Plane Crash
15 Itália parte 2
Notas iniciais

Pegar Nastia do seu quarto sem que ninguém visse e a levar para America não foi uma ideia tão ruim assim. Todo o semblante de preocupação, choque e desespero se esvaiu assim que ela botou os olhos na pequena criança em meu colo. E quando ela sorri, eu sorrio junto. Eu não consigo evitar, é como se eu perdesse o controle de mim mesmo. Se eu estou apaixonado? Totalmente.
O mundo não é um controle remoto. Você não pode apertar o botão de replay, voltar no tempo, fazer com que algo que já aconteceu, aconteça novamente. Você não pode dar pause e garantir que aproveite esse momento o máximo possível. Você não pode pular as partes chatas e ir direto para o final. Mas nesse momento era exatamente isso o que eu queria. Ao ver o tumulto no quarto, os olhos brilhantes de America ao pegar a filha, os olhares hilariantes de confusão de Nicoletta e suas primas me deram vontade de apertar os três botões. Aquele momento representava tudo o que passei naquela ilha e tudo o que espero passar ao seu lado. Todos os olhares de choque que receberemos daqui para frente, todos os obstáculos. Mas nada disso importa se eu puder olhar para as duas todos os dias. Então não importa se ela não me ama do jeito que a amo. Não importa os motivos para ela ter aceitado minha oferta. Eu vou protege-la independente do que ela escolha, vou ser o pai e o marido que elas merecem.
Ainda estamos no hospital e Nicoletta ainda não consegue acreditar que sou realmente o pai da criança. America hesitou no começo, mas sei que com tempo todos acostumarão com a ideia.
—Podem explicar mais uma vez?- ela nos olha com os olhos cerrados em uma expressão confusa.
—O conjunto de ossos e carne no colo de America é um bebê.- Começo a explicar e Noemi solta uma risadinha enquanto Nicoletta simplesmente revira os olhos.- Um bebê é composto de DNA e esse DNA possui 46 cromossomos e como eu sei que você nunca matou uma aula, você sabe que 23 vêm do papai- aponto para mim mesmo- eu no caso e 23 da mamãe. Quando você soma 23 mais 23 resulta em...- mexo os dedos em uma tentativa de imitar uma conta- Nossa! 46! E isso gera um ser humano composto de ossos e carne, exatamente o que está vendo ali.
—Ta bom Alex!- ela pula da cadeira e grita irritada,o que só me faz rir mais. Ela me lança um olhar furioso e se vira para America.
_Esquecendo tudo o que seu namorado disse...- ela pronuncia a palavra namorado com choque ou até mesmo desgosto. Me assusto com sua frase, mas sorrio imediatamente. Nós concordamos que eu diria ser o pai de Nastia, mas nunca conversamos sobre o nosso relacionamento.- Como isso- ela aponta para Anastacia- aconteceu?
Ames respira fundo antes de começar a contar a história e relembrar todas as memórias desde que conseguimos sair daquele inferno. _Nós não sabemos exatamente o que aconteceu naquele dia. O avião simplesmente explodiu e Alex fez o máximo que pode para não nos deixar cai.- ela começa a dizer que as três italianas a olham com atenção.- Não lembro da batida, simplesmente acordei um tempo depois. Então nos encontramos e começamos a esperar pelo resgate. Conseguimos água e comida, mas os barcos não apareciam.- vejo uma lágrima escorrer por suas bochechas, mas ela rapidamente as seca.- então eu comecei a passar mal e no começo achávamos que fosse por causa de uma comida estragada, mas era somente eu grávida. Os dias se passavam e cada vez mais eu desejava ir embora, mas nenhuma ajuda chegava. Então depois de 9 meses, meu amor nasceu.- ela olha para a filha que dorme delicadamente.- não tinha mais ninguém na ilha, então Alex teve que fazer o parto.
—Sem detalhes dessa parte por favor.- Orabella se pronuncia eu eu rio. Eu não me lembro dos detalhes muito bem, aposto que ela também não. Antes que America pudesse abrir a boca para continuar a história, a porta se abre o médico aparece na porta. Ele me lança um sorriso, mas assim que nota o pequeno embrulho dos braços de Ames, seu rosto se contorce e tenho certeza de que fumaça sairá de seu nariz.
—O que significa isso? O que vocês estão fazendo aqui com ela?- ele praticamente corre em direção da cama.- Quem a retirou do quarto?- ele esbraveja e eu timidamente levanto a mão, receoso de sua reação. _Ela acabou de passar por uma cirurgia, precisa descansar! Todos vocês precisam Permanecemos em silêncio, esperando por seu próximo sermão, mas em vez de dizer alguma coisa ele delicadamente anda em direção da porta e a abre. _Sei que é a princesa, mas preciso pedir que se retire.- Nicoletta olha para ele com um olhar de desafio. Os dois se encaram por um momento até que ela decide se levantar.
—Nos vemos amanhã. Melhorem.- ela nos manda um sorriso e enquanto passa pela parta, lança um olhar gélido e frio para o médico que simplesmente fecha a cara.
—Você também Senhor Romanov. — eu me assusto.
—Eu?
—Sim, o senhor. A não ser que não queria receber alta amanhã de manhã. Bufo e dou um beijo de até logo em America.
—Aproveite sua noite e pode ter certeza de que não vou deixar nossa filha sozinha.- digo mais baixo para o homem não me ouça. Ela sussurra um obrigado e eu saio pela porta.
POV America
Assim que todos foram expulsos do meu quarto, consegui dormir. Não estou mais preocupada com Nastia, sei que ela está bem e que em pouco tempo estarei com ela novamente. Não preciso nem me preocupar com Alex, apesar de não saber o que faz na maioria das vezes, não é possível que ele faça alguma burrada em tão pouco tempo assim. Não sabia quanto tempo tinha se passado, só ouvi o som dos passos e da porta rangendo, então abro os olhos.
—Me desculpe America. Não sabíamos que estava dormindo.- Elisabeth me lança um olhar de culpa e imediatamente se esconde atrás do marido.
—Não, está tudo bem.- tento dizer que ela não precisa se desculpar por ter acordado.- Foi bom terem me acordado, senão não dormiria a noite.- solto uma risadinha e em pouco tempo eles já estão ao redor da cama.
—Está bem? O médico nos disse que não tinha nada muito fora do normal, mas queríamos ver com nossos olhos.
—Obrigada pela preocupação.- digo honesta e Elisabeth aperto minha mão.- Estou ótima tirando o fato de que eles não me deixam sair daqui.
—Pelo menos está em um hospital na Itália, não uma ilha.
—Bom ponto. Ficamos em silêncio por um tempo, eu não sabia o que dizer além de agradecer por terem me salvado e eles não pareciam saber também.
—Porque não foram embora? Porque esperar por nós?- quebro o silêncio com a curiosidade que estava me matando.
—Ninguém deveria passar por um momento desses sozinha. Sei que seu namorado está aqui, mas ele não parece dos mais responsáveis. — ela diz e eu sorrio. Alex com certeza não é desses. _Gosto desse garoto, ele tem espírito. — Harry se intromete e fingimos que ele nunca disse isso.
—Achamos que já que sua família não está aqui, poderíamos dar apoio moral.- ela termina envergonhada. Junto todas as forças que me sobraram e a abraço.
—Obrigada. Por tudo.- acrescendo em seu ouvido Então eles foram embora, e tudo voltou a sua maior escuridão.
Tento abrir meus olhos, mas minha pálpebra está pesada demais. Sinto a claridade me atingir, mas tenho preguiça de acordar. Não tinha percebido antes o quão cansada eu estava. Achei que não fosse conseguir dormir, que teria tantas coisas na cabeça que enlouqueceria, mas assim que minha cabeça encostou no travesseiro, dormi.
—Acorde Senhorita. Hoje receberá alta.- uma voz doce diz em algum lugar do quarto e tomo a coragem de enfim levantar. Vejo a enfermeira abrindo as cortinas e a luz me cega por um tempo, mas logo me acostumo.
—O que eu preciso fazer para ir embora desse lugar?- minha animação exagerada a faz sorrir. Acredito que ela esteja acostumada com pessoas
desesperadas para sair.
—O médico aparecerá aqui daqui a pouco. É só assinar uns papeis, trocar de roupa e ir embora. Parece simples. Onde Alex e Nastia devem estar?
—Onde está minha filha?Em que quarto?- pergunto mais do que ansiosamente enquanto assino os últimos papeis.
—Já está na recepção junto do Senhor Romavov. Os dois a esperam lá.- ele hesita ao dizer o sobrenome de Alex. Acho que ele ainda guarda rancor por Alex ter praticamente raptado sua paciente ontem a tarde. O agradeço por tudo o que ele fez por nós e peço para que ele não comente nada sobre o fato de eu estar viva e ter sido resgatada. Não quero paparazzis ao meu redor ou qualquer coisa. Assim que encontrar Nicoletta, pedirei um telefone ligarei para minha família. É a única coisa que importa.
_A princesa já deixou claro para todos os funcionários de que não devemos falar sobre o assunto fora do hospital.- ele me assegura e caminho até a recepção, onde Alex me espera. Juntos atravessamos a porta giratória e pisamos em solo italiano.
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