Notas iniciais
Yo Ho Marujos.

Primeira fic de piratas do Caribe que posto, espero que gostem.

Boa Leitura.

— Virar a bombordo, preparem os canhões! – A voz rouca da Capitã estava quase inaudível por conta da movimentação e gritaria no convés do Dama de Ferro. O navio já havia perdido um mastro, e os canhões do Corsário não estava dando trégua e o Capitão do navio inimigo não apresentava índices de render-se. Marie Ann segurava o timão com força enquanto sua tripulação se preparava para atacar a embarcação inimiga.
— Não vamos conseguir Capitã, já perdemos dois canhões... – Jane, a primeira imediata, estava ao lado de Marie aflita com a possibilidade de naufragar ou pior, serem rendidas.
— Desamarrar as velas, soltar as amarras... A todo pano! – Gritou a Capitã em resposta as reclamações da parceira. Correu para o convés e começou a carregar os canhões.
Uma tempestade estava se aproximando, a garoa já caia sob a pele queimada das piratas e o mar se agitava com violência. Jane assumiu o timão e tentava levar o navio o mais distante possível do inimigo. A movimentação no convés não cessava, todas as tripulantes trabalhavam arduamente para saírem vivas e salvar o navio.

No corsário, Lorde Garth estava decidido a afundar a embarcação pirata. Comandava o timão enquanto seus homens trabalhavam no convés carregando os canhões.
— Senhor, estão na mira. Aguardando ordens. – O contramestre anunciou calmamente ao capitão. O homem sorriu brevemente.
— Ordens aceitas... – Respondeu.
— Fogo! – Gritou o contramestre para os marujos, que atenderam no mesmo segundo atirando no navio pirata.

As balas acertaram a poupa e Marie não conseguia ganhar distancia para sair do alcance. Os buracos no navio começaram a ser um problema, e ela sabia que logo iria naufragar.
— Capitã... O deposito já esta inundado – Gritou uma mulher da tripulação, e a Capitã do Dama de Ferro sabia que não havia nada que poderia ser feito.
— Abaixar a bandeira... – Respondeu com tristeza no olhar. Todas as trinta mulheres da tripulação pararam com os afazeres e a encararam em silêncio.
— Marie...
— Acabou Jane... Ou nos entregamos ou afundamos. Abaixar a bandeira! – Gritou frustrada. A bandeira pirata foi baixada, e o Corsário cessou fogo, pois sabia que a vitória tinha sido deles.
Marie Ann deu ordens para amarrar as velas, e em poucos minutos o corsário alcançou o navio da pirata. Ao cair da chuva forte o convés do Dama de Ferro estava repleto de homens uniformizados apontando suas armas para toda a tripulação. A capitã permaneceu atrás do timão vendo suas mulheres serem rendidas. Lorde Garth caminhou lentamente pelo convés indo ao encontro da moça.

— Admiro sua astucia, embora fosse em vão – Disse o homem, com um sorriso provocante nos lábios.
— Atacando navios em alto mar... A realeza ultimamente vem surpreendendo. – Retrucou Marie de forma ríspida.
— Não há mais espaço para vocês no nosso mundo, senhorita. Os justos herdarão a...
— Justiça? – Interrompeu a mulher – Não... Não há justiça em seu meio. Seremos julgadas sem defesa, o qual resultara em forca.
— Naturalmente... E isso não é justo? – Respondeu o capitão.
— Acredito que tenha conhecimento sobre o código dos Piratas, Lorde. – Marie estava aparentemente calma, mas em seu interior desejava cravar sua espada no coração do carrasco.

— Não é um assunto no qual eu domine. Mas o que isso tem a ver com justiça? – Garth se aproximou da capitã, que permaneceu parada de cabeça erguida.
— Temos um termo... Uma palavra simples a qual usamos quando somos rendidos por inimigos. E temos a proteção dessa palavra, não podemos ser mortos ou molestados sem antes ter o julgamento do capitão do navio...
— Parola... – Sussurrou Jane, já presa nos grilhões junto de suas companheiras.
O Comandante do corsário encarou Jane e sorriu, voltou a olhar para a Capitã de forma irônica.
— Não somos piratas. Seu dialeto imundo não tem qualquer sentido sobre as ordens reais.
Marie Ann sorriu, e deu um passo a frente.
— Deveras... Eu sempre soube que os mais cruéis piratas andavam de peruca.
O Lorde lhe deu um tapa da cara assim que terminou a frase, não admitia ser comparado com aquela raça que aprenderá odiar desde criança em Port Royal.
Marie cuspiu um pouco de sangue, mas não tirou o sorriso do rosto, o que deixou o Lorde ainda mais irritado. Rendeu a Capitã a colocando nos grilhões e levou toda sua tripulação para as celas no interior do Corsário. Antes de partirem para Port Royal Garth deu ordens para que afundassem o formoso navio de velas vermelhas. O Dama de ferro estava no fundo do oceano antes do fim da tempestade.

Com o avanço da civilização e recursos, Port Royal tinha se desenvolvido rapidamente em áreas de segurança e controles marítimos. Era quase impossível surpreender o porto real com invasões e saques. As piratas foram postas juntas na mesma cela, a população comemorava mais uma vitória sobre os ladrões do mar. Ao cair da noite, Marie e suas garotas observavam o luar por entre as grades, aproveitando a ultima noite antes de irem para a forca pela manhã.
A capitã carregava consigo um cantil de couro, e dividiu com suas companheiras o pouco rum que restava.
— Não podemos desistir assim... – Diana murmurava em seu canto. Diana foi resgatada junto a sua irmã a beira da morte por Marie em Singapura. As loiras fugiram da Espanha após serem acusadas de afiliação com pirataria. Marie suspirou, não sabia o que fazer para acalmar sua tripulação.
— Escutem bem... – Começou ela, depois de dar um gole no rum – Não tenho certeza se veremos novamente o por do sol. Mas sou muito grata por todas vocês...
A capitã não demonstrava seus sentimentos abertamente, mas esta era uma ocasião que não valeria esconder. Sentiu seus olhos ficarem húmidos e voltou a encarar o luar antes que desabasse a chorar. Jane a abraçou timidamente. A imediata estava com a Capitã á muitos mares, quando Marie decidiu entrar parar a pirataria Jane foi quem a ajudou a conquistar o navio e a bela tripulação de damas.

— Fomos atacadas duas vezes em um curto espaço de tempo... Talvez esse seja mesmo o fim. – Daiana, a gêmea de Diana, comentou tentando aceitar o fim. – Prefiro a morte a velejar a comando do rei.
Marie não disse nada, concordou em silêncio. Também preferia a morte. Poderia pedir para que suas garotas escolhessem viver e servir ao rei, mas sabia que seria em vão. Mulheres não iriam para o mar nos costumes reais e ela sabia que as almas aventureiras das piratas não suportariam apenas observar o horizonte de um porto qualquer.

Fechou os olhos e se concentrou no barulho do mar distante. As ondas quebrando na praia, o som da maresia quando o vento forte soprava. Jurou que poderia ate sentir o cheiro salgado que se misturava com a madeira do navio. Sempre quis morrer na sua casa... O mar. Sentiu vontade de chorar, queria seu navio de volta, e desejou com toda a força ter afundado com ele na mesma manhã.

A madrugada caiu silenciosa. A comemoração dos moradores de Port Royal sessou cedo, e só se ouvia o latir de cachorros e alguns cavalos passando de tempos em tempos. Marie estava debruçada na janela gradeada enquanto suas parceiras dormiam. Via o horizonte azul escuro e sorria pra si mesmo, não se arrependia da vida que levou. Por trás da personalidade forte e determinada, Marie Ann era uma linda mulher. Tinha o corpo esbelto e curvas acentuadas; a pele branca era maltratada pelo sol, mas mantinha sua cor original por debaixo dos panos. Os cabelos negros iam até a altura da cintura, ondulados como as ondas. Os olhos eram castanhos claros, e teria um rosto delicado se não fosse pela cicatriz no olho esquerdo, que a deixou cega do mesmo. A cicatriz descia até os lábios, e a Capitã usava um tampão a deixando mais suave.

Jurou matar o pirata que fez isso com ela, mas ainda não tivera a oportunidade de reencontra-lo. E provavelmente nunca teria.

Cansada, a Capitã decidiu dormir e parar de sonhar com aventuras que nunca mais viveria. E em uma ultima olhada pro horizonte ela deixou uma lagrima escorrer. Deitou-se ao lado de Jane e adormeceu rápido, sonhando com a liberdade.

Assim que ela saiu da janela um navio de velas negras apontou no horizonte, em direção ao porto, seguido por outro navio que emergia do mar.

Notas finais
Ficou meio curtinho mas é só a introdução mesmo. Vejo vocês no próximo capitulo ^^