharia.
Ele começou a apalpar meu corpo e cada vez mais eu sentia nojo daquele sujeito. Ele apalpou minha bunda e quando apalpou meus seios eu comecei a implorar para ele parar mas ele não parou. Jordan começou a beijar selvagemente meu pescoço. Não adiantaria gritar, ninguém escutaria. Eu estava paralisada, em choque, até o momento em que ele me empurrou contra a parede. Eu me debatia, batia em seu peitoral, mas nada adiantava. Comecei a chorar e a gritar desesperadamente, o pânico tomava conta de mim. Eu só conseguia me lembrar dos tempos de KGB, onde faziam exatamente a mesma coisa comigo.
Nunca desejei tanto a proteção de Steve como nesse momento. Eu tentava lutar contra Jordan mas todas as minhas investidas ele interceptava e revidava. Meu rosto já sangrava devido aos socos que eu tinha levado e minhas roupas já estavam rasgadas.
Eu tentei novamente socá-lo, mas levei um chute em resposta. Me perguntei se Steve guardaria rancor se eu morresse agora, minha vida passou pelos meus olhos. As coisas que fiz de errado, Clint, Fury, Stark, Banner, Thor, Jane, KGB, H.Y.D.R.A, Steve, todas as coisas erradas que fiz, todo o mal que fiz a Steve e a missão que Fury havia me mandado executar que também só traria mal a ele. No final eu era mesmo um monstro e merecia esse final, merecia a morte. Eu simplesmente dei um último grito, antes de me apoiar na parede e deixar a situação tomar conta:
– STEVE, ME PERDOA – eu continuava gritando desesperadamente
– Seu namoradinho não vai te ouvir — Jordan disse para o meu desespero
Enquanto as lágrimas dos meus olhos rolavam pelo meu rosto se confundindo com as gotas da forte chuva que caía, eu escutei passos vindos em minha direção. Tomei coragem e abri os olhos. Não acreditei no que eu vi, pensei que era uma visão. Apenas petrifiquei no lugar, observando Steve se aproximar por trás. Ele desferiu um soco na cara de Jordan, o fazendo perder o equilíbrio e me puxou para si. Eu caí no chão com o impulso de Steve:
– Corre, Nat! – ele gritou. Eu que estava caída no chão, rastejei de costas para pegar minha mochila e logo me levantei, correndo. Só consegui ouvir o barulho de mais um soco e da voz de Jordan
– Ainda nos veremos ruivinha, ainda nos veremos – ele gritou
A chuva tornava o chão muito mais liso e aumentava a minha dificuldade para correr. As únicas peças de roupa que ainda estavam um pouco inteiras eram as minha calça de moletom que tinha pequenos rasgos nas laterais e no joelho e minhas meias que ainda estavam inteiras. Corri para o banheiro que ficava do lado de fora da conveniência e me olhei no espelho. Minha boca sangrava, assim como alguns cortes que haviam em minhas costelas. Provavelmente arranhões causados pela parede áspera. Troquei rapidamente de blusa, dei uma lavada nos cortes e saí pra fora, a espera de Steve.
Não demorou muito para ele chegar e eu escutar barulhos de sirene. Provavelmente Steve chamou a polícia enquanto eu estava no banheiro lidando com os cortes. Eu o vi caminhando pela chuva, voltando para a área coberta e vindo até mim. Ele possuía um corte no lábio inferior, um ferimento de faca em seu braço direito, sangue em sua camisa cinza e em suas mãos:
– Olha o que aquele filho da mãe fez em você, Nat! – eu fui correndo abraça-lo.
– Tá tudo bem Steve, tá tudo bem – ao ver que eu ainda chorava, ele me apertou mais contra ele – Eu tô com tanto medo ainda, por favor não me solta
– Não vou te soltar nunca mais – era ali que eu queria estar. Nos braços dele, me sentindo protegida de todos que queriam me machucar. Ficamos mais um tempo abraçados, até eu me acalmar e o motorista anunciar a volta para o ônibus. Antes de voltarmos, Steve trocou a sua camisa e jogou a antiga no lixo, aproveitando pra lavar um pouco o rosto e os ferimentos:
– Pessoal, retomem ao ônibus, daremos continuidade a viagem – voltamos e colocamos nossas mochilas nos seus devidos lugares.
– Steve... Eu quero sentar do seu lado – ele riu ao lembrar que essa era a frase que ele havia dito para mim antes da parada
– Vem cá – ele me abraçou e nós sentamos. Depois de uns cinco minutos, o motorista repetiu o ritual de antes que era desligar as luzes e dar partida no veículo
– Me desculpa – sussurrei baixinho para ele
– Desculpa pelo que? – ele pediu, botando o braço sobre meus ombros, fazendo eu encostar minha cabeça em seu peitoral. Eu fazia círculos com dedo na região, brincando com a camisa
– Por ter te colocado nessa situação, olha o perigo que você correu – ele me encarou sério
– Eu acho que você sabe que se precisasse eu faria de novo – ele respondeu ainda me encarando – Você deveria ter tomado mais cuidado
– Eu sei – falei enquanto brincava com os seus dedos que me envolviam
– Eu estava preocupado com o seu sumiço – ele disse enquanto passava o dedo em meus lábios, onde havia os cortes– Até escutar seus gritos e correr em sua direção
– Eu queria te agradecer. Por tudo. E pedir desculpas pelas nossas brigas, eu fui uma idiota – encolhi minha cabeça na curva do seu pescoço por vergonha de encará-lo. Ele sempre me salvava e eu sempre era uma boba com ele
– Não precisa me agradecer, Nat – ele respondeu enquanto mexia em meu cabelo – Eu vim pra ficar
– O que você fez com o Jordan? – perguntei
– Eu já tinha chamado a polícia quando você sumiu e depois de bater muito nele, a polícia o levou preso – ele continuava mexendo no meu cabelo e eu continuava mexendo no seu peitoral
– Por que você se preocupa tanto comigo? – pedi, dessa vez o encarando
– Porque você me faz bem – ele respondeu – Dorme agora, você deve estar muito cansada
– Obrigada por se preocupar – dei um beijo em sua bochecha
– Você sabe que eu sempre vou – ele respondeu, beijando o topo da minha cabeça
Depois de escutar essas palavras eu apenas dormi, exatamente onde eu queria estar. Um protege o outro e juntos, enfrentamos o mundo. E o Fury.
Continua...
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