Pit-a-Pat

39 Capítulo XXXVIII


Notas iniciais
Olá amores da minha vida. Atrasada 5 meses, eu sei, me perdoem. O TCC acabou com meu emocional de Abril para cá. Consegui destravar somente esse mês depois de escrever uma one imensa para um desafio (Uma NaruSasu acreditam? Totalmente fora da minha zona de conforto reuhruerhu). Me ajudou a sair do meu poço da decepção e escrever bastante. Muito do que escrevi não foi PaP, mas foi essa fuga da história que me permitiu desbloquear e voltar para o enredo de PaP sem pressão. Já estou terminando o próximo, mas como não gosto de prometer algo que não consigo cumprir, vou dizer que pretendo compensar os 5 meses sem capítulo com algo mais sequencial. Tenho os próximos 5 capítulos roteirizados e tentarei (tentarei) escrevê-los o mais breve possível. Não quero outro hiatus de 5 meses, absurdo. Calúnia! Obrigada pelos comentários e pelo carinho, vocês são os melhores leitores do mundo! Estou atrasada nos comentários? Sim, mas isso ai eu ajeito aos poucos ruehruehruhue Muito, muito obrigada pela paciência e espero que gostem do capítulo de hoje! E que não tenham se esquecido da história ireurheurhue acontece, eu sei que sim, mas ai espero que não. Enfim, sem enrolar vocês demais, aproveitem ♥ Boa leitura.

Will

~Capítulo XXVIII~

:: 65º dia na Itália — Semana 9 ::

[...]

A luz do sol entrou calorosa pela janela entreaberta do quarto. O cheiro da maresia carregada pelo ar embalou o ambiente, fazendo Will suspirar confortável naquele calor aconchegante. Abriu os olhos vagarosamente, sentindo a respiração tranquila e serena de Nico contra seu pescoço.

O Pirata ainda estava deitado com a cabeça descansando seu ombro, as pernas entrelaçadas as suas por sob a coberta; sua mão repousada sobre o peitoral de Will, quente contra sua pele. Will sorriu amoroso afastando algumas mechas de cabelo de seu rosto, observando sua feição calma.

A luz do sol fazia sombras em seu rosto, criando sombra em suas maçãs do rosto de seus cílios fartos. O doutor passou o polegar pela extensão de seu rosto, leve e delicada, sentindo a maciez de sua pele, o calor dela e um pouco da barba rala por fazer.

Droga, ele estava realmente condenado. Riu de leve sorvendo o que podia daquele momento tão tranquilo e caseiro, se perguntando porque nunca fizeram isso antes durante aquela semana. Parecia cruel saber que tinha sido a única vez que compartilhavam a cama, o calor de seus corpos, com a chance de ser a última.

Will se ajeitou melhor na cama trazendo Nico para mais perto. O Pirata resmungou baixo se aninhando ainda mais contra Will sem dar sinais de ter acordado. O doutor sorriu depositando um beijo terno em sua testa, se demorando ali um pouco, seus lábios contra sua pele.

Estava tentando não pensar muito em como o dia iria correr depois que saíssem da cama, nem na forma como Nico teve um ataque de pânico na madrugada. Não queria enfrentar a realidade ainda, então se permitiu desligar dos barulhos do lado de fora, da cidade acordando para mais um dia, e concentrar-se no rapaz nos seus braços.

Fico um tempo observando-o, acariciando seus cabelos medianos com os dedos, fazendo carinho em sua nuca. Nico soltou um suspiro satisfeito apertando os braços ainda mais forte contra Will abrindo os olhos depois de um tempo. Levantou o olhar exibindo um sorriso mesmo antes de fazer contato com o doutor.

— Não me importaria de acordar assim todas as manhãs. — confessou o Pirata sob o carinho em sua cabeça. Will riu:

— Não me importo de te acordar sempre. — comentou o doutor o puxando para mais perto. Nico soltou uma risada divertida: — Se pudermos ficar assim um tempo.

— Hm. — concordou Nico: — Apoio. — falou passando a ponta dos dedos por sua clavícula exposta pela camisa: — Dormiu bem?

— Dormi sim, e você como está? — questionou delicadamente. Nico deu de ombros.

— Bem, muito bem na verdade, mas aquele ataque não foi por nada. — admitiu Nico. Levou o olhar para Will com certa insegurança: — Vou te fazer uma pergunta, Will, só seja honesto.

Will franziu o cenho: — Eu sempre sou.

Nico sorriu debochado: — Oh, eu sei bem disso. — se levantou na cama apoiando ambos braços no colchão prendendo Will contra eles. Aproximou seus rostos um pouco, dali o doutor conseguia ver as tímidas sardas pintando seu rosto. Sorriu involuntário: — Qual é a do sorriso bobo?

— Hm…? Não posso mais te admirar? — comentou acariciando seu rosto. Nico fechou os olhos apreciando o gesto.

— Pode, sou todo seu para desfrutar. — zombou umedecendo os lábios vagarosamente. Will enrubesceu, mas não se afastou sentindo um calor irradiar por seu peito. Aquilo era tão novo pra ele, aquele aperto no peito tão confortável.

— O que quer me perguntar? — relembrou Will acariciando seu rosto. Nico abriu os olhos, um pouco mais sério do que antes.

— O quanto você está disposto a esperar? — a pergunta saiu grave, fazendo Will se arrepiar. Franziu o cenho não gostando do rumo da conversa.

— Esperar?

Nico concordou: — Eu mandarei uma carta assim que tudo terminar, mas eu posso não conseguir voltar logo, meses talvez, dependendo de como eu terei que arrumar os danos que o Castellan deixou pelo caminho.

Will travou o maxilar consternado. Ele tinha noção que Nico poderia levar um tempo para voltar, mas não tinha pensando muito nisso. Meses? Quanto tempo ele esperaria? Ele falava como se Will tivesse pretendentes e fosse algum tipo de corrida ou competição. Não gostou daquela pergunta.

— O que nós somos, Nico? — questionou Will severo pegando Nico desprevenido.

— O que?

— Nós, o que somos?

Nico crispou os lábios olhando para o lado como se buscasse uma resposta. Will esperou, sentindo um pouco de sua confiança se esvaindo. O que eles realmente eram afinal? O que eles tinham agora depois da conversa da madrugada? Ainda eram dois estranhos que se gostavam? Amigos íntimos? Amantes? Parceiros? Não sabia definir um nome, e isso o aterrorizou.

— Somos Will e Nico. — respondeu por fim, atraindo a atenção do doutor novamente: — Somos dois homens adultos que se gostam, que estão se descobrindo. Se fosse para colocar um rótulo nisso, eu diria que somos amantes, mas não gosto deste termo, é impessoal demais. Já usei ele pra nós no passado, mas isso foi antes… Disso.

Nico se deitou por cima de Will o beijando nos lábios, tirando um breve suspiro do doutor.

— Você é meu tesouro. — sussurrou Nico: — Algo tão preciso e tão difícil de achar. Sempre que você sorri faz com que eu sinta uma paz tremenda, ter você por perto me traz segurança; um sentimento de realização. Você foi a coisa mais importante que já me aconteceu, e não quero dar um nome vazio ao que somos.

Will sorriu para Nico, não sabendo como responder aquilo. Ele nunca foi tão aberto assim, foi pego de surpresa com essas resposta. O abraçou pela cintura selando seus lábios antes de falar algo.

— Também não sei definir o que somos, mas sei que você é especial pra mim, e que vou estar aqui quando voltar. Estou em um relacionamento com um nobre-soldado-pirata, ou seja lá o que. Acho que sei como essas esposas se sentem ao ter que esperar no batente da porta o retorno de seus maridos da guerra. — comentou divertido, mas o tom sôfrego não escapou os ouvidos aguçados de Nico que apertou os olhos pensativo: — Vou esperar quanto tempo for necessário. Te quero, Nicollà. E vou te querer por muito tempo.

Nico sorriu amoroso, seu rosto tingido de vermelho. Beijou Will mais uma vez deitando a cabeça em seu tórax. O doutor acariciou suas costas por debaixo da coberta, mais contente do que antes.

Eles eram algo, eram importante. Continuariam sendo mesmo quando ele partisse. Will não tinha sentimentos fracos, não era uma mentira as suas emoções e que simplesmente sumiriam quando ele se fosse. Era real, e doía quase que fisicamente.

Aquele sentimento de amar alguém.

Will parou as carícias no mesmo momento. Amar? Era uma palavra bem forte, não era? Amar alguém, dedicar sua vida àquela pessoa. Will conseguia sentir isso por alguém? Pelo Nico?

Não sabia responder ainda, e tinha medo de dizer qualquer coisa antes de sua partida que o fizesse se arrepender. Nico iria embora naquela tarde e não poderia sair dizendo coisas estranhas.

Amor… Com certeza pensaria melhor sobre o assunto. Amar Nico não parecia ser uma coisa ruim.

— Vamos descer? Acho que Christiano já deve estar acordado. — comentou Nico preguiçosamente, quase voltando a dormir.

— Será?

— Com certeza, e não estou no meu quarto então melhor me apressar. — falou o pirata se levantando. Will fez o mesmo se espreguiçando.

Seria um longo dia.

Se arrumaram com calma, um ajudando o outro com suas roupas, beijos e carícias trocadas no meio de sorrisos bobos, antes de saírem para o corredor. O sol ainda estava baixo, era bem cedo e a cidade estava amanhecendo junto dos moradores.

O cheiro de café invadiu a casa em ondas, e Nico suspirou satisfeito com o aroma adocicado puxando Will pelo pulso. O doutor riu divertido e se deixou ser levado até a cozinha onde Chris já preparava o café da manhã.

O rapaz se virou para eles um tanto surpreso, mas os cumprimentou com uma breve reverência. Will sorriu para ele:

— Bom dia, Chris. — falou se aproximando da pia onde ele terminava de coar o café: — Está com um cheiro ótimo.

O rapaz sorriu contente terminando o café. William sentou-se ao lado de Nico na mesa enquanto o Pirata se servia de pão com uma sobrancelha arqueada. O doutor rolou os olhos, mas não evitou um repuxar de lábios pretensioso.

Christiano colocou o café na mesa e os três começaram o desjejum. Estava silencioso, mas era uma quietude agradável. Era o último dia dos três juntos àquela mesa, então a manhã pacífica fazia bem para harmonia na cozinha.

Will suspirou brincando com a xícara de café. Por mais que estivessem tentando deixar o clima agradável, ele simplesmente não tinha como evitar a melancolia. Nico estava de partida, e querendo ou não isso afetava seu humor.

Sentiu o joelho de Nico pressionar contra o seu sob a mesa. Levantou o olhar para uma feição preocupada do pirata. Nico umedeceu os lábios encarando Christiano que tomava de seu café tranquilamente.

— Chris, posso te pedir um favor? — questionou o Duque. O atendente o encarou surpreso pela quebra repentina do silêncio, mas assentiu vagarosamente: — Hoje é o último dia que passo aqui, e a carruagem vem me pegar depois do almoço. Tem como me dar a manhã livre? Ir visitar a Kayla, por exemplo?

O atendente pareceu surpreso, mas logo concordou. Will endureceu o olhar para Nico um tanto desgostoso em expulsar o garoto da casa, mas resolveu não dizer nada.

Terminaram o café e Chris saiu para visitar Kayla dando um tempo para os dois. William terminou de lavar a louça antes de quebrar o silêncio da cozinha. Nico estava sentado na mesa, as pernas pendendo livres na borda.

— Por que mandou o garoto embora? — questionou Will calmo, não estava irritado, só ligeiramente desconfortável: — Ele não atrapalha em quase nada nossa rotina.

Nico ponderou inclinando a cabeça de leve.

— Sei disso, mas você parecia precisar de um tempo. — respondeu estendendo a mão para Will que se deixou ser puxado para a mesa.

Nico o envolveu pelo pescoço, pernas contra sua cintura. Will amoleceu com o toque apoiando-a no ombro de Nico suspirando satisfeito.

— Tão óbvio?

Nico riu: — Sim, anjo, tudo relacionado à você é óbvio pra mim.

Will soltou uma risada debochada, fechou os olhos e se acomodou contra o corpo do pirata. Abraçou Nico pela cintura beijando-o no pescoço. Nico suspirou contente acariciando seu cabelo preso. Ficaram ali um tempo, apreciando a presença um do outro. A manhã passou lenta, e Will agradeceu pelos minutos preguiçosos.

Ambos resolveram ficar na casa escondidos no jardim dos fundos, sentados na grama alta. Nico deitou no colo de Will cantarolando uma música melodiosa em uma linguagem familiar para o doutor, mas não conseguiu identificar; espanhol, talvez. Nico tamborilava seus dedos em seu peito com o ritmo do som enquanto Will enchia seus cabelos com as flores amarelas do pé da árvore.

Trançou algumas mechas criando um arranjo florido e cheio de vida. Nico fechou os olhos cantando mais claro; o som de sua voz calmante aos ouvidos e Will.

“Well, I will pray to God on high,

that thou my constancy mayst see,

And that yet once before I die,

Thou wilt vouchsafe to love me”

Will franziu a testa para o tom da letra. Não entendia o idioma cantado, mas era melancólico, ao menos aos seus ouvidos. Nico continuou, olhando diretamente para Will.

“Ah, Greensleeves, now farewell, adieu,

To God I pray to prosper thee,

For I am still thy lover true,

Come once again and love me”

Nico sorriu pequeno, respirou fundo com o olhar vidrado no rosto de Will. O doutor o encarou de volta, curioso com a música.

— Inglesa. — respondeu Nico calmo: — Uma música sobre amor não correspondido. Bem popular entre os nobres.

— Por que amor não correspondido seria popular? — questionou ajeitando uma das flores em sua têmpora: — Não seria o oposto?

Nico negou: — A maioria das pessoas sofrem com o amor, Will, principalmente entre os nobres. Casamento por amor não existe. Pode até virar amor, mas não começa assim.

Will respirou fundo, pensativo. Eram poucos os casamentos que Will conhecia, e deles só o de Latrícia com seu pai foi arranjado. Pelo que sabia entre os dois nunca houve amor, mas tanto o de sua mãe, quanto de Charles — e mesmo do Senhor D. — eram à base do amor.

Acariciou os cabelos de Nico, delineando as tranças com a ponta dos dedos.

— Por que pensou nela? — perguntou sem ter mais o que dizer do assunto. Não era casado, e certamente não estava na sua lista de prioridades.

Nico sorriu triste, fechando os olhos calmo.

— Porque eu me via nessa música até pouco tempo. — respondeu resoluto. Will parou sua mão, surpreso.

— Você?

Nico riu: — Ah vamos Will, nós dois sabemos que esse relacionamento tinha tudo pra nunca dar certo. Não tinha nenhuma esperança de você realmente querer algo comigo, nenhuma.

Will crispou os lábios, consternado. Ele sabia bem disso, claro, mas ainda assim não gostava de pensar no que ele poderia ter perdido se resolvesse não se abrir para Nico. Muita coisa teria sido jogada ao vento, e Will talvez não sofresse com sua falta de coragem.

Nico quem arcaria com o coração partido e Will sequer teria noção disso. Para ele, meses atrás, Nico não tinha capacidade alguma de sentir como ele sentia.

Ah, como reconhecia sua estupidez.

Will respirou fundo abaixando o corpo e selando seus lábios aos de Nico. O pirata sorriu largo puxando a nunca do doutor e prolongando o beijo, cheio de carinho.

— Não faça essa cara. Estamos bem, Will. Não penso mais assim, não depois desses últimos dias. — confessou acariciando seu rosto. O doutor retribuiu o sorriso segurando sua mão no lugar: — Só me lembrei dela, eu a cantava bastante quando mais novo. Não significa mais nada pra mim, prometo.

O doutor concordou o beijando outra vez. Nico enlaçou seus pescoço com firmeza sendo erguido do chão por Will. Entreabriu seus lábios deixando Nico tomar controle do beijo, explorá-lo, sorvê-lo. Arrancar suspiros de seu âmago; causar borboletas em seu estômago.

Nico sentou em seu colo, encaixando sua cintura contra a de Will, ambas pernas de cada lado. Entrelaçou seus dedos em seus cabelos loiros desfazendo o rabo de cavalo, puxando com força e arrancando suspiros do doutor.

— Nico… — arfou contra a boca do pirata. Nico sorriu mordendo seu lábio inferior, acariciando-o com a ponta de sua língua. Will estremeceu e Nico o tomou novamente, voraz.

O sentiu se remexer em seu colo, instigá-lo. Um arrepio subiu de seu ventre, arrepiando-o, fazendo suas pernas se mexerem com o sentimento novo. Nico gemeu em deleite fazendo Will fervilhar sob sua pele. Nico se afastou de seus lábios, soltando um longo arfar.

— Droga… — praguejou mordendo o lábio, escondendo o rosto no ombro de Will: — Me empolguei.

Will sorriu delicado: — Um pouco.

Nico riu divertido, sua voz oscilante: — Não consigo continuar só nos beijos, vamos parar por aqui para eu poder me acalmar, ok?

O doutor concordou acariciando suas costas, sendo abraçado com carinho pelo pirata. Respirou fundo sentindo as mãos de Nico contra seu cabelo, seus dedos traçando linhas imaginárias entre as mechas loiras.

Will fechou os olhos aproveitando aquele calor, a proximidade. Queria mais daquilo, senti-lo contra seu corpo e experimentar aquela segurança e abrigo que Nico lhe proporcionava. Apertou o abraço, seu coração saltando em seu peito, preocupado, angustiado. Aquele seria o último dia deles juntos, último momento antes que Nico partisse para longe, talvez para sempre.

Ah, como não queria que aquele fosse realmente o fim.

— Nico. — chamou Will baixo, não querendo surpreendê-lo. O pirata o respondeu no mesmo tom, preguiçosamente: — Posso te pedir uma coisa?

— Hm? — murmurou ajeitando seu rosto contra seu ombro, confortável: — Só dizer.

— Se empolgue.

Nico enrijeceu sob seu toque. O sentiu travar no lugar junto de sua respiração que Will não conseguia mais soltar. O pirata se afastou dele, seu rosto pintado em choque.

— Não sabe o que está pedindo. — ressaltou Nico preocupado.

— Eu sei sim. — rebateu acariciando seu rosto alvo. Nico se inclinou em direção à sua mão, ainda tenso: — Não estou pedindo para me ter na cama, não estou pronto pra isso. — admitiu, sentindo seu rosto arder em brasa. Nico riu do termo, mas não disse nada: — Só quero sentir você enquanto posso.

Nico assentiu, ainda incerto.

— Acho que posso fazer isso. — admitiu Nico respirando fundo: — Só… Me diz quando sentir que é demais e eu paro, ouviu?

Will sorriu: — Alto e claro.

Nico murmurou baixo beijando a palma de sua mão com delicadeza, se aproximou de seu rosto outra vez beijando-o com cautela, seus lábios mornos e tenros. Will fechou seus olhos se deixando levar pelo sentimento formigante daquela boca ágil na sua.

As mãos de Nico foram para seu pescoço acariciando, puxando-o para perto. Sentiu sua língua abrir passagem entre seus lábios, provocando-o, atiçando partes de seu corpo ainda dormentes. Will suspirou estrangulado, fechando os punhos na camisa de Nico.

O pirata separou suas bocas por breves instantes antes de juntá-las novamente, desabotoando a camisa de Will um pouco, entrando com suas mãos gélidas em seu peitoral morno. Will estremeceu, arfando surpreso. Nico as desceu por suas costas antes finalmente descolar seus lábios dando ar de volta à Will.

Distribuiu beijos por seu rosto trilhando seu caminho até seu pescoço, roçando seus dentes na pele virgem, sangue pulsando contra sua língua quente. Will suspirou prazeroso e Nico o beijou, sugou e mordeu com lentidão, marcando-o com suavidade.

O doutor gemeu baixo puxando a camisa de Nico entre seus dedos. O pirata passou a língua pela pele sensível, roçando-a uma vez mais com seus dentes e subiu o beijo molhado pelo resto de sua pele parando em seu ouvido, mordendo o nódulo com calma.

— Nico… — Will exalou surpreso, perdido nas sensações em deleite. O pirata sorriu satisfeito.

— Geme meu nome, Will, para eu ter algo pra lembrar nas noites frias na tenda. — sussurrou Nico arrancando um ofego entrecortado do doutor.

Nico se remexeu em sua cintura, criando fricção em suas semi-ereções. Will gemeu baixo escondendo seu rosto contra o ombro de Nico. O pirata riu amoroso voltando a molestar seu pescoço, mexendo o quadril em movimentos lentos e provocantes, enviando arrepios pelo corpo de Will, estimulando-o.

— Nico… — gemeu contra seu ouvido puxando-o para perto, querendo mais daquela sensação nova, mas boa. Muito boa. Nico murmurou contente voltando a beijá-lo nos lábios.

Will arfou pesado, seu ventre se contraindo sem parar, suas pernas pareciam se mexer sozinhas naquele sentimento diferente. Nico passou sua língua sobre seus lábios inchados aumentando a força de seus movimentos e Will mordeu o lábio inferior, o arrepio se tornando intenso, como se estivesse prestes à explodir.

Nico gemeu em seu ouvido, provocativo, e Will se desfez, olhos fechados no prazer daquele momento. Sentiu Nico tensionar contra si e teve a certeza de que o sentimento era compartilhado.

As pernas ao seu redor apertaram contra si e ambos resfolegaram, ofegantes.

Nico soltou uma risada leve, o beijando no canto da boca.

— Ok, foi super rápido. — admitiu sem muita importância.

— Não tenho parâmetros. — disse Will leviano, a respiração ainda cansada. Nico riu encarando-o nos olhos, uma tranquilidade que Will não esperava ver há poucas horas de sua partida.

— Tudo bem?

Will sorriu: — Sim, foi só você, nada mais.

— Somente eu. — repetiu Nico, saboreando as palavras: — É uma boa memória, com certeza vou me lembrar disso, pensando em como fazer melhor quando voltar.

— Se for voltar só por causa disso nem volte. — zombou Will recebendo um rolar de olhos dramático.

— Se estivesse atrás de sexo, Will, não teria insistido com você. — disse convicto: — Aliás, acho que te deixei um presente. — ressaltou acariciando com os dedos a marca roxa no pescoço de Will.

O doutor pressionou a palma da mão no local, repentinamente envergonhado; seu rosto começando a arder forte. Nico gargalhou.

— Um pouco tarde pra sentir vergonha, meu amor.

— Urgh, calado! — resmungou escondendo o rosto em seu ombro. Nico continuou a rir acariciando seus cabelos.

Ficaram ali um tempo antes de Nico insistir que deveria começar a se trocar — além de se limpar depois daquela sessão no jardim —, e arrastou Will até seu quarto no andar de cima. Começou a remexer nas roupas de grife, nos vários tons de azul jogados na cama.

Will passou a mão por cada um deles, o tecido macio parecendo confortável. Pegou um deles com curiosidade olhando para Nico que avaliava as abotoaduras com seriedade.

— O que acha desse? — sugeriu Will. Nico levantou o olhar analisando a roupa em suas mãos. Sorriu para ele.

— Perfeito.

Nico começou a se vestir. Retirou a camisa usada trocando por uma bege de linho fino, os babados na manga dificultando um pouco seus movimentos. Will o ajudou a fechar os botões, ajustando-a no corpo. Passou a mão por sua cintura acariciando com carinho.

— O que foi? — questionou Nico curioso. Will sorriu pequeno se curvando e beijando a ferida de Nico sobre o tecido. O pirata puxou o ar com força entre seus dentes, surpreso.

— Que não piore enquanto está longe. — desejou o doutor afagando a ferida outra vez. Nico sorriu largo se abaixando na altura de Will e o beijando nos lábios.

— Você nunca para de me surpreender. — comentou abraçando-o com força. Will retribuiu com o mesmo entusiasmo: — Eu prometo te escrever sempre que puder, dar notícias. Não vou te deixar no escuro, Will.

O doutor concordou, o coração pesando em seu peito, mas aceitou as palavras de conforto do amante o beijando no rosto, terno.

Voltaram a se arrumar e o que levaria quinze minutos para terminar durou cerca de meia hora entre conversas, risadas e beijos; retirar as flores do cabelo foi a parte mais chata, aliás.

Will queria poder vesti-lo com mais frequência, era uma rotina que aquecia seu peito.

Desceram para a cozinha achando Christiano já pondo a mesa. Quando havia voltado era um mistério. A comida já estava pronta e os dois sentaram para comer. Chris já havia comido algo e foi buscar as malas de Nico no andar de cima.

Comeram em silêncio, trocando olhares encorajadores a cada instante, ambos corações em frenesi.

A carruagem chegou em pouco tempo aguardando Nico na porta de entrada da casa. Christiano já ajudava com as malas de viagem enquanto Nico assistia de longe, olhar perdido na rua que começava a ficar mais movimentada que o normal; cheia de curiosos.

Will se aproximou dele, uma mão em sua lombar. Nico se encostou nele atrás de contato físico. O doutor acariciou suas costas.

— Vai dar tudo certo, verá. — reafirmou Will com intensidade, mesmo que no fundo ainda houvesse aquela pequena voz lhe dizendo o contrário.

Que receberia uma carta lhe contando de sua perda, e Will não tinha certeza se teria capacidade para aceitar tamanha dor. Não estava pronto para aquilo, nem para o que teria de aturar depois, ou para o que esperaria até a primeira carta.

Engoliu em seco sentindo toda sua confiança escapar por entre seus dedos. Nico estava partindo, finalmente partindo, e Will não o veria por semanas, ou mesmo meses. Não queria ser pessimista, mas aquele ataque tinha tudo para dar errado.

E Will implorava para que desse certo, pelo menos daquela vez sem surpresas, sem traições. Que Nico tivesse a capacidade de vencer um inimigo antigo há tanto evitado. Oh, como almejava isso.

Nico entrelaçou seus dedos num aperto delicado e Will voltou para a realidade, sendo analisado pelo olhar afiado do pirata. Sorriu fraco, nada convincente.

Nico franziu o cenho respirando fundo. Colocou a mão por dentro de sua roupa arrancando o colar de seu pescoço. Nele havia somente a chave misteriosa que vira algumas vezes, mas nunca realmente perguntou sobre seu significado.

O pirata colocou o colar em seu pescoço, amarrando-o firme. Acariciou a peça com os dedos finos contra seu colo coberto.

— Essa chave, por muitos anos, foi o que me manteve sã nos mares. — confessou Nico em baixo tom, só para os dois ouvirem: — O anel era para me lembrar de nunca esquecer o meu passado, o que eu perdi e o que abandonei. E a chave era a memória mais importante que eu tinha, que me firmava no chão.

Will analisou a chave ainda nas mãos de Nico. Era pequena e rústica, em tom acobreado. Poderia pertencer à uma caixa de jóias, Will notou.

— É de minha irmã, da caixinha de tesouros que tenho na minha cabine onde guardo tudo que ela me deu. Desenhos, pinturas, esculturas feitas de penas. — comentou rindo nostálgico. Will fez o mesmo, apreciando a mudança de humor: — Não preciso mais dela, não de uma lembrança triste.

Soltou a chave arrumando-a entre a gola de Will e a gravata. Apoiou ambas mãos contra seu peitoral e o encarou sério.

— Eu tenho você, o motivo que vai me fazer voltar. Não uma chave e uma presença distante. — falou convicto: — Hazel foi por muito tempo meu porto seguro, mas hoje ela faz parte de minhas razões para continuar vivo, mas não é o principal motivo para eu voltar; não mais.

Will puxou o ar, comovido.

— Nico…

— Eu vou voltar, está me ouvindo? — disse grave: — Estarei de volta.

Will concordou com a cabeça, a garganta ardendo do que segurou a manhã inteira. Nico suavizou o olhar beijando-o uma última vez, a dor da partida quebrando ambos corações naquele último gesto de carinho.

Como um respirar fundo Nico deu as costas à Will e saiu da casa, imponente. O soldado na carruagem se curvou para ele e num menear breve de sua cabeça a porta se abriu e Nico entrou acompanhado de Christiano.

O cocheiro subiu novamente na carruagem, estalou o chicote e os cavalos partiram pela ruela de terra batida. Will os observou desaparecer pela janela da rua, sua mão apertando firme na chave em seu pescoço, as lágrimas finalmente descendo por seu rosto angustiado.

Se deixou escorregar para o chão, a dor em seu peito tão forte que parecia rasgá-lo em dois. Fechou os olhos permitindo-se chorar no chão frio de seu hall rezando, rogando à todos os deuses que estivessem lhe ouvindo.

Que o protegessem e o touxessem de volta são e salvo.

Para cumprirem suas promessas vazias, mas cheias de amor.

Notas finais
E o Nico partiu! A partir de agora vocês verão o Will com frequência muuuuito baixa, igual no começo da história. Uns bons 5/6 capítulos sem nosso doutor. Segurem a saudade pq realmente ele vai sumir durante o ataque e voltarei com um cap dele quando chegar a hora, mas já adianto que são 5/6 capítulos direto sem o Will. Ain, essas CENAS MAIS INTIMAS SÃO UM CU PRA MIM! Não sei escrever elas direito, tipo eu gosto de cenas com sentimentos, não explicitas, e ai eu falho gente, sai tudo ruim eu sei, vou treinar mais (ou não) porque eu não tenho relacionamentos românticos (assexual aqui, beijos de luz) então relevem? Plis? Obrigada. Ai gente, to só emoções, sei nem descrever o que sinto com esses dois. Amores da minha vida todaaaaa! Espero que tenham gostado, de verdade! A música é antiga, sim. Se chama Greensleeves e é britânica. Seu registro mais antigo é de 1580 por Richard Jones, e se tornou uma musica popular na boca das pessoas até os dias de hoje. É uma clássica. Até o próximo, sim? Beijinhos~