Pintura Intima
51 Capitulo 50: A carta
Notas iniciais
“Querida Lísis, eu não sei o que vai acontecer daqui algumas horas. Pode ser que eu volte e você nunca precise ler está carta, mas caso os anos passem e fique sozinha, preciso que saiba. Você minha querida, veio ao mundo de uma forma um tanto quanto conturbada. Eu ainda estava em Hogwarts quando soube que estava grávida. Eu e seu pai tivemos uma história difícil, cheia de orgulho, desencontros e sofrimentos. Só conseguimos nos entender quando a sua luz tocou nossas vidas. Aprendemos a conviver. Ele foi muito egoísta, e eu também. Por muitas vezes machucamos um ao outro e ferimos alguns amigos no nosso processo de amadurecimento, mas ele se tornou um homem honrado, digno de ser seu pai, um homem cujo uma mulher deposita todas as esperanças e sonhos. De menino mimado ele passou a ser meu cavaleiro de armadura brilhante. Ele é honesto, tem uma cabeça forte e uma história que não vou conseguir contar nessa carta porque me tomaria muito mais tempo e eu preciso correr, para salvá-lo.
Desculpe se esse papel está manchado de lágrimas. Eu nunca fui muito boa em expressar sentimentos, mas eu e seu pai te amamos muito. Eu não sei que tipo de coisas terão lhe dito até você ter idade para ler isso, mas... Seu pai lutava pela liberdade. Ele lutava pelo direito de ser livre. Ele enfrentou a própria família para lutar ao lado do que era certo. Ele que escolheu seu nome, significa liberdade, porque ele realmente acredita pelo que está lutando. Acha sinceramente que um homem, tão comprometido com uma causa, entregaria seu melhor amigos para a morte?
O culpado disso tudo é Peter Pettigrew, eu não sei qual será o destino desse rapaz, mas ele fez todos acreditarem que seu pai traiu os Potter quando na verdade foi ele quem o fez. Seu pai é um homem honrado e honesto. Eu não diria ao contrário se fosse te colocar em algum perigo. Você é nossa bonequinha, é a pessoa mais preciosa de nossas vidas. Eu te amo, muito, seu pai te ama até mais do que a ele mesmo. Eu sinceramente espero que essa guerra tenha acabado quando tiver chances para ler isso.
Te deixo, com pesar no coração, nas mãos do seu avô, com a esperança de voltar, mas caso não seja possível, quero que, ao ler essa carta, lembre-se de esquecer o orgulho, de jogar pra fora a arrogância e abraçar as oportunidades que a vida lhe dá, para quando chegar um momento decisivo você não se arrepender. Mesmo que não tenha ideia do que esteja falando, espero que essas palavras te ajudem em sua jornada.
Você minha querida filha é o bem mais precioso que eu e seu pai pudemos ter na vida. Você é o único acerto numa serie de erros que tivemos. Eu me arrependo muito de nunca ter dito isso a ele, eu o amo e ele fez de cada minuto da minha vida algo incrível e surreal, algo pelo qual vale a pena lutar. Eu nunca disse ao seu pai que o amo, não quero cometer o mesmo erro com você. Eu te amo minha pequena, seu papai te ama. Eu espero poder te abraçar depois dessa noite. Eu espero poder abraçar seu pai essa noite e dizer que o amo. Espero que nós dois possamos voltar para você. Com todo amor do mundo
Mellani Potter Black. Sua mãe.
31/10/1981
Lísis sentiu o peito arfar de revolta e tristeza. Ficou olhando para a letra de sua mãe, escrita as pressas, e seu peito doeu de angustia. Seu avô tinha mentido muito tempo para ela, dizendo que seu pai nunca quis saber dela ou de sua mãe. Sentiu a garganta dar um nó e fechou os olhos. Quando confrontou seu avô ele lhe disse alguma coisas, que seu pai foi preso por matar o melhor amigo e então as palavras de sua mãe fizeram sentido. Phillipe acusou sua mãe de estar cega de paixão e não ver quem realmente era o marido, mas Lísis não podia mais acreditar num homem que mentiu para si a vida inteira.
Suspirou e leu novamente a carta. Cada vez que lia tinha a noção de que a última coisa que sua mãe fez em vida foi assegurar de que ela conhecesse a própria história. Seu avô poderia alegar que foi uma mulher cega por amor que escreveu aquilo, mas ele nem ao menos sabia o significado de seu nome e muito menos o que era aquele sentimento que ela levava no peito. Ela precisava encontrar seu pai, mesmo que ele se escondesse da policia bruxa, mesmo que ele fosse perigoso, ela sabia se defender, ela poderia. Duvidava muito que ele fosse lhe fazer algum mal. Não queria mais ser chamada de Grant. Tinha certeza que seu registro de nascimento deveria estar igual ao de sua mãe Potter Black. Iria para Inglaterra e então começaria uma investigação para encontra-lo. Checou novamente sua mala de roupas e enfiou seu bem mais precioso do mundo dentro da carteira. Desceu as escadas no meio da noite e sorrateiramente deixou uma carta na poltrona favorita de seu avô. Jamais conseguiria fazer o que precisava se ele soubesse. Desde que encontrou aquela carta, há um pouco mais de um ano, ela juntava dinheiro e naquela noite finalmente conseguiria fazer o que gostaria.
Suspirou buscando coragem e saiu. Pegou um taxi e foi até o aeroporto. Ao entrar no avião ela sentiu o coração acelerar. Estava decidida, iria atrás de seu pai, saber sua história, ficar com ele. Poderia ter aparatado, mas seu avô não lhe ensinou aquilo muito bem e a distância era muito grande. Também não entendia como funcionavam as leis para grandes viagens bruxas.
Pegou a carta e leu novamente. Cada vez que lia aquelas linhas tentava encontrar uma pista de como ela deveria ser. Será que era parecida com ela? Ou era mais seu pai? Sabia que a mãe era loira porque viu uma foto dela com quatro anos, então seu pai deveria ser moreno. Que raiva tinha de tudo aquilo. Como queria saber deles. Suspirou, lendo a carta mais uma vez e abraçando-a junto ao peito.
–Será que você conseguiu dizer a ele que o amava mamãe?- Sussurrou sentindo o peito comprimir-se. Dormiu assim, com o velho pergaminho em mãos. Precisava de algo para se agarrar ou a vida dela ficaria pior.
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Harry estava feliz, fazia tempos que não se deixava ser feliz daquele jeito. Mesmo que a morte dos Lupin ainda pesasse em suas costas quando olhava para o pequeno Ted Tonks. Sorria por ter Ginny ao seu lado e estar comemorando o noivado em sua nova casa, sorria porque Ted teria um futuro tranquilo e o teria sempre por perto, como deveria ter sido com ele e Sirius. Sorria, porque apesar de todas as mortes e corações partidos em saudades ele finalmente tinha alcançado algo pelo qual seus pais tanto tinham lutado, a paz. Suspirou satisfeito ao ver Rony dançar com Hermione num cantinho reservado da sala, as testas coladas e as mãos unidas, o moreno sabia que eles mereciam ser felizes. Passou os olhos por sua nova sala observando a senhora Weasley falar sem parar com sua noiva sobre flores para o casamento e a ruiva olhar para ele pedindo socorro com expressões engraçadas. Também viu muitas pessoas que gostava, conversando animadas e felizes e então viu George e toda sua tristeza, no cantinho, sorrindo fracamente para o que Bill e Fleur lhe contavam e mal dando atenção para Angelina. Seus olhos seguiram o ruivo solitário quando este levantou e foi até a porta. Harry sentiu mais culpa por dentro e foi atrás do ruivo sem dar explicações a Neville, que lhe trazia alguma coisa para analisar. Viu o Weasley atravessar o jardim e correr para o portão
–George.-Chamou-Hey George!
–Eu to bem cara. Só precisando de um pouco de ar.- Suspirou- Godric’s me deixa sufocado. –Falou sem ao menos olhar para trás.
–Eu te acompanho.
–Realmente não precisa.
–Eu faço questão.
–Se for para se desculpar novamente eu vou dar um soco na sua cara.- George parou de correr e encarou o rapaz- Quantas vezes tenho que dizer? Estávamos no meio de uma guerra, essas merdas acontecem.
–Não vou me desculpar, apenas precisava de um ar também.- Andaram em silêncio até a praça central, onde puderam ver a estatua dos pais de Harry. George franziu as sobrancelhas
–Não é mórbido? Você vir morar tão perto daquela casa destruída? Onde tanta merda aconteceu?
–Hum. Eu pensei que seria uma boa começar uma nova história para esse lugar. Renovar a energia que ficou parada, deixar que as pessoas saibam, que aqui também se tem felicidade.
–É que esse lugar ficou meio caído de bruxos depois da primeira guerra. Não vai ser fácil controlar crianças com mágica em meio aos trouxas, principalmente se elas forem igual Ginny ou Fred e eu. –Ele sorriu sem jeito para Harry
–Espero não ter filhos tão cedo.
–Ótimo, de provas reais de que transa com a minha irmãzinha e eu te mato.- Os dois riram e George começou a andar em direção ao pub dali
–Hey, não vai voltar?
–Só...Ginny não queria bebidas por minha causa, mas...Hoje é um dia muito feliz e eu preciso de um Firewhisky para aguentar.- Harry não o culpou, por vezes viu Sirius embebedando-se quando achava que todos tinham dormido. O padrinho esvaziava uma garra de whisky e chorava até dormir. Ele nunca teve coragem de perguntar por que de alguma forma sabia que aquela dor tinha a ver com a perda de seus pais. Sirius tinha motivos óbvios de mais para chorar, ele não precisava cutucar a ferida.
–Vamos no Firewhisky então. – Entraram e sentaram no balcão
–Vai me acompanhar?
–Claro.- George pediu ao barmen. Quando as bebidas chegaram o ruivo tomou encarando Harry
–Sabe uma coisa que nunca te contei?- O moreno esperou pacientemente- Uma vez eu e Fred fugimos da Ordem, lembra? No nosso último ano da escola. Queríamos encontrar o tal do Pub dos Stones porque vimos num jornal trouxa a foto de uma mulher gostosa pra caramba e aí pensamos em passar uma noite lá pra descolar uma transa com alguma trouxa fácil. – Falou rápido e sem pausas e por fim riu- Tínhamos 17 anos, não nos julgue. Bem acontece que encontramos o Sirius lá.- Harry ficou surpreso- Enchendo a cara, ele estava muito bêbado e nos abraçou cantando. Tava tocando alguma música dos Stones que eu até hoje não sei muito bem. Ele começou a contar que estava naquele bar por causa da Garota, com G maiúsculo, nas palavras dele “A garota” . Perguntamos o que tinha acontecido e ele falou que fodeu com tudo. Que a perdeu na primeira guerra. Ele chegou a falar pra você? Que tinha A garota? Aí ele nos mostrou a tatuagem do braço.
–Eu sabia das do peito, todos viram.
–Não, ele falou da tatuagem do braço e disse que foi A garota quem deu a ideia. Ele parecia bem perturbado. -Harry tomou um gole de whisky- Não consigo imaginar Sirius Black apaixonado assim por alguém. Qual era o nome dela? Devia ser bem gostosa...- George finalizou o whisky já pedindo outro- Ah, Mellani Potter. Achei que devia saber, afinal ela deve ser parente sua. — Harry ouviu o som de um copo quebrando atrás de si e virou. George esticou o pescoço. Uma jovem os olhava em choque. Ambos engoliram em seco ao ver o quanto ela era bonita. Vestia uma regata preta que ela mesma parecia ter cortado, estampada na camisa estava a famosa boca dos Stones. Ainda usava uma calça jeans clara rasgada e os garotos puderam ver uma tatuagem no braço direito, bem no bíceps. Os cabelos longos caiam com um volume que a deixava mais sexy. George abriu levemente a boca ao reparar no corpo dela, cintura fina e seios generosos. Harry olhou-a no rosto achando-a familiar
–Você está bem?- Perguntou com preocupação, já que ela os olhava em choque
–Você...-Olhou para George- Você disse Mellani Potter?
–Sim.
–Por quê?
–Ele só estava contando uma história antiga.- Harry respondeu ainda sem jeito com a beleza da menina. Os olhos dela marejaram
–É de uma história antiga que estou atrás.
– Sou George Weasley.- Esticou a mão ela aceitou com a expressão ainda emocionada
–Black... Lísis Potter Black.- Harry arregalou os olhos e quase cuspiu seu whisky na cara dela. George a olhou surpreso
–Porra, você está brincando? Agora eu entendi o porquê do A garota. Harry você precisa ir atrás desses fantasmas cara.
–Fantasmas? Como assim?
–Como eu vou saber se isso não é mentira? Em?- Harry a olhou desconfiado
–Vocês conhecem meu pai?-Ela os olhou com tanta alegria que eles sentiram o coração quebrar- Eu estou procurando-o há dois anos. A única coisa que achei foi...Foi uma carta velha e relatos de gente dizendo que ele viveu por aqui durante um tempo.
–Como vou saber que não é uma jornalista?- Lísis bufou e encarou-os ofendida
–Eu passei a minha vida inteira sonhando com esse momento senhor...
–Potter. Harry Potter.- Ela não demonstrou surpresa ao ouvir o nome dele, parecia desconhecido a ela
–Senhor Potter. Levando em conta que eu só vivi com ele até meus dois anos eu passei esses 19 anos pensando quando poderia vê-lo , conversar, saber sobre minha mãe e poder abraçá-lo e... Não estou atrás de uma manchete. Estou atrás da minha vida. –Ela suspirou o efeito das duas vodcas que tomou chegando ao cérebro- E parece que após dois anos de procura eu finalmente cheguei um pouco perto. Se sabe onde meu pai se encontra...
–Seu pai é Sirius Black?-Ela assentiu se aproximando e deixando-o desconfortável com a beleza dela- Nós precisamos conversar seriamente.
–Onde ele está? Onde ele...Não me diga que... Não me diga...
–Eu sinto muito.- George respondeu por Harry e ela arregalou os olhos em pavor- Ele morreu faz alguns anos.- Ela jogou o copo de Harry longe
–Isso é fodidamente errado.- Gritou- Parem de mentir para mim!- Jogou uma nota de 20 no balcão e saiu andando. George pagou o garçom e foi atrás dela, ainda engolindo o tanto de informações que recebeu Harry ficou parado no mesmo lugar, até que levantou e saiu. Esbarrou em George e o ruivo apontou para a jovem bonita, ela estava sentada no banquinho da praça, ao lado da estatua dos Potter e lia alguma coisa, chorando ruidosamente. Os dois se aproximaram cautelosamente
–Senhorita Black?-George chamou e ela soluçou olhando a carta
–Isso é tão fodidamente injusto. Eu só fiquei sabendo dessas coisas há dois anos. Eu não sabia, não tinha ideia da guerra e muito menos pelo o que minha mãe morreu.- Chorou, sem conseguir se controlar e entre soluços aceitou a mão de George em seu ombro- Vocês sabem?- Perguntou sentindo o coração doer-Sabem se ela conseguiu dizer a ele?- E balançou a carta. Harry e George a olharam confusos- Minha mãe... Mellani Black. Sabem se ela conseguiu dizer que o amava? Antes de morrer...-Soluçou
–Eu p-posso ver? –O moreno perguntou. Lísis agarrou a carta como se fosse seu maior tesouro.- Eu não faço ideia de quem é Mellani.
–Como não sabe? Como... Eles foram casados! Eles se amavam.
–Sirius nunca me disse que foi casado. Eu sinto muito.- Ela o olhou com mais dor ainda e agarrada a carta soluçou
–Ele nunca disse nada sobre ela? Absolutamente nada? E-ela n-não foi importante para ele?-O sussurro sofrido de sua voz fez Harry sentir-se culpado. George sentou ao lado dela e a olhou com compreensão
–Às vezes nós temos uma ligação com uma pessoa. Esse elo é tão lindo, tão bom que chega a ser raro. Isso se torna tudo em nossas vidas...-Ela o olhou nos olhos, aqueles olhos cinzas lacrimejados deixando-a mais bela ainda- E quando perdemos essa ligação, quando ela nos é arrancada tão bruscamente sentimos algo tão horrível que não conseguimos tocar no assunto. A pessoa foi tão importante que lembrar esses momentos incríveis sabendo que eles não voltam nos dói fisicamente. Perder alguém que se ama mais que a você mesmo é a pior sensação do mundo, você fica perdido, não sabe para onde ir e... A mínima lembrança do sorriso dessa pessoa o machuca porque você ama intensamente estar ao lado dela e não pode mais. –Ela deixou mais lágrimas cair- Ele não comentou dela porque não a amava, ele não comentou porque era doloroso de mais para ele fazê-lo.- George limpou as lágrimas da jovem e ela soluçou
–Você perdeu alguém não é? Alguém de quem dói falar.- Ele assentiu. Ela se levantou e olhou para a estatua e vendo a placa- E esses são seus pais?- Harry assentiu- Você também os perdeu?- O moreno assentiu novamente- Como meu pai era?- Ela soluçou sentindo mais lágrimas caírem
–A pessoa mais nobre e incrível que já conheci. Era um homem sofrido...
–Por que ele nunca me procurou? O que houve durante todos esses anos?- Harry sentou no banco da praça e ela o acompanhou
–Posso ver a carta?-Ela assentiu sentindo o peito comprimir. Ficou olhando para Harry enquanto este lia, o rapaz sentiu lágrimas virem aos olhos ao ler o relato e por fim a encarou- Eu sinto muito... Eu não sabia, eu... Eu jamais eu...-Suspirou e coçou a nuca.- Senhorita...
–Lísis.
–Lísis, eu sinto muito por te trazer tanto sofrimento, mas a guerra fez isso com as pessoas que amamos. Sua mãe estava certa, Peter foi o culpado pela morte dos meus pais e não Sirius. O problema é que...-Suspirou- Ninguém soube disso e nem acreditaram em mim até eu derrotar o bruxo responsável pela guerra.- A cabeça de Lísis funcionava muito rápido e ela já estava formulando algumas suposições nada agradáveis- Seu pai era o fiel do segredo, a escolha da troca foi feita no último instante e pelo que pude ler apenas sua mãe e meus pais sabiam, na mínima ela morreu na mesma noite que eles.- A garota sentiu uma dor muito forte por dentro. Ela queria conhecer seu pai e não apenas ouvir histórias. O sonho de uma vida inteira destruído daquele jeito. Sentia como se sua vida tivesse sido roubada, como se ela devesse estar ali, perto daquele Harry e perto de seu pai, não escondida em Michigan e completamente ignorante de tudo que acontecia. Era pra ela ter vivido com seu pai e sentido a morte dele há anos e não apenas agora. Seu coração oprimido não aguentou e ela chorou mais. Os dois rapazes ficaram calados, respeitando seu sofrimento
–Sabe, eu queria saber mais coisas sobre meus pais, mas com a guerra eu não tive muito tempo, meus anos em Hogwarts foram tão conturbados que nunca pensei realmente pensei em ir atrás de algo. Eu pensei em falar com a diretora atual, McGonagall, ela foi minha professora e deu aula para eles. Provavelmente lecionou para sua mãe também. Se conseguirmos encontrar alguma propriedade ou conta no banco que tenham fotos, podemos tentar conhece-los melhor.
–Você não se lembra de seus pais?
–Eu tinha um ano quando eles foram mortos.
–Então você entende o que estou sentindo?- Harry assentiu- Eu sinto muito Potter. Não queria causar tanto desconforto, mas...-Suspirou- Eu sempre soube que minha mãe estava morta, mas meu pai... A vida toda sonhei em encontra-lo. Em perguntar por que ele nunca me visitou, nunca quis saber de mim.
–Bem, ele foi preso injustamente, ficou 13 anos numa prisão de segurança máxima. Conseguiu fugir porque podia virar um cão.
–De que cor?- Seu coração disparou
–Negro.- O peito dela começou a subir e descer rapidamente e a jovem sentiu mais lágrimas virem. Ela se lembrava, o único bruxo que tinha visto na vida além de seu avô. Que lhe deixou uma impressão marcante o resto da vida
–Ele estava muito mal quando saiu?
–Sim. Mas se recuperou bem. Depois que o ajudei a escapar ele ficou um tempo sumido, fazendo viagens.- Lísis levantou animada, mesmo que a dor de saber que o pai estava morto fosse muita. Com empolgação ela agarrou o rosto de Harry e lhe deu um beijo na boca. Em seguida fez o mesmo com George. Ambos ficaram completamente embasbacados
–Muito obrigada, muito obrigada, vocês deram a noticia mais feliz que eu podia ter em toda minha vida. Eu passei todo esse tempo pensando que ele não ligava pra mim, que ele não queria saber, mas ele veio até mim, ele veio.- Ela limpou as lágrimas- Quando eu tinha 14 anos um cachorro enorme foi me seguindo até em casa, no meio do caminho ele se transformou num homem de cabelo cumprido e tatuagem no peito. Me deu muito medo, mas... Eu o olhei nos olhos, eram da mesma cor dos meus... –Lísis suspirou chorosa, emoções diferentes passando por seu corpo. Se aproximou novamente de Harry, e assustado o rapaz inclinou a cabeça para trás, com receio que ela o beijasse de novo. Ela apenas o abraçou- Serei eternamente grata a você Potter.- Se aproximou de George e o abraçou- E a você Waesley, que começou toda essa história no bar.- Suspirou e se afastou dos dois- Me tiraram da ignorância.- Ela normalmente era menos amorosa com as pessoas, mas era uma ocasião completamente atípica. Tinha acabado de descobrir que conheceu seu pai, mesmo que o tenha interpretado mal, na situação foi compreensível. Ele se arriscou indo até ela e aquilo foi o suficiente. Sua mãe estava certa, os dois a amaram muito. Pegou a carta de Harry e olhou novamente, sorrindo emocionada- Esse é o meu maior tesouro.
–Bem... Estamos no meio de uma comemoração na minha casa. Minha sogra e minha noiva, com os amigos...
–Desculpe pelo beijo. Acho que foram as vodcas.- Ela resmungou enfiando a mão no bolso e tirando um maço de cigarros. Pegou um e ascendeu. George sentiu algo na boca do estomago ao olhar aquilo, parecia tão certo ela tragando aquele cigarro. Sorriu de canto
–Tudo bem.- Harry sorriu sem jeito e surpreso por ver o cigarro. Não conhecia muitas pessoas com aquele hábito- Eu iria sugerir te apresentar para algumas pessoas, acho que o pai de George pode falar um pouco sobre Sirius, eles conviveram bastante na Ordem, antes de nascermos. E bem, você é filha dele, faz parte da família.
–Você acreditou em mim muito rápido.- Ela desdenhou com um sorriso jocoso. A dor ainda não tinha passado, mas saber que o conheceu, mesmo que por alguns minutos, a deixou aliviada.
–Essa carta, ela foi suficiente. E é só olhar pra você atentamente. Tem muito dele, principalmente o sorriso e as expressões.- Ela sorriu timidamente, feliz, feito uma criança pequena, por ter sido comparada com o pai de uma maneira positiva.
–Hey ruivo sexy.- Piscou para ele que sorriu de canto- Quer um cigarro?
–Com certeza.- Harry foi andando na frente, os outros dois mais atrás. O coração de Lísis com uma sensação estranha, como se voltasse para casa depois de longos anos em ausência. Sabia que devia explicações ao seu avô e que as raras e curtas cartas que mandava só o deixavam mais furioso, mas só cederia quando ele finalmente resolvesse contar a verdade sobre sua história. Quando chegou no portão da casa Harry a encarou
–Se importa se esperar aqui alguns minutos? Eu gostaria de explicar antes de chegar com você.
–Claro sem problemas.- Ela murmurou ascendendo o segundo cigarro. A postura dela estava bem diferente da descontrolada emocional que falou com eles um pouco antes. Parecia desdenhar de tudo e todos com o olhar e ao mesmo tempo... Seduzir. Sem jeito com a aura estranha da garota Harry entrou, mas George não o seguiu. Encarou-a longamente. Ela era da altura de Ginny, o que significava ser alta em relação a maioria das mulheres que conhecia
–Cuidado. Não quero que machuque essa família.
–Não quero machucar nenhuma família. Só quero me aproximar da minha.
–Eles estão mortos.
–Você deixaria de querer buscar alguém que foi importante para você, mesmo essa pessoa estando morta?- Ele negou de prontidão- Foi o que pensei. Quem você perdeu?
–Meu irmão gêmeo Fred.
–Uau, eram dois ruivos sexys então.- Riu de canto, um humor ácido que George não estava acostumado a ouvir em seu meio social, e tragou novamente
–Fetiches?- Desdenhou
–Sempre.- Respondeu com tédio e ficou olhando para a rua. Mil coisas passavam por sua mente, a principal delas era se seus pais teriam morado naquele bairro. Observou a casa da frente, era uma mansão velha, com portões brancos e um jardim abandonado. Algo lhe chamou atenção e ela atravessou a rua, andando até lá. George a seguiu. Lísis segurou as grades que descascavam e pode ver um enorme salgueiro, com uma aparência muito antiga, um balanço estava pendurado nele, tão velho e aos pedaços quanto toda a casa. Sentiu uma emoção estranha ao observar o local.
–Hey.- Harry chamou do outro lado e ela voltou para ele- Está preparada para o interrogatório?- Ela deu de ombros. O moreno abriu o portão, ela seguiu-o, com George em seu encalço. Apagou o cigarro para não causar uma má impressão, pelo menos uma menos negativa do que seu visual meio rebelde e sua tatuagem no braço já deixaria. Sentiu-se ansiosa, como se ao conhecer essas pessoas pudesse conhecer um pouco mais sobre seus pais. Quando o rapaz abriu a porta da sala seu coração deu um salto- Bem vinda à família Lísis Black.
FIM .
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Fatos Curiosos
–Aos 8 anos de idade Lísis teve um pesadelo horrível que a fez gritar por cerca de duas horas seguidas. O senhor Grant não conseguiu acalmá-la porque a menina chamava o nome do pai; a noite do pesadelo de Lísis foi um dos momentos mais horríveis para vida de Sirius, quando ele quase morreu nas mãos dos dementadores;
–Camila e Remus tiveram um caso durante as viagens que fizeram pelo mundo, mas não passou disso e tornaram-se bons amigos. A metamorfoga tinha razão, eram muitos fantasmas de ambas as partes. Ela nunca conheceu Lísis ou Harry porque se envolveu em projetos pela Hungria e acabou ficando por lá.
–George estava com razão, Sirius nunca disse nada sobre Mellani com medo do sofrimento que isso lhe causaria;
–Quando Lísis entrou na casa de Harry, Arthur e Molly foram os primeiros a vê-la e ao olharem para ela não tiveram dúvidas, ela era quem realmente dizia ser;
–Rony recebeu um tapa de Hermione por ficar alguns minutos travado e morrendo de vergonha ao falar com Lísis pela primeira vez, e todas as outras vezes que a via, obviamente;
–Harry e Lísis foram até Hogwarts na semana seguinte e McGonagall lhes contou, de sua perspectiva, como seus pais eram. Lísis achou que a história de amor de seus pais foi épica. Harry ficou chocado por saber que James e Lily tomaram uma detenção por comportamento inapropriado na beira do lago. E mais chocado ainda ao saber que Sirius e Mellani quase foram expulsos por causa de drogas;
–Phillipe Grant decidiu procurar a neta e ficou emocionado ao descobrir que ela encontrou Harry por conta própria. Ele finalmente decidiu contar o que sabia sobre Mellani e Sirius;
–Com a ajuda do senhor Grant Harry e Lísis voltaram até a antiga casa de Sirius e Mellani. O quarto do casal ainda tinha seus pertences pessoais. Os primos acharam uma caixa enorme cheia de fotos e cartas e assim puderam conhecer mais sobre sua família;
–Harry ficou chocado quando Lísis encontrou o álbum “despedida de Hogwarts”. Era o álbum de fotos da noite em que todo o grupo de treinamento foi para casa dos gritos e ficou chapado;
–Harry e Lísis dividiram aquelas velhas lembranças entre eles e a jovem sentiu-se extremamente realizada ao descobrir, interpretando fotos e cartas antigas, que seus pais já se gostavam antes mesmo de saírem da escola. Ela saiu dizendo a todos que queria viver um amor épico igual ao deles;
–George finalmente achou um novo parceiro para ajudar nas novas invenções das gemialidades Weasley, Lísis Black funcionava quase tão bem quanto seu gêmeo quando se tratava de travessuras;
–Angelina Johnson teve seu coração partido em meados de 2008, quando Lísis decidiu que seu amor épico era George;
–A senhora Weasley só aceitou o “namoro” dos dois quando Lísis parou de fumar. E quase enlouqueceu quando a jovem apareceu com uma Harley Davison igual a do pai;
–Harry nunca mais quis colocar as mãos no álbum “despedida de Hogwarts” por ter visto uma foto de seu antigo professor correndo pelado para o Lago Negro;
–Lísis deixou Ted Lupin ver esse álbum quando o menino tinha 13 anos, causando um trauma irreversível em Hogwarts chamado “Os Marotos 2.0” James Sirius adorou a ideia.
–McGonagall agradeceu até o último dia de sua vida por nunca ter dado aulas a Lísis.
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