Pit-a-Pat

6 Capítulo VI


Notas iniciais
Bom dia amoreees! Quem está pronto pra ver o meu outro filho?? WILL VAI DAR AS CARAS EM FIM! Pra quem me chamou de má (cofcofMittycofcof) Ele aparece logo no começo, então RÁ! E mais um RÁ! Bom, quero agradecer aos comentários e favoritos, fico bem feliz que estejam gostando da história ♥ Esse capítulo vai ter uma diferença de perspectiva do capítulo VII. "Ah, como assim Babs?" Bom, no caso o que eu vou contar agora no VI vai ser pela visão do Will, e no VII a do Nico, porém é a única vez que isso acontece na fic, mas preciso que vocês saibam o que eles estavam fazendo nesse mesmo momento quando a merda realmente aconteceu, ok? Então não estranhem algumas coisas ficarem com pontas soltas nesse capítulo, o proximo responde tudo. Agora, vamos responder as perguntas? 1- Você gosta de ler mesmo ou só curte PJO? (sim, acontece viu ruehrueu conheço muitos) AMO LER ♥ 2- Qual a sua saga de livros ou o livro favorito? Tenho duas: As Peças Infernais e Dragões de Éter, mas isso não diminui meu amor por PJO ou HDO ;) 3- Gosta de animes e mangás? Gosto, mas diminuiu muito meu apresso por animes e mangas esses ultimos meses. Só acompanho fairy tail e magi, de resto mais nada. 4- Toddy ou nescau? Os dois ♥ 5- Quem ta com raiva porque foi fazer a copia de uma chave e chegando em casa ela não funcionou ¬¬' ? EU, E AINDA NÃO CONSEGUI IR LA TROCAR. Merda ;-; Enfm amores, é isso. Boa leitura!

Will

Capítulo VI

[...]

O dia amanheceu com o céu limpo e quase sem nuvens. O sol nascia ao longe por detrás das casas e montanhas fazendo sombras no mar que carregava restos do que fora um Ciclone na noite anterior.

Contudo ele havia parado antes mesmo de chegar muito dentro da costa, sendo assim o dia se seguiu como qualquer outro em Ravenna. E como sempre ao invés de subir para o quarto, Will dormiu em cima de sua mesa no escritório com vários papéis na mesa.

Estava de cabeça baixa entre seus braços dobrados sobre a mesa. Os cabelos soltos e desgrenhados estavam caídos sobre seus olhos que se mexiam sob a pálpebra fechada pela luz que batia em seu rosto.

Remexeu-se desconfortável grunhindo abafado. Abriu os olhos relutantes fechando-os na sequência. Depois de repetir o processo algumas vezes sentou-se ereto. Espreguiçou-se sentindo as costas estalarem e um alívio percorrer seu corpo no mesmo instante.

Correu os olhos pelos papéis em sua mesa com algumas fichas de pacientes misturadas. Encostou as costas na cadeira e aproveitou o sol em seu rosto. O inverno havia acabado e a primavera começava a se mostrar mais presente ― o frio mais ameno ― e o sol bem mais convidativo.

Depois de tanto enrolar levantou-se da cadeira indo até um dos quartos do andar de baixo aliviar-se. Na sequência foi até a cozinha beber um copo de água comendo do ultimo figo de sua bandeja na mesa.

Respirou fundo voltando para o escritório.

― Vai ser mais um longo dia. ― disse para si mesmo arrumando sua pequena bolsa com utensílios médicos que mais usava em suas visitas aos pacientes. O paciente da manhã seria o Senhor D.

Dionísio ― ou Senhor D. ― era um homem de meia idade que precisava de atendimento médico toda semana. Desde que começara a beber descontroladamente teve seu fígado quase destruído e precisava de ervas para aliviar a dor.

Will o consultava desde seus dezoito anos, quando começou a trabalhar como médico em Ravenna. Dionísio era grosso, e muito inconveniente ― além de nunca lembrar seu nome ― fazendo com que Will fosse o único médico que ele conseguia ter.

Terminou de ajeitar suas coisas e saiu de sua casa. Um sobrado de dois andares de cor branca com várias flores decorando a sua entrada deixando-a mais viva ― palavras da Kayla ― com seis janelas ao todo e duas sacadas dando com a vista diretamente para o mar.

Desceu pela pequena ladeira que dava na feira matutina. Várias frutas, legumes e verduras dispostas em sacos de pano enfileiradas de frente para as barracas com seus tão famosos mercadores que vinham com novidades e histórias de pouco valor, mas interessantes de se ouvir.

Havia também objetos de ouro e pata, tecidos e joias caras, mobílias e decorações para a casa. A variedade das feiras de Ravenna era estupenda. Will perdia-se no tempo sempre que andava por lá. Era como poder viajar para outros lugares sem ter necessariamente de sair de Ravenna.

Will não poderia mentir e dizer que nunca sentira vontade de abandonar a cidade e sair rumo à Veneza ou Roma e conhecer as coisas com os próprios olhos, contudo ele era o único médico da região e abandonar aquelas pessoas seria um ato de pura covardia.

Seguiu caminho para o centro da cidade. Passou pela Basílica de San Vitale chegando a um conjunto de casas enormes pertencentes a homens de grande classe na sociedade. A casa de Dionísio era branca com vários detalhes em vermelho. No seu quintal podiam-se ver claramente várias videiras crescendo organizadas e alinhadas. Senhor D. trabalhava com comércio de vinho, o fazendo ser um mercador famoso em toda a região sul da Itália.

E devido a isso ele bebia vinho desenfreadamente.

Dando trabalho a Will e ao seu problema no fígado que o fazia visita-lo rotineiramente dia sim, dia não. Às vezes conseguia ficar mais tempo sem ir, outras vezes precisava ir mais vezes no dia com as ervas medicinais.

Ele bateu na porta. Um dos criados a abriu o deixando entrar no Hall da casa. Diferente de como era por fora, clara e cheia de vida, por dentro tinha um ar pesado. Will não se cansava de vislumbrá-la, claro, era uma casa muito refinada, vários empregados saindo e entrando pelas diversas portas carregando roupas ou utensílios da mais fina prata. As mobílias eram em um tom de vinho igualmente as cortinas e tapetes da casa.

Contudo o ar pesado se mantinha, deixando-o sempre um pouco desconfortável.

Não demorou muito até uma linda mulher de cabelos castanhos sair da sala de jantar e caminhar até Will. Assim que o viu sorriu de orelha a orelha.

― William! ― falou estendendo-lhe a mão direita: ― Que bom que veio cedo hoje.

― Como sempre Ariadne. ― pegou sua mão depositando um singelo beijo antes de soltá-la.

― Hoje ele está bem, não reclamou de dor à noite. ― disse a mulher o guiando para o andar de cima, mesmo que não fosse necessário: ― As ervas tem sido bem efetivas, mas se tiver como aumentar a dose talvez não precisasse vir sempre.

Will sorriu para ela: ― Eu prefiro vir sempre, gosto de acompanhar meus pacientes de perto.

Ariadne aquiesceu abrindo a porta do quarto de Dionísio. O homem estava sentado na cadeira estofada de frente para a sacada. Brincava com a taça de vidro em suas mãos cheia até a metade com vinho escuro e espumante.

Will rolou os olhos fazendo presença no cômodo. Senhor D. se virou para ele:

― Wilson! ― cumprimentou ele lhe estendendo a taça: ― Veio cedo hoje. Não dorme nunca garoto?

― Durmo o suficiente. ― respondeu depositando sua bolsa na mesa a frente do homem, distante do vinho: ― Como passou a noite?

― Bem, a dor não era incômoda. ― respondeu dando de ombros. Will aquiesceu sinalizando para que continuasse: ― Mas aumentar a dose seria bom, ai para de doer de vez.

― Na verdade não. ― respondeu Will retirando de sua bolsa um frasco com um liquido verde claro: ― Vai aliviar mais rápido, mas o efeito vai durar menos. É igual a beber álcool, quanto mais você bebe mais rápido você fica bêbado, mas quando passa o efeito a ressaca é triplicada.

O homem coçou a barba curioso: ― Então tenho de ficar com a mesma quantidade e sentir dor?

― Acabou de me dizer que não era incômoda. ― rebateu Will. Dionísio bufou.

― Não tem brincadeira com esse garoto. ― bradou nervoso. Ariadne soltou uma risadinha abafada por sua mão: ― Está certo Bill, então continue com essas ervas, mas se doer eu te chamo não importa a hora.

― Sim senhor.

Ficou pelo que foi mais ou menos uma hora atendendo o Senhor D. antes de se despedir deles e voltar para sua casa. Passaria em outros pacientes antes de realmente dar uma pausa. Havia passado a noite em claro estudando sobre o caso do pequeno Harley que estava com alguns sintomas de Pneumonia.

Não tinha certeza se ele realmente estava com a doença, mas a simples hipótese o preocupava, afinal era uma criança nova e essas doenças eram mortais para a sua idade. Respirou fundo indo até sua próxima paciente que estava grávida de sete meses e que logo mais daria a luz.

Ela reclamava constantemente de enjoos, dores de cabeça e o quanto a criança mexia em sua barriga. Will ria dizendo que se ela mexia era porque estava saudável. Deu-lhe um pouco de camomila para acalmar os enjoos e perguntou sobre a sua rotina alimentar.

A conversa se estendeu um pouco, até que a moça lhe perguntou sobre o sexo da criança, se tinha como saber se era menino ou menina.

― Isso depende. ― disse Will entregando-lhe outro copo de chá e sentando-se novamente na cadeira: ― Dizem que quando se mexe muito é menino, mas às vezes Deus pode ter outros planos.

A resposta pareceu agradar a mulher que sorriu alegremente com a hipótese de talvez ter uma garotinha para mimar.

Momentos depois ele se despediu dela e voltou para casa. Já era meio dia quando chegou. Sentou-se em seu sofá caqui soltando uma lufada de ar. O sono o assolava pesando seus olhos com força.

Pensou em matar o tempo do almoço para dormir, mas de nada adiantaria descansar e trabalhar com fome depois. Resmungou baixo caindo com o corpo para o lado e deitando-se no sofá com as pernas para fora.

Fechou os olhos por um momento. As olheiras estavam mais pesadas que de manhã e não conseguiu se manter acordado por tempo o suficiente para sequer pensar em não dormir.

Cochilou por quase uma hora antes de acordar pelo susto com o relógio que caíra de seu bolso. Suspirou cansado soltando um bocejo preguiçoso. Sentou-se sentindo o corpo doer pela má posição. Levantou e caminhou até a cozinha atrás de alimento, e então ouviu os tiros.

Na sequência os gritos vieram e ele só lembrou que deveria se esconder depois que já havia corrido para fora. Eram claramente tiros de canhões que vinham da baía, um pouco distante deles, mas audíveis. As pessoas na rua pararam o que faziam e prestavam atenção.

― O que está acontecendo? ― perguntou uma mulher que vinha com seu filho em uma mão e uma cesta de frutas em outra.

― São piratas! ― bradou uma das pessoas que vinha da direção do mar. Will sentiu um gelo subir-lhe a espinha.

― Piratas?

― Mas eles nunca vem tão longe, o Canal é muito dentro do continente.

― Nenhum sino de emergência foi tocado, estamos seguros.

― Mas são piratas! Nunca estamos seguros!

Will somente assistia enquanto as pessoas começavam a entrar em desespero. Ele não podia dizer ao certo o quão longe eles estavam da costa, mas podia dizer que pânico não serviria de nada. Levantou as mãos chamando a atenção.

― Vamos manter a calma. ― disse ele aproximando-se da multidão: ― Os tiros estão distantes, então não precisamos nos preocupar com um ataque pirata. Se algo acontecer a Torre de vigia soa o alarme. Até lá não vamos causar o pânico.

Pediu gesticulando para as crianças que assistiam aos adultos assustadas. Aos poucos a multidão começou a se acalmar.

― O doutor está certo. ― disse Beckendorf, o ferreiro da cidade: ― Mantenham a calma. Voltem pra suas casas e fiquem lá.

As pessoas se dispersaram ainda um tanto apreensivas. Will soltou o ar indo até Charles. O homem colocou a mão gentilmente em seu ombro. Will conseguia sentir os calos por cima de sua camisa.

― Acha mesmo que não é nada? ― insistiu Charles em baixo tom. Will aquiesceu:

― Se fosse algo tinham nos avisado. ― explicou afastando-se do amigo: ― Vou almoçar, mande lembranças para a Silena.

O moreno sorriu: ― Sabe que se fizer isso ela te chama pra jantar.

― Melhor que a minha comida, sem dúvida.

Os dois riram e se despediram.

― Harley, eu preciso que você coma um pouco. ― pediu Will ao lado do garotinho.

Ele estava deitado em sua cama com um pano úmido na testa. Ele ardia em febre e não comia direito há um dia e meio. O garoto negou com a cabeça.

― Não ‘to com fome. ― respondeu tossindo na sequência. Will apertou os olhos afastando-se de Harley. Foi até os pais com um suspiro pesado.

― Vocês precisam fazer ele comer. ― sussurrou Will com o olhar sério: ― Não tenho certeza se é ou não Pneumonia, mas se for comer bem é necessário.

― Mas o que podemos fazer? ― perguntou a mãe aflita. Will podia ver nos seus olhos as noites mal dormidas e o peso da preocupação como bolsas negras por baixo de seus olhos.

― Ele tem alguma comida favorita? ― perguntou. A mulher assentiu: ― Então faça para ele um pouco disso. Frutas também são importantes, tente fazer ele comer um pouco.

― Mas ele não sai da cama, está desanimado. Doutor ele é muito ativo, gosta de construir coisas. Ele está cada vez menos animado para brincar. ― explicou a mãe olhando para o filho de tempo em tempo, como parte de seu instinto.

― Eu sei, é normal. ― respondeu Will com compaixão. Virou-se para o pai: ― O senhor vai precisar ficar de olho nele constantemente. Eu acredito que não seja grave, mas preciso que me deem um relatório todos os dias de como ele está. Qualquer coisa diferente me chame.

― Sim, doutor.

― Vou deixar um pouco de folhas de limoeiro para o chá. Preciso que façam para ele um chá com essas folhas e mel duas vezes ao dia. Ajuda a aliviar a tosse. ― disse retirando um saquinho com as folhas amarradas com um cordão negro: ― E é normal se ele disser que sente algo descendo pela garganta, é o catarro se soltando.

Os dois aquiesceram. A mãe pegou o saquinho em mãos.

― Vou ver se temos mel em casa. ― avisou fazendo um gesto saudoso a Will e saindo do quarto. O pai o encarou preocupado:

― Doutor me diz a verdade. Ele vai se recuperar?

Will olhou o homem detalhadamente. Não era um homem da alta sociedade, e isso era claramente notado pela forma de se vestir. Sua pele mais escura também indicava que não era nascido Italiano e as marcas em seu rosto mostravam o quão cansado ele estava, e não parecia ser somente por Harley.

― Eu não minto Senhor Barteles. ― respondeu ele: ― Se eu disse que ele vai ficar bem é porque vai, mas eu não posso controlar a doença, por isso você precisa ver como ele está sempre que puder. Entende isso?

O homem apertou os olhos desconfiado, mas confirmou. Will pegou suas coisas:

― Preciso ir. Não hesite em me chamar, não importa a hora. ― ressaltou saindo pela porta do quarto.

Passou pela senhora Barteles que acenou para ele enquanto preparava o chá com as folhas e um pote de mel aberto ao seu lado.

― Obrigada pela visita, doutor. ― agradeceu ela.

Will sorriu meneando a cabeça e saindo para a rua.

Caminhou calmamente pelas ruas da cidade. O céu começava a ter um tom alaranjado forte indicando o fim do dia. O vento ficou mais forte fazendo Will encolher-se em sua roupa bege. Os cabelos começaram a cair por seu rosto e teve de parar duas vezes para refazer o rabo de cavalo em sua cabeça.

Passou pela casa de Beckendorf torcendo para conseguir chegar até a sua sem que Silena o notasse.

― Will!

O que não aconteceu.

Ele se virou: ― Silena.

Ela foi até ele o abraçando forte. Eram amigos desde crianças. Cresceram juntos na vizinhança e brincavam na rua perto da oficina sempre que podiam. Will se lembrava de sempre brincarem que eram príncipes e tinham de resgatar Kayla e Silena do cachorro do senhor Beckendorf.

Era divertido.

― Parece exausto. ― comentou ela soltando-se dele: ― Venha jantar conosco. Eu fiz Gnocchi. ― falou ela atacando Will pelo estômago.

Ele resmungou: ― É covardia, Silena.

Ela riu: ― Covardia é meu nome do meio. ― zombou puxando-o pelo braço: ― Ah, vamos! As crianças sentem sua falta.

― Não sei como, você me sequestra três vezes na semana. ― comentou entrando na casa.

― Não seja dramático. ― repreendeu ela indo até as crianças que pulavam no sofá: ― Desçam dai, vamos!

Will riu.

― Então não escapou dela? ― comentou Charles aproximando-se do loiro. Ele negou:

― Eu não sei o que acontece. Ela fica esperando na porta pra ver se eu passo? Ela sempre me percebe.

O moreno rolou os olhos: ― Mulheres. Tem um sexto sentido estranho. E hoje tem Gnocchi então você está no lucro.

― Viva. ― disse sem muita animação. Deixou sua maleta perto da porta e soltou os cabelos sentido seu coro cabeludo gritar em deleite.

Passou a mão pela cabeça dolorida e seguiu a família para a cozinha. A mesa estava posta para cinco lugares ― droga, ela realmente tinha planejado sequestrar ele hoje ― com uma jarra de suco e uma garrafa do vinho do Senhor D.

Sentou-se ao lado de Charles e perto de Milena. Ela estava em torno de seus cinco anos, vestindo um vestido branco ― que tragédia ― com um laço rosa em sua cintura e babados nas bordas. Simples, mas bonito. Tinha os cabelos negros da mãe, mas os olhos analíticos do pai.

― Eu fiquei sabendo pelos homens da marinha que os piratas bateram em retirada. ― comentou Charles enquanto Silena servia a massa: ― Mas muitos homens morreram no processo. Parece que explodiram um dos navios da marinha.

―Não entendo o que eles vieram fazer tão longe do mar. ― disse Will preocupado: ― Não sei se eles tinham a intenção de roubar em uma área tão pequena.

― Talvez tenha sido o Ciclone. ― respondeu Silena sentando-se na mesa ao lado de Charles e de frente para Will: ― Falaram que destruiu uma boa parte da cidade perto do mar. Podem ter sido arrastados.

― Tinha esquecido sobre o Ciclone. ― resmungou Charles: ―Ficou sabendo de gente ferida?

Will negou: ― Não cuido daquela área então não ouvi nada ainda, mas Ciclones são cruéis. Por sorte eles nunca entram muito no continente.

Levou uma garfada à boca. Sorriu para o sabor adocicado do molho.

― O padre falou que Deus protege a gente. ― comentou Milena limpando a boca cheia de molho: ― Que se a gente acreditar de verdade não vai acontecer nada.

― Isso é verdade, querida. ― Silena sorriu virando-se para o garotinho a seu lado que enfiou a mão no prato ao invés do talher.

― Mas vamos deixar esses assuntos de lado e falar do que importa de verdade. ― Charles trovejou tomando um gole do vinho.

Will olhou rapidamente para Silena que limpava as mãos do menino que ria alegre e todo sujo.

― Já até sei.

― Está na hora de casar, Will. ― bradou Charles: ― Já está na idade, se ficar mais velho fica mais difícil de arrumar uma boa moça.

Will serviu-se do Gnocchi rolando os olhos.

― Não me ignore, Solace! Estamos preocupados com você. ― continuou ele cruzando os braços.

― Não preciso estar casado para estar bem. ― respondeu em tom de voz controlado: ― Além disso, não tenho muito tempo nem pra mim o que dirá para uma esposa.

― Ah, por favor! Não precisa ficar vinte e quatro horas com ela, mas vai ver que ter uma companhia vai te ajudar nesse mau humor todo. ― explicou Charles.

Silena concordou com a cabeça: ― E filhos também são ótimos. Você precisa garantir a continuação da sua família.

― Austin está ai pra isso. ― retrucou Will ficando um pouco incomodado.

Não era novidade que as pessoas a sua volta se preocupavam com ele acabar sozinho na vida. Muitas vezes ― ou melhor sempre ― o Senhor D. falava sobre isso. Sabia que as pessoas se importavam com ele, mas as vezes se tornava irritante.

― Austin é um perdido, Will. ― rebateu Charles. Will o olhou sério repreendendo-o. O moreno pigarreou: ― Enfim, tem várias moças que adorariam se casar com o médico mais bem sucedido de Ravenna. Só dê uma chance.

― Conhecemos uma moça bem prendada, tenho certeza que seria boa companhia. ― emendou Silena.

― Sabem que não concordo com casamentos arranjados. ― relembrou.

― Sabemos, e por isso só pedimos uma chance de falar com ela. Converse, a leve à praça, à igreja. Socialize. ― falou ele lhe dando tapinhas no ombro: ― Se não fosse por nós você não teria com quem conversar como estamos fazendo agora.

― Ei! Eu me dou bem com as pessoas. ― falou indignado. Silena riu:

― Sim você se dá bem com qualquer coitado que aparece por ai, mas amigos mesmo você conta nos dedos. ― afirmou a moça esticando seus braços e tocando a mão de Will com delicadeza: ― É o pedido de alguém que se importa demais com você. Por favor.

― Por favor tio Will. ― pediu Milena com olhinhos de cachorro.

― Vocês compraram a menina também? ― perguntou chocado.

― Nossa arma secreta. ― zombou Charles. Milena segurou a manga dele implorando com os olhos. Will resmungou um “eu odeio vocês” baixo, mas assentiu.

― Isso! ― agradeceu Silena voltando a sentar-se ereta: ― Vai adorar a Lou.

― Lou?

― Lou Ellen. ― respondeu Charles: ― Um amor de menina. Tem dezoito anos se não me engano.

― Certo, façam como quiserem. ― murmurou bebendo do suco da mesa.

― Ótimo, agora vamos falar um pouco sobre o Henry, porque tenho várias histórias sobre esse pestinha. ― falou ela apontando para o garoto que brincava com a colher.

― Ele tem quantos anos, dois? ― perguntou Will.

― Sim. ― respondeu Charles: ― Ainda não fala muito bem, mas faz bagunça como nenhum outro.

Batidas frenéticas na porta atrapalharam a conversa dos três. Silena fez menção de se levantar, mas Charles o fez primeiro indo até a porta. Era de noite e não deveria ter ninguém nas ruas há esta hora.

― William Solace está aqui? ― perguntou a voz do lado de fora.

Will olhou para trás curioso. Charles trocou um rápido olhar com ele.

― Quem quer saber? ― indagou o moreno sério.

― Sou Giovanni, vizinho dos Barteles. ― respondeu o homem. Will se levantou em um sobressalto indo até a porta.

― O que aconteceu?

― O Harley, doutor.

Will gelou.

― O filho dos Barteles? ― exasperou-se Silena: ― Ele está com pneumonia, não?

― Ele piorou doutor. ― continuou Giovanni: ― Precisa vir comigo.

Will aquiesceu pegando sua mala ao lado da porta.

― Vamos rápido. ― virou-se para Silena: ― Obrigado pelo jantar.

Ela meneou a cabeça com os olhos aflitos.

― Vou com você. ― disse Charles pegando seu chapéu e saindo junto de Will na noite gélida de Ravenna.

Will e Charles chegaram à casa dos Barteles. A mãe chorava enquanto Henry respirada rápido e nervosamente. O senhor virou-se a Will com ira nos olhos:

― Você disse que ele iria melhorar! ― bradou alto dando passos em direção a Will. Charles entrou na frente como uma muralha.

― Eu disse para ficar de olho na doença. Não sou Deus, não posso dizer o que vai ou não acontecer com certeza. ― respondeu severo. Correu os olhos pelo menino que mostrava dificuldades para respirar: ― Preciso ver o Harley.

― Pra não fazer nada de novo? ― trovejou o homem nervosamente. Will percebeu Charles ficando tenso a sua frente. O Senhor Barteles não era intimidador, mas era grande o bastante para dar trabalho.

― Pra tentar algo.

Os dois trocaram olhares por alguns segundos. Will sentiu-se arrepiar com os olhos flamejantes do homem. Por fim ele se afastou deles saindo do quarto, momentos depois ouviram a porta da rua bater.

Will correu até Harley pedindo para a mãe se afastar. Passou a mão pelo peito do garoto sentindo a respiração. Abaixou a cabeça colocando a orelha contra o menino ouvindo sua respiração rouca. Afastou-se pegando em sua bolsa Eucalipto.

― Retire a camiseta dele pra mim. ― pediu Will. A mãe o fez enquanto o menino perdia ar com rapidez.

Pegou a planta indo até a cozinha da moça amassá-la para fazer o emplasto. A mãe o seguiu lhe fornecendo o que ele precisava. Terminou o emplasto voltando momentos depois para o menino. Charles estava perto atento aos movimentos do garoto.

Will o passou em seu peito massageando bem. Harley começou a desesperar-se e chorar descontrolado. Will continuou a massagear.

― Se acalme Harley. Respire comigo. ― Will inspirou e expirou lentamente. Harley tentou fazer o mesmo e, aos poucos, começou a se acalmar.

Ele ficou alguns minutos fazendo a massagem até o garoto voltar a respirar normalmente. Afastou-se dele enquanto Harley dormia cansado.

― Doutor? ― chamou a mãe com lágrimas escorrendo por seu rosto apático: ― Ele vai ficar bem?

Will respirou fundo. Não sabia o que dizer naquela hora. Queria poder falar que sim, mas sabia que a situação do menino era grave, e provavelmente não suportaria a doença se ela durasse muito. Se ele não tivesse tido uma crise poderia se curar em uma semana, mas depois disso ele não tinha mais certeza.

Estava além de seu alcance.

Passou a mão pela testa comprimindo os lábios: ― Não posso te dar certeza. Vai precisar ter muita fé. Talvez chamar o padre e pedir uma oração, ajudaria muito.

A mulher ficou muda sentando-se na cadeira perto da cama do menino. Abaixou a cabeça escondendo o rosto em suas mãos trêmulas. Will sentiu-se horrível. Olhou para Charles aflito, mas não se prolongou muito no olhar preocupado do amigo.

Foi até a mulher repousando uma de suas mãos em seus ombros. Podia senti-la temendo. Estava chorando, e ele não podia fazer nada para mudar isso.

― Não vou deixar de vir aqui, mas você precisa ser forte. Ele precisa de você. Faça tudo o que estiver ao seu alcance. ― disse Will firme: ― Harley é um guerreiro, não desista mesmo que todos te digam o contrário.

Ela levantou o rosto deixando mais algumas lágrimas rolarem antes de ficar ereta e começar a limpá-las com as costas das mãos.

― Obrigada, doutor. ― agradeceu ela levantando-se: ― Pode vir amanhã?

Ele aquiesceu: ― Claro.

― Eu os acompanho até a saída. Muito obrigada. ― ela saiu do quarto seguida pelos dois.

Despediram-se da moça e sentiram um alívio ao perceberem que o homem não estava ali. Charles o segurou pelo ombro.

― Espero que não vá se culpar caso algo aconteça ao menino. ― Charles falou em tom de voz grave.

Will sorriu fraco: ― Sou um médico profissional.

― Não quer dizer nada.

Will suspirou afastando-se do amigo.

― Silena deve estar preocupada. Vamos.

Sem falarem mais nada os dois caminharam lado a lado em direção à casa dos Beckendorf, mas Will não entrou, somente passou direito se despedindo do amigo indo para sua própria casa.

Já era bem tarde da noite, e as ruas estavam desertas. Abriu a porta da casa e passou, sem se dar ao trabalho de fechá-la devidamente. Andou até o escritório deixando sua bolsa nela e respirando fundo.

Sabia bem que não podia se responsabilizar pelo menino, e que a doença era mortal para qualquer idade, principalmente crianças, mas sempre que alguns de seus pacientes morriam ou corriam esse risco ele se sentia responsável.

Amava seu trabalho como médico, mas às vezes não tinha estômago para suportar a morte deles. Acendeu a lamparina segurando-a no alto voltando para a sala levando a maleta consigo. Ao perceber isso grunhiu irritado. Ia voltar, mas a porta escancarada de sua casa o deixou aflito.

Andou lentamente até ela constatando a rua vazia, mas marcas escuras no chão que vinham até sua casa o preocupou. Retesou-se virando o rosto para a cozinha de onde vinha um barulho das cadeiras sendo arrastadas. Fechou a porta de entrada e andou até a cozinha.

Lá viu o homem sentado na cadeira, parecendo machucado e debilitado. Segurava o lado de seu corpo com sua mão direita e gemia de minuto em minuto. Will sentiu o medo se dissipar, e só pensou na ferida que provavelmente era a causa das manchas escuras no chão da rua.

― Quem é você?

Notas finais
Eae? O que acharam? Gostaram? O CAP FOI SÓ DO WILL PORQUE SIM ♥ AAAAAAAAA Esse final, quem apareceu em? EM? EEEEM? urheuhruerhue Todos sabem que foi o Nico, não preciso nem dizer mais nada, agora o que aconteceu com ele? O capítulo de Quarta vai responder isso ♥ Meu arsenal de perguntas se esgotou jAj Deem ideias urehurheurue Enfim espero que tenham gostado ♥ Até quarta amores. Beijinhos~