Pintura Intima

50 Capitulo 49- A memória que chegou tarde


Notas iniciais
N/A: Sem Betagem, mas relido e feito com carinho. Desculpem os errinhos.

Quantas vezes não desejamos absurdamente saber de algo antes que tudo aconteça?

Petúnia Dursley não costumava receber visitas durantes as quartas. Era dia de natação de Dudley e ela aproveitava para ter um tempo só para si, então, quem quer que fosse merecia ser mal recebido por chegar se avisar. Andou até a porta da frente com uma carranca e abriu-a bruscamente. Sua expressão mudou radicalmente, primeiro surpresa, depois se congelou numa mascara de indiferença. Sua voz, porém, não disfarçou a emoção

—Lílian?

—Olá Petúnia. Posso entrar?- A mais velha olhou para o menino no colo dela, era risonho e brincava com a mecha de cabelo ruivo da mãe. Era a cópia do bruxo insolente que escondeu sua irmã do mundo normal

—Ele, ele...É seu filho?

—Sim.- Sorriu- Posso?- Apontou com o queixo para dentro

—Não. Seja o que for, pode falar aqui.

—Bem, eu trouxe Harry para você conhecer.- Sorriu sem jeito- E queria... Queria...-Suspirou- Queria ver se podemos nos reaproximar. Eu soube que teve um filho, eu realmente gostaria que os meninos pudessem se conhecer e...- Petúnia a olhou com raiva

—Depois de todos esses anos? Depois de ter me deixado sozinha quando eu mais precisava de você? Ainda sinto a morte de nossos pais.

—E eu perdi muitas outras pessoas além deles. Por causa dessa guerra.

—Não quero saber dessa guerra de anormais.

—Espero que não sinta quando eu morrer.

—O que quer dizer?

—Estou sendo caçada. Meu filho está sendo caçado. Gostaria que o conhecesse antes que algo aconteça comigo.- Petúnia cruzou os braços. O menino a olhou timidamente, tinha os olhos verdes iguais os da mãe

—Deixe de dizer bobagens, nada vai acontecer a você. Vazo ruim não quebra. Além do mais.- Olhou para o menino que acenava timidamente para ela- Meu marido não quer que eu tenha contato com gente da sua laia. Passar bem.- Fechou a porta na cara da irmã e encostou nela. O peito arfando. Subindo e descendo. Sentiu lágrimas nos olhos e levou a mão ao peito. Fechou os olhos e sacudiu a cabeça. Uma preocupação forte passou por sua cabeça. Não podia perder sua irmã também. Mesmo que não se falassem mais, ela era a única pessoa que ainda restava de sua família.

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Mellani acordou assustada e sentou num pulo. Seu peio subia e descia sem parar, ela novamente tinha sonhado com aquele comensal e o ataque a ele. O ombro ferido. Franziu o cenho com um medo anormal. Olhou para o relógio no criado mudo. Marcava 3 da manhã de 27 de outubro. Sirius passaria o aniversário longe de James, o primeiro desde que entraram em Hogwarts. Encarou o jovem deitado ao seu lado e franziu o cenho em preocupação. Passou o dedo pelo espaço entre as sobrancelhas dele. Ele e Lísis sentiam mais falta dos Potter do que ela. Não que lhe cortasse o coração estar a quase 15 dias sem vê-los, mas não poderia forçar um encontro ou ao menos trocar cartas. Era muito perigoso e ela se adaptou, agora Sirius, que não gostava de mudanças que o desagradavam e Lísis que tinha apenas dois anos e quatro meses, eles estavam sofrendo. Tinha brigado seriamente com Sirius, antes de dormir, quando soube que Peter era o novo fiel do segredo. Aquilo a deixou completamente insana, mas ninguém lhe ouviu. Sirius a acusou-a de estar colocando suas desavenças pessoais acima da segurança dos amigos, e mesmo sabendo que ele tinha razão em boa parte das coisas que disse, ela ainda estava se preocupando. Ninguém mais sabia daquilo e a loira estava pensando seriamente em avisar Remus.

Ela levantou pegando a varinha e prendendo no cós da calcinha. Estava com sua camisa do Stones, já bem velha, e que Sirius tanto adorava. Foi até o quarto da filha e suspirou se aproximando do berço. O abajur lançava pequenas estrelas por todo o quarto e uma luz azul assegurava um sono tranquilo para a pequena. Olhou-a. Ela dormia tranquilamente, os pés no lugar do travesseiro e toda torta. Mellani sorriu e arrumou-a, tirando o bracinho debaixo do corpo. A menina resmungou entre o sono e continuou dormindo. Mellani sentiu um nó na garganta ao pensar que talvez Lily estivesse acordada naquele exato momento, olhando para o seu filho no berço enquanto pensava com pavor que um dos piores bruxos do mundo estava caçando-os. As lágrimas vieram aos seus olhos e ela fez um carinho nos cabelos de Lísis. Ouviu um barulho vindo da sala e franziu o cenho. Seu coração disparou. Saiu na ponta dos pés e selou a porta do quarto da filha com um feitiço. Andou esgueirando-se pela parede e viu um vulto olhando algo na mesinha de centro. Olhou em volta, viu apenas aquele vulto. Franziu o cenho e abaixou, andando de joelhos por trás do sofá. Levantou lentamente e contornou o vulto. Encostou a varinha na nuca do invasor e com a voz cheia de nojo questionou

—Quem é você? O que está fazendo na minha casa?- A pessoa levantou as duas mãos e virou lentamente, os olhos presos em pavor

—Sou eu Mellani. Sou eu.- Era Peter. A garota não abaixou a varinha, continuou olhando-o de cenho franzido. A luz da rua iluminou o rosto do rapaz

—O que está fazendo esgueirando-se na minha casa às 3 da manhã?

—Eu vim a-avisar...

—Como entrou aqui?

—Sirius me deu autorização, uma vez que sou o fiel do segredo ele disse que se algo acontecesse...- Mellani abaixou a varinha e o encarou em pânico

—O que houve?- Segurou-lhe pelo ombro direito forçando-o a sentar. O rapaz encolheu-se quando ela segurou seu ombro e fez uma careta de dor. Com medo de ter acontecido algo com os amigos Mellani não reparou naquele detalhe

—Então... Eu... Ouvi dizer que Lorde Voldemort já escolheu a família que ele irá atacar.

—Que seria?

—Não sei. Falaram que ele já escolheu, aparentemente são os Longbotton, mas eu não sei se...

—De onde tirou a ideia de que podem ser os Longbotton?

—Da minha fé de que meus amigos sobrevivam.

—Você é nojento.- Ela respondeu com raiva- E porque raios veio aqui? Deveria ter reportado isso a Dumbledore.- Peter a mediu de cima abaixo- Que foi? Nunca viu uma mulher sem roupas?

—S-Sirius n-não vai gostar de s-saber que...- Ela bufou e olhou para mesa, sua pasta com alguns relatórios estava remexida. Ela levou varinha à garganta do rapaz novamente

—Estava mexendo nos meus relatórios por quê? Em desgraçado?

—Eu esbarrei na mesa quando você me deu um susto.- Respondeu com a voz sufocada pela varinha- Nós estamos do mesmo lado sua maldita. Para de me tratar como se eu fosse um comensal.

—Mellani.- A voz de Sirius soou irritada atrás de si- Peter tem razão. Largue-o.- O jeito assustado que ele a olhou lhe fez revirar os olhos. Ela saiu de perto e estendeu os braços

—Como queira. Quando terminar com esse pedaço de bosta limpe o sofá.- E saiu de volta para o quarto da filha. Não estava com sono.

—Desculpe por isso.- Peter deu de ombros e passou as noticias a Sirius. O moreno ficou por horas debatendo as possibilidades com Peter e garantindo, mesmo sob os protestos do amigo, que iria checar sua segurança quase todas as noites. Como tinha prometido a James. Mais tarde o loiro revolveu ir embora.

Rabicho estava bem irritado com Mellani e sua intromissão e mais irritado ainda por ter que aturar Sirius e suas estratégias ridículas. Bufou. Ele ainda não entendia porque teve um momento de hesitação. Deveria ter entregue os Potter assim que recebeu a informação no dia anterior. Ainda mais sabendo que não era tão fácil conseguir falar com seu mestre numa situação daquelas sem revelar aos comensais invejosos o trunfo que tinha em mãos. Ele sabia qual era o problema. Não tinha certeza se Voldemort pouparia James apenas por ele ser um sangue puro. Não queria que o amigo morresse tendo uma linhagem tão nobre. Queria-o livre da influência da sangue ruim. Rumou para casa, decidido. Se James morresse seria bem feito para ele por ter se metido onde não devia. Pensar no quanto Sirius iria sofrer lhe dava coragem. Ele tinha um plano perfeito em mente. Se tudo desse certo, e conhecendo o lado impulsivo de Sirius como conhecia, sabia que daria, o Black pagaria pela morte do melhor amigo. Matilda se orgulharia dele.

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James suspirou entediado e jogou-se no chão da sala

—Mas por quê?

—James, nem a capa você tem, já não basta o que me aprontou há dois dias.

—Era aniversário do Sirius.

—E aí vocês me saem com camisa da Ordem pra beber em Londres. Deu no que deu, foram perseguidos por comensais e quase foram presos por um policial trouxa! Eu não vou implorar que Dumbledore lhe devolva a capa já que foi assim que fugiu. Isso não é uma brincadeira, estamos sendo caçados. E aquela moto estúpida do Sirius chama atenção de mais- A ruiva andava pela cozinha, apoiando Harry no quadril. O menino estava com seu pijama favorito, um azul de listras.

— Nem era pro velho ficar com minha capa tanto tempo. É Halloween, Harry merece ao menos uns docinhos. Deixa eu sair.

—Não! E Dumbledore queria analisar sua capa só isso.

—Nem precisava.

—Bem, essa capa está na sua família desde quando?

—Desde sempre.- Ele resmungou- Mas isso não é motivo.

—Claro que é. Para se ser resmungão. Toma, vai distrair o Harry, ele tem chorado desde a semana passada por causa da Lísis.- O menino estava com o nariz vermelho por causa da última crise de choro. James o pegou e bufou

—Lily...

—Chega James, já me basta Harry chorando por ficar preso.- A ruiva respondeu pegando farinha e chocolate- Vou fazer biscoitos. Harry terá os doces de Halloween.

—No último ele era um pomo. Agora é só um bebê de pijamas listrados.

—Ótimo, finja que ele é um mimíco e briquem em silêncio.- James não aguentou e começou a rir

—Poxa, mamãe está brava.- James fez um barulho com a boca e Harry imitoi. Lily começou a rir. –Você é uma mau humorada. — James mostrou a língua para a esposa que deu de ombros risonha. Harry arrancou os óculos do pai e tentou colocar no próprio rosto. James riu e foi com ele para sala.- Mamãe mau humorada, né Harry?- O moreno olhou pela janela e recuperou seus óculos colocando-os. Pelo menos podiam deixar as cortinas abertas para observar as crianças.- Papai vai fazer seu Halloween ficar melhor.- Riu e colocou o menino no tapete. Sentou ao lado do filho e encostou-se ao sofá. Fez um movimento de varinha e soprou a ponta. Harry riu maravilhado ao ver as bolas de fumaça colorida saírem da varinha do pai. O pequeno levantou com esforço, tentando pegar os espirais de cores e rindo sem parar. James riu junto e começou a cantarolar uma música enquanto assoprava mais formas para o filho brincar. Logo o cheiro de biscoitos encheu o ar. Alguns minutos depois Lílian abriu a porta da cozinha e saiu.

—Ahhh eu vim ver que gritaria feliz é essa. E também chamá-los para comer uma fornada quentinha.- James sorriu, pegou Harry e entregou-o a Lily. Com as perninhas balançando em empolgação o pequeno foi com a mãe. James jogou a varinha no tapete e esta rolou para baixo do sofá. James piscou para a esposa e ela sorriu

—Eu te amo.- Ele sussurrou e ela sorriu sussurrando de volta

—Te amo.-Lílian iria inclinar-se para dar um beijo no marido, mas um estrondo na porta os fez agachar em choque. James levantou e arfando a olhou com pânico. Os olhos dela encheram-se de lágrimas. Foram traídos. Foram traídos e iriam morrer. Em menos de dois segundos James pulou pelo sofá e foi em direção a porta. Harry estava estranhamente calado, mesmo com o barulho da explosão. Quando chegou a porta o Maroto a olhou, os olhos marejados, ao invés de correr, ao invés de tentar safar a própria pele ele a olhou uma última vez, com lágrimas presas nos olhos e gritou

— Lily, pegue Harry e vá! É ele! Vá! Corra! Eu seguro-o aqui!- Ela sabia que ele não podia, que estava sem varinha, mas isso não a impediu de correr para cima, sem varinha, apenas para salvar seu filho. Ouviu o momento em que uma voz áspera gritou — Avada Kedavra!- Ela entrou no quarto chorando. Colocou Harry no berço enquanto empilhava as coisas sem parar contra a porta. Poderia ganhar tempo, vendo se conseguia escapar pela janela. Harry ficou calado no bercinho, os olhos seguindo os movimentos de sua mãe. Ela empilhou o máximo de móveis que conseguiu a porta e amaldiçoou-se por esquecer a varinha na cozinha. Seu coração estava apertado e sua garganta fechada. Não conseguia conter as lágrimas. James estava morto, James tinha morrido. Ela não podia acreditar naquilo

—James...James!-Chamou gritando e correu até a janela, tinha uma saída, dava para ela se pendurar na cerca viva e descer, só precisava prender Harry em seu corpo com um lençol para descer mais rápido. Pegou o menino no colo e olhou em volta procurando uma manta ou lençol que fosse suficiente grande para amarrá-lo sem colocá-lo em perigo. Não deu tempo de fazer absolutamente, nem de pegar o lençol, muito menos de fugir pela janela. A cadeira e as caixas empilhadas foram empurradas para o lado com magia e ele entrou. Ela pode sentir a morte do marido ao olhar nos olhos vermelhos dele. Num ato desesperado colocou o filho no berço, precisava protegê-lo, de qualquer jeito. Esticou os braços, na frente do berço, seu coração esmigalhado pela dor de perder o marido e pelo desespero de ver o filho ser assassinado

— O Harry não, ele não! Por favor, o Harry não!- Ela sentiu o nojo e o medo no olhar dele — Sai da frente garota tonta… Sai da frente agora. — O Harry não, por favor, não! Leve-me! Mate-me ao invés…- Ela precisava tentar qualquer coisa. Sem conseguir conter o pranto desesperado soluçou — É o meu último aviso… — O Harry não! Por favor… Misericórdia… O Harry não! Por favor… Faço qualquer coisa…- Seus soluços preenchiam o local, que ela e James morressem, mas seu filho precisava ser poupado, seu filho precisava viver. Ela não suportaria vê-lo morto — Sai da frente! Sai da frente, garota!- E levantou a varinha para ela, como em câmera lenta ela viu o raio verde vindo em sua direção e nada, absolutamente nada a salvaria dessa vez. Seu coração quebrou-se em mil partes congeladas ao pensar no filho e ela gritou o nome de seu bebê com força, pensando, no seu último segundo de vida, em salvá-lo.

A luz verde iluminou todo o quarto e ela caiu como o marido. A criança não havia chorado todo esse tempo. Continuava segurando nas barras do seu berço e levantou o olhar para o rosto do intruso com interesse. Pensando talvez que seria o seu pai escondido por baixo da capa, fazendo mais efeitos luminosos, e sua mãe se levantaria a qualquer momento, rindo. Voldemort apontou a varinha muito cuidadosamente para o rosto da criança. Ele queria ver a destruição deste perigo inexplicável. A criança começou a chorar. Percebeu que não era James. Voldemort nunca tinha tido paciência para suportar os pequenos chorando no Orfanato… — Avada Kedavra! E então tudo deu errado e ele desfez-se. Ele não era nada, nada além de dor e terror, e precisava se esconder, não aqui nos escombros da casa em ruínas onde a criança que tinha sido emboscada gritava, mas longe… muito longe…

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Mellani sentou-se na cadeira da cozinha. Sentia a cabeça doer, seu corpo parecia envolto de um frio sem explicação. Olhou pelo balcão e viu Sirius dormindo no sofá. Lísis estava deitada em cima dele

—Mel...-Ouviu uma voz chamar ao seu lado e piscou confusa. Parecia a voz de James, chamando-a num sussurro triste. Sentiu o coração apertar muito forte e fechou os olhos. Ao fazer isso à memória do ataque aquele comensal nojento voltou a sua mente como um flash e logo em seguida o dia em que surpreendeu Peter dentro de sua casa. Sua mente se dividiu em dois momentos, vendo o olhar de pânico do comensal e vendo o olhar de pânico de Peter. Logo em seguida ela lembrou-se da careta de dor que o loiro fez quando ela lhe forçou a sentar pelo ombro. Mellani se levantou num pulo.

—SIRIUS!-Gritou sentindo uma dor dilacerante no peito- Sirius!- Lísis começou a chorar e o rapaz pulou do sofá com a filha no colo. Mellani apoiou-se na parede, os olhos perdidos no chão. Não podia ser, não podia. Peter precisava ser impedido

—O que foi? Está com dor?- Lísis ainda chorava. Mellani segurou o ombro de Sirius e olhando-o com desespero disse

—Peter irá traí-los. Peter irá traí-los. Precisamos impedir precisamos pegá-lo antes que ele entregue nossos amigos a Voldemort. Ele mentiu, não estava com Moody em missão alguma aquele dia.

—Do que está falando?

—Lembra, lembra do ataque a Ordem? Lembra do que fiz aquele comensal? Eu te contei, foi no ombro, foi no ombro... Foi...

—Mellani, você está bem?

—FOI ELE! ELE É UM COMENSAL.

—Está assustando Lísis!

—Ele vai matar nossos amigos!

—Eu vou até lá. Vou até a casa dele, estou fazendo isso desde que trocamos de lugar. Não será problema. Se tiver acontecido alguma coisa eu vou saber, vou até lá e te assegurar de que nada houve, ok?- Mellani negou com a cabeça

—Eu preciso impedi-lo.- Lísis aumentou o pranto

—Você vai ficar aqui com a Lísis e eu vou lá.- Entregou a menina na mão de Mellani- Só vou até a casa do Peter para te assegurar que nada aconteceu.- Saiu em direção a porta

—SIRIUS!- Ela gritou irritada e Lísis pulou em seu colo. A loira abraçou-a e tentou tranquiliza-la.

Sirius saiu pela porta da frente, irritado com Mellani. Chegou até a garagem e pegou sua moto, saiu pela rua e logo alcançou o céu. Com mais rapidez do que qualquer outro veículo ele cortou os céus e chegou até a casa de Peter. Estacionou na frente e sem bater ele entrou. Depois de chamar algumas vezes franziu o cenho. Ele não estava em casa. Notou uma ausência de coisas pessoais na casa mesmo que os móveis continuassem por lá e engoliu em seco. Andou até o quarto do amigo e abriu o guarda-roupa. Um certo pânico o dominou ao ver o armário vazio. Saiu da casa meio sem subiu na moto com pressa. Cortou os céus com agilidade e fechando os olhos, sabendo que era arriscado fazer aquilo, apartou, levando a moto junto. Se materializou na praça central de Godric’s . Estranhamente sua mente o levou para outro local e ele acelerou a moto para outro caminho. Estacionou em frente à casa dos Potter, como se subitamente se lembrasse de onde era.

Seu coração parou ao ver a casa destruída. Sentiu o corpo tremer e levou a mão a boca, uma exclamação de terror lhe travou a garganta. O peito começou a subir e descer rapidamente enquanto as lágrimas escorriam. Pessoas começavam a se aglomerar em frente a casa. Sirius correu e empurrou o portão, a distância pareceu enorme e horrível. Sentiu o coração bater mais fraco ao ver a porta destruída e chamuscada.

—NÃO!- Gritou com a voz tremula pelo pranto ao ver o corpo do amigo jogado e sem vida no chão, perto do carrinho de Harry. Ele ajoelhou-se e engatinhou até seu irmão, o peito doendo, o coração pequeno de tanta dor. Soluçou deixando as lágrimas escorrerem-James, James...-Chamou vendo tudo embaçado devido as lágrimas. Pegou o rosto do amigo entre as mãos e arrumou-lhe os óculos- James.- Chorou o nome do amigo e sentiu tanta dor que era como se atacassem sua alma. Não conseguia acreditar, seu melhor amigo, seu irmão por escolha, estava morto, acabo, diminuído a um corpo frio. Os olhos sem vida, abertos em pavor, sem o brilho jovial e alegre. Sirius tremia em cima do corpo, seu pranto sentido o único som no local- Não o meu irmão, não o meu irmão.- Chorava, sem forças para sair dali, sem querer abandonar o amigo. A dor era tão forte que queimava seu peito. Subitamente ele foi arrancado do chão. Esticou as mãos em direção a seu amigo e gritou

—Me deixe ficar com ele, me deixe ajuda-lo.

—Chega de teatrinhos Black.

—SNAPE!- Ele gritou irritado- O que está fazendo aqui seu comensal imundo?

—Você os traiu. Você os traiu!- Sirius sentiu um peso no peito- Como teve coragem? Você pensou que ele pouparia seu amigo só porque era um sangue puro, agora estão todos mortos.- Sirius sentiu ódio de Snape, mas ele queria acabar com Peter e o faria. Peter precisava ser morto

—Me larga Snape.

—Você será preso! Pelo o que fez BLACK.- Sirius não entendia porque Snape estava ali e porque tinha tanto ódio- Ela está jogada lá, morta e sozinha!

—Harry.- Sirius gritou. Ouviram um barulho e logo Hagrid apareceu em meio aos escombros segurando o menino. Sirius correu até o meio gigante- Harry...Está bem? Eu posso ficar com ele? Eu e Mellani somos os padrinhos, preciso ficar com ele, meu afilhado ele...- O meio gigante olhou confuso para Snape e Sirius. Harry o reconheceu e começou a chorar querendo seu padrinho. Sirius esticou as mãos, mas Hagrid desviou, protegendo o menino e enrolando-o num cobertor. Logo sons de aparatação foram ouvidos. Sirius pode ver vultos pretos aparecendo

—Hagrid, pegue minha moto e tire Harry daqui.- Entrou a chave na mão do meio gigante que assentiu e saiu correndo -Onde está Peter?- Segurou Snape com força- Onde ele está? Isso é tudo culpa daquele rato asqueroso. ONDE ELE ESTÁ?

—Não sei do que está falando seu assassino, agora me larga!- Com horror Sirius largou Severus e viu Comensais e membros da Ordem tomarem a rua. Os curiosos corriam para longe. Ele pode ver Peter no meio, entre os membros da Ordem, encenando seu papel mais uma vez

—FILHO DA PUTA. EU VOU TE MATAR, EU VOU TE TORTURAR, EU VOU TE CORTAR INTEIRO ATÉ SOBRAR SÓ O DEDIDINHO SEU DESGRAÇADO.- O Black saiu gritando em direção ao traidor. Peter sorriu maldosamente, ninguém prestava atenção nele, todos olhavam ou Sirius e seus gritos ou a casa arruinada dos Potter. Um campo de batalha se formou por ali, Comensais querendo saber de seu mestre e por as mãos em Harry. Sirius lançava mil feitiços poderosos, tentando acertar Peter a todo custo. O outro rebatia e lançava maldições, mas não acertava o Black tanto quanto era atingido. Os olhos de Sirius flamejavam de ódio e Peter queria que ele viesse, queria que todos vissem o aliado do Lorde das trevas atacando o pobre e gordinho membro da Ordem

—TRAÍDOR!- Peter gritou desviando de feitiços. Sirius o olhou com nojo e avançou. Peter perdeu a varinha e correu até ela, sentindo Sirius atingi-lo pelas costas. As pessoas viram o vil braço direito de Voldemort atacar um membro da Ordem pelas costas. Peter conseguiu sua varinha e virou. Sirius estava em cima dele à varinha em punho. Peter deu um tchauzinho com a mão e Sirius o agarrou antes que pudesse fugir. Ambos lutaram durante a aparatação e caíram na Londres trouxa.

—POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?- Sirius gritou- VOCÊ MATOU SEUS AMIGOS, VOCÊ LEVOU UMA CRIANÇA PARA MORTE!- Peter gargalhou e se viu encurralado

—Matei, entreguei-os ao lorde.- Sorriu de um jeito meio demente- e mataria novamente. E mais vezes apenas para livrar o mundo de gente feito você.- Sirius sentiu o coração falhar e seu estomago enjoou. Estava com tanto ódio e nojo que aquilo afetava seu físico – E você ainda vai perecer por minhas mãos Black.- E jogou feitiços. Sirius defendeu-se, os trouxas em volta ficaram abismados com as luzes e explosões. Peter era um bom duelista, mas Sirius era mais que bom, Sirius era incrível. Quando se viu encurralado Peter começou a acusar Sirius de traidor, gritando o quanto ele era horrível por ter matado os Potter. Todas as pessoas em volta ouviam e o Black não percebia a armadilha que se metia.

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Mellani deixou Lísis no berço e foi atender a campainha. Já eram dez da noite e Sirius não tinha voltado. Sentiu o coração acelerar quando viu seu pai na porta

—O que houve? O que está fazendo aqui? Por que está ferido? Onde está Sirius.

—Mellani...

—Não me diga... Se ele... O que houve?- O estado de desespero de Mellani era evidente

—Os Potter foram traídos.- A loira arregalou os olhos- Estão mortos. James e Lílian estão mortos.- O coração da jovem apertou e seus olhos marejaram. Ela saiu andando, ignorando o pai, que fechou a porta e andou atrás dela. Mellani sentou e apoiou os cotovelos nos joelhos. As mãos paradas na frente da boca, cruzadas.

—E...E Harry?- Sua voz saiu num sussurro

—Vivo, aos cuidados de Dumbledore por enquanto.

—Sirius.- Ela sussurrou, o peito começou a arfar- Sirius...-Engoliu em seco- Phillipe eu preciso que fique com Lísis, ou melhor, eu preciso que leve Lísis até sua casa. Que a proteja, que a deixe segura. Preciso encontrar Sirius ele está em perigo ele...-E levantou. Senhor Grant levantou e segurou a filha pelos ombros

—Mellani. Você não entendeu? Seu marido traiu os Potter. Sirius é um comensal.

—NÃO.- Ela gritou entre as lágrimas. O peito doendo de tanta dor- Não, como tem coragem de pensar que Sirius seria capaz de trair James?

—Ele amava James, eu sei, mas...Mas e se ele foi ameaçado? E se vocês foram ameaçados? Se ele fez para proteger você e Lísis?

—Não tem como.- Ela sussurrou- Ele não era o fiel do segredo.- Saiu das mãos do pai e andou até o quarto, voltou de lá vestindo com um coturno e roupas grossas. Prendeu o cabelo e foi em direção a porta

—Mellani, não se engane. Todos sabiam que ele era o fiel. Só ele poderia ter feito isso.

—NÃO FOI ELE!- Gritou deixando as lágrimas cair- Se quiser eu lhe cedo minhas memórias depois. Ele me contou, ele e Peter trocaram de lugar.

—E se ele disse isso pra você não desconfiar da loucura que ele faria? Se ele fez isso pra continuar com você?- Ela parou com a mão na maçaneta. Virou e encarou o pai

—Ele seria incapaz de fazer isso. Ele morreria ele se sacrificaria por James . Da mesma forma que eu também faria.

—ELE É UM BLACK!- O pai gritou

—Ele é o MEU Black.- Ela gritou de volta com raiva- Não ouse dizer algo assim dele.

—Mellani, seja razoável.

—Você vai levar Lísis para sua casa? –O loiro assentiu- Se eu não voltar hoje, prometa que vai cria-la. Não vai abandona-la como fez comigo.- Phillipe a encarou- Por favor Phillipe, faça sua promessa.

—Eu prometo. Mas pare de dizer isso, você vai voltar, vai voltar e ver que eu tinha razão. – Mellani voltou e Phillipe pensou que ela fosse ficar. A loira entrou no quarto, pegou um pergaminho e com lágrimas nos olhos escreveu. Cerca de 20 minutos depois e em prantos, Mellani selou a carta com um feitiço e entrou no quarto da filha. Olhou-a, vendo-a dormir tranquilamente. A puxou para si e beijou-lhe o topo da cabeça. Abraçando a menina, que ainda dormindo, abraçou-a de volta. Continuou chorando e devolveu a pequena para o berço. Saiu e encarou o pai

—Quero que fique com isso. É uma carta minha para Lísis. Caso eu não volte.- O pai a encarou com sofrimento

—Do que está falando?

—Está uma loucura lá fora. Logo Voldemort virá atrás de mim. Eu... Não sei se volto.

—Filha.- Chamou-a quando ela estava perto da porta- Vi Sirius brigando com Peter em Godric’s, mas eles aparataram. Moody conseguiu rastrear, parece que estão no centro de Londres. Na rua Oxford.- Um arrepio passou pelo corpo da loira. Ela saiu de casa com o coração pesado e duas quadras depois aparatou para rua Oxford. Uma chuva de feitiços indicou que eles estavam na esquina, trouxas corriam apavorados e policiais barravam a área. Mellani sentiu o coração acelerar e correu, os cabelos soltaram durante a corrida e as lágrimas desceram. A dor de perder seu irmão e sua melhor amiga pesando como nunca. Conseguiu ver Sirius, estava atacando Peter com muita fúria. Precisava impedi-lo antes que ele fosse preso por assassinato. Estava vindo pelo lado, tanto Sirius quanto Peter poderiam vê-la e foi o loiro quem a viu de canto. O gordinho se viu encurralado e colocou a mão para trás escondendo a varinha e gritando mentiras para que todos. Mellani podia ver nos olhos do Black que ele mataria Peter naquele minuto

—SIRIUS PARE! Você vai acabar sendo preso!- Ele olhou para ela, confuso e furioso. O momento de distração foi o suficiente. Peter soltou um feitiço poderoso que explodiu tudo a sua volta. Mellani voou e bateu na parede com tanta força que o crack de sua cabeça foi ouvido ao longe. Sirius arregalou os olhos, não se importou mais com Peter ou com o que quer que ele faria. Com parte do ombro queimado devido à explosão correu até ela.

—Mellani.- Chamou andando em meio aos destroços e corpos de trouxas. Ela tremia, o corpo convulsionando, uma poça de sangue a sua volta. Dava pra ver a parte de trás da cabeça aberta. Ele se aproximou, sentindo desespero. Tremendo ela olhou para ele, seus olhos cruzaram. O cheiro de sangue e queimado era forte

—Eu...-Ela sussurrou

—Shiuu, alguém vai chegar. Shiu.- Ele chorava e as mãos tremiam sem parar.- Mellani, não, não, FICA COMIGO, NÃO VAI.- Gritou, a voz embargada. Ele viu os olhos dela revirarem. Limpou a boca dela com sangue e com desespero a tocou delicadamente- Mellani, volta pra mim, volta pra mim.- Ela não conseguia falar mais nada- SOCORRO. ALGUÉM ME AJUDA, SOCORRO.- Gritava olhando-a com desespero. Sentiu a mão fria dela tocando a sua e aquilo o destruiu por dentro. Ela o olhou nos olhos e aqueles azuis intensos, aqueles olhos escuros que ele tanto amava perderam o brilho. Levou a mão ao pulso dela, não sentiu absolutamente nada. Sem pulso ou vida. –NÃO, NÃO, N-NÃO...- Soluçava e chorava ruidosamente- M-mel...ME-LA...-Soluçou- Não, Mellani. Não. O que eu vou fazer sem você? O que eu vou fazer sem você, o que eu...-Sua cabeça girava sem parar. Não conseguia raciocinar direito. Tudo era um turbilhão louco de dor e desespero. Uma agonia estranha o queimava por dentro, a sensação de vê-la morta o devorava por dentro feito ácido. Sentiu mãos segurarem seus braços e varinhas em seu pescoço

—Sirius Black, você está preso!- Alguém gritou com raiva e o fez sair de perto do corpo de Mellani. Ele esticou as mãos, sem querer ficar longe. Tudo era silêncio, ele não ouvia os próprios gritos, insanos e sofridos. Gritava o nome de Mellani e depois da filha e depois de Mellani de novo, e chorava, se debatia, sentindo que a dor o corria por dentro, doendo de maneira insuportável.

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Remus deu mais um gole generoso na garrafa de whisky e chutou o guarda roupa do quarto velho que dormia. Estava no Caldeirão Furado. Chutou de novo com raiva. Ouvia os fogos do lado de fora, ouvia as pessoas comemorando no piso debaixo, mas sentia apenas raiva e ódio. Seu peito doía de tantos sentimentos ruins e opressores. Jogou-se na cama. Bebendo mais e seu choro ruidoso cortou o local. Alguém bateu na porta e ele gritou

—VAI SE FODER.- E bebeu novamente. A porta abriu e Camila entrou

—Acertei o quarto.- Ele a olhou desconcertado. O cabelo dela estava numa cor azul muito opaca e sua expressão não era das melhores- Esse é seu plano? Se afundar em Whisky enquanto Lísis está sabe-se lá onde e Harry indo morar com tio trouxas?- Remus engoliu em seco

—Não tenho condições de fazer nada, ninguém daria guarda de uma criança pra um mestiço, licantropo, solteiro e desempregado.

—E bêbado.

—E bêbado.- Fez um brinde. Ela sentou ao lado dele e segurou-lhe a mão com carinho- Onde está Lísis?

—Foi para os Estados Unidos com o senhor Grant. Estão morando em Michigan.

—Estados Unidos?- Ele suspirou- Harry continua na Europa?

—Sim. Escondido com a irmã de Lily.

—Ela e Lílian não se davam bem.

—Eu disse isso a Dumbledore, mas ele acha que é o melhor. Por enquanto. – Remus suspirou

—A Mellani, eu... Não sei até agora o que houve. – A morte dela lhe machucava tanto quanto a dos amigos

—Segundo alguns membros da Ordem...-Suspirou- Sirius saiu correndo atrás do Peter, eles duelaram e Sirius matou doze trouxas numa explosão, o problema é que Mellani tinha chego na hora e a explosão a atingiu. Ela morreu, por um feitiço de Sirius.- Remus fez uma careta e correu até janela, vomitando- Remus, já chega. Você está há quase um mês aqui. Não pode viver nessas condições. E porque sempre me faz a mesma pergunta?

—Eu vivo como quiser. E eu pergunto e pergunto porque... Porque quero achar uma saída menos cruel.

—Isso não é viver. E se Sirius foi mesmo capaz de fazer isso eu...

—Ele não foi.- Em seguida Remus encolheu os ombros e depois sentou na cama novamente- Quer dizer, eu não sei. Eu não sei. Que outra explicação teria? Eu não quero acreditar, todo meu coração não quer acreditar, mas minha cabeça não consegue ver outra explicação.- Suspirou- Eu não sei o que pensar. Ele já me traiu por muito menos. Ficando com a Mellani daquele jeito sujo e depois levando o Snape pra Casa dos Gritos quando eu estava transformado. Quem garante que ele não teria traído pra salvar a própria bunda?

—Me diga você, que o conheceu melhor que eu.- Remus suspirou e jogou-se no colchão puído

—Eu não sei. A lógica diz sim, mas eu continuo pensando que não. Eu queria conversar com ele, mas ele está proibido de receber visitas.

—Sim. Prisão perpetua é desse jeito. Os responsáveis por torturarem os Longbotton foram capturados. Os Lestrange e Crounch Junior.- Remus suspirou

—Eu vi o jornal.

—Bem. Estava só trazendo uma noticia não tão devastadora. E também vim te fazer uma proposta.- Remus levantou a cabeça- Eu não tenho mais nada aqui, não me sobrou casa, família, namorado e meu único amigo restante é você. A guerra acabou, o Ministério está voltando aos eixos...-Suspirou- Eu tenho tanto dinheiro que minhas bisnetas vão morrer sem precisarem trabalhar.- Remus sentou- O que eu vi nessa guerra realmente me devastou. Tanto quanto a você. Eu estou mutilada por dentro.- Ele sorriu amargamente- Eu estou deixando a Europa, por tempo indeterminado. Minha avó por parte de mãe mora no Brasil. Estou pensando em conhecer o país e depois fazer umas viagens. Quer vir junto?

—Eu não tenho onde cair morto.

—Mas tem uma amiga que é herdeira do Boticario de poções. Ou melhor, vendeu, a preço de ouro, toda a rede.- Remus piscou- Vamos. Pense nisso como um presente.

—Não vou viver do seu dinheiro.

—Claro que não.- Ela sorriu sem jeito- Vai viajar comigo, se quiser voltar poderá viver a mingua e com seu orgulho. Como sempre.- Remus sorriu de canto. A dor ainda o maltratava. Talvez estivesse bêbado de mais para receber alguma proposta e por isso aceitou

—Se eu passar esse natal aqui eu vou enlouquecer, obrigado. Eu aceito.- Ela sorriu sem jeito e assentiu

—Amanhã as dez. Esteja pronto. – Ele assentiu. Perguntaria se poderiam visitar Lísis, mas ele não sabia se estava emocionalmente equilibrado para ver a menina.

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13 anos depois

Sirius sentou-se no colchão puído da pensão trouxa que tinha se enfiado. Remus sentou na cadeira e encarou o amigo em choque

—Conseguiu escapar de novo! Como isso é possível?

—Harry.- Ele sorriu- É idêntico ao pai ele é...- Com toda a adrenalina da fuga e antes, sem ter para quem perguntar, Sirius não pensou em nenhum momento onde estaria certa pessoa- Me ajudou a fugir. Ele e aquela amiguinha esperta dele.

—A senhorita Granger é uma jovem incrível.- Sorriu carinhosamente para o amigo.

—E Lísis? Tem noticias da minha bonequinha?- Remus suspirou- Não dê esse suspiro de conformação. Onde ela está? Onde está minha filha?

—Sirius...-Remus o olhou com pena. O homem a sua frente em nada lembrava o amigo que conhecia. Sentia-se com remorso por ter duvidado dele- Eu a vi apenas uma vez depois que tudo aconteceu, o avô dela falou comigo. Ela não sabe sobre você, não sabe quase nada sobre Mellani. Ela tinha 10 quando a vi.

—Como ela é?- Remus sorriu- Onde ela está? Quero vê-la. Preciso vê-la.

—Sirius. Eu sei que em muitas coisas o senhor Grant estava errado. Ele pensa que você é um assassino e... Queria deixar Lísis longe dessa loucura, como Mellani pediu. E pelo menos dessa vez ele não fugiu a responsabilidade. Fez o que Mellani pediu. Deixou Lísis longe de perigos.- Sirius suspirou- Ele sente muito a perda dela. Mas talvez ele tenha razão, sobre tirá-la dessa loucura.

—Não me venha falar que aquele egoísta sabe o que é sentir falta dela. Ele não tem esse direito.- Sua voz soou rouca pelo choro- Eu chorei, cada misero segundo, dentro daquela cela, aqueles monstros, aqueles dementadores horríveis me faziam reviver a morte dela e todo instante, me faziam sentir a dor da perda de novo e de novo.- Sua voz estrangulada cortou o coração de Remus- Durante 13 anos enquanto Lísis e Harry cresciam sabe-se lá como eu fui atormentado. –Suspirou entre o pranto- Enquanto ele estava tendo uma infância dentro de uma casa de merda, como aconteceu comigo e ela... Durante toda a vida pensando que eu sou um assassino! Sem saber a história da família dela.- Soluçou e voltou a chorar. Remus estendeu-lhe a garrafa de Whisky e ele aceitou, tomando muitos goles a seco.

—Ela está em Michigan.- Sirius franziu o cenho- Estuda numa escola trouxa e aprende magia em casa. Não sei qual foi a história que o senhor Grant contou a ela. Pra mim ele disse que quando ela perguntou da mãe ele explicou que ela morreu numa guerra que tinha assolado toda a Europa bruxa.

—E o que ele disse de mim?

—Disse que você foi um homem que lutava do lado oposto ao de Mellani. Eu não sei o quanto Lísis engoliu essa história e nem o quanto ele se negou a explicar o resto, mas eu não o aconselho a procura-la agora.

—Como pode me pedir uma coisa dessas?

—Eu fui até ele quando soube que você fugiu. Ele tem a vida escoltada por aurores desde que você escapou. – Suspirou- Ela não sabe, mas é vigiada. Sempre. Se for lá agora, vão pegá-lo.

—Você a viu? Falou com ela?

—A vi na primeira vez, mas nem falei com ela. Seu sogro não deixou. A vi, usava maria chiquinhas e uma franja cobrindo a testa.- Sirius sorriu emocionado- Igualzinho a Mellani.

—Elas são parecidas...?-Engoliu em seco

—Sim, ela é mais alta e tem muito de você, tem tanto de você que é...-Suspirou- É lindo vê-la tão bem.

—Remus.- Ele ajoelhou na frente do amigo e pediu com lágrimas nos olhos- Eu preciso vê-la.- Como ele negaria um pedido para um homem que perdeu tudo?

—Camila pode te ajudar.

—Camila?

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—Hey princesinha.- O menino debochou as suas costas- Vai nos convidar para o chá das três? – Lísis mostrou o dedo médio para o colega e ele riu

—Vai se danar Stul.- O menino piscou o olho direito para ela jogando charme- Vamos lá, pode sair comigo qualquer dia desses.

—Eu tenho aulas depois da escola. Não posso faltar babaca.- O garoto riu

—Qual é, você faz 14 anos amanhã. Será que pode se divertir um pouco?- Ela se aproximou do garoto sorrateiramente e sorriu de canto- Viver Lísis. Os ingleses não sabem fazer isso?

—Eu tenho taekwondo, depois vou praticar com as meninas do clube de ginástica e depois tenho minhas aulas. Não posso perder tempo com garotos.- O menino estava corado com a proximidade- Até mais.- lançou -lhe um beijinho pelo ar. Os outros meninos suspiraram ao ver o balanço dos quadris dela e os cabelos escuros caindo pelas costas. Ela saiu rindo. Sabia do efeito que tinha nos meninos e achava aquilo muito engraçado. Cumprimentou umas quatro garotas que passaram por ela simpaticamente e saiu pelo portão. Ao sair da escola a cara de simpatia deu lugar a de tédio. Ela gostava um pouco da escola e dos Estados Unidos, mas seu coração estava ligado a Europa e todos os mistério de sua vida. Todos que seu avô jamais lhe disse. Um enorme cachorro negro começou a segui-la. Ela parou e virou

—Hey pulguento. Tudo bem?- Ele a olhou nos olhos, eram olhos cinzas. Lísis nunca tinha visto um cachorro tão grande e tão expressivo. Tocou a cabeça do enorme bicho e ele sentou abanando o rabo. –Oun, você é um fofinho não é? Pulguentinho. — Largou o cachorro e voltou para o seu caminho. Havia um terreno baldio que cortava metade do caminho que precisava fazer, mesmo seu avô não gostando ela preferia economizar uns minutos de caminhada e passar por ali. O cachorro ainda estava seguindo-a.

—Vai embora, não posso ficar com um bebezão.- E riu- Sabe coisa gigante... O pessoal dessa escola é tudo babaca. Acredita que eu fui pra festa da Mia com a camisa dos Stones e ninguém sabia quem era? Porra, são os Stones, quem não sabe deles? Os melhores!- Ouviu um barulho estranho atrás de si e viu a sombra do cachorro pelo chão, estava se transformando “Um bruxo” pensou com pânico e enfiou a mão no cós da saia, puxou a varinha e virou encravando no pescoço de seu agressor. Viu olhos cinzas, da mesma tonalidade dos seus, na verdade, muito parecidos com os seus, inclusive o formato. Franziu o cenho ao perceber aquilo

—Quem diabos é você?- Finalmente reparou no homem, estava em farrapos. O cabelo cumprido preso precariamente, uma roupa grande de mais para sua magreza, mas curta para seus braços. Ele tinha um olhar meio desesperado, como se tivesse muita dor

—Não queria te assustar.- Murmurou sorrindo e aquilo a assustou mais. Os dentes dele lhe deram nojo- Só queria te ver.

—Que tipo de pervertido é você?

—Não pode fazer magia fora da escola.- Ela bufou, levantou a perna puxando uma faca da meia e encravando no pescoço dele

—Isso eu posso fazer fora da escola seu pervertido de merda.- Sirius segurou o pulso dela

—Pode ficar calma. Eu realmente...-Sorriu tristemente- Só precisava saber se estava bem.- Ela o golpeou rapidamente com o cotovelo e se esquivou ficando longe

—O que você quer?- Os olhos dele estavam marejados, olhando-a com emoção que a deixou abalada

—Nada. Desculpe por incomodá-la.

—Se aproxime de mim de novo e eu corto as suas bolas seu tarado nojento.- Ele assentiu com tristeza e ela saiu olhando-o. Andou de costas até a cerca do terreno e quando pulou saiu correndo. Sirius ficou parado no meio da grama. O coração a mil. Ela era muito igual a Mellani, perfeita e esperta. Seu coração pareceu quebrar mais uma vez. Sentindo a dor de ter perdido toda a evolução de sua filha, de ver o olhar de nojo dela sobre si. Voltou a sua forma animaga e correu o máximo que pode. Ele conseguiria viver mais alguns anos com aquele lembrança. Ela tinha uma vida tranquila, enquanto Harry estava no olho do furacão. Se perguntou onde ela aprendeu a agir tão rápido e de maneira sorrateira como fez com ele. Sabia que não deveria ter se mostrado, mas não aguentou, queria falar com ela. Conversar, se explicar. Ela parecia muito feliz ali, com todos aqueles amigos, reinando absoluta na escola como ele fazia em Hogwarts. Só tinha um problema, ela era uma bruxa, deveria estar em Hogwarts e deveria ficar junto de Harry.

Conforme corria em suas quatro patas a dor em seu coração aumentava. Parou numa praça sem conseguir seguir em frente e deitou na grama, olhando para o céu. Ver como a filha estava bem lhe trouxe um pouco de esperança, mas ao mesmo tempo uma amargura sem precedentes. Ele se arrependia de tantas coisas que nunca tinha dito a Mellani. Principalmente naquele fatídico Halloween, quando ela desesperadamente tentou avisá-lo e ele ainda discutiu com ela. Ele a amou, de maneira tão louca que fez todas as merdas que podia. Ela era uma presença tão constante em sua vida que jamais imaginou que poderia perdê-la. Se ele soubesse a falta que ela faria, se soubesse o quanto doeria dentro de sua alma ele teria se entregado muito antes.

Se arrependia de tê-la feito sofrer tanto em Hogwarts, principalmente depois do ataque de Avery, se arrependia mais ainda de viver guardando seus sentimentos mesmo depois de casados, de nunca ter feito algo louco e romântico por ela, de nunca ter dito como se sentia de maneira plena, para que ela entendesse de uma vez o quanto era importante para ele. Sua garganta deu um nó. Ela o salvou de Azkaban, se não fosse ela ter dito para tatuar aqueles símbolos no braço ele jamais conseguiria ter saído de lá.

Fechou os olhos e lembrou os momentos que passou com ela. Na prisão, por causa dos dementadores, só as lembranças ruins lhe vinham e agora que podia lembrar o que gostaria não sabia o que mais lhe machucava. Lembrar das coisas ruins que fez ou saber que aqueles momentos maravilhosos nunca mais se repetiriam. Levantou em suas quatro patas e começou a andar lentamente. Era melhor que Lísis ficasse segura em Michigan, jamais suportaria perde-la como aconteceu com Mellani. Harry infelizmente não podia ficar longe da tempestade, acontecia diretamente com ele e sabia que estaria lá para o afilhado, mas quanto a Lísis, poderia buscá-la quando fosse inocentado e pudesse dar uma vida digna a ela. Por enquanto seguiria com a missão que falhou a tantos anos, protegeria Harry o quanto pudesse e deixaria que Grant cumprisse a promessa que fez a filha, de manter Lísis longe da guerra. Eles tinham lutado para que suas crianças não passassem por aquilo. Não deixaria que a morte dela fosse em vão. Queria poder livrar Harry também, mas isso estava além do seu poder de escolha.

Sirius sentia que o tempo não curaria suas feridas tão facilmente. Mellani, James e Lily, foram golpes sérios em sua alma, mas ele estaria lá por Harry protegendo-o, para um dia finalmente, seu afilhado conhecer uma pessoa que foi tão próximo quanto pequeno. Se Lísis quisesse os três viveriam juntos. Tentou se animar com essa perspectiva e seguiu em frente. Por enquanto poderia viver com a lembrança de sua filha.

Notas finais
N/A: Isso foi um golpe não? Eu... Ainda estou me recuperando. Na morte dos Potter tentei ser mais fiel a RDM, no capitulo o Segredo de Batilda, lá no finalzinho, que Harry entra na mente do Voldemort e tem acesso a memória dele matando os pais. Na morte da Mellani (ouch, meu coração) eu me apeguei ao relato do Sirius no livro prisioneiro de Azkaban, quando ele diz que encurralou o Rabicho e o FDP foi lá e explodiu todo mundo. O lance do Hagrid e do Snape, bem, eu não me lembro se o Snape realmente encontrou os Potter primeiro naquela noite ou se isso foi jogada da Warner, mas o coloquei lá por via da dúvidas. Já o Hagrid, bem, lembram-se? Ele diz que o jovem Sirius tinha lhe emprestado a moto e que implorou para ficar com o menino, então já que isso aconteceu presumi que demorou um pouco da morte dos Potter até o Sirius encontrar o Peter. Isso só nossa digníssima JK nos responderia. De preferencia com um livro dos Marotos. Masss espero que não tenha ficado nenhum buraco grotesco no enredo, além é claro do buraco que muito provavelmente deixei no coração de vocês. Hey o que estão fazendo aqui ainda? Não tenham medo de ir para o próximo cap, ele não pode ferir vocês mais do que esse. Bjs.