Pit-a-Pat

3 Capítulo III


Notas iniciais
Boa tarde amores! Cheguei com mais um capítulo!! Quero primeiro agradecer pelos comentários e favoritos, me deixa feliz que estejam gostando da história. Vamos ver as tretas que deu nessa viagem? Bem um pouco delas :v Se tiver algum erro me avisem, dei uma revisada mas nunca se sabe. bom, minha vez de responder as perguntas né? Você tem alguma cena predileta dos livros de PJO ou HDO que ama reler sempre que pode? Eu sempre releio a cena onde o Nico transforma o Bryce em fantasma. É muito emocionante. Se pudesse ter mudado algo nos livros o que seria? Igual todo mundo eu mudaria o final. Que fiasco foi aquele, Gaia? Quando terminou O Último Olimpiano você conseguiu ainda sentir raiva do Luke? Não, desde o começo eu sempre achei o Luke muito foda, nunca tive raiva dele. Se pudesse trazer algum dos personagens que morreram de volta a vida, quem seria e por quê? Charles e Silena. Meus dois amorzinhos 3 Ok, sem enrolações! Boa leitura!

Nico

Capítulo III

[...]

“A respiração de Nico era fraca. Apertava as cobertas com força entre seus dedos pequenos. Sua garganta estava seca, e sua respiração pesada e sufocante. Tossiu duas vezes virando o rosto no travesseiro sentindo seu peito doer.

Possuía em sua testa um pano branco úmido para conter a febre que o assolava. Tremia de frio, mas ao mesmo tempo sentia calor com aquelas cobertas; era um sentimento horrível.

Olhou mais detalhadamente para o arredor, mas não conseguia distinguir direito as formas dos móveis de seu quarto, mas conseguia claramente ouvir as vozes do lado de fora.

― O que você tinha na cabeça ao sair com ele dessa forma? ― bradou a voz irritada do lado de fora. Ele identificou claramente como sendo seu pai.

― Mas fomos só pegar alguns figos como sempre fazemos. ― respondeu uma voz mais fraca, provavelmente sua irmã.

― Não interessa Bianca! ― bradou o homem possesso. Nico encolheu-se nas cobertas, e imaginou Bianca abaixando a cabeça assustada.

― Ele é um garoto doente, Bianca. Não pode sair por ai dessa forma. ― respondeu outra voz, mais angelical e calma.

― Mas mãe, ele não é doente. Ele é normal. ― rebateu Bianca.

― Ele é o meu único herdeiro. Quer que ele morra? ― perguntou seu pai irritado.

Um silêncio se instalou no ambiente atiçando a curiosidade de Nico.

― A partir de hoje ele não sai desse quarto a menos que seja necessário. ― gritou o homem: ― Ouviram vocês duas? ELE NÃO DEIXARÁ AQUELA CAMA SEM MINHA PERMISSÃO!

As vozes cessaram, mas Nico ainda podia ouvir seu coração batendo rapidamente.”

Nico acordou atordoado. Passou a mão nos cabelos sentando-se em meio aos lençóis bagunçados em seus pés. Aqueles sonhos o perseguiam desde que havia entrado na pirataria. Por um minuto ele gostaria de poder ter sonhos normais, ou mesmo nem sonhar. As lembranças de sua infância não eram muito boas.

A maçaneta de seu quarto mexeu-se rapidamente. Nico correu os olhos para a porta trancada de seu quarto.

― Jason? ― perguntou baixo, mais para si mesmo do que para a pessoa do outro lado.

A maçaneta mexeu novamente, mas de forma frenética. Quando percebeu que não abriria a soltou, na sequência Nico ouviu os passos se afastando pelo corredor. Apertou os olhos curioso.

Agradeceu mentalmente por ter ouvido Jason naquela hora. Levantou-se colocando sua bota, o cinto com a arma e a espada. Destrancou a porta e saiu do quarto silenciosamente. Respirou fundo e começou a andar para o Convés.

Apoiou-se em sua porta de acesso tentando ouvir algo do outro lado, mas nada além do mar e do vento. Voltou o olhar para sua cabine. Todas as portas foram trancadas, desde seu quarto ao escritório. Pensou em sair e ver se encontrava alguém acordado perambulando por seu navio, mas as chances de pegá-los diminuiriam drasticamente.

Sendo assim voltou para seu quarto, trancou e deitou-se novamente com o cinto e as botas. Não sabia que horas eram, mas não estava com tanto sono a ponto de voltar a dormir. Decidiu, então, ficar olhando para o teto esperando o sol raiar.

O vento soprava forte na manhã. No horizonte Nico podia ver o Aurum riscando as águas lentamente a frente deles. Não conseguia mais enxergar a costa, porém sabia que não havia saído do Estreito de Malaca. Respirou fundo pendendo uma de suas pernas para o lado de fora do navio. Sentado na proa podia sentir o vento forte em seu rosto bagunçando os cabelos quase sempre desarrumados.

Olhou para o lado de dentro do navio, vendo somente Malcom no timão e os homens dormindo no Convés. Passou os dedos pelo cordão em seu pescoço puxando-o pra fora de sua vestimenta. Pendurado nele havia uma chave dourada um pouco enferrujada e um anel de caveira feita de ossos e joias. Os olhos eram duas rubis pequenas e brilhantes, sua carcaça feita de ossos, já a base do anel de um metal negro.

Passou os dedos pelo anel fechando os olhos no mesmo instante. O sabor do sangue invadiu seus lábios no instante em que suas mãos apertaram o anel com força; a mesma força em que as lembranças o acertaram.

― Nico?

Abriu os olhos num pequeno, mas controlado susto. Jason o estava encarando preocupado. Nico balançou a cabeça guardando o anel mais uma vez.

― Acordado há essa hora? ― zombou sentando-se de frente para ele. Desviou o olhar do Capitão para o mar, mas Nico continuou a encará-lo.

― Não consegui dormir. ― respondeu simplesmente. Jason voltou a encará-lo, desta vez permaneceu assim.

― Pesadelos?

Nico meneou a cabeça: ― Também. ― disse mordendo o lábio nervoso: ― Tentaram entrar no meu quarto de madrugada.

Jason retesou-se: ― Quem? ― bradou visivelmente transtornado. Nico negou. Jason estalou sua língua nervoso: ― Sabia que deixar pessoas estranhas entrarem seria ruim.

― Todos somos estranhos na primeira vez. ― respondeu cômico: ― A questão é que fui mais rápido e estava com a porta trancada, simples.

― Preciso descobrir quem. Vou falar com Sherman. ― indagou levantando-se. Nico o parou:

― Não faça nada. Não comente nada perto desses homens. ― disse severo: ― Não vão tentar essa noite, seria arriscado, mas tentarão de novo. E quando acontecer vamos pegá-los.

Jason franziu o cenho como se não concordasse com isso, mas acenou de toda forma. Pegou Nico pelo braço obrigando-o a descer do parapeito.

― Café da manhã. ― informou puxando-o escada a baixo.

― E quem garante que já não comi?

― Eu. ― respondeu: ― Se não mando você comer, não come. Parece criança. ― bradou rolando os olhos, mesmo sem Nico precisar realmente ver pra saber.

Foram até sua sala e de lá começaram a conversar sobre várias coisas, dentre elas relembrando um pouco do passado que compartilharam. Piper apareceu minutos depois se auto convidando para a conversa.

Piper lhes contou um pouco sobre o que descobrira de cada homem. Disse que alguns deles estavam mais interessados em entrar para a tripulação do Rei dos Fantasmas do que da Pretora, e isso de certa forma incomodou Nico.

Ser encarregado de levar esses homens para Reyna sendo que no final alguns debandariam para seu lado não era lá muito bom. Claro, ela não se importaria, mas se não havia lealdade para com ela, quem diria com ele.

Pelo que Piper havia descoberto sobre eles em algumas conversas no dia anterior, a maioria eram homens criminosos, assassinos, ladrões, sem escrúpulo algum. Não que isso fosse novidade, claro.

Um deles se chamava Bryce Lawrence, um assassino de aluguel que havia perdido clientes por conta dos Templários que além de serem mais baratos, eram contratados pelo governo. O mercado diminuiu até mesmo para homens como Bryce.

Nico nunca gostou dos Templários. Já teve alguns em sua cola ao longo desses anos, e para ser franco foi terrível tirá-los de sua reta. Eles não desistem a menos que sejam mortos, e matar um Templário não é uma tarefa fácil.

Justamente por serem piratas contratados pelo governo sabem como se portar ou mesmo como os seus alvos agem. Como o ditado diz “Para se caçar um coelho, se torne o coelho”, ou algo do gênero.

― O estoque de suprimentos não vai durar a viagem toda. ― ressaltou Piper cruzando os braços sobre a mesa. O vestido do dia era vinho com babados negros: ― Vamos ter de parar em Omã para reabastecer, ou mesmo antes em Chennai.

― Tivemos de nos livrar de carga, e isso incluiu os suprimentos. ― completou Jason: ― Deve dar para um mês nosso estoque. Se fosse somente a nossa tripulação daria para três meses.

― Vamos ver o quanto esses... Desgarrados consomem e talvez o ideal seja parar em Chennai. ― comentou Nico tomando de seu vinho: ― Mas a leva de homens vai diminuir antes disso.

Piper arqueou a sobrancelha.

― Mais rápido do que imagina, Capitão. ― bradou Jason num tom irritadiço. Piper ficou calada, mas com certeza perguntaria a Jason depois.

― Bem não podemos deixar Malcom sozinho dando conta de tantos homens. Subam lá! ― ordenou Nico. Jason e Piper deram de ombros saindo em pequenos resmungos dos aposentos do capitão.

Nico terminou o café um pouco depois. Pegou a garrafa de vinho e começou a beber enquanto lia um dos livros de seu escritório. Teriam muito tempo de navegação, e a menos que ficasse bêbado a viagem toda junto daqueles homens precisava fazer algo para distrair a mente.

O livro se chamava “Doctor Faustus” que conta a história de um renomado doutor chamado Fautus que, cansado dos limites da medicina e dos conhecimentos da época, resolveu aprender mais sobre magia fazendo assim um pacto com Mephastophilis, um demônio que lhe ensina as artes negras.

Era um livro fascinante ao ver de Nico, principalmente por ser uma história com final trágico. Das duas versões escritas, Nico preferia a primeira e original versão.

Nico nunca teve interesse pelas artes negras, mas Hazel chegou a achar interessante quando nova, mas logo depois se desencantou ― para o alívio de seu irmão.

Pouco depois de ter terminado as cenas três e quatro do livro começou a ouvir barulhos no Convés. Pensou em ignorar, mas o barulho começou a aumentar, como se fosse uma briga. Podia até ouvir dali Travis e Connor apostando algo.

Suspirou pesado fechando seu livro:

― Será que já mataram o Valdez? Mas só é o segundo dia. ― resmungou para si mesmo tomando outro gole do vinho antes de sair do escritório.

Assim que deixou sua cabine os gritos e xingamentos aumentaram rapidamente. No centro do Convés viu Sherman apontando uma espada em direção a um dos homens que estavam transportando ao Egito.

Aumentaram o tom quando Sherman avançou contra ele colidindo sua lâmina com a do homem que vociferava em Irlandês. Nico arqueou a sobrancelha tentando achar Jason no meio dos homens.

Passou por Travis, Connor e Leo sentados perto de alguns barris gargalhando da cena. Um pouco mais para frente viu Jason de braços cruzados encarando a bagunça com desinteresse.

― Então não é o Valdez? ― zombou recostando-se no parapeito do navio. Jason negou:

― Aquele homem disse alguma coisa pra ele em outra língua e o Yang já achou que estava chamando pra briga. ― respondeu rindo: ― Eu apostei no Sherman, por via das dúvidas.

Nico ponderou: ― Escolha sábia. ― comentou ao observar o porte magricela do Irlandês.

― Ele esta mesmo ofendendo o Yang? ― perguntou Piper se aproximando deles. Nico deu de ombros:

― Talvez o Sherman tenha exagerado. Sempre faz isso. ― disse observando mais atentamente a luta.

― Seu magricela. Acha que pode comigo, filho da puta! ― gritou Sherman o empurrando com a lâmina. O homem se colide com algumas caixas:

Go mbeire an diabhal thú ― Bradou o homem irritado. Nico riu:

― Ok, talvez não tenha exagerado. ― comentou dando de ombros.

― O que ele disse? ― perguntou Piper curiosa.

― O mesmo que nós dizemos, mas em Irlandês. O que faz parecer pior. ― comentou encarando o céu claro, mas com algumas nuvens carregadas no horizonte: ― Talvez chova nos próximos dias.

― Provável, mas quem se importa? Vou estar no meu quarto mesmo. ― ridicularizou Jason, Nico sorriu.

― Bem, eles não são feitos de açúcar. ― respondeu o Capitão: ― Mas melhor prestar atenção, as tempestades por esses lados são cruéis.

― Como queira.

A briga continuou até Sherman conseguir nocautear o homem com um só soco. Assim que ele caiu houve urros de comemoração e risadas altas. Nico somente rolou os olhos com a baderna. Sherman andou até eles guardando sua espada na bainha.

― Capitão. ― Chamou aproximando-se: ― Só pra saber, ele me xingou mesmo?

― Faz diferença? ― ressaltou curioso.

― Sim, porque posso voltar e dar mais porrada. ― concluiu estalando os dedos e sorrindo abertamente. A cicatriz em seu rosto esticou dando um ar um tanto macabro para suas feições.

― Não sei o que ele disse antes, mas durante a briga sim. ― respondeu dando de ombros: ― Sabe que a regra de não matar também vale pra você né?

― Sei, sei. ― gesticulou com as mãos desinteressado: ― Como ficou as apostas?

― Todos apostaram em você, não valeu de nada. ― respondeu Connor ao longe.

― Finalmente algo que eles não ganharam em cima de nós. ― zombou Sherman afastando-se do grupo.

Estavam navegando havia uma semana. Haviam deixado à Malásia para trás, lhes restando somente o mar para todos os lados. Ainda por esses dias passariam pelas Ilhas de Andamã e Nicobar, metade do caminho para Chennai.

Nico estava sentado em uma mesa na polpa perto do Timão jogando cartas com Jason, Travis, Sherman e Malcom. Leo havia assumido momentaneamente a direção. A aposta girava entre bebidas e dinheiro, mesmo eles sabendo que Travis iria trapacear em alguma hora.

Sherman pegou uma carta juntando ao seu monte de cartas. Nico passou os olhos pelas suas antes de descartar uma.

― Eu dobro. ― disse Travis colocando mais dinheiro na mesa. Sherman grunhiu:

― Está blefando. ― bradou incerto. O Stoll deu de ombros.

― triplico. ― comentou Malcom colocando mais dinheiro na mesa. Jason olhou para suas cartas antes de bufar e jogá-las na mesa.

― Desisto.

Nico sorriu balançando a cabeça, mas não como se zombasse. Não tinha como ganhar do Stoll.

Dois homens subiram até onde estavam parando ao lado de Nico. Tirou seus olhos das cartas para encará-los.

― Posso ajudar? ― perguntou ironicamente.

― Queremos que você mude as regras. ― pediu um deles de braços cruzados. Parecia bem irritado ao julgar pela expressão.

O homem a seu lado somente concordou com a cabeça. Nico olhou para Jason que arqueou a sobrancelha. Voltou para os homens negando:

― Não vou deixar matarem o Valdez.

Os dois resmungaram.

― Capitão, ele é um pé no saco. ― replicaram: ― E ele não é tão importante assim.

Nico negou: ― Ele é. ― respondeu juntando suas cartas e as colocando na mesa. Virou-se a eles apontando para Leo: ― Ele é o melhor Bossun que você vai achar nos quatro cantos da Terra. Foi ele quem criou e construiu o Argos II navegado por Perseu Jackson.

― Ele? ― perguntaram chocados.

― Ele é idiota, mas é um gênio. ― respondeu Sherman dando uma tragada no cigarro soltando a fumaça nas cartas: ― Parem de choramingar igual mulherzinhas.

― Se ele fazia parte da tripulação do Jackson, por que ele saiu? ― perguntou ignorando o Yang.

― Existe uma grande diferença entre navegar com Perseu Jackson e navegar com Annabeth Chase. ― disse Nico como se só isso fosse explicação suficiente, o que no caso era para quem os conhecia.

― Agora vê se vão fazer algo útil, que não seja matar o Leo. ― falou Sherman os expulsando de lá. Nico pegou suas cartas na mão novamente.

Travis sorriu mostrando as suas: ― Royal Flush.

Nico e Sherman jogaram as cartas na mesa em resmungos. Malcom somente suspirou abandonando o jogo enquanto Travis saia com o lucro.

Cazzo. ― resmungou Nico afastando-se da mesa, mas sorrindo.

― Por que jogamos com ele mesmo? ― perguntou Jason acendendo um cigarro.

― Somos idiotas. ― responderam Nico, Malcom e Sherman em uníssono.

― Numa próxima quem sabe. ― disse Travis saindo da mesa. Desceu as escadas com a sacola cheia de coisas. Sherman olhou para Nico:

― Ele é mais rico que todos nesse barco. ― disse apontando para trás.

― Com certeza. ― resmungaram os outros três.

Nico sentou-se na cama cansado. Havia ficado até tarde em seu escritório terminando de fazer algumas anotações em seu diário de bordo. Tinha ficado até o anoitecer com Jason e Leo no Convés bebendo e conversando, voltando pra sua cabine só quando os homens começaram a se recolher.

Respirou fundo jogando-se para trás na cama e fechando os olhos por breves instantes. Estava exausto, a dor de cabeça da ressaca querendo dar o ar da graça, e para piorar havia esquecido de jantar.

Bem como Jason falou, parece criança!

A janela do quarto estava aberta, deixando a brisa entrar pelo cômodo. Estava fresco devido à chuva que assolava aquela região nesta época do ano; as famosas monções, por assim dizer. Sentia o mexer do barco mais forte que na semana anterior, mas não o bastante para enjoá-lo ― o que ele agradeceu imensamente, pois a ressaca parecia vir com atraso e acumulada.

O barulho do trinco de sua sala foi aberto. Nico respirou fundo abrindo os olhos lentamente. Sentou-se na cama enquanto ouvia os passos de vários homens rangendo na madeira. Sua maçaneta girou e a porta se abriu lentamente.

Dela, Bryce fez presença no quarto do Capitão. Um sorriso macabro pintou seu rosto e de seus acompanhantes. Antes de apontar a arma para Nico o cano de uma pistola encostou-se a sua têmpora.

Ele retesou-se olhando para o lado. Jason segurava a arma com tamanha raiva em seus olhos que fez o homem se encolher. Saindo de trás da porta, Sherman apontou para eles suas duas armas.

― Vieram fazer uma visitinha ao Capitão? ― perguntou Sherman irônico. Bryce riu nervoso.

― Estão em menor número. ― cuspiu enquanto os homens atrás de si apontavam suas armas.

Nico retirou sua arma do cinto atirando em um dos homens atrás deles, Sherman atirou em outro. Um deles havia revidado e um dos tiros passou raspando perto de Nico, mas o mesmo sequer se mexeu.

― Não mais. ― respondeu Jason empurrando a cabeça de Bryce com o cano da arma: ― Andando.

Os três saíram aos tropeços de perto da porta passando por cima dos corpos mortos de seus companheiros. Nico levantou-se da cama com a arma em mãos. Sherman ficou ao seu lado enquanto Jason continuava com a arma na cabeça do Lawrence.

― O que acharam que iriam conseguir com isso? ― perguntou Nico. Ele deu de ombros:

― Sua cabeça vale muito para a marinha, um bom dinheiro. ― respondeu cético: ― Se estivéssemos a bordo do Aurum teríamos feito o mesmo com a Ramirez.

Nico negou: ― Não. Teriam morrido todos na primeira tentativa. ― o contrariou caminhando até eles: ― Sabe, da próxima vez que quiserem matar alguém silenciosamente, tentem ser, vejamos, silenciosos. ― bradou: ― Sherman.

O homem guardou suas pistolas retirando as armas dos três a sua frente.

― Tem certeza que era um assassino de aluguel? ― zombou Sherman enquanto retirava suas armas: ― Até aquele papagaio lá em cima é mais sigiloso que vocês.

― Eramos os melhores. ― resmungou.

― Estou vendo. ― criticou Nico rolando os olhos: ― Jason, Sherman, os levem para as celas. Amanhã daremos um pequeno show aos nossos visitantes.

Bryce riu: ― Vai nos executar? Sem nos dar o direito de defesa?

― Somos piratas, não marinheiros. ― respondeu Nico aproximando seu rosto do dele: ― Aqui não há justiça pra vocês.

Afastou-se fazendo um gesto com a cabeça. Jason amarrou eles com cordas que estavam na cadeira perto da mesa de jantar. Pela cabine, Leo, Malcom e Travis apareceram armados. Nico os olhou:

― Tudo sobre controle rapazes. ― respondeu o Capitão. Malcom correu os olhos pelos corpos mortos no chão arqueando a sobrancelha na sequência. Nico deu de ombros: ― Autodefesa?

― Porra, vocês estavam em cinco e mesmo assim perderam? ― zombou Leo balançando a cabeça, decepcionado: ― Eu achei que eram assassinos de aluguel, decepção.

Jason rolou os olhos puxando a corda amarrada neles em fila.

― Vamos descer eles para as celas. ― disse Jason: ― Sherman fique com Nico até eu voltar. ― ordenou. O homem aquiesceu enquanto Jason saia do cômodo: ― Malcom, me acompanhe. Travis, Leo, se livrem dos corpos.

Leo grunhiu enquanto Travis começava a revirar os bolsos dos homens em busca de algo de valor. Nico sentou-se em uma das cadeiras pensativo, Sherman o encarou curioso:

― Foi arriscado. ― disse o homem cruzando os braços: ― Mas bem inteligente.

― Caçadores de recompensas e assassinos de aluguel tem a mente parecida. É fácil de ler. ― respondeu Nico.

Travis puxou Leo para ver um relógio de bolso que parecia valioso. Os olhos do latino brilharam com o aparato, mas evitou de pegar. Nunca se é bom roubar dos mortos, não que os Stoll tivessem medo disso.

― Toda a tripulação deve ter acordado com os tiros. ― continuou Yang. Nico o encarou: ― Vai deixar por isso?

O Capitão suspirou:

― Sim, vou. ― respondeu simplesmente: ― Afinal de contas, todos já viram os três amarrados sendo levados as celas. Devem ter deduzido. Mas amanhã vamos limpar a sujeira do meu navio.

Leo e Travis retiraram os corpos do quarto de Nico. Sherman foi dispensado assim que Jason voltou, desta vez com Piper atrás. Ele continuava sentado na cadeira, pensativo. Afinal, quanto será que sua cabeça estava valendo àquela altura?

Vozes nervosas gritavam umas com as outras na manhã seguinte. Os três haviam sido postos um ao lado do outro, amarrados com cordas grossas e apertadas, podendo ver a carne de seus pulsos exposta e sangrando.

Os tripulantes mais antigos do Caronte bradavam insultos, outros riam da situação decadente dos homens à frente; já aqueles que estavam no barco há uma semana se preparavam para o que quer que lhes fosse mostrado.

O céu estava claro, mas ao fundo sempre uma nuvem carregada os seguia ou guiava para algum lugar. O mar estava agitado e o vento forte e morno bagunçando seus cabelos e espalhando o cheiro de bebida e suor por todo o Convés.

― Façam eles andarem na prancha! ― gritou um deles entusiasmando. Outros vaiaram a seu favor.

Nico os ouvia da cabine. Estava sentado junto de Jason. Terminava de tomar seu café da manhã ouvindo os urros nervosos dos homens do lado de fora. Assim que o sol raiou, Jason fez questão de colocar os homens à exposição de seus tripulantes, pois tentar matar o Capitão é muito pior do que qualquer uma das regras listadas por Nico quando entraram.

Não somente o Capitão ou o Primeiro Imediato o castigariam, mas toda a tripulação faz parte do processo, e pensando nisso Jason os deixou brincarem com eles.

Nico soltou um profundo suspiro antes de se levantar:

― Vamos acabar logo com isso. ― comentou cansado pela noite mal dormida. Melhor dizendo, sem dormir.

Levantou-se com Jason logo atrás saindo para o Convés. O barulho parecia cem vezes mais alto. Assim que pisou fora de sua Cabine os homens pararam de esbravejar. Nico correu os olhos pelos três homens que agora estavam com vários cortes e hematomas no rosto. Manchas de sangue em suas roupas denunciavam a surra que levaram segundos antes. Arqueou a sobrancelha minimamente antes de começar a falar:

― Eu dou liberdade total para vocês fazerem o que quiserem quando terminam o serviço no navio. ― começou com tom de voz crítico: ― Cito somente três regras para tentar manter a harmonia no navio e todas são importantes, mas me ocorreu de que não falei o que acontece com quem as quebram.

Deu dois passos em direção aos homens. Bryce tinha o olho roxo e um corte no lábio. Abaixou-se para eles e sorriu macabramente:

― Talvez esteja na hora de dizer. ― respondeu virando-se novamente à tripulação, sem dar totalmente as costas aos homens, não lhes daria esse gostinho.

Sherman sorriu retirando sua pistola do cinto, assim como todos da tripulação do Caronte ― até mesmo Piper.

― Não mandamos as pessoas andarem na prancha. Vocês podem ser resgatados por algum navio de passagem. ― comentou em voz alta: ― Não vamos tortura-los, porque obviamente nenhum homem aqui está sóbrio o suficiente para fazer isso. ― alguns homens riram debochados: ― Mas um fuzilamento é bom, é agradável, a morte é rápida. Devia me agradecer.

Bryce riu: ― Não entendo como as pessoas te temem. Não tem nada de assustador em ser piedoso.

Nico voltou a olhá-lo, desta vez com o cenho franzido.

― Eu sou piedoso? ― perguntou voltando-se para seus homens. Respirou fundo deixando o deboche de lado dando lugar ao rosto frio e tenebroso. Apertou os olhos encarando-os de cima.

Inspirou fundo retirando sua arma do cinto virando-se e atirando antes mesmo de Bryce raciocinar. O tiro atingiu seu peito direito o fazendo verter em tosse e sangue. Ajoelhou na madeira do Convés respirando falho e fino.

O sangue que saia por seus lábios denunciava o órgão atingido.

― Não gosto dessa palavra. ― balbuciou Nico encarando sua arma com pouco interesse: ― Piedade é algo que nunca nos deram, então por que eu daria a você? Você é uma mulher? Uma criança? Você é alguém honrado o bastante para eu pensar em ser piedoso? Ou mesmo honesto?

Suas palavras eram cortantes aos ouvidos de Bryce, ainda que momentaneamente longe. Nico agachou-se a sua frente afagando-lhe os cabelos.

― Normalmente meus homens matam os traidores, mas farei uma exceção para você. Vou deixar que se afogue em seu próprio sangue. Ouvi dizer que leva quase meio dia agoniando de dor até definitivamente morrer. ― afirmou levantando-se mais uma vez: ― Bem, vamos tirar a prova?

Saiu de perto sinalizando para os outros homens. Todos destravaram suas armas e atiraram nos outros dois que sobraram. O som dos tiros durou no máximo três segundos, tempo suficiente para encher o Convés de sangue. Os homens caíram ao chão, mortos, enquanto Bryce buscava ar desesperadamente tentando vencer o sangue que se alojava em sua garganta.

― Levem Bryce para baixo, e se livrem dos outros dois corpos. ― ordenou Nico subindo para onde Malcom sempre estava: ― Depois limpem o Convés, o cheiro de sangue logo de manhã me dá dor de cabeça.

― Sim Capitão!

E assim a tripulação começou o pequeno trabalho. Nico debruçou-se sobre o parapeito do andar da Polpa encarando os homens no Convés. Provavelmente teria muitos outros problemas com esses homens, e Nico não tem a intenção de deixarem fazer o que bem entendem em seu navio.

― Piper! ― chamou ele. A moça o olhou de cima acenando e indo até ele. Assim que chegou ele começou a falar em tom moderado: ― Preciso que colete o máximo de informação de cada um desses homens, preciso fazer uma avaliação de quem eu deixo livre, e quem eu vou prender nas celas até chegarmos ao Egito. ― o olhar em seu rosto era severo, mas suavizou enquanto conversava com a mulher: ― Três dias são o bastante para você?

Piper negou: ― Só vou precisar desta tarde. ― respondeu orgulhosamente arrancando um sorriso de Nico: ― Bem, então melhor começar.

Assim deu meia volta e desceu pelo convés, desta vez vestia roupas masculinas ao invés dos vestidos pomposos. Nico não soube dizer se ela sabia da aposta ou Jason conseguiu esconder dela por uma semana suas roupas habituais. Resolveu optar pela primeira opção, Jason é transparente quando se fala da McLean, fora que ela o ajudaria a vencer mesmo irritada.

Imaginou que essa talvez tenha sido a primeira derrota de Travis e ficou feliz por breves instantes. É, milagres existem.

Nico descobriu depois que Piper não ficou o sétimo dia inteiro de vestido e isso fez Travis ganhar a aposta.

Bryce morreu horas depois agonizando até o fim. Seu corpo foi jogado na água atraindo quase que imediatamente um cardume de tubarões interessados no sangue não tão fresco.

No dia seguinte Piper lhe entregou a lista dos homens com suas antigas funções. A maioria deles eram vagabundos que optaram por ser pirata já que era mais fácil. Uns dez deles foram comerciantes falidos; outros cinco antigos homens da marinha que abandonaram por justa causa; porém dez deles possuíam a reputação de assassinos ou caçadores de recompensas igualmente os outros cinco que tentaram vergonhosamente o matar.

Pegou esses nomes e os entregou ao Sherman que junto de outros homens os levaram para as celas em meio a protestos e blasfémias. Os quinze que sobraram não pareceram se importar com isso já que não era com eles.

Alguns dias depois dez deles pediram para entrarem em sua tripulação ― e com certeza não foram os dez que estavam nas celas. Nico ponderou, afinal de contas eles estavam indo ajudar a Ramirez, não em um passeio para ver em qual tripulação gostariam de entrar.

Resolveu então que precisava conversar com Reyna a respeito disso, mas não queria ter de parar o navio ou pedir para ela reduzir a velocidade.

Demorou um tempo até que se lembrasse do bendito papagaio de um dos homens da tripulação. Talvez, só talvez, ele pudesse ser útil e levar o recado. Pediu pra chamarem o homem com o animal, mas assim que ele apareceu percebeu que não ia sair nada entre eles.

― Que língua ele está falando? ― resmungou Leo que por algum motivo estava irritando Nico desde manhã. Pensou em manda-lo pra cela, mas não era justo jogá-lo aos leões.

― Quem sabe. ― resmungou Nico enquanto o homem dizia palavras sem nexo para eles: ― Acho que é a língua da Malásia.

― Kenapa anda ingin nuri saya? ― resmungou o homem pela milionésima vez irritado por não ser entendido.

― Tem certeza que ele não está te ofendendo? ― bradou Sherman ao longe pronto para comprar briga.

― Não comece. ― resmungou Nico.

― Ah, deixa eu tentar! ― pediu Leo. Nico deu passagem.

O rapaz pigarreou e começou a fazer gestos e mímica. Apontou para o papagaio, em seguida para um pedaço de papel e depois para o barco e Reyna. Fez isso repetidas vezes antes do homem compreender com um sonoro “Oh!”.

― Anda boleh mengambil Rudi, berhati-hati dia menggigit. ― respondeu o homem esticando o braço para Leo. O papagaio desceu até ficar no ombro de Leo o mordendo na orelha na sequência.

― Ei! ― bradou exasperado. Nico segurou a risada.

― Kata saya. ― resmungou o homem dando uma bronca no pássaro depois. Apontou pra ave: ― Rudi. ― Leo o encarou: ― Rudi.

― Acho que é o nome da ave, Capitão. ― disse Leo se virando para Nico: ― Diga olá ao Rudi.

Nico ignorou isso pegando o papel com uma corda. Olhou para o homem pedindo permissão, a qual foi concedida. Preocupado entre ser ou não mordido, Nico prendeu rapidamente o papel na pata do animal.

Em seguida o homem fez um barulho com a boca, uma espécie de assobio para depois o animal sair voando em direção ao Navio à frente.

― E não é que esses bichos são úteis? ― comentou Leo sorrindo: ― Posso ter um?

Nico grunhiu: ― Por que está me perguntando isso?

― Não sei, quando eu trouxe um macaco a bordo você o jogou no mar. ― resmungou Leo dando para ouvir um pouco de ressentimento em sua voz.

― Primeiro aquele macaco não era treinado, você o achou na floresta. ― disse Nico: ― Segundo, ele comeu todo o nosso suprimento de frutas e tivemos de voltar para buscar mais.

― Era só ter deixado ele na floresta.

― Se tivesse feito ele não teria aprendido a lição. ― respondeu simplesmente dando as costas para Leo e o malaio. Os dois se entreolham antes de Leo resmungar:

― Que lição?

Após uma semana e meia depois do incidente chegaram a Chennai, e como prometido desembarcaram por exatos dois dias. Nesse meio tempo os dez homens mantidos nas celas foram soltos e debandaram no porto.

Reyna contou a Nico que teve o mesmo problema com alguns homens, e que dos cem que se alistaram quarenta desistiram ou foram mortos no processo ― sendo que dez deles resolveram entrar para a tripulação de Nico. Diferente do que ele pensou Reyna não se importou com a troca de tripulação.

Assim que desembarcaram mais homens se ofereceram para a viagem, mas desta vez Reyna exigiu saber suas intenções antes de embarcarem.

Depois dessa pausa pra reabastecer voltaram para alto mar só parando em Omã vinte dias depois. Nesse meio tempo as coisas se acertaram: os dez homens que resolveram entrar em sua tripulação não fizeram nenhum tipo de motim ou tentaram mata-lo; se mostraram pouco úteis no navio, mas quando foram abordados por outro navio pirata se mostraram bons nas espadas.

Durante todo o trajeto passaram por outros navios, alguns deles de mercadorias que foram abordados por Reyna; já alguns piratas tentaram a sorte contra Nico, mas foram afundados com toda a sua tripulação a bordo.

Nesses vintes dias o papagaio Rudi ― mesmo eles não sabendo ao certo se esse era o nome do animal ― parecia tão bem acomodado a tripulação e não saia de perto do Leo, mesmo quando ele descia para os compartimentos de carga.

Seu dono se identificou como Atallah, mas fora isso não conseguiam entender mais nada do que ele dizia. Por algum motivo que todos desconhecem o Irlandês quis ficar na tripulação, e tempos depois estava conversando casualmente com Sherman em Inglês ― usando o Irlandês quando quer ofender, o que fez Nico imaginar que havia ofendido o Yang naquela vez.

E assim que fizeram o caminho para Omã outro navio pirata se fez presente, e Nico gostaria de poder dar meia volta e fingir que nunca o viu, afinal, Percy Jackson é a pessoa que ele não gostaria de ver nem pintado de ouro.

Notas finais
traduções: “Que o diabo te enforque!” "Por que vocês querem meu pássaro?" "Vocês podem levar o Rudi. Cuidado que ele morde" "Eu disse" Então que acharam? "AH Você fez no Nico matar o Bryce de novo? Monstro" Ah mas desta vez não bateu remorso não, relaxa. "Ah mais mortes" É, sempre urheurhurheu sorry muita gente vai morrer nessa fic, por isso que é de pirata u-u Não estou perseguindo o Leo, ele é um amor e amo ele tá rueruehreu mas ele irrita se fica muito perto e todos aqui sabem disso. Travis e Connor nunca perderam uma aposta até o momento u-u Vamos a mais perguntas? 1- A quanto tempo você acompanha a saga? 2- Como conheceu o mundo de percy jackson? 3- Qual foi o spoiler que você pegou da saga que te fez querer ler os livros pra descobrir se era verdade? 4- Já leu outras series do Rick? 5- essa saga te fez mudar algum conceito seu? Bom é isso amores! Vejo vocês no Domingo. Bom feriado!!! beijinhos