Pintura Intima
48 Capitulo 47: Começo de um Adeus
Notas iniciais
E então mandei alguns homens à luta. E um deles voltou na calada da noite. Eu disse: "Você viu meu inimigo?" Ele disse: "Se parecia com você". Então eu saí para cortar meus pulsos. E aqui vou eu
James estava maravilhado com a experiência de ver a gravidez de sua mulher. Era incrível todos os nuances pelos quais passaram. Ele adorava as mudanças que o corpo dela sofreu, desde a sensibilidade extrema a todos os seus toques, até os pequenos caprichos, que lhe tiravam sono à noite. Tudo era incrível. Depois veio o ventre que se esticou gradativamente e agora, diferente do que foi Mellani, mostrava uma senhora barriga cinco meses. Com direito a vestidos e macacões, que o Maroto fazia questão que ela usasse.
James parecia um filhotinho de cachorro, rodando-a feliz a todo instante. Lílian chegou a se irritar com ele algumas vezes, devido ao excesso de cuidados. O rapaz não queria que sua querida esposa ao menos subisse as escadas. Quando ela dormia, ele ficava por horas a admirar o ventre e imaginar a criança que nele se desenvolvia. Era uma emoção muito grande.
Amava saber que crescia, dentro de sua mulher, algo dos dois, uma representação de todo amor que sentiam um pelo outro. Ver a felicidade dela por carregar um filho deles lhe deixava mais e mais em extasie. Mesmo que o filho não tenha vindo em boa hora, que fosse nascer em meio a uma guerra e com pais muito jovens. Nem mesmo os fatos de dar adeus à calmaria e voltar a fazer muitas rondas lhe tiravam a felicidade.
Naquela tarde de março ele estava sentado na cama observando a esposa passar um óleo hidratante na barriga. Seu sorriso era bobo enquanto a encarava pelo espelho
–O que foi?- Ela sussurrou sorrindo
–Estou te olhando. Não posso?
–Esse seu sorrisinho sempre pede sexo Jay. Nem vem. Se nos atrasarmos a Mel nos mata, ou pior, o Sirius aparece aqui com a menina.
–Ela vai fazer um ano. Não vai lembrar se os padrinhos se atrasaram ou não.
–Está agindo feito Sirius agora.- Ele riu e se aproximou sentando atrás dela
–Deixa que eu faço isso pra você.- E untou as mãos com óleo. Adorava o cheiro de amêndoa que a esposa exalava depois disso. Olhou-a nos olhos, pelo espelho, e ela suspirou. As mãos dele pararam no ventre e sorriu maravilhado ao senti-lo mexer. Era sempre assim, todas as vezes que o filho deles se mexia James sentia um alvoroço dentro de si. Uma felicidade tão grande que não conseguia conter
–Isso é tão maravilhoso.- Sussurrou beijando-lhe a bochecha- Nosso menino.- Ela sorriu
–Um menino. Deve ser pra balancear com a Lísis.
–Eu estava pensando em Enveldork.
–De novo essa história James?
–É bonito, interessante...
–Eu vou fingir que não sei que você apostou com os meninos sobre isso.- Ele fez uma cara que confirmava exatamente as suspeitas dela, mas negou descaradamente
–Claro que não. Enveldork é perfeito, unisex, se meu filho quiser virar Gay. Um transformista, ele pode usar o nome original.- Lílian o encarou com as sobrancelhas arqueadas
–Olha que ridículo o que está dizendo. James!
–Ué, se ele quiser, vai recriminá-lo? Preconceituosa.
–Não é questão disso. Ele pode se chamar Rodolfo e querer ser uma mulher, irei apoiá-lo, mas se ele quiser simplesmente ser homem, imagina quando ele perguntar por que tem um nome tão ridículo feito esse. Imagina só o que vamos responder!!!- Começou a rir- E se ele estudar com pessoas que forem metade do que os Marotos foram, vai sofrer.
–James esteve aqui? Pode ser o segundo nome?- Lílian gargalhou
–Você não vai ganhar essa aposta ridícula Pontas.- Ele emburrou falsamente e fez um bico jogando sua melhor cara de cachorro sem dono
–Por favor.
–Eu pensei em Harry.- O rapaz parou com as gracinhas no minuto seguinte e ela virou, encarando-o
–Harry?
–Sim.- Sorriu sem jeito- Seu pai deu a vida por mim. Se ele não tivesse se jogado contra aquele feitiço eu não estaria aqui.- Suspirou- Harry James Potter. Ao homem que sou eternamente grata e ao homem que tanto amo. -O Maroto engoliu em seco e segurou o rosto dela com ambas as mãos- Harry James Potter, para lembrar dos homens mais corajosos, honestos e dignos que apareceram na minha vida.
–É um nome perfeito.- Sorriram e beijaram-se. Alguns segundos depois ele se afastou- Droga, perdi a aposta.- Ela riu- Se bem que...-Se afastou mediocremente- Você podia dizer que mudou de ideia quando o menino nascer. O que acha?
–Isso não seria justo. E vão me atazanar tanto que é capaz que eu não me acostume a chamá-lo de Harry. Aí já pensou? Fica Enveldork pra sempre?- Ele bufou
–O que custa Lils?
–Não começa com essa história de novo Potter.- E riu levantando- E vai se arrumar antes que o Sirius resolva aparecer por aqui e nos arrastar a força.
–Hum, a Lísis concordaria comigo.
–A Lísis é um bebê que acabou de fazer um ano. Ela vai concordar com tudo que os adultos preferidos falarem.
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Lísis piscou irritada quando um flash forte irritou seus olhos. Ela não chorou porque estava entre seu papai e sua mamãe. Ela adorava o cheiro e a voz dos dois, muito. Queria mais era enfiar as mãos naquela coisa colorida que os grandes estavam chamando de bolo e esticou-se no colo de seu pai, ele era o adulto mais engraçado, mas a mamãe tinha o cheiro que ela mais gostava. Gritou tentando dizer que queria o bolo, mas foi tirada de perto dele. Se irritou e agarrou os cabelos do papai, ele tinha que perceber que ela queria aquele bolo.
–Não pode puxar cabelo Lísis.- O seu adulto favorito parecia bravo com algo. Com um ano ela já sabia o que era bravo, embora não fizesse muita noção do real significado, era algo que a deixava em apuros. Irritou-se mais ainda e franziu o cenho, com um bico enorme.
Ela sabia que a palavra não era algo ruim, que sempre a tiravam de perto daquilo que queria quando essa palavra era pronunciada. Ela detestava o não, e não queria seu papai dizendo aquilo. Muito brava esticou o dedinho e tocou o nariz dele.
–Não.- Imitou o pai. Eles sempre sorriam quando ela imitava algum som que eles diziam, mas tinha preguiça de imitá-los, então preferia resmungar, inventando um próprio dialeto para os sons difíceis que os adultos diziam. Ouviu a voz do tio Jay e gritou empolgada querendo ir para o chão. Sua mamãe sempre a deixava se arrastar pela casa, mas seu papai nunca a soltava e aquilo já estava irritando.
–Vem com o tio.- O rosto do tio Jay apareceu na sua frente e logo ela se viu voando, para cima e depois caindo para os braços dele, para cima de novo e para os braços dele. Ela adorava aquela brincadeira. Abriu a boca rindo sem se importar com a saliva que escorria. Ela nem sabia o que era saliva.
James soltou uma exclamação de nojo quando Lísis babou, em grande volume, no rosto dele. A menina riu e ele a colocou no chão. Ela saiu engatinhando para as pernas de Lílian, querendo colo de qualquer jeito. A ruiva abaixou com certo esforço e esticou as mãos, a pequena apoiou as mãozinhas nas da tia e levantou com bastante esforço. Deu alguns passinhos apoiada e sentou fazendo um barulho engraçado
–Ela vai ficar doente.- Sirius murmurou pegando a menina do chão. A casa estava com os mesmos integrantes de sempre e Phillipe Grant
–Não. Ela não vai.- Mellani resmungou- Deixa a menina tentar andar.
–E se ela cair e bater a cabeça?
–Aí ela nunca vai andar.
–Coloquem ela no andador.- Remus lembrou- Ele foi dado com esse intuito.
–Ela vai bater a cabeça em algo.- O Black resmungou abraçando a filha protetoramente. Mellani revirou os olhos e pegou a menina dos braços dele lhe entregando uma garrafa de cerveja em troca. Levou Lísis para o andador e a pequena começou a correr feliz pela casa, pulava e fazia barulhinhos engraçados além de soltar algumas palavras como não, água e bolo. Ela dizia bolo o tempo todo, mas mamãe, papai, ou qualquer outro nome ainda não tinha chegado sequer perto de dizer
–Vamos apostar?- James sussurrou e Sirius arqueou as sobrancelhas
–O que?
–Se a Lísis falar primeiro mamãe você paga um desafio, se ela disser papai eu pago.
–Hum, que desafio?
–Livre escolha, mas tem que ter pelo menos uma testemunha.
–Posso entrar?- Remus questionou assustando os dois- James é bom em perder aposta, sabe Almofadinhas? O nome do filho dele será Harry e não Enveldork.- Sirius começou a rir e fazer a dancinha da vitória- Eu acho que ela vai falar Sirius e não papai.
–Claro que não. Eu sou o pai dela. Vai me chamar de papai.- Os três saíram correndo em direção ao andador e começaram a induzir a menina a falar. As mulheres olharam aquilo com divertimento
–Se prepara, logo mais é o Harry que estará nessas apostas ridículas.- Dorcas comentou
–Ele já está, antes mesmo de nascer.- Colocou as mãos na barriga e suspirou.- Parece que demora demais. Quero tanto ver a carinha dele.
–Vai chegar mais rápido do que imagina.- Mellani murmurou sorrindo. Os homens tinham alterado o tom de voz, discutindo algo que fez Lísis resmungar como se brigasse com alguém
–Hum, a Lísis nunca chora.- Lílian pontuou curiosa
–Realmente, ela é bem calma, calma até demais. Precisa ver quando está com meu pai. Não dá um pio.
–Ele vem muito?
–Mais do que eu gostaria.- Mellani murmurou meio irritada- Nem consigo aproveitar quando a Lísis ta dormindo.
–Você quer dizer, fazer sexo.- Ela riu confirmando o comentário de Lílian- Nem acredito, a primeira pessoa da nossa turma que eu jurava que teria filho eram Remus e Dorcas.
–Você não foi muito realista.- Dorcas murmurou meio sem jeito- Afinal ele é um lobisomem e morre de medo de me engravidar e passar a maldição para os filhos.- Sorriu de canto- Além do mais eu sempre soube que a Mellani seria a primeira a ficar grávida.
–Ãh?- A loira olhou a amiga arqueando a sobrancelha direita até o limite- Acho que acertou por cagada, porque se fosse analisar bem...
–Eu analisei bem, vocês só não transavam quando estava naqueles dias Mel.
–É verdade.- Lílian enfiou um salgadinho na boca e engoliu rapidamente — Eu lembro bem, no sexto ano principalmente, você nunca estava na sua cama de manhã.- A loira sorriu maliciosamente
–Nossa. A Lísis já tem um ano.
–Parabéns, faz um ano que você e o Sirius estão casados. De verdade, porque querem.- Mellani encolheu os ombros- E não se mataram.
–Nem por intoxicação alimentar.- Dorcas comentou empolgada
–É, mas eles têm um elfo para as tarefas domésticas. Isso não vale.- A ruiva comentou rindo- E todo fim de semana ou vão comer lá em casa ou me chamam pra cozinhar.- Mellani deu de ombros
–Eu tenho uma guerra pra ganhar, não posso ficar me preocupando com casa e comida.
–Desculpassss.- Lílian cantarolou
–Eles vão todo final de semana?
–Sim. Pra me deixar louca, porque a Lísis é calma até a página dois, quando reúne ela, James e Sirius é só gritaria e corre corre.- Dorcas riu e Mellani deu de ombros
–Ué, uma alegria no fim de semana.
–Eu adoro suas visitas Mel, gosto de tê-los sempre perto.- Sorriram
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–Todos digam Fênix!- Kinsgley gritou e fez um movimento de varinha para a câmera bater a foto sozinha, Sirius, ao lado de James murmurou
–Todos gritem Pênis.- O Maroto começou a rir e o flash o pegou no momento em que trocava um olhar divertido com o amigo. Ambos rindo. Sentiu a cutucada da mulher na costela e encolheu-se
–Essa é uma foto de registro da Ordem, você devia ter olhado para a câmera.
–Você gritou pênis Lily flor?- Sirius tirou sarro e ela mostrou o dedo médio para ele- Hoho, uma mulher grávida fazendo gestos feios. Que fim de mundo.
–Dê um jeito no seu namorado.- Rosnou irritada para o marido e saiu andando
–Nossa, está muito divertido irritá-la. Me lembra o quarto ano.- O Black murmurou risonho
–Não está nada legal pra mim. Agora que está pra nascer, ela praticamente enlouqueceu. Fica chorando, com medo, irritada.
–A cara, ver Lily assim me lembra de usar camisinha.- Sirius apontou enquanto andavam para a mesa do café
–Só lembra, porque usar você não usa.- Peter debochou atrás deles. James sorriu feliz. O amigo finalmente tinha conseguido sair das garras dos avós e juntar-se a eles. Sirius revirou os olhos
–Esse calouro querendo folgar com quem está aqui há quase dois anos! Olha só Pontas.- Sirius deu um soquinho em Rabicho e o loiro sorriu sem jeito
–Bom, já disse. Estava esperando ter meu próprio dinheiro.
–Eu ainda não entendi, onde você estava trabalhando?- Mellani perguntou surgindo ao lado deles. Peter engoliu em seco sob o olhar dela
–E Lísis, como está? Preciso conhecê-la.
–Você ficou muito tempo fora Peter.- James murmurou feliz- Mas estou contente que voltou. Fez muita falta. Lísis é a criança mais calma do mundo e gosta mais de mim do que do pai dela.
–Todos gostam mais de você Pontas.- Peter puxou o saco de maneira escrota e James inflou o ego, sorrindo. Mellani se colocou na frente dele e cruzou os braços
–Eu ainda quero saber onde arrumou a grana. Sua mãe não queria te liberar dos seus avós enquanto a guerra estivesse na europa. Estou certa? Foi o que disse na carta.- O rapaz engoliu em seco
–A Matilda me emprestou ok? Eu menti sobre o trabalho, mas foi por orgulho. Não queria que soubessem que minha namorada me ajudou a sair de casa. É vergonhoso.- Bufou- Ela está muito assustada com a guerra e quando sugeri que gostaria de entrar na Ordem ela me ajudou.
–E ela não veio?- A loira questionou arqueando uma sobrancelha
–Hum, não. Cada um sabe onde quer estar Grant. Ela preferiu me esperar todas as noites.
–Machista.- Resmungou olhando-o com nojo.
–Hey hey.- Sirius se interpôs- Estamos felizes que Peter voltou para nós. Vamos deixar as picuinhas de lado.
–O Sirius tem razão, e Rabicho, a Mel agora é Black, e não Grant.
–Como você é inconveniente James.- Mellani resmungou.- Onde machucou a mão assim gordinho?- Viu uma cicatriz muito feia no dorso da mão direita e franziu o cenho
–Eu estava numa fazenda, acidentes acontecem.- Mellani arqueou a sobrancelha e puxou a mão dele. O rapaz ficou nervoso quando a menina passou o dedo pela cicatriz
–Que tipo de serviço numa fazenda precisaria de um fogo maldito em?
–Isso não foi um fogo maldito.- Ele respondeu com a voz esganiçada. Mellani virou a própria mão e mostrou o tipo de cicatriz que tinha
–É sim. Eu tenho quatro iguais. Duas nas mãos e duas nas coxas.
–Não foi fogo maldito. Qual o seu problema? Está desconfiando de algo? Diga logo.
–Claro que não. Só fiquei preocupada.- Respondeu cinicamente. James e Sirius franziram o cenho.
–Podemos conversar?- Sirius perguntou olhando para a esposa. Ela arqueou a sobrancelha. Aquele gesto sempre lhe despertava sensações intensas, de irritação ou desejo, no momento ele estava bem irritado. O casal saiu de perto e Peter engoliu em seco
–Ela nunca gostou de mim não é?
–A Mellani tem problemas para gostar dela. Imagina dos outros.- James sorriu deixando o amigo confortável
–Pra quando é o bebê?
–Mês que vem. — O Potter sorriu largamente- Nem acredito nisso. Quer me ajudar com a mobília do quarto? Sirius e Remus me ajudaram a pintar.
–Era só passar um feitiço.
–Mas não teria a mesma graça. Lily tem razão. Algumas coisas são muito mais legais de se fazer a modo trouxa.- Peter sorriu largamente
–Claro que sim. Por isso precisamos mostrar isso ao mundo bruxo.- James olhou por cima do ombro de Peter
–Já volto.- E saiu em direção a Lílian. O loiro ficou para trás. Serviu-se de café e engoliu com amargor. Tinha ódio daquilo, ódio de ter perdido seu amigo para trouxas impuros. Ódio de Lílian Evans por contaminar seu amigo. Ele estava batalhando para ser o que James relegou em prol de uma nascida trouxa. Matilda tinha razão. E agora, seu amigo, que tinha grande potencial para ser um grande bruxo, estava a um mês de ser pai de um mestiçinho nojento. Olhou pela sala de Camila. Tinha vontade de provocar um acidente, para aquela coelha ruiva parar de dar crias impuras. Mas conteve-se. Qualquer coisa que acontecesse agora ele seria o principal suspeito. Precisava planejar bem, junto ao seu lorde. Esperar que eles recrutassem mais suspeitos. Ter um bom álibi. Virou e encarou a sala cheia de traidores. Todos impuros que queriam acabar com o progresso. Observou Dorcas Meadowes saindo da cozinha direto para sala, lendo alguma coisa
–Puta.- Sussurrou baixinho. Peter era supervisor da base que Dorcas tinha se infiltrado. Ele tinha feito um ótimo trabalho até então e aquela desgraçada conseguiu passar por baixo das fuças dele. Um erro como aquele lhe rendeu horas de tortura do próprio lorde. Era sua maior base, ele tinha sido confiado a ela, e para conseguir novamente um cargo como aquele precisaria fazer algo realmente grandioso. Seu lorde queria muito a cabeça dela e de Sirius Black, ele entregaria de bandeja. Precisava apenas da oportunidade, e nunca a teria com Mellani Grant fungando em seu pescoço.
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Dorcas suspirou encostando a cabeça no azulejo frio. Passou as duas mãos pela cabeça deixando os cabelos para trás. Sentia dores fortes nas costas, seu tornozelo estava um tanto quanto esverdeado. Virou, ficando com as costas na parede e suspirou enquanto sentia lágrimas quentes escorrendo pelos olhos. Olhou para as próprias mãos, vendo machucados, cortes já fechados, que ela não melhorou com feitiços, pois queria se lembrar, enquanto houvesse aquela guerra, do que estava perdendo. Sentia uma forte dor na têmpora, bem do lado esquerdo. Tinha voltado a pouco mais de vinte minutos de uma ronda. Quando souberam que ela e Sirius tinham descoberto a base em Southampton os colocaram no pelotão de elite, junto com Alastor Moody. O pelotão de elite significava proteger gente importante, o próprio Dumbledore, mesmo com todo seu poder e sabedoria, precisaria de guardas. Hogwarts estava guardada, alunos com pais de cargos ou influencia importante estavam sendo vigiados. Ela tinha acabado de impedir o atentado a vida do primeiro ministro trouxa. Os estrategistas da Ordem que tinham descoberto a data do ataque.
Ela também sabia que não estava sendo ignorada. Nem um pouco ignorada, já que seu nome estava entre os mais procurados, e agora, perigosos. Suspirou sentindo-se encurralada e deixou as lágrimas rolarem. Escutou a porta do banheiro abrir:
–Hey. Dorcas...-Ouviu a voz de Remus. Ele era algo de bom em seus dias pesados. A única coisa boa- O que houve?
–N-nada.- Suspirou chorosa e encarou seu companheiro. Ele suspirou- Eu só...-Suspirou e sorriu timidamente- Quer vir aqui comigo?- Ele sorriu apaixonado e a olhou com tanto carinho que ela sentiu-se relaxar um pouco. Observou com os olhos gulosos enquanto ele retirava as roupas. Nunca iria sentir-se indiferente a visão dele. Todas as vezes que o via, daquele jeito, tão dela, sempre sentia o coração vir à boca. Logo ele juntou-se a ela no banho. Abraçou-a fortemente e lhe tomou os lábios com carinho. A jovem suspirou e quebrou o contato deitando o rosto no ombro dele- Eu matei duas pessoas hoje.- Sussurrou- Derrubei um pedaço de concreto na cabeça de uma e explodi uma tubulação de gás em cima da outra. Eu deixei no mínimo umas cinco pessoas em coma.- Sussurrou com dor no coração- Eu não queria fazer isso. Eu poderia ter imobilizado essas pessoas, mas eu não fiz isso. Por que eu não fiz isso?- Sussurrou chorosa. Remus forçou-a a olhá-lo e segurando-lhe o rosto com todo carinho murmurou
–Quem eram essas pessoas?
–Queriam assassinar o primeiro ministro.
–A mando de quem?
–Voldemort.- Murmurou- Eu sei que eles eram assassinos Remus, mas isso não significa que eu precise chegar ao mesmo patamar. Mesmo o sangue deles, não era algo que eu gostaria de ter em mãos. O que me torna melhor que essas pessoas? Quem sou eu para definir quem tem direito a morrer e quem tem direito a viver?
–Dorcas.- O rapaz suspirou- Não se culpe por gente que não presta. Você não invadiu a casa de nenhum deles e matou suas mulheres, filhas e eles. Você estava fazendo seu trabalho, protegendo uma vida. E sabe, todos nós sabemos, com esse tipo de gente não se pode agir diferente do que fez. Fomos treinados para isso. Não podemos agir diferente porque eles nos matam. E se morrermos eles continuaram matando, um a um. Isso é uma guerra. Ela é horrível. Nos transforma. – Engoliu em seco- O campo de batalha nos destrói. Mas é escolher, a vida deles ou a sua.- Ela suspirou chorosa. Ele a abraçou e beijou-lhe o topo da cabeça- Não se preocupe. Estamos lutando para que ninguém mais passe por isso. – Puxou-a para mais perto de si e beijou-a apaixonadamente. Dorcas suspirou, sentindo todo o corpo dele contra o seu, a água quente triplicava as sensações.
Uma forte onda de desejo a tomou e ela soube que podia sentir o que se passava com ele. Seu braço arrepiou e gemeu contra a boca do Maroto. A mão dele deslizou lentamente por toda a cintura dela, os dedos faziam círculos na pele, fazendo-a sentir-se quente por dentro. A jovem não aguentou e puxou-o com cerca brusquidão, apoiando a coxa direita no quadril do rapaz. Ele afastou a boca da dela mediocremente e soltou um gemido lento sentindo o corpo todo arrepiar. Qualquer mínimo toque entre eles resultava num prazer triplicado. Ele suspirou, era tudo mil vezes mais intenso com ela.
Dorcas pulou de susto ao ouvir uma explosão do lado debaixo da casa. Arregalou os olhos e fechou o chuveiro
–Minha varinha está no quarto.- Remus sussurrou- E meus relatórios na mesa da sala. Estava trabalhando neles quando vim aqui.- Dorcas pegou a varinha dela e secou o namorado com um feitiço. Remus enfiou as calças de qualquer jeito e apagou a luz do banheiro. Abriu a porta lentamente e seguiu para o quarto em frente. A jovem, que tinha tirado as roupas no quarto, enrolou-se numa toalha e murmurou um feitiço fazendo o pano prender de maneira que não caísse. Saiu na ponta dos pés e encostou-se na parede, ouviu o som de pessoas mexendo nos papéis da mesa. Olhou em volta, mas não viu ninguém. Fez um movimento de varinha e logo duas formas se mostraram, estavam encapuzadas, e anteriormente, sob um feitiço de percepção. Arfou, quando outra figura apareceu na porta. Arregalou os olhos, sentido um pânico dominá-la. Deu dois passos para trás e esgueirando-se pela parede entrou no quarto
–Remus.- Sussurrou- Ele está aqui.
–Quem?
–Voldemort.- Sussurrou- Voldemort está aqui.- Sussurrou novamente, o pânico claro em sua voz
–Certeza?- Ela assentiu e ele movimentou a varinha baixando mais as luzes. Ela engoliu em seco
–Meus relatórios estão lá.
–O mapa, com os locais trouxas que estamos defendendo, nossas bases... – A preocupação tomou conta do rosto de Remus, ele estava com uma cópia do mapa para ajudar os estrategistas a remanejar seus homens em campo. -Ele vai te matar.- Remus sentiu o desespero dela diretamente nele
–Se acalme.
–Não dá. Nós sabemos o que acontece com mestiços.
–E licantropos.- Ele murmurou.
–E se explodirmos o chão?
–A família da senhora Forbes, os filhos dela estão dormindo embaixo de nós, mesmo que a gente consiga, ele vai nos seguir e pode matá-los.- Dorcas entendeu
–Para cima?
–Mag e o bebê. Trouxas que ele matará para nos alcançar.- Os olhos da garota verteram lágrimas. Estavam sem saída. Ouviram passos. Ele sabia o que aconteceria. Ele morreria, porque era um agente atrapalhador. Mesmo que delatasse toda a Ordem e todos os esquemas, ele seria morto, mas se ele pudesse garantir que Dorcas ficasse segura morreria sem pensar duas vezes. Os passos se aproximaram e a loira sentiu o coração acelerar. Olharam-se, ambos com os olhos marejados. Aquela era a última vez que se veriam. Tinham certeza, um dos dois sairia morto dali.
–Eu não vou suportar te perder também.- Ela sussurrou se aproximando. Ele suspirou. Se abraçaram- Não posso perder mais ninguém.- O sussurro desesperado tomou todo o quarto. Não conseguiriam aparatar, o prédio foi protegido pela Ordem, estavam muito alto para sair pela janela e não tinha apoio nenhum para chegar até a janela do vizinho. Eles conheciam aquele apartamento, era impossível de entrar sem ser visto, mas uma vez dentro, era impossível sair. Mesmo com magia. Ela segurou o rosto dele e o beijou rapidamente
–Eu te amo.
–Nós vamos sair dessa.- Sussurrou para a garota
–Remus, por favor... Eu... Só... Suas últimas palavras a mim, por favor.- Ele suspirou choroso
–Você foi o melhor acontecimento em toda minha vida. Eu nunca, nunca vou amar outra pessoa como amo você.
–Então me prometa.- Ela sussurrou ouvindo a maçaneta do quarto ser forçada por magia- Me prometa que vai seguir em frente, mesmo que sua vontade seja abreviar o sofrimento. Me prometa que vai se deixar amar novamente e vai ter o que nunca poderemos ter... Que vai...
–Por que está dizendo isso?- Ele soluçou entre as lágrimas- Nós sabemos que sou eu a morrer essa noite.- Ela soluçou deixando as lágrimas escaparem
–Eu sinto muito Remus.- E em dois movimentos de varinhas muito rápidos o rapaz se viu petrificado e jogado dentro do armário. O pânico tomou conta de si, o lobo uivava querendo escapar, mas ele nada podia fazer, estava petrificado. Nem mesmo as lágrimas, que estaria vertendo, não saíram. Ela o encarou cheia de lágrimas nos olhos
–Eu não vou suportar te perder.- Suspirou e jogou outro feitiço vendo o rapaz sumir as poucos, virar parte das roupas, fechou as portas com uma mágica poderosa, caso ele escapasse da petrificação por magia involuntária. Ele só sairia dali quando ela morresse.
Suspirou pesadamente e ficou no canto do quarto, com a varinha em riste. Não queria pensar no que Remus presenciaria pela fresta do armário. A porta se abriu com um estrondo e dois comensais entraram cautelosamente. Ela lançou feitiços, acertando um em cheio fazendo-o desmaiar e ferindo o outro. Sentiu-se ser puxada por uma força desconhecida e logo entendeu o que estava acontecendo. Alguém lhe puxou com um feitiço e com horror ela percebeu ser Voldemort
–Olá Dorcas.- O lorde usou seu primeiro nome e sorriu, colocou-a delicadamente no chão – Onde está seu namorado? Ele está me devendo algumas informações.
–Ele não voltou.- Ela sussurrou- Saiu, recebeu um chamado da Ordem e volta só amanhã.
–Ah e ele deixou todos os relatórios na mesa? Com uma xícara de chá ainda quente?
–Eu estava lendo os relatórios.- Respondeu- Ele não está aqui. Mas, deve ser bem importante para o próprio lorde vir atrás.
–Ele tem informações sobre um grupo que muito me interessa. E sobre certos prodígios como a senhora Black.- Dorcas suspirou- Então, vai me dizer onde é a sede de vocês?
–Eu não sei.
–Não seja petulante.- Voldemort murmurou perdendo a candura da voz- Não está em posição de ser.- A loira sentiu um arrepio de frio, estar apenas de toalha não ajudava- Vai me ajudar ou terei que caçar seu namoradinho?Afinal, ele fugiu e te deixou aqui não é?- Ela engoliu em seco. – Abaixe essa varinha garota tola.- Ela se colocou em posição de combate. O bruxo a olhou com desprezo
– Vamos menina, basta me dizer onde os porcos dos seus amigos se escondem. Vamos.- Ela moveu o braço e um raio vermelho saiu de sua varinha. Sem esforço o lorde das trevas rebateu- Olhe para você, parece uma ratinha assustada, como se tivesse acabado de perder alguém.- Sorriu de canto e com um único movimento desarmou a garota- Você me deu um trabalho e tanto com aquela base. Ela era muito preciosa, eu estava louco para por minhas mãos nessas crianças desobedientes e ensiná-las.- Rosnou e em seguida, sem ao menos pronunciar dispensou um crucio. Dorcas caiu de joelhos, seu grito preencheu todo o quarto.
Ele a olhou sadicamente e ela se contorceu mais, sentindo uma dor tão horrível que preferia morrer
– Agora, lição aprendida. Vamos lá, primeiro, a Ordem, depois, a base onde aquele fedelho do Black está acampando, o garoto está dando trabalho, tanto quanto você.- Ela cuspiu no chão sentindo o gosto amargo de sangue e sentou, tentando se levantar- Onde está seu namoradinho?- Agachou e segurou o rosto dela olhando-a nos olhos. Ela o sentiu entrar em sua mente de um jeito agressivo, que machucava. Fechou-se dentro de si, vendo uma única vela no centro de sua mente escura, ele procurava, mas só achava escuridão. Ela forçou-o para fora, mas a maldição a enfraqueceu e a lembrança mais recente apareceu, ela e Remus no chuveiro, alguns minutos antes deles chegarem. Ela gritou desesperada e ele saiu
–O fedelho está por aqui então. Ele estava aqui e ele te deixou sozinha, para morrer.- Dorcas continuou calada- Se eu te enfraquecer mais vou conseguir o que preciso.- E dispensou mais um crucio na garota, e mais outro, e por fim, mais um. Ela gritou de dor e agonia durante longos minutos- Toc toc...-Debochou batendo de leve na cabeça dela- Será que vai me deixar entrar?- O sadismo dele a enojava
–Vai pro inferno.-Murmurou antes de desmaiar. Voldemort ficou extremamente frustrado. Não conseguia acessar memórias de gente desmaiada
–Rabastan, você é bom com reanimações. Vamos lá.- O comensal da esquerda apontou a varinha para a jovem e ela acordou no minuto seguinte. Olhou para Voldemort e engoliu em seco, o pânico estampado em seu rosto
–Veja bem garotinha.- Sorriu- Não sou o cara mau. Você é quem dificulta ficando em silêncio. Se cooperar deixo voltar para seu namoradinho.
–Não. Você vai matá-lo.
–Ele está recrutando meus lobisomens, derrubando minhas bases, como posso ser condescendente com isso?- Suspirou como se fosse um professor diante um caso muito difícil- Agora, se me ajudar eu posso deixá-la sair daqui e depois será a sua própria sorte. – Como posso ser condescendente com gente impura que não se coloca no lugar? Hum?- Bateu-lhe de leve no rosto- Gente que insisti em ficar voando a minha volta feito moscas nojentas.
–É isso que a vida humana significa para você? O que te da o direito de pensar que pode fazer o que faz... Por que pode? Você nunca, nunca vai saber o que é ser amado, nunca vai entender de amor, amizade, de respeitar a vida alheia. Como quer que as pessoas respeitem suas idéias assim?
–Elas me respeitam.
–Elas te temem e todo reinado de terror termina em morte. Será que não entende? Você não vai chegar a lugar nenhum porque as pessoas não te amam, elas te seguem por medo, fraqueza e ambição, não porque acreditam em você. E esses elos são fracos
–Quem lhe disse isso?A porca da sua mãe?
–Sim e ela teria orgulho de mim, diferente da sua mãe. — Suspirou- Eu teria vergonha de ser a mulher que te deu a vida.- Algo na declaração de Dorcas tirou o senhor das trevas do sério. Como se de alguma forma ela tivesse tocado uma ferida antiga, disparado o gatilho de algum trauma. E ela tinha. O homem rugiu com ódio e apontou a varinha para ela. A garota o olhou nos olhos
–Avada Kedavra!- Gritou com ódio. O corpo da loira caiu sem vida, como uma marionete que cortaram os fios. Os olhos não estavam vidrados em terror, fecharam-se assim que ela tombou ao chão.
Remus sentiu-se livre de todos os feitiços ao qual fora vitima, mas mesmo não petrificado ele continuou parado no fundo do armário. Os olhos arregalados, o coração quase parando. Os olhos marejaram e ele viu os pés de Voldemort saindo do quarto bem como a voz baixa ordenando que conjurassem a Marca Negra. Continuou olhando abismado para o corpo caído logo à frente, de costas para ele. Minutos longos se passaram sem que ele se mexesse até que finalmente tomou alguma atitude. Abriu a porta do armário e engatinhou até ela, sem acreditar no que via. Seu coração uivou em tristeza. Virou o corpo e viu sua companheira sem vida. Soluçou chocado e se levantou com horror. Não queria ver, não queria acreditar. Sem enxergar onde ia esbarrou na porta e parou no corredor, o corpo doendo, uma dor indizível, como se arrancassem sua própria alma.
Ouviu o som de alguém aparatando. Mas não se importou. Sua companheira estava morta, a dor era grande de mais para aguentar. Kinsgley apareceu na porta, seguido por James. Eles olharam para a cena completamente aturdidos. Remus os olhou com dor:
–Não, não é ela dentro daquele quarto. Não é...- E soluçou deixando o pranto completamente sofrido vir. Jogou-se no chão, sem agüentar a pressão da dor. James entrou no quarto e voltou chocado- Ela não morreu...
–Eu sinto muito.- O amigo murmurou sentando de frente para Remus e tocando-lhe o ombro. O rapaz soluçou e seu pranto intensificou
–C-como s-souberam...?-Suspirou
–Mellani. Ela e Camila estavam estudando informações e meio que descobriram... Foi...
–Você não devia ter deixado Lily sozinha.- Sussurrou entre o pranto
–Está com a Mel e o Sirius.
–E se seu filho nascer?
–Remus, a Dorcas acabou de falecer, o Harry só chega daqui um mês. Pare de se preocupar com os outros.
–Eu não quero pensar.- Gritou com dor- Não quero...Eu não...-Arfou sentindo a cabeça explodir- Eu n-não p-posso...E-eu...-Estava gaguejando e completamente aturdido. James o abraçou e o loiro chorou de um jeito que nunca pensou ser possível. Sua dor parecia não ter fim, nunca.
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O dia estava quente e fresco a despeito do clima que se instalou por todo o local. O cemitério estava com membros da Ordem, protegendo seus amigos e dividindo a dor de Remus. Ele encarou o caixão fechado, descendo pelo buraco e sentiu como se ele mesmo fosse tragado pela terra. Sirius, James, Lílian e Mellani estavam calados, olhando para baixo, com suas roupas pretas e o coração partido. Lísis tinha ficado em casa com o avô, para não se ressentir de clima tão pesado. Lílian jogou uma rosa branca em cima do caixão e logo todos os presentes fizeram o mesmo. Remus não tinha forças para falar absolutamente nada, apenas olhava para a terra com uma carranca, observando tudo com raiva monstruosa:
–Isso é tão injusto- Mellani murmurou ente às lágrimas- Ela era uma pessoa realmente descente. E porra, é uma merda que ele tenha nos tirado logo alguém como ela, quando o mundo precisa tanto de pessoas assim. Porra.- Seu pranto intensificou- Ela era tão jovem. Caralho de vida!- Murmurou de novo tentando conter as lágrimas- Que merda!- Remus soluçou sentindo as lágrimas virem com força.
–Ela era tudo que eu tinha.- Sussurrou baixinho. Mellani se aproximou e abraçou-o. O rapaz aceitou o abraço com desespero e escondendo o rosto no ombro da garota chorou desconsoladamente. Lílian e Camila se olharam com tristeza e deram os braços uma a outra, elas também eram muito próximas a Dorcas e estavam em estado de choque.
Sirius saiu de perto das pessoas e sentou num tronco caído, perto de outra lápide. Marlene sentou ao lado dele, completamente chocada. Ele levou um cigarro aos lábios e ascendeu. Olhou para as pessoas ao longe com um nós pesado na garganta
–Eu não consigo acreditar nisso.- Sussurrou e ele deu de ombros
–É uma guerra.
–Mas a Dorcas não... Ela não.
–O que te faz pensar que somos especiais ao ponto de sermos salvos disso? Estamos no meio de uma guerra.- Tragou lentamente e jogou a fumaça para cima. Marlene bufou
–Seu irmão está se metendo em algo muito perigoso Sirius.
–O problema é dele. Ele quis... Por que estou falando isso pra você? Na primeira oportunidade pulou na cama dele e ainda fica aqui, tentando se redimir de algo sujo que está fazendo. Não sei como te aceitam.
–O primeiro Ministro trouxa está vivo porque eu soube através dele.- Sirius a encarou
–Então não passa de uma prostituta.- Ela o olhou completamente ofendida- Foi o que pensei, não é esse tipo de pessoa MacKinon, sei que está envolvida com ele. E a sua paixonite vai te levar a vê-lo como alguém melhor.- Ela o olhou com lágrimas nos olhos
–Sirius.-Segurou o pulso dele de um jeito desesperado- Converse com seu irmão.- Ele prendeu o cigarro entre os lábios e encarou-a de cenho franzido- Eu não sei mais o que fazer, ele me fez prometer que eu não diria nada a ninguém, mas ele... Descobriu segredos importantes e está se metendo em coisas... Ele não vai conseguir deter Voldemort sozinho.- Suspirou- Faça-o vir para a Ordem, sair de perto daquele monstro.- As lágrimas caíram dos olhos dela. Sirius soltou o pulso da mão pequena e engoliu em seco
–MacKinon, o que a faz pensar que eu vou conseguir? Se você, a mulher que está na cama dele, não consegue, o que te faz pensar que eu posso? Em?
–Ele sente sua falta, ele vive comentando sobre o quanto você tinha razão, ele vive... Recordando de quando eram crianças. Por favor, você deve ter alguma influencia sobre ele. Convença-o a não fazer o que quer.
–E o que ele quer fazer de tão grave?- Ela suspirou
–Ele descobriu...-A jovem deixou as lágrimas escaparem com mais intensidade- Descobriu que Voldemort dividiu sua alma.- Sirius franziu o cenho confuso- E que metade de sua alma está num objeto escondido em algum lugar e que...
–Hey, se acalme.- O Black tocou o ombro dela passando-lhe apoio. Ela suspirou- Vamos, continue.
–É uma magia muito antiga, para dividir a alma e ele precisou matar alguém. Então colocou metade da alma nesse objeto. E ele só pode ser morto se essa coisa for destruída. Regulus descobriu o que é e onde está, mas não quer me falar de jeito nenhum. Ele quer que eu me afaste e que me esconda por se a única a saber disso e que se ele morrer eu tenho que continuar o que ele começou, mas eu... Eu não posso suportar a ideia de deixá-lo ir diretamente para a morte. Por favor, me ajude, ou ajude-o a sair vivo dessa. Ele está surtado Sirius.
–Por que não levou essa informação a Ordem?
–Porque ele nunca mais confiaria em mim e eu pretendo saber que objeto é esse e o lugar em que está escondido. E eu quero que ele fique vivo. Lucius Malfoy já estava desconfiado e Bellatrix Lestrange também, não quero esses comensais em cima dele...
–Marlene.- Sirius a olhou com preocupação- Você não pode voltar para Regulus, eles já devem saber que ele te contou sobre isso e está correndo um grande perigo. Se isso for mesmo verdade.
–É verdade. Ele tinha evidencias e...
–Mas não podemos colocar a Ordem numa incursão dessas sem provas de que isso é potencialmente verdade.
–Eu entendo e não quero a Ordem nisso, quero que você, como irmão dele, o faça desistir.
–Mas, como vamos derrubar Voldemort se ele é imortal? Se ele tem a alma num objeto e pode voltar caso seja morto?
–Eu não sei, mas precisamos... Precisamos salvá-lo.
–Sabia que daria merda, você e ele juntos.
–Sirius, ele é seu irmão. Por Merlim, o ajude.
–E você está correndo um grande perigo.
–Ele também.- Ela sussurrou voltando a chorar
–Não vá encontrá-lo. Tome cuidado.Fique na casa da Camila hoje.
–Se você não me ajudar eu vou sozinha.- Ela se levantou com raiva e saiu. Sirius ficou parado, encarando os próprios pés. Precisa avisar seus superiores quanto aquilo. Seu irmão estava andando na corda bamba, sendo imprudente. Ele não sabia como poderia ajudar. Não tinha certeza que suas palavras surtiriam algum efeito numa atitude tão determinada. Se o irmão fosse metade do que ele era, nada o tiraria o foco, nem mesmo o que sentia por ele, Marlene ou qualquer outra pessoa.
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Marlene encarou o tapete da sala sem realmente ver os desenhos. A solidão de sua casa era esmagadora. Sua mãe estava na casa da avó, muito longe da europa para se manter suficientemente segura, tinha tomado essa decisão quando seu pai morreu em combate e quase enlouqueceu ao saber que a filha também tinha se envolvido com a Ordem. Ela sentia falta da família, mas tinha substituído à maioria das noites solitárias com rondas e missões ou com Regulus, no entanto, precisava muito de sua mãe agora, e estava entrando em desespero.
Apertou a xícara de chá entre as mãos e encolheu-se na velha poltrona do pai. A casa parecia muito vazia. Ouviu um barulho no portão e levantou pegando a varinha. Sabia que corria um risco grande por saber um segredo imenso de Voldemort. Olhou pela janela e viu Regulus cambaleando no jardim. Abriu a porta, esquecendo-se da prudência de perceber se aquilo era ou não uma armadilha e correu até ele
–Reg, o que houve? O que lhe fizeram?- O rapaz tremia e estava sujo de vomito
–Eu to morrendo...-Engoliu em seco buscando ar como se estivesse afogando. Quase desmaiou e ela o arrastou para dentro. Deitou-o no sofá e afagou-lhe o rosto. Ela correu até a cozinha e trouxe um copo da água, o rapaz tomou quase num gole e deitou, arfando
–O que houve? Reg?- Limpou-o com um feitiço. O rapaz parecia voltar ao normal. Ela lançou um feitiço revitalizante e a cor voltou as bochechas dele aos poucos.- Regulus.- Tocou o rosto dele com carinho- O que você fez?
–Não importa. Amanhã, amanhã estará destruído.- Engoliu em seco e puxou-a para si ternamente. A jovem deitou a cabeça no peito dele e aconchegou-se em cima do rapaz. Ele a abraçou apertado
–Reg, não dá, preciso que me explique o que há. Eu estou assustada.
–Era um colar. O objeto misterioso. Estou sem condições de destruí-lo e notei que... Não é qualquer coisa que vai acabar com aquela coisa.- Ficou alguns minutos em silêncio- Está vivo, está pulsando magia negra. Não faço ideia de como vou acabar com aquilo.
–Está vivo?- Sussurrou chocada
–Sim. Eu o ouvi. Sussurrando algo na minha mente.
–Não vamos pensar nisso agora, você precisa descansar.- Ela sussurrou. Ouviram um estrondo na porta da frente. O rapaz jogou-os no chão da sala escura e ficaram escondidos pelo sofá.
–Oun, estou procurando meu priminho.- A voz debochada de Bellatrix soou pelo recinto- Acho que o menino levado está por aqui...-Cantarolou rindo.
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Sirius estava correndo num lugar escuro. Ele enxergava apenas uma vela, sabia que se chegasse até aquela pequena luz conseguiria abrandar toda a escuridão que lhe sufocava a alma, mas por mais que corresse as sombras o pegavam, como dedos esqueléticos e mãos esquálidas. Ele corria, mas a pequena vela fica cada vez mais longe
–Sius.- Ouviu uma voz risonha chamá-lo em meio aquela escuridão aterradora. Seu corpo foi puxado rapidamente e ele arfou.- Sirius adooooo.- O rapaz piscou confuso com a claridade. Finalmente focou a visão e viu Lísis sentada em sua barriga, os dedinhos cutucando sua bochecha
–Bom dia pestinha.
–Diaaa.- Ela gritou risonha e olhou para o lado- Mimindo- Apontou para a mãe que estava espalhada por mais da metade da cama. Falou algo em sua linguagem própria e sorriu, o sorriso com apenas dois dentinhos na parte debaixo, bem na frente-
–Como você conseguiu sair do seu berço e vir pra cá?- Ele estava seriamente desconfiado de magia infantil e sorriu- É muito, muito esperta Lísis.
–Sís.- Repetiu o final do som como fazia muito ultimamente- Siusssss.-E apertou as bochechas do pai
–É papai.
–Sius.- Pulou no colo dele e riu
–Papai.- Sussurrou divertido e ela riu mais
–Não.- Apontou o dedinho no rosto dele- Sius.
–Papai.
–Sirius cala a boca, pelo amor de Merlim.
–Sius.- Lísis imitou a mãe e ele soltou um risinho.
–Shiiii. Mamãe monstrenga!
–Tenga.- Ela imitou rindo e levando o dedinho a boca igual ao pai. A campainha tocou e a menina bateu palmas, empolgada
–Jayyyyy.- Era o único nome que falava certo. Ela sempre associava a campainha ao tio favorito. Sirius levantou, James tocava a campainha apenas para dizer que tinha chego e não para esperar que abrissem a porta. Foi para a sala só de cueca, segurando Lísis com o braço direito. Cheirava o pescoço da filha fazendo gracinhas e a pequena ria sem parar. Estranhou não ver o amigo em canto algum. Andou lentamente até a porta e olhou pelo buraquinho. Viu Carter do outro lado, andando de um lado para o outro. Franziu o cenho e abriu a porta
–Carter?-Lísis fez biquinho e um barulho engraçado, tentando chamar a atenção do novo convidado. O rapaz sorriu para ela e em seguida encarou Sirius com pesar
–Posso entrar?
–Claro. Quer um Whisky ou um café?
–Não obrigado, serei breve.-Sirius deu de ombros. Colocou Lísis no andador e sentou no sofá. Carter pareceu sem jeito com sua semi nudez, mas o Black nem se importou
–Senta cara.
–Não. Obrigado. Eu ainda preciso correr para a Ordem. Bem, seu irmão está morto.- Os olhos do rapaz se arregalaram e ele encarou o outro em choque- E Marlene também. Ela não apareceu para reunião de plantão e mandamos alguém averiguar. A Marca Negra estava em cima da casa dela e os dois mortos. Com ela a coisa foi breve, não tinha sinais de tortura, foi morta por um Avada Kedavra, segundo nosso legista ela morreu duas horas antes do seu irmão.
–E ele?
–Foi muito torturado. Morreu de hemorragia.- Sirius levou a mão a boca e mal percebeu que ela estava tremula.- Precisa de alguma coisa?- O moreno negou lentamente- Então, peço licença.- E saiu por onde veio. Voltou dois segundos depois e parou na porta- Sua mãe o enterrará hoje à tarde. A mãe da Marlene transportou o corpo para o país da avó. Ela quer nos processar, diz que a culpa foi nossa. Mas já estamos cuidando disso também. Espero que fique bem. Até mais.- Sirius não ouviu quando a porta fechou, ficou parado, encarando o nada. Sua cabeça ia a mil, girando em torno das lembranças da infância. Não sabia o que sentir sobre aquilo. Era como se perdesse algo que no passado foi muito importante, mas que no momento não tinha mais peso. Sentia algo estranho, uma mescla de revolta e pesar, pelo irmão e por Marlene. Sentia culpa por não ter ouvido a garota, por ter feito pouco. Sentiu uma única lágrima escapar do olho e despertou do transe que se encontrava quando Lísis começou a gritar. A pequena estava presa entre o sofá e o caminho da cozinha e parecia bem irritada. Pegou-a do andador e subiu, sobre os protestos irritados e agudos da filha. Entrou no quarto, sentindo um gelo no peito. Colocou Lísis entre ele e Mellani e puxou as duas para si, abraçando-as protetoramente, como se assim pudesse protegê-las de toda aquela sujeira.
–Bom dia.- Mellani sussurrou abrindo um olho. A filha se distraiu com os cabelos da mãe e Sirius sorriu
–Bom dia.- Beijou-a demoradamente na têmpora e decidiu contar mais tarde, após o café da manhã, não queria quebrar aquele momento de paz com mais uma noticia ruim. Ao observar a mulher levantar com a filha no colo fico maravilhado. Saber daquelas mortes o fez apreciar aquele momento mais do que faria normalmente.
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Remus arregalou os olhos ao sentir a mão de Lílian apertar a sua com força enquanto ajudava-a a andar até um ponto de aparatação
–Oh Remus, muito obrigada por estar aqui comigo num momento tão importante, mas...-Ela bufou- Onde está o idiota do seu amigo?
–Ele está a caminho Lily.- Remus estava na casa de James e Lily por uma única questão, seu período de lua cheia foi tão aterrador que ele ainda estava se recuperando. Perder Dorcas o colocou numa depressão tão profunda que James fez questão que ficasse com eles. O rapaz não conseguia fazer outra coisa se não ficar calado nos cantos, bebendo FireWhisky. Obviamente isso afeou a carga de suas transformações. O lobo estava irado com o humano por ter perdido sua companheira, ele sentia ódio do mundo e os Marotos sofreram golpes perigosos devido à revolta do lobo. Na primeira noite, após rosnar e atacá-los com raiva Aluado encolheu-se num canto, olhando para lua e ficou parado, uivando e choramingando, a noite inteira. Era o lamento sofrido do lobo, por perder sua companheira.
– AIII.- O rapaz resmungou quando Lílian bufou e apertou sua mão sentindo mais uma contração
–Eu vou matá-lo, eu vou matá-lo, muito, isso dói pra caramba eu juro que vou chutar a cara do James se eu puder e vou cuspir esse neném nele, da pior maneira possível.- Ela estava transtornada, com dor, sentindo-se horrível- Eu vou... Ai.- Apoiou-se no amigo- Minhas pernas doem, muito.- Comentou chorosa. Remus suspirou e a pegou no colo num movimento rápido. A despeito de sua magreza e fraqueza, ele tinha vantagens como aquelas por causa da licantropia. Segurou-a com força e aparatou no beco atrás no hospital em que Mellani teve Lísis. Não podia se dar ao luxo de ir ao ST Mungus quando eram caçados. Ajudou a ruiva a andar até o local. Quase gritou com a recepcionista quando ela pediu os exames anteriores. De olhos arregalados, devido ao pânico do momento, conseguiu fazer a ficha de Lílian. Cerca de cinco minutos depois a futura mamãe estava numa cadeira de rodas
–Onde James está?- Ela questionou quando a empurravam por um corredor. Remus segurou o ombro dela tentando passar conforto, ela tinha passado do estágio da raiva para o choro
–Ele vai tentar voltar, já foi avisado, mas estava numa missão.
–São três da manhã, ele devia estar dormindo comigo e não nas ruas, colocando o pescoço em risco.- Suspirou chorando.
–Vai dar tudo certo Lily.- Remus consolou-a
–O James é um idiota.- Soluçou. O loiro olhou para o final do corredor e viu o amigo correndo, ainda estava com a capa escura, muito destoante do mundo trouxa, os cabelos para todos os lados e os óculos tortos
–Onde ela está? Oh Lily.- Correu cortando o corredor e encontrou a esposa na cadeira de rodas- Remus, nem sei como te agradecer.
–Não foi nada, só quero uma tala para minha mão.- Gracejou. O rapaz sorriu e se abaixou beijando a testa da esposa
–Como esse menino está?
–Me matando seu bastardo.
–Ou, o que eu fiz?
–Fez um filho em mim, eu juro que quero socar a sua cara, pro seu bem eu espero que esse menino tenha uma cabeça pequena.- Rosnou apertando o braço da cadeira- Se ele tiver uma cabeça igual a sua eu vou... Aí.- Soluçou e fechou os olhos
–Olá senhora Potter.- O médico chegou. Vamos comigo...-Olhou para os dois rapazes- Quem é o pai?
–Onde está o doutor Harper?- James resmungou com raiva- Eu sou o pai, é claro.- Remus levantou as mãos e fez cara de inocente
–Ele está terminando um parto, mas já vem para vocês.- Sorriu largamente- Quanto tempo entre as contrações?
–Hum, 10 minutos.- Ela sussurrou bufando e James começou a empurrar a cadeira enquanto seguia o médico. Pela segunda vez Remus rumou para a sala de visitas e viu pais ansiosos e parentes tensos. Suspirou triste. Enquanto estava com Dorcas tinha pavor em pensar naquilo, afinal, poderia passar sua doença para os filhos, mas... Agora que não tinha mais nada, não tinha mais sua companheira, era doloroso ver que não tinha mais aquela opção. Seu coração uivou em dor e saudade. Saiu da sala sentindo-se claustrofóbico. Correu para a rua e logo achou uma praça. Sentou no banco e olhou para o céu da madrugada. Ele encarou as estrelas e suspirou. Não conseguiu chorar, sua dor era tão grande que lágrimas não bastariam, então ficou ali, com aquela dor queimando seu peito de maneira desesperadora. Como podia ter perdido sua companheira? Como o destino colocava-a num ponto tão importante em sua vida para logo depois tirá-la? Suspirou, sentindo o nó típico do pranto na garganta, mas nada saia. Sentia que podia morrer com aquilo por dentro. Ela foi embora e levou quase tudo que ele era junto.
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–Como eles estão?- Remus perguntou ao entrar novamente na sala de espera
–Lily ainda está na sala de cirurgia, está sendo um parto difícil.- Mellani respondeu levantando e andando até o amigo. Segurou-o pelos braços com carinho e encarou-o preocupada- Como está?- Ele deu de ombros- O enfermeiro disse que saiu há duas horas.
–Eu precisava espairecer, achei uma pracinha e fiquei por lá.- Mellani suspirou e soltou-o sem jeito. O rapaz sorriu sem graça e sentou ao lado de Sirius
–Ficamos preocupados. Pensando no que poderia ter te acontecido com você por aí sozinho.- O moreno comentou de um jeito sério de mais para o Sirius que todos conheciam
–O maior perigo a minha vida no momento sou eu mesmo.- Murmurou com a voz meio rouca devido ao pranto. Deu de ombros e encarou o televisor trouxa apoiado na parede. Um resumo do jornal diário passava e mostrava as mortes e tragédias estranhas que aconteceram, inclusive no Hyde Park. O loiro engoliu em seco e sentiu os olhos molharem
–Eles não percebem que isso é uma guerra? Como podem estar tão entretidos em suas vidas que deixam algo assim passar despercebido?- Sirius comentou meio revoltado
–As pessoas são assim Almofadinhas. Elas lutam por um emprego, uma estabilidade, lutam por coisas cotidianas e querem acreditar naquilo que não lhes tira o sossego. Se o administrador maior diz que não há o que temer, que são fatos isolados, eles vão continuar com suas vidinhas. Tenho pena daquele que desperta para algo mais, como aconteceu com a gente. Esse que desperta, ele se depara com algo pesado de mais.
–Por que a realidade é assim. Pesada e nojenta.- Mellani completou andando até eles.
–Lísis está com o senhor Grant?- Remus perguntou mudando de assunto. Iniciaram comentários bobos, até que gradativamente a sala foi esvaziando e mais uma hora e meia se passou. Todos já começavam a se preocupar.
James acariciou a testa suada de sua ruiva e olhou-a com preocupação. Ela ofegava e respirava mais rápido
–Bom, a pressão está aumentando. Senhora Potter, essa é nossa última tentativa, se não der certo teremos que fazer a cesárea ok?
–Vão cortar a barriga da minha mulher? Não, nós vamos para o St Mungus, lá eles podem fazer um feiti...A-aiii- O moreno gemeu com a dor na mão. Lílian o olhou com fúria assassina
–Eu vou te matar James, e não vamos sair daqui, eu não tenho condições de pegar nosso transporte.- Lançou um olhar significativo ao marido- E muito menos colocar nosso pescoço em risco naquele hospital...Aíiii. – Arfou de dor
–O soro deu certo senhora Potter. Muito bem.- James viu o médico enfiar a mão em algum lugar de sua esposa, como estava do lado da cabeça dela muitos lençóis e confusão de enfermeiros tapavam sua visão, ele supôs que o mais velho estava num lugar inadequado. – A dilatação está ótima, eu sei que está cansada, que foram horas muito difíceis, mas esse menino está com medo do mundo. Vamos lá, precisa dar mais uma forcinha a ele.
–Vamos Lily, você consegue.- James sentia o coração pulsar tão rápido que poderia desmaiar. Sua mão foi esmagada mais vez enquanto a esposa gritava de dor respirando rapidamente. A enfermeira estava medindo a pressão e aplicando algo em sua ampola de soro.
–Vamos senhora Potter, ele está vindo, já posso vê-lo. Céus! É um menino grande. Vamos lá.- A ruiva jogou-se para trás completamente cansada. James tocou-lhe o rosto tentando tirá-la do transe de cansaço que se encontrava
–Lil’s.- Murmurou roucamente e com medo. Ela quase não abriu os olhos- Por favor, não desista agora, Harry está chegando. Você consegue meu amor. Estou com você.- Beijou-lhe a mão e ela fechou os olhos com força. James observou o tom de vermelho tomar conta do rosto da mulher
–Muito bem, só mais uma senhora Potter e terá seu menino, vamos lá!- Ela suspirou sentindo-se tonta e deixou a cabeça cair no travesseiro- Senhor Potter, chame-a, não deixe que desmaie, o bebê está quase saindo e não dá mais tempo para uma cesárea!
–Lily, comigo, aqui comigo, vamos lá.- O moreno estava tão tenso que podia vomitar em cima de alguém tamanho nervoso- Evans!- Chamou nervoso- Você precisa voltar agora!- Lílian abriu os olhos completamente tonta e suspirou- Precisa empurrar agora ou será muito mais perigoso. Harry precisa de nós.- Ela assentiu molemente- Está sentindo dor?- Assentiu de novo, meio fora de si- Então empurra.
–Vamos lá senhora Potter.- A garota inclinou-se para cima, gritando de dor no processo e fazendo a maior força que podia. Caiu para trás aliviada quando sentiu que o bebê tinha finalmente saído. James arregalou os olhos ao ouvir um choro forte e muito revoltado vir das mãos do médico. Largou a mão de Lílian e correu em direção ao som, viu uma coisinha suja de branco e vermelho sendo passada para as enfermeiras e andou mais rápido, de súbito parou, voltando para a esposa e em seguida fez o caminho de volta para filho, ficou nesse vai e vem por cerca de um minuto, a emoção deixando-o tonto, um nó forte veio em sua garganta e ele sentiu a garganta apertar, quatro horas de tensão, quatro horas em trabalho de parto, quatro horas esperando e esperando. Parou no meio do caminho entre Lílian e seu filho e quando a enfermeira veio segurando um embrulho azul ele avançou, o coração batendo tão rápido que tinha certeza, todos no recinto conseguiam ouvir. Mas não chegou a ver o rosto do bebê, o turbilhão de sensações foi tão grande que ele só viu sua mão esticando-se lentamente em direção ao pacotinho azul e depois disso escuridão total.
James acordou num sobressalto e piscou, estava num quarto limpo, deitado numa poltrona reclinável. Sentou de súbito e viu a esposa sentada na cama com um pequeno embrulho nos braços.
–Quanto tempo eu apaguei?
–Apenas uma hora.- A voz de sua garota soou cansada. Ele levantou num pulo e andou até ela. Seu coração disparou de ansiedade e seus olhos parecia cheios de areia. Quando percebeu o que acontecia seu coração não aguentou e ele deixou algumas lágrimas rolarem. Grudado ao seio da mãe, comendo de maneira faminta estava um pequeno bebê de rosto vermelho e pele enrugadinha. Os cabelos eram extremamente pretos. Diferente de Lísis que nasceu quase careca, seu menino tinha uma cabeleira espessa que apontava para todos os lados, tão rebelde quanto seus próprios fios. Ao olhar bem para o pequeno podia notar o nariz reto, bem diferente do de Lily que era mais redondinho, e os lábios finos.
–E-ele.. Ele se.. Se parece comigo...- Sussurrou emocionado e riu, um riso emocionado.- Nossa...- Ficou encantando ao ver que o menino já tinha aberto os olhos, diferente de Lísis que demorou para fazer isso, e ficou mais maravilhado ao ver a cor. Mesmo com aquela película estranha e cinzenta que todo recém nascido tinha nos olhos dava pra ver claramente que o menino tinha puxado a cor da mãe. – Ele tem seus olhos.- Olhou para o quadro, o filho encarando admirado sua esposa, enquanto mamava avidamente, ela, extremamente cansada, mas feliz, tão feliz que ele podia praticamente tocar sua vibração alegre. Ela o olhou
–James.- Sussurrou e aproximou o rosto do marido- Eu te amo tanto, tanto...- Ele sorriu contra os lábios dela. A jovem se afastou mediocremente e murmurou- Harry é... Harry é o melhor presente que eu poderia ganhar. Ele é a nossa união, ele é literalmente o que sentimos um pelo outro e eu já... Já o amo tanto.- Finalmente ela separou o menino de seu seio. James ainda estava boquiaberto com o que via. O pequeno soltou um resmungo, mas ficou calado, apreciando o conforto de sua mãe
–Eu não acredito que desmaiei. Não fui o primeiro a vê-lo.
–Ninguém o viu além de mim e a enfermeira.
–E nossos amigos?
–Estão lá embaixo, esperando você acordar. – James sorriu
–Posso pegá-lo?- Lílian assentiu sorrindo
–Lembra como pegou Lísis?
–Eu morria de medo de quebra-la.
–Ele é seu filho. Confie.- James sorriu e pegou Harry com as mãos tremulas. Aconchegou o menino em seus braços desajeitados e o encarou. O pequeno o encarou de volta, os olhos arregalados em pavor
–Olá garotão.- Sussurrou sorrindo, mas não teve conversa, o menino fez uma careta e começou a chorar, muito. James levantou, tentando acalmá-lo, mas ele não parava. Devolveu-o para o colo da mãe sentindo algo terrível por dentro. Harry cessou o pranto quase instantaneamente. – Ele me odeia.
–Ele é um bebê, nem sabe o que é ódio.
–Mas ele não gosta de mim.
–James, ele viveu nove meses na minha barriga, ele está se alimentando no meu seio, é normal que ele prefira estar comigo nesse primeiro instante, é um cheiro mais conhecido.
–Mas a Lísis não chorou com o Sirius.
–A Lísis não chora com ninguém.- O rapaz sentou na poltrona desolado. Seu coração cheio de preocupações de um pai de primeira viajem. Queria que seu bebê gostasse dele e não abrisse o berreiro.
Após a visita dos três mais íntimos amigos Lílian caiu no sono, deixando James com Harry. O rapaz se aproximou do berço e o menino, espertamente acordado para alguém que tinha acabado de nascer, resmungou ensaiando choro. Ele pegou o filho com todo cuidado do mundo e o pequeno iniciou o choro. James começou a entrar em desespero e assoviou Something dos Beatles, tentando acalmar seu menino. Harry parou de chorar aos poucos e piscou, ouvindo a melodia com atenção. Lílian a ouvia sempre, durante toda a gravidez e antes, o bebê pareceu reconhecer como um som amigável. Aconchegou-se no pai e em poucos segundos dormia. James ficou todo orgulhoso por ter conseguido fazer seu filho dormir. Sentou na poltrona com Harry deitado em seu peito. Segurava-o de maneira protetora e sentindo a respiração rápida do menino, fechou os olhos. Seu filho tinha o melhor cheirinho do mundo e a sensação de segurá-lo nos braços era o seu maior tesouro. Nunca se cansaria daquilo. Lílian estava certa, Harry era o melhor presente do mundo.
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