Pit-a-Pat

10 Capítulo X


Notas iniciais
CHEGUEI COM MAIS UM o/ Ain, só tem mais o 11º e depois meu armazem de capítulos acaba ;---; o 12 já tá em andamento, mas mesmo assim to ansiosa. Não fiquem preocupados porque vou tentar manter essa fanfic longe dos Hiatus o máximo que eu puder. Desculpem não ter respondido os comentários ainda, mas to tendo uma briga com meu AutoCad e A PORCARIA DA MINHA ESCOLA QUE TENHO DE PROJETAR E NÃO SEI ONDE COLOCAR MINHA ESCADA ;---; socorro! Obrigada pelos comentários, favoritos e todo o carinho! Amo vocês demais ♥ Bem, não vou segurá-los mais. Boa leitura.

Will

~Capítulo X~

:: 5º dia na Itália — Semana 1 ::

[...]

A luz do sol invadia o quarto de Nico à medida que amanhecia. A janela e cortinas estavam abertas, permitindo o vento gélido da manhã entrar com força no cômodo. Will remexeu-se desconfortável levantando a cabeça do colchão.

Suas costas estalaram pela má posição em que dormira. Sentou-se ereto na cadeira.

― Eu dormi aqui? ― resmungou pra si mesmo encarando o arredor. As velas estavam queimadas até a base, as cortinas mexendo-se pelo vento matutino, e os pratos e copos num canto do chão vazios: ― Ficamos conversando até que horas?

Encarou Nico. O rapaz dormia tranquilamente recostado na parede. Parecia uma posição desconfortável, ainda mais para alguém com seu tipo de ferimento. Will se levantou ignorando a dor incômoda em sua coluna e foi até ele.

O segurou pelos ombros no intuito de deitá-lo apropriadamente, mas Nico remexeu-se segurando seu pulso com força. Will soltou um gemido assustado. Seus olhos se encontraram brevemente e Nico o soltou um tanto surpreso. Respirou fundo:

― Desculpe, me assustou.

Will negou:

― Tudo bem. Só ia te ajeitar na cama, não parece muito confortável. ― comentou colocando os braços para trás. Seu pulso ardia, mas não deixaria Nico perceber.

― A posição não é ruim, já dormi assim muitas vezes. ― respondeu desperto: ― Você que dormiu em uma posição não muito boa.

Um sorriso sapeca brotou no rosto de Nico. Will torceu o lábio um tanto envergonhado:

― Não lembro bem quando fomos dormir. ― admitiu passando a mão nos cabelos: ― Eu dormi primeiro não foi?

O pirata afirmou: ― A sua sorte é que você fica uma graça dormindo, caso contrário poderia tê-lo matado e ido embora sem pestanejar.

Will arqueou a sobrancelha descrente: ― Jura? E iria pra onde?

― Qualquer lugar.

― Em qualquer outro lugar te tratariam como prisioneiro, aqui você é meu paciente. ― ressaltou ele cruzando os braços.

― Até eu ficar bom e você chamar a marinha. Então não vejo onde eu ganho nisso. ― bradou um tanto alterado pro gosto de Will.

Está certo que ele havia dito que o entregaria para a marinha, mas até o momento ele não havia pesado bem nisso. Will estava ajudando um pirata, o abrigando, dando alimento e tratamentos a troco de nada. Não seria bem visto pela sociedade se isso viesse à tona.

Além do que Nico tinha um ponto: Willl dormira ao seu lado ― considerando que seu sono é igual de uma criança ― e ele nada fez, nem mesmo tento machuca-lo, o que seria normal em circunstâncias como essas.

Will tinha dois pontos: Ou Nico estava tentando ganhar sua confiança para depois se livrar dele, ou ele realmente não pretendia fazer nada. Eram dois pontos extremos demais para ele conseguir decidir em qual acreditar, pois independente de qual ele siga vai acabar se arrependendo no final em algum ponto.

Balançou a cabeça pegando os pratos do chão.

― Vou trazer o café. Se precisar se aliviar o pinico está aqui embaixo. Eu troquei ontem. ― respondeu colocando os utensílios na bandeja: ― Vou voltar depois para dar uma olhada no ferimento.

Nico somente aquiesceu enquanto Will descia para a cozinha.

Nico

Assim que Will saiu Nico respirou fundo acomodando-se na cama sentindo a maldita fisgava em seu abdômen o levando a ficar alguns minutos parado na mesma posição atrás de ar. Já havia perdido a conta de quantas vezes havia praguejado contra o maldito marinheiro que o apunhalou. Bem, com certeza estava morto no fundo do mar, e isso era um consolo para ele.

Aos poucos e delicadamente ajeitou-se na cama. Sentia-se sim um pouco dolorido pela noite mal dormida. Haviam conversado até bem depois da meia noite sobre os locais os quais Nico viajou, como era andar de navio ou outras coisas similares; e Will lhe dizia sobre seus pacientes e como era complicado lidar com algum deles.

Quando se deu conta Will estava debruçado ao seu lado com a cabeça entre os braços dormindo profundamente. Nessa hora Nico pensou em se levantar e ir embora antes que aquele médico chamasse os marinheiros e o pegassem de surpresa.

Contudo não percebeu quando ajeitou-se na cama adormecendo com o loiro a seu lado. Agora estava moído pelo cansaço pelas poucas horas de sono e uma pequena raiva instaurando em seu peito por não ter fugido na madrugada.

Will não era uma pessoa ruim e isso Nico percebera no momento em que ele cuidou do seu ferimento naquela noite, entretanto isso não significava que não o entregaria assim que tivesse a oportunidade, e Nico não lhe daria esse gostinho.

A porta se abriu e o médico retornou com um copo de leite, pães e alguns figos. Colocou a bandeja no colo de Nico e sorriu:

― Dejejum. ― respondeu virando-se para sair: ― Volto logo pra ver seu machucado.

Saiu uma segunda vez deixando Nico com a comida que ele não estava nem um pouco a fim de comer. Pegou um figo dando uma singela mordida enquanto respirava fundo. Estava com tantas coisas em mente que não conseguia manter o foco.

Pensou na tripulação e se estavam seguindo para Atenas ou se resolveram voltar e arriscar a sorte com a Marinha. Do jeito que Jason era não duvidava muito da segunda, mas sabia que o amigo deixaria a poeira abaixar antes de voltar, lhe dando duas semanas antes de voltarem por ele.

Sabia que seria arriscado, afinal o Canal era extenso e entrar e sair furtivamente era bem mais complicado sem um Ciclone para mascará-los. Teria duas semanas para conseguir melhorar e sair da casa de Will sem ser notado.

Se não fosse resgatado em duas semanas só teria chances de ir embora em seis meses e Nico não estava disposto a esperar tanto tempo assim com o médico que ― convenhamos ― não parecia ir muito com sua cara e vivia mudando de expressão constantemente perto de si.

Talvez pensando se ele valia a pena ou não.

No caso nem Nico sabia a resposta.

Ouviu barulhos estranhos no andar de baixo. Largou a fruta e prestou atenção do que quer que fosse aquilo. Ouviu gritos, e o que parecia ser a porta sendo aberta com brusquidão. Nico levantou-se da cama com dificuldades e caminhou lentamente até a porta.

Abriu ela sendo bombardeado pelas palavras:

― Você havia dito que ele iria melhorar, mas até agora ele só piorou! ― gritou um homem que Nico não reconhecia no andar de baixo.

Estava perto do sofá no Hall e Will na porta da sala. O loiro parecia tenso. Nico estava em um ponto que podia vê-los, mas eles não o viam mesmo com a porta escancarada e apoiado no batente dela.

― Eu disse que ele melhoraria se o quadro não piorasse. A partir do momento que a doença dele agravou não posso fazer mais nada. Está além de mim. ― explicou Will calma e pausadamente.

Nico começou a ligar alguns pontos.

― Se meu filho morrer a culpa será sua, Doutor! ― bradou o homem avançando alguns passos.

Nico retesou-se. Queria descer lá e apartar, mas não teria chances contra um brutamonte daqueles desarmado e ferido. Ouviu burburinhos perto e reparou nas pessoas se aglomerando do lado de fora.

― Poderia sair da minha casa senhor Barteles? ― pediu Will: ― Está muito alterado, preciso que se acalme.

O senhor Barteles avançou mais alguns passos, nisso Nico saiu do quarto, mas antes que pudesse fazer algo outra pessoa entrou na casa. Viu as pessoas do lado de fora apontando para o Senhor Barteles e um homem moreno o puxou pelo ombro.

― Charles?

― Senhor Barteles, melhor ir embora. Não vai querer machucar o médico da região, não seria bom pro senhor. ― ratificou Charles apertando os olhos nervoso. Will estava tenso, mas manteve a pose.

Nico voltou alguns passos para dentro do quarto, a situação estava mais controlada.

O senhor Barteles respirou fundo olhando para fora onde as pessoas começavam a se aproximar com ares nervosos. Nico entendera agora o que Charles havia mencionado. Todos adoravam o Will. E fazer algo contra ele seria assinar atestado de óbito. Com certeza teria de ir embora da cidade se o fizesse.

― Eu irei, mas guarde minhas palavras Solace! ― bradou ele apontando-lhe o dedo: ― Se algo acontecer ao meu filho vou vir buscar a sua cabeça.

Assim ele saiu fechando a porta na sequência. Nico apertou os olhos preocupado. Will era um médico, não um santo, não tinha como curar alguém quando ele mesmo diz estar além de seu próprio poder. Ele voltaria.

Isso o incomodou um pouco, mas resolveu afastar-se um pouco da porta somente ouvindo a conversa.

― Deveria ter feito algo, Will. ― falou Charles nervoso: ― E se ele tivesse avançado contra você?

Will soltou uma risada irônica: ― Eu iria apanhar.

Nico o ouviu andar até os sofás do Hall e sentar-se nele. Ficaram em silêncio por um momento antes de Charles falar algo:

― Já disse pra você não fazer isso. ― repreendeu ele: ― Não se sinta culpado se seus pacientes morrerem. A vida é assim Will.

― Eu sei, mas... ― respirou fundo: ― Falar é fácil.

Nico fechou os olhos encostando-se na parede ao lado da porta. Esticou o braço fechando-a delicadamente e segurando a maçaneta para não fazer barulho. Abaixou a cabeça fitando o chão por um momento. Talvez, só talvez, William Solace não fosse entrega-lo a marinha.

Talvez pudesse confiar nele.

Quem sabe?

Will

Charles o encarava severamente. Sabia que o amigo estava correto. Ele poderia ter tomado uma surrada do Senhor Barteles naquele momento se não tivesse chegado. Para a sorte de Will a fofoca era rápida na cidade.

Ouviu um barulho no andar de cima, baixo, mas o suficiente para fazê-lo olhar para a porta do quarto do Nico. Pensou se o rapaz havia ouvido a conversa, mas constatou que estava muito longe e que com a porta fechada não teria como.

Agradeceu mentalmente por isso.

― Está me ouvindo Will? ― perguntou Charles aproximando-se: ― Ele é perigoso, precisa parar de ver o Harley.

― O que? Não! ― bradou Will: ―A mãe dele me pediu para continuar visitando eles, não posso somente abandoná-los dessa forma.

― Então leve alguém com você nas consultas, mas sozinho você não vai. ― disse irritado sentando-se ao lado de Will: ― Escuta, eu sei que isso é importante pra você, de verdade, mas preciso que você pense em si mesmo antes dos outros pelo menos desta vez.

Will respirou fundo: ― vou tentar.

Charles sorriu afagando seu braço, mas então desceu o olhar para o pulso de Will. O rapaz seguiu o olhar vendo as marcas vermelhas do aperto de Nico. Mordeu o lábio nervoso sabendo o que esperar.

― Ele chegou a tocar em você? ― perguntou sério.

― Foi meu paciente. Eu o assustei. ― respondeu Will: ― Mas ele pediu desculpas, então não tem problema.

Charles o encarou nos olhos. Sustentando seu olhar, o loiro respirou fundo: ― Confie em mim, eu sei o que eu faço. Entendo que se preocupe, mas já sou um adulto, e sei onde estou me metendo.

Charles aquiesceu levantando-se.

― Vou embora então. Se cuida. ― falou ele: ― Vou voltar mais tarde.

Assim ele saiu da casa e Will suspirou cansado. Havia sido pego de surpresa pelo Senhor Barteles, e temia que aquela não seria a única vez. Levantou-se voltando para a cozinha onde estava o emplasto para o Nico.

Pegou a bandeja e subiu vagarosamente até o quarto. Abriu e entrou. Nico estava sentando na cada na mesma posição. Encarava a janela ainda aberta.

Will depositou a bandeja na cômoda chamando a atenção de Nico que se virou para ele. Will não pode ler sua expressão, mas algo lhe dizia que ele havia ouvido os gritos. Contudo ele se recusava a falar disso com o pirata, portanto somente começou a arrumar as coisas.

Enquanto mexia nos tecidos sentia o olhar de Nico em cima de si.

― Isso no seu pulso. ― falou ele fazendo Will o encarar o braço: ― Eu quem fiz?

Ele mordeu o lábio voltando ao emplasto.

― Não se preocupe, eu quem te assustou.

Nico não disse mais nada depois disso. Cuidou dele limpando a ferida que havia sangrado nas ataduras tendo de limpar e colocar novas. Will se mantinha disperso enquanto cuidava do ferimento. Queria entender o que fazer e como resolver esse problema.

Charles disse para ele levar alguém para as consultas, mas não tinha ninguém que estivesse desocupado a ponto de acompanha-lo todos os dias aos seus pacientes. Ninguém exceto Austin, mas ele nem em Ravenna morava mais. Se não fossem pelas cartas que ele mandava todo mês sequer saberia se estava vivo ou não.

Austin era um assunto complicado na família. Era o mais velho dos três, tinha toda uma condição para seguir a carreira do pai e ser um renomado médico, mas ele escolheu outro tipo de vida para si.

Envolveu-se com as pessoas erradas entrando no mundo das bebidas, do roubo e consequentemente da pirataria.

Não sabia onde ele estava naquele momento, mas sabia que estava a bordo de algum navio famoso mar afora, saqueando e embebedando-se de Rum a todo momento. Não foi surpresa nenhuma Apolo ter deserdado ele e passado todos os direitos de primogênito ao Will.

Para sua sorte Austin era muito mais velho, da primeira esposa de seu pai, assim sendo quando Will teve de assumir os negócios da família tinha somente oito anos. Então toda uma infância foi voltada aos estudos.

Will não era ressentido de Austin, na verdade ficava feliz que ele tenha achado algo de que gostasse, mas gostaria que o irmão tivesse escolhido algo que não implicasse em mortes e roubos.

Tinha sido por esse motivo que sentiu compaixão por Nico e o acolheu em sua casa ao invés de entrega-lo a marinha. Pois, se um dia Austin ficasse na mesma posição de Nico gostaria que alguém cuidasse dele como estava fazendo.

Pelo menos poderia sentir-se em paz consigo mesmo.

Depois disso ainda existia outro problema: Charles iria visitar Nico à noite. Com certeza não estava preparado para dizer a seus amigos que estava acolhendo um pirata em sua casa, não levariam isso muito bem, com certeza.

Seus amigos eram muito super-protetores e fariam um milhão de perguntas a Nico para saber se era ou não confiável ― o que não é muito útil a partir do momento em que ele é um pirata ― e depois seria bombardeado com xingamentos de Silena.

Parte do pacote, claro.

― Meu amigo vai vir de noite. ― avisou Will cobrindo Nico com a coberta e indo fechar a janela.

― Deixe aberta. ― pediu o pirata. Will o olhou pronto para negar: ― Eu gosto do ar puro. ― emendou fitando-o sério. O médico aquiesceu:

― Tudo bem, mas se ficar com frio me avise. ― pediu abrindo a cortina novamente.

― Você disse que seu amigo vem hoje? ― perguntou Nico curioso.

― Ah, sim! ― exclamou Will aproximando-se dele: ― Ele vai querer conversar com você, provavelmente.

― Por que? ― indagou o moreno curioso. Will deu de ombros.

― Querem saber se você é perigoso.

Um riso sarcástico saiu pelos lábios de Nico.

― Acho que você tem a resposta, não? ― zombou. Will negou.

― Tenho?

Nico calou-se. O doutor sorriu fraco saindo do quarto.

― Vou sair tenho pacientes, mas volto para o almoço. ― avisou fechando a porta atrás de si e indo até seu quarto.

Arrumou-se devidamente antes de deixar a casa com seus pertences e ir até a casa de Charles. Ele não tinha pacientes naquele dia, mas não queria ficar em casa depois daquela cena. Caminhou apressadamente cumprimentando algumas pessoas na rua antes de entrar na ferraria.

― Charles?

Chamou olhando o arredor. Ouviu as crianças aproximando-se dele. Milena foi a primeira a aparecer seguida de Henry. Os dois sorriam abertamente com a visita de Will.

― Will! ― chamou a menina agarrando sua perna. Will sorriu agachando-se. Afagou seus cabelos a fazendo soltar risinhos gostosos.

― Bom dia princesa. Como está hoje? ― perguntou curioso.

― Estou bem. Comi três figos no café da amanhã. ― avisou mostrando três dedos de sua mão. Henry viu a menina e imitou. Ela abaixou sua mão: ― Não! Você comeu só um.

― Um? ―Henry resmungou: ― Um não!

―Um sim, eu vi! ― bradou ela cruzando os braços irritada: ― A mamãe só te deu um, assim ô! ― disse mostrando o dedo indicador levantado.

Henry imitiu, mas depois negou.

Will riu afagando o cabelo de ambos.

― Onde está o seu pai? ― perguntou o doutor ficando de pé novamente.

― Estão lá dentro. ― apontou Milena para a porta de entrada. Will aquiesceu e foi até lá.

Pediu licença e foi até a sala onde Charles e Silena estavam sentados tomando um pouco de chá. Charles meneou a cabeça para que ele se aproximasse, mas Silena levantou-se o abraçando calorosamente.

― Como você está meu amigo? ― perguntou curiosa: ― Faz alguns dias que não aparece.

― Desculpe, estou com um paciente em estado crítico não posso deixa-lo muito sozinho. ― disse beijando-lhe a mão.

Silena apertou os olhos olhando para Charles na sequência. O marido deixou a xícara na mesa.

― Quem é ele Will? ― perguntou direto. O doutor respirou fundo.

― Ele era um viajante que vinha de Veneza e foi atacado por bandidos alguns dias atrás. Perdeu seus pertences e pediu abrigo e eu o acolhi. ― explicou Will sério. Havia ensaiado essa fala desde que saíra de casa.

Droga ele precisava acreditar, afinal de contas não poderia contar para o amigo “Então estou abrigando um pirata, ele ameaçou me matar alguns dias atrás, mas acabei dormindo no quarto dele e não deu nada, acho que é confiável”. No pior dos casos Charles o expulsaria da casa de Will e o faria morar com ele por um mês como da ultima vez.

É, longa história.

― Um viajante? ― perguntou Silena mudando a feição para preocupada: ― O que houve?

― Foi atacado pelos assaltantes e tentou se defender, mas foi atingido por uma espada no abdômen. O achei quase morto. Precisei de quase a noite toda para conter o sangramento. ― explicou. Bem, essa parte era verdade e mesmo que não fosse não saberiam questionar.

Charles mudou o peso de seus pés: ― Ele tem dinheiro para te pagar depois?

― Sim.

Will praguejou mentalmente. Ele? Pagar? Até parece.

O rosto de Charles suavizou.

― Bom, então vamos fazer uma visita a esse homem, ele vai precisar de apoio. ― permitiu Charles aquiescendo para Silena.

― Ótimo, vou preparar um ensopado de batata para ele se revigorar. Vamos aparecer pela noite. ― comentou começando a mexer-se para a cozinha: ― Ele pode se levantar?

― Acho que até a cozinha talvez consiga. ― garantiu.

― ótimo, então volte logo pra casa e fique com ele para que ele não piore. ― ordenou Silena o empurrando para fora: ― Hoje você não tem visitas, certo? Amanhã é o Senhor D, então eu posso ficar com ele enquanto você sai. Devia ter me avisado dele antes, seu tolo.

― Achei que não iriam querer ajudar. ― comentou um pouco pasmo pelo rumo da conversa.

Recebeu um tapa na cabeça pela moça. Ele resmungou esfregando o local dolorido.

― Claro que iriamos ajudar! ― bradou irritada.

― Pensa que somos o que? ― ridicularizou Charles de longe: ― Anda logo.

Ele saiu da casa, ou melhor foi expulso, e voltou todo o caminho para sua casa de forma mais lenta que pode. Na ida não percebeu muito o clima da cidade, mas na volta foi quando notou os olhares, as conversas, as palavras.

Sabia que boatos propagavam muito rápido pela cidade, e com algo daquele calibre acontecendo na porta de sua casa não deixariam passar em branco. Will mordeu o lábio evitando contato com as pessoas à sua volta.

“Ouvi dizer que o Harley vai morrer”

“Parece que o doutor não pode fazer nada”

“Ele é só um médico, o Senhor Barteles exagerou”

“Mas é um filho, é compreensível”

“Ele realmente fez tudo o que podia?”

Era patético o quão fácil Will se atingia com esses comentários. Sentia-se mal com palavras ditas para lhe machucar, sempre abaixava a cabeça e fingira não se atingir, mas era mentira.

Estudou muito sua vida inteira para conseguir ser um bom médico, e quando o fez ainda sentia como se as pessoas sempre o julgassem, como se não houvesse capacidade para exercer o que sabia.

Colocavam tantas esperanças nele de ser um bom médico, de se casar, ter uma família grande e próspera crescendo o nome Solace pela cidade fazendo jus ao seu pai e avô. Diferente dele.

Diferente de Austin.

Respirou fundo abrindo a porta da frente da casa e entrando. Estava silenciosa, a porta de Nico fechada, as janelas abertas, mas com as cortinas vetando a passagem de luz.

Ele realmente fez tudo que podia?

Harley iria morrer porque ele havia feito tudo e não havia mais nada a fazer? Ou iria morrer porque ele não havia estudado o suficiente?

Sentou-se no sofá apoiando o rosto nas mãos. Respirou fundo ajeitando sua mente bagunçada. Não precisava de pensamentos ruins naquela hora, precisava mesmo era deixar Nico a par da sua “mentira branca” pra poder pelo menos cuidar dele sem tantos problemas.

Deixou a mala de lado ― que nem sabia por qual motivo a havia levado ― e subiu as escadas. Bateu na porta entrando na sequência. Nico estava sentado na cama apoiando as costas na parede.

Sem as cobertas com uma das pernas de fora enquanto a brisa entrava pela cortina. O vento estava bem forte e gélido fazendo Will arrepiar-se ao entrar no cômodo. Abraçou o próprio corpo aproximando-se do rapaz. Estava com o olhar baixo mexendo em sua arma.

Will estacou encarando a pistola em suas mãos. Nico levantou o olhar tediosamente olhando-o nos olhos. Will sustentou o olhar por pouco tempo antes de desviar para outro lado. Ouviu o rapaz soltar uma risada fraca.

― Não vou atirar em você. ― respondeu sucinto deixando a arma de lado: ― Não agora.

― Há-Há. ― zombou aproximando-se ainda cauteloso: ― Precisamos conversar.

Nico apertou os olhos: ― Sabe o quão ruim essa frase é?

Will rolou os olhos: ― Se fosse uma mulher talvez. ― comentou indo até a janela fechando-a. Soltou um suspiro de alivio ao sentir o calor do quarto começar a voltar.

― Então? O que eu fiz de errado? ― zombou.

― Até agora nada, mas estou um pouco preocupado. ― admitiu cruzando os braços. Nico arqueou a sobrancelha assumindo a feição séria e um pouco irritadiça.

Seu olhar arrepiou Will ligeiramente.

― O que quer dizer com isso Solace?

― Tenho aquele amigo que vai vir aqui ver se você é “confiável”. ― falou fazendo aspas com as mãos.

― Ridículo, é meio óbvio. ― comentou rolando os olhos.

― Eu sei, mas o ideal seria ele achar que você é confiável. ― emendou gesticulando com as mãos.

― Ok me sinto ofendido agora. ― disse balançando a cabeça.

Will parou por um instante encarando o pirata.

― Não vou questionar se você se acha confiável ou não, mas no momento vamos os dois entrar num consenso: Você precisa ser confiável ou pelo menos tirar essa cara de, você sabe, saqueador.

O olhar de Nico endureceu:

― Então quer que eu não pareça um pirata? Quer que eu aja como se fosse uma pessoa comum?

― É possível? ― perguntou preocupado Will.

Nico não respondeu na hora e isso fez o doutor temer. Claro que ele não iria gostar de fingir ser outra coisa além dele mesmo, mas pelo menos naquele momento queria mesmo que o pirata colaborasse com ele.

Precisavam entrar em um acordo antes que a marinha desconfiasse de algo e viesse atrás da cabeça dos dois e não seria muito bom para nenhum dos casos. O viu cruzar os braços pensativo antes de suspirar irritado.

― Certo. Eu não nasci pirata, sei como me portar quando preciso. ― disse por fim. Will soltou o ar que nem sabia segurar: ― Contudo...

― Contudo?

― Não vou ficar preso no quarto ou na casa. Se é pra você fingir confiar em mim vai ter de demostrar isso, não acha? ―falou mostrando um sorriso torto. Will praguejou baixo.

― Você não está preso aqui. ― disse desviando o olhar.

― Ah, por favor! ― bradou com exagero: ― Nós dois sabemos que eu não posso dar um passo pra fora do quarto sem ouvir um “Não pode sair”, “Alguém pode te ver”. A partir de agora, se vou entrar nesse seu faz de conta melhor entrarmos em um acordo, porque eu juro que se eu ficar mais um dia enclausurado nesse quarto eu mato você!

Will calou-se. Ouviu o barulho de Nico mexendo em sua arma e a mente de Will entrou em colapso. Abriu a boca pra responder, mas não saiu nenhum som. O pirata arqueou a sobrancelha.

― Bem, acho que temos um acordo. ― concluiu colocando a pistola no colo ameaçadoramente: ― O que exatamente você disse para eles?

― E-Eu...

Will não tirava os olhos da arma. Estava tenso e assustado. Nico rolou os olhos levantando a pistola e a mostrando para ele, na sequência a colocou na cômoda distante de suas mãos. Will acalmou-se um pouco, o bastante para falar.

― Eu disse que você era um viajante que foi atacado por saqueadores e foi machucado quando se defendeu. ― respondeu rapidamente: ― Disse que perdeu tudo e estava a beira da morte quando chegou aqui.

Nico aquiesceu: ― Uma boa mentira. Só isso?

― Sim.

― Ok, vamos melhorar ela. ― explicou ajeitando-se na cama soltando alguns gemidos de dor. Respirou fundo enquanto cruzava as pernas. Will apertou os olhos.

― Cuidado com o ferimento.

― To sabendo, Solace. ― cortou Nico: ― Bom então vou mudar um pouco a minha história.

― Por que? ― indagou Will sentando-se na cadeira ao lado.

― Porque ela é minha e quero mudar. ― respondeu como se fosse óbvio. Will rolou os olhos: ― Primeiro vou precisar de um sobrenome.

― Você tem um, certo? ― indagou o doutor. Nico desviou o olhar.

― Talvez. ― respondeu simplesmente: ― De toda forma quando eles estiverem por perto me chame de Levesque, caso contrário prefiro Nico.

― Esse é seu sobrenome de verdade? ― insistiu Will.

― Faz diferença? ― cuspiu Nico um pouco irritado: ― De toda forma você vai ficar calado enquanto eu respondo as coisas, entendeu? Não tem como sair planejando as coisas pra você falar, vai se enrolar e ai a cabeça que rola será a minha do jeito que estou.

― É não sou muito bom mentiras. ― admitiu o loiro cruzando os braços: ― Certo, fazemos do seu jeito, mas não faça nada de idiota.

Nico bufou ofendido.

― Certo doutor.

Will ajeitou as coisas na cozinha enquanto esperava seus amigos chegarem. Nico ainda estava no quarto. Haviam escondido suas armas em um compartimento que ficava debaixo de algumas madeiras do piso junto de seu emblema pirata e outras roupas.

Nico estava vestido com algumas do Will que ficavam um pouco compridas na manga e nas pernas, mas nada que algumas dobras não resolvessem. O moreno não pareceu ligar.

Will respirou fundo sentando-se na cadeira. Caramba ele estava nervoso. Quais eram as chances de tudo dar errado?

Bem, considerando que Nico se ofenda com algo e tente matar o Charles as chances são relativamente altas.

Céus! Ele estava tão ferrado!

― Tio Will! ― ouviu as crianças gritando ao abrir a porta.

― Milena não entre sem pedir licença! ― bronqueou Silena.

Will mordeu o lábio nervoso.

Que Deus os ajude!

Notas finais
O que acharam? Ih! Proximo capítulo vamos ver o que deu esse "fingimento" do Nico ruehurheure MEU WILL LINDO ♥ TÃO INSEGURO, MAS TÃO AMOR! Austin é a ovelha negra da família, mas eu gosto dele. Se ele aparece? Talvez... vamos ver né ;) Adivinha quem voltou com as perguntas? 1- Você tem um personagem favorito de tudo? Entre livros, séries, filmes, animes, jogos aquele que você mais ama? 2- Se pudesse trazer qualquer personagem de qualquer serie/livro/filme à vida qual seria e por que? 3- Qual seu conto de fadas favorito? Por que? 4- Já se apaixonou por um personagem fictício? Bom, é isso ♥ Tenho umas perguntas mais profundas lá pra frente, quem sabe né? Obrigada por lerem, amo vocÊs demais. até quarta! beijinhos~