Pit-a-Pat

56 Capítulo LIV


Notas iniciais
Opa! Eae? Vamos de mais um cap? Dessa vez no ponto de vista do Austin e da Reyna. Lembrando que tem bastante violencia viu ;) Boa leitura!

Austin

~Capítulo LIV~

:: 18º dia em Tortuga — Semana 15 ::

[...]

A calmaria do Caribe sempre deixou Austin angustiado, mas a tensão no ar e o medo atrás de cada conjunto de pedras, corais ou pôr do sol tornou a região outrora paradisíaca em um cadafalso. Cada pirata, envolvido ou não entre Octavian e Reyna, temia enfrentar a morte iminente em meio a tanto silêncio.

Um navio destruído pelo Caronte num céu sem estrelas; os ataques inconsequentes do Argos II contra a tripulação desavisada de Octavian; os atentados massivos de Marte contra todo e qualquer navio ancorado no porto, no intuito de atacar inimigos disfarçados.

Com exceção do Caronte, todos no porto eram navios comerciais. Vítimas de um ataque às cegas em meio ao caos.

A desordem havia se instalado de uma forma que Austin sabia que seria o começo da ruína de qualquer plano que Reyna ou Jason tivessem. Não que houvesse algum momento de paz entre eles o suficiente para poderem planejar e arquitetar algo. Reyna planejava em sua cabeça e dava ordens à medida que as ações se desenrolam; Jason era um mistério a ser compreendido. Nem seus tripulantes pareciam confiar em suas próprias estratégias, o que tornava a situação em uma briga desordenada entre tolos.

Se tornou uma batalha sem frutos, uma desordem que terminaria da mesma forma que havia começado: em traições e mortes.

A cacofonia a qual Tortuga se afundou enchia os bares, criando ecos em suas paredes úmidas pela maresia e pelo chão pegajoso do acúmulo de bebida derramada. Sussurros assustados, risadas desaforadas e brincadeiras maldosas. Cada sílaba proferida nas ruas escuras e nos bares lotados tinham relação com aquela guerra sem sentido.

Não havia lados entre os piratas de Tortuga, mas a unanimidade pavorosa ao torcerem pela derrota de Octavian e La Rue enchia os ouvidos aguçados de Austin no bar.

Entornou o restante do álcool em dois goles generosos, o gosto amargo nublando sua mente das vozes por breves instantes, saboreando o líquido em seus lábios.

Devolveu a caneca pra mesa, compartimentalizando cada pequena conversa que acontecia no bar ao seu redor. Infiltrado entre os homens de Octavian, Austin possuía acesso às tavernas mais isoladas de Tortuga. Com seu envolvimento na guerra em lados traiçoeiros, uma sombra se erguia ao seu redor, afastando curiosos de seu caminho.

Nenhum pirata se arriscaria em um contato direto com os homens de Octavian, temendo escolher um lado em meio ao caos e ganhar para eles a fúria de Reyna.

A missão que lhe foi dada por Annabeth não era simples ou impune. Mesmo que o nome de Octavian lhe desse a proteção necessária para vagar pelas ruas de Tortuga sem se preocupar com a La Rue e seus homens, sempre há chances de ser descoberto pelos piratas do Octavian. O dinheiro que recebia pelo serviço era o único motivo pelo qual Austin ainda se sujeitava àquela situação precária.

Havia se passado uma semana desde o ataque de Clarice ao porto, reinando entre as tripulações um silêncio amargurante. O Caronte saiu de Tortuga, ancorado longe dos olhos e ouvidos de ambos Percy e Reyna, deixando-os em um silêncio opressivo.

A calmaria antes da tempestade iminente.

Observou um grupo de homens se aproximar de uma mesa rodeada por prostitutas com sorrisos ordinários e olhos ligeiros para aqueles que possuíam mais dinheiro para uma atividade extra.

Do outro lado do bar, sentada como se reinasse naqueles mares — o que era naquele instante, um fato questionável —, estava Reyna Ramírez.

Ambas pernas apoiadas na mesa, uma caneca de Rum em sua mão direita e uma das garotas do bar em seu colo, rindo como se a Capitã houvesse lhe contato o maior dos segredos piratas. O sorriso no rosto de Reyna alargou-se, jubilando-se no resvalar da ponta dos dedos contra a lombar exposta da garota, delicada e suave, uma letargia hábil e predatória.

A garota estremeceu exageradamente, espalmando as mãos contra os ombros de Reyna que sorriu, sua atenção fracamente devota pela tensão em seus ombros, o único sinal que expunha a atenção fragmentada de Reyna.

Austin sabia que ela o havia notado.

Abriu um sorriso ao voltar o olhar para os outros ocupantes do bar. Flagrou uma conversa pela metade, focando sua atenção nas palavras enroladas em sussurros altos. O álcool destruindo a cautela de homens despreocupados.

— …seria arriscado algo do tipo, ele tem aliados por fora. — um dos piratas às suas costas disse, em reproche. Austin aguçou os ouvidos, encostado no pilar de madeira, escondido nas sombras do bar: — Ele é habilidoso, já tentamos passar ele outras vezes, mas nada deu certo.

Austin murmurou, curioso. A garçonete apareceu com uma nova caneca de rum. Ele lhe jogou uma moeda no ar, umedecendo os lábios com o colarinho da bebida.

— As informações que ele vende o entregam. — comentou o outro, enraivecido: — Esse filho da puta tem um irmão caçula. Ele mora em algum lugar lá na Itália. A gente só precisa achar ele e dar cabo.

Austin tensionou os músculos, com a caneca paralisada contra seus lábios.

Outro pirata riu: — Ah, então ele ainda tem família? Pior pra ele. Quem entra para a pirataria tendo família?

Muitos, seu porra!, Austin rosnou, devolvendo a caneca para a mesa, visivelmente afetado pela conversa.

— Esse informante de merda vai pagar caro! Vamos trazer a cabeça do irmão em um barril, apodrecendo em seus próprios vermes— seu colega retumbou e ambos riram sórdidos dos planos ainda por vir.

Austin apertou a caneca em suas mãos, um tremor sutil tomou conta de seu corpo. Não citaram nomes, mesmo que fossem o mais tolo dos homens em anunciar uma caçada em meio ao bar, não houve o detalhe crucial que tornaria o ato em traição, mas Austin sabia de quem estavam falando. Sabia que havia sido descoberto no instante em que Will foi impiedosamente citado.

Por Hades, estava condenado.

Austin respirou fundo, organizando seus pensamentos, apertando as mãos em punhos na tentativa de interromper os tremores. Fechou os olhos e esperou.

Com o sol à pino após longas horas de futilidades, os homens deixaram o bar para trás, trançando as pernas nas ruas movimentadas da cidade turbulenta.

Austin os seguiu a poucos passos de distância, escondendo-se astutamente entre as pessoas apressadas e seus vestidos espaçosos e vastos. Puxou o chapéu para frente, obstruindo a visão de seu rosto, guiando-se pelas sombras, os olhos atentos e fixos na dupla.

Mal os permitiu entrar no beco em direção ao píer antes de retirar a pederneira de seu coldre e atirar num dos homens, seu corpo despencando ruidosamente no chão imundo do beco aos pés de seu parceiro. Austin viu o outro homem puxar a arma e apontá-la em sua direção, mas a embriaguez não lhe deu firmeza o suficiente para mantê-la em sua mão.

Austin o desarmou com facilidade. Desembainhou sua espada, o jogando contra a parede. A lâmina tocou a pele de seu pescoço, a cor de seu rosto desapareceu imediatamente. Austin pressionou a espada contra seu pomo com força, arrancando sangue do corte fino e superficial.

— Como descobriu sobre meu irmão? — rosnou baixo, um sibilar raivoso que fervia seu corpo e estremecia seus músculos. Nunca antes sentiu tanta raiva, tanta repulsa.

— Não sei o que você está—

A lâmina cortou os músculos do seu pescoço, o corte agora profundo vertia sangue e dor. Um som gorgolejante escapou de sua garganta, úmido e assustado. Olhos arregalados de pavor.

— Me conte e deixo que morra sem dor — uma promessa mentirosa, mas a única que Austin estava disposto a ofertar.

Há limites para jogos de poder. Horas em que palavras valem menos que armas afiadas e promessas de morte. Austin conhecia os limiares da tortura, o desespero que um ferimento fatal causa em uma pessoa, o anseio pela vida que é despertada à porta da morte, na entrega do pagamento ao barqueiro impiedoso.

Quando não há chances de sobreviver, eles optam pela piedade.

— O-Octavian nos contou sobre ele… — sussurrou o pirata, o sangue se acumulando em sua boca numa respiração rasgada e dolorosa aos ouvidos: — Um navio sai ho-je… pra Itália. Sabe que é um espião…

Austin prensou os lábios, revoltoso.

— De onde o navio vai sair?

— Píer… Sul… — murmurou baixo, o sangue escorrendo de seus lábios machucados. Encarou Austin em uma súplica silenciosa.

Num puxar rápido, Austin cortou sua garganta de uma orelha à outra, deixando que a morte o levasse; brutal e rápido. Suspirou, esfregando o rosto em frustração e histeria.

A existência de William não era de conhecimento geral. Por anos, muito mais do que Austin conseguiu catalogar, escondeu esse segredo como seu bem mais precioso, sua informação mais valiosa. Poucos eram aqueles agraciados com sua confiança a ponto de expor a existência do irmão, e, ainda assim, se tornou sua pior fraqueza; a única que nunca deveria ter sido exposta.

Como descobriram, não importava mais. Precisava chegar ao navio antes que deixassem o porto, mas não teria o auxílio do Jackson. Havia concordado, quando aceitou seu papel de espião, que qualquer ajuda do Argos II lhe seria negada, a fim de manter seu envolvimento o mais recluso possível.

Estava sozinho contra um navio que carregava o pior dos presságios.

Passos no beco o trouxeram de volta para o presente, para os corpos aos seus pés; o sangue fresco em sua mão secando desconfortavelmente. Reyna o observava com severidade, braços cruzados na altura dos seios, evidenciando o colo exposto pelos botões abertos. Austin sentiu-se encurralado sob o olhar da Pretora dos mares.

— Para um informante, você é desatento demais — repreendeu Reyna, descendo o olhar para o sangue aos seus pés: — Mas é eficiente. Gosto disso.

— O que quer?

Reyna ergueu o queixo, o olhar duro pesando sobre o corpo de Austin. A presença da Capitã pirata se tornou repentinamente opressiva ao descruzar os braços, a postura outrora branda ganhando articulações de metal e cobre. Andou em sua direção a passos calmos, rodeando-o como uma predadora; o bote ao alcance de sua espada.

— Eu cansei dessa demora — admitiu a Pretora, seu tom absoluto e sem brechas para interrupções. Austin a seguia com os olhos, apreensivo: — Esse jogo de poder, de atacar e recuar. Se isso continuar, essa guerra imbecil vai atravessar gerações. Não gosto de compromissos, entende? De ficar presa a uma única presa.

Reyna encaixou sua perna direita entre as de Austin, seus lábios fartos contra seu ouvido, a risca de sua lâmina contra suas costas. Um sopro divertido roçou contra sua pele, ativando todos os nervos de seu corpo; o sangue pulsando em pânico, sua respiração presa em seu peito.

— Me diga tudo que descobriu e o que não descobriu. Me dê uma estimativa para o final dessa guerra e irei ajudá-lo a salvar seu irmãozinho — a promessa mentirosa deixou seus lábios junto de uma risada baixa, um divertimento megalomaníaco em sua voz.

Austin fechou os olhos, o amargor em seus lábios descendo por sua garganta ressequida. Não há como recusar promessas falsas quando elas são tudo que você tem.

Quando você se torna a presa de um predador maior.

— O que quiser de mim é seu. Reyna. — pontuou seu nome com repulsa, com o pouco de coragem que ainda tinha em seu corpo paralizado sob as garras da Ramirez.

Um beijo frio contra seu rosto selou o pacto entre eles, levando com Austin o resto do calor de seu corpo.

Tortuga, ao cair da noite, transformava-se num antro maldito de sangue, álcool e luxúria a cada curva de suas ruas. O que mantinha oculto da luz do dia, eclodiu à noite em caleidoscópios de cores, sons e cheiros; álcool e endorfina envenenavam as ruas, enquanto o leve rastro da pólvora trazia a cidade ao ponto sem retorno. O inferno disfarçado de céu numa terra perversa e ardilosa.

Um instante onde o Tártaro se abre e homens e monstros se tornam um só nas ruas abarrotadas; onde a luz do luar transforma as águas lúgubres de um mar ardiloso em armadilhas letais.

A rebentação era suave contra o píer há muito devorado por suas águas, o salpicar do mar tomando a vida da madeira que o sustentava, desfazendo a estrutura fraca em pedaços esfarelados na espuma do mar.

Um navio, distante do píer há algumas milhas, desaparecia lentamente nas águas calmas e silenciosas na noite de lua. A luz da lua iluminava rochedos espalhados no mar, mostrando com clareza obstáculos em seu caminho a serem evitados.

A lua é piedosa com seus adoradores, mas temerosa com aqueles que não precisam de sua luz. Ela os evita, os esconde de sua vista e os tornam em assassinos silenciosos na vastidão do mar.

As velas negras guiavam o Caronte suavemente pelas águas paradas do Caribe, riscando a espuma do mar em seu caminho direto contra o navio exposto ao luar. As sombras o engoliam, o vento ao seu redor carregando a morte que seu nome buscava.

A bandeira pirata na haste mais alta sacolejava brevemente, reflexos do luar em seu tecido gasto, sendo o único beijo da lua que aquele navio recebia numa noite acre e opressiva.

Jason encarava o horizonte ao lado de Malcom na proa, o navegador guiando o navio habilmente pela penumbra. Austin apoiou-se no parapeito do Caronte, irrequieto. O acordo que fez com Reyna no beco o levou à uma sala privada no bar em que estavam antes, com a presença do atual Capitão do Caronte como espectador de uma conversa incriminadora.

Um traidor expondo as verdades e mentiras de seu Capitão e amigo.

O pagamento de suas informações estava sob seus pés, navegando em direção a um dos navios de Octavian atrás de justiça humana, o presságio da morte no véu da escuridão e do silêncio ao seu redor; sequer uma voz ou passos ecoavam no convés do navio dos mortos.

— É sempre assim? — Austin perguntou a Reyna, apoiada ao seu lado no convés vazio.

Reyna tragou o cigarro em seus lábios, o vermelho em sua ponta tornando-se a única luz momentânea ao seu redor antes de se apagar. Soltou o ar na maresia do Caribe, uma tranquilidade absoluta em seus ombros cobertos pelo sobretudo de couro.

— As emboscadas eram navegadas pelo Nico, quando ainda estava no comando — Reyna comentou discretamente, gesticulando com a cabeça em direção ao timão: — Mas o navegador deles é bom, sempre foi. Já tentei comprá-lo com o dobro do que Nico lhe oferece em pilhagens, mas ele nunca cedeu. Nenhum deles nunca cede.

Austin voltou o olhar para o mar. Com a reputação do Caronte e o mistério que existia em volta da identidade e aparência do navio, Austin entendia o motivo de nenhum deles se dignar a deixar a tripulação.

Uma das maiores honrarias dos mares é ser parte de suas lendas.

O navio virou à estibordo. O silêncio e a escuridão no convés lhe causaram calafrios dos mais arrepiantes. Um silvo horripilante ecoou em seus ouvidos, o reflexo do machado de Sherman se movendo junto de seu corpo largo até o centro do convés. Uma pequena distração, como se convidasse o navio inimigo a encontrá-los.

Jason ergueu sua mão em um gesto de dedos, trazendo consigo o restante da tripulação fantasma para fora das sombras. Arpões se espalhavam por todo o convés, apontados diretamente para o navio há menos de uma milha de distância.

Austin afastou-se da amurada, o choque da aproximação repentina levou sua mão ao pomo de sua espada, antecipando um ataque iminente contra o Caronte.

Reyna segurou seu braço, o impedindo de desembainhar a espada. Havia um olhar maníaco no rosto da Pretora ao observar o casco do navio de tão perto sem terem sido descobertos, um sorriso venenoso rasgando sua pele na penumbra.

Seu peito retumbava desesperadamente, prevendo o instante em que o pirata no alto do mastro os visse ali, tão perto que poderiam gritar que seriam ouvidos com clareza de onde estavam.

Ou talvez tivessem se o disparo dos arpões não houvesse perfurado o casco do navio de Octavian.

O som de gritos ecoou pelo convés inimigo, lamparinas sendo acesas em toda a extensão do navio. A ponta oposta dos arpões estava amarrada no mastro principal do Caronte que seguia o caminho em linha reta, na direção de rochedos escondidos na escuridão da noite.

Austin se virou para Jason, tentando decifrar aquela estratégia insana e suicida. O navio sacolejou sobre seus pés, o desestabilizando no convés agora cheio de tripulantes de um lado para o outro, puxando cordas e soltando as velas principais, ganhando impulso com o vento do leste. Não estava preparado para o instante em que as cordas dos arpões se enroscaram nas rochas que separavam ambos navios, arrastando o navio de Octavian pelas águas em direção aos rochedos, a lateral do navio indo de encontro brutal com a superfície de pedra. Em sua inquietude, não havia notado a forma imponente em que as sombras do Caronte devoravam o navio, diminuto sob sua grandiosidade; pequeno perante um navio pertencente às lendas. Tão impiedoso quanto o nome em seu casco e o sangue em suas ripas de madeira obscuras.

O som do casco do navio se partindo ecoou pelas águas silenciosas, o grito dos tripulantes ao tentar se segurar nas laterais da embarcação sendo devorados pelo silvo de um único barril riscando o céu, lançado às costas de Austin em direção ao navio à beira do naufrágio.

As cordas foram cortadas e o barril estilhaçou-se no convés do navio ilhado nos rochedos. E então, lamparinas se acenderam no Caronte, incendiando flechas flamejantes lançadas em arco, atingindo o piso do navio inimigo.

O fogo ergueu-se impiedoso no naufrágio, devorando peles e ossos. O Caronte deu a volta no rochedo, sua forma obscurecendo a luz da lua que, outrora, iluminava o pequeno navio à sua mercê. Canhões atiravam contra o navio, barris foram lançados às águas ao redor dos escombros, ateando fogo naqueles que desejavam a fuga pelas águas.

Minutos agonizantes se seguiram de gritos de morte e lamúrias de desespero, o pagamento ideal pela travessia ao mundo dos mortos, entregue ao navio imponente como seu juiz e capataz. Minutos se passaram até o silêncio absoluto. As águas apagaram o fogo e o naufrágio desapareceu no fundo das águas malditas.

Nem uma única alma foi poupada para narrar aquele conto, mas Austin sabia que lendas se contavam sozinhas nos sussurros dos ventos, e ali, vivenciando com seus próprios olhos o que ergueu o nome do Rei Fantasma das profundezas do mar até a recompensa mais alta entre os Capitães e vigaristas do Caribe, teve certeza de que sua lenda era real, e o terror dos mares sob a proteção da escuridão.

Naquele instante, Nico Levesque se tornou um nome que Austin aprendeu a temer.

Austin se manteve na popa, observando os restos do navio se perderem nas águas enquanto o Caronte se afastava pelas sombras uma vez mais.

Já havia participado de centenas de emboscadas, a maioria delas arquitetadas por Annabeth e Percy e executadas com maestria pelos tripulantes do Argos II. Sentia-se um homem vivido, que regozijava do privilégio de navegar com um semideus em carne e osso. A superioridade mentirosa que os títulos criam em homens.

Mas, pela primeira vez em anos, Austin se sentiu pequeno na presença de um título, sob os cuidados do Rei Fantasma numa carícia violenta de demonstração de poder; o que aconteceria caso, um dia, o destino o colocasse como inimigo ao invés de aliado.

Era brutal, mas belo. Uma morte entregue num sofismar sutil de surpresa e piedade.

Compreendia melhor o receio que Percy tinha em relação ao Caronte, em relação ao Capitão original. Ele mesmo começou a criar suas próprias ressalvas.

Passos pararam ao seu lado, a vida retornando ao convés do Caronte com conversas altas e risadas exageradas. Virou o rosto para o Imediato do Caronte, o atual Capitão, pelo que lhe explicaram. Jason Grace exalava uma autoridade branda em sua postura, calmo como um porto que pode ser alcançado e usado como apoio e auxílio. O completo oposto do que Reyna denunciava em seu olhar felino.

Diferente da raiva fria que se derramava da expressão dura de Perseu Jackson.

— Um show de horrores, não é? — comentou o Capitão, o olhar preso no mesmo cenário que Austin observava a alguns segundos.

— Todas as mortes têm sido, ultimamente — confessou Austin, respirando profundamente da brisa fresca da maresia: — Mas nunca vi nada executado dessa forma.

— A Chase tem um histórico similar de emboscadas — Jason relembrou, seu olhar ainda distante: — Talvez menos brutais.

— A dádiva da piedade, como ela chama.

Jason riu, o encarando pela primeira vez naquela noite. Austin se viu cativo dos olhos azuis tempestuosos, no peso que eles carregavam. Sua feição era compreensiva, como a quem escuta e ensina, paciente sem se deixar tomar pela graça de uma pergunta tola.

— Piedade é uma forma de explicar o que fizemos hoje, mas a morte nem sempre é piedosa. Não podemos garantir que todos aqueles homens foram poupados enquanto morriam. Os gritos não são de prazer, Austin. — respondeu suavemente, o sorriso sumindo de seu rosto com a gravidade de suas palavras: — Annabeth tem a mesma perversidade que nós, só decidiu escondê-la com mentiras mais agradáveis.

Austin suspirou. Podia concordar, mas resolveu não se prolongar no assunto.

— Então, o que querem de mim?

Jason se apoiou na amurada, virando o corpo para observar o convés. O som das risadas despertando Austin do silêncio soturno do mar.

— Você nos deu o que queríamos. Nos disse tudo que sabia do Octavian e o que o Percy pretendia de você como espião. Não estamos tentando criar uma guerra com o Jackson, mas não há aliados nessa guerra.

Austin sabia disso, mas os segredos que revelou do Argos II ainda amargavam sua boca.

— Tem uma rixa entre vocês dois. — Austin afirmou, lendo o tom levemente hostil do Capitão como algo a mais: — O que começou isso?

Jason arqueou a sobrancelha, um quê desafiador em seu rosto. Austin deu de ombros, desviando o olhar.

— Não posso voltar ao Argo, Grace. De que me serve suas informações agora?

O Capitão concordou com a cabeça, cruzando os braços. Sua feição endureceu gradualmente, como se o prelúdio da conversa o incomodasse.

— Não tenho nenhuma rixa com o Jackson. É uma briga entre ele e o Nico — explicou Jason, seu tom de voz baixo e sombrio, colérico. Austin perfilou-se, atento. Jason continuou: — Uma dança idiota que dura cinco anos de falsas amizades e sabotagem mascarada como uma mão amiga.

Austin franziu a tez, confuso.

— Do que está falando?

Um som grave ecoou do peito de Jason, seu rosto deformando-se diante dos olhos de Austin. Um lampejo de raios em azul celeste.

— O Templário não foi uma perseguição acidental, mas eles atacarem Reyna, sim — Jason bradou, seu tom baixo e trovejante, fazendo Austin levar sua mão à pederneira em seu coldre. Jason sequer se abalou com o gesto: — Nada que Percy faz é acidental, Austin. Tudo é planejado, cada pequeno detalhe da porra da vida do Jackson é pensado com cautela. O Caronte tem um inimigo, Austin, e nunca foi a Reyna como todos dizem.

Austin inflou o peito, as informações se acumulando em sua mente.

— O Argos é uma ameaça ao Caronte, e ainda assim é visto como aliado numa guerra tão conveniente.

— Não sabe o que está falando — Austin rebateu. Aquilo era ridículo: — Está dizendo que o Percy começou a guerra? Que ele começou isso tudo?

— Não. Você quem disse. Pense, Austin, por um instante — disse Jason assomando-se sobre o informante: — Como uma informação como a do seu irmão se tornou pública? Quem foi seu confidente e quem foi o traidor? Entramos na pirataria ao mesmo tempo, estamos nisso há anos, porra, comece a pensar sozinho.

Foi como um lampejo, um ataque brutal de claridade.

Austin afastou-se do Capitão do Caronte, sentindo o amargo em sua boca intensificar, alastrando-se por sua garganta. A verdade é uma besta pestilenta, que te consome no instante em que as presas fincam na pele.

William Solace sempre foi seu segredo mais precioso, seu tesouro mais bem guardado, compartilhado apenas com aqueles dignos de sua confiança.

Em algum momento naqueles anos todos, Austin julgou Percy merecedor de sua confiança. Sussurrou-lhe ao ouvido, contou histórias que fizeram seu Capitão expressar um sorriso doce e dócil, como se a informação também lhe fosse preciosa. Uma mentira agradável, tão asquerosa.

Repentinamente não via mais suavidade no sorriso de Percy. Suas memórias tornaram um pacifista num tirano. Sorrisos se tornaram falsos, olhares pestilentos; sugestões num ato de guerra. Perseu Jackson mutou-se diante de seus olhos em poucos segundos.

Pela primeira vez em quase dez anos que esteve à bordo do Argos II, Austin sentiu-se colérico.

Jason apoiou a mão em seu ombro, o forçando a encará-lo, a observar a tempestade em seu olhar, a fúria destinada somente à um único homem; uma raiva fria que queima e se torna hostil apenas ao Jackson.

— Ele feriu meu Capitão. Ele o quebrou e não consigo ajudá-lo, não da forma como ele precisa — sua sinceridade caiu em ouvidos sedentos: — Eu o estou ajudando, Austin, dando ao Nico a chance de dar ao Jackson seu próprio veneno.

Austin apertou os olhos.

— Seu Capitão não está aqui, Grace — Austin relembrou, tenso.

— Ainda. Ele vai chegar, e até lá terei o Jackson onde preciso. Não me importo com as consequências do que eu fizer. Motim, traição, podem pensar o que for de mim, mas se eu andar numa prancha, levarei o Jackson comigo — Jason olhou ao redor, como se garantisse, uma última vez, que sua raiva se mantinha secreta. Voltou o olhar ao informante, potente, feroz; a face de um pirata da era de ouro: — Temos pessoas que queremos proteger, Austin. Você me deu a informação que eu esperei por anos. Isso não tem preço, a menos que um lugar no Caronte seja o bastante.

Austin aprumou-se, a oferta ardente como brasa; a chance de caminhar na prancha com Jason alta e quase inevitável. Ainda assim, um sorriso se formou em seu rosto, nefasto e cruel, trazendo à tona os sentimentos que o tornaram num pirata há quase duas décadas atrás. A vileza que torna homens em feras.

Nunca pensou em caçar um semideus antes, mas sob o nome do barqueiro que guiou Teseu, Héracles e vários outros heróis para as profundezas do Mundo Inferior, Austin se via tentado.

Austin provou do fruto, por fim, num sorriso pestilento.

— Quem nunca quis fazer parte de uma lenda?

Jason gargalhou.

REYNA

Reyna questionava-se: como terminou aquela manhã sentada tranquila na cama de um dos quartos acima do bar com dois corpos aos seus pés inertes, antes mesmo do sol estar à pino?

Não que fosse o feito mais difícil de todos. Diversas foram as vezes que usaram de suas amantes para atacá-la em seu momento mais vulnerável. Uma adaga debaixo do travesseiro, veneno nas bebidas do quarto; uma arma de fogo contra sua nuca ao despir-se.

Não, Reyna havia se acostumado a ser caçada.

O que a intrigava, mais precisamente, era a informação que havia recebido de Pietra na cama, pouco antes da presença do matador de aluguel ser descoberta debaixo da cama. Quando o sorriso pintou o rosto de sua pequena amante de vários anos, ao sussurrar um pequeno segredo em seus ouvidos: “O Caribe espera pela sua queda, Capitã.”

A luta não foi uma das melhores que já teve, e no final resultou na morte acidental de Pietra. Um tiro em sua testa mal calculado pelo assassino — ou talvez tenha sido causado pela distração que o tiro de Reyna causou —, e a cortesã manchou o chão de madeira com seu sangue fresco.

Reyna ajeitava as roupas em seu corpo, erguendo-se da cama. Reaveu o chapéu do chão, colocando-o em seus cabelos soltos. Deu um último olhar para Pietra antes de sair, passos pesados contra o assoalho de madeira grudento; um breve alerta para aqueles espalhados no corredor dos quartos de que sua pequena luta havia terminado em mais uma vitória triunfante.

Deixou o bar pelas portas dos fundos, sempre abertas para que pudesse ir e vir à seu próprio dispor — outra vez, tentativas de assassinato eram comuns para Reyna e os donos de bares em Tortuga —, caminhando solene sob o sol do meio-dia.

— Esperam pela minha queda, hm…? — murmurou Reyna, erguendo o olhar para o céu limpo em tons de azul celeste. Mais um dia sem vento, aparentemente. Ela riu, divertida: — Que esperem.

Mesmo entre as ruas movimentadas de Tortuga, era fácil identificar quando estava sendo seguida. Um sorriso se alastrou por seu rosto, guiando seu admirador pelos becos lotados de mais uma manhã caótica. Passos firmes, uma mão descansando no coldre em sua cintura, e ouvidos atentos aos passos repetitivos e tranquilos à suas costas.

Conhecia bem a quem pertenciam. Por anos os ouviu às suas costas, guardando sua sombra e protegendo pontos que Reyna não conseguiria defender-se em lutas intensas. Anos de confiança em meio ao caos que era o Caribe há mais de uma década atrás. Confiança perdida tão rápido quanto a própria decadência da pirataria.

Ergueu o olhar mais uma vez aos céus, imaginando qual história mirabolante lhe seria contada e de qual forma seria coagida a ofertar uma mão amiga.

Há várias formas de recusar uma ajuda, claro, mas é impossível o fazer quando a pessoa sabe jogar sob as mesmas regras. Um lobo em pele de cordeiro, como sempre foi. Reyna conhecia bem suas cores, mesmo que ele fingisse ser o mais santo e benevolente dos homens, ela conhecia a cor de seus pecados.

Reyna parou um pouco antes de chegar ao píer, em um beco vazio próximo de onde o Argentium estava ancorado. Um espaço ermo, quase inóspito pelo pavor que a população de Tortuga exalava ao permanecerem próximos da Capitã.

Reyna entendia o medo dos moradores de Tortuga ao se manterem longe do ponto de ancoragem de seu navio e sua frota. Era vantajoso para Reyna ter um quarteirão inteiro ao seu dispor e de seus homens, mesmo que para isso tenha desenhado uma reputação a qual nunca almejou no começo, mas há pequenos prazeres em boatos e histórias grandiosas.

Mesmo que muitos tenham sido às custas do Caronte.

Se virou para sua pequena sombra, um sorriso felino em seu rosto.

Jason a observava de longe, olhos calmos em uma expressão que Reyna detestava. Uma raiva fria e cálida que trazia consigo o princípio de um motim.

— Jason, que desprazer — cumprimentou a Capitã, trocando o peso das pernas de forma preguiçosa.

Seu ex-Imediato a mediu de cima a baixo, seus olhos percorrendo seu corpo de forma preguiçosa.

— Tem sangue no seu rosto — disse por fim, como se fosse algo recorrente.

Reyna riu. De fato, era.

— Na sua roupa também — respondeu de volta, apontando para a mancha em sua calça. Jason deu de ombros, desconsiderando sua observação.

— Precisamos conversar.

— Oh, imagino que sim. Mas não sinto prazer algum de conversar com você e no momento estou sóbria demais pra fingir me importar — admitiu, gesticulando levianamente com sua direita: — Vai importunar outra pessoa, anda.

Jason piscou devagar, umedecendo os lábios vagarosamente, no prelúdio de alguma notícia insossa. Reyna arqueou a sobrancelha, aguardando o inevitável. O conhecia bem o suficiente para odiar cada um de seus trejeitos desprezíveis.

— Atacaram a LaRue hoje de manhã, disseram que você quem ordenou o ataque — Jason falou, o olhar fixo no rosto de Reyna: — Três navios da sua frota no fundo do mar.

Reyna ajeitou a coluna, repentinamente raivosa.

Eu ordenei? — seu tom endureceu, não gostando da insinuação à rebeldia em sua tripulação.

Um sorrisinho perverso alargou-se no rosto de Jason, tombando a cabeça levemente pro lado, divertido.

— De certa forma. Sua falta de atitude é bem auto-explicativa — Jason se aproximou alguns passos, indiferente à mão de Reyna fechando-se em volta de sua arma: — Foi a mesma coisa quando Percy fingiu que o ataque ao Aurum foi um acidente. Você ficou em silêncio e deixou que as pessoas ao seu redor resolvessem a porra do problema. Deu asas demais para o Jackson e agora não sabe como podar.

— O Jackson não é o problema aqui, Jason.

— Ele sempre foi o problema, você só se deixa cegar pelo que ele faz. Você sempre deixou — a insinuação em seu tom a irritou o suficiente para apontar a arma contra seu rosto, raivosa.

Não gostava de insinuações sobre suas escolhas passadas, principalmente aquelas cometidas em momentos de insensatez e volúpia. Perseu Jackson sempre foi uma linha que nunca deveria ser cruzada ou enunciada, e ainda sim, lá estava Jason Grace, desafiando-a.

— Eu ficaria calado se fosse você. — sugeriu a Capitã, uma ameaça clara em sua entonação baixa e rouca.

Jason desceu o olhar para o cano de sua arma, inexpressivo, para então erguê-lo outra vez. A observou fixamente, azul celeste contra obsidiana. Reyna odiava aquele homem, aquele olhar frio e inteligente que a desafiava por simplesmente existir. O melhor Imediato que já teve tornou-se o pior dos traidores. Aquele que puxou o gatilho às suas costas sem um segundo de hesitação; o homem que abandonou anos de companheirismo por um garoto que aprendeu a ser pirata rápido demais.

Nunca compreendeu a devoção cega que Jason entregou de bandeja para o di Angelo, ofertando sua alma e cada pedaço de sua liberdade nas mãos impiedosas de um garoto sedento por sangue e violência. Nico di Angelo começou um padrão de violência no Caribe que foi imitado e ovacionado pelo mundo, trazendo à tona o medo que a pirataria nunca antes teve.

A Era de Ouro, como alguns chamavam.

A ascensão antes da queda, era como Reyna via. Décadas, talvez um século de expansão na base do medo antes das perseguições se tornarem esportivas, e suas cabeças um prêmio a ser disputado. O destino final da pirataria que, para Reyna, levaria anos para acontecer.

Nas mão de Nico, esse evento foi trazido para a superfície com força e intensidade. O peso que uma lenda causa na história do mundo.

Reyna rosnou, a feição deformada em uma cólera sem precedentes.

Seu pequeno trunfo se perdeu na Itália, deixando um capataz no seu lugar, tão cruel quanto seu Capitão.

Jason apertou o olhar, perspicaz.

— Você é previsível. Ou atacamos agora ou essa pequena guerra vai ser sua queda. Sabe disso, e mesmo assim brinca com a sorte — Jason recuou dois passos, assertivo: — Você não tem aliados, Reyna, não sem o Nico. Seria bom lembrar disso.

Reyna travou o maxilar, sem se deixar abalar.

Jason deu mais dois passos para trás e se afastou de vez, escondendo-se atrás das construções do píer, tornando difícil para Reyna acertá-lo com um tiro. Bufou, revoltada.

Devolveu a arma para o coldre, cuspindo profanidades.

Deu meia-volta, caminhando para o Argentium em passadas largas, seu olhar correndo pelo píer; sua fragata repentinamente menor. Oh, como isso a irritou. A confirmação maldita de que Jason, mais uma vez, sabia mais do que compartilhava. Como sempre, guardando suas cartas até o segundo final.

O ódio ferveu seu sangue, trazendo à tona toda a repulsa que sentia por Jason. Iria matá-lo! Antes que Nico retornasse ao Caribe, antes que o Caronte se tornasse invencível uma vez mais.

Mas, primeiro, lidaria com sua frota à beira de um motim.

Mais um de muitos.

Seu atual Imediato se aproximou de Reyna, a feição sombria de quem traz notícias agourentas. Num aceno de cabeça, Reyna o guia até sua cabine, maquinando o que fazer contra aqueles cuja coragem para afrontá-la se tornaria sua ruína.

Reyna poupou Jason e Nico quando se rebelaram, mas não faria deles o padrão, apenas uma exceção temporária.

Um problema que seria resolvido nos próximos dias, no sangue que pintaria os mares do Caribe; nos corpos acumulados no fundo do oceano como oferendas à Poseidon.

Um sorriso peçonhento emergiu de seu rosto, se deixando levar por um sentimento antigo, antes mesmo de ter seu nome conhecido nos mares.

Por fim, tomou uma decisão impulsiva.

Naquela noite, sob o olhar atemorizado da população de Tortuga, toda a frota de Reyna, com exceção do Argentium, ardia em chamas no píer Leste, levando consigo tudo que suas chamas malditas tocavam; de casas de madeira aos bêbados perdidos em meio às labaredas, alterados demais para escaparem de uma morte cruel e injusta.

Os gritos ecoaram por todo o píer, clamando por misericórdia de deuses que jamais prestaram atenção aos seus apelos; deuses que se alimentam de adorações, mas nada fazem pelos adoradores.

A Pretora dos mares, pela primeira vez desde sua ascensão, declarou guerra contra o Caribe e todos que viviam em seus mares.

A guerra, finalmente, estourando nas águas quentes de paraíso sem um deus.

Notas finais
Opa... vamos dizer que as coisas vão ficar feias agora? Reyna resolveu atacar sem piedade, Austin entrou no Caronte e o Jason NÃO É traidor. Ah, os refrescos kkkkkkkk Espero que tenha sido um bom cap Me falem o que acharam!! Até domingo. Beijinhos~