Pit-a-Pat
54 Capítulo LII
Notas iniciais

Leo
~Capítulo LII~
:: 1ª dia em Tortuga — Semana 12 ::
[...]
Leo estava sentado no parapeito da proa, observando Tortuga se aproximar aos poucos, ocupando o horizonte em cores e formas distintas. Dali, já era possível ouvir o som alto das risadas no píer, do barulho de tiros ao longe; o colorido das pessoas num caminhar rápido entre os navios ancorados.
O Bossum soltou um suspiro longo e pesado, um sentimento de desolação em seu peito. Normalmente, Leo sempre ficava ansioso por pisar em terra firme após tantos meses em alto-mar, mas desde que deixaram Nico para trás na Itália, a harmonia no navio se transformou da água pro vinho.
O que antes Leo via como uma família postiça, se tornou um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer faísca, a tensão entre os tripulantes quase palpável no ar ao redor.
Não muito depois de Jason se livrar dos homens que atiraram em Nico, o Primeiro Imediato convocou uma reunião privada entre os membros mais antigos da tripulação na cabine do Capitão. Antes, Leo adorava entrar na cabine de Nico pelo simples prazer de importuná-lo, de tornar as manhãs de Nico em gritarias e risadas quando o encontrava de bom humor.
Mas agora, o cômodo tinha um quê mórbido, trancado por Jason para que ninguém entrasse, com exceção de Piper e Jason para uma limpeza algumas vezes no mês.
Durante a reunião, Jason mantinha o semblante sério, um peso que não viam há anos no amigo veterano dos mares. Uma distância em seu olhar, um vazio que Leo conseguia entender. E, ainda assim, não entendia os motivos de Jason tomar atitudes tão contrárias a tudo que acreditavam ser o ideal naquela situação.
Leo fechou os olhos, o vento do caribe trazendo à tona as memórias da briga.
“Você não pode estar falando sério!” bradou Sherman no centro da sala de jantar de Nico, possesso.
Todos ali estavam, afinal. Malcolm, os irmãos Stoll, Piper, Leo, Sherman e Jason, cada um deles em um canto da sala com feições complicadas e severas, expressões que Leo percebia serem bem mais do que simples desacordo.
O Primeiro Imediato suspirou, massageando as têmporas.
“Infelizmente estou.” rebateu, nervoso: “Não vamos voltar para o Nico na Itália.” Jason repetiu, desta vez de forma mais lenta, como se instigasse o artilheiro do navio a compreender.
Isso só deixou Sherman ainda mais irritado.
“E por que não?” desta vez foi Leo quem perguntou. Os braços cruzados no peito, a postura tensa naquela conversa amarga: “O que nos impede de voltar para buscá-lo?”
“Você viu a situação da Europa quando saímos?” insistiu Jason, sem paciência alguma para aquela conversa que tomava mais tempo que o necessário: “Não tem como voltarmos sem sermos capturados ou envolvidos em batalha atrás batalha com marinheiros espanhóis, italianos, ingleses, portugueses e quantos mais você quiser acrescentar à lista.”
“E então o que? Deixamos ele à mercê desse monte de inimigos sozinho?” Sherman trovejou, socando a mesa ao seu lado. Piper pulou na cadeira pelo susto, lançando um olhar afiado ao artilheiro: “Eu me recuso a aceitar isso.”
“Pela primeira vez na vida eu concordo com o Sherman.” Travis admitiu do outro lado da mesa, sentado em cima dela de pernas cruzadas: “Nós nunca seguimos essas regras idiotas de piratas ou sei lá o que, e agora você decidiu que não vale a pena o risco? Não acho que o Capitão concordaria com isso se fosse você deixado para trás.”
Connor acenou com a cabeça, concordando com o irmão.
“Nenhum de nós.” acrescentou, a mandíbula tensa.
“Eu entendo o sentimento de vocês, de verdade.” Jason amenizou o tom de voz, olhando ao redor com cautela: “Olha, eu não faria isso se não tivesse certeza absoluta que o Nico está bem lá.”
“E como você pode ter essa certeza toda?” Malcolm quem perguntou, encostado na moldura da janela: “Não vimos ele sair da água depois da explosão.”
Leo mordeu o lábio, angustiado. O simples pensamento de que Nico poderia estar morto de alguma forma o aterrorizava. Viu Piper desviando o olhar, provavelmente imaginando o mesmo horror que ele.
“Nico não morreria com aquela explosão. Não o atingiu diretamente.” reforçou Jason: “Não sei o quanto vocês sabem do Nico, mas ele veio da Itália e Ravenna fica a somente algumas horas de Veneza, que é onde ele morava. Se tem uma pessoa que pode sobreviver lá é o Nico.” Jason recostou-se na cadeira, pensativo: “Ele sabe pra onde ir e ainda deve ter vários contatos, ou pelo menos sabe onde cada lugar fica.”
“Mas ele deixou a Itália.” Malcolm insistiu no assunto, a feição complexa demais para Leo entender: “Todos nós deixamos nossos países porque eles nos deixaram na mão de alguma forma. Ninguém nesta sala virou pirata por vontade própria, Grace.”
Todos ficaram quietos. Leo abaixou o olhar. Nenhum deles tinha um passado feliz ou interessante em suas cidades natais, por mais que Leo goste de como as coisas são hoje em dia, não foi uma escolha pessoal pisar em um navio pirata, sozinho, dependendo somente dele da vontade divina de mantê-lo vivo mais um dia.
Ninguém conhecia muito da história do outro, mantendo o passado como uma parte riscada de suas vidas, um momento onde não há retorno. Era uma forma de respeitar a privacidade de seus erros passados. Com exceção de Jason, Piper e Nico, ninguém conhecia a história dos tripulantes do Caronte antes de entrarem para o navio.
Se tinha um lugar para onde Leo não tinha vontade de voltar era para Santa Cruz Del Sur.
“Ele sabe se virar.” Jason insistiu mais uma vez, observando Leo por um momento antes de voltar a encarar Sherman: “Além disso, ele não ficaria parado todo esse tempo sem ir atrás de informações no Caribe. Ele sabe que no momento em que entrarmos nos mares Caribenhos não vamos sair sem entrar em uma guerra.”
Piper arfou, incrédula.
“O que?” Leo bradou, na mesma surpresa de Piper. Era informação nova, e se nem Piper sabia, Leo suspeitava que mais ninguém naquela sala soubesse.
Pelo olhar raivoso de Sherman e Malcolm, Jason era o único que tinha alguma informação a mais sobre a guerra.
“Opa, espera ai!” Connor se aproximou de Jason, desconfiado: “Nico disse que não íamos nos envolver nos problemas da Ramirez. Por que está nos enfiando em uma guerra?”
“Perdeu a porra da cabeça, Grace?!” Sherman bradou, colérico, avançando alguns passos em direção ao Imediato: “A primeira coisa que você faz como Capitão é descartar a última ordem do Nico?”
“Não estou descartando uma ordem, estou seguindo ela.” Jason defendeu-se, o queixo erguido diante da forma imensa de Sherman sobre ele.
“E como você está fazendo isso?” Travis perguntou, nervoso.
“Não vamos nos envolver na guerra da Ramirez diretamente, mas não tem como entrarmos e sairmos de Tortuga sem nos envolvermos de alguma forma.” Jason ressaltou, apoiando seus cotovelos nos joelhos.
Leo franziu o cenho, contrariado. Isso não era bem verdade, e Jason sabia disso. O Imediato olhou ao redor, analisando a feição incrédula da tripulação antes de continuar:
“Vejam bem. Existe uma enorme diferença entre entrar por conta própria e lutar por falta de opção.” continuou fazendo movimentos com as mãos enquanto explicava: “Nosso porto é Tortuga. A parada do Caronte é e sempre será no porto de Tortuga, o que nos deixa sem opções em relação a uma guerra.”
Jason suspirou antes de acrescentar:
“Nico deixou bem claro que não lutaria na guerra pela Reyna, e convenhamos que ninguém aqui em sã consciência lutaria pelo Octavian.” Jason torceu a boca em desagrado. Leo bufou, se recusando a responder àquela afirmação óbvia: “Mas desde o começo, Nico planejava lutar nessa guerra, mas por baixo dos panos. Entrar e sair sem sermos considerados como parte de um exército revolucionário.”
“Está dizendo que vamos entrar na batalha de forma espontânea?” Malcolm exemplificou. Jason concordou com a cabeça. Malcolm apertou os olhos, cético: “Isso vai funcionar se a guerra não abranger mais do que só alguns navios. A fragata da Reyna no momento beira quinze embarcações.”
“E a do Octavian seis.” Leo complementou: “Ele está em desvantagem, mas em Tortuga sempre há navios piratas que almejam nome.”
“Exatamente.” Malcolm continuou: “Octavian estava mais tempo ancorado em Tortuga do que Reyna que estava em viagem conosco em Singapura há meio ano. O exército dele deve ter dobrado de tamanho. A estratégia é boa, mas entrar e sair neutros não vai funcionar.”
“Neutros não, vamos entrar no lado da Reyna.” reforçou Jason: “Não vamos lutar por ela, mas vamos usar ela pra sairmos de Tortuga com mais um ponto na reputação do Caronte. Mais um jeito de cravar o nome do navio na história.”
Leo trocou o peso de uma perna para a outra, ponderando a ideia. Existem poucos navios piratas que seriam tolos o bastante para entrarem na guerra por vontade própria, e um deles seria o Argos II. Percy não perderia a oportunidade de humilhar Reyna publicamente, fazendo parecer que Reyna precise dele para vencer uma guerra a qual ela não conseguia terminar.
Ela não recusaria a ajuda do Argos II, por mais que se aliar ao Jackson seja uma das piores escolhas que alguém possa fazer.
Percy Jackson não é um homem o qual possa se apoiar completamente em uma parceria.
Em contrapartida, o Caronte sempre entra em lutas na por baixo dos panos, de forma sorrateira e desonesta, deixavam sua marca pintada de sangue e corpos no oceano. Leo estava acostumado a ataques surpresas e emboscadas planejadas por Nico desde que entrou no Caronte há cinco anos, e o plano de Jason era condizente com as atitudes do Capitão, mas arriscado demais.
Sem Nico por perto, seria impossível saber o que era real e o que era Jason projetando uma ideia mentirosa para cima de uma tripulação perdida sem seu Capitão.
“Acho uma ideia ridícula.” Piper cuspiu nervosamente. Leo a encarou, surpreso. Raros eram os momentos onde Piper colocava Jason contra a parede publicamente. O Primeiro Imediato arqueou a sobrancelha, esperando pelo restante: “Nosso porto é sim Tortuga, mas nada nos impede de pararmos em outro lugar. Desviar para o sul ou norte. Essa guerra não vai durar mais que alguns meses com a Reyna e o Percy na jogada.”
“Norte está sobre o domínio inglês na Colônia Americana.” Jason relembrou: “O sul está passando entre as mãos dos Portugueses e dos Espanhóis há pelo menos duzentos anos. Qualquer desvio nos levaria diretamente para um encontro com marinheiros.”
“Nisso o Jason tem razão.” Malcolm admitiu à contra gosto: “Os mares caribenhos só estão livres da marinha pela falta de interesse deles nessa região. Toda a atenção está no norte. Nossa melhor opção é entrar nessa briga, mas pode durar meses ou até um ano. Se Nico não voltar antes será impossível mais tarde.”
Leo respirou fundo, frustrado.
“Então não é uma escolha.”
“Não.” Jason negou.
“Ok, então me diga, oh sábio Capitão, como vamos fazer isso?” Sherman debochou alto, a ideia não o agradava e isso era claro pela tensão em seus ombros.
Jason negou com a cabeça.
“Isso nós vamos discutir mais tarde com toda a tripulação presente.” respondeu Jason, sucinto: “Só quis deixá-los a par antes, já que deixar o Nico para trás é algo que só vocês se incomodariam.”
Connor estalou a língua, saindo da cabine sem dizer nada. Travis desceu da mesa, trocando um rápido olhar com Jason.
“Podemos até gostar de você Jason, mas espero que não esteja mentindo para nós para ficar com o lugar do Nico.” avisou Travis, a coluna hirsuta em uma postura ameaçadora: “Vai se arrepender se esse for o caso.”
Então ele saiu, a tensão na cabine ganhando força e peso.
Leo prensou os lábios, observando Jason atentamente. Ele sabia o quanto Nico era importante para Jason, o quanto o Imediato via em Nico um irmão mais novo problemático e violento, mas nem todos entendiam o relacionamento entre Jason e Nico.
Leo era um dos poucos que os viu se aproximarem desde o dia naquela prisão, quando viu o instante em que Jason o resgatou de uma cela imunda na fila para a forca; o segundo resgate de uma história ainda mais longa entre Capitão e Imediato.
Sherman gargalhou, despudorado, quase agressivo: “Espero que não esteja fazendo nenhuma idiotice como essa, Grace.”
Ele deu as costas para o restante da cabine, saindo a passos pesados e ruidosos. Malcolm suspirou, consternado.
“Isso vai levantar suspeitas, Grace.” Malcolm o relembrou, severo: “Você montou uma história quando abandonamos Nico em Ravenna e, agora, decide mudar os planos completamente? Quem não te conhece, ou não conhece sua história com o Nico vai suspeitar de um motim.”
Jason fechou os olhos, se recusando a continuar aquela conversa complicada. Malcolm suspirou, deixando a sala no mesmo ritmo dos outros.
Leo caminhou até a mesa, se sentando na cadeira de frente para Piper, ao lado de Jason. O Primeiro Imediato apoiou o rosto na mão, olhando de Piper para Leo, a feição melancólica.
“Acham que estou tentando me livrar do Nico?” Jason questionou, seu tom baixo e cansado.
“Não.” responderam os dois em uníssono.
“Nós conhecemos vocês dois e vimos o quão próximos vocês são.” Piper assegurou, segurando a mão de Jason afetuosamente: “Não gosto da ideia de nos envolvermos em uma guerra, só isso.”
“Eu também.” Leo debruçou-se na mesa, as pernas batucando o assoalho de madeira, ansioso: “Não gosto da ideia de entrarmos em uma guerra que claramente não estava nos nossos planos. Quando Nico te disse isso?”
“Não disse.” confessou Jason num meio sorriso, numa mentira que contou como se fosse uma verdade absoluta.
Piper afastou suas mãos de Jason, arredia. Leo cruzou os braços, não gostando do rumo daquela conversa.
“Como assim?”
“Chegamos a conversar sobre o assunto, foi algo implícito no momento, mas ele nunca disse que se envolveria na guerra realmente, só deixou a ideia no ar.” respondeu por fim, sustentando o olhar traído de Leo.
O Bossum se levantou da cadeira, possesso.
“Você mentiu pra eles!”
“Basicamente.
“Jay…” Piper sussurrou, negando com a cabeça, decepcionada.
“Quando ficou tão idiota ao ponto de sair decidindo essas coisas e usando o nome do Nico pra isso?” Leo continuou, gesticulando nervosamente com as mãos: “Você poderia ter falado que era a opção óbvia, que estava fazendo isso pelos anos de conhecimento de guerra que você tem, mas não! Resolveu mentir?”
“Leo.” Jason o advertiu, o olhar afiado e impaciente.
“Não venha com “Leo” pra mim.” rebateu o Bossum: “Não sei como sua mente funciona, mas espero que entenda o quão idiota essa ideia é.”
Jason respirou fundo.
“Não é idiota. Nico não deu a ordem de nos envolvermos na guerra, mas ele deve saber a essa altura que não tem como voltarmos para buscá-lo. A regra de abandono de membros que criamos cinco anos atrás perde todo o sentido nesse caso.”
“Você espera coisa demais do Nico.” Piper falou, cruzando os braços: “Ele é inteligente, sim. Muito astuto e quaisquer outros adjetivos que queira acrescentar, mas você acha que ele conseguiria fazer todas essas coisas por conta própria?” Piper inspirou fundo, voltando a falar: “Não sei se essa é só sua forma de se manter otimista de que o Nico vai voltar.”
Leo ficou tenso com a informação nova. Olhou Jason mais atentamente. Ele se recusou a responder, virando o rosto para a janela da cabine. Leo bufou:
“Pode ficar na sua greve de silêncio Jason, mas você é o Capitão do Caronte pelos próximos três meses ou mais. Vai ter de aprender a fazer as coisas sozinho.” Leo falou por fim, saindo da cabine.
Que Piper lidasse com o Primeiro Imediato problemático deles.
― Valdez! ― Sherman gritou seu nome, subindo na proa em sua direção. Leo piscou algumas vezes, acordando do breve torpor: ― Jason falou que você vai descer com ele.
― Aye-aye. ― respondeu Leo, saindo do parapeito. Passou pelo Sherman que agarrou seu braço, o parando no meio do caminho:
― Fica de olho no Jason. ― rosnou Sherman em baixo tom. Leo tensionou os ombros, atento: ― Eu confio nele, mas só até certo ponto.
Leo aquiesceu, se livrando do aperto de Sherman e desceu até Jason e Piper. Os dois estavam no convés prestes a desembarcar. Jason dava algumas ordens aos homens, os mantendo ocupados enquanto tratavam de negócios em terra.
Leo correu o olhar pelo Convés, buscando por seus companheiros. Muitos dos homens prestavam atenção nas palavras de Jason, concordando com a cabeça vez ou outra, mas Malcolm parecia mais entediado do que realmente atento. Estava com um livro aberto no colo, o olhar perdido no mar calmo da primavera. O livro parecia ser da coleção particular de Nico, provavelmente um dos vários que Malcolm pegou emprestado antes do ataque em Ravenna.
Não teve a chance de devolver.
Travis e Connor estavam do outro lado do navio, encostados no parapeito do convés. Travis jogava uma moeda para cima e para baixo, o rosto indecifrável. Connor estava ao seu lado, encarando Jason com repulsa e indignação. Leo estremeceu com o olhar dos rapazes.
Os dois não aceitaram bem a conversa na cabine naquele dia. Depois dela, quando Jason repassou a conversa para o restante da tripulação, os irmãos Stoll ficaram distantes do atual Capitão, observando de longe. A graça no navio foi devorada completamente, perdida no oceano sem as idiotices dos irmãos Stoll para animá-los.
Leo sabia pouco sobre os dois ou como Nico os conheceu, mas ele sabia que para os dois irmãos, Nico era uma espécie de salvador, e o mesmo se repetia com Malcolm. Diferente de Malcolm, o qual Leo tinha total noção dos seus motivos de entrar no Caronte, Travis e Connor um dia simplesmente apareceram com Nico no Convés, maltrapilhos e assustados. Na época, Travis deveria ter seus dezenove e Connor seus dezesseis.
A idade era uma das apostas de Leo sobre a proximidade excessiva deles com o Capitão. O viam como um irmão mais velho? Uma espécie de guardião? Mordeu o lábio, desviando o olhar para Jason novamente.
Ao terminar de passar as ordens, Jason o chamou e finalmente deixaram o Caronte para trás.
Leo os seguiu alguns passos atrás, observando o arredor. Tudo parecia mais caótico que o habitual. Mais pessoas irritadas, mais brigas nas ruas, mais confusão e gritaria. A notícia da guerra teve grande impacto para as pessoas em terra firme, para aqueles que tinham em Tortuga uma vivência permanente.
Durante o caminho deles até Tortuga, Leo não viu nenhum navio pirata de Reyna, e muito menos algum dos de Octavian. Para ser franco, Leo não saberia identificar qual deles seria do Octavian e quais seriam os de Reyna. Eram da mesma fragata, e poderiam cruzar com inimigos sem nem ao menos terem noção do perigo.
A ideia o incomodava.
Leo acelerou o passo ao entrarem no bar na avenida principal.
Ao pisar no lado de dentro, o cheiro de rum e suor invadiu suas narinas. Torceu a cara desgostosamente para o conflito de odores no recinto, de pólvora ao álcool; de suor ao cheiro de sangue seco e velho. Leo odiava esses lugares tanto quanto a terra firme.
Ao subir para o segundo andar e avistar Reyna, Leo parou no lugar.
Reyna estava sentada com o olhar perdido, distraída. Tinha em mãos uma caneca de metal, cheia até a metade, sentada na mesa era enorme e cheia de canecas. Todas as cadeiras ao redor estavam vazias, só os esperando.
Reyna ergueu a cabeça, seu rosto se iluminando com curiosidade ao vê-los parecer. Leo tentou fugir do olhar da Pretora do Mares, mas sabia que seria uma tarefa inútil. Havia sido marcado pela Capitã há muitos anos, afinal. Reyna correu o olhar pelos três, franzindo o cenho.
― Onde está o Nico? ― perguntou a mulher, curiosa.
Jason retesou-se enquanto Leo e Piper desviavam o olhar sem responder a pergunta. Reyna arregalou os olhos:
― Ele morreu?
― Não. ― respondeu Jason rapidamente: ― Ele está na Itália. Tivemos complicações na travessia para a Grécia e tivemos de deixar ele para trás por um tempo. ― admitiu, sentando-se de frente para ela.
Piper e Leo se entreolharam por breves momentos antes de se sentarem também. Reyna respirou fundo:
― Bem acontece. Uma grande perda e blá blá blá. ― resmungou ela sem tanto interesse: ― Agora vamos falar de negócios.
― Espera um pouco aí. ― Leo quem começou, recebendo um olhar repreendedor de Jason: ― Você não liga que o Nico não está aqui? Pensei que tivessem um rolo ou coisa parecida.
Reyna arqueou a sobrancelha:
― Somos amantes, sim, mas ele não é o meu primeiro e não será meu último. Além de nunca termos sido exclusivos um com o outro. ― relembrou ela, dando de ombros, tamborilando os dedos na mesa de madeira: ― Ele passou esse tempo todo na Itália sozinho? Deve ter se divertido como o Diabo.
Leo semicerrou os olhos prestes a rebater, mas Piper o segurou pelo pulso como um sinal para que se calasse.
― Além disso, nós só nos envolvemos de forma carnal. E claro que a parte “política” era muito boa. Ele usava da minha reputação para crescer e eu a dele. Ambos saimos ganhando. ― encerrou ela, tomando um gole generoso da bebida. Devolveu a caneca para a mesa, batendo com a base dela na superfície de madeira: ― Bom, vamos ao que realmente interessa.
Reyna estalou os dedos, recebendo um mapa em suas mãos. Passou o braço na mesa, derrubando as outras canecas que ali estavam, esticando o mapa em cima da mesa. Retirou sua arma, a usando de apoio para uma das pontas enquanto Piper recolhia as canecas para as outras três extremidades.
Todos se levantaram para analisar melhor o mapa dos mares do Caribe. Nele havia alguns desenhos e descrições escritas à mão pela Capitã. A letra terrível e garranchada dificultava a leitura.
― Aqui é onde está a minha frota. ― apontou Reyna no mapa: ― Tenho ao todo quinze navios na minha fragata. Foi o que me restou nesse meio tempo e o que consegui à mais desde a última vez que nos vimos. ― explicou: ― Aqui é onde o Otavian está. ― apontou para um ponto ao extremo de onde o exército dela se encontrava: ― Pelas informações que recebi ele tem pelo menos a mesma quantidade que eu de navios. É um embate quase justo.
― Dependerá da artilharia que ele vai usar. ― relembrou Jason: ― Octavian nunca foi um lutador ou estrategista decente, mas era bom em arrumar aliados vigaristas e até mesmo templários.
Reyna torceu o lábio, concordando: ― Ele tinha suas artimanhas.
― Pretende atacar primeiro ou esperar? ― Piper perguntou, servera.
― Esperar. ― admitiu: ― Eu estou esperando pelo Jackson voltar do Píer. Ele saiu há um tempo, mas pela conversa que estávamos tendo, a melhor opção é esperar. Tanto o Jackson quanto eu ficamos quase um ano fora dos mares do Caribe, não sabemos quantos aliados realmente o Octavian possui.
― O Percy vai lutar ao lado de vocês? ― perguntou Leo.
Sabia que o Jackson nunca perderia aquela oportunidade, mas ouvir isso diretamente de Reyna o deixava com um gosto amargo na boca.
Não tinham mais a mesma amizade de antes, e qualquer menção ao Capitão o deixava arisco.
― Sim. ― respondeu Reyna, desgostosa: ― Ele estava relutante no começo, mas um pouco de ameaça nunca matou ninguém.
― Ameaça? ― Jason indagou, arqueando a sobrancelha.
― O templário dele me atacou, lembra? ― ressaltou a Ramirez, ressentida: ― Além disso, sou eu quem tem uma fragata de quinze navios, não ele.
― Nada mais justo. ― Leo murmurou para si mesmo, imaginando a revolta de Percy ao ser encurralado pela Ramirez.
Deve ter sido impagável.
― Suponho que vão nos ajudar nessa batalha? ― Reyna perguntou diretamente, sem tirar os olhos do mapa rabiscado.
― Não publicamente, mas sim. ― Jason respondeu. A Ramirez riu, satisfeita.
― Ótimo. ― exclamou.
― Jason! ― falou uma voz grave ao fundo, as sílabas leves de quem está genuinamente feliz em ver alguém.
Leo se virou para a escada, vendo Percy, Annabeth e Grover caminhando até eles. O Capitão vinha na frente, cheio de sorrisos e acenos de mãos. Jason respirou junto, reprimindo qualquer ressentimento que tinha com o antigo amigo. Leo viu Piper tensa do outro lado da mesa. Não podia culpá-la, mais pessoas naquela mesa odiavam o Jackson do que realmente o apreciavam.
Percy Jackson era bom em cultivar inimigos por onde passava.
― Perseu. ― Jason o respondeu, um sorriso falso delineando seu rosto. O Jackson parou na mesa, olhando ao redor com o cenho franzido.
― Onde está o Nico?
― Esse já era. ― Reyna respondeu maldosamente, sacudindo a mão em desinteresse.
Percy arregalou os olhos, abrindo a boca para dizer algo, mas Leo o interrompeu, desferindo um soco na mesa imunda de bebida seca e melada. Um trinco ganhou vida sob sua mão, rachando a mesa com o impacto.
Os dois capitães o encararam, chocados. Leo raramente se revoltava desta forma, não quando fazia parte de suas tripulações. Mas agora era diferente. Leo não lhes devia nada, e a única pessoa a qual serviria sem questionar estava do outro lado do oceano, ferida e sem o apoio de sua tripulação.
Leo estava irado.
― Faça mais uma piadinha dessas Ramirez e eu não respondo por mim. ― ralhou Leo ameaçadoramente, sua mão descendo para a arma no coldre em sua cintura.
Reyna ergueu os ombros, raivosa.
― Acha que me intimida? Até onde me lembro você sempre foi péssimo em lutas. ― uma humilhação básica a qual Leo se deixou ser atingido, firmando a mão no punho da arma.
― Mas sempre fui bom em construir coisas que explodem. ― ratificou por fim, mordaz. Ramirez rosnou, prestes a voar em sua garganta por cima da mesa.
Ao seu lado, Percy gargalhava da situação ultrajante. Reyna poderia ver a atitude de Leo como perigosa e hostil, mas poucas coisas realmente assustavam o Jackson. Como um semideus em toda sua glória, Percy ria em frente aos inimigos enquanto os matava com sua espada e armas de fogo.
Só havia um único monstro naquela mesa, disfarçado por trás de sorrisos e uma postura boêmia.
Leo trincou o maxilar, tentando conter sua ira. Jason segurou seu ombro com firmeza, o forçando a abaixar a mão. Reyna respirou fundo, o olhar fixo no Bossum.
Percy resolveu cortar a tensão na mesa.
― Certo, certo, mas me expliquem logo onde está o Nico?
― Tivemos problemas na Europa, ele teve de ficar para trás na Itália. ― respondeu Jason: ― Mas não ficaria surpreso se ele aparecesse em alguns meses em Tortuga com navio e tripulação nova antes que possamos pensar em buscá-lo.
Leo estremeceu com a mentira. Não iriam buscá-lo, e esse fato havia dividido o Caronte em dois. Percy aquiesceu, nada surpreso com a ideia.
― Concordo.
― Buscá-lo? ― indagou Annabeth: ― Não acho perspicaz.
― Annie...
― Não me venha com Annie, Perseu. ― ela falou, apoiando ambas as mãos na mesa: ― É pura lógica. Nico veio da Itália, então ele não vai ter nenhum problema em se adaptar novamente, mas retornar para a Europa que aprovou uma lei de caça aos piratas onde todos os países do continente assinaram? Seriam tolos em voltar por um único homem.
Leo abriu a boca para rebater outra vez, mas Jason respondeu antes.
― Concordo com isso. ― disse Jason, sério. Leo inflou o peito ao seu lado, contrariado: ― Não vale a pena voltar por Nico a essa altura. Ele vai voltar por conta própria.
― Ele se machucou, Jason. ― Piper rosnou nervosa: ― Não deposite tanta fé de que ele realmente está bem.
Jason a encarou, repreendendo-a. Annabeth arqueou a sobrancelha pela informação extra e desnecessária. Leo segurou um xingamento.
― Mais um motivo para não voltarem. Ele pode estar morto, e até onde sei mortos não podem ser resgatados. ― encerrou Annabeth, seu olhar preso ao mapa: ― Voltando ao assunto dos vivos, acredito que essa seja uma boa área de emboscada. Pelo que nosso informante nos disse, a fragata de Octavian é de piratas novatos e sem conhecimento de guerra ou navegação adequada.
Leo suspirou mais leve com a mudança súbita de assunto. Era sempre assim quando falavam sobre algo que ela achava desnecessário. Esse era um dos motivos de odiar a tripulação do Jackson com todo seu ser: Annabeth Chase.
Percy ficou ao lado dela, ouvindo suas estratégias enquanto Reyna debatia e refutava outras.
Jason opinou um pouco, mas ele não era o estrategista de guerra do Caronte e sim Malcolm. Leo imaginou o motivo dele não estar presente em uma reunião como esta, sendo que Nico sempre o levava junto de Sherman quando o assunto eram ataques ou alianças temporárias.
Leo não sabia o que ele estava fazendo naquela mesa além de coletar ainda mais ódio e desprezo pelos dois Capitães na mesa.
Era sempre o mesmo ciclo vicioso.
Jason tendia a fazer as coisas bem diferentes do Nico, e isso se tornava mais evidente com Nico longe, impossibilitado de podar Jason e suas ideias controversas.
― Se atacarmos com metade da frota inicial, Octavian acreditará que está na vantagem. ― Reyna comentou, pensativa: ― Conheço como ele funciona, seria uma boa tática.
― Mas muito previsível. ― negou Annabeth.
― previsível, mas eficaz. ― rosnou Reyna.
― Deixa de ser eficaz quando o inimigo espera por ela. Atacar com tudo que tem de direções diferentes é a melhor solução. ― insistiu Annabeth, apertando os olhos de forma nervosa.
― Isso sim é ser previsível. ― Reyna disparou, raivosa.
― Não tanto quanto um ataque com fragata fragmentada! ― cuspiu a Primeira Imediata. Percy entrou no meio das duas antes que uma arrancasse o sangue da outra.
― Annie, eu concordo com a Reyna. ― falou Percy, suavemente. A mulher arfou, ofendida: ― Mas não em dividir no meio e sim em três partes. Cada uma delas liderada por nós. ― falou Percy, apontando para os três Capitães presentes.
― Dividir minha fragata entre líderes diferentes? ― Reyna ponderou: ― Vai dar na mesma se dividirmos no meio, seu animal.
― Não se cada um de nós usarmos nossas habilidades a nosso favor. ― Jason os interrompeu, chamando a atenção da mesa para ele: ― O Caronte faz ataques noturnos, muitas das vezes queimando e levando navios para o fundo do mar na surdina. Podemos fazer isso novamente, seria o elemento surpresa.
― Ninguém sabe que o Caronte está realmente envolvido, só há boatos. ― murmurou Annabeth, imersa em pensamentos. Jason concordou:
― Seria uma forma de derrubar um terço da fragata do Octavian, mas para isso teríamos de ter plena noção de contra o que vamos lutar.
― Isso não é um problema, o problema mesmo é como vamos fazer esse tipo de organização. ― Reyna resmungou, gesticulando com as mãos: ― O Caronte é nosso elemento surpresa, mas minha dinâmica de trabalho com o Nico era uma coisa, minha dinâmica com você, Grace, sempre foi um desastre.
Jason tencionou os ombros com o ataque de sua antiga Capitã. Leo o viu fechar os punhos, uma raiva velada e contida em seus olhos azuis.
― Trabalhávamos no mesmo navio e com a mesma tripulação. É diferente agora. ― rebateu Jason, fingindo não se abater com a ofensa.
― Concordo. ― Annabeth disse: ― Por mais que eu goste mais dos métodos do Nico, não duvido da capacidade do Jason de fazer um estrago. Além disso, a pessoa por trás dos ataques é o Malcolm, então continuaríamos tendo as mesmas estratégias.
― Realmente. ― Leo concordou, sarcástico: ― Talvez o melhor seja trazer ele pra discutir com você os planos de ataque.
Annabeth arrebitou o nariz, devolvendo o comentário com acidez.
―Seria o único que entenderia meus pontos de vista e estratégias.
― Que são uma droga. ― Reyna trovejou, sem paciência.
― Tem algum problema comigo, Ramirez? ― indagou Annie, ameaçadora.
Reyna sorriu felina: ― Não sei, você tem?
― Aye-aye, vocês duas! Não precisamos de uma demonstração de força aqui, sabemos do que são capazes. ― Grover falou pela primeira vez desde que chegou, apaziguando a situação: ― Se já temos as coisas mais ou menos decididas eu voto por uma rodada de Rum.
Percy gargalhou, passando seu braço pelo pescoço do Grover:
― Ai falou minha língua, amigão. ― disse contente: ― Estamos em um bar em Tortuga, vamos parar de falar de negócios e encher a cara.
Annabeth suspirou, mas sorriu, concordando.
― Vamos entornar. ― Bradou Reyna, repentinamente menos hostil: ― Madonna! Trás uma rodada pra nós!
Todos se sentaram outra vez e logo várias canecas de ferro cheias de rum foram depositadas na mesa. O único apaziguador de piratas verdadeiramente eficaz era a bebida.
Deus abençoe o Rum!
Annabeth sentou perto de Piper e as duas começaram uma conversa não muito amigável. Jason permaneceu tenso ao lado de Leo, deixando o Bossun intrigado.
Sherman havia pedido que prestasse atenção no Jason, em suas atitudes e linguagem corporal. Não sabia o que levou o Sherman a pedir tal coisa, mas ali, observando a tensão em seus músculos geralmente relaxados, começava a notar certas diferenças em sua atitude.
Uma voz maldosa no fundo de sua mente replicava a ameaça de Travis, a possibilidade de um motim planejado há muitos anos. Leo desejava, com tudo que tinha, que estivesse errado, mas era cedo demais para entrar na frente de um arma por Jason.
Cedo demais para defendê-lo cegamente.
― Quero saber coisas pessoais agora. ― Reyna falou, voltando a atenção das pessoas para: ― O que diabos aconteceu na Europa pra vocês sumirem com o Nico?
― Um ciclone. ― Leo respondeu, se integrando na conversa: ― Fomos pegos e arrastados para dentro de uma baía na Itália. Fomos atacados sem termos tempo para pensar muito.
Reyna estalou a língua: ― Malditos marinheiros.
― Piper disse que ele foi ferido. Como? ― Percy questionou, seu tom doce e preocupado.
Era nojento.
― Ferimento no abdômen. Uma espada o atravessou. ― Leo comentou, estremecendo com a lembrança tão viva em sua memória.
Percy estremeceu também.
― E com um ferimento desses tem certeza que ele está vivo? ― Percy comentou, uma tristeza em sua voz: ― Sem querer agourar, mas esses ferimentos são fatais.
― No pior dos casos ele foi pego pela marinha e enforcado. ― Reyna gargalhou, virando a caneca de rum de uma única vez. Percy torceu o lábio, mas não disse nada contra a Pretora.
Leo ficou contente com seu silêncio sobre o assunto. Daquela mesa, o único que não tinha direito algum de pensar no bem estar de Nico era o Jackson. Leo ainda não compreendia como Nico conseguia agir tão amigável perto dele por todos aqueles anos.
Só de lembrar da história de Nico sobre o Jackson, uma fúria colérica se apossava de seu sangue, aumentando a pressão em seu sistema. Havia motivos o suficientes para Leo odiá-lo, mas o que ele fez com Nico era motivo o suficiente para que desejasse explodir o Argos II com todos dentro.
Isso ainda estava em seus planos, o dispositivo guardado dentro de uma de suas caixas no compartimento de armas, esperando por uma oportunidade de ouro.
― Vocês comentaram algo sobre um informante. ― Jason relembrou, intrigado: ― Quem seria?
― Nosso melhor espião. ― Percy respondeu, a feição séria: ― Ele está conosco há alguns anos, mas entrou depois que o Leo saiu.
― Como ele não tem muita fama nos mares, se infiltrar como um pirata do Octavian foi fácil, já que o idiota não busca lealdade, só poder. ― Grover completou.
― Nós o chamamos pra nos integrar de mais informações. ― Annabeth disse olhando ao redor pelo bar: ― Ele veio conosco até aqui, mas nos separamos no andar de baixo.
― Mais um bêbado maldito, então. ― Reyna ralhou, já alterada. Leo rolou os olhos.
― De bêbado maldito você entende né? ― zombou Leo, recebendo um dedo do meio da Ramirez.
― Falando no capeta. ― Percy comentou, acenando para a pessoa que subia as escadas letárgicamente.
Um rapaz de pele escura em tons acobreados se aproximava da mesa. Possuía olhos âmbar e o cabelo loiro preso com trança raiz na lateral direita da cabeça. Vestia uma roupa em tons pastéis, mas que pareciam tão encardidas quanto panos de chão recém usados.
Em uma das mãos segurava uma garrafa de bebida enquanto a outra estava apoiada na bainha de sua espada. Ele não aparentava estar bêbado de verdade.
Ele parou em frente à mesa, tomando um gole generoso da bebida. Sorriu para eles de forma contagiante e energética:
― Muito prazer, sou Austin Solace e acho que vão gostar das informações que eu tenho para vocês.
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