Pit-a-Pat

11 Capítulo XI


Notas iniciais
Capítulo 11 saindo fresquinho do forno! O ultimo capítulo que tenho pronto, o 12 eu tenho em andamento e eu acho que até domingo ele sai bem ♥ Obrigada pelos comentários meus amores, eu fiquei muito feliz com todos eles ♥ E sim, nosso Nico vai dar muito trabalho, mas vamos ver o que sai dessa conversa de amizade e arco-iris? Ah!! Eu escrevi uma One Solangelo de 16.000 palavras! Quem quiser ler o link está nas notas finais ;) Vão demorar um pouquinho, mas adoraria ver vocês lá! Respondendo às perguntas: 1- Você tem um personagem favorito de tudo? Entre livros, séries, filmes, animes, jogos aquele que você mais ama? hm, olha, acho que de tudo tudo tuuuuudo o meu favorito mesmo talvez seja o Hitsugaya Toshiro de Bleach ♥ 2- Se pudesse trazer qualquer personagem de qualquer serie/livro/filme à vida qual seria e por que? Sinceramente não traria ninguém. Do jeito que sou timida nem daria oi :v 3- Qual seu conto de fadas favorito? Por que? A Bela e a Fera. Ah, a história deles sobre esse amor não baseado em aparência fisica, só mesmo os sentimentos puros dos dois deixa o conto de fadas mais mágico. 4- Já se apaixonou por um personagem fictício? Infelizmente sim ;---; todo o tempo ruehreureureru Enfim, sem enrolações com vocês!! Boa leitura!

Will

~Capítulo XI~

:: 6º dia na Itália — Semana 1 ::

[...]

Os Beckendorf entraram diretamente para a sala de visitas do outro lado da casa. Will respirou fundo saindo da cozinha e indo até lá. Viu Charles e Silena bronqueando as crianças que pularam diretamente no sofá.

Will riu: ― Deixem eles! São crianças.

Os dois se viraram.

― Não vamos deixar, eles tem de ter bons modos. ― exasperou-se Silena pegando Henry pela mão: ― Se comporte Henry.

― Mas a Milena...

― Ela vai se comportar também. ― disse Charles olhando para a filha inquisidoramente: ― Não vai?

Ela sentou abruptamente no sofá ajeitando a saia rosa.

― Sim papai! ― afirmou ficando quieta, pelo menos por hora. Henry foi até ela sentando-se ao seu lado. Will riu encantado pelos dois.

― Não deem bronca neles quando estou perto, eu fico chateado. ― comentou sentando-se na poltrona perto da lareira.

Silena soltou uma risada debochada.

― Querido nós damos broncas em você também, não tem direito de pedir isso.

― Ela está certa. ― concordou Charles sentando no sofá ao lado de Will dando alguns tapinhas em seu ombro: ― Então? Seu paciente vai descer?

Will começou a ficar tenso.

― S-Sim, mas vai precisar de ajuda pra descer. ― respondeu sorrindo fraco. Droga, tinha de gaguejar?

Charles arqueou a sobrancelha duvidoso.

― Vá ajuda-lo, Charles! ― pediu Silena: ― Quero conversar com ele.

O homem respirou fundo aquiescendo.

― Vamos então?

Os dois se levantaram e foram até a escada. Will torcia para que não tivesse sobrado nada pirata como uma pistola, espada, brincos ou coisas parecidas. Ok, ele usava brincos, mas dá para tirar igual o das mulheres.

Certo?

Droga! Devia ter pensado nisso antes.

― Está muito tenso, Will. ― reparou Charles parando em frente ao quarto de Nico: ― Tudo bem?

― Sim! ― respondeu rápido. Pigarreou pegando na maçaneta. Bateu duas vezes: ― N- Senhor Levesque?

― Entre. ― respondeu. Will abriu a porta entrando primeiro.

Viu Nico ajeitando-se sentado na cama. Prendia o cabelo em um rabo de cavalo bem feito escondendo as tranças que Will tinha certeza estarem ali minutos atrás. Seu brinco não estava mais presente ali, mas o furo claramente. Sua roupa estava bem colocada, como se usasse ternos com frequência.

Nem parecia um pirata vestido daquele jeito.

― Senhor Levesque? ― perguntou Charles olhando para o pirata. Nico levantou o olhar lhe meneando a cabeça educadamente.

― Quem seria?

― Perdoe-me. Sou Charles Beckendorf o ferreiro de Ravenna. ― respondeu fazendo uma breve reverência.

― Muito gosto. ― respondeu cortês. Levantou-se com dificuldade soltando um gemido baixo pela dor. Will ficou tenso, e sentiu Charles fazer o mesmo ao seu lado: ― Sou Nico Levesque.

― Não faça muito esforço, já disse. ― Will repreendeu aproximando-se dele. Nico deu de ombros.

― Vamos ajudar você a descer, minha esposa está louca para conhece-lo. ― respondeu Charles aproximando-se dele: ― Posso? ― perguntou antes de tocá-lo.

Nico pareceu relutante por um momento. Will ficou confuso quando ele negou com a cabeça.

― Não consigo descer. ― respondeu parecendo... Envergonhado? : ― Eu preferiria que a conversa fosse aqui, se não se importa.

Charles trocou olhares com Will, mas aquiesceu entendendo a situação.

― Pois bem. Vamos te fazer companhia por aqui. ― respondeu ele dando meia volta: ― Já volto com a família.

Assim que Will o ouviu descer olhou para Nico analítico:

― O que houve? Está com dor?

Nico não respondeu, somente ajeitou-se na cama respirando fundo.

― Nico?

― Levesque. ― repreendeu Nico olhando-o seriamente: ― E sim, não consigo fazer mais do que dar alguns passos sem ter vontade de deitar no chão e morrer senhor doutor. ― cuspiu irritado.

― Por que está nervoso assim?

― Eu? Nervoso? ― zombou gesticulando forte com as mãos: ― Motivo algum, só tendo de me enfeitar todo pra não ser entregue a marinha. Às vezes penso que deveria me entregar por mim mesmo, evito humilhações.

― Ah vamos, pare de drama. ― comentou Will olhando para o corredor, mas ainda ouvia as crianças no andar de baixo: ― E eles são legais, vai gostar deles.

Ele respirou fundo: ― Solace, entenda. Eu sou um pirata que está ferido, não estou aqui a passeio.

― Eu sei, mas...

― Vou colaborar porque isso vai se bom para nós dois. Tenho uma semana pra ficar bom antes que eles tentem me resgatar. Se isso acontecer, bom, vamos nos aturar por mais sete dias somente. ― disse ele sério: ― Contudo, se eles não conseguirem voltar vamos ter de nos aturar por seis meses. Entende isso?

Will sentiu seu sangue gelar. Seis meses?

― Opa, opa! Você não disse nada de seis meses!

― Disse sim, logo no começo! ― defendeu-se olhando para a porta. Viu um garotinho entrando correndo pela porta parando em frente a sua cama. Nico sorriu para ele. Henry sorriu subindo na cama sentando ao seu lado.

― Henry, olhe os modos. ― bradou Silena entrando no quarto. Will afastou-se um pouco de Nico prestando atenção no pequeno para que não o machucasse.

Pensando bem seria cômico.

Nico olhou para Silena:

― Acho que não fomos apresentados, madame.

― Ah, sim. ― disse ela endireitando-se: ― Sou Silena Beckendorf, esposa de Charles. ― apresentou-se: ― Estes são nossos filhos Milena e Henry.

Milena acenou para ele tímida, enquanto Henry estava sentado a seu lado quieto. Nico retribuiu o aceno da menina.

―Então. ― comentou Nico acomodando-se novamente na cama encostando as costas na parede: ― Seria melhor se pudessem se sentar, certo?

― Oh! ― exclamou Will: ― Tem duas cadeiras aqui, vou pegar mais uma. ― respondeu saindo do quarto atrás de uma cadeira que fica no corredor.

Ouviu Milena e Henry perguntando coisas a Nico que ele não prestou atenção. Pegou a cadeira e voltou para dentro do quarto. Acomodou-se ao lado do pirata que o encarou sugestivo. Will o ignorou.

― Bom, gostariam de falar comigo?

― Sim. ― disse Charles: ― Poderia nos contar mais sobre você? O que estava fazendo em Veneza antes de vir para cá.

Nico apertou os olhos. Will mordeu o lábio nervoso. Não havia contado que tinha vindo de Veneza.

Contudo o pirata aquiesceu: ― Acho justo. O doutor Solace me acolheu, é o mínimo.

Os dois começaram a prestar atenção na história de Nico.

Ele disse ser um homem de uma família comum dona de um café em Veneza. Que normalmente ele e sua irmã Hazel viviam somente do dinheiro do café para se sustentar, mas depois de um tempo ela ficou doente e ele precisou de outro emprego para sustenta-la.

Deixou o café nas mãos de amigos confiáveis e começou a vender mercadorias. Nisso sempre precisou viajar muito de uma cidade à outra para ter dinheiro extra para os remédios de sua irmã caçula.

Ele estava vindo para Ravenna para as feiras que sempre aconteciam com frequência nesta época do ano, contudo foi abordado por saqueadores. Seus homens lutaram com ele, mas todos foram atingidos.

Nico disse que ficou desacordado um bom tempo, e quando acordou não havia carruagem ou mercadorias. Somente sangue no lugar onde haviam os corpos.

Ele encolheu-se no lugar alegando não saber por que haviam se livrado de todos menos dele. Carma, talvez? Depois disso veio à noite caminhando pelas ruas de Ravenna até achar a porta da casa de Will aberta.

Will pensou que ele fosse omitir essa parte, mas até que ela encaixou bem. Emendou dizendo que sentia muito por ter invadido, mas foi a única forma de alguém o perceber àquela hora da noite.

Depois disso estava aos cuidados de Will.

Charles e Silena ficaram calados questionando uma ou duas coisas, pedindo para esclarecer algo, mas até aquele momento haviam acreditado.

Quem o Will queria enganar? Até ele estava acreditando. Maldito pirata.

― Pobre homem. ― exclamou Silena: ― Tem noticias de sua irmã?

Ele negou: ― Não desde a ultima vez que lhe mandei uma carta três meses atrás. ― respondeu suspirando pesado: ― Queria saber como está.

― Que horrível. ― comentou ela: ― Will!

― Eu?

― Prepare algumas coisas para ele poder mandar a carta pra ela. ― pediu Silena aparentemente indignada por ele não ter oferecido antes.

Bom Will nem sabia que Nico tinha uma irmã pra inicio de conversa. Na verdade toda aquela história era mentira! Mas, droga, estava fazendo Will sentir-se mal pela irmãzinha que nem existe.

Nico “Levesque” você é desprezível.

― Apreciaria o gesto. ― respondeu educadamente.

Will aquiesceu, mas não fazia isso de jeito nenhum. Levantou-se:

― Bom, melhor descermos para jantar. ― avisou olhando Nico depois: ― Trago sua porção depois?

― Por favor. ― agradeceu sorrindo debochadamente. Como Will odiava esse sorriso.

― Vamos comer com o tio Nico. ― avisou Milena cruzando os braços. Henry o fez também.

― Ele está cansado querida, seria melhor não o incomodarmos. ― avisou Silena em tom repreendedor.

As crianças negaram com a cabeça decididas. Charles riu rendido.

― O que acha de jantarmos todos aqui hoje, Levesque? ― perguntou Charles convidativo. Nico pareceu ser pego de surpresa, pois não disfarçou nem um pouco. Desviou o olhar.

― Ah, claro. Se quiserem. Por mim não teria problema se comessem sem mim. ― admitiu. Will apertou o olhar.

― Pra você não comer? Até parece. ― disse o doutor zombando. Nico apertou os olhos flamejantes.

― Eu como.

― Só se eu pressiono, parece o Henry. ― avisou ele com falsa irritação, mas Nico não parecia fingir.

― Certo senhor doutor, entendi aonde quer chegar. ― comentou perdendo a boa rapidamente. Ele era tão pavio curto: ― Aceito a companhia.

― Ótimo, vou buscar a sopa. ― avisou Silena levantando-se: ― Will me ajude a trazer os talheres. Charles ajeite a mesa para podermos sentar.

O homem aquiesceu enquanto Silena arrastava Will para o andar de baixo.

― Ele parece ser boa pessoa, Will. ― comentou Silena: ― Que bom que o resgatou, seria horrível se Hazel ficasse sozinha.

Claro, seria horrível se alguma irmã imaginária ficasse só.

― Sim, de fato. ― respondeu ele: ― Acha que o Charles vai ficar mais tranquilo depois dessa conversa?

― Claro que sim, ele com certeza sentiu empatia por esse homem da mesma forma que eu. ― adiantou-se indo até a mesa pegando a sopa: ― Um rapaz que faz tudo pela família não pode ser de todo ruim, certo?

― Depende do que ele faz Silena. ― disse Will pegando os pratos, copos e talheres para colocar na bandeja: ― Dependendo do que ele fizer deixa de ser certo, mesmo que tenha intenções boas.

― Sim, mas se torna compreensível. ― emendou olhando-o nos olhos. Respirou fundo aproximando-se dele: ― Ele não é o Austin.

― Silena...

― Me escute. ― pediu ela colocando a mão em seu rosto: ― Existem vários tipos de sacrifícios, aqueles que fazemos para sermos felizes e o que fazemos para a felicidade dos outros. Até onde sei ele faz o segundo, então tente entender o ponto de vista dele. Nem todos fazem as coisas erradas porque querem.

― Certo, e como pode ter certeza que tudo que ele disse é verdade? ― bradou Will irritado.

― Você não confia nele? ― perguntou a moça ainda séria.

Will calou-se. Não, ele não confiava nele, porque diferente do que Silena sabia ele era um pirata, havia matado marinheiros na noite em que apareceu, não tem uma irmã, e tudo o que ele faz é porque quer.

Como poderia confiar?

― Sim. ― mentiu virando o rosto.

― Então basta por hora. Ele vai se provar melhor no decorrer dos dias. ― avisou ela afastando-se dele pegando novamente a panela com a sopa: ― Vamos subir.

Ela afastou-se dele. Will encarou o chão incerto. Deveria confiar? Hoje mesmo Nico o ameaçou de morte com a arma em mãos. Poderia confiar nele? Naquele momento não tinha a resposta.

Respirou fundo pegando a bandeja com os utensílios e subiu atrás da amiga. Entraram novamente no quarto onde a mesa estava posta ao lado de Nico. As crianças sentadas na cama esperando por seus pratos. Nico continuou na mesma posição, parecia com dor.

― Trouxemos a comida.

As crianças comemoraram. Charles riu olhando para Nico.

― O que acha de crianças, Levesque? ― perguntou curiosamente. Nico o encarou estupefato, igualmente Will.

― Eu? Bom não penso nisso com frequência. ― respondeu surpreso de verdade, Will pode ver isso: ― Não acho que seria um bom pai.

― Concordo. ― murmurou Will para si mesmo sentando-se na cadeira ao lado de Nico. O pirata lhe deu um olhar reprovador.

― Bobagem, se deu tão bem com Milena e Henry. ― disse Charles enquanto Silena servia-os: ― Quantos anos tem sua irmã?

― Quinze. ― respondeu de imediato desviando o olhar rapidamente. Will franziu o cenho.

― Já é uma moça praticamente. Pretende casá-la logo? ― perguntou Silena curiosamente. Nico negou.

― Só se ela quiser. ― respondeu ele convicto: ― Ela é nova, mas muito inteligente.

― Acredito que sim. ― emendou Charles: ― Espero que ela melhore. Se dinheiro for algo que precise eu empresto com muito gosto.

Nico negou com as mãos: ― Não precisa, de verdade. O dinheiro extra ajuda muito com o medicamento, mas não estamos passando por muito sufoco atualmente, foi pior no começo.

Charles aquiesceu, mas não parecia convencido.

Começaram a comer. Nico elogiou a sopa, sussurrando para Will que era melhor que a dele. O doutor teve de concordar com isso. As crianças comeram rapidamente para poderem brincar novamente. Silena e Charles começaram a conversar sobre assuntos que Will não se interessava muito.

Nico, pelo contrário, parecia bem interessando. Respondia tudo corretamente e fazia perguntas compartilhando da conversa deles. Will queria estar brincando com as crianças, no caso.

Depois de longas conversas sobre governo, um pouco sobre os problemas que a Itália estava passando Charles avisou que deveriam ir antes de ficar muito tarde. Silena concordou levantando-se para recolher os pratos.

― Pode deixar, eu faço. Está tarde. ― concordou Will levantando-se. Nico ajeitou-se na cama.

― Eu concordo.

Will o encarou mortalmente.

― Claro, você não vai fazer esforço nenhum. ― relembrou Will rolando os olhos. Nico soltou uma risada contida.

― Bem, vamos indo? ― insistiu Charles pegando Henry no colo que havia dormindo perto da cama. Milena veio até ele esfregando os olhos.

A garotinha acenou para Nico que sorriu para ela.

Eles deixaram o quarto e Will foi atrás despedir-se deles na porta.

― Ele parece ser uma boa pessoa, mas não saia confiando assim, entende? ― falou Charles sério: ― Nunca se sabe.

Will aquiesceu:

― Se cuidem no caminho de volta. ― pediu. Os dois despediram-se e saíram rua afora.

Will fechou a porta respirando fundo contra ela. Haviam conseguido enganar os dois, mas Will não se sentia muito bem com isso, tinha de admitir. Teria de mentir para seus amigos durante todo o tempo que ele ficasse por ali?

E se ficasse os seis meses o que diria a eles? Que ele não está curado ainda e que não pode voltar para a suposta irmã caçula? Não acreditariam e teria mais problemas que soluções. Subiu diretamente para o quarto de Nico.

Parou na porta. Nico havia retirado sua camisa e soltado os cabelos. Conseguia ver as tranças que haviam sido escondidas. As faixas que cobriam seu abdômen estavam com sangue e as cicatrizes mais proeminentes pela luz do lampião.

― Poderia ter esperado eles saírem de verdade antes de se despir? ― propôs o doutor aproximando-se. Afastou a mesa delicadamente enquanto esperava a resposta de Nico.

― Só dói. ― respondeu com a voz baixa: ― Eles já tinham saído quando tirei a camisa tamanho família.

― Há-há! Engraçado você. ― zombou Will ajeitando o quarto: ― Vou dar uma olhada nesse machucado antes de dormir.

Nico aquiesceu passando a mão pelos cabelos como se massageasse o coro cabeludo. Will sabia exatamente como era aquele sentimento.

― Vou fazer uma pergunta, tente responder ao invés de ser estupido, ok? ― disse o doutor parando o que fazia para olhar a cara emburrada de Nico.

― Não garanto nada.

Will bufou: ― Ótimo. Bom você contou essa história como se fosse sua própria, principalmente sobre sua tal irmã―

― E? ― interrompeu Nico irritado: ― Quer que eu comece a te dizer se tenho uma vida além da pirataria que inclui uma irmã doente?

Will calou-se. O moreno riu debochado.

― É sério isso? Você precisa aprender como enganar as pessoas, ou será sempre o enganado. ― explicou ajeitando-se na cama: ― Não tenho. Não nasci pirata, mas você precisa perder tudo pra ficar tão desesperado pela pirataria. Primeira regra, doutor.

Will crispou os lábios irritado pegando a bandeja com os pratos sujos e a panela vazia. Sem dizer mais anda saiu do quarto a passos pesados.

― Não vou perder tempo com isso, definitivamente não vou. ― resmungou pra si mesmo irritado.

Como queria que tudo aquilo não passasse de um pesadelo.

No dia seguinte Silena estava cedo na porta de sua casa. Havia combinado de cuidar de Nico enquanto Will visitava o Senhor D. e outras pessoas que haviam pedido sua presença. Ficaria fora provavelmente o dia todo e estava preocupado em deixar sua amiga com o pirata no andar de cima.

― Tem certeza? ― perguntou Will pela milionésima vez naquela manhã. Silena aquiesceu pacientemente.

― Eu sei que você gosta de cuidar de seus próprios pacientes, mas não se preocupe que vou cuidar bem dele e dar muito suco de beterraba. ― disse a moça ajeitando algumas coisas na cozinha.

― E as crianças? Charles vai dar conta? ― comentou um pouco preocupado.

― Ele sempre olha elas pra mim, normalmente eu fico na casa arrumando as coisas ouvindo a gritaria delas na ferraria. ― explicou ela dando de ombros.

― Eu sei, mas ficar aqui sozinha com ele não seria bom, sabe. ― suplicou novamente. Silena rolou os olhos.

― Will, querido, eu sei que você fica preocupado comigo, mas do jeito que o Senhor Levesque está na cama não vai conseguir encostar um dedo em mim antes que eu lhe dê um tapa.

“E se a bala chegar antes?”, pensou Will desesperado.

Abriu a boca pra falar, mas foi interrompido.

― Sem “mas”. Vamos com isso, você tem um horário a cumprir. Além disso ele nem acordou ainda vou ter tempo para me acomodar. ― comentou pegando a mala de Will e o puxando pelo braço.

O levou para fora junto com suas coisas.

― Anda, vai! ― falou ela séria: ― Quando voltar seu paciente ainda vai estar vivo. Provavelmente.

― Como?

― Ah, vamos ver se ele sobrevive a mim por um dia. Até querido.

Bateu a porta em sua cara. Will resmungou alto passando a mão pelos cabelos presos.

― Droga, isso não vai ser bom.

Nico

Nico demorou para dormir aquela noite. Virou-se na cama desconfortável depois daquele ridículo jantar que teve de participar. Inventar histórias, criar coisas ridículas pra tentar enganar os amigos do doutor.

Sinceramente? Nico não se importava nem um pouco com o que eles pensavam dele. Fazia muito tempo que ele não ligava mais para esse tipo de coisa, mas mesmo entendendo a situação ainda não curtia a ideia de ter de fingir ser quem não é.

Fora que falou coisa que não devia, ao começar pelo nome da Hazel e deixar sua idade escapar assim facilmente. Irritou-se quando falou sem querer e teve vontade de bater no Solace, por algum motivo indefinido.

Fechou os olhos fingindo não ouvir a mulher lá embaixo que havia dito que viria cuidar dele durante o dia. Honestamente a vontade de bater no Solace havia aumentado um pouco. Ouviu a porta da entrada bater e esperou até ela dar o ar da graça, mas como não aconteceu decidiu aproveitar o silêncio.

Havia decidido no dia anterior que daria uma chance ao doutor e tentaria confiar na palavra ele de não entrega-lo a marinha, mas uma coisa era ser protegido por alguns dias, outro por meses.

Nico conhecia seu próprio corpo, sabia bem que a ferida demoraria mais que o normal para cicatrizar, e que levaria um tempo até poder andar por ai normalmente. Então a única coisa que poderia fazer era ficar ali, deitado naquela cama remoendo-se em pensamentos que normalmente ele evitava quando estava em alto mar, bêbado, e com coisas pra ocupar a mente.

Naquele quarto ele não tinha nada pra fazer. Nenhum livro para ler, ninguém para bronquear, nada. Nunca pensou que sentiria falta da bagunça, mas ficar no silêncio mais uma vez o tragava para o passado, um passado que sempre o assombrou.

Uma das coisas que as pessoas dizem com frequência é que deve se desapegar do passado e seguir em frente. Nico gostaria de encontrar alguém que conseguiu fazer isso. Ele não conseguia fingir que seu passado não aconteceu e continuar seguindo em frente. Ele estava onde estava justamente pelo seu passado bagunçado.

Pelas suas escolhas, pelas pessoas que confiou e não deveria ter confiado. Pela traição. Pelo desespero.

Ele era o que era pelo seu passado, então mais uma vez ele gostaria de saber: Alguém realmente conseguiu seguir em frente fingindo que o passado nunca existiu?

Silena bateu na porta. Nico fechou os olhos novamente fingindo dormir. Não estava com saco para fingir ser um dono de café. Por que diabos ele inventou ser dono de café? Ele nem gostava de café!

Ouviu os passos silenciosos da moça aproximando-se dele. Sentiu suas cobertas serem ajeitadas enquanto ela cantarolava uma musica infantil tão familiar e ao mesmo tempo estranha aos seus ouvidos. Era como uma canção de ninar, mas parecia outra coisa?

Ela alisou seu braço saindo de perto da cama e fechando a porta. Nico abriu novamente os olhos intrigado. Remexeu-se na cama ficando de barriga para cima com certa dificuldade. Encarou o teto de madeira escura manchado com pequenos círculos negros do tempo e desgaste.

Já havia contado quantos pontinhos pretos tinha no teto, então decidiu que não valia a pena fazer isso novamente.

Virou o rosto para o lado tentando adequar-se na cama, mas Silena parada encostada na porta o fez ter o início de um ataque cardíaco. Fechou os olhos pelo susto, além da dorzinha aguda em sua ferida que repuxou-se pelo movimento brusco de seu corpo. Apoiou seu braço sobre seus olhos regulando a respiração descompassada.

Ouviu um risinho baixo. Maldita!

― Desculpe Senhor Levesque, mas eu tenho duas crianças, eu sei quando elas tentam fingir que estão dormindo. ― respondeu ela aproximando-se. Nico contentou-se em xingá-la mentalmente.

Ele não respondeu, mas retirou o braço de seu rosto para olhá-la melhor. A mulher estava com um sorriso sapeca nos lábios e os braços cruzados. Ela andou até a cadeira encostada na parede puxando-a para o lado da cama acomodando-se nela.

Nico respirou fundo engolindo as pragas e tentando sentar-se. Depois de um longo minuto conseguiu encostar-se nos travesseiros.

Ele não disse nada para ela, somente esperou para ver o que ela falaria. Não demorou muito:

― Senhor Levesque. ― chamou ela agora com a feição mais séria: ― Poderia me contar mais sobre a Hazel?

Nico ficou tenso. Olhou para a mulher atentamente. Por que ela queria saber sobre Hazel?

― O que exatamente?

Silena pareceu pensar colocando o dedo no queixo fazendo uma careta engraçada. Nico torceu o lábio incomodado com ela. Não começaram o dia muito bem.

― Como ela é? A aparência? ― perguntou por fim pousando as mãos no colo.

Nico não respondeu de imediato. Desviou o olhar para a coberta. Como ela era? Linda! Nico não tinha outra forma de descrever a irmã caçula se não fosse com esse adjetivo. Esteticamente era linda, internamente? Maravilhosa.

Sorriu para si mesmo enquanto buscava na memória a irmã caçula sorrindo pra ele quando teve de partir na ultima vez que a visitou. Um sorriso mascarando as lágrimas que ela havia derramado horas antes na casa com ele.

Mordeu o lábio negando com a cabeça torcendo para a moça entender o recado. Não queria falar dela com estranhos, e definitivamente não com Silena.

― Entendo que não me conheça o bastante, mas acredito que o primeiro passo para nos darmos bem seja assim. ― respondeu a mulher carinhosamente: ― Você falou muito pouco dela ontem, mas me deixou intrigada o pouco que eu soube.

Nico levantou o olhar severo. Silena retesou-se:

― Desculpe senhora Beckendorf, mas alguns assuntos podem ser evitados. ― respondeu sério: ― Um deles é a minha irmã.

― Normalmente um irmão não liga de falar do outro. ― comentou ela curiosamente, mas um leve toque de irritação na voz.

― Normalmente eles não são obrigados a ouvir ladainhas de mulheres futriqueiras como você. ― cuspiu ele apertando os olhos.

Silena respirou fundo levantando-se da cadeira: ― Vou te trazer o café da manhã.

Ela saiu rapidamente do quarto ofendida. Nico crispou os lábios nervosamente. Mulher intrometida! Passou a mão pelos cabelos, não duraria muito naquela mentira e ele sabia plenamente disso.

Uma coisa era mentir para alguém que você nunca mais veria um tipo de “mentira técnica” pra conseguir alguma mercadoria em troca, outra muito diferente era mentir para alguém que ficaria por perto por muito tempo.

Nico ficou tempo demais como Pirata, e por mais que ele já tenha sido um cidadão de bem atualmente ele não tinha muita papa pra lidar com certos assuntos, um deles sendo seu passado e sua irmã.

Era como uma linha entre a sanidade e a loucura, e Nico preferia se manter são o máximo que podia, pois onde estava a loucura também estava parte de seu passado que ele não tinha capacidade de explicar ou entender, somente sentir raiva.

E essa raiva o culminou a fazer coisas impensáveis.

Ela voltou com a bandeja. Nela um pote com mingau e figos do lado. Por que sempre figos?

― Aqui. ― disse seca depositando a bandeja delicadamente em seu colo. Nico aquiesceu: ― Escuta, sei que é complicado a situação em que se encontra, mas precisa confiar em nós.

― Confiança é para os tolos. ― respondeu Nico encarando-a nos olhos. A moça arrepiou-se, mas manteve o olhar firme.

― Confiança não é para os tolos. Ela lhe permite entender e conhecer melhor as pessoas. Criar laços. ― explicou a mulher cruzando os braços.

Nico desviou o olhar respirando fundo:

― Quem confia demais sempre acaba sendo traído. ― concluiu ele fechando os olhos na sequência: ― Nunca se perguntou por que usam o termo “Confiança cega” quando confiamos demais em alguém? ― voltou-se a ela: ― Porque você fecha os seus olhos para tudo, como a viseira de um corcel, impedindo de ver aquilo que está claro. Você não vê a lâmina chegando.

Parou de falar baixando o olhar para o mingau branco em seu colo. Torceu o lábio desgostoso pegando a colher.

― Não é porque foi traído uma vez que será de novo. ― Silena falou sorrindo amigável: ― Confiança Cega é um termo forte, claro, mas você o usa quando não há alternativa. Caso contrário, sempre é bom ter um pé atrás.

Nico soltou uma risada sarcástica: ― Vou anotar isso.

― Vou estar lá em baixo dando o jeito nessa casa. ― comentou indo até a porta: ― O Will pode ser organizado quando se trata de seus pacientes, mas pra cuidar da casa ele é terrivelmente desorganizado.

Saiu por fim deixando Nico sozinho. E mais uma vez Nico arrependeu-se do que acabara de falar.

Notas finais
Então? O que acharam? O Nico foi estupido com a Silena? Sim, foi, mas faz parte de sua natureza hostil como pirata, porque vamos combinar ele não é uma flor que se cheire reuhruehru Eles se safaram, mas por quanto. Quanto tempo vai durar? Veremos hehe :v Link da One Solangelo: https://fanfiction.com.br/historia/729125/Be_Quiet/ É isso amores. Infelizmente agora eu não sei quando vai a próxima atualização, se será no Domingo ou depois. Tenham fé na mãe que sai ruehruhruerhe beijinhos~