Pit-a-Pat

4 Capítulo IV


Notas iniciais
Boa tarde amores! Vim aqui com mais um capítulo! Quero agradecer pelos comentários e favoritos, de verdade me deixa super feliz que estejam gostando da históra ♥ Gente, tenham um pouco mais de paciência, logo mais o Will aparece, mas antes eles tem de chegar na Itália, e ainda não estão nem perto, mas prometo que mais dois caps ele aparece ;) Ah! Sim, vamos responder as perguntas? 1- A quanto tempo você acompanha a saga? Desde final de 2015 2- Como conheceu o mundo de percy jackson? Eu já sabia que o livro existia desde meus 13 anos mais ou menos, mas nunca tive interesse de ler. Fui mesmo ficar mais curiosa quando saiu o Filme (que por sinal eu gosto bastante, mesmo sendo totalmente infiel ao livro), e ai aproveitei e comprei um box pra já incentivar a leitura urheurhue 3- Qual foi o spoiler que você pegou da saga que te fez querer ler os livros pra descobrir se era verdade? O Spoiler foi sobre o Nico e o Will, na verdade. Eu comecei a ler já sendo uma fã enorme do Nico e do casal muito antes de saber quem eles eram, ai na curiosidade eu li os livros pra descobrir ruheure 4- Já leu outras series do Rick? Já li Magnus Chase. 5- essa saga te fez mudar algum conceito seu? Eu era muito mente fechada pro movimento LGBT. Eu já tinha tido contato com outro casal homossexual, que no caso foi Malec, mas não foi aquela coisa de "Ah ok, fofos, mas não?" Quando li PJO eu comecei a shippar Solangelo logo no primeiro livro e eles nem aparecem, e eu comecei a pensar diferente sobre eles, sobre o casal, sobre o movimento, e sobre os meus ideiais que aos poucos fui percebendo estarem defasados. Fico feliz que eu tenha percebido isso por mim mesma, e me sinto mal pelos pensamentos que eu tinha antigamente. Enfim amores, já segurei vocês demais. Espero que gostem do cap de hoje! Boa Leitura!

Nico

Capítulo IV

[...]

O navio se aproximava aos poucos de Aurum enquanto Nico grunhia irritado perto de Jason que ria gostosamente da situação do amigo. Na frente o Aurum ancorou ao lado do Argos II; Caronte parou longo atrás.

Alguns homens novos ficaram ansiosos por ter Perseu Jackson tão perto deles. Era uma lenda nos portos de Singapura e nos mares Caribenhos. Anos antes, por cerca de alguns meses, Percy e Reyna chegaram a navegar juntos antes de Jason entrar para a tripulação de Nico como Primeiro Imediato.

Leo subiu pelas cordas do navio pendurando-se para fora admirando o navio que ajudara a construir. Era uma madeira brilhante e dourada com a cabeça de um dragão na proa. Suas velas eram amareladas, com o desenho de um tridente negro nelas. A única vela negra no navio ficava no topo do mastro principal balançando contra o vento forte.

Lá de cima, na cesta, viram Grover acenando enquanto descia pelo mastro habilmente. Nico encostou-se na amurada torcendo o lábio desgostoso. Não que odiasse Percy ―afinal de contas odiar é uma palavra bem forte―, mas digamos que não tiveram um bom começo quando foi capturado por ele anos antes de pensar em ser Pirata.

Tudo bem que foi exatamente onde conhecera Jason. Não foi de todo ruim, mas começaram com o pé errado, e desde então Percy era “grudento” demais e isso incomodava Nico em níveis alarmantes.

― Ele não vai te morder, ou coisa parecida. ― comentou Jason ficando ao seu lado. O alvoroço no Convés era imenso pela chegada de Percy, principalmente pelos homens novos de sua tripulação e os “passageiros”.

― Eu sei, mas não gosto muito dele. E isso não vai mudar só porque você quer que mude. ― resmungou olhando o amigo: ― E vocês também não são os melhores amigos.

― Não, mas nos suportamos. ― respondeu convicto: ― Além do mais, ele parou pra ver a Reyna, não você. Relaxe.

Nico resmungou, mas concordou. Provavelmente tinham assuntos para tratar e não apareceria por ali.

Quem ele queria enganar mesmo?

― Nico! ― chamou o rapaz de cabelos negros e olhos verdes aproximando-se do amigo.

Havia navegado em um pequeno barco a remo junto de Grover para entrar a bordo de Caronte. Nico pensou em fugir pulando do navio, mas Jason se prostrou atrás dele como se previsse alguma idiotice por sua parte. O que ele agradeceu e amaldiçoou mentalmente.

― Cabeça de Alga. ― cumprimentou fugindo de um quase abraço. Percy afastou-se. Tinha se esquecido do famoso “Não me rele, não me toque” do Nico.

Olhou por cima de seus ombros vendo Jason. Fez um aceno com a cabeça voltando-se a Nico.

― Então, como andam as coisas? ― perguntou acenando para Nico enquanto caminhava para a cabine do rapaz: ― Reyna me disse que teve problemas com uns homens.

Nico aquiesceu caminhando com ele para a cabine. De soslaio viu seus homens voltarem ao trabalho rapidamente mal se importando com Percy. De certa forma isso tranquilizava Nico, pois ter seus próprios homens idolatrando o Jackson seria inflar o ego já alto do amigo-não-tão-amigo-assim.

― Caçadores de recompensas, ou assassinos. Não lembro exatamente. ― resmungou fechando a porta de sua cabine atrás de si.

Percy apossou-se de uma das cadeiras de sua grande mesa de jantar em uma das cabeceiras. Nico sentou-se a seu lado, duas cadeiras de distância. Se o Jackson percebeu isso não se importou.

― Pelo menos está bem. ― disse Percy: ― Jason deve ter lidado com eles bem.

― Fala como se eu não soubesse lidar com isso sozinho, suponho. ― ralhou o moreno pegando da bandeja uma maçã dando uma grande mordida nela.

― Não foi o que disse. ― rebateu o homem remexendo-se: ― Você sempre distorce as coisas que digo. ― rolou os olhos indignado.

― Não seja melodramático Perseu. ― deu outra mordida em sua maçã antes de perguntar mais algo: ― Veio só dar um “oi”, ou tem algo que queira falar comigo?

Suspirou fundo apoiando-se na mesa: ― As coisas estão ficando preocupantes na América Espanhola. Além de Reyna estar perdendo território para o Octavian, Annie e eu precisamos bater em retirada para cá. Não sei de onde surgiram esses templários, mas já estão dando no saco.

Nico retesou-se: ― Está fugindo de Templários? ― bradou levantando-se. Percy aquiesceu. Um grunhido saiu pelos lábios de Nico: ― E você resolveu nos fazer uma visitinha? Quer nos marcar?

― Quero que façam um pequeno escândalo para despistas o nosso rastro até conseguirmos dar a volta para a América Espanhola. ― pediu Percy encostando-se na cadeira: ― Não é um pedido que vocês não possam fazer. Saquear está no nosso contrato, se quer saber.

― Pode até ser, mas em momento algum eu concordei em ter um templário na minha cola, mesmo que não esteja atrás da minha cabeça! ― bradou exasperado: ― Olha, vamos fazer dessa forma, você vai embora, segue com sua tripulação para o Oeste e os despiste nas Filipinas. Deu certo comigo, vai dar com você também. ― Nico respirou fundo cruzando os braços: ― Mas não vou enfrentar Templários uma segunda vez. Sou pirata, não suicida, tem diferença.

Percy suspirou ficando de pé: ― Imaginei que iria negar, mas não custava pedir. ― falou soltando um sorriso de alívio: ― A Reyna concordou com isso, então melhor não estar por perto se não quiser templários na sua cola.

Nico grunhiu passando a mão pelos dreads em seus cabelos. Olhou para o amigo e balançou a cabeça incrédulo.

― Fala como se não quisesse que eu aceitasse.

― E não queria. ― respondeu dando e ombros: ― Mas Annie me pediu para pelo menos tentar. Dois são melhor que um.

― E um é melhor que nenhum, não seja mesquinho. ― rebateu Nico rolando os olhos.

Andou até Nico colocando uma das mãos em seu ombro afetuosamente. O rapaz retesou-se, mas não o afastou.

― Nos vemos em Tortuga. ― avisou o amigo caminhando para fora da cabine: ― Que Poseidon esteja a seu favor.

Nico acenou e Percy saiu de sua cabine. Respirou fundo sentando-se novamente na cadeira. Se Percy estava sendo seguido por Templários ― o que era terrível em todos os sentidos ―, não demoraria muito para que Reyna ou ele fossem marcados.

Já tivera que fugir de Templários no passado, logo quando havia começado a montar sua tripulação. Na época tinha somente o Jason, Piper, Leo e os Stoll, fora vários outros homens que morreram ou debandaram ao longo dos anos.

Nessa época Nico mal possuía habilidade suficiente para navegar sozinho, dependendo de Leo para conseguir despistá-los. No final das contas conseguiram inverter o jogo nas Filipinas enfrentando-os nas sombras, talvez sendo a primeira vez que Nico realmente usou dessa estratégia que tempos depois se tornou sua marca registrada.

Lembrava-se ainda de quanto tempo havia levado para conseguir mata-lo, e mais ainda para sumir com os rastros dele impedindo outro Templário de perceber o que havia acontecido. Aquela havia sido a primeira vez depois que fora capturado pela marinha que Nico pensou que fosse morrer. Ele era bom na esgrima e sua mira era excelente, mas experiência de combate conta mais do que muitos anos de prática solo.

Jason o ajudou na maior parte do tempo, desde que haviam se encontrado na prisão em Cuba o loiro havia se mostrado interessado no rapaz e o ajudou a fugir da cela. Depois disso embarcou no Aurum como um Cabin Boy. No início era complicado lidar com Reyna, mas depois de vários eventos subiu de patamar rapidamente. Na época Jason era o Primeiro Imediato de Reyna, e o rapaz fazia questão de esquecer esse detalhe toda vez que se encontravam.

Onde Percy entrava nessa história? Bom, digamos que Nico havia sido capturado pelos homens de Percy em um dos saqueamentos e o trataram como servo no Argos II. Como parou na prisão e foi achado por Jason é história para outro dia.

― Nico, vamos zarpar. ― avisou Jason entrando pela porta da cabine. Nico aquiesceu levantando-se: ― O que ele disse?

― Queria que servíssemos de isca para os Templários atrás dele. ― respondeu Nico saindo da cabine. Malcom já havia seguido curso atrás de Aurum.

O Argos II seguia o lado contrário passando ao lado de Caronte. Percy acenou para Nico do timão ao lado de Annabeth que lia os mapas indicando algumas coisas para seus homens.

― Ah, não! ― bradou Jason: ― Sem Templários, por amor de Poseidon.

Nico riu: ― Eu neguei, fique tranquilo, mas não quer dizer que não vamos passar por eles no caminho. Estão atrás de Percy, e estamos na rota deles.

Jason balançou a cabeça descrente. Resmungou um “idiota” voltando-se para Piper do outro lado do navio.

Ao longo do curso em direção à Omã, Nico assumiu o Timão dando a Malcom um descanso merecido. Não tinha muito senso de direção, mas era bom navegador no final das contas.

Durante o caminho à noite pegaram uma forte tempestade. As Monções eram cruéis demais para quem desbravava os oceanos nesta época. Já estavam a caminho de Omã, mas ainda se encontravam muito próximos da Índia. Ordens para um lado, ordens para o outro. Velas baixas, cordas frouxas, mãos firmes no timão e tentando ter uma visão do navio de Reyna a frente que se perdia a cada onda que ultrapassavam.

Nico girou o timão para a esquerda guiando-se por sua bússola em sua mão direita enquanto a esquerda manuseava a direção. Subiram e desceram pelas ondas permitindo muito das águas entrarem no navio.

Sherman e outro dos homens amarravam os canhões para que não caíssem no mar, além dos barris no Convés; Jason puxava a corda das velas para que não se soltassem e se rasgassem mais do que já estavam.

Nico resmungou com a truculência com a qual o Navio bateu contra as ondas. Malcom parou a seu lado indicando algo com os dedos que Nico não conseguiu compreender. Mais uma onda forte jogou seus homens do lado oposto do navio com o impacto. Nico fechou a bússola virando pra a direita e seguindo o caminho das ondas.

Malcom pareceu ter gostado do plano.

Quando a tempestade cessou o céu limpou como se sequer houvessem atravessado uma das piores noites naquele um mês e pouco de navegação. As velas estavam encharcadas, os barris de pólvora do Convés estavam molhados e inutilizados; todos os seus homens estavam exaustos encostados em qualquer canto que podiam.

Jason estava debruçado na Polpa perto de Nico em cima da amurada. O Capitão o olhou de soslaio, mas nada disse. Malcom subiu torcendo sua camisa.

― Deixe que eu assumo Capitão, ficou a noite toda acordado. ― propôs Malcom. Nico negou:

― Estou bem. Mande os homens checarem os canhões e as cordas. Não podemos estar desprevenidos agora que sabemos que tem Templários por essas águas. ― disse Nico virando o timão levemente pra direita: ― Caso as cordas estejam podres as troque por novas. Deve ter no compartimento de carga.

Malcom aquiesceu descendo para o Convés dando as ordens. Nico bocejou abrindo sua bússola que apontava para o Nordeste, onde seguiam para Omã. Subiu os olhos para o horizonte vendo Aurum bem ao longe, como uma sombra desaparecendo com o vento. Trincou os dentes. Estavam longe dela, então de duas uma:

Ou chegavam nela primeiro e Nico conseguiria desviar para outro caminho evitando o Templário, ou achariam ele e Reyna estaria longe demais para dar suporte. E com a sorte que tinha com certeza achariam ele primeiro.

Soltou um longo e pesado suspiro. Guardou a bússola pegando seu cantil com Rum de seu sobretudo. Tomou generosos goles para se manter acordado e longe das dores de cabeça que sempre vinham quando estava sóbrio.

Jason resmungou levantando-se. Olhou para o Capitão espreguiçando-se.

― Ainda está navegando? ― perguntou mesmo sendo óbvio. Apoiou seu cotovelo na amurada olhando para o rapaz que simplesmente deu de ombros. Olhou para frente apertando os olhos: ― Ela esta bem longe.

― O Navio dela é maior, as velas são mais resistentes também. ― explicou Nico. Jason ponderou:

― Não é como se precisássemos dela pra navegar. ― disse simplesmente debruçando-se novamente, mas desta vez com a cabeça tombada para Nico.

― Não, mas depois do papo divertido com Percy não acho que seja bom essa distância toda. ― reclamou mordendo o lábio.

Ficaram em silêncio depois disso.

Por sorte do destino não passaram por nenhum Templário no caminho até Omã, mas assim que conseguiram observar o horizonte viram velas brancas da marinha por toda sua extensão. Nico estalou a língua, irritado.

Abaixou a luneta fechando-a grosseiramente.

― Parece que temos companhia, rapazes. ― avisou Nico à tripulação. Sherman resmungou entusiasmado dando um soco no ombro do Irlandês, o qual Nico ainda não sabia o nome.

― Não vamos lutar, vamos? ― perguntou Leo. Nico aquiesceu para o desgosto de Leo.

― Percy havia pedido uma distração, e precisamos parar e reabastecer. Além de que um saque ou outro não faria mal. ― comentou soltando uma pequena risada: ― Vamos esperar o anoitecer, ai atacaremos.

― E a Ramirez? ― perguntou Malcom no Timão. Nico deu de ombros:

― A partir daqui é cada um por si. Ela ache um jeito de chegar lá. Nosso navio é totalmente negro, não será visto a noite. ― respondeu convicto: ― Rapazes, se preparem.

― Sim, Capitão! ― responderam em Uníssono voltando a seus afazeres.

Jason o puxou para um canto: ― Você me disse que não íamos fazer parte desta loucura de distrair os Templários.

― Mudei de ideia. ― disse simplesmente. Jason resmungou:

― Não, você nunca muda de ideia. É uma porta quando se trata disso. ― Nico franziu o cenho, ofendido, mas Jason não o deixou rebater: ― O que planeja?

― Quando sugeri parar em Omã foi porque descobri em Singapura sobre um novo Governador que chegou com riquezas suficientes para comprar uma ilha inteira. ― disse ele encarando os olhos azuis tempestuosos do amigo: ― Dependendo do quanto conseguimos aqui e no Egito vamos ter o bastante para usar e abusar em Tortuga.

Jason aquiesceu: ― Então vale a pena invadir a cidade?

O sorriso de Nico era debochado, mas foi o suficiente para calar Jason. Os planos de Nico nunca falhavam.

Nunca.

O anoitecer em Al Ashkharah chegou rápido. A cidade não era grande e cercada por dunas de areia facilitaria seu ataque ao Governador. Nico virou o Navio com a lateral direita para a praia.

Havia exatamente três navios da marinha ancorados em uma distância de mínima de pelo menos um quilômetro cada. Não havia lua no céu, tornando a visibilidade de seu navio quase nula. Nenhum sinal de Aurum no horizonte, ou mesmo qualquer outro navio que pudesse aparecer.

Hora perfeita para atacar.

Os canhões foram a postos, mas não atiraram de imediato. Seus homens desceram em botes e remaram até a praia cercada por pedras. Escondidos pelas sombras os homens desbravaram a praia deserta indo diretamente para a cidade litorânea.

Nico esperou junto de Jason no Navio enquanto quase todos os seus homens ― inclusive os passageiros ― desceram para a cidade. Não demoraram muito para ouvir os tiros e ver a fumaça começar a subir pintada pela cor do fogo.

Troca de tiros foi ouvida, e dos navios homens começando a se mover. Nico levantou a mão e seus homens prepararam os canhões com as balas.

― Fogo! ― bradou e assim os canhões atiraram. Acertaram em cheio os navios ancorados destruindo suas embarcações pela polpa.

Pela forma que estavam ancorados era impossível haver troca de balas. Não possuíam torre de vigia, limitando a proteção aos três navios ― melhor, dois.

Assim que o primeiro navio afundou começaram o ataque ao outro enquanto explosões na cidade eram ouvidas junto aos gritos da pequena população. O segundo navio afundou e ao longe Nico viu seus homens retornando. A passagem estava quase livre, exceto por alguns dos marinheiros que conseguiram descer dos navios antes que estes se despedaçassem.

O terceiro navio não era da marinha como Nico pensou, e assim que o tiro de canhão acertou a polpa a explosão foi inevitável. Apertou os olhos pela luz repentina, mas não desviou o olhar das labaredas de fogo que varreram a praia e seus marinheiros.

Seus homens, grupo por grupo voltaram aos barcos a remo; outros ficaram para trás atrasando os homens que ainda tentavam se defender. Aos poucos os homens retornaram, com algumas baixas, dentre cinco a dez homens mortos na praia e na cidade.

Nico sinalizou para Malcom que desancorou o navio e seguiu rumo ao Leste. Deixaram para trás a cidade em chamas, e mais uma vez passaram sem deixar rastros.

Nico estava em sua cabine lendo outro de seus livros da estante ― este roubado por Connor da livraria do Governador ― intitulado Macbeth. Já havia lido sobre ele outrora, mas nunca era perda de tempo reler boas obras.

“(...) Ela devia morrer um dia/Haveria um tempo para essa palavra/Amanhã... e amanhã... e amanhã.../Deslizam nesse pobre desenrolar/de dia a dia/até a última sílaba do registro dos tempos/e todos os nossos ontens iluminaram para os tolos /o caminho até o pó da morte./Apaga-te... apaga-te breve vela!/A vida nada mais é que uma sombra que anda.../um pobre ator que se pavoneia e se agita durante sua hora no palco e depois não é mais ouvido./É uma estória contada por um idiota/cheia de som e fúria que nada significa. Nada!(...)”

Era um livro profundo, e sempre que Nico o lia sentia que estivesse dentro desse livro, mas não como Macbeth. Sempre pensou em si mesmo mais como MacDuff, onde de alguma forma conseguiria acabar com a tirania do sanguinolento Rei com suas próprias mãos. Ideia tola, mas ninguém nunca quer ser Macbeth ou sua esposa suicida, quer?

Quando leu pela primeira vez não viu mais que um livro de traições e mais traições, mas na vez seguinte que leu entendeu um pouco o que se passava na mente de Macbeth. De alguma forma ele a sentiu na pele.

Jason bateu a porta entrando na sequência. Nico sequer se dignou a olhá-lo:

― Nico, é melhor você subir. ― pediu Jason em tom cortante. O rapaz retesou-se olhando o amigo. Seus olhos estavam preocupados, e Nico não deixou de temer o pior.

― Reyna?

Ele aquiesceu. Nico deixou o livro na mesa e saiu de sua Cabine seguido por Jason. No Convés seus homens assistiam o navio de Reyna ancorado ao lado direito destruído. As velas estavam rasgadas e inutilizáveis; vários buracos nas laterais permitindo água entrar sem que dessem permissão; um dos mastros menores estava pendendo ao lado arrastando as outras velas a ficarem inclinadas.

Fumaça saia da Polpa e vários homens machucados sendo transportados do Aurum para o Caronte. Nico acelerou o passo entrando no navio quase naufragado atrás de Reyna que ele sabia ainda estar lá dentro. Jason foi logo atrás.

Subiu para a polpa encontrando Reyna sentada com as costas na amurada. Sua roupa estava ensopada, havia sangue em seus braços, mas não aparentavam serem dela; em sua mão direita sua espada quebrada ao meio; ao seu lado seu tenente coberto por sua capa.

Seus olhos estavam fixos no chão, mesmo sabendo que Nico estava ali não dignou-se a levantar o rosto. Era humilhante.

Nico ajoelhou-se a seu lado. Colocou uma mão em seu ombro gentilmente buscando por seus olhos.

― Reyna? ― chamou ele: ― ¿Cariño? ― chamou Nico afagando-lhe carinhosamente. Reyna levantou os olhos caramelo.

Suspirou pesadamente pendendo sua cabeça para Nico encostando sua têmpora em seu ombro esquerdo.

Él nos tomó por sorpresa. Maldito templario. ― bradou irritada: ― Imperdonable! ― bradou repuxando a blusa de Nico: ― Yo te perseguiré al infierno, Templario.

Nico aquiesceu passando seus dedos pelos cabelos emaranhados da Capitã.

― Vamos, vem comigo. ― pediu ele a ajudando a se levantar. Ela o fez, mas não se apoiou nele, tinha uma reputação a zelar.

O olhou com carinho acenando e seguindo caminho até a madeira de travessia para seu navio. Nico virou-se para Jason.

― Faça uma baixa das perdas e o que ainda resta de usável no navio dela. ― ordenou andando até seu navio: ― Valdez!

O rapaz apareceu em meio aos homens segurando algumas ataduras. Aparentemente o médico havia o pego para ajudar.

― Quero que avalie o estado do navio. Se dá ou não para reparar. ― ordenou recebendo um aceno: ― O resto de vocês ajudem os feridos a saírem do Aurum, e descartem os corpos mortos no mar. Ajudem Jason com a contagem de suprimentos que eles ainda tem.

― Sim, Capitão!

Assim Nico deixou o Convés e entrou em sua cabine onde encontrou Reyna sentada em sua cama com a mão no rosto. Seus ombros tremiam, e Nico não soube dizer se estava chorando ou com raiva; ela não era transparente como Jason.

Pegou um copo de água enchendo-o com açúcar e o levando a moça.

― Beba.

Ela negou com a cabeça suspirando fundo. Sua respiração estava normal, o que significava que não estava chorando. Bem, depois de tantos anos como pirata não se deixaria fraquejar agora.

―Reyna, você precisa tomar a dianteira lá fora, mas pra isso quero que se acalme. Essa água vai ajudar, tem açúcar. ― avisou em mais uma tentativa.

Reyna levantou o rosto esticando as mãos e pegando o copo de metal das mãos de Nico. Bebericou do líquido doce permitindo-se olhar Nico nos olhos por longos instantes. Ele não se permitiu desviar, nem ela o fez.

Ele entendia a dor que ela sentia, não só pela perda de tripulantes que estavam há tanto tempo consigo, mas por ter sido atacada de forma desprevenida.

― Por que não estava por perto? ― perguntou ela com a voz cortante.

― Nos separamos na tempestade, e não pude te acompanhar e te perdi de vista. Paramos em Al Ashkharah para saquear ontem à noite. ― respondeu levantando-se e indo até uma bacia com água que havia em seu quarto.

Pegou um pano o mergulhando na agua, torcendo e voltando para a amiga. Começou a limpar seu rosto. A mulher fechou os olhos.

― Você acha que se estivesse lá seria diferente? ― perguntou Reyna curiosamente. Nico negou:

― Talvez. ― respondeu incerto: ― Mas se fosse eu a ser atacado você iria ajudar?

Ela ficou calada, e Nico tomou a resposta que quis de seu silêncio. Continuou a limpar o sangue de seu rosto parando e permitindo que desse outro gole na água doce demais para seu gosto. Ela fez uma careta.

― Muito doce.

Nico riu: ― Se pode reclamar já pode subir no Convés e ser a Capitã que você sempre foi. ― disse o rapaz levantando-se e a encarando de cima: ― Vai lá e mostre quem é Reyna Avila Ramírez-Arellano.

A mulher deixou o copo de lado levantando-se.

― Não me chame pelo nome completo, Di Ângelo. ― zombou a moça trombando em seu ombro enquanto saia, esboçando um riso sapeca.

Nico não riu.

Saíram no Convés repleto de gemidos de dor, gritos e pessoas conversando e discutindo sobre os mantimentos. Reyna respirou fundo e foi até um de seus homens acordados e começou a falar com ele em Espanhol.

Nico a deixou indo até Jason.

― E então?

Jason balançou a cabeça: ― Não sobrou muito pra ser aproveitado, a maior parte da pólvora esta molhada. Os suprimentos apodreceram na agua.

Nico aquiesceu: ― E o Valdez?

Ele apontou para o Aurum. Nico seguiu para lá descendo para o compartimento de carga. Encontrou Leo examinando as estruturas principais do navio. Estava realmente catastrófico. O pilar principal havia se partido ao meio, aparentemente por um tiro de canhão.

Pisou perto de Leo mergulhando a bota na agua que batia na metade de sua canela. Aquele navio iria afundar se não dessem um jeito logo.

― Valdez?

O latino se virou ao Capitão torcendo a boca nervoso.

― O ataque destruiu muito da estrutura do navio. Uma tempestade pequena afunda essa embarcação. ― respondeu Leo rapidamente, acentuando o sotaque latino.

― Tem como reparar?

― Se tivéssemos recursos, sim. ― rebateu dando de ombros: ― Mas não sei se o Capitão sabe, mas de agora em diante só temos areia, areia e ah! AREIA! ― Bradou levantando as mãos: ― Não tem como conseguir madeira suficiente para o concerto.

Nico mordeu o lábio.

― O mais rápido é roubar algum navio. ― acrescentou Leo: ― Podemos fazer isso. Eles perderam muito da tripulação. Se sobraram quinze é muito.

Leo subiu deixando Nico para trás. O Capitão deu mais uma ultima olhada nos estragos antes de subir atrás do Bossun. Reyna conversava com Jason sobre as baixas. Nico a viu abaixar o olhar e torcendo o lábio desgostosa.

Respirou fundo se aproximando: ― Não tem concerto. ― respondeu ele. Os dois o olharam: ― Não temos onde conseguir madeira. Al Ashkharah era a ultima cidade de Omã civilizada que poderíamos ancorar antes de chegarmos ao Egito.

― E lá é só areia. ― bradou Leo ao longe. Reyna estalou a língua irritada.

― Então preciso roubar um. ― decidiu cruzando os braços: ― Vai ajudar?

― Sim, não tem como vocês navegarem... Nisso. ― respondeu olhando para o barco que afundava pouco a pouco: ― Mas depois que conseguir o seu navio vamos por caminhos separados.

― O que? ― exclamou Jason surpreso. Reyna esboçou a mesma face chocada.

― Pensei que fosse comigo ao Egito. ― relembrou curiosamente a Ramirez. Nico negou:

― Eu concordei em ir para levar seus homens, e considerando que iriamos repartir o que conseguisse, mas no estado que você esta agora não temos como continuar o trato. Eu tenho quinze dos seus homens, e você mais quinze. Sua tripulação terá trinta pessoas e cabe em um navio. Não precisa mais de mim.

Jason arqueou a sobrancelha, mas concordou na sequência. Não valia mais a pena.

Reyna deu de ombros: ― Bom, por mim está ótimo. Agradeço o que está fazendo, não vou dizer que não gostei da ideia de ficar com tudo que roubar pra mim.

Nico sorriu de canto: ― Tivemos uma boa pilhagem em Al Ashkharah, não saio perdendo. Dependendo do quanto você conseguiria no Egito eu poderia acabar no prejuízo. Só me precavi.

― Você usa palavras muito difíceis, Nico. ― zombou Reyna: ― Pois bem, terminem de descarregar as coisas do meu navio e o afundem. Prefiro ele no fundo do mar do que nas mãos de outras pessoas.

― Rapazes! ― Nico deu a ordem, e os homens começaram a retirar tudo de útil do navio da Ramirez.

Sua Cabine foi esvaziada por ela e Jason que deixaram os papeis em um canto na cabine de Nico. A pólvora foi retirada e colocada em um canto separado na área de carga; a bandeira e as cordas boas recolhidas; e o que havia de ouro no navio separado na Cabine do Capitão.

Partiram, deixando para trás águas turvas e o que restou de um navio no fundo do mar.

Não precisaram navegar muito até acharem um navio mercante em alto mar. Claro que assim que foram avistados o navio tentou recuar, falhando miseravelmente; Caronte era muito mais veloz.

― Não atirem no navio. ― ordenou Nico do Timão: ― Entrem, limpem o navio da forma que melhor sabem, e depois nos despedimos. Vão!

Nico virou o timão para a esquerda e vários ganchos voaram em direção ao navio mercante. Homens atravessaram por cordas, outros por madeira como ponte entre ambas as embarcações.

Reyna liderou o ataque com seus homens. Os de Nico acompanharam para acelerar o processo. Pouco tempo depois os corpos foram descartados, e o navio preenchido com as coisas do Aurum.

A mercadoria por ironia do destino era de alimentos. A ração foi dividida em dois, uma parte ficando com a tripulação de Nico. A bandeira branca desceu e o símbolo de uma coroa de louros ocupou seu lugar.

Reyna se virou a Nico sorrindo para ele.

― Obrigada pela ajuda, Cariño. ― disse Reyna passando seus braços pelo pescoço do Capitão. Ele piscou pra ela:

― A suas ordens, milady. ― zombou ele. Reyna rolou os olhos beijando-o. Separou-se acariciando os cabelos dele com os dedos.

― Vejo você em Tortuga. ― respondeu ela o soltando. Ele meneou a cabeça e a viu subir a bordo do navio mercante.

Daquele ponto seguiram por caminhos diferentes, ela para o Norte e ele para o Sul. Para chegar a Atenas precisariam dar a volta da África e lhes custaria pelo menos noventa dias de viagem, fora as paradas para reabastecer e pilhagem.

Assim o Caronte começou sua jornada para o Mar Europeu em busca dos tesouros escondidos pelas águas mediterrâneas.

Notas finais
traduções: "carinho" "Ele nos pegou de surpresa. Maldito Templário. Imperdoável! Irei te perseguir ao inferno, Templário!" Enfim o que acharam? Finalmente eles vão ir de encontro ao nosso loiro lindo ♥ Para as pessoas que imaginaram que Nico não ia com a cara do Percy por uma paixão antiga vamos ver mais pra frente o que houve? ;) Templários são gente perigosa, principalmente na história eram homens com os quais nenhum pirata tinha a ousadia de lutar contra. Tão terríveis. E o Aurum foi para o fundo do mar ;----; Espero que tenham gostado do capítulo. Semana que vem já começa a bagunça toda da fic ruehruehreh Bom, to ficando sem perguntas Ç.Ç Deixa eu ver aqui.... 1- De acordo com sua personalidade você seria filho de qual deus? (levando em conta personalidade, não vontade) 2- Tem alguma característica comum de quem é filho de seu/sua "pai/mãe" que você não tem? 3- Se você tivesse a chance de entrar em um dos livros (não na saga toda) qual seria e com quem vocês conversariam? E tentariam mudar algo? 4- Acertaram as profecias alguma vez? 5- Vocês acham que ficou alguma "ponta solta" de outros livros que o Rick provavelmente vai explorar em ToA? Como uma promessa ou uma confirmação ou mesmo algo que algum dos deuses disse entre as duas sagas que ainda não aconteceu? Bom, é isso por hoje!!! Obrigada pela atenção de vocês! Até Quarta! Beijinhos~