Notas iniciais
Olha a festa espero que gostem das supresas Boa leitura

O barulho era tão alto que não conseguia compreender nada que Alex sussurrava em meu ouvido, eu simplesmente balançava a cabeça em concordância e alternava um “tudo bem” com outro “eu te amo também”. Sua mão segurava a minha forte, enquanto atravessávamos, praticamente correndo, um túnel de convidados e repórteres que se amontoavam do lado de fora da catedral para poder ver os recém-casados, no caso, nós. Olho para o chão e noto os vultos vermelhos na grama verde, levanto o olhar e observo centenas de pétalas de rosas caindo graciosamente pelo ar, em uma verdadeira chuva de flores saindo das mãos de um cara qualquer em um helicóptero. As sinto se depositando em meus ombros e caindo à medida que avanço em direção do carro. Sou cegada pelos flashes assim que o motorista nos abre a porta e olho para Alex uma última vez antes de entrar na caixa metálica. Seu sorriso não poderia ser mais contagiante e não poderia ter me alegrado mais.

_Pronta para a festa?

_Definitivamente não. — sorrio, o beijo entro rapidamente no carro, sem antes arrancar aplausos da multidão.

O caminho da catedral até o palácio não demorou muito, mas foi quieto e silencioso, Não do tipo tenso e constrangedor, mas sim, acolhedor. Alex permaneceu abraçado a mim o tempo todo, mesmo quando fomos obrigados a sair do carro porque havíamos chego e as meninas praticamente me puxaram para longe dele, me empurrando até meu quarto a todo custo.

_Por favor, me diz que você escolheu uma roupa. — Celeste implica abrindo a porta dos meus armários. –Não. Eu deveria?- ela assente óbvia. — Achei que pudesse ficar com esse vestido. Ele é tão lindo. — olho novamente para meu vestido de noiva e me perco na branquidão.

—Então vamos agradecer que Mary e Anne estão preparadas para tudo. — dá de ombros e minhas criadas aparecem com um novo vestido do qual eu não sabia da existência até aquele momento. Elas se juntam e começam o trabalho.

_Alex estará te esperando na entrada principal do salão. Não demore muito!- Marlee grita para mim antes de fechar a porta do meu próprio quarto, me deixando para fora. Reviro os olhos e começo minha caminhada solitária até o andar de baixo.

—Ei. — salda ao me ver.- Você está maravilhosa.- coro.

—Porque estamos aqui fora?

—Algo sobre entrada chamativa, centro das atenções. Nada com que precise preocupar, prometo que te escondo. — dá de ombros, como se me manter escondida durante a festa de nosso casamento sempre estivesse em seus planos.

—Meu herói. — ele ri e me abraça por trás.

—Altezas. — um guarda nos interrompe. — Estamos prontos para o anúncio. — diz rapidamente e se afasta. Alex retira o braço da minha cintura e se porta ao meu lado, me oferecendo seu braço como um perfeito cavalheiro. Antes mesmo que eu pudesse desviar meus olhos dos seus, os portões se abrem e capto o som. Uma mistura inconfundível de música, clicks e gritos. A multidão se concentra nas laterais do salão, deixando um largo corredor até o meio da pista de dança, onde poderemos realizar nossa primeira valsa e agradeço Alex mentalmente, por todas as horas gastas no sol quente e na areia fervendo, tentando quase que inutilmente me ensinar como dançar sem pisar no pé de alguém.

A iluminação da festa só parece favorecer ainda mais o brilho dos detalhes em ouro ao redor das pilastras em mármore, do teto ornamentado e das paredes históricas. No fundo do salão há um palco, onde a banda se prepara para tocar. Nas laterais, mesas com arranjos florais podem ser usadas ou não pelos convidados, que em seus ternos alinhados e vestidos esvoaçantes desfilam com uma taça de champagne na mão. Alex me conduz pela multidão até a parte de baixo do globo de cristal e, ainda segurando minha mão, se porta na minha frente, só esperando pelo próximo passo. Então, finalmente, o quarteto se move a ouço o leve som da melodia ao longe, levando meus pés a se mexerem por toda a área da pista. Alex me conduz para os lados, tentando ao máximo não deixar a vista minha terrível habilidade.

—Se tem uma coisa que eu não arrependo, é de ter te ensinado a dançar.- zomba. Meu corpo está colado ao seu, literalmente. Minha cabeça encostada em seu peito, uma de suas mãos em minha cintura, como uma só pessoa. Sorrio maliciosa e penso mil vezes antes de fazer o que pensava, mas faço do mesmo jeito. Piso em seu pé.

—Ai!- resmunga de dor, sem perder a compostura. — Porque fez isso?

—Para não ficar muito acostumado. — Me afasto levemente, o mínimo para conseguir ver seu rosto e sorrio ao vê-lo fazer o mesmo.

—É um honra ter meu pé pisado por você, minha imperatriz. –faz uma reverência, arrancando aplausos, e me toma em seus braços novamente. Em pouco tempo Nicolau e Kira nos juntaram ao som da música e logo em seguida todos correm atrás de seus pares e lotam a pista, em um movimento coordenado e incrivelmente bonito de se ver. Rodo pela pista, até que, de tão cheia, se faz difícil movimentar.

—Acho que nosso dever acabou. Podíamos ir embora não acha? Consigo pensar em coisas melhores para fazer. — ele me olha sugestivo enquanto nos desviamos das pessoas para chegar até as mesas.

—Temos centenas de pessoas para cumprimentar ainda. — jogo a má notícia e ele resmunga.

_Então depois podemos ir embora? –ele pergunta.

—Sim, podemos. — ele sorri mais alegre e me conduz até Gustav, que conversa animadamente com mais dois primos de Alex que ainda não tive o prazer de conhecer. Admito que estava mais do que perdida. Era meu casamento e eu não conhecia a maioria dos convidados, e parecia impossível lembrar de todos esses nomes grandes, cheios de consoantes e completamente impossível de pronunciar. Dei diversas voltas pelo salão, parando e conversando com todos aqueles que eu remotamente me lembrava, ou os que Alex me disse serem cruciais para as alianças russas e, portanto, eu deveria ser educada.

Ouvi ministros reclamando da política, escutei famílias reais preconceituosas, indignadas com a escolha de noivado do príncipe Illeano. Nos juntamos todos, Maxon e suas antigas selecionadas, e relembramos o passado, assim como botando em dia o presente. Praticamente nem vi minha família direito. Notei May conversando com um dos primos mais novos de Alex, minha mãe sentada em um canto com Amberly, as duas admirando a beleza sonolenta de Nastia. Kenna e James pareciam ter ido embora, minha sobrinha devia estar com sono.

Garçons oferecendo variados tipos de bebida apareciam a cada segundo nos oferecendo o que é que levassem pelos arredores, mas eu recusava. Se esse é o dia mais feliz da minha vida, quero poder me lembrar dele na posteridade, não como uma lembrança embaçada devido à bebida, então simplesmente ficava com a água. Nada demais aconteceu, até que a música parou. Todas as cabeças se viraram para o fim do salão, todos os dançarinos olharam para a banda indignados, nos entreolhamos, tentando entender o significado disso, talvez uma falha técnica? Mas era só Gustav. Ele possui uma caixa na mão e na outra, segura o microfone, claramente desconfortável e tímido por estar ali em cima, na visão de todos os convidados e câmeras.

_Eu gostaria de me desculpar por ter atrapalhado a música e pedir um minuto da atenção de vocês. — ninguém diz nada e ele engole em seco. — Ontem, Alexander bebeu muito e disse muitas coisas em sua despedida de solteiro- ele fala sorrindo e meu marido me olha em uma mistura de susto e desculpas. — Algumas coisas é melhor não repetir- rimos e Alex me olha confuso, sem se lembrar de nada- mas dentre as coisas que disse, foi que encontrou a mulher da sua vida e, assim que a viu, soube que não precisava de mais nada no mundo. Eu nunca imaginei meu primo dizendo algo do tipo e isso me fez repensar a minha vida. Então quero pedir um minuto dessa comemoração e tomar coragem para fazer algo que nunca me imaginei fazendo. — ele desce as escadas do palco e a multidão se abre para que ele caminhe até Celeste. — Minha amada, a mulher mais bela deste mundo, que daria inveja até em Afrodite. Celeste, minha deusa, eu imploro que atenda ao pedido dessa pobre mortal, seja minha princesa. — ele se ajoelha no chão e abre a caixa, mostrando o chamativo colar de brilhantes, bem a cara da minha amiga, que o levanta do chão e o beija.

—Sim. Sim. É claro que sim. — ela sorri e os dois se beijam novamente. Se engolem, quase, mas relevamos essa parte.

—Tudo o que você sempre quis Celeste. Um príncipe. — Marlee comenta tirando Cel de seu estado sonhador.

_É mais do que isso, Marlee. Ele não me vê só como um corpo e um rosto bonito, ele acredita em mim, me respeita, me ama. Posso ver isso toda vez que me olha. — ela olha para o lado e o vê conversando com os pais. Seus olhares se encontram e os dois sorriem. — Além de ser gostoso, aliás, que genética boa esses Romanov tem, nossos filhos serão perfeitos. — não consigo deixar de rir, nem mesmo em um momento como esses Celeste pode deixar de ser ela mesma.

—Mudando de assunto, vocês viram a Bariel?-pergunto e Celeste não poderia ter ficado mais animada.

—Sim! A vaca está se mordendo de inveja de nós.

—Fiquei sabendo que ela se casou com o prefeito de sua província. Algum velho, gordo e careca. — Marlee joga mais informação.

_Exatamente! Enquanto nós três estamos com nossos nobres russos gatos!- ela me abraça contente.

_Poderia ter a honra de mais uma dança?- ouço a voz de Alex atrás de mim e me viro para vê-lo fazendo uma reverência exagerada.

—Seria um prazer. — aceito sua mão e me dirijo para a pista de dança. Como se soubesse exatamente a hora em que chegávamos, a música para de tocar e é trocada por uma lenta. Encosto minha bochecha em seu peito e me movimento de acordo com o ritmo.

_Eu estava pensando em nossa lua-de-mel. — ele comenta e me afasto, sem parar de seguir os passos. — Sei que você sonha em conhecer o mundo, que nunca havia saído de sua província até ir para a Itália. Então pensei se temos que viajar, porque ir para um lugar só, não é mesmo?- rio de seu raciocínio.

—Isso quer dizer?

_Quer dizer que você vai realizar o seu sonho. Que vamos bater o recorde de Phileas Fogg e dar a volta ao mundo em menos de 80 dias.

_Você realmente tem que estragar o momento citando Julio Verne.- balanço a cabeça e sorrio.

_Ei! É um clássico!- ele contra-argumenta.

—Nós podíamos deixar Nastia com Maxon assim que passarmos por Illéa. — mudo completamente de assunto.

—Claro. Aí seremos só nós dois.- comenta sonhador.

—Na verdade, seremos só nós três.- lentamente retiro minhas mãos de suas costas e as deposito em minha barriga. Em resposta, ele para imediatamente de dançar, estático, olhando para mim, os olhos brilhando.

_Nós três?! Tem ...Tem certeza?!- pergunta apaixonado e eu assinto. Ele dá um passo para frente e se abaixa, ficando da mesma altura que meu estômago. – oi ... Eu, eu, aqui é o papai e eu estou muito feliz porque você está chegando. –ele fala com minha barriga sorrindo como um bobo, depois me olha. –Dessa vez vamos saber se é menino ou menina.

—Sim. E você não vai precisar se preocupar tanto.

_Eu sempre vou me preocupar. É o que faço de melhor quando é em relação a vocês. — ele fica em silêncio por um tempo, mas subitamente se levanta animado. — Eu não vou precisar fazer o parto!- comenta em uma mistura de alegria e susto. Sorrio triste.

—Mas estará ao meu lado, não é?

_Sempre. Mas com uma condição. — ele segura minha bochecha e me faz olhar em seus olhos- Vou poder desmaiar a vontade. — não consigo deixar de rir, mas assinto em concordância.

—Então acho que o mundo deve saber. — ele corre por entre a multidão, me puxando junto e sobre no placo, tomando o microfone para si e pedindo para que a música pare. –Peço a atenção de todos. — silêncio. — America, você vai fazer o coração explodir de tamanha felicidade. Que a Rússia comemore por um mês, não só o nosso casamento, mas o nascimento do novo herdeiro!- ele levanta a taça de champagne e vejo Nicolau engasgar com a comida na mesa mais próxima, ao mesmo tempo que que Kira quase desmaia, sendo amparado por um guarda qualquer. A expressão de todos é de choque, mas rapidamente ela se transforma em felicidade.

Provavelmente deveríamos ter anunciado a notícia no começo da festa. Teria diminuído a quantidade de cumprimentos e conversas e teria nos liberado muito mais cedo para simplesmente curtir a festa, mas isso não aconteceu, e mesmo se não quiséssemos conversar com ninguém, as pessoas simplesmente apareciam para dizer algo, ou simplesmente nos abraçar e nos desejar felicidade. Foi assim o resto da noite, até que Nicolau finalmente disse que poderíamos ir embora. Alex segura minha mão e juntos caminhamos de volta para o quarto. O caminho foi todo em silêncio e, assim que girei a maçaneta e vi o quarto enfeitado, as velas espalhadas nos móveis iluminando o cômodo, o olhei admirada, mas ele simplesmente riu da minha reação.

_ Não vai ser aqui. — foi o que disse no meu ouvido.

Ele caminha até o guarda roupa e abre a porta do fundo que leva até as passagens secretas. Desço pelas escadas escuras sem ter ideia de para onde estamos indo. Sabia da passagem, mas nunca a tinha usado e muito menos perguntado para onde ela chegaria. Seguimos por corredores na escuridão, até que vejo o breu no fim do túnel, e no fim, a lua imponente no céu. Já não está mais tão escuro, um caminho de tochas acesas e luzes azuis penduradas nas arvores iluminam o local, o que me permite ver o tapete de rosas e me localizar no ponto mais afastado dos jardins reais. No fim do caminho, uma cabana, com tapetes na estrada e almofadas espalhadas, não consigo ver a parte de dentro, assim como não consigo imaginar o quão lindo provavelmente está.

_Nossa própria caverna. Gostou?- sussurra em meu ouvido e assinto completamente admirada. O beijo e, quando percebi, já estávamos na parte de dentro, aproveitando os prazeres da vida.

A viagem passou muito mais rápido do que eu pretendia e imaginava. Minha barriga não havia crescido muito, quase nada e Nastia já estava em Illéa com o pai desde que saímos de Moscou. Jantamos a luz da lua no topo do Torre Eiffel, aprendemos a surfar nas praias da Oceania, meditamos e relaxamos nas montanhas do Tibete, na Nova Ásia, engordamos com os chocolates belgas, assistimos diversas partidas de futebol em Londres, curtimos as praias das Bahamas e da Polinésia, fizemos um retiro espiritual na Índia, convivemos com índios amazônicos da América do Sul e com tribos africanas, andamos de camelo no deserto do Saara, no Marrocos, Alex comprou um falcão e eu aprendi dança do ventre, até mesmo sobrevoamos a Antártida, porque foi impossível pousar no momento.

Estávamos a caminho da nossa última parada, e essa Alex não me disse de jeito nenhum. Ele dirigia o barco, com o vento movendo seus cabelos e fazendo com que a blusa cole em seu corpo. E eu estava sentada no quarto, lendo um livro. O barco era exatamente igual àquele que nos retirou da ilha, meses atrás, tinha até minhas dúvidas de que talvez fosse até o mesmo barco, apesar de que Alex nega isso a todo custo.

—Já pode subir amor!- ouço Alex gritar do andar de cima e subo correndo, morrendo de curiosidade. E não poderia ter me impressionado mais ao ver nossa mesma caverna, na mesma areia, na frente das mesmas árvores, na mesma ilha. — Eu a comprei. A ilha eu quero dizer. É nossa. Podemos passar férias aqui, trazer todos os nossos filhos, qualquer um, contar nossa história, relembrar memórias. — ele me abraça por trás enquanto observamos em silêncio um lugar que antes parecia o inferno, mas que agora se tornou nosso paraíso.

—E o que estamos esperando para descer?- pergunto animada e corro o mais rápido possível, o que é meio difícil com uma barriga de 5 meses, para a parte de trás do barco, onde um bote nos espera já pronto para nos levar até a terra firme. Piso na areia molhara e inspiro o ar mediterrâneo. Tantas sensações e lembranças me invadem que fico até tonta.

—Podemos ficar aqui admirando ou você pode me seguir. Tenho outra surpresa. — ele adentra na mata.

—Outra?- grito e o sigo. A floresta está diferente, ainda linda, mas parece mais aberta. Mas acessível a humanos em geral. — O que é isso na sua mão?- pergunto assim que o alcanço.

—Um mapa. Pedi que membros do exército viessem aqui antes, mapeassem a ilha inteira, fizessem um mapa para nós e caminhos para que possamos ir para todos os lugares. — isso explica o fato de que agora ele consegue andar entre as árvores sem tropeçar, penso. — Veja aqui. — ele aponta algum lugar no mato. — Essa é a caverna, a cachoeira, o lugar onde nosso avião caiu, e muitas outras coisas que eles descobriram que podemos visitar mais tarde, mas por agora, esse é o único lugar que nos importa. — ele para diante de uma parede de folhas e as puxa para o lado, abrindo lugar para a pequena casa de pedras no meio da clareira, que exala conforto e relaxamento.

—É para nós?- caminho em direção da construção.

—Sim. Tem uma maior a umas centenas de metros, e quando digo maior, eu digo grande mesmo, se formos trazer visitas, precisamos de um lugar que caiba a todos, mas quando viermos sozinhos, essa pode nos acomodas facilmente. É mais calma e aconchegante, também temos uma casa da arvore mais a frente. — ele dá de ombros e sinto meus olhos umedecerem.

_Porque está chorando?- ele me abraça.

—Eu não sei. Isso só e bom demais para ser verdade. Eu você, Anastacia, nosso filho, nossa família. Não consigo parar te ter essa sensação de que é tudo um sonho.

_ Eu posso te assegurar de que sou real, de que tudo isso é real. Meu amor por você é real e as coisas só vão melhorar a partir de agora.

Notas finais
não enrolamos e separamos em 2 caps essa festa pq achamos desnecessário, então ficou grande