Plane Crash
16 Itália parte 3
Notas iniciais

Admito que no momento em que pisei na calçada, me perdi. A quantidade de pessoas andando ao meu redor, me empurrando sem nem parecer me notar, me fez sentir totalmente desnorteada. O barulho de buzinas e do tráfico não ajudou em nada. Me perdi de Alex na mesma hora. Tentava procurá-lo por cima das cabeças dos italianos apressados, mas de nada adiantava. Eu sobrevivo um ano inteiro em uma ilha deserta sem comida e quando chego na civilização, eu sucumbo. Muito bom America. Tento atravessar contra o fluxo de pessoas, mas elas praticamente me arrastam para onde vão. Até que sinto uma mão em meu ombro. Me viro a tempo de ver um Alex sorridente olhando para mim. Sinto uma onda de alívio imediatamente e o abraço.
—Nunca mais suma assim.
—Sumir?- ele me olha com cara de interrogação- Você que entrou no meio das pessoas e parecia uma barata louca quando encontra a luz.- Dou um soco em sua barriga e ele finge dor.
—Onde estão os carros?- mudo de assunto
—Que carros?
—Os carros que vão nos levar para o palácio.- levanto o pescoço e tento procurar por eles. Alex permanece em silêncio.- Por favor me diz que você combinou com Nicoletta.- praticamente imploro e ele me lança um sorriso de desculpas.- Claro que você não combinou com ela.- digo mais para mim mesma.
—Desculpa, eu esqueci.- ele se envergonha.- Mas podemos pegar um táxi.- tenta me animar, mas sem sucesso.- Mas eu tenho certeza de que eu conversei com ela sim.- diz mais para si mesmo.
—Você tem dinheiro por acaso? — cruzo os braços e espero que ele admita a burrada que fez.
—Claro que tenho!- tenta se defender. Ele bota as mãos nos bolsos diversas vezes e depois de um tempo retira alguma coisa.- 20 rublos- ele começa a contar- e um botão. Acho que é suficiente. Bufo e reviro os olhos.
—Sabe pelo menos os caminho para irmos a pé?- já irrita pergunto.
—Claro que sei!
Ele não sabia. Saímos andando pelas ruas de Roma perguntando para qualquer um que passasse sobre a direção. Poderíamos ter chego em poucos minutos, mas nosso passeio durou horas. Tenho certeza de que Alex estava fazendo isso de propósito, mas do mesmo jeito, eu adorei. Andamos praticamente por toda a cidade, passeamos pelas vielas e pelo Coliseum, paramos na Fontana di Trevi e vimos enquanto diversas pessoas cantavam e dançavam na fonte. Passamos por ruínas e diversas construções antigas. A cidade inteira parece ter vindo de outro séculos, e eu me apaixonei nisso. Quando eu finalmente não conseguia mais andar, paramos nas margens do Rio Tibre, sobre ele, uma ponte leva qualquer cidadão até os portões do Castelo de Santo Angelo, onde eu realmente espero que seja a moradia da família real. Olho para Alex e ele simplesmente assente. Respiro aliviada. Nastia, que se manteve dormindo durante esse tempo inteiro, acorda com um choro. Alex tenta fazer de tudo para acalma-la, e em pouco tempo ela já dorme novamente. Me impressiono com o jeito que ele tem. Nem eu mesma consigo fazer isso. Em pouco tempo já estamos em baixo na grande construção.
O lugar é todo a base de pedra, e o mais impressionante de tudo, é redondo. O Castelo não é nas estruturas normais e quem quer que tenha sido o arquiteto merece parabéns, criar um castelo redondo não é uma coisa fácil de se encontrar por aí. A ponte estava cheia de pessoas, tirando foto ou simplesmente andando sem nada para fazer, mas a câmara está vazia. Minha primeira impressão é de que é proibido entrar aqui e tenho a maior vontade de voltar para campo aberto, mas Alex me segura antes que eu possa sair correndo. O lugar também é redondo e pinturas e fotografias enfeitam as paredes. Seja de outros castelos e monumentos ou de pessoas importantes. Na reta da saída para a ponte, do outro lado, um grande portão se estende. Provavelmente a entrada para o castelo em si. Em frente, dois guardas armados tomam conta da passagem.
—Lorenzi!- o homem que provavelmente é o tal de Lorenzi se assusta e olha para nós como se estivesse vendo uma alucinação. Ele estreita os olhos e abre a boca de susto.
—Alexander?- o rosto de Alex se contorce- Você está vivo! Nunca fiquei tão feliz em te ver vivo cara!- ele corre e pula em Alex.
—Poderia avisar Nicoletta de que estamos aqui?- assim que se separam ele pergunta.
—Avisar?- ele solta uma risada- Porque eu avisaria? Entrem lá e avisem você mesmos! Rio com o entusiasmo de Lorenzi e rapidamente já estamos dentro dos corredores do palácio.
Por dentro ele é praticamente igual ao de Angeles. Paredes esculpidas, quadros nas paredes e pinturas no teto. De dentro não tem nem como reparar que estou em um círculo. Pelo menos uma vez hoje, Alex sabe para onde ir. Ele caminha pelos corredores como se fosse sua própria casa. Os guardas param para falar com ele. Sempre perguntam o que eles está fazendo vivo, mas depois ficam felizes.
—O que foi tudo isso?- pergunto já totalmente desnorteada.
—Eu te disse quando nos conhecemos de que eu adorava a Itália. Passo mais tempo aqui do que em casa.- ele termina de explicar a tempo de abrir as portas do salão onde Nicoletta e sua família almoçam. Todas as cabeças se viram para nós e eu me paraliso.
—Desculpem a intromissão.- Alex corta o silêncio.- Lorenzi disse que podíamos entrar.- o homem que parece ser o pai de Nicoletta revira os olhos, como se fosse comum que o guarda fizesse isso.
—O que estão fazendo aqui? Os carros estão indo buscar vocês agora!- Nicoletta se pronucia.
—Eu te disse que eu tinha combinado com ela!- Alex grita vitorioso.
—Nós recebemos alta hoje de manhã.- explico e todos se levantam para nos cumprimentar. Então reparo em algo que eu não tinha visto antes. Esses cabelos pretos nunca serão irreconhecíveis para mim.
—Celeste! O que está fazendo aqui?- ela me abraça.
—Ver minha amiga voltar dos mortos, claro. Não poderia ficar fora dos holofotes.- ela levanta as mãos e olha para o teto, pensativa.- “A finalista da seleção, America Singer, está viva!” Já consigo até imaginar a manchete.- ela diz e eu rio. _Quem é o gato?- ela tenta me perguntar baixo, mas Alex ouve e solta uma risada.
—Nicoletta não te contou?
—Contou o que?- ela não entende.
—Prazer, sou Alex.- ele se intromete e beija a mão de Celeste.
—Alex é o príncipe da Rússia. O pai da filha de America.- Nicoletta chega até nós e resume tudo.
—Cai com ela na ilha.
—Vejo que aproveitou bem o seu ano.- ela comenta enquanto alterna seu olhar entre mim e ele.- Acho que vou continuar andando do seu lado, só pra caso algum outro príncipe apareça.
—Te conto tudo depois.- a puxo para o lado.
—Ela é linda.- seu ar é pensativo e eu não entendo.- Sua filha. Ela é a sua cara.
Em pouco tempo já tinha conhecido o Rei Salvatore e a Rainha Francesca e todos voltaram para suas refeições. Alex e eu nos sentamos e tenho certeza de que nunca comi tanto na minha vida. Qualquer coisa que eu via pela frente, passava pelo meu estômago. Menos o peixe. Esse sei que vou demorar muito para comer novamente.
—Nossa, comida nunca foi tão bom!- Alex comenta entre uma garfada e outra.
—Seus pais sabem que está vivo Alexander?- Salvatore pergunta.
—Ainda não. Até hoje não sei o telefone dele.- dá de ombros e volta a comer.
—Você precisa voltar pra casa. O mais rápido possível.- ele insiste.- Seus pais estão desolados. Demorou 8 meses para que eles aceitassem que você não voltaria para casa. Seu irmão é o pior, ele não sabe o que está acontecendo. Só sabe que você não apareceu pro aniversário dele.
—Você está certo.- ele abaixa a cabeça.
—Estou? Realmente aceitou assim tão fácil?- pergunta como se fosse inacreditável que Alex pudesse alguma vez escuta-lo.
—Vou amanhã de manhã.
Acordo com os raios que entram pela janela. Olho para o lado e vejo um Alex totalmente desacordado. Ele parece um anjinho dormindo, então decido não acordá-lo. Pego Nastia que, acabara de acordar, e a entrego para a babá. Todos já estão no salão quando entro. Rapidamente me sento e começo a tomar meu café da manhã. Conto para Celeste os últimos detalhes do último ano da minha vida e ela lança seus comentários típicos. Sou interrompida pela porta que se abre. Um Alex praticamente dormindo cambaleia em direção da mesa.
—Depois de um ano você ainda não aprendeu que quando se acorda a primeira vez tem que continuar dormindo?- ele resmunga com os olhos praticamente fechados.- As ondas nem começaram ainda!
Vejo Celeste do meu lado tampar a boca tentando desesperadamente não rir. Nicoletta não está muito diferente. Todos tentam se segurar, mas em pouco tempo deixam que as gargalhadas se soltem. Eu me junto a eles.
—Alex — eu caminho em sua direção.- porque não volta pra caverna, bota uma calça e depois me encontra aqui?- ele me olha confuso.
—Porque eu botaria uma calça por cima da outra?
—Porque você não está de calça Romanov.- Salvatore se levanta. Alex olha para baixo, para mim, para a mesa e depois para baixo de novo. Então sai correndo pelo corredor mais perto.
—Parece que agora você tem dois bebês para tomar conta querida.- Francesca comenta e eu respiro fundo. Esses dois vão me dar tanto trabalho.
Alex voltou pouco tempo depois, mais vermelho do que um pimentão. Ninguém disse nada no começo, mas eles não conseguiram se aguentar. Em pouco tempo já tínhamos terminado o de tomar café e já saíamos do castelo, onde Alex iria embora. A ideia de me separar dele depois de um ano me assusta. Foram poucos os momentos em que estive longe dele desde que fomos resgatados e eu não sei o que fazer em relação a isso. Nossa relação cresce cada vez mais, mas mesmo assim, nem eu mesma sei o que acontecerá conosco. Ele pode ser o pai da minha filha, mas isso não quer dizer que temos que nos casar e viver juntos até o resto de nossas vidas. Acho que esse tempo separada me ajudará a decidir o meu futuro.
—Ei, não se preocupe, vou voltar rápido.- ele segura meu rosto delicadamente e tenta me acalmar- Vou só dar uma passadinha para das boa noite e dizer que estou vivo, então volto par você imediatamente.
—Promete?
—Prometo.- me assegura.- Tome conta da minha filha e — ele se vira para Nastia que dorme em meu colo- diga para a sua mãe que vou sentir saudades.- ele beija sua testa e se volta para mim. Ele se inclina e beija a minha testa.
—Ahh! Vocês dois só podem estar brincando comigo! — Celeste grita de algum lugar ao meu lado.- Sério isso!? Você chama isso de beijo? Vocês já tiveram uma filha e agora vai dar um beijo na testa?- ela parece indignada, mas não se pode saber nada quando é em relação a Celeste.- Qual é Alex? Sei que consegue fazer melhor.
Então Alex, que esteve parado de costas para mim esse tempo inteiro, se vira e me beija. Ele mordisca suavemente meus lábios, absorvendo todo o prazer do momento, para em seguida grudar nossas bocas novamente. Ele me pede passagem e eu hesito em conceder, mas me deixo levar. O beijo que começou tímido e desajeitado tornou-se voraz e urgente, como se nossas vidas dependessem disso. Havia apenas um desejo imenso consumindo ambos. Continuamos assim por um tempo, até que o ar se fez necessário. Colamos nossas testas e Alex esbanja um sorriso irônico. Ele logo se afasta, se virando de costas para mim, e caminhando em direção do carro que o espera.
— Amo vocês. — é a única coisa que ele diz antes de entrar no automóvel e fechar a porta.
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