Pintura Intima
49 Capitulo 48- Fé para pessoa errada
Notas iniciais
Eles depositaram sua fé na pessoa errada, Severus. Assim como você- Albus Dumbledore
10 meses depois
Sirius sentou no sofá e suspirou. Tinha tido um dia estressante cheio de relatórios e estudos. Além do que tinha sido ferido seriamente no ombro e ficou frustrado por James e Lily terem saído em ronda enquanto ele ficou preso na sala estudando estratégias. Ele gostava de vê-las quando podia colocá-las em prática. Levou a xícara de café aos lábios e um grito animado cortou a sala. Ele tomou um susto e derrubou todo o café em seu peito. Lísis vinha correndo da porta do fundo, os cabelos ondulados balançando na altura da orelha. Atrás dela vinha Harry, no andador, gritando, com as mãozinhas esticadas
–Papai. Papai!- A pequena gritou animada subindo no sofá e mexendo com Harry. O menino veio fazendo um barulho engraçado com a boca. Ele parou na frente do sofá e apertou as teclas do andador dando risada quando a buzina fez barulho. Sirius bufou. Lísis começou a pular e bater palmas gritando o nome do primo sem parar. O senhor Grant veio atrás dos dois rindo.
–Que bom que chegou Sirius.
–Onde está Mellani?
–Reunião com os estrategistas. Os Potter estão em ronda então estou com os dois.- Sorriu feliz- Você se queimou?
–Um pouco.- Resmungou cansado
–Xixi!- Lísis começou a pular mais, segurando no meio das pernas.
–Vem com o vovô. Vamos no banheiro.- Ela pulou perigosamente do sofá e Sirius esticou os braços evitando a queda com o chão
–Lísis.- A olhou de cenho franzido- Já disse que não pode fazer isso.- A menina arqueou a sobrancelha direita, exatamente como Mellani fazia
–Xixi.- Resmungou
–Depois a gente conversa mocinha.- Ela saiu correndo atrás do avô e Sirius suspirou. Encarou Harry longamente. O menino o encarou de volta com uma expressão divertida e fez um barulho com a boca. Apontou o dedinho para ele e começou a falar na linguagem de bebê. Sirius fez um barulho parecido com o dele e também falou num “bebênes” fazendo o menino gargalhar. Logo Lísis voltou correndo e sentou no tapete nas pernas do pai
–Toloca o Hawy ati papai.- Pediu batendo a mãozinha no tapete- Pa bincar.
–Ela sempre troca o C e o Q pelo T, não é? –Phillipe observou rindo
–Sim. É engraçado.- O rapaz puxou Harry do andador e o menino ficou balançado as pernas rapidamente, como se chutasse o ar. Ele sempre ficava extremamente alegre quando estava com Lísis. Por questões de segurança eles não levavam os dois para a creche. O circulo social dos pequenos se resumia entre eles mesmo e Neville Longbotton.
Sirius fez um movimento de varinha e os brinquedos vieram do quarto de Lísis. Espalhou os ursos de pelúcia e coisas como estrelas de borracha, pomos de ouro, caldeirões e dragões de plástico pelo chão. Lísis adorava os dragões relegando os unicórnios a segundo plano. Sirius gostava daquilo, já que preferia brincar com a filha quando ela usava os dragões ao invés das bonecas. A pequena pegou o seu modelo preferido, um rabo-córneo húngaro e o mexeu no ar com as mãos
–Raw! Raw Raw, vai voaaaa. Shiiiiiiiii com fogooo. Raw Raw.
–Raw!-Harry, que estava sentado imitou a prima- Raw.
–Raw.- Lísis fez uma careta digna de soltar alguns “auns” e começou a andar em volta do sofá. Harry fez bico e começou a chorar
–Isiiiii.- Ele resmungou entre o choro
–Lísis.- Sirius chamou- Sente aqui, seja uma boa menina e sente aqui.
–Pu que?- Parou olhando o pai. Não era a primeira vez que ela questionava os adultos diretamente
–Porque Harry está triste. Ele ainda não sabe andar e está triste que você vá para longe porque gosta muito de você.
–Ele me ama.-A menina falou corretamente, surpreendendo o pai, e sentou na frente do pequeno. Ele suspirou choroso e engatinhou até ela, aconchegou-se como pode na prima e Lísis sorriu largamente- Hawi é meu neném.
–Ele é.
–Não. Titiaaa Lil.
–Isso, da titia Lily. O Harry é da titia Lily, mas ele também é amigo da Lísis. Não é?- Phillipe perguntou e a pequena assentiu contente. Abraçou o primo com cuidado e olhou para o pai com um sorriso orgulhoso. Ouviram um barulho de aparatação e depois mais três.
–Saí Hawi. Saí.- Lísis pediu impaciente. O menino resmungou e saiu do colo da prima, engatinhando para os brinquedos. A pequena levantou e correu para o batente da janela, ansiosa. Com dificuldade subiu no estofado e espalmou as mãozinhas na janela- Mamãe! Mamãe! É a mamãe. Olha papai!- Gritou empolgada- Jay! Tio Jay, tio Jay!- Ela soltava gritinhos agudos e pulava. Correu para a porta e ficou pulando e batendo palmas.
A porta abriu e James entrou carregando Lílian nos braços. A ruiva pingava sangue, de algum lugar de sua cabeça. Lísis arregalou os olhos e ficou encarando aquele movimento atípico. Mellani e Remus entraram logo em seguida, a loira estava com ferimentos pelo ombro e a roupa rasgada e tinha um enorme roxo no olho. Remus cheio de poeira cinza e alguns hematomas.
Lísis não entendeu porque sua titia Lily estava dormindo no colo do titio Jay, mas todos pareciam muito tristes ou nervosos e ela sentiu seu pequeno coração apertar. Seu vovô logo a pegou no colo, Harry também estava no colo dele. Ele chorava, ela sentia-se meio irritada quando ele chorava porque ela quase nunca fazia aquilo.
–Eu tero a minha mamãe.- Resmungou mandona.
–Vamos brincar Lísis. O Harry quer brincar!
–Não!- Ela gritou quando foi colocada no chão- Eu tero a minha mamãeeee.-Gritou e começou a bater na porta- Minha mamãe.
–O que aconteceu?- Sirius perguntou ao ver Remus curar o ferimento da cabeça de Lílian. James estava tremendo e com um pouco de sangue no canto da boca.
–A sede da Ordem foi invadida. Muitos comensais. Acho que quase todos eles.- Mellani respondeu e ajudou o loiro limpando o ferimento com outro feitiço. A ruiva abriu os olhos e encarou-os
–Lil’s.´- James chamou com a voz embargada- Lil’s?- Ela suspirou e fechou-os novamente
–Ela vai ficar bem. Foi algo superficial.- Remus murmurou- Mas não é sempre que tomamos quatro feitiços estuporantes de uma vez só.
–A Ordem, invadida? Como?
–Alguém nos traiu.- James pontuou com a voz tremula e jogou-se no chão ao lado da esposa
–Onde está Peter?- Mellani questionou no mesmo instante.
–Estava em ronda comigo quando aconteceu.- O de óculos respondeu suspirando
–E quando foram ajudar quem estava lá?
–Ele foi junto. Nos perdemos quando a Lily foi atacada. Viemos direto pra cá. Se fossemos pra Godric’s seria muito obvio.- Remus murmurou. Sirius suspirou, completamente chocado. Mellani andou de um lado para o outro e chutou a mesinha de centro com força
–Foram, anos...-chutou a mesa de novo-De Trabalho- Outro chute- Pro espaço!-Conseguiu virar a mesinha e ficou arfando de raiva- ANOS!- Limpou a bochecha- E tive que explodir toda aquela pesquisa, tive que explodir antes que eles colocassem as mãos. Eu juro que se eu pego quem fez isso eu vou... Eu vou...
–Mellani.- Sirius chamou- Se acalma.
–Não me peça o impossível quando você estaria agindo pior.
–Não é questão disso Mellani, escute a sua volta.- A loira ficou calada e ouviu os gritos de Lísis chamando-a do quarto- Vai se limpar e depois vai ver sua filha.- A garota assentiu ainda sentindo raiva e deixou os presentes. Andou até o banheiro e arrancou as roupas com cheiro de queimado e sangue. Enfiou-se embaixo da ducha em menos de um minuto. Deixou a água quase fria escorrer por seu corpo. Fechou os olhos e um filme do ataque passou por sua mente. Tudo corria através de Flashs. Um comensal a perseguindo, porque ela estava com os relatórios na mão. Móveis derrubados, Camila sendo arrastada pelos cabelos, ela segurando a colega pelas pernas e tomando um soco no olho. Sentiu muita dor e sua varinha disparou, fazendo um desenho estranho no ombro de seu agressor que queimava sem parar, como se uma flor de fogo destruísse a pele. Ela conhecia aquela pessoa que a atacou e saiu queimada. Era alguém que já tinha visto, aqueles olhos azuis, com aquela expressão de pânico, conhecia de algum lugar. Saiu do chuveiro e enrolou-se no roupão, deixando o cabelo pingar. Andou até o quarto da filha e abriu a porta. A pequena estava sentada no canto, abraçando os joelhos e de cenho franzido. Ela levantou a cabecinha e encarou a mãe com os olhos arregalados em surpresa
–Mamãe.- Levantou e saiu correndo. Mellani a pegou num abraço e ficou mais de um minuto com ela no colo, sentindo o cheirinho dela. Lísis nada fez, apenas correspondia o abraço, como se soubesse dos perigos que sua mãe tinha acabado de passar
–Eu te amo.- Mellani sussurrou beijando-lhe a bochecha com carinho
–Mamãe linda.- A menina segurou as bochechas da mãe com alegria- Shiuuuu.- Levou o dedinho a boca- Hawy mimindo.
–Harry está dormindo?
–Na minha taminha.- Disse num tom orgulhoso. Mellani esfregou o nariz contra o da filha e Phillipe sentiu o coração pesar ao ver aquela cena. Sua mulher fazia exatamente aquilo com Mellani.
–Você tem que se precaver melhor Mellani. Tem uma filha pequena. É melhor que fique longe disso tudo por algum tempo.- A loira o ignorou- Minha filha, estou dizendo pelo bem da sua família. Quer que Lísis tenha a vida que você teve?- A jovem bufou enquanto ninava a filha
–Ela não vai acabar feito eu senhor Grant.- Franziu o cenho e encarou-o- Porque Sirius jamais deixaria isso acontecer, mesmo com toda a dor que ele possa sentir com minha partida, ele ama nossa filha mais do que a ele mesmo e não a deixará. Nunca. É isso que os pais fazem, eles não abandonam.
–Eu ainda tinha esperanças de que pudesse me perdoar.
–Eu te aceito como um bom amigo.- Suspirou- Mas nunca foi meu pai. Talvez quando eu tive a idade de Lísis, da mesma forma que faz bem a ela, fez a mim. Mas eu não sou mais uma criança, eu cresci, infelizmente de maneira precoce, e mais infelizmente ainda, vendo todas as pessoas que eu amava sendo assassinadas e torturadas. Inclusive a menina que eu fui. –Suspirou- Eu não quero isso pra minha filha.- Os olhos dela marejaram e levou Lísis até o berço colocando-a deitada ao lado de Harry. A menina rolou para o lado e abraçou o primo que se aconchegou mais a ela. A loira sorriu fracamente e continuou olhando para o berço- Eu... Não posso abandonar tudo agora e me esconder. Quero viver em paz e não com medo. Quero que minha filha tenha uma adolescência normal. Que ela não cresça muito rápido porque tem uma guerra esperando. Ela precisa sair da escola, fazer viagens com os amigos, ir para uma faculdade trouxa, participar de um festival de música...Ela precisa sonhar.- Suspirou passando os dedos pelo rosto dela e depois de Harry- Eles precisam ser livres. Não os quero como nós, sendo obrigados a amadurecer, matando pessoas e perdendo tantas outras. Não os quero com 21 anos de idade cheios de traumas e cicatrizes tão profundas que nem mesmo a inocência de um filho cura.- Suspirou deixando finalmente as lágrimas escaparem
–Filha. Eu entendo o que passou, entendo como foi doloroso, mas Lísis precisa ficar num lugar seguro. Pense bem no que te falei. Abandone essa guerra enquanto pode.- Ela virou na direção do pai, os olhos marejados
–Não diga que entende. Você não entende o que passei. Você não estava naquele escritório no dia que meu verdadeiro pai morreu, não estava lá...- Ela soluçou e limpou o canto dos olhos- ...Quando eu e meus amigos perdemos nossas almas para o inferno. Você não foi estuprado.- Ela soluçou novamente e sua voz embolou- Nem mesmo foi torturado e obrigado a ver, sem poder fazer absolutamente nada.- Engoliu em seco e fungou encarando o pai- Você não sofreu a tortura psicológica que eu e meus amigos sofremos naquele dia, nem mesmo viu uma menininha inocente de 4 anos morrer sem direito a um enterro. Você não entende Grant porque você não viu o sadismo com o qual aqueles homens trabalham, você perdeu minha mãe há tanto tempo que saber que ela foi assassinada só agora não lhe abalou tanto. É por isso que me faz um pedido desses. James e eu jamais seremos os mesmos, nunca mais, desde aquele natal. Nem nós dois, nem Lily, Dorcas ou Remus. –
Ela soluçou sentindo uma dor imensa no peito- A gente tenta levar em frente porque é o que resta fazer, mas você nunca vai saber como é ter medo de dormir sem a poção Sem Sonhos. Você não faz ideia do que é, dia após dia, lutar para reformar o sistema e punir esse tipo de gente que mata crianças e usa menores de idade para estuprarem outros menores de idade. – Ela parou por um instante sentindo como aquilo a queimava por dentro-Sirius dorme todo dia com a culpa de não ter conseguido arrombar a porta do escritório alguns minutos antes. Ele vai morrer com o desespero de ter ouvido meus gritos, ter ouvido um cara me violentando e não ter conseguido fazer diferente. James é assombrado noites e mais noites pelos meus olhos. Como acha que ele fica por sentir repulsa da lembrança da irmã dele? Ele foi obrigado a ficar me olhando, ou ele fazia isso ou a esposa dele morreria. Todos morreriam. E você acha que estamos vivendo no inferno agora?
Phillipe ficou encarando-a longamente. Ela limpou as lágrimas, mas as benditas continuavam caindo sem controle. O homem observou a filha com pesar
–Eu só estou preocupado.- Murmurou- Realmente, acredito que afastando-os disso podem ficar seguros enquanto os mais velhos tentam resolver.
–Não.- Ela sussurrou escandalizada- Não é sobre uma vingança pessoal, não é mais sobre isso. Nós fomos atingidos diretamente, nos unimos em nossa dor e transformamos isso em ação. Mas não é por vingança, é por justiça, para que essas pessoas, que fizeram isso com muitas outras famílias, que elas possam ir para Azkaban, onde é o lugar de direito. Nosso sistema está podre Grant!- Sua exclamação o deixou enjoado- Tem estupradores, assassinos e torturadores ditando nossas leis. Tem um monstro no comando deles. Nós precisamos ser livres. Não é pelo que me aconteceu, é pelo que pode acontecer a outras pessoas. –Phillipe encarou o chão, sem coragem de olhar para filha- Mas o que eu posso esperar de alguém que abandonou a filha porque estava triste? Você só sabe fugir.
–Eu sinto muito.
–É um homem desesperado Grant, como muitos outros. Como Sirius, James e até mesmo como Dumbledore. A diferença é que nós conseguimos lidar com isso.
–Eu...-Ele suspirou- Eu não fazia ideia da pessoa forte que você se tornou. Eu sinto muito.
–Eu não falei daquele natal para ataca-lo. Eu falei para você entender contra o que estamos lutando. Não vou te julgar se quiser ir. Muitos já o fizeram, mas não posso permitir que afaste Lísis de nós. Somos os pais dela e aqui é a casa que ela conhece. O porto-seguro.
–Eu ficarei onde você estiver minha filha.- Phillipe a encarou com carinho e culpa- Talvez um pouco tarde para isso, mas ainda sim...
–Só precisa ficar ciente. Eu não vou a lugar nenhum que não seja onde eu possa acabar com tudo isso. Eu tenho uma filha para criar, farei o impossível para sobreviver. Com licença.- A loira saiu do quarto deixando um senhor perplexo para trás. Ele suspirou constatando que sua filha tinha se tornado uma pessoa muito determinada. Nem todos teriam a fibra dela.
–Não devia esperar diferente da filha de Clarice.- Ele sussurrou sorrindo tristemente. Ainda estava chocado com a amargura que sentiu na voz da filha ao falar daquele natal horroroso.
Mellani andou até o pequeno jardim no fundo da casa e viu Sirius fumando um cigarro. Ele vestia um jeans escuro e uma regata branca. Desde que parou de amamentar ela tinha voltado a fumar, não com a mesma frequência de antes, mas ainda sim não largava o vicio. Andou até o jovem e roubou o cigarro da mão dele. Sirius sorriu quando ela tragou e soprou a fumaça no rosto dele. O rapaz puxou-a com força pela cintura. A loira passou a mão pelo rosto largo e desceu os dedos até o cavanhaque, sentindo a textura dos pelos contra a pele. Ele sorriu de canto, mas aquilo provavelmente não tocou-lhe a alma. Ela suspirou e circundou as costas do rapaz, sentindo os músculos. Afundou os dedos contra o tecido da regata e encostou os seios ao peito dele
–Me faz esquecer um pouco essa loucura?- Ele sorriu discretamente, com um pouco de malicia. Inclinou-se para baixo em direção aos lábios dela, mas não a beijou, esticou a língua sentindo a textura dela com prazer. Mellani revirou os olhos e puxou-o impaciente, finalmente beijando-o com sofreguidão e volúpia. Quando ele a encostou no muro baixo, pronto para se satisfazer ali mesmo, James apareceu no jardim para avisar que Lílian tinha acordado. O casal se separou a tempo de verem o Maroto vermelho.
–Por que sou sempre eu que pego vocês dois em? Que saco. – Deu as costas e saiu resmungando palavras como, safados, insaciáveis, profanadores de família e por aí a fora. Sirius passou o braço pelo ombro de sua garota e foram andando de volta para dentro. Ele sorriu, dessa vez de verdade, e pensou com felicidade, Mellani era sua garota, e finalmente de maneira real.
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James sentou no meio fio e apoiou os braços nos joelhos, as pernas meio abertas. A varinha pendia em sua mão que ele balançava de um lado para o outro. O moreno estava encarando asfalto de cenho franzido. Ele e Peter usavam capas escuras e de difícil identificação em meio a uma multidão. O frio cortava seus rostos mesmo que fosse o auge de julho. Eles sabiam que aquilo era consequência dos dementadores. Os trouxas diziam algo sobre efeito estufa. James bufou irritado e olhou para o amigo
–Quem acha que foi?
–Não faço ideia. Quem não estava lá ou em ronda?
–O Carter, mas ele foi morto. Além do que, ele abandonou a vida dele para se dedicar a isso, duvido muito que tenha sido capaz...-Suspirou- Precisaríamos da escala de folgas para descobrir os possíveis suspeitos.
–Sirius estava de folga.
–A claro, o Sirius faria algo mesmo.
–Ninguém está acima de suspeitas.
–Rabicho, a mulher dele estava lá dentro. Se toca. E ele não estava de folga. Foi ferido e ficou estudando na sede até as quatro da tarde.
–Só levantei uma possibilidade.
–Não deveria, temos que confiar uns nos outros.
–Não quando temos um traidor em nosso meio. Além do que ele estava agindo estranhamente.- O moreno bufou- E já traiu o Remus.
–Sirius mudou muito desde aquela época. Ele amadureceu.
–Mas não tira das suspeitas.
–O que quer que eu faça?- Olhou-o irritado- Um interrogatório a base de veritasserum? Ele é meu melhor amigo. Você ficou longe por quase um ano inteiro e nem por isso eu estou desconfiado de você. O que te faz pensar que desconfiaria do meu melhor amigo?
–Foi sempre assim não é? Todo mundo prefere o Sirius, até as duas namoradas do Remus preferiram o Sirius em algum momento. Mas se ele levantasse alguma desconfiança sobre mim você ouviria.- James bufou
–Eu nunca preferi nenhum. Eu tenho mais afinidade com o Sirius, é normal sermos mais próximos, ele morou na minha casa quase todos os anos de Hogwarts, somos íntimos, como irmãos. Mas isso não significa que eu daria ouvidos a uma idiotice que ele pudesse falar. Como desconfiar dos meus melhores amigos. Somos fieis um ao outro, se essa desconfiança passa por sua cabeça é porque teme algo. Do que você tem medo Peter?- O rapaz foi salvo de responder quando um feitiço passou zunindo pela cabeça deles- Merda. – James agarrou a mão do amigo e aparatou para um ponto menos exposto.
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–A gente vai irritar o tio Sirius.- James cantarolou risonho subindo as escadas com o filho no colo. O menino imitou a sonoridade do nome de Sirius e os dois subiram feito cúmplices de um grande crime, sussurrando coisas e dando risadinhas. Não que Harry realmente sussurrasse palavras, mas ele ria baixinho e tinha uma expressão tão marota quanto a do pai. James entrou no quarto do filho e pegou o espelho comunicador. Sentaram no tapete, mas logo o menino ficou em pé, apoiando no pai. – Vamos chamar o tio. Vai, Siriussssss.- Harry repetia apenas o “uuusss” do nome, mas era o suficiente. O rosto de Lísis apareceu logo em seguida e o pequeno começou a pular empolgado
–ÍSI! ÍSI!- Gritava risonho e apontando- Papai, Ísiiiiiiii.
–Oi Hawy! Hoje é seu anessário.- Falou errado e riu largamente- A mamãe foi compa um pesente pa você. O papai ta mimindo. Paabéns pa você...-Ela começou a cantar e Harry que tinha aprendido recentemente a bater palmas juntou-se a cantoria- Nessa queída...-A pequena deu uma longa pausa, tentando se lembrar da música, e por fim concluiu- Feliz anessário Hawy.
–Hawy!- O menino repetiu e começou a gargalhar e fazer barulhozinhos com a boca. James ria ao ver a interação dos dois
–Hey Lísis.
–TIO JAY! TIO JAY!- Ela gritou batendo palmas
– Você roubou o espelho novamente?- A menina negou com a cabeça, mas seu sorriso dizia exatamente o contrário- Eu tenho uma missão para você.- Os olhos da pequena brilharam em empolgação. Ela adorava quando tio Jay lhe dava missões- Sabe aquela caixinha de tinta brilhante que eu te dei?
–Hum hum.- A menina assentiu sorrindo largamente- Pegue ela e faça um desenho bemmmm bonito no rosto do papai.
–Não podi. Papai vai bigar.
–Mas é uma missão. E vai ser engraçado.- A menina começou a rir e falar sem parar. A empolgação dela por fazer arte deixou James um pouco preocupado, mas apenas por um momento. – Leva o tio Jay junto.
–Tá bom.- Ela respondeu. James viu uma movimentação e notou que a menina estava descendo de algum lugar. Ficou um tempo olhando para a estampa de estrela do pijama e depois ela apareceu sorridente- Essa ati tio?
–Isso essa tinta.- A menina sorriu- Coloca o tio e o Harry no travesseiro da mamãe, ta bom?
–Ta bom.
–ISIIIIII.-Harry chamou empolgado e começou a pular, caiu sentado no colo do pai e ficou chutando com as perninhas. James levou o dedo em riste na boca e pediu divertido. Dava pra ver Sirius dormindo
–Shiuuuu.-Pediu e Harry o imitou. O moreno sorriu com maldade ao ver Lísis abrir a tampa da tinta vermelha e enfiar a mãozinha inteira no pote. Ela olhou para o tio com um sorriso arteiro e deslizou a mão pelo rosto do pai. Sirius levantou num pulo na mesma hora e James ouviu a movimentação de Lísis correndo e gargalhando. Ele começou a rir e Harry o imitou, não por entender a graça, simplesmente para imitar seu adulto favorito. O rosto de Sirius apareceu todo cheio de tinta e ele encarou o amigo com tédio
–Que engraçado senhor Potter, muito engraçado.- James não conseguia parar de rir e Harry apontava para Sirius falando em sua linguagem de bebê, o menino aprecia impressionado- Ela nunca vai me respeitar se ficar fazendo isso.
–Não precisa ficar vermelho cara.- Sirius mostrou o dedo médio- Hey, hoje é aniversário do seu afilhado.- Sirius mostrou o outro dedo e James continuou rindo.- Vai se foder.
–Oderr.- Harry imitou e James segurou o riso
–Lily está puta com a gente, a Lísis nunca imitou nossos palavrões, mas o Harry está imitando. É melhor parar.
–Utaaa.-Harry imitou novamente
–Não pode falar isso Harry.
–Iusss!-Apontou acusatoriamente para o padrinho
–Boca suja.- James brigou com Sirius, mas o tom divertido fez Harry rir
–Lísissss.- Sirius chamou- Vem aqui agora.
–Não!- A vozinha da menina soou abafada e James começou a rir- Não vo não.
–James, você estragou minha filha.- E saiu de vista. O Maroto largou o espelho no berço de Harry e saiu do quarto com o menino no colo.- Vamos tomar um banho?
–Shuaaaa.- Harry balançou os dedinhos e James o imitou. O rapaz suspirou feliz enquanto entrava no banheiro com seu filho. Todo o temor que sentiu quando o menino nasceu tinha dado lugar a uma intimidade que crescia a cada dia. Nesse primeiro ano ele e Lílian conheceram melhor o filho, descobrindo do que ele gostava mais e o que o desagradava. Durante o dia, quando sua energia estava no pico, ele preferia ficar com James, brincando e rindo todo o tempo, quando estava com sono era o colo da mãe que desejava. Potter percebeu que seu filho precisava de ambos para diferentes momentos e que não precisava ficar chateado quando estava cuidando dele e o menino chorava pela mãe. Fazia parte, o pequeno estava se adaptando a nova vida, e aqueles pais trapalhões também. Sorriu deixando o menino sentado dentro da banheira. Encheu-o de brinquedos de borracha como patinhos e navios e o pequeno adorou mexer com as bolhas e todos aqueles acessórios.
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–Lily florrrr.- James correu em direção a sua mulher, ela franziu o cenho desconfiada e pediu ajuda com o bolo que tinha comprado. Ele ajudou prontamente e a encarou com um sorriso nervoso
–Cadê o Harry? Quero colocar esse macacão novo nele.- Ela parecia empolgada- Vai ficar um fofo de vermelho. Parecendo você. Daqui a pouco as pessoas chegam.
–Então...-James apoiou no balcão da cozinha- É realmente uma história muito engraçada... Sabe...
–James.-Lílian chamou alertando-o- Cadê o Harry?
–Eu estava brincando de esconder.
–Com o que?
–Com a...Capa?- Ele fechou o olho direito e torceu o lábio, esperando o grito. Lílian apenas bufou- Deixei o Harry esconder também, mas eu acho que ele dormiu, e eu não to conseguindo achar o menino, em canto algum.- A ruiva cruzou os braços e apertou a própria pele com força olhando para o marido com as sobrancelhas arqueadas como se fizesse um esforço tremendo para não esmurrá-lo.
–Você se lembra quando ele nasceu? E você o perdeu da mesma maneira? O que eu disse sobre a capa?
–Que Harry não deveria usá-la até ter idade pra saber andar e falar adequadamente.- Murmurou feito uma criança- Ou para não se sufocar no pano.- Ela o encarou com muita raiva e por fim disse, numa voz muito controlada
–Ele deve estar embaixo da mesa. Esqueceu que vive se enfiando aqui?-Abaixou e tateou o chão, sentiu um volume quentinho respirando onde aparentemente não tinha nada e puxou o tecido. A cabeça de seu filho apareceu, ele dormia tranquilo, todo enrolado na capa. Ela o pegou no colo e encarou James com raiva
–Por que você é tão teimoso?
–Lil’s, eu sinto muito, eu só... Eu...
–Não fala comigo agora.- Ela suspirou- Espera eu me acalmar. –O Maroto fez bico e jogou-se na cadeira.
–Parabéns pra você, nessa data querida...- Todos cantavam batendo palmas. Estavam em volta da mesa da cozinha, Sirius acotovelava-se com Remus, ambos dando risada do jeito sem graça que James estava ao ficar ao lado da mulher. Eles já sabiam que o Maroto tinha tomado bronca por ter perdido Harry na capa e acharam aquilo hilário. Peter não estava presente, ficou preso numa ronda com Moody, e James ficou meio chateado com aquilo comentando com os amigos que Alastor podia ter mudado a escala de folga de Peter apenas naquele dia. Sirius riu de canto, observando a filha bater palmas no colo da mãe. Harry assoprou a única vela do bolo, mais babando em cima do que realmente apagando. Lílian e James ajudaram. Alice e Frank estavam lá com o filho deles, Neville. Sirius tirou um sarro perguntando quem colocava aquele nome nos filhos e Frank rebateu dizendo que Lísis era tão moderno quando Socrates ou Platão. Ted e Andromeda também estavam por lá. A filha deles grudada em Camila, que muito triste pela perda de Carter, se alegrava em entreter a menina ensinando-lhe truques já que era metamorfoga igual a ela.
–ÊÊÊ, pra quem vai o primeiro pedaço Harry?- Lílian perguntou fazendo gracinhas
–Ele não vai saber ruiva.- Sirius tirou sarro. A jovem deu o pratinho com bolo na mão do filho e sussurrou algo no ouvido dele. O menino ficou parado encarando a guloseima no pratinho durante um longo minuto e finalmente estendeu o bolo em direção a prima. Lísis gritou empolgada
–BOLOOOO!- E pegou feliz. Mellani sentou a menina na cadeira e ela começou a comer cantarolando alguma musiquinha infantil. Harry estendeu as mãos e chamou-a- Vem Hawy, senta ati junto.- Lílian sorriu e colocou o filho na cadeira ao lado de Lísis. A pequena pegou um pouco de bolo com a colher e levou até a boca do primo. Mellani e Lílian sorriram, Sirius aproveitou e tirou uma foto.
–Quantos anos você tem Tonks?- Camila perguntou sentando-se no sofá
–Eu tenho oito.
–E você já sabe fazer tudo isso?
–Hum sim. Mas...-A menina bufou- Mas meu pai não me deixa nem ir sozinha na praça, por causa da guerra. E eu fico muito tempo com os parentes do meu pai, mas só posso ficar na tia Beth porque ela sabe que sou bruxa. Aí fica ruim, queria brincar com meus primos, mas eles não podem saber o que sou e eu não posso ficar com eles até aprender a me controlar. Queria ter primos bruxos.
–Você sabia que é prima daquele cara ali?- E apontou para Sirius. Tonks arregalou os olhos e corou, seus cabelos ficaram rosados
–D-dele?
–Sim. Sua mãe é prima dele. Eles moravam na mesma casa.
–E o que houve?
–Hum, não sei. Mas eles se dão bem.- Tonks assentiu vendo a mãe conversar com o primo- Legal ter um primo por parte de mãe não é?
–Hum, s-sim...
–Vai lá falar com ele?
–N-não.- A menina gaguejou ainda olhando para Sirius. O jovem virou e Andromeda apontou para a filha. Sirius sorriu e acenou, ela arregalou os olhos e cobriu-se com a almofada. Sirius riu e deu as costas, voltando a conversar com a prima. Harry, que já andava mais agora, começou a perseguir Lísis que corria e dava gritinhos. Neville entrou na brincadeira empolgado. Tonks tirou a almofada do rosto e observou com um sorriso os pequenos correndo desajeitadamente
–Você não quer falar com Sirius?
–Não.- E riu nervosamente
–Por quê? É seu primo bruxo afinal.
–Ele é muito bonito.- Camila sorriu
–Ele é. Mas não se preocupe, ele não morde quando está em forma humana.
–E-ele é... Um lobisomem?
–Não, foi apenas uma expressão.- Camila não sabia que o Black era um animago. Tonks suspirou e jogou a cabeça para trás, parecia entediada
–Eu nunca tenho ninguém da minha idade pra brincar.- Bufou
–Eu te entendo. Não fui pra Hogwarts até os 15 anos e não podia brincar com as crianças da vizinhança porque eram trouxas.
–Você também?
–Sempre tive probleminhas com cores. Assim como você.
–Mas você está tão controlada, olha só pro meu cabelo, está roxo, e não muda de cor, sempre roxo. O seu é ruivo! Só fica colorido quando você quer.
–Eu demorei em controlar, mas fazia uma brincadeira que me ajudou muito.
–Qual?
–Fale uma cor.
–Magenta. — Camila piscou. Nenhuma criança muito comum diria aquilo. Ela sorriu e mudou seu cabelo, olhos e sobrancelhas. Tonks sorriu empolgada
–Diga outra.
–Ambar.- Camila mudou de novo.
–Você gosta de cores diferentes em. Vai, mais uma.
–Roxo.- Camila mudou e ambas ficaram com os cabelos roxo. Tonks sorriu empolgada e começou a dizer uma cor atrás da outra, rapidamente. Camila trocou a cor dos cabelos rapidamente, junto com as palavras dela. Os três pequenos sentaram no tapete, na frente das duas e ficaram calados, de olhos admirados e bocas meio abertas.
–Agora é sua vez.
–Não vou ser tão rápida.
–Mas essa brincadeira vai te ajudar a se controlar.
–Hum, ok.- Suspirou
–Amarelo.- A menina fechou os olhos e quando os abriu viu seus cabelos laranjas- Quase lá. Precisa de concentração. Você tem que achar o equilíbrio entre as emoções e o seu dom.
–Esse equilíbrio é a chave para tudo.- A voz de Remus soou atrás das duas. Elas viraram e Tonks ficou admirada com as cicatrizes no rosto do rapaz bem como a cor dos olhos, âmbar, sua cor preferida- Eu sou Remus Lupin.
–Tonks.- Ela respondeu timidamente e pulou do sofá indo para junto da mãe. Remus sentou no lugar da menina e os três pequenos correram atrás da mini metamorfoga.
–Como está?- A ruiva perguntou olhando-o preocupada.
–Eu é que pergunto. Agora que estava se acertando com o Carter.
–Eu perdi minha casa, minha babá que era feito minha mãe, meu namorado. Acho que estamos quase na mesma.- Ele suspirou de maneira triste e puxou-a para um abraço. Camila suspirou e agarrou-se a ele. Estranhou o cheiro que antes lhe era familiar, uma vez que tinha se acostumado e aprendido a apreciar muito mais o cheiro de Carter- Eu to destruída. – Sussurrou deitando a cabeça no ombro dele
–Eu te entendo.- O loiro sussurrou. Separaram-se e ela limpou rapidamente a lágrima teimosa
–Hoje é dia de festa. Harry, Lísis, essas crianças aqui hoje, elas são nossa esperança. Precisamos ficar bem.
–Tem razão. –Se olharam nos olhos, sentindo uma cumplicidade pela dor que carregavam no peito. -Nossas vidas parecem sempre se cruzar. De um jeito estranho.
–Não começa, por favor.- Ela sussurrou- Estamos feridos de mais, nossas pessoas mais importantes nos foram tiradas. Esse tipo de reflexão agora nos levará de volta ao passado e talvez...-Ela suspirou- Talvez a gente se machuque.- Remus engoliu em seco e assentiu- Não vamos reavivar algo que agora só nos deixaria pior.- Ele suspirou
–Está certa.- Beijou-lhe a bochecha com carinho- Vou dar uma volta.- Levantou largando-a no sofá. Camila suspirou, sentindo um aperto estranho no peito. Ainda estava de luto por Carter e por tudo que aconteceu, não precisava de um romance novo, tendo que competir com o fantasma de Dorcas. Saiu de seu devaneio quando a campainha tocou. James andou até a porta e a loira notou a feição surpresa dele. Em seguida Dumbledore, Moody e Kinsgley entraram
–Boa tarde senhor. Que surpresa tê-lo aqui. Hoje é aniversário do Harry fizemos um bolo...
–Nós recebemos o convite Potter.- Moody cortou as explicações com a grosseria habitual e o moreno conteve a vontade de revirar os olhos
–E agradecemos muito a consideração.- Dumbledore disse com um sorriso calmo.
–Entrem. – O jovem pediu
–Acredito que os Longbotton estejam aqui também.- Kinsgley comentou e James assentiu. Lílian aproximou-se dos homens, Harry estava em seu colo. O menino abriu um sorriso ao olhar para Dumbledore e de maneira tímida apontou para a barba do homem. O diretor sorriu e tocou o nariz do menino na ponta, o pequeno sorriu e escondeu o rosto no pescoço da mãe.
–Tá vendo flor?- James debochou- Você disse que eles eram ocupados de mais para vir. Aqui estão. Eu fiz bem em convidar.- Balançou as sobrancelhas e Lílian corou
–Bem, nós realmente não poderíamos vir, mas...-Kinsgley ficou sem jeito- Precisamos conversar seriamente, com vocês e com os Longbotton.- Lílian sentiu algo estranho no peito e os olhou com preocupação evidente
–É algo muito grave?- A expressão de Moody lhe disse tudo. Ela andou até Mellani e a amiga a olhou com preocupação
–O que houve?
–Dumbledore quer conversar comigo e James, e os Longbotton.- Mellani assentiu estendendo as mãos para pegar Harry. O menino foi de bom grado. A loira olhou em volta e viu Camila segurando Neville enquanto Alice e Frank seguiam Dumbledore para a cozinha. Sirius franziu o cenho quando James fechou a porta. Kinsgley e Moody ficaram na sala com os outros
–Então?- Frank perguntou sentando-se ao lado da esposa. James e Lílian também estavam sentados. Dumbledore cruzou os braços e apoiou-se na pia.
–Um ano atrás, exatamente um ano atrás, estava procurando uma nova professa de adivinhação para Hogwarts.- James cruzou os braços e franziu o cenho, algo apertava seu coração- Encontrei a tri neta de Cassandra Trelawney e estava um pouco desconfiado de que ela não tivesse o mesmo dom que a parente.- Lílian suspirou se perguntando onde tudo aquilo os levaria- Pois bem, enquanto estávamos conversando ela teve uma visão. Uma visão que automaticamente se tornou uma profecia, segura no departamento de mistérios do Ministério.
–Nós precisaremos buscá-la? Precisaremos invadir o Ministério para pegar essa profecia?- James perguntou
–Não.- Dumbledore começou- Uma profecia só pode ser retirada pela pessoa que está nela, a pessoa de quem a profecia fala.
–Então, um de nós está nessa profecia?- Frank comentou sentindo o sangue gelar- Vamos precisar ir até lá?
–Eu ouvi a profecia em primeira mão.- O mais velho continuou- E ela está segura, uma vez que só pode ser retirada pelo filho de um de vocês.- Alice arfou e Frank segurou-lhe a mão com carinho
–O que disse? O que disse a profecia?- Lílian pediu sentindo o coração apertado
–Dizia que aquele que tinha o poder de derrotar o Lorde das trevas se aproximava, filho de pais que o desafiaram por três vezes, nascido ao final de julho.- Lílian levou a mão a boca e seus olhos se perderam nos de Dumbledore, o medo evidente em suas feições- Ela informou que Voldemort o marcará como um igual. E que um deverá morrer na mão do outro, pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver. – Alice soltou um soluço
–Ele não pode saber, ele não deve ter noção dessa profecia ou nossos filhos correram grave perigo.-Alice murmurou e olhou para Lílian. A ruiva lembrou que a terceira vez que enfrentou o Lorde das trevas ao lado do marido estava em companhia do casal Longbotton, que ironicamente também o enfrentavam pela terceira vez. Era um feito, pessoas conseguirem se safar com vida por três vezes.
–Não haverá uma quarta chance caso ele nos ache.- Lílian murmurou tremendo da cabeça aos pés- Por favor senhor, nos diga que ele não sabe disso. Nos diga que ainda podemos mudar o curso disso antes que nossos filhos virem alvos.- Dumbledore baixou os olhos e Lílian segurou as mãos de Alice- Professor Dumbledore. Por favor, nos diga.- O desespero na voz dela era sufocante
–Lily.- James encarou o mais velho- Eles já sabem. Não é senhor?
–Sim. Infelizmente sim. –James sentiu um nó na garganta- E essa demora de agir, muito provavelmente é porque ele está escolhendo, qual dos dois será sua vitima.- Frank abraçou Alice e Lílian escondeu o rosto no ombro de James. O moreno encarou o diretor e com os olhos marejados murmurou
–O que podemos fazer?
–Bem, é um feitiço que exige muita força de vontade, já que ficaram isolados por um tempo muito grande. – James mordeu o lábio inferior- Devem fazer o Fidelius na casa de vocês, todos que os visitaram esquecerão da localização inclusive eu para ele funcionar, Escolham uma pessoa que confiem, alguém que não será um alvo tão fácil...- Dumbledore continuou falando de suas estratégias. Os quatro jovens ouviam atentamente.
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–Eles estão lá dentro a mais de uma hora.- Sirius comentou olhando para a porta com preocupação. – O que será que está acontecendo? Por que não nos chamaram também?
–O Peter não estava em ronda com Moody?- Mellani perguntou enquanto ninava Harry em seus braços
–Quem quer saber do Peter agora? Eu preciso saber o que está acontecendo.- Lísis veio correndo e com um pouco de dificuldade subiu no colo do pai. Neville começou a rir no colo de Camila e puxou o cabelo da metamorfoga. Os Tonks se despediram aos protestos de Nymphadora que queria ficar mais com Camila. Remus andava de um lado para o outro sentindo arrepios pelo corpo, parecia um animal enjaulado. Mellani o acompanhava com os olhos, mas a mente estava longe, querendo entender porque Peter nunca visitou James sendo que eram melhores amigos.
A porta abriu e Dumbledore saiu, cumprimentou a todos com a cabeça e se foi. Lílian e Alice estavam com os olhos marejados e o rosto inchado pelas lágrimas. James fungava e Frank estava visivelmente em choque. Sirius e Mellani levantaram do sofá e ajudaram os outros a sentar. James levou as mãos aos cabelos e segurou-os com raiva. Quando finalmente conseguiu olhar para os amigos não tinha mais forças para falar. Pegou o filho dos braços da prima e o olhou com dor no coração. Entre pedidos de explicações, Frank, que parecia mais calmo entre os quatro começou a falar. Sirius levantou e começou a andar de um lado para o outro, indignado. Mellani levou as mãos aos lábios, pareci que rezava, mas na verdade estava com a cabeça a mil. Remus jogou-se na poltrona de James e ficou encarando os amigos com horror.
–Temos que tomar cuidado. Ninguém além de nós pode saber disso, levando em conta que há um traidor na Ordem, não podemos deixar que ninguém saiba. Ninguém que não está nessa sala hoje.- Mellani murmurou sentindo o coração bater pesado- Eu me ofereço para ser a fiel do segredo.
–Não.- Sirius murmurou- Correrá um risco desnecessário e Lísis precisa de uma mãe. Se alguma coisa acontecer... Que seja comigo. Eu serei o fiel do segredo.
–Eu não pensaria em pessoa melhor para isso além de vocês.- Lílian olhou para Remus, Mellani e Sirius. – Eu deixo a escolha em suas mãos James.
–Sirius é claro.
–Não pode pensar nisso de cabeça quente James, precisa pensar, ver quem será mais difícil de achar...-Mellani começou a falar
–NÃO!- O moreno gritou assustando os pequenos. Harry acordou num pulo e Lílian o tirou do colo do pai. Lísis encolheu-se no peito de Sirius.- Não temos tempo para pensar. Não podemos nos dar ao luxo. Se ele está sabendo pode estar marchando para nós nesse exato momento. Eu não posso...Suspirou- Não posso perder tempo. Sirius, você aceita?
–Claro.- O rapaz suspirou- Claro que sim. Quando o feitiço será feito?
–O mais rápido possível.- Disse na frente de todos. Remus suspirou aliviado. Sirius jamais trairia James.
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Mellani estava novamente na antiga sede da Ordem. Aquele comensal que arrastava Camila a olhava com espanto enquanto seu ombro queimava. As coisas aconteciam em câmera lenta. Mellani não entendia como sua varinha tinha lançado aquele feitiço tão estranho. Como ela conjurou uma flor de fogo que queimava sem parar, no ombro do maldito. Ela o olhou nos olhos, aqueles olhos azuis em pânico. Ela conhecia aqueles olhos, mas de onde? Aquela expressão lhe era familiar. Acordou arfando, o suor escorrendo por todo corpo. Sirius estava sentado, olhando-a preocupado
–O que foi?
–Pesadelo. Aquele dia do ataque a Ordem.
–De novo?- Mellani sentou e apoiando o cotovelo no joelho levou a mão aos cabelos.
–Eu não consigo entender.- Suspirou sentindo-se fraca- Essa cena fica repetindo nos meus sonhos, sem parar. Não sei por que minha varinha agiu daquela maneira. Eu nunca conjurei uma flor de fogo.
–Você só está impressionada com toda a história da profecia.
–Quem não está?
– A Ordem está espalhando pistas falsas. Dizendo que os Potter estão se mudando para o interior. Acho que está dando certo.- Mellani ficou calada, fitando o nada. – Sabe, algumas pessoas já sabem que sou o fiel do segredo. Isso é tão... Tão obvio que tenho medo.- Ela não confiava em outra pessoa a não ser ela ou o próprio marido para ficar com aquela responsabilidade
–Isso é muito injusto.- Ela sussurrou por fim. – James e Lily passarem por isso.- Suspirou- Ou os Longbotton. Tão injusto. Bebês serem caçados desse jeito.- Seu coração apertou, como há quase uma semana atrás, quando soube da noticia- Esse homem precisa ser detido.- Sentiu as lágrimas desceram e escondeu o rosto entre as pernas- Enquanto eu devia estar bolando algum plano, ajudando com os ataques, só consigo ficar lembrando do ataque a Ordem, no que minha varinha fez no ombro daquele comensal.
–Essa coisas acontecem Mellani. Quando eu fui comprar minha varinha o Olivaras disse que elas se comportam de maneira estranha em algumas situações.
–Ele me disse a mesma coisa, mas eu não acreditei.- Suspirou- E você não entende o que isso significa? Eu provavelmente deixei alguma coisa muito importante passar, minha cabeça não para.
–Você precisa descansar, ficar remoendo isso não vai te levar a nada, o que deixou passar provavelmente está na mão deles ou destruído.
–É fácil pra você falar. Só precisa se preocupar com os duelos.- Sirius a olhou ofendido e virou as costas
–Quer saber? Problema é seu.
–Sirius... Eu não quis eu...
–Eu sei muito bem o que quis dizer. Você acha que está acima de mim porque tem esse dom pra ver as coisas logicamente, mas eu vou te explicar uma coisa. Nem sempre seus planos saem certo, esse é um momento em que você está totalmente fora do controle, precisa se acostumar com isso. Não tem o que fazer, o cara está atrás dos nossos amigos e do nosso afilhado e a não ser que queira que ele venha atrás da nossa filha também o melhor que tem a fazer é descansar e esquecer essa história do ataque, nada de bom vai vir daquele momento.- Ele se cobriu com o edredom e ela deitou, encarando o teto. Depois de longos 5 minutos em silêncio ela sussurrou
–E-eu... Não me acho acima de você. Temos dons diferentes, mas nem por isso uns podem ser considerados mais medíocres do que outros. Meus planos não seriam nada sem gente competente para executá-los.- Ela notou que a respiração dele ficou mais acelerada- Formamos um time incrível.
–Eu sempre me senti inferior a você, em muitos aspectos. Era por isso que eu te enchia tanto.- Aquilo a pegou de surpresa. Ele finalmente virou e puxou-a para si, num gesto carinhoso- Não gosto de te ver chorando, você é uma mulher forte.- Beijou-a de maneira terna- E vê-la tão frágil na minha frente.- Suspirou- É devastador.
–É que tudo isso, mais essa da profecia agora, tudo ficou pesado de mais. – Sirius aconchegou-a mais junto a si
–Nós vamos dar um jeito nisso.- A loira achou aquela frase irônica demais.
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–O que?- James o olhou com preocupação- Por que não quer ser mais o fiel ao segredo?
–Não é que eu não queira Pontas.- Sussurrou. Estavam na sala de James. Harry traçava desenhos na tatuagem que o Padrinho levava no braço e conversava com o desenho em sua linguagem de bebê- Acontece que vai ser muito obvio. Ao descobrirem que vocês estão sob o Fidelius vão direto em mim. Eu sou seu melhor amigo, estivemos juntos sempre, somos padrinhos dos filhos um do outro. Nós não podemos nos dar ao luxo de sermos encontrados tão fácil. Vocês precisam de uma chance melhor. Eu ou Mellani, é o mais obvio.- James suspirou e encarou o amigo
–Quem você sugere então? Eu não consigo confiar em nenhum membro da Ordem como os Longbotton fizeram. Eu... Remus?
–Ele seria a segunda opção, o cara acabou de perder a companheira dele. Não sei se aguentaria um peso desses.
–Está menosprezando o Remus. Esqueceu que ele aguenta se transformar desde os oito anos?
–Aí que tá. Matá-lo como lobisomem e anular o feitiço é muito mais fácil. Precisamos de alguém não tão... Precisamos do Peter.
–Peter? Você está doido? O Peter, ele sempre abria o bico pra McGonagall quando era pressionado, o que te faz pensar que ele não vai abrir quando for torturado?
–O Peter cresceu James, ele até entrou na Ordem, ficou um tempo afastado de nós, as pessoas não vão associá-lo. É perfeito.
–Será?- James suspirou novamente e encarou o amigo com medo- Podemos coloca-lo sob proteção?
–Claro, devemos. Eu mesmo farei isso. Mas você precisa fazer esse feitiço logo. Na Ordem todo mundo acha que sou o fiel do segredo. É perfeito, mesmo que alguém de lá abra o bico, será a manobra perfeita.
–E você pode morrer em vão. Podem chegar até Lísis.
–Não. Eu posso morrer para salvar vocês e minha família. E vou mandar Lísis para as mãos do senhor Grant. Pelo menos até tudo isso acabar.
–Tem certeza de que estamos fazendo a coisa certa?- Sirius deu de ombros
–Não. Mas vendo logicamente, é a coisa mais sensata a se fazer.- James assentiu
–Você tem razão. Mande Mellani para longe também. Deixe-a segura.
–Pontas, é da Mellani que estamos falando.- O de óculos assentiu cansado.
–Auau.- Harry brincou apertando o braço do padrinho com o dedinho. James pela primeira vez reparou na tatuagem do amigo
–Isso é um cachorro?
–Sim, em tribal Maori.
–Maori?
–É um termo que algumas tribos antigas se designavam. Eu achei muito interessante porque eles tinham muito contato com a natureza, principalmente com a terra e o Almofadinhas, bem, você sabe como ele se comporta.- James sorriu. Era uma tatuagem muito bonita
–E esses símbolos em volta do cachorro?- James olhou vendo que os símbolos dando a volta no braço do amigo
–Força, magia, coragem. Essas coisas. A Mellani disse que às vezes, quando você está sem varinha, alguns símbolos no corpo podem te ajudar a fazer magia. Achei interessante tatuar esses símbolos maori. Se você olhar bem...As letras tem a forma dos desenhos da minha varinha.- James piscou surpreso- É uma representação. Pode ajudar a fazer magia sem varinha. Eu nunca testei, mas vai que um dia precise.
–Que legal cara.
–A Mellani tatuou os símbolos da varinha dela na coxa direita, se você olha parecem só palavras em tribal feitas de maneira aleatória.
–Dando a volta na coxa igual seu braço?
–Sim. Na direita.- Sirius sorriu de canto- É muito sexy.- James fez cara de tédio e puxou Harry do colo do padrinho
–Não perverta meu filho.- O Black riu- Hey, você, Mel e Lísis querem vir aqui mais tarde? Para uma... Despedida?
–Despedida? Pontas, que mórbido.
–É que nós nos vemos quase todos os dias, vai ser estranho ficar esse tempo isolado.
–Claro, vou buscá-las.- James sorriu largamente .
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