Notas iniciais
Boa leituraa

6 meses depois

Achei que depois de conseguir fazer Ilea me amar, a Rússia seria simples, mas obviamente as coisas sempre complicam. Foram necessários meses de visitas às escolas, hospitais e diversos projetos filantrópicos, além de planos e discursos motivacionais para mostrar à população todas as características que tinha que me aprovavam ao cargo de czarina. Não é sempre que seu príncipe é dado como morto e volta com uma namorada e uma filha.

Algumas pessoas não aprovaram, mas com tempo, tudo foi capaz de se resolver. Alex permaneceu ao meu lado durante todas as crises de histeria e desanimo, durante todo o pessimismo que acreditava nunca acabar. Até mesmo Maxon compareceu a grande maioria deles, pela tela do computador, mas do mesmo jeito presente. Ele ligava todos os dias para falar com a filha e de um jeito engraçado e fofo os dois conversavam em sua própria língua. Ele deprimia-se por perder a primeira angatinhada e todos os outros ”primeiros", Nastia sempre os repetia para ele quantas vezes quisesse mesmo do outro lado do oceano, mas o primeiro passo foi dado para Maxon, já que Alex estava em um treinamento no norte da Rússia e o lugar era incomunicável, nunca os vi tão felizes, Maxon de ter sido o primeiro a ver e Alex ao chegar e encontrar sua princesinha andando. Geórgia e August ainda não haviam pisado na bola, o que eu particularmente achava ótimo. Maxon nos informava sobre as condições do país e era impressionante a quantidade de coisas que Clarkson conseguiu manter secreto mesmo depois de sua morte, mas o rei atual já estava tomando conta de tudo e trabalhando por um futuro digno para todos.

Me envergonho de admitir que sou péssima em russo. Comecei a ter aulas da língua e eu não poderia estar indo pior. Me sentia no colégio, como nunca tinha ido antes por estudar em casa, então era uma ótima sensação. Marlee, Carter, Celeste, Aspen, todos estudavam comigo e talvez esse fosse o motivo pelo qual não sabia nem os números na língua do meu novo país, mas as memórias construídas com certeza valiam à pena a falta do conhecimento. Comecei a ter também, com Kira, aulas das funções e deveres de princesa e futura imperatriz. Eu achava que minha antiga professora era rígida, mas minha sogra era muito pior. Sentia falta das aulas de Silvia e das garotas, mas nunca falaria isso para Kira. Tanta coisa aconteceu que eu nem ao menos notei as luas se passarem. Até hoje, quando fui acordada por dezenas de garotas em meu quarto, excitação clara em seus rostos, mas sem Alex ao meu lado.

_Faz mais de quatro horas que você está escolhendo um vestido. Já revirou todos os closets do palácio e você realmente não consegue encontrar uma roupa?- pergunto verdadeiramente curiosa.

_America, eu sou Celeste Newsome.- diz como se isso explicasse tudo e as outras garotas riem.- Eu necessito de um vestido magnífico.- completa e volta a jogas tecidos e roupas para o alto, deixando minhas criadas loucas, a correr as catando.

—Quem diria, não é mesmo? Sempre soube que minha Ames tinha sido destinada para a grandeza. — May pula em cima da cama, maia agitada do que todas. — Por falar nisso, Alex tem alguns primos mais novos?- pergunta inocentemente e gargalho.

_Eu não sei. Pergunta para Celeste. Ela é especialista em primos. — ela me mostra a língua e volta a se entulhar em vestidos.

_Fique parada, Senhorita. — Anne briga comigo e paro de me mexer. Minhas criadas dão os últimos retoques em minha maquiagem e em meu cabelo. Tento desesperadamente não olhar para o espelho na minha frente, deixar para admirar sua obra de arte quando pronta, mas a tentação é grande demais. Depois de arruinar a surpresa, mas passar minutos boquiaberta e admirada com tamanha perfeição alterno o olhar para a parte de baixo do espelho onde observo Nastia brincando com Kile e Astra, alheios a tudo. Minha filha já tem um ano e ela não poderia ser mais adorável.

—Minha filha. — minha mãe aparece atrás de mim. — Me desculpe, mas Kota não vem. — anuncia e fecho a cara. Fico sem saber exatamente o que saber. Claro que gostaria de ter toda a família reunida em um momento tão importante como esse, mas parte de mim ainda se amarga por todos os acontecimentos do passado e acredita que ele ter ficado foi a melhor decisão.

_Alguma de vocês sabe se Aspen já está pronto?- mudo de assunto e minha mãe se afasta, grata por não ter que continuar o assunto desagradável para todas.

_Sim. O conde estará a sua espera na catedral. – a criada russa responde e assinto. Com a morte do meu pai, Aspen é o mais perto que tenho de família e acreditei que ele não fosse aceitar quando o convidei, mas ele facilmente aceitou o cargo.

_Acho... Que está pronta. — Mary anuncia com um sorriso satisfeito abre espaço para que todas se juntem ao meu redor e contemplem a arte.

—Você está tão linda minha filha. E ainda nem colocou o vestido. — vejo ela secar discretamente as lágrimas no canto do olho e ela me abraça, fraco, com medo de estragar o que já foi pronto.- Sei que gostaria que seu pai estivesse aqui, mas saiba que ele está orgulhoso de você, independente de onde estiver.

—Não chore!- ouço o coro e sorrio, engolindo a tristeza.

—Ansiosa para finalmente ver Alex?-minha irmãzinha, que agora já não é tão pequena assim, surge na minha frente em seu vestido esvoaçante. Não vejo Alex desde a tarde anterior e eu não poderia estar sentindo mais sua falta. Com todos os preparativos pro casamentos e os últimos ajustes, quase não o vi.

_Com certeza.

—Então vamos. Não queremos que o noivo acredite que a noiva não aparecerá.

Pov Alex.

_É normal?... Suar?- pergunto nervoso para Gustav, que está em pé ao meu lado no altar.

_Está com medo de que ela não apareça?- meu pai ri da minha situação embaraçosa.

—Não. Pelo contrário. Tenho medo se ela aparecer. — respondo honesto e tento relaxar os ombros, mas só arranco mais risadas dos dois.

A Catedral da Trindade, enorme, conseguiu pela primeira vez desde que consigo me lembrar, estar lotada. A multidão se acomoda em seus lugares, barulhentos. Um grupo estranho de famílias reais comportadas e selecionadas escandalosas, mas nenhum sinal de America. Sinto o suor escorrer por minhas mãos e tento discretamente limpa-lo, mas o nervosismo parece evidente em meu rosto. Não os culpo por encarar, provavelmente pareço aterrorizado mesmo.

_Ansioso pela noite de núpcias?- Gustav me dá um empurrãozinho e tenta conter a risada.

_Meus pais nos proibiram de dormir juntos essa semana!- digo bravo em um tom de injustiça.

_Culpado. — Meu pai diz sem me olhar.

—Consegue acreditar nisso?!- o ignoro- Já temos uma filha, qual é a necessidade?

—Não ter outra?- chuta. Estava prestes a responder com alguma outra baboseira quando um guarda me chama.

—Ela chegou Alteza. — ele fez uma reverência e some no meio das flores.

Imediatamente meu coração começa a bater mais rápido, e por um momento achei que fosse explodir. Mas foi só ao ver seu sorriso terno, seu olhos azuis me encarando há centenas de metros através do tapete vermelho, que eu senti que poderia voar. São tantas dúvidas e certezas, tantas esperanças e desilusões, tanta vida pela frente que às vezes gostaria de dormir nesse momento para não acordar, sem o constante medo do arrependimento, mas sim com a felicidade de seu sorriso no dia mais alegre de nossas vidas.

Pov America

Quando os portões dourados da igreja se abriram, percebi a vontade com que estava de sair correndo, ainda com a dúvida sobre qual dos dois lados. A música começou a tocar e centenas de olhos se viraram para mim, fazendo com que eu me encolhesse dentro de mim mesma.

—Não se preocupe. Não vou te deixar cair. — Aspen segura minha mão com mais força e me lança um sorriso tímido. Não consigo ver Alex no altar. São tantos rostos conhecidos e desconhecidos que fiquei tonta imediatamente. A cada passo, frágil, caminho lentamente pelo tapete vermelho. Ouso dar uma olhada para o lado, e vejo elas, nem todas que deveriam estar aqui, estão, mas deslumbrantes do jeito que me lembrava, algumas sorriem feliz, outras nem tento, e me pego impressionada pela decepção de não ver Kriss sentada junto a elas.

Ashley sorri feliz para mim, enquanto Emmica e Tiny acenam com a mão. Minha mãe chora como nunca havia visto antes. Mas entendo o sentimento. May é provavelmente a pessoa mais animada e feliz do cômodo, depois dos noivos, é claro, mas sua energia me contagia imediatamente e sorrio para ela, que está cercada de meninos. Ela provavelmente será a mais difícil de todos os filhos a se casar. São tantas as opções para ela que não duvido nada de que se apaixone por todos e simplesmente não consiga escolher.

Os poucos segundos que haviam se passado pareciam horas e olho para frente, só para perceber que não andei nem dez metros. Sinto todos os olhares me encarando e estremeço. Tento escolher um ponto fixo alheio, mas encontro a única pessoa do salão que não me olha. Maxon. Ele, ao contrário, olha apaixonado para a mulher, que nem ao menos parece perceber, ou se percebeu, simplesmente não ligou. Os braços de Maxon estão ao redor da cintura da noiva e, se não soubesse tudo o que tinha acontecido seis meses atrás, se não tivesse presenciado todo o seu sofrimento, acharia que foi fácil para ele encontrar outra esposa. Quando disse para ele sobre a princesa grega, eu não tinha noção do que estava falando.

A princesa Dianna é muito mais do que isso. Seu corpo negro é esguio e atlético, mas o rosto é puramente angelical. O cabelo cacheado está preso e seus olhos brilham com uma intensidade capaz de cegar qualquer um. Demorou bastante para que eu conseguisse convencê-lo de que ela não o largaria quando soubesse sobre nossa filha. Claro que se assustou, mas aceitou e trata Nastia como a própria filha. Ela sorri para mim e logo vira o rosto para o lado, se assustando com a bochecha no noivo, perto demais da sua. Os dois riem e trocam algumas palavras que não consigo entender, então se beijam, sem se importar com todos ao redor.

O amor pode curar, pode remendar sua alma, e era exatamente o que Maxon encontrou. A luz para todo a escuridão que havia tomado conta de sua vida. Desvio o olhar, com a sensação de que interrompia um momento íntimo, mesmo que eles não soubessem que eu observo. Então, pela primeira vez, vejo seu sorriso abobado do outro lado e por um momento achei que fosse tropeçar, mas não. Nessa estrada tortuosa de complicações, analiso nós dois, lembranças e memórias, e, mesmo já sabendo disso há tempo, você é minha estrela guia, atravessando emoções, me levando para o lugar onde pertenço. Me concentro em seu rosto e não desvio. Por impressão, ou não, os segundos pareciam demorar cada vez mais, mas quando Aspen entregou minha mão para Alex, toda a espera não parecia fazer sentido. Estávamos aqui, agora, do que adianta reclamar do passado?

_Tem certeza de que quer isso? Ainda dá tempo de mudar. — diz com um sorriso, tentando esconder o nervosismo.

—Talvez eu seja a pessoa mais louca por isso, mas sim, vou permanecer exatamente aqui. — ele sorri satisfeito e me guia até o sacerdote. Talvez se eu tivesse prestado atenção nas aulas de russo meu casamento teria sido um pouco mais rápido. Mas como eu não prestei, o sacerdote, bilíngue, teve que traduzir tudo o que ele anunciava em inglês também. Em parte agradeço, mas já não aguentava esperar.

_Sorria. — aconselho e ele bufa.

—Depois de ensinar os militares a fazerem partos, vou ensinar eles como casar pessoas. Do jeito mais rápido possível. Minha perna está doendo. — resmunga. Tento conter o riso, mas um som estranho sai da minha boca e o sacerdote ortodoxo nos olha repreendedor.

—Desculpa. — murmuramos juntos. Pareceram horas até que ele nos pedisse para, finalmente anunciar nossos votos, e eu finalmente perceber que eu não havia escrito nada. Começo a suar frio enquanto me viro para ficar de frente para Alex, que faz o mesmo.

_Bom, eu queria começar dizendo que sai mais cedo da minha despedida de solteiro para pensar em algo para dizer. Acho que isso devia contar para alguma coisa hoje à noite. — ele levanta a sobrancelha, com segundas intenções, e vejo Gustav e Li rirem atrás de Alex, assim como muitos outros. – Eu poderia escrever alguma coisa, recitar a mais bela poesia ou cantar uma música, mas não seria o suficiente, nada seria suficiente para expressar meu amor por você. Desde a primeira vez que ouvi sua doce voz, que vi seu lindo sorriso, eu soube que você era uma pessoa especial, só não sabia o quanto especial seria na minha vida. Quando caímos naquela ilha achei que fosse me matar. –ouço risos, mas só consigo me concentrar nos seus olhos. –ou no mínimo me culpar por tudo, mas não, você encarou tudo da maneira mais otimista possível e para mostrar minha gratidão tentei de todas as formas deixa a situação melhor. Quando nos beijamos pela primeira vez, disse que não se repetiria o que foi uma grande mentira, porque o que eu queria era te beijar até morrer, mas respeitei seu tempo. E com o passar dos dias nos tornamos amigos e uma forte ligação surgiu entre nós, então descobrimos Anastacia e entrei em pânico, eu não queria te tirar de lá, eu precisava te tirar de lá, pq eu não me perdoaria se algo acontecesse com vocês duas. –ele fecha os olhos e uma lágrima escorre pelo seu rosto, eu a seco com minha mão. –eu acordava de noite só para te ouvir respirando, ver te sorrir enquanto dormia, observar a nossa filha crescer dentro de você, te abraçar durante um pesadelo, confesso que ainda faço isso e não me arrependo de nenhum segundo gasto contigo, todas nossas danças na areia, as aulas de su idioma. – sorrio com a tentativa de imitar o antigo sotaque. –os seus desejos estranhos, as crises hormonais malucas, o nascimento da nossa filha, faria tudo de novo mil vezes se fosse necessário, o resgate nunca chegou e agradeço por isso, você mesma disse que tinha uma sensação que um dia encontraria aquele que iria consertar o coração quebrado e que não vai demorar tanto quando nós acharmos, você estava certa, por que eu te encontrei. America o que eu quero dizer é que não existe a menor possibilidade de eu não te amar, não existe a menor possibilidade de eu não te fazer feliz, porque eu nasci pra te amar.

Sinto as primeiras gotas rolarem pela minha bochecha e não faço nada para impedi-las. E agora não me importo mais com o fato de que não tenho nada planejado para dizer, as palavras simplesmente flutuam dos meus lábios para fora.

—Você é o pior piloto que já vi na minha vida, e ainda assim, me faz flutuar toda vez que sorri. Eu queria tanto te estrangular na nossa primeira noite na ilha, mas sabia que eu precisava de você para sobreviver, então te deixei viver. No calor da noite ao raiar do dia, você me manteve segura. Por um ano você manteve minha esperança acesa, você se renegou a aceitar a derrota e se sacrificou para que nossa filha pudesse nascer em um hospital de verdade. Infelizmente nem tudo o que queremos acontece, mas nunca vamos esquecer aquele momento, quando você tropeçou em todas as árvores possíveis da floresta para chegar até mim, o desespero em seus olhos que finalmente me fizeram perceber que essas memórias vão permanecer sempre revigoradas, porque eu vou te amar quando meu cabelo já tiver parado de crescer, quando minha memória falhar, quando a vida for uma sombra distante. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Eu sofri quando te vi sofrer e não pude ajudar, eu acreditei quando me disse que sairíamos daquela ilha, eu esperei por um oportunidade de te ajudar, eu esperei pelo momento quando eu finalmente poderia ter paz porque você estava seguro.É uma coisa extraordinária quando conhecemos alguém com quem podemos dividir nossa alma, que nos aceita como somos. Eu tenho tentado, pelo o que parece, um tempo muito longo, superar o que eu sou e com você sinto que finalmente posso começar. Nenhum espaço de tempo com você seria suficiente. Sua mania de acreditar que eu queria caranguejo, quando na verdade eu detesto,- ele me olha chocado e eu sorrio de sua expressão- suas rugas na testa toda vez que pensa, nossas conversas estranhas quando você fala enquanto dorme. É você que elas formas e estou completamente apaixonada por você e por todas essas pequenas coisas. Estava me lembrando como tudo que começou, a imensa felicidade que senti. Você me completa em todas as formas, de todos os jeitos, com todos os tipos de felicidade possíveis. Não existe vida longe do teu amor, não existe vida longe de você. Te quero ao meu lado, para sempre e mais se nos for possível. Eu prometo amar-te e respeitar-te até meu último suspiro, porque se você vive apenas uma vez, quero viver com você.

Ele pronuncia um eu te amo sem voz e surge Anastacia com seus paços lentos e desajeitados, num vestidinho branco que só realça seus cabelos ruivos, sorrindo com apenas dois dentes, seus braços esticados tentam chegar mais rápido até nós, um cordão amarrado no braço guarda as nossas alianças, todos riem da cena, Alex se abaixa e pega nossa filha, com certeza foi idéia de Marlee. Depois de pegar as alianças Celeste pega Nastia e leva até Kira. Trocamos as alianças e finalmente o sacerdote barbudo diz.

—O noivo já pode beijar a noiva. — sinto as grandes mãos de Alex me puxarem mais para perto de si, e enquanto ouço a multidão enlouquecer, o beijo como se fosse o último dia de nossas vidas.

Notas finais
BEEMM espero que tenham gostado, amanhã postaremos outro cap só uma coisa, sim a Dianna é negra, belissima e casou com o Maxon Para as Amexon vou me redimir em breve espero, quem gostou que bom, quem não gostou Fod*-**, cansada de hipocrisia e racismo, ninguém é 100% branco aqui. E na amanhã, SERÁ O MOMENTO CELESTE, vcs vão amar até logo